Luz entre os homens o rei balduíno da bélgica



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Luz entre os homens

O REI BALDUÍNO DA BÉLGICA

A luz de Cristo pode brilhar em todo o tipo de pessoas, desde as mais simples e desconhecidas às de maior notoriedade por pertencerem às elites do poder político ou económico ou do âmbito da cultura. A condição fundamental é acolher e corresponder aos dons recebidos de Deus na própria vida pessoal e nas responsabilidades assumidas. Vejamos a história de vida do rei Balduíno I da Bélgica (1930-1993).

Balduíno Alberto Carlos Leopoldo Axel Maria Gustavo, filho primogénito do rei Leopoldo III e de Astrid da Suécia, nasceu em Laeken, Bélgica, no ano de 1930. Juntamente com a família viveu na Alemanha como deportado e depois como exilado na Suíça. Subiu ao trono do seu país em 1951, após a abdicação de seu pai. Em 1960, casou-se com Fabíola de Mora y Aragón, da nobreza espanhola. Não conseguiu ter descendência, pois nas cinco vezes em que ficou grávida, a rainha sofreu abortos espontâneos. Balduíno reinou durante 42 anos e morreu em Motril, Espanha, aos 62 anos, em 1993. O seu sucessor no trono belga foi o seu irmão Alberto II.

O rei Balduíno viveu profundamente as suas convicções de fé católica e por elas orientou a sua vida e atuação política ao serviço do seu país. Era um homem de fé fervorosa. A quem lhe perguntava porque passava longo tempo em oração na capela do seu palácio, ele respondia: “A gente, para se bronzear, precisa de estar muito tempo na praia”. Na sua ação política teve que enfrentar tensões nacionalistas entre diferentes regiões belgas bem como, em 1960, a violenta descolonização do Congo. A sua coerência foi tal que, por motivos de consciência, recusou assinar a lei de despenalização do aborto no seu país, em 1990, preferindo renunciar temporariamente às suas funções como chefe de Estado.

Impressionante é de igual modo a sua vivência do matrimónio. Ele revela que quando conheceu Fabíola, “o contacto foi imediato e maravilhoso, e a confiança recíproca”. O relacionamento e amor entre ambos cresceu. Balduíno conta: “Eu amava cada vez mais as suas observações e a reações, estava cada vez mais convicto de que Fabíola tinha sido escolhida desde sempre pela Santíssima Virgem para ser minha esposa, e eu estava-lhe infinitamente grato”. Na oração, pede a Jesus: “Ensina-me a amar Fabíola, a encorajá-la a aceitar o seu ritmo, que não é o meu, a sua maneira própria de pensar e de organizar. Ensina-me também a respeitar a sua personalidade, com todas as diferenças e contradições. Jesus, obrigado por me teres dado este maravilhoso tesouro”.

Balduíno amou profundamente Fabíola e sabia apreciá-la e valorizá-la, como ele mesmo afirma: “Amo Fabíola cada dia mais. Que graça ela é para mim!... O que mais me agrada nela é a sua humildade, a sua confiança na Santíssima Virgem, a sua transparência... Sei que ela será todos os dias um estímulo para amar a Deus cada vez mais”. E rezava também a Deus pela esposa do seu coração: “Enche Fabíola com a tua santidade. Que ela viva da tua alegria e da tua paz. Ensina-me a amá-la com a tua ternura. Dá-lhe uma vida plena. Que ela se sinta amada por ti com um amor de predileção. Enche-me com o teu amor por ela”.

O facto de ser um homem público não lhe tirava o coração. Pelo contrário, via na sua missão de rei um dever de “cuidar do seu povo”. Por isso, amava a verdade e a justiça, dedicava-se especialmente aos mais pequenos. O sofrimento por não conseguir ter filhos foi motivo de interrogação sobre o seu significado, como ele mesmo confidencia: “Questionámo-nos muito sobre o sentido deste sofrimento. Pouco a pouco, compreendemos que o nosso coração estava mais livre para ama todas as crianças”.

Em 1976 criou uma fundação com o objetivo de promover “iniciativas para melhorar as condições de vida da população”, nomeadamente as mulheres vítimas de violência, os problemas das prisões, o acesso à justiça, os maus tratos sexuais das crianças, etc. A quando da sua morte, uma multidão de pessoas manifestou a sua homenagem ao rei, mostrando quanto ele tinha entrado no seu coração pois ele soubera tornar-se próximo de quantos se encontravam em maiores sofrimentos e necessidades. Para o Cardeal Danneels, o segredo da vida do rei Balduíno foi o seu amor por Deus: enquanto “servia os homens, não cessava de pensar em Deus. Em cada rosto humano que se lhe apresentava, ele discernia o rosto de Cristo”. O Papa João Paulo II qualificou-o de “rei exemplar” e “cristão fervoroso”.



Padre Jorge Guarda
Este artigo pode ser encontrado também no meu blog, no seguinte endereço: http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt


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