Mago Pirlim: a magia de contar histórias



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Mago Pirlim: a magia de contar histórias
Era uma vez um mundo chamado Labor, onde todos os habitantes eram muito inteligentes, pois conheciam todos os segredos das ciências. Não existiam doenças e quase todas as atividades eram realizadas por máquinas. Porém esse mundo era muito triste. Ninguém sabia de onde vinha tanta tristeza. Não exista arte nesse mundo. Sua população nunca pensou em nada além do que descobrir mais um cálculo matemático para aumentar a capacidade de uma máquina. As famílias, quase não se viam, pois segundo os moradores, sentimentos como o amor e a amizade eram males que dispersavam as pessoas das buscas de novas invenções.

Esse mundo era dominado por uma família – os Laborosos – todos eles vestiam preto. O mais velho da família era o governador de Labor e os outros membros da família eram soldados que prendiam os habitantes que estivessem há mais de 12 frações de sóis, por dia, sem trabalhar ou que ocupassem seu tempo com coisas que dessem apenas prazer..

Os moradores desse mundo contam que, há muito tempo atrás, um casal de pesquisadores da ciência da Informática estava prestes a ter um filho, e que na noite anterior ao dia do nascimento do seu bebê, a futura mamãe teve um sonho. Ela sonhou com um homem com uma fisionomia bem diferente de todas as pessoas que conhecia. Era um senhor com cabelos grisalhos, macios como o algodão, bochechas coradas, e um lindo sorriso nos lábios. O homem cumprimentou a jovem gestante com um abraço afetuoso, passou a mão por seus cabelos longos e lhe disse com uma voz suave e amiga:

- Minha amada jovem, eu sou do mundo criaVox e vim te avisar que amanhã, será o dia do nascimento de seu filho, enviado a ti como um presente. Nós, do criaVox decidimos enviar um de nossos habitantes, pois acreditamos que seu mundo ainda está muito pouco evoluído. Mas não se preocupe ele nascerá, crescerá, se tornará adulto, envelhecerá e morrerá por volta de um trilhão de ciclos da lua como todo e qualquer habitante Labor. Ele irá enxergar coisas que nenhum habitante desse mundo nunca conseguiu alcançar com os olhos.

A jovem acordou assustada. Tentou se comunicar com o marido, mas a única coisa que ouviu foi:

- Essa semana estou ocupado, se for possível me comunicarei com você na próxima semana.

Algumas frações de sóis depois dessa tentativa fracassada de se comunicar com o marido, a jovem sentiu um mal estar, entrou no seu desmaterializador pessoal e apareceu instantaneamente em uma maca da maternidade. E foi assim que nasceu um belo menino chamado Pirlim. A mãe ficou surpresa, pois as características físicas do filho nada tinham haver com a criança que havia pensado e enviado pela pensanet ao laboratório genético da vila onde morava. Pirlim tinha a pele bem morena seus cabelos eram lisos e pretos e seus olhos eram pretos e opacos. Depois de realizados vários exames bem detalhados, deu-se a comprovação: o menino era cego. Todos os especialistas e cientistas de dentro e de fora da vila foram convocados para examinar Pirlim, mas nenhum deles conseguiu encontrar o motivo muito menos a cura de sua forma diferente de ser.

Pirliim cresceu e se tornou um garoto muito esperto. Numa manhã ensolarada o menino escutou um som muito agradável e então perguntou à mãe que som era aquele e a mãe respondeu:

- Isso é um som emitido pelos pássaros. Esses são animais que nada contribuem para o desenvolvimento de nosso mundo.

O menino inconformado com a resposta retrucou:

- Mas esse som é tão lindo. Enquanto ouço esse som sinto como se uma mão mágica acariciasse o meu coração.

A mãe do menino achou tudo aquilo muito estranho, pois nunca ela pensou de ouvir alguém falar sobre o som emitido pelos pássaros, muito menos alguém que falasse com aquela animação sobre uma coisa tão boba.

