Lyotard, Jean-François



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LYOTARD, Jean-François. Heidegger e os “judeus”. Petrópolis: Vozes, 1994. p. 11-60.



  • “’Os judeus’ constituem o objeto do não-lugar de onde os judeus, em particular, são feridos realmente.” p. 11




  • “Um esquecido que não resulta do esquecimento de uma realidade, uma vez que nada foi memorizado, e que não se pode relembrar a não ser como esquecido “antes’ da memória e do esquecimento, e repetindo-o.” p. 13




  • “Mas quanto ao esquecimento, esta memória do memorial é intensamente seletiva; exige que se esqueça aquilo que pode suscitar dúvidas quanto à comunidade e sua legitimidade.” p.15




  • “(...) se há lugar para embalo, é que há alguma coisa para embalar, que dá matéria para a embalagem. Eleva-se porque é preciso arrebatar. A dor da vergonha e da dúvida gera a edificação do digno, do certo, do nobre e do justo.” p. 16




  • “Em termos da economia freudiana, a desordem provocada por uma excitação induz mecanismos de defesa e os desencadeia. O choque passado (próximo ou distante) dá lugar a uma “formação”. Esta pode ser, ela mesma, repetitiva, o desejo sem controle do Uno (do Ego, narcisismo secundário?), e aí age violentamente, rejeitando esse passado (recalcando-o) para transformá-lo, dar-lhe forma e dar ao “aparelho psíquico” o seu regime otimal. Isto é, permitindo o menor gasto possível.” p. 16




  • “Este desejo de se recordar, de vir a si por baixo, é habitado pelo desejo de vir a si por cima. É político enquanto subordina o que (se) passou e (se) foi ao sobrevir e ao sobreviver, cola de novo, enfeixa o mencionado passado a serviço do futuro, desencadeia uma temporalidade certamente distendida entre instâncias ek-státicas, passado-presente-futuro, e no entanto homogênea por sua meta-instanciação sobre o Ego. E assim essa política esquece o heterogêneo, que não é apenas heterogênea ao Ego, mas heterogênea em si, estranha a essa espécie de temporalidade. Que não entrou nela, e da qual não se tem memória nem é possível lembrar-se por meio desse gesto convocador, embalador.” p.16




  • “A história-ciência pode resistir ao esquecimento que habita a história edificante, impedi-la de “contar histórias”, opor uma espécie de política da verdade menor contra a grande política, criticar a ilusão inevitável de que vítima a “consciência” (amplamente inconsciente-pré-consciente) quando pretende apoderar-se do passado (defender-se dele, pelo mero fato de ser consciência) (Vidal-Naquet).” p. 18




  • “Lutar contra o esquecimento, aqui, é lutar para lembrar que se esquece desde o momento em que se crê, desde que se conclui e se aceita algo. Lutar contra o esquecimento da precariedade do estabelecido, do passado restabelecido. Lutar pela doença de que sofre o restabelecimento.” p.19




  • “Em termos de mecânica geral, a força de excitação não é “ligável”, passível de composição, neutralizável, fixável segundo outras forças “dentro” do aparelho, e como tal não dá margem à representação.” p. 25




  • “A organização narrativa é constitutiva do tempo diacrônico, e o tempo que ela constitui tem justamente por efeito “neutralizar” uma violência “inicial”, representar uma presença sem representação, colocar o obsceno em cena, dissociar o passado do presente, e montar uma rememoração que deve ser uma reapropriação do afeto impróprio, acrônico.” p. 26




  • “Freud em geral caracteriza este “afeto inconsciente” como a angústia (Hemmung).” p. 30

  • “Pois a decisão é por si mesma o esquecimento da excisão, o esquecimento desse esquecido que é o afeto, dessa miséria órfã a que a decisão pretende restituir sua genealogia.” p. 30




  • “E como a verdadeira história, aquela que não é historicismo, mas anammese. Que não esquece que o esquecimento não é uma falha da memória, mas o imemorial sempre “presente”, nunca aqui-agora, sempre estraçalhado no tempo de consciência, crônico entre um cedo demais e um tarde demais.” p. 31




  • “O anti-semitismo ocidental não é a sua xenofobia, é um dos meios para o aparelho de sua cultura ligar e representar, quanto pode – defender-se – do terror originário, esquecê-lo ativamente. É a face defensiva de seus mecanismos de ataque, a saber: a ciência grega, o direito e a política romanos, a espiritualidade cristã, as Luzes.” p. 35




