Luiz Antonio de Assis Brasil fortuna crítica resenhas e ensaios Jornais e revistas nacionais e estrangeiras Classificada por obras



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A unidade da obra

A ficção de Assis Brasil revela claras relações intratextuais. Quer do ponto de vista temático, quer da técnica narrativa, cada novo livro evidencia uma evolução constante, manifestando-se a História de diferentes modos: primeiro, como sugestão temática, através do aproveitamento ficcional de episódios e personagens; também, como sintaxe narrativa e cronologia. Logo depois, embora conserve tais aspectos, evolui pela ênfase aos elementos contextuais, que assumem relevo nos primeiros romances. Desse modo, à medida que se adensa a relação entre o escritor e o seu universo narrativo, ele passa a buscar soluções técnicas mais elaboradas, principalmente quanto à linguagem e estrutura das personagens.

Do ponto de vista da poética, os primeiros livros do romancista assemelham-se a crônicas de costumes. O escritor busca no léxico, fundamentalmente no vocabulário e nos procedimentos descritivos, a solução para os problemas relacionados à criação ficcional. Mas à medida que produz sua obra, Assis Brasil substitui este procedimento por outro. Em Bacia das almas, por exemplo, a intersecção de discursos fechados, como flashes em documentários de cinema, atua duplamente, compondo personagens e contexto. As personagens, por sua vez, vão sendo progressivamente liberadas, através do jogo permanente com o ponto de vista. Também o emprego verbal torna-se objeto de cuidados, buscando o romancista maiores efeitos impressivos pela alternância de tempos e modos. Acrescenta-se a isto um tratamento refinado do ritmo narrativo, impondo-se cada vez mais as descrições pormenorizadas e voluptuosas do objeto, descrições pormenorizadas que alcançam o leitor através dos sentidos.

É provável que seja a História Oficial do Rio Grande do Sul, mais uma vez, responsável pela conformação de uma linguagem que ao mesmo tempo designa e oculta o seu objeto: ao voltar-se contra a matriz temática para criticá-la ideologicamente, Assis Brasil a absorve e deixa-se contaminar por seu fascínio. Isto explica a produção de uma linguagem ordeira e conservadora, avessa a malabarismos formais, numa obra posta a serviço da revisão histórica e da crítica social.

A harmonia que o romancista pretende entre o tempo da ação – o passado – e a linguagem que recria, obriga a aproximar, novamente, o Historiador e o Esteta: sob a capa espessa do códice pululam o burburinho da vida, as paixões, os desconcertos de um povo, cuja identidade cultural se constitui, para o escritor, num desafio permanente.

Tal procedimento, de igualar a superfície e, logo a seguir, registrar a ruptura, consiste num denominador comum a toda a obra de Luiz Antonio de Assis Brasil. Quer nos romances, quer nas novelas ou mesmo no único conto que escreveu, há sempre uma situação de falso equilíbrio que introduz ao conflito. A estabilidade do mundo, no caso, é aparente porque provém da opressão, da não linguagem, do silencio. Porque é falsa, sobrevive através da forma externa, donde a importância dos ritos, da repetição costumeira e niveladora dos hábitos de vida, do artificialismo, do barroco. Aplica-se a velha figura do “véu da História”. Se com relação aos dois primeiros livros a expressão se ajusta, a partir de Bacia das almas a própria História contamina o enredo, alcançando seu ponto mais alto, enquanto denúncia, em Cães da Província.

Relacionando o drama individual de Qorpo – Santo com a ocorrência dos crimes da Rua do Arvoredo, o autor põe à mostra a mediocridade da Província, que expia suas culpas coletivas interditando o louco. O processo é universal e, no contexto da obra, a serenidade de superfície já não se mantém. A própria personagem, na sua loucura, oscila entre os momentos de lucidez e o mais completo desvario: “Ora sou um, ora ou outro”. Assim, a ocultação e o desvelamento da vida assumem representação concreta no confronto entre as patologias individuais e coletivas, de que são ilustrativos os episódios dos cadáveres escondidos, o falso enterro de Lucrécia e sua reclusão em vida, a ambiguidade velada e ardorosa de Inácia e principalmente a hipocrisia das perícias médicas e dos laudos judiciais.