Numa noite chuvosa, Pirlin estava muito triste, pois tanto seu pai quanto sua mãe estavam numa dependência da casa chamada laborinfo, cada um diante de um computador, muito concentrados, cada qual, em seu trabalho.

Pirlin gostaria muito de saber alguma coisa sobre aquela máquina silenciosa, que tornava as pessoas tão solitárias.

Sentou-se no chão próximo da cadeira onde a mãe estava sentada e resolveu explorar aquele ambiente com as palmas das mãos. O chão era liso e frio, na parede em frente à porta existia um armário com muitas gavetas, onde estavam guardados vários CDs. Havia CDs em todas as gavetas do armário, menos em uma, a que ficava mais próxima do assoalho. E Pirlin percebeu isso, pois reconhecia que as caixinhas de CDs eram redondas, de um plástico duro e um pouco áspero. O menino ficou curioso em saber o que havia naquela gaveta sem CDs. Verificou então que na gaveta havia um grande saco plástico formado por bolinhas que quando eram apertadas faziam um barulhinho engraçado, e que dentro dele havia alguns objetos que não conhecia e perguntou à mãe


  • Mãe o que é isso?

E a mãe respondeu:

  • É um saco de objetos antigos que foram do seu bisavô.

A curiosidade do menino aumentou ainda mais.

O primeiro objeto que pegou tinha o formato de uma mão em posição de concha, na parte de cima haviam dois botões e embaixo havia uma bolinha que fazia com que aquilo, que não sabia o que era, deslizasse no chão liso. De perto dos botões saía um fiozinho. Então o menino virou-se para o pai e perguntou:



  • Pai, o que é esse carrinho?

  • Isso era chamado mouse, no tempo de seu bisavô quase todas as pessoas usavam o mouse como uma forma de ter mais facilidade para usar o computador.

A segunda coisa que Pirlin encontrou dentro do saco, foi um quadradinho de plástico duro e liso, com um círculo no centro de uma das faces e em um dos lados, na parte de cima, havia uma placa metálica. Pirlim foi até perto da cadeira onde a mãe estava sentada e perguntou:

  • E isso mamãe, o que é? Para que servia?

A mãe olhou para o menino e falou:

  • Filho, esse é um dos objetos mais antigos deste saco, isso é um disquete, ele servia para guardarmos arquivos de computador.

E Pirlim retrucou:

  • Puxa, mas que coisa esquisita.

E Pirlim continuou a explorar o que havia dentro daquele saco. Desta vez o menino retirou do saco um objeto grande com formato retangular, que parecia ser feito de um plástico duro e tinha vários botões, uns com tamanhos e formas iguais e outros com tamanho e formas diferentes. De um dos lados do retângulo saía um fiozinho igualzinho ao daquele outro objeto que já havia encontrado, chamado mouse.

E o menino bateu no ombro do pai e perguntou:



  • Pai, que coisa é essa?

E o Pai sem tirar os olhos da tela do computador, respondeu:

  • Meu filho, isso se chamava teclado. No tempo de seu bisavô ninguém implantava no cérebro chips transmissores de dados. O teclado era usado para digitarmos quase tudo que desejávamos que o computador realizasse.

E Pirlim fez mais uma pergunta:

  • Mas Pai, o que é que queria dizer a palavra digitar?

Novamente, sem se desconcentrar do trabalho, o pai respondeu:

  • Filho, digitar significava, teclar,ou seja , bater com os dedos nesses botõezinhos seguindo uma ordem, para que sejam escritas palavras, códigos ou senhas

O menino muito interessado falou:

  • Isso é muito legal! Mas, devia dar um trabalhão!

Restaram apenas dois objetos dentro do saco. Primeiro o menino pegou um objeto,que era tão pequeno, que coube na palma da sua mão; seu formato era retangular e possuía alguns botões pequeníssimos

Pirlim então perguntou, mais uma vez à sua mãe:

- Mãe, que coisa estranha é essa?

