Maçonaria e Programação Neurolinguística



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Maçonaria e Programação Neurolinguística


Martha Follain.

DEDICATÓRIA:

“In memoriam” dos maçons ARY FOLLAIN (1910-1975), meu pai, homem probo, meu melhor amigo - meu afeto. E EDWARD BACH (1886-1936), que demonstrou compaixão para com os seres vivos, criando as essências florais - minha gratidão.

Ao maçom CLAUDIOMAR LOPES BARCELLOS (1935), M.I., 33° do R.E.A.A. – Pelotas/RS - meu respeito.

Martha Follain.

Junho/2006 – São Paulo - SP
PREFÁCIO –

APRESENTAÇÃO – por Claudiomar Lopes Barcellos                   



 

    

     A Drª. Martha Follain honrou-me com a solicitação para que fizesse a apresentação do seu livro “Maçonaria e Programação Neurolinguística”, em virtude de ter acompanhado a elaboração de tão preciosa obra, sem quebrar meu juramento de sigilo.

     A Drª. Martha interessou-se pela Maçonaria, em virtude de seu saudoso pai, Dr. Ary Follain, ter pertencido à Ordem Maçônica. Não obstante pesquisarmos sobre a afiliação maçônica, que deve ter sido por volta do ano de 1950. Infelizmente, não obtivemos, até o presente, resposta da Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro (GLMERJ) ou do Grande Oriente do Brasil/Rio de Janeiro (GOB/RJ).

     A autora, mulher culta e inteligente, tem escrito inúmeros artigos sobre vários assuntos, mormente, Vegetarianismo, Defesa dos Direitos dos Animais Não Humanos, PNL, Terapias Holísticas etc., mas, este é o primeiro livro que escreve.

     Seu objetivo, ao lançar-se à tarefa de escrever tal obra, foi prestar homenagem a seu saudoso pai e ao médico inglês, Dr. Edward Bach, criador da Terapia dos Florais que leva seu nome - Florais de Bach. Na biografia do ilustre e humanitário médico, sua assistente, Srª.  Nora Weeks cita sua afiliação à Maçonaria inglesa.

     O segundo objetivo foi trazer ao conhecimento dos Maçons e suas Famílias, o quanto de importância tem a Filosofia Maçônica, para a Evolução da Humanidade. Eu costumo dizer que, a Franco-Maçonaria, com sua ação libertadora, foi a “parteira” das Independências das Nações Americanas, eis que, todos os movimentos dessas independências, foram liderados pelos Maçons.

   O terceiro objetivo foi mostrar  a Maçonaria sob a ótica da PNL - Programação Neurolinguística.

   A Drª. Martha foi uma brilhante aluna de um dos criadores da PNL, o Dr. John Grinder, professor da UCLA - Universidade da Califórnia (EUA).

     O livro começa a mostrar a estrutura da Maçonaria, em seus Ritos, Graus, histórico e finaliza com a ótica da Sublime Instituição, a Arte Real, sob a Luz da PNL.

     Por certo, tal enfoque dado pela Drª. Martha é inédito na bibliografia Maçônica, tanto a de elaboração dos pesquisadores maçons como profanos. Sabe-se que a Maçonaria é estudada em Universidades, como fato cultural, sociológico, antropológico, histórico, etc.

     Lembremo-nos que homens de valor intelectual, cultural e ético, foram Maçons e brindaram a Humanidade com  suas preciosas obras. Citemos Carl Gustav Jung, Carl Sagan e Gibran Kalil Gibran, entre inúmeros.

     Eis a obra que vem a Luz num momento da História da Humanidade, que podemos chamar da Grande Transição.  Se, a maioria dos meus Irmãos de Fraternidade, vê com preocupação, tantos livros sobre Maçonaria, eu, creio, firmemente, que o Sigilo Maçônico está preservado no íntimo dos Iniciados na Sublime Instituição, está resguardado no “Sanctu Sanctorumdo Coração do Maçom...

     Também, um dos Paradigmas Espirituais da Humanidade e da Maçonaria, o Mestre Yeoshua (latinizado para Iesu, Jesus), previu que, quando chegassem os Tempos Finais, tudo que fosse oculto seria revelado... Ora, se a Maçonaria tem tanto ensinamento de Luz, seu Farol está beneficiando a Humanidade, quando sua Luz se expande e se revela, como no caso desta importante obra da Drª. Martha.

     Que o Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, ilumine a compreensão dos Maçons, ao lerem “Maçonaria e Programação Neurolinguística”.

     Um fraternal abraço a todos,

     Claudiomar Lopes Barcellos, M.*.I.*., 33

     ARLS Fraternidade nº 3 - R.*.E.*.A.*.A.*. - Or.*. de Pelotas/RS - GLMERGS

*****************************

    

“O vinho é forte,

O rei é mais forte,

As mulheres mais fortes ainda.

Mas, a verdade conquista tudo”.

Inscrição no interior da Capela de Rosslyn (Lothian – Escócia).

“- Companheiro sobre a Torre,

De onde vens dia após dia?


- Venho das trevas profundas

Em que se debate nosso velho mundo,

Onde tudo é frio, hostil e escuro.
- Companheiro sobre a Torre,

Que vês tu dia após dia?


- Vejo as sublimes obras-primas

Dos grandes obreiros anônimos,

Os bons companheiros de antigamente

Que trabalhavam com alegria

E que nos abriram o Caminho

Porque possuíam a Fé.


- Companheiro sobre a Torre

Que fazes dia após dia?


- Da Natureza inteira eu tomo

A inumerável e rude matéria,

E com meu coração e minhas mãos

Segurando a ferramenta que canta e ressoa,

Transformo-a e dou-lhe forma.

E, trabalho para todos os seres humanos”.

La Gaité-de-Villebois (maçom medieval).