Se em obras anteriores a crônica de costumes impunha certe homogeneidade e contenção à narrativa, em Cães da Província ocorre o contrario. Será o próprio narrador que, de início, após descrever a cidade, num quadro impressionista, revelará ao leitor o desacerto dramático que a envolve: “não se pode imaginar que justo neste período a cidade foi violentada por acontecimentos terríveis, jamais presenciados e cuja memória nunca se apagará”. Asofrosine às avessas, o imaginário em Cães da Província desloca assim a oposição aparência-realidade para a consciência coletiva do povo.



1 Graduada em letras (Unilasalle). Especialista em Leitura e Produção de Textual (Unilasalle). Professora nos sistemas públicos de educação estadual e municipal de Canoas.

2 Professora no CE Dr. Dorvalino Luciano de Souza – Cerro Grande-RS. Trabalho apresentado na URI-FW,

3 Todas as referências bibliográficas de Videiras de cristal são da edição indicada na bibliografia, no final do trabalho.


4 Palestra proferida a 30 de agosto de 1991, na cidade de Estrela, Rio Grande do Sul, por Assis Brasil.

5 O velho Sehn foi um dos poucos imigrantes abastados que aderiu ao movimento, justificando-o com as seguintes palavras: “Não podemos mais ficar à mercê deste bando de fascínoras” (p.134).

6 ORLANDI, Eni et alii. Vozes e constrastes: discurso na cidade e no campo. São Paulo, Cortez, 1989. p.32.

* Mestrando do Programa de Pós-Graduação em História da Literatura da Fundação Universidade Federal do Rio Grande. Trabalho de conclusão da disciplina “Literatura e história”, ministrada pela Prof.ª Dr.ª Nubia Hanciau, primeiro semestre, 2002.

71Editora Movimento, Porto Alegre: Um quarto de légua em quadro (1976), A prole do corvo (1978), As virtudes da casa (1985), O homem amoroso (1986), Cães da Província (1987), Videiras de cristal (1990), Bacia das almas (1992), Manhã transfigurada (1992), Perversas famílias (1992), Pedra da memória (1993), Os senhores do século (1994), Anais da Província-Boi (1997); L&PM, Porto Alegre: Bacia das almas (1981), Manhã transfigurada (1982), Concerto campestre (1997), Breviário das terras do Brasil (1997).

8 Félix Tournachon Nadar, fotógrafo francês, 1820-1910.

9 (1893 – 95) Sanguinolento conflito no Rio Grande do Sul, no qual a degola torna-se lei para economizar munição.

10 Termo usado na acepção original criada por Fernando Ortiz no Contrapunteo cubano del tabaco y el azúcar (1940): “Entendemos que o vocábulo transculturação expressa melhor as diferentes fases do processo transitivo de uma cultura a outra, porque essa não consiste apenas em adquirir uma nova e diferente cultura, que é a rigor apontado pela voz inglesa de aculturação, mas que o processo implica também necessariamente a perda ou o desprendimento de uma cultura precedente, o que poderia chamar-se de desculturação e também significa a consequente criação de novos fenômenos culturais, que poderiam ser denominados de transculturação (...) Em todo abraço de cultura acontece o mesmo que na cópula genética dos indivíduos: a criatura sempre tem algo de ambos os progenitores, mas também é sempre diferente de cada um dos dois. Em conjunto, o processo é uma transculturação”.

11 HíBRIDO, do grego hybris, cuja etimologia remete a ultraje, correspondendo a uma miscigenação ou mistura que violava as leis naturais. Híbrido é também o que participa de dois ou mais conjuntos, gêneros ou estilos. Considera-se híbrida a composição de dois elementos diversos anomalamente reunidos para originar um terceiro elemento que pode ter as características dos dois primeiros reforçadas ou reduzidas.