A mãe, já super cansada, morrendo de sono respondeu:



  • Pirlim, isso ai é um MP3. Esse aparelho é o menos antigo, o seu pai chegou a usá-lo na escola para gravar as aulas. Ele, entre outras coisas, grava, armazena e reproduz sons. Também apresentava a possibilidade de salvar esses sons no computador.

Por fim, Pirlim tirou do saco um fiozinho que começava sendo um único fio e depois se transformava em dois, na ponta de cada um desses dois fios havia algo parecido com a metade de uma bolinha bem pequena.

O menino voltou a perguntar a mãe:



  • E o que é isso, mãe?

E a mãe mais uma vez respondeu:

- Ô menino quanta pergunta! Isso é um fone de ouvido, ele serve para escutarmos tudo o que for gravado no MP3

Na mesma hora o menino lembrou daquele barulhinho tão agradável feito pelos pássaros. O menino pensou que talvez com esse tal de MP3 pudesse gravar esse barulho para ouvi-lo sempre que quisesse. E então voltou novamente a perguntar para a mãe:


  • Mãe, como posso usá-lo para gravar sons?

E a mãe, sem nenhuma paciência, respondeu:


  • Menino que idéia maluca, a sua! O que você está pensando em gravar? Você ainda é muito novo não precisa gravar nada!

O menino ficou muito intrigado e não se conformou com aquela resposta. E naquela noite levou aquele aparelho para seu quarto.

Durante a noite Pirlim teve um sonho maravilhoso. Sonhou com um amigo. Esse amigo não morava na vila onde o menino vivia, mas ele sabia que conhecia muito aquele ser de algum lugar. Era o mesmo homem que aparecera para sua mãe uma noite antes de seu nascimento. Ele trazia consigo os sons da natureza. Primeiramente o homem ficou calado e Pirlin ouviu com muita alegria todos aqueles sons. Era o som dos passarinhos, das ondas do mar, das cachoeiras, da chuva batendo na mata e muitos outros sons que o menino nunca prestara atenção na sua existência. Depois o menino parou de ouvir os sons e então homem deu-lhe um beijo na testa e lhe disse:



  • Você encontrará seu tesouro no mundo dos sons!!

Um instante depois, o menino ouviu três sons, os dois primeiros sons eram rápidos e seguidos, depois havia uma pausa e em seguida um terceiro som mais prolongado. Logo depois o menino acordou. Não sabia porquê, mas aquele som permanecia em sua cabeça. E o menino continuava intrigado com aquele aparelho que poderia gravar e reproduzir os sons.

Explorou cada detalhe do MP3 com as pontas dos dedos. O menino não largou mais aquele aparelho, ficou com ele o dia inteiro, levou para a mesa do café da manhã, para a escola, e para as frações de sóis do almoço.

À tarde Pirlim gostava de ficar no quintal de sua casa, pois assim poderia sentir o sol quentinho aquecer o seu corpo e ouvir os barulhinhos dos pássaros, que tanto admirava.. Estava parado no quintal com aquele aparelhinho tão curioso nas mãos. Naquele momento se lembrou de seu sonho. A afirmação daquele homem do sonho deixara o menino sem saber o que fazer. De repente tocou em um dos vários botões que existiam no MP3 e ouviu um som quase idêntico àqueles barulhinhos que ouviu no final de seu sonho. Isso deixou o menino muito surpreso. Então ele teve a idéia de tentar repetir sons iguais aos de seu sonho, apertando aquele botão no mesmo ritmo dos escutados.

O menino então apertou aquele botão, rapidamente, duas vezes seguidas, deu uma pausa, e em seguida pressionou esse mesmo botão prolongadamente; Neste instante um Bem-te-vi cantava no quintal da casa de Pirlim, Ele pegou os fones colocou nos ouvidos e apertou novamente aquele botão seguindo aquela mesma ordem. E para sua grande alegria conseguiu ouvir naquele pequeno aparelho o barulhinho do Bem-te-vi.