LUX E TENEBRIS


ÍNDICE:
MAÇONARIA:


  1. Origem, Mitos e História;

  2. Conceito, As Mulheres e a Maçonaria, Objetivos, Missão, Propósitos, Obediências;

  3. Ritos e Graus: Rito Escocês Antigo e Aceito; Rito de York e “Emulation Rite”; Rito de Schröder; Rito Francês ou Moderno; Rito Brasileiro; Rito Adonhiramita;

  4. Ritualismo, Simbolismo e Símbolos;

  5. Maçonaria e Hermetismo;

  6. Maçonaria e Astrologia;

  7. Maçonaria e Holismo;

  8. Os Templos Maçônicos;

  9. A Maçonaria no Brasil.



PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA (PNL) E MAÇONARIA:

  1. Conceito, Origem e História da PNL;

  2. Pressupostos da PNL;

  3. Como nos comunicamos com o mundo: Uso Adequado da Voz; Uso dos “Cérebros”; Linguagem: canais de comunicação (linguagem verbal), pistas de acesso, fisiologia - “rapport” (linguagem corporal) - formas para obter “rapport”; “Rapport” e Cadeia de União;

  4. PNL e Física;

  5. Cérebro: Como o Cérebro Processa Informações; Como o Cérebro funciona; Anatomia do Cérebro; O Universo Holográfico - Cérebro Holográfico e Maçonaria; Cérebro Reptiliano: Aprendiz; Sistema Límbico: Companheiro; Cérebro Neocortical: Mestre; Cérebro e Maçonaria são Ritualísticos; Mente Consciente, Mente Inconsciente e Maçons; Símbolos e Rituais Maçônicos; Hemisfério Esquerdo, Hemisfério Direito e Ritos;

  6. Sociedade Planetária – Maçonaria e Terceiro Milênio.


MAÇONARIA:


1- Origem, Mitos e História:
A Maçonaria, ou Ordem Maçônica, a mais famosa das “ditas” sociedades secretas, está envolta em segredos; seu próprio nascimento é misterioso e, não pode ser detectado. Tal falta de comprovação de sua origem, é atribuída ao fato de ser uma instituição sigilosa e, em tempos remotos seus ensinamentos serem transmitidos oralmente, não havendo referências documentais. A falta de registros faz com que, o nascedouro da Ordem Maçônica, esteja envolto em contradições e divergências.

Porém, os fundamentos da filosofia maçônica estão presentes em diversas sociedades antigas: na Grécia, no Egito, etc.

Em todas as culturas, o ser humano sempre procurou conhecer e estudar a respeito de sua própria natureza e a finalidade da existência. Criaram-se Tradições, as quais reconheciam propósitos para a humanidade. De uma forma geral, essas Tradições estavam ligadas à religião da sociedade na qual se desenvolveram. Essas Tradições são os “Mistérios”. Os “Mistérios” eram Escolas de Conhecimento que ofereciam estudo a respeito de “reinos não materiais” e das leis naturais que neles operavam, onde somente iniciados eram admitidos. O conhecimento era transmitido através de etapas (graus), e a instrução envolvia Rituais e uma elaborada estrutura simbólica, utilizada para preservar os ensinamentos. Os “Mistérios”, não eram necessariamente religiões - a preocupação maior era com a filosofia e a moral. Eles se dividiam em Mistérios Menores e Maiores. Os primeiros eram preparatórios, e nos Mistérios Maiores o conhecimento completo era comunicado.

Assim, as antigas Tradições dos “Mistérios”, expressaram sua filosofia e, graças ao simbolismo dessas tradições, pôde ser preservada. O objetivo sempre foi o mesmo, conservado pela Maçonaria: conhecer a si mesmo descobrindo a centelha divina interior, aperfeiçoando-se continuamente, no caminho da moral, da retidão e da felicidade.

Alguns autores dividem a história da Maçonaria em três períodos:


  1. Maçonaria Primitiva ou Pré-Maçonaria:

Abrange o conhecimento herdado de antigas civilizações. A Maçonaria Primitiva pode ser dividida:

- Mistérios Persas e Hindus;

- Mistérios Egípcios;

- Mistérios Gregos dos Cabiris (deuses cuja adoração remonta à Ilha de Samotrácia, onde os Mistérios Cabíricos foram praticados até o início da era cristã. Havia a lenda da morte e ressurreição de Atys, filho da deusa Cibele);

- Mistérios Gregos de Elêusis ou de Ceres ou Deméter (de todos os Mistérios dos antigos, eram os mais populares. Celebrados na Vila de Elêusis, próximo a Atenas, eram dedicados à deusa Deméter. Neles a perda e a restituição de Perséfone, filha de Deméter, eram representados de forma cênica);

- Mistérios Judaicos de Salomão;

- Mistérios Gregos de Orfeu;

- Mistérios Gregos de Pitágoras (filósofo grego que nasceu na Ilha de Samos, por volta de 584 a.C.. Viajou muito para adquirir conhecimento: foi iniciado pelos sacerdotes, no Egito, nos Mistérios Egípcios. Na Babilônia familiarizou-se com os ensinamentos místicos dos caldeus e teve contato com os cativos judeus que haviam sido exilados de Jerusalém e lá residiam);

- Mistérios dos Essênios (sociedade ou seita judaica que combinava o trabalho com as práticas religiosas);

- Mistérios Romanos.



  1. Maçonaria Operativa ou de Ofício:

Estende-se por toda a Idade Média e a Renascença e extingue-se com a fundação da Grande Loja de Londres em 1717;

  1. Maçonaria Especulativa ou Franco-Maçonaria ou Maçonaria dos Aceitos:

A fundação da Grande Loja de Londres determina o início da Maçonaria

Especulativa.