  • “Mas fazer esquecer o crime representando-o é mais apropriado, se é verdade que se trata, no caso dos “judeus”, de algo como o afeto inconsciente de que o Ocidente não quer saber de modo algum. Não pode ser representado, a não ser com falha, esquecido de novo, pois desafia as imagens e as palavras.” p. 37




  • “Representando, inscreve-se na memória, e isto pode parecer uma boa guarda contra o esquecimento. É o contrário, julgo eu. Não se pode esquecer no sentido comum a não ser aquilo que se pôde inscrever, pois então poderá se apagar.”




  • É preciso, certamente, é preciso inscrever, em palavras, em imagens. Não há como escapar à necessidade de representar. Seria o próprio pecado julgar-se santo, salvo. Mas uma coisa é fazê-lo em vista de salvar a memória, outra, tentar reservar o resto, o esquecido inolvidável, na escritura.” p. 38




  • “Toda memória, no sentido habitual de representação, por ser decisão, comporta e difunde o esquecimento do terror sem origem que a motiva.” p. 41




  • “Ninguém mais deve lembra-se dele, como um pesadelo que acabou. Pois o pesadelo continuaria na lembrança mesma do seu fim. Mas a eliminação do esquecido ter que ser esquecida para ser realizar, isto mesmo atesta que o esquecido está sempre aí. Pois jamais esteve aí a não ser como esquecido, e seu esquecimento esquecido.” p.41




  • “Não há pregação hebraica, como também não há estética judaica. Há uma narrática perpétua, feita de histórias singulares. Nada pode conduzir da aisthesis ao sentimento escondido, à dor e à alegria sublimes que são o depósito inimitável deixado pelo choque não sentido da aliança, inigualável por qualquer artefato, ainda que feito de palavras piedosas.” p.49




  • “Esta “sociedade” (que não é sociedade, vou voltar a esse ponto ainda) não se preocupa, evidentemente, com essa confusão teológica. Judeus ou católicos, aliança ou encarnação, santo ou sagrado, pouco lhe importa. Importa apenas que toda a energia que cada individualidade traz em potência seja transformável em “trabalho”, no sentido da mecânica geral.” p.52




  • “É importante, muito importante, lembrar-se que ninguém poderia, pela escritura, a pintura, nada, pretende ser a testemunha e o relator verídico, o “igual”, da afecção sublime, sem se tornar culpado, por esta mera pretensão, de falsificação e impostura. Não se faz o sublime, não se “projeta” o sublime, ele sobrevém. A arte é um artefato, constrói a sua representação. A arte não pode ser sublime, pode “imitar” o sublime, e isto não é melhor que belo, somente mais ridículo. Tratando-se de tese, uma pose.” p.57




  • “O que a arte pode fazer, não é se fazer testemunha do sublime, mas dessa aporia da arte e sua dor. Não diz o indizível, diz que não pode dizê-lo.” p.58




  • “Não basta, diz-se, condenar a “novidade” porque ela é o slogan indispensável à economia geral que reina sobre o inferno impondo-lhe a regra do esquecimento e fazendo o espírito voltar-se exclusivamente, fatalmente, para o futuro.” p. 59




  • “(...) o Eu se reconstrói segundo o modelo produtivista da composição orgânica do capital. Os traços de caráter são explorados no circuito social, econômico e cultural da troca, como aparelhos de produção, como mercadorias produtivas. E o Ego se torna uma espécie de administrador de tudo isso, proprietário e manager, uma instância abstrata – escreve ele em uma passagem de Minima Moralia (Ibidem, 213-217).” p. 59




  • “Pois este deslocamento das tarefas do recalque secundário sobre os aparelhos sócio-culturais, esta objetivização, esta abjeção, relevam no vazio da alma o “mal-estar” que, segundo a profecia de Freud, iria aumentar com a “civilização”. Uma angústia mais “arcaica”, e precisamente rebelde à formação de representações. É com essa resistência extrema que a escritura e a arte contemporâneas podem alimentar sua resistência a este “tudo é possível”, e só com ela. A anestesia para lutar contra a amnésia.” p. 60

Fichamento realizado por Sirlene Ribeiro Góes
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