A partir daquele momento, o menino saiu gravando o barulhinho de todo os passarinhos, e pode perceber que cada passarinho tinha um som diferente. Ficava sempre pensando que aquele barulhinho deveria ser a forma daqueles bichinhos conversarem.

Certa vez Pirlim teve uma idéia muito maluca, ele resolveu misturar a sua

voz com a voz dos passarinhos, e foi assim então que criou sua primeira história, que chamou de: “Conversa com Dois Pássaros”.

Nessa história, o menino conversava com dois pássaros. Pirlim fazia perguntas aos pássaros, eles respondiam com seus sons e o menino inventava a resposta fingindo que traduzia em labornês tudo o que eles queriam dizer.

A primeira conversa foi com o Pardal. Ela começou com o menino falando assim:

- Senhor Pardal, nos diga qual é o seu nome?



E o Pardal respondeu;

  • Meu nome é Elvis

Então o menino chegou perto do pardal e disse:

  • Sr. Elvis conte-me um pouco de sua história.

O pássaro começou a emitir sons e Pirlim fingia traduzir, a fala de Elvis:

  • Bem eu já vivi 200 ciclos da lua, nasci em um ninho de cinco ovos, eu fui um recém pardal muito feio, minha penugem era toda arrepiada, minha mãe me expulsou do ninho logo que aprendi a voar, ai voei, voei, voei...acho até que estive em outro mundo. Era um mundo muito estranho, onde havia pessoas que amavam tanto os pássaros que queriam nos ter presos em caixas de ferro, dentro de suas casas. Pirlim você acha isso certo?

E o menino respondeu em pardalês:

  • Claro que não, acho que o barulhinho que vocês fazem é lindo, mas isso não dá direito a ninguém de prendê-los em caixas de ferro. Se alguém quiser ouvir esse som maravilhoso, pode gravá-lo, assim como estou fazendo agora.

O Pardal continuou a contar sua história:

  • Pois é, e eu fui pego por um menino, assim, da sua idade. Ele me prendeu na caixa de ferro. Me dava comida e água. Acho que ele queria ouvir o meu som. Mas, eu estava tão triste que nem abria o bico. Eu mesmo achava que não sabia emitir mais nenhum som. Foram vários ciclos da lua de sofrimento. Até que um dia o menino desistiu de escutar o meu som e me soltou. Então voei, todo o caminho de volta à Labor e para minha surpresa, quando cheguei à Labor, reencontrei minha mãe e meus irmãos que fizeram uma grande festa, pois viram que me tornei o pardal mais forte da minha família .E hoje, apesar dos habitantes de daqui não me admirarem, sou um pardal muito feliz, pois tenho liberdade de ir para onde eu quiser.

A segunda conversa fui muito interessante, pois foi com um papagaio chamado Silvax . O Papagaio começou seu relato assim:

  • Eu sou o papagaio Silvax, já vivi 180 ciclos da lua apesar de morar em Labor, gosto de me divertir. Gosto de ver as pessoas felizes. Apesar das pessoas não valorizarem a felicidade, alguma coisa que não sei o que, muda nelas, quando estão felizes.

Então Pirlim perguntou a Silvax:

  • Como você descobriu isso?

E o Papagaio respondeu:

  • A uns dez ciclo da lua atrás, eu morava em uma árvore que ficava no quintal de uma casa onde vivia uma moça, que queria se casar com um rapaz. Ela sempre estava com ele, mas nunca havia dito a ele sobre seu desejo. A moça ficava dias inteiros repetindo o que tinha vontade de dizer para o rapaz. Ela vivia trancada em seu quarto dizendo:- Lak eu sinto sempre sua falta eu queria me casar com você. Um belo dia o rapaz foi visitar a moça e no momento em que eles estavam conversando, eu repeti aquelas palavras daquela jovem. Os dois ficaram surpresos sem saber quem havia falado aquilo, pois eles não possuíam chips de comunicação de pensamento. Mesmo sem saber direito o que tinha acontecido, o rapaz beijou a testa da moça, e disse: - eu também queria te dizer isso, mas não sabia como te dizer. Senti que ela gostou tanto do que ouviu que sua respiração ficou tão diferente que dava para ouvir cada vez que o ar entrava e saía do nariz. E foi assim que os dois se casaram, graças a uma frase repetida por mim. Acho que essa jovem por alguns instantes conheceu a felicidade, tão combatida pelos habitantes de Labor.