Dentre os “Mistérios”, os da civilização egípcia forneceram muitos subsídios e fundamentos à Maçonaria. Os primeiros egípcios parecem ter sido influenciados pelos construtores de cidades da Suméria – emigrantes sumérios podem ter levado a técnica de construção para o Egito. A Maçonaria tem alguns símbolos que são egípcios, como pirâmides, olho de Hórus, etc. – que podem ter origem suméria – pesquisadores indicam a Suméria como berço de toda civilização.

Há uma lenda, relatada por Plutarco, escritor e filósofo grego, que liga a Ordem a Ísis (a mãe de todos os seres e personificação da Natureza e da Vida) e Osíris (deus supremo, o deus que levou a civilização ao Egito, filho de Geb, a Terra e de Nut, matéria primordial do espaço infinito), no Egito. A Maçonaria, segundo a lenda, pode ter tido origem nos “Mistérios” egípcios (os Mistérios egípcios dividiam-se em três graus: mistérios de Ísis, de Osíris e os de Hórus, que posteriormente, poderiam ter originado os três Graus na Maçonaria Simbólica), no “ocultismo” desses ensinamentos. A Ordem recebeu várias influências egípcias: os construtores das pirâmides, os “pedreiros”, foram os primeiros a sistematizar e transmitir os preceitos maçônicos. A Geometria, empregada nas grandes construções é a mesma para os maçons. Elementos dos Templos egípcios, como as colunas, estão presentes nas atuais Lojas. Os iniciados adotam o princípio da Luz e das Trevas, em eterna luta, como no mito de Ísis e Osíris:

Seth (deus do caos, da confusão, da traição, das tempestades, do vento, do deserto e das terras estrangeiras), com inveja de Osíris (seu irmão), por este ter herdado o reino do pai na Terra, engendrou um plano para matá-lo e usurpar o poder. Seth tirou as medidas de Osíris enquanto ele dormia e, organizou um banquete para os setenta e dois deuses da corte, no qual lançou um desafio: aquele que coubesse no esquife (que mandou fazer com as medidas de Osíris), o ganharia de presente. Claro que, somente Osíris coube. Seth trancou-o e mandou jogá-lo no rio Nilo. A corrente arrastou a urna até o Mar Mediterrâneo, até Biblos, na Fenícia. Ísis, esposa de Osíris, partiu em busca do marido. Encontrou-o e voltou com o esquife.

Seth descobriu e cortou o corpo do irmão em catorze pedaços, espalhando-os pelo Egito – são também catorze os dias de um funeral, na Lenda Maçônica do 3º Grau, Mestre – pode ser uma referência à metade da idade lunar, ou de seu período negro, simbólico da escuridão da morte, seguido pelos catorze dias de Lua Cheia, ou de retomada da vida.

Ísis parte, novamente, em busca dos despojos do esposo e, encontra todas as partes. Ísis foi ajudada por Anúbis, deus guia dos caminhos do além-túmulo com cabeça de chacal, que embalsamou Osíris, e este se tornou a primeira múmia do Egito. Ísis conseguiu que o marido embalsamado a fecundasse e, dessa união, nasceu Hórus, que assumiu o poder e reinou na Terra.
Dentre os Mistérios Judaicos de Salomão, há a lenda que, situa a origem da Maçonaria na construção do Grande Templo de Salomão, em Jerusalém, narrada no Velho Testamento (I Reis).

Davi, rei da tribo de Judá, que se tornou rei por volta de 1000 a.C., desejava construir um Templo, onde a Arca da Aliança (receptáculo das Tábuas dos Dez Mandamentos) ficasse definitivamente guardada, ao invés de permanecer em tenda provisória, existente desde os tempos de Moisés. Davi e seu filho Salomão (Salomão, nono filho de Davi, com Bate-Seba - foi o terceiro rei do povo hebreu, tendo sucedido a seu pai em cerca de 997 a.C.. Reinou por quarenta anos.), foram encarregados de concretizar os planos do Arquiteto Divino. Davi não viu a obra concluída, por causa de envolvimentos pessoais: Davi se apaixonou por Bate-Seba e foi responsável pela morte de seu marido Urias. O filho de Davi, o príncipe coroado Amom, foi assassinado por seu irmão Absalão, depois de ter estuprado sua meia irmã Tamar, e Absalão tentou usurpar o reino de seu pai. Houve uma guerra civil: Davi conseguiu manter seu reino e mandou matar Absalão, por enforcamento. Com tantos problemas e dissabores, Davi não construiu o Templo planejado.

Davi estava em seu leito de morte quando Adonias, o herdeiro do trono, foi coroado rei. Antes que a festa de coroação terminasse, Salomão foi ungido rei por Sadok, com a aquiescência e ajuda do próprio Davi. A cerimônia de Salomão foi considerada como a verdadeira. Salomão então recebe de Deus, a missão de construir o Templo, seguindo as instruções deixadas pelo profeta Natan, ao qual “o Senhor deu sonhos” com as indicações necessárias.

Salomão não conseguindo arregimentar mão de obra qualificada em Israel solicitou a Hiram, rei de Tiro (Fenícia), os operários necessários. Hiram, atendendo ao pedido do rei Salomão, designou os trabalhadores (e também forneceu madeira do Líbano - cedro), recebendo em troca trigo, cevada, azeite e vinho.

Salomão mandou construir o Templo no Monte Moriá, no quarto ano do seu reinado e confiou seus planos a um arquiteto, indicado por Hiram, rei de Tiro, chamado Hiram Abiff (filho de um tírio, obreiro do bronze, e de uma viúva da tribo de Nephtali). Hiram Abiff dividiu os trabalhadores em três categorias, segundo suas aptidões e responsabilidades: uns deveriam trabalhar nas montanhas extraindo pedras (Aprendizes); outros transportariam as pedras da montanha para o local da construção (Companheiros); e, os mais qualificados para construir o Templo, ensinar e inspecionar o trabalho (Mestres). Segundo a lenda, Salomão teria sob suas ordens oitenta mil operários e mais de três mil Mestres.