A pós-modernidade, ao trazer à tona o conceito de híbrido, enfatiza acima de tudo o respeito à alteridade e a valorização do diverso. Híbrido, ao destacar a necessidade de pensar a identidade como processo de construção e desconstrução, estaria subvertendo os paradigmas homogêneos da modernidade, inserindo-se na movência da pós-modernidade e associando-se ao múltiplo e ao heterogêneo.



12 O conceito surge com insistência na crítica pós-colonial, principalmente com Homi Bhabha, cujo texto dialoga e/ou colide com as leituras da questão colonial feitas por Edward Said, Aijaz Ahmad, Chandra T. Mohanty, Benita Parry, Abdul JanMohamed e Robert Young, entre outros.

13 “Num segundo momento de suas manifestações, a escritura imigrante se define essencialmente como uma experiência da memória.” Tradução de Nubia Hanciau.

14 “Quando a história da literatura das Américas for capaz de romper com a concepção do universalismo metropolitano centrado na Europa e quando forem valorizadas as variantes diferenciadoras de sua produção em função de uma literatura geral, nessa exata medida a cultura intelectual conquistará de maneira endógena esse espaço de enunciação na história da cultura, sem que isso seja uma concessão condescendente ao bom selvagem, aceito como curiosidade pelos sumos sacerdotes do juízo universal” . (Nubia Hanciau, 2002).



 ASSIS BRASIL, Luiz Antonio de de. O pintor de retratos. 3. ed. Porto Alegre: L&PM, 2002.

De agora em diante esta obra será referenciada apenas pela página.



*Professora titular da Fundação Universidade Federal do Rio Grande (FURG), RS/Brasil. Esta obra foi selecionada como corpus ficcional, lida pelos alunos da disciplina Literatura e história, ministrada no PPG-Letras do Departamento de Letras e Artes da FURG, durante o primeiro semestre de 2002 e segundo semestre de 2007. Integra igualmente a pesquisa de Luciano Moraes, orientado pela autora deste texto, em dissertação de Mestrado intitulada “Identidades transculturais: um estudo da série Visitantes ao sul, de Luiz Antonio de Assis Brasil”, defendida em setembro de 2007.

15 O romance será referenciado entre parênteses pela paginação, levando-se em conta a terceira edição: Porto Alegre: L&PM, 2002.

16 Entre eles Antonio Hohlfeldt, para quem uma questão teórica deve ser fixada na análise da obra: “O pintor de retratos é uma novela e não um romance. Tem um único enredo, centralizado numa só personagem, Sandro Lanari (...)” (2002, p. 101).

17 José Castelo. O Estado de São Paulo, Caderno 2, 12 ago. 2002.

18 Em Cultures croisées. Histoire des échanges culturels entre la France et le Brésil, de la découverte aux temps modernes, de Mario Corelli; no prefácio, Gilbert Durand acentua a questão das “imagens refletidas” e lembra o conselho que um dia lhe dera Roger Bastide: “Va au Brésil, c’est l’empire de l’imaginaire...!” Ver Carvalhal, Tânia. “Culturas e contextos: um recorte no tema das relações Europa/América latina”. In: Fronteiras imaginadas, 2001, p. 147-154.

19 Em “O primeiro olhar sobre a cidade”. Zero Hora, 16 out. 2002. Almanaque Gaúcho, p. 46.

20 O romance histórico (entrevista Luiz Antônio de Assis Brasil) – “Rompi com a grande família”, Jornal do Brasil – sábado 3 jul. 1993, p. 6.

21 Cf. Antonio Hohlfeldt, in Brasil/Brazil, n. 27, 2002, p. 101-103.

22 ANAIS do IX Congresso Internacional Travessias ABRALIC 2004. Porto Alegre, UFRGS. Ed. Abralic.

23 ASSIS BRASIL, Luiz Antonio de. A margem imóvel do rio. Porto Alegre: L&PM, 2003

24 ARMSTRONG, Karen. Breve história do mito. São Paulo: Companhia das Letras, 2005

25 Período Paleolítico- mitologia dos caçadores (20.000 a 8.000 a.c); Período Neolítico - mitologia dos agricultores (8000 a 4000 a.c); as primeiras civilizações (4000 a 800 a.c); A Era Axial (800 a 200 a.C); Período pós-axial ( 200 a.C a 1500 d.C); A grande transformação Ocidental (1500 a 2000).