Depois de ter gravado essas conversas Pirlim , ouviu uma, duas, três....vinte...cinqüenta... vezes aquelas mesmas conversas, usando o fones de ouvido do MP3. Sua mãe já estava preocupada pensado qual seria o motivo do menino passar tanto tempo com aqueles fones nos ouvido. E rispidamente, a mãe perguntou ao filho:

  • Menino o que você tanto ouve com nesses fones de ouvidos?

E o menino respondeu:

  • Eu estou ouvindo a conversa que tive hoje cedo com dois pássaros.

E a mãe muito brava voltou a falar com Pirlim:

  • Menino que tolice! Pássaros não falam! Deixe eu ouvir isso ai.

E aquela mulher tirou o fone dos ouvidos do filho e colocou nos seus. Por alguns instantes a mãe de Pirlim permaneceu calada. Então o menino se aproximou dela e tocou com as duas mãos no rosto da mãe e sentiu que suas bochechas estavam molhadas e se ouvia também um chiadinho do choro de sua mãe e perguntou a ela:

  • Mãe o que houve? Você está triste comigo?

E a mãe, com a voz tremula, respondeu:

  • Isso é lindo, filho! Nunca ouvi nada igual!

O pai de Pirlim ouvindo o choro da esposa, veio logo saber o que estava acontecendo. Segurou na mão da esposa e falou:

  • O que está havendo com você? Eu nunca te vi chorar assim desse jeito.

E a mãe ainda com a voz modificada, respondeu ao seu marido:

  • É o nosso filho, ele fez uma coisa magnífica. Nem eu sei porque estou assim, mas ouça isso.

Então mulher colocou os fones do MP3 nos ouvidos do marido. Antes que ela apertasse o botão para iniciar as conversas com pássaros gravadas por Pirlim, o marido falou:

  • Que bobagem é essa mulher, estás chorando só porque ouvistes uma gravação feita em MP3.

A mulher insistiu:

  • Antes de falar alguma coisa, ouça isso, por favor!

E o marido respondeu:

  • Está bem, já que você insiste tanto, eu ouvirei.

A mulher apertou o botão e o marido começou a ouvir a história “Conversa com Dois Pássaros”. E a mulher foi percebendo, que, pouco a pouco, o marido ia fechando os olhos, relaxando e prestando bastante atenção no que estava ouvindo. De repente o pai de Pirlim abriu os olhos, abraçou o menino e falou:



  • Filho, isso é muito diferente, mas eu achei muito legal! Outras pessoas deveriam também ouvir, pois isso é maravilhoso, quando escutamos isso temos vontade de sorrir.

E o pai continuou falando, gostaria de mostrar para os meus colegas de trabalho. O meu medo é que isso cair nas mãos dos Laborosos, tenho certeza que eles não vão gostar.

Querendo descobrir uma forma de mostrar a invenção do filho para os colegas, o pai, pensou, pensou... e teve uma grande idéia:



  • Já sei o que vou fazer – disse o pai ao filho e à mulher

E os dois juntos, mãe e filho perguntaram pra ele:

  • O que irá fazer?

Foi aí que o pai começou a contar todo o seu plano:

  • Amanhã o grupo de cientistas de informática do qual faço parte se reunirá no laboratório onde trabalho e eu apresentarei minha mais recente invenção, ela se chama Mini Gravador de Som e tenho certeza que revolucionará a ciência da informática em todo o nosso mundo. Ela será usada justamente para o trabalho com sons. Estou criando uma página na ciênnet, que consiste em vários computadores, de cientistas, que ficam ligados uns aos outros. Podemos também chamar isso de rede . Vou colocar nessa página , os arquivos dessas histórias, pois eles servirão para mostrar que essa realmente é uma grande invenção, pois se essa minha criação for capaz de gravar, reproduzir e alterar os sons da natureza, é sinal que poderá me ajudar muito a gravar e estudar os sons dos discos voadores, que há vários ciclos da lua, venho pesquisando.