A comunicação entre Hiram Abiff, Aprendizes, Companheiros e Mestres era feita através de sinais, toques e palavras, já que a maioria dos trabalhadores era analfabeta. Assim, para identificarem-se no momento de receber o pagamento pelas horas trabalhadas, os Aprendizes usavam uma palavra-senha (palavra de passe), os Companheiros outra e os Mestres outra diferente, de maneira que cada um fosse reconhecido de acordo com a sua qualificação profissional. Se o operário esquecesse a palavra de passe, não conseguia receber o pagamento. Os maçons, atualmente, conservam toques, sinais e palavras para se reconhecerem e se comunicarem.

Durante a obra, Hiram Abiff, (arquiteto chefe) foi assassinado por três de seus Companheiros: Jubela, Jubelo e Jubelum, no Rito Escocês Antigo e Aceito; ou Sebal, Overlut e Stokin, no Rito de York; ou Hagava, Hakina e Herenda, no Rito de Misräin. O motivo do crime envolveu ambição. Os três Companheiros queriam que Hiram Abiff ensinasse os “segredos” de Mestre, sem terem o tempo necessário de estudo para receberem tais conhecimentos, guardados por Hiram: reza a lenda, que Hiram Abiff realizou a obra sem o uso de ferramentas: todos os blocos de pedra encaixavam-se perfeitamente. Hiram foi morto, porém, não revelou o que sabia.

Salomão, não vendo regressar seu arquiteto, enviou nove Mestres para procurá-lo, os quais saíram divididos em grupos sucessivos de três (outros autores dão o número de doze Mestres, os quais saíram em grupos de três: três para o sul, três para o norte, três para o leste e três para o oeste). Os três assassinos esconderam o cadáver sob um monte de escombros e, plantaram sobre este túmulo improvisado um ramo de acácia, fugindo depois. A acácia é uma planta perene cujas folhas mantêm-se verdes, mesmo no outono e inverno e, representa a eternidade e imortalidade - o conhecimento inconsciente e universal. O corpo de Hiram Abiff ficou enterrado por catorze dias. O ramo de acácia revelou aos nove Mestres o local da sepultura do corpo de Hiram - abriram a tumba e retiraram seus restos, exclamando: “Mach Benach” (“a carne se solta dos ossos”). Salomão proporcionou a Hiram um enterro digno. Os três assassinos foram capturados. E Hiram “ressuscitou”.

Segundo Albert Pike (1809-1891), Grão-Mestre da Maçonaria americana (Rito Escocês Antigo e Aceito) de 1859 a 1891, os assassinos desfecharam três golpes em Hiram Abiff, os quais, simbolicamente, representavam uma maneira de matar “espiritualmente” a humanidade: o primeiro assassino deu um golpe na garganta, desfechado com uma régua, que sufocaria a liberdade de expressão; o segundo golpe foi no coração, com um esquadro, que mataria a fraternidade entre os homens; e o terceiro foi na cabeça, com um maço (martelo grande, de madeira) para destruir o livre pensamento.

Os nomes dos três Companheiros que assassinaram Hiram Abiff, Jubela, Jubelo e Jubelum (simbolizam a ignorância, fanatismo e a tirania), deram origem aos sinais dos três primeiros Graus maçônicos.

Após a morte do rei Salomão em cerca de 935 a.C., seu reino foi dividido em dois estados: Israel e Judá. Deste último, os judeus herdaram o nome. Com o tempo, esses dois reinos, tornaram-se muito fracos para conter os invasores, cheios de ambição. O Templo de Salomão foi destruído pelo exército de Nabucodonosor II, rei da Babilônia, em 587 a.C. – Nabucodonosor II mandou milhares de judeus (provavelmente três mil) para o exílio, na Babilônia.

Em 539 a.C., o general Ugbaru do rei persa Ciro, derrotou os babilônios, tomando a cidade da Babilônia, sem derramamento de sangue, e uniu a maior parte do Oriente Médio num só estado, que ia da Índia ao Mediterrâneo, e permitiu que os judeus voltassem a Jerusalém, devolvendo a eles os tesouros que haviam sido retirados do Templo por Nabucodonosor II. Os judeus foram reconduzidos a Jerusalém pelo rei Zorobabel, neto do último rei e herdeiro do trono de Davi, e seu grupo: Josué, Neemias, Saraías, Raelaiás, Mardoqueu, Belsã, Beguai, Reum e Baana Foi iniciada a reconstrução do Templo, por Zorobabel, sob autorização de Ciro, e os judeus retomaram seus cultos.

Duzentos anos depois, com a derrota dos persas pelo macedônio Alexandre, O Grande, Jerusalém entra em contato com a cultura grega.

Em 200 a.C., Antíoco, rei dos selêucidas, mudou o nome da cidade para Antioquia e desfigurou o Templo, dedicando-o ao deus grego Zeus, proibindo a prática do judaísmo. Os macabeus lutaram contra os selêucidas por dezesseis anos. Em 141 a.C., instalaram um reino independente.

Em 63 a.C., o general romano Pompeu, tomou Jerusalém e, profanou o Templo. A Judéia ficou reduzida à condição de província romana, por Pompeu. Jerusalém viveu um caos, e trocava de mãos com freqüência. No ano 37 a.C., Herodes conquistou Jerusalém. Apesar de seu governo sanguinário, Herodes restaurou o Templo de Salomão – essa foi a terceira reconstrução.

Depois de muitas batalhas, revoltas, guerra civil entre facções judaicas, o Templo foi novamente destruído. Da estrutura original, restou somente o atual “Muro das Lamentações” (que, alguns autores afirmam ser do Terceiro Templo real, o de Herodes).