26 BRICOUT, Bernadete (org). O olhar de Orfeu. Os mitos literários do Ocidente. Tradução de Lelita de Oliveira. São Paulo: Companhia das Letras, 2003

27 MASON, S.F. História da Ciência. As principais correntes do pensamento Científico. São Paulo: Globo, 1964.

28 ELIADE, Mircea. Aspectos do mito. Rio de Janeiro: edições 70, s/d.

29 CAMPBELL, Joseph. O heroide mil faces.

30 CHEVALIER, Jean. GHERBRANT, Alan. Dicionário de Simbolos. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1999, 14°ed.

31 in: dicionário de símbolos

32 in op.cit.

33 ib.idem.

34 op.cit. p. 72

35 in. Dicionário de símbolos.

36 ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano. Ed. Livros do Brasil, s/d.

37 In: dicionário de Símbolos.

38 in: O sagrado e o profano. P.114

39 última etapa descrita por Campbell da jornada do Herói.

40 HUSSERL, Edmund. Meditações cartesianas – introdução à fenomenologia, trad. Maria Gorete Lopes e Souza. Porto: Rés, [1980?] p. 50.


41 BORDINI, Maria da Glória. Fenomenologia e teoria literária. São Paulo: Edusp: 1990, p. 38.

42 Poucas pessoas têm conhecimento da presença do Santo Ofício, antigo tribunal eclesiástico instituído com o fim de investigar e punir crimes contra a fé católica, no Brasil. Representantes portugueses da instituição eram enviados periodicamente ao Brasil, a fim de estabelecer a ordem religiosa no país reinado por Portugal e ainda considerado selvagem.

43 Um debate mais aprofundado a respeito do termo transculturação pode ser encontrado no artigo de Zilá Bernd, “Os deslocamentos conceituais da transculturação”, neste mesmo volume.

44 Em 1893, teve início no Rio Grande do Sul, a Revolução Federalista, liderada pelo fazendeiro Gaspar da Silveira Martins que exigia o afastamento de Júlio de Castilhos (presidente do RS) e a instituição de uma república liberal. Também chamada de Revolta da Degola, a Revolução Federalista contou com a participação dos revoltosos da 2ª Revolta da Armada, que se aliaram aos maragatos de Silveira Martins. Floriano Peixoto, então presidente do Brasil, não se intimida e manda tropas para a região sul, em apoio aos "pica-paus" de Júlio de Castilhos. A revolução transformou-se numa longa e sangrenta luta e provocou a morte de dez mil pessoas (mil pessoas foram degoladas) e só terminou em 1895, no governo de Prudente Moraes, sucessor de Floriano. A vitória coube as tropas de Júlio de Castilhos.


45 Tradução livre do texto em francês feita por Zilá Bernd, organizadora desta publicação.

1 ASSIS BRASIL, Luiz Antonio de de. Videiras de cristal. Porto Alegre: mercado Aberto, 1990.

2 GUIMARÃES, Josué. A ferro e fogo. I Tempo de solidão. Porto Alegre: L&PM, 1982. II. Tempo de guerra. Porto Alegre: L&PM, 1982

3 ASSIS BRASIL, Luiz Antonio de de. Op. Cit., p. 46-47.

4 Id. Ibid., p.49

5 Id. Ibid., p. 64

6 Id. Ibid., p.1391 ASSIS BRASIL, Luiz Antonio de de. Videiras de cristal. Porto Alegre: mercado Aberto, 1990.

2 GUIMARÃES, Josué. A ferro e fogo. I Tempo de solidão. Porto Alegre: L&PM, 1982. II. Tempo de guerra. Porto Alegre: L&PM, 1982