O pai de Pirlim criou uma página muito legal e colocou nela a história “Conversa com Dos Pássaros”. Depois deixou-a na ciênnet, para que, na reunião do dia seguinte, pudesse apresentar para os seus colegas.

No outro dia, todos os cientistas chegaram bem cedo à reunião, pois queriam muito conhecer aquela nova invenção. Há muito tempo todos aqueles cientistas vinham tentando inventar um aparelho que os ajudasse a conhecer melhor todos os sons.

Aquele grande inventor iniciou a apresentação de sua nova invenção dizendo:


  • Hoje apresentarei para todos vocês minha nova invenção: o Mini Gravador de Som. Este será um programa voltado para gravação, reprodução e alteração de sons.

Primeiramente, o homem fez uma demonstração, de como o programa seria usado. Depois deu exemplos de arquivos que poderiam ser gravados, e foi aí, então, que o pai de Pirlim começou a apresentar o arquivo da história gravada pelo filho. Neste momento não se ouvia nenhum barulho no local da reunião. Após a apresentação todos permaneceram em silêncio, até que o pai de Pirlim voltou a falar:

  • Alguém tem alguma dúvida?

E um outro homem com uma voz gaguejante e baixa perguntou:

  • De onde você tirou algo tão maravilhoso assim?

E o autor da invenção respondeu

  • Eu venho estudando essa idéia há vários ciclos da lua.

Gaguejando, o homem falou novamente:

  • Não, não se trata de sua invenção, mas da história, isso é fantástico!

E todas as pessoas que estavam na reunião começaram a aplaudir.

Depois de muitos aplausos o pai de Pirlim começou a explicar:



  • Quem criou essa história foi meu filho Pirlim. No início achei que se tratava de uma tolice, sabem, coisas de criança, mas depois que ouvi percebi que algo em mim havia mudado. É como se a minha vida tivesse ficado diferente depois que ouvi essa história. Pensei que isso também poderia ser um bom exemplo para demonstrar a todos vocês a excelente capacidade que o Mini Gravador de Som tem para gravar, reproduzir e alterar os sons.

Outro homem, que até então tinha permanecido calado, levantou de sua cadeira e falou

  • Acho que todos os moradores de Labor devem ouvir essa história. Para isso deveríamos criar uma página na Labornet , pois à essa rede pertencem todos os computadores de moradores deste mundo.

E o inventor do Mini Gravador de Som voltou a falar:

  • Eu gostaria muito de fazer uma página na Labornet para que todos pudessem ouvir a criação de meu filho, mas tenho mêdo dos Laborosos. Eles podem achar que escutar histórias é perda de tempo..

O outro homem voltou a insistir :

  • Os Laborosos querem pegar apenas pessoas que não trabalham e não vão se importar com pessoas que ficam mexendo em um programa de computador. Para eles isso é um trabalho.

O pai de Pirliim falou novamente:

  • Mesmo que possa parecer um trabalho, eu não quero colocar isso na Labornet, tenho medo que os laborosos descubram que as pessoas estão gastando o tempo ouvindo histórias e me peguem, ou pior, peguem meu filho. Prefiro que apenas nós, os cientistas dessa vila, possamos ouví-las.

Todos que estavam na sala ficaram novamente em silêncio e passado algum tempo o pai de Pirlim encerrou a reunião dizendo:

- Espero que minha invenção possa ser útil para o trabalho de todos vocês. Se surgir alguma dúvida me procurem. Vocês podem falar comigo também pelo meu cartão de bolso ou pelo modo mais antigo ,mas que ainda funciona bem, o nosso correio eletrônico, o bom labor-mail. Para finalizar gostaria de pedir um grande favor a todos vocês,. Tenham muito cuidado ao ouvir a história de meu filho. Ela está na página que criei na ciênnet com as dicas sobre como usar o Mini Gravador de Som.