Na realidade, em sentido amplo, há quatro Templos: O primeiro, construído por Salomão; o segundo não existiu concretamente – apareceu como visão do profeta Ezequiel durante a escravidão dos judeus na Babilônia; o terceiro foi construído pelo rei Zorobabel e o quarto Templo foi erguido por Herodes.

A Maçonaria também é chamada de “Arte Real”, pela suposição que tenha sido “encontrada” pelos dois reis: Salomão de Israel e Hiram de Tiro – e, teria sido encorajada e financiada pelos dois monarcas em vários países.


Outra hipótese, também sem comprovação, aponta a Ordem como instituída pelos poucos Cavaleiros Templários que não foram massacrados por ordem do papa Clemente V e do rei da França Felipe IV, o Belo, entre 1307 e 1314.

A Ordem dos Cavaleiros do Templo de Salomão foi uma Ordem Militar Religiosa fundada por um nobre francês da região de Champagne, Hugues de Payens, que se tornou o primeiro Grão-Mestre dos Templários, e o cavaleiro flamengo Godofredo de Saint-Omer, em 1118, em Jerusalém, logo após a Primeira Cruzada (1099), para proteger os peregrinos cristãos que iam para a Terra Santa. No início, eram nove cavaleiros de origem flamenga e francesa, e ofereceram seus serviços ao rei de Jerusalém, Balduíno II. Esses cavaleiros eram: Hugues de Payens, Godofredo de Saint-Omer, André de Montbard, Payen de Montdidier e Archambaud de Saint-Amand. Os demais estão envoltos em mistérios, pois só se sabe seus primeiros nomes: Gondemare, Rosal, Godefroy e Geoffrey (Bisol). Eles instalaram-se, inicialmente, nas ruínas do Templo do Rei Salomão - daí o nome “Templários”. O primeiro selo da Ordem Templária era um cavalo montado por dois cavaleiros, que simbolizaria a pobreza da Ordem. Outros autores afirmam que esse selo poderia representar os dois graus de cavaleiro dentro da Ordem: os que tinham permissão para participar do segredo Templário, e os que não tinham.

Os Cavaleiros Templários como Ordem de Cavalaria Militar, formavam a vanguarda e a estrutura principal dos exércitos dos cruzados na Palestina. Por quase duzentos anos, foram muito poderosos, com legendárias habilidades no combate e fabulosos tesouros.

Felipe, o Belo, tivera seu pedido de admissão rejeitado pelos Mestres Templários – sua vaidade de tirano foi ofendida e, decretou a perseguição e prisão dos Templários – em 13 de outubro de 1307. Felipe sabia da rivalidade entre a Ordem Templária e a Ordem Hospitalária: Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de São João - Ordem religiosa da Igreja Católica, fundada pelo Irmão Gerardo. Inicialmente, essa Ordem foi instituída como uma Ordem de enfermagem em Jerusalém, porém tinha membros treinados como cavaleiros guerreiros. Então o rei sugeriu ao papa que escrevesse aos Grãos-Mestres das duas Ordens, convidando-os para uma reunião política. Guilherme de Villaret, Grão-Mestre dos Hospitalários não compareceu ao encontro – o Grão-Mestre dos Templários compareceu.

Jacobus Borgundus Molay ou Jacques DeMolay (1244-1314), cavaleiro da pequena nobreza do leste da França, nascido na cidade de Vitrey, último Grão-Mestre da Ordem Templária e todos os Templários (cerca de quinze mil na França), foram presos na manhã do dia 13 e torturados – foram acusados de feitiçaria, idolatria e heresia. A Inquisição da Igreja Católica teve ordens para extrair confissões, com qualquer tipo de tortura. Jacques DeMolay foi entregue ao Grande Inquisidor da França, Guilherme Imbert. A tortura deveria evitar o derramamento de sangue, pois era um padre torturando outro padre. Portanto, queimar, esmagar e esticar foram as efetivas alternativas.

Nos calabouços (onde ficavam outros prisioneiros), havia um dreno para excrementos, urina, vômito e sangue – a masmorra, que era um pequeno poço logo abaixo desse pesado ralo de ferro, do tubo de esgoto, no chão – para as masmorras iam prisioneiros incorrigíveis ou aos quais estava destinada particular degradação. Os Templários foram colocados em masmorras – uma invenção gaulesa, desenvolvida pelos franceses: um poço pequeno demais para o prisioneiro deitar-se, o qual tinha que ficar sentado ou ajoelhado. Foram impiedosamente torturados por sete anos.

Em 18 de março de 1314, Jacques DeMolay, e cerca de cento e quarenta cavaleiros foram executados: foram queimados numa ilha do rio Sena, “Ilê de la Cite”, assinalando a morte oficial da Ordem. Segundo a lenda, Jacques DeMolay com setenta anos, durante sua agônica morte na fogueira, amaldiçoou seus algozes, com essas palavras:

“Vergonha! Vergonha! Vós estais vendo morrer inocentes. Vergonha sobre vós todos. “Nekan, nekan, Adonai!!!” (“Vingança, vingança, Senhor!!!”) papa Clemente ..., Cavaleiro Guilherme de Nogaret..., rei Felipe; intimo-os a comparecer perante o Tribunal do Juiz de todos nós dentro de um ano para receberdes o seu julgamento e o justo castigo. Malditos! Malditos! Todos malditos até a décima terceira geração de suas raças!!!”. Quarenta dias depois o papa Clemente V morreu vítima de uma infecção intestinal. Felipe morreu em 29 de novembro de 1314, ao cair de um cavalo durante uma caçada, e Guilherme de Nogaret (alguns historiadores descrevem-no como “advogado”, “ministro” e “agente” de Felipe), morreu numa manhã da terceira semana de dezembro, envenenado por uma vela feita por Evrard, ex-Templário.