3 ASSIS BRASIL, Luiz Antonio de de. Op. Cit., p. 46-47.

4 Id. Ibid., p.49

5 Id. Ibid., p. 64

6 Id. Ibid., p.139

i No presente trabalho, centramos atenção à identidade e alteridade do artista. Mas cabe dizer que um recorte visando as recorrências na totalidade da produção literária de Assis Brasil fornece farto material para abordagens sobre a alteridade do estrangeiro. Quase todas suas obras possuem um personagem de outra nacionalidade, que exerce uma função importante na trama.


ii Neste sentido, temos consciência de que nossa atitude analítica poderá estar vinculada tributariamente a algo do pensamento romântico na sua origem e em seu projeto de recuperação da cultura, de ampliação do ser e do destino do homem, recusando, porém, o espírito nacionalista com o qual se implantou na Literatura Brasileira.

iii MIGNOLO, Walter D. Posoccidentalismo: las epistemolgías fonterizas y el dilema de los estudios (Latinoamericanos) de áreas Revista Iberoamericana. Vol. LXII, Núms. 176-177, Julio-Diciembre 1996; 679-696.

iv CARVALHAL, Tânia. O próprio e o alheio. Ensaios de literatura comparada. São Leopoldo: UNISINOS, 2003. P.125-52.

v A escolha tem motivação na recepção da obra a partir da experiência de vário seminários em sala de aula e da garantida polêmica em torno das interpretações. Por extensão, trata-se do público gaúcho que cultiva fortemente as questões locais e têm vínculo com sua história. História que está presente na obra. Em razão disso, esta abordagem analítica quase nunca se resolve facilmente em função da parcialidade que afeta a grande maioria de nossos espíritos.

vi TODOROV, Tzvetan. Nós e os Outros: e reflexão francesa sobre a diversidade humana. RJ: Jorge Zahar, 1993. V.1

vii KRISTEWA, Julia. A universalidade não seria nossa própria estranheza? In: Estrangeiros para nós mesmos

viii Teorias da Pós-Modernidade já abordaram fartamente a participação do receptor no processo de construção do significado/sentido.

ix FREUD, Sigmund. O estranho. In: Obras psicológicas completas. Ed. Standard Brasileira. V XVII, 2ª ed. Rio de Janeiro: Imago, 1987

x O punctum , diz ele, é esse acaso, que nela me punge (mas também me mortifica, me fere)p.46 BARTHES, Roland. A câmara clara. RJ: Nova Fronteira, 1984.

xi Os conceitos de paródia, paráfrase e estilização adaptados a esta análise são considerados no sentido de que Sandro reafirma ou aprimora a ideologia e o modelo estético e humano de Curzio, enquanto Nadar perverte, antagoniza frontalmente com tal modelo. SANT’ANNA, Affonso Romano de . Paródia, Paráfrase & Cia.. São Paulo: Ática, 1999.

xii Atlante tanto pode denotar gigantesco ou forte, como estático (em arquitetura, cada uma das figuras de homens que servem de colunas) o que representaria a sua estagnação evolutiva. Por outro lado, a simbologia de Atlântida — reino perdido ou submerso — ganha espaço na análise se considerarmos a perspectiva platônica da lenda que a considerava cidade ideal, habitada por semideuses filhos de Posêidom e que teve sua Idade de Ouro, até que o elemento divino começou a diminuir em seus habitantes, passando a dominar o caráter humano, o que os deixou vulneráveis a ira de Zeus. A “originalidade simbólica de Atlântida está na ideia de que o paraíso reside na predominância em nós de um elemento divino. Não por acaso, isso sugere a ideia de que tanto o paraíso como o inferno estejam basicamente dentro de nós mesmos. O tema da Idade de Ouro remete naturalmente ao apogeu das artes plásticas picturais na Itália, em um tempo de remonta a seus ancestrais paternos (ou à antiguidade romana mesmo), pois ao tempo de Curzio Lanari (meados do Sec. XIX) o centro cultural das artes já havia deslocado seu eixo para a França. CHEVALIER, Jean, Alain GHEERBRANT. Dicionário de Símbolos; (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999.

xiii BENJAMIM, Walter. Pequena história da fotografia. In:Sociologia Textos escolhidos.Org. Flávio Kothe. São Paulo: Ática, 1991.

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