O pai de Pirlim saiu da reunião orgulhoso por ter um filho tão especial, pois não houve um cientista sequer que não tenha qostado da história dele.

À noite, quando o inventor do Mini Gravador de Som chegou em casa, conversou muito com o filho sobre tudo que tinha acontecido na reunião. Pirlim ficou feliz em saber que todos os cientistas gostaram de sua história. No final da conversa o menino segurou a mão do pai e falou:



  • Pai, eu ainda criarei muitas história e farei deste mundo o lugar bem mais bonito.

Então o pai deu um forte abraço no filho e disse:

- Filho o meu único medo são os laborosos, se eles descobrirem podem nos causar muitos problemas, tenha muito cuidado!

No dia seguinte todos –pai, mãe e filho acordaram com muita disposição. O pai e a mãe de Pirlim iriam trabalhar. O menino pela manhã ia para a escola e à tarde, já havia resolvido, que iria procurar o barulho de outros bichos para criar novas histórias.

Mas, não foi bem isso o que aconteceu...

Quando a mãe, pai e o menino iam entrar nos desmaterializadores pessoais que iria transportá-los ao destino de cada um, tocou uma sirene de mundo em perigo. Essa sirene era disparada pelo governador de Labor, quando havia alguma suspeita de desordem. Ninguém poderia sair de casa até que o problema fosse resolvido, pois os laborosos saíam para visitar todas as casas para descobrir o que estava acontecendo.

A mãe de Pirlim, com medo do que poderia estar para acontecer, ligou o quadro de notícias. Esse quadro era como uma televisão onde passavam apenas tele-jornais, mas que se podia também conversar com o repórter apresentador das noticias sobre tudo o que estava acontecendo em Labor. Logo que ela ligou o quadro e o repórter estava dizendo:

- Atenção, atenção, estamos em estado de alerta! Existe um cidadão laborbês perturbando a ordem de nosso mundo. Ele grava histórias usando os sons dos animais. Esse fato foi descoberto através de uma página na Labornet, não se sabe se a autoria é de um homem ou uma mulher. Tudo que sabemos é que essa pessoa é muito prejudicial ao nosso mundo, pois ela usa a voz de uma criança para contar histórias e fazem com que as pessoas percam o seu precioso tempo de trabalho ouvindo-as.

Imediatamente o pai foi para o cômodo da casa onde ficava o laborinfo, ligou o computador e se conectou na labornet, e realmente, alguma coisa havia, acontecido, pois algum de seus colegas cientistas, havia colocado a página com as dicas sobre o Mini Gravador de Som.

Neste momento os laborosos chegaram na casa invadiram o laborinfo e começaram a vasculhar todos os três computadores que haviam lá. Até que acharam a história: o nome do arquivo de som era pirlim.wav. Quando um dos soldados abriu o arquivo nem deixou a história terminar, foi logo dizendo:


  • Quem aqui se chama Pirlim?

E o menino sem demonstrar o menor medo disse:

  • Sou eu, fui eu que criei essa história.

O soldado, laboroso espantado falou:

- Como você menino, você é muito criança para ter uma idéia como essa. Gravar história, ra, ra ra, ra, ra... isso é coisa de baderneiros, que estão querendo acabar com a ordem em nosso mundo.

E o menino confirmou novamente:

- Mas fui eu quem gravou. Preste atenção na minha voz ela é igualzinha a voz da história

O laboroso executou mais uma vez o arquivo, ouviu apenas uma frase e o fechou. Desta forma verificou que, realmente, a voz que narrava a história e traduzia para labornês o barulho emitido pelos pássaros, era a voz do menino Pirlim.. O soldado segurou nos ombros do menino e com uma voz