Pesquisadores apontam que a motivação da perseguição foi política e econômica: política porque, Felipe, ao destruir a Ordem Templária impediria qualquer aumento de poder do papa, pois a Ordem era ligada apenas à Igreja Católica; e econômica, pois o rei apoderar-se-ia das riquezas e bens (castelos, terras) dos cavaleiros. Os Templários tinham se tornado depositários de imensas fortunas e formaram um dos primeiros sistemas “bancários” existentes: o peregrino podia depositar uma quantia em um Templo em sua terra natal e, retirá-la em outro Templo, na Terra Santa. Felipe forçou o papa a apoiar a condenação da Ordem e, Clemente V, na sexta-feira, 13 de outubro, de 1307, autorizou a França a atacar os Templários - fato que selou a sexta-feira 13 como dia aziago. Porém, o papa arquitetou um acordo, e em 1312, quando dissolveu a Ordem dos Cavaleiros Templários, transferiu boa parte das propriedades e os ativos da Ordem Templária para a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de São João.

A Jacques DeMolay, o último Grão-Mestre Oficial da Ordem Templária, foi atribuído o fato de ter organizado o que mais tarde veio a chamar-se o “Oculto Hermético” ou “Maçonaria Escocesa” (segundo teoria do historiador escocês moderno, Andrew Sinclair).

Há, atualmente, uma Ordem inspirada nos Templários: é a Ordem DeMolay, para jovens do sexo masculino, de doze a vinte e um anos - a Ordem DeMolay tem ligações com a Maçonaria, mas tem liberdade de atuação.
Outra tese coloca a origem da Ordem Maçônica moderna, nas Corporações de Ofício – espécies de sindicatos europeus (principalmente ingleses), na Idade Média. Especificamente, a corporação de pedreiros – essas corporações conservavam a influência da Igreja Católica, tendo a corporação de pedreiros eleito dois santos padroeiros: São João Batista e São João Evangelista, com posterior fixação em São João da Escócia.

A palavra “Maçonaria” em francês, “Maçonnerie”, é derivada do francês “maçon”, pedreiro. Ou, como preferem alguns, do inglês “Masonry” (Maçonaria) e “mason”, igualmente, pedreiro. Etimologicamente, a palavra “maçom” vem do baixo latim “machio”, cortador de pedras. Porém, alguns autores defendem a hipótese que a palavra “Maçonaria” é mais antiga e tem origem na expressão copta “phree messen”, que significa “Filhos da Luz”.

Pode-se deduzir que, seus primeiros integrantes operavam, materialmente, em construções, obras - eram trabalhadores especializados, construtores de Templos, de Igrejas, castelos, os quais, desde a Antigüidade detinham conhecimentos especiais e constituíam uma espécie de aristocracia do trabalho. Eram os profissionais mais qualificados da Europa e, mantinham as técnicas de seu ofício, em segredo. Adotaram uma hierarquia baseada no conhecimento e na perícia. Esta fase da Maçonaria é conhecida como “Operativa”, porque seus membros trabalhavam em construções – eram obreiros. Contrariamente aos camponeses, os pedreiros tinham permissão para viajar, numa época em que as pessoas, viviam ligadas e presas à terra, devido ao feudalismo. Esses pedreiros reuniam-se em uma “Loja” local, um edifício erguido no canteiro de obras, onde comiam e dormiam. Todas as corporações estavam organizadas em: Aprendizes, Oficiais e Mestres. Os Aprendizes não recebiam remuneração – moravam na casa dos Mestres, que lhes forneciam vestuário e alimentação. Depois de um tempo de aprendizado, que podia se estender por até sete anos, eram promovidos ao 2º Grau – Oficiais. Os Oficiais recebiam salários, e os mais talentosos tornavam-se Mestres, e podiam abrir suas próprias oficinas.

Na Idade Média havia dois tipos de pedreiros: o “rough stone mason”, pedreiro bruto que trabalhava com a pedra sem extrair-lhe forma ou polimento, e o “free stone mason”, pedreiro livre, que detinha o segredo de como polir a pedra bruta.

Os documentos antigos (era cristã), deixados pelos maçons operativos, são importante fonte para estudo do passado da Maçonaria:

- Constituição de York, ano 926;

- Carta de Bolonha, ano 1248;

- Manuscrito Regius ou Manuscrito Halliwell, ano 1390. Esse Manuscrito encontra-se no “British Museum”, em Londres, Inglaterra;

- Manuscrito Cooke, ano 1410;

- Estatutos de Ratisbona, ano 1459;

- Manuscrito Grand Lodge nº 1, ano 1583;

- Estatutos Schaw, ano 1598;

- Manuscrito Inigo Jones, ano 1607;

- Manuscrito de Edimburgo, ano 1696;

- Manuscrito Dumfires nº 4, ano 1710;

- Manuscrito Kewan, ano 1714-1720.

Entre os séculos XVI e XVII, as corporações mudaram as características das reuniões. Especialmente na Inglaterra, nesses encontros, abriu-se espaço para o estudo da Alquimia e Rituais Simbólicos e, para homens que não trabalhavam com construções. Tem início a “Maçonaria Especulativa” ou “Franco-Maçonaria”, porque seus adeptos são homens de pensamento voltado para o conhecimento filosófico e, que perdura até hoje (o “Manuscrito Cooke”, do século XV, é um antigo documento que norteia as bases da Maçonaria Especulativa, contendo um dos mitos centrais da Maçonaria: a figura de Hiram Abiff, o construtor do Templo de Salomão).

Essas duas fases da Maçonaria são bem distintas: a Operativa era uma organização fraternal de artesãos. Com a inclusão de membros da nobreza e pensadores, os temas e debates passaram a ser filosóficos e filantrópicos, teve início a Maçonaria Especulativa. Segundo Albert G. Mackey (1807-1881 – médico, autor maçônico): “A principal diferença entre a Maçonaria Operativa e a Especulativa é que, enquanto a primeira se ocupou com a construção de um Templo material formado, na verdade, pelos mais magníficos materiais das pedreiras da Palestina, das montanhas do Líbano, e das costas douradas de Ofir, a última se dedicou a erguer uma casa espiritual – uma casa não construída com as mãos – na qual pedras, pedras preciosas, cedro e ouro, são substituídos pelas virtudes do coração, pelas puras emoções da alma, pelos ardentes sentimentos que brotam das fontes ocultas do espírito”. Segundo o mesmo autor, a Maçonaria Especulativa, a atual, nasceu do encontro dos judeus ou maçons puros (Maçonaria Pura ou Noaquita – refere-se aos descendentes de Noé), e o povo de Tiro, ou maçons espúrios (Maçonaria Espúria, referente aos mistérios pagãos), na construção do Templo de Salomão. A Maçonaria Pura sempre foi Especulativa, segundo o autor, e a Maçonaria Espúria, dos operários de Tiro, era composta por arquitetos profissionais, que introduziram a arte operativa – daí as características de uma Ciência Especulativa e de uma Arte Operativa, forneceram as bases da Maçonaria atual, com a fusão da Maçonaria Pura e da Maçonaria Espúria.


Num primeiro momento, a Ordem foi fiel à Igreja Católica: até 1694, quando Guilherme III (rei da Inglaterra, Escócia e Holanda) foi iniciado na Maçonaria, esta era católica e leal ao papa - nos estatutos, havia a obrigação do maçom ser “fiel a Deus e à Santa Igreja”. No entanto, aos poucos, a Maçonaria desligou-se do clero, tornando-se autônoma e forte.

A partir do século XVII, o Iluminismo, movimento filosófico e cientificista, colaborou para a evolução organizacional e funcional da Maçonaria. Antes do Iluminismo, a sociedade era concebida teologicamente, centrando-se na autoridade eclesiástica. O Iluminismo substituiu os antigos valores corrompidos pelos princípios da universalidade, da igualdade e da democracia - o que os maçons já conheciam e praticavam. O Iluminismo revitalizou as bases tradicionais da cultura européia, como também contestou a legitimidade da monarquia, da aristocracia, da submissão da mulher ao homem, da absoluta autoridade eclesiástica e da escravatura.

Durante o Iluminismo, a Maçonaria surgiu como instituição que preconizava os valores da Idade Moderna, aceitando plenamente a nova percepção de mundo, desenvolvida pela ciência e pela filosofia.

Despontou a liderança maçônica de John Theophilus Desaguliers (1683-1744), um francês que passara a viver na Inglaterra. A ciência foi importante na vida de Desaguliers, tendo se aprofundado na pesquisa, principalmente, das Leis Mecânicas de Isaac Newton, também maçom, de quem foi amigo. Fez conferências em tavernas para divulgar a ciência newtoniana, e estudou a matéria e seus movimentos como elementos constitutivos do Universo. Desaguliers tornou-se Grão-Mestre no início da Maçonaria Especulativa.

Os princípios da arquitetura clássica também tiveram grande influência do Iluminismo, no início do século XVIII. As características mais valorizadas eram a simetria, os arcos, as colunas Dórica, Jônica e Coríntia e os templos com domus (abobadados).
Podem-se identificar três fases no desenvolvimento da Maçonaria - a primeira foi a dos Antigos Mistérios. A segunda fase, mais recente e intermediária, a Maçonaria Operativa que vai desde as guildas (Corporações de Ofício – eram associações de artesãos de um mesmo ramo) e as Corporações de Construtores, até a aceitação dos não operativos, iniciando dessa forma a terceira fase, a da Maçonaria Especulativa ou Franco-Maçonaria, do francês “franc”, “livre” e “mason” “pedreiro”.

Em cidades da Inglaterra, surgiram Lojas (como são nomeados os grupos de reunião) – a palavra “Loja” vem do inglês “Lodge” e do francês “Loge”, que significa cabana, toca, choupana. Outros autores afirmam que a palavra “loja” vem do sânscrito “loka” “mundo”, derivada da raiz “lok”, que significa “ver”, tendo relação com “locus”, “lugar” do latim. Assim, a “Loja” é considerada um símbolo do cosmo.

Em 1717, quatro Lojas reuniram-se para fundar a Grande Loja de Londres, até hoje a mais importante instituição mundial da Maçonaria. Essas quatro Lojas, a “Goose and Gridiron” (O Ganso e a Grelha), a “Queen’s Head” (A Cabeça da Rainha), a “Apple Tree” (A Macieira) e a “Rummer and Grapes” (O Copo e as Uvas), reuniram-se no local da “Goose and Gridiron” e oficializaram a criação da Grande Loja de Londres. As Lojas escolheram também seu primeiro Grão-Mestre, Anthony Sayer (gentil-homem, na época o Mestre mais antigo). No ano seguinte foi eleito Grão-Mestre George Payne, o qual reuniu toda documentação existente sobre a Maçonaria, formando o primeiro regulamento impresso, em 1721. A partir desse regulamento é que surge, em 1723, a Constituição de Anderson.

A primeira vez em que a palavra “Landmark” foi mencionada em Maçonaria, foi nos Regulamentos Gerais compilados em 1721 por George Payne, durante o seu segundo mandato como Grão-Mestre da Grande Loja de Londres – os “Landmarks” foram adotados em 1721, como lei orgânica e terceira parte integrante da Constituição de Anderson. “Landmarks” são regras de conduta que devem ser mantidos imutáveis. Podem ser de tradição escrita ou oral. São consensuais e devem ser mantidos intactos, em virtude de compromissos solenes e invioláveis. São a certidão de nascimento da Maçonaria documentada. O conceito de “Landmarks” vem da Maçonaria Operativa: o método de cinco pontos que consistia em fixar, inicialmente, os quatro ângulos em que deveriam ser colocadas quatro pedras; depois, a pedra no centro, que é a que faz a base e tem a forma quadrada ou retangular. O ponto de encontro das diagonais era assinalado com cinco estacas - isso tem a denominação de “Landmarks”, isto é: os limites além dos quais não se deve ir. Os cinco pontos da Maçonaria Operativa eram aplicados a um simbolismo corporal, no qual o corpo do homem representa o próprio edifício.

Os “Landmarks” de Mackey (Albert Galletin Mackey – 1807-1881, médico, maçom. É considerado um grande jurista maçônico):


  1. “Nossos meios de reconhecimento são inalteráveis. Não admitem variação alguma;

  2. A Maçonaria Simbólica se divide em três graus: Aprendiz, Companheiro e Mestre;

  3. A Lenda do Terceiro Grau é inalterável;

  4. O Governo Supremo da Fraternidade está presidido por um Oficial chamado Grão-Mestre, eleito entre os membros da Ordem;

  5. É uma prerrogativa do Grão-Mestre, presidir qualquer reunião maçônica (no território de sua jurisdição);

  6. É prerrogativa do Grão-Mestre, conceder dispensa de interstícios para conferir Graus a qualquer tempo incompleto (em tempos anormais);

  7. É prerrogativa do Grão Mestre, conceder dispensas para abrir ou fechar Lojas;

  8. É prerrogativa do Grão-Mestre, fazer Mestres no ato (iniciar e exaltar);

  9. Todos os Mestres têm a obrigação de congregarem-se em Lojas;

  10. O Governo da Fraternidade, reunida em Lojas, se exerce por um Venerável Mestre e dois Vigilantes;

  11. É um dever de todas as Lojas, quando se congregam, o de trelhar a todos os visitantes (trabalhar “a coberto”);

  12. Todo Maçom tem o direito de ser representado e de dar instruções a seu representante, nas Assembléias de que tome parte;

  13. Todo Maçom pode apelar à Grande Loja das decisões de seus Irmãos congregados na Loja;

  14. Todo Maçom em pleno uso de seus direitos, pode visitar qualquer Loja regular;

  15. Nenhum visitante desconhecido pode entrar nas Lojas sem ser cuidadosamente trelhado;

  16. Nenhuma Loja pode intervir nos assuntos de outra Loja;

  17. Todo Maçom está sob o domínio das leis e regulamentos da jurisdição em que resida, ainda que não seja membro das Lojas da Obediência;

XVIII- As mulheres, os coxos, os aleijados, os escravos, os mutilados, os menores de idade e os anciãos não podem ser iniciados;

  1. É inevitável para todo Maçom, a crença na existência de um princípio criador, identificado como G.A.D.U.;

XX- Todo Maçom deve crer na ressurreição a uma vida futura;

XXI- Um Livro da Lei não deve faltar nunca em uma Loja quando trabalha;



  1. Todos os Maçons são iguais;

  2. A Maçonaria é uma sociedade secreta;

  3. A Maçonaria foi fundada como ciência especulativa sobre a arte operativa, tomando simbolicamente os usos dessa arte;

  4. Nenhum destes Landmarks poderá ser modificado nunca, no mínimo que seja”.

Como ensina Rizzardo da Camino: “Infalibilidade, invariabilidade e irrevogabilidade são os três atributos dos “Landmarks”.


A Constituição de Anderson estabeleceu um novo estatuto, substituindo as “Old Charges”, isto é, as “Velhas Obrigações” da Maçonaria Operativa, as quais foram extraídas de antigos manuscritos usados pelas corporações de artesãos da Idade Média. Era um código de ética que regulava o relacionamento entre os maçons das guildas profissionais. Foi organizada pelo maçom James Anderson (1680-1739), teólogo e ministro da Igreja Presbiteriana de Londres, nascido em Edimburgo na Escócia, que registrou por escrito todas as normas e Rituais transmitidos oralmente. A Constituição de Anderson foi revisada e corrigida por catorze intelectuais maçons, e ficou dividida em três partes: uma seção histórica, desde épocas remotas até o começo do século XVII; uma segunda, que expõe as obrigações de todo maçom, assim como as sanções pelo seu não cumprimento; e a terceira e última parte, dedicada a canções que glorificam a Ordem, para uso dos três Graus: Aprendiz, Companheiro e Mestre.
Segundo Alberto Victor Castellet (autor maçônico), em seu livro “O que é a Maçonaria”, a partir de então, “já não será a catedral um Templo de pedra a construir, senão que o edifício a ser levantado em honra e glória ao Grande Arquiteto do Universo será a catedral do Universo, quer dizer, a mesma Humanidade. O trabalho sobre a pedra bruta destinada a transformar-se em cúbica, quer dizer, apta às exigências construtivas, será o homem, que haverá de ir polindo-se em contato com seus semelhantes através de um ensinamento em grande parte simbólico. Cada utilitário ou ferramenta dos pedreiros receberá um sentido simbólico: o esquadro, para regular as ações; o compasso, para manter-se nos limites com todos os homens, especialmente com os irmãos maçons; o avental, símbolo do trabalho, que com sua brancura indica a simplicidade dos costumes e a igualdade; as luvas brancas, que recordam ao franco-maçom que não deve jamais manchar as mãos com a iniqüidade; e finalmente a Bíblia, para regular ou governar a fé.”
2- Conceito, As Mulheres e a Maçonaria, Objetivos, Missão, Propósitos, Obediências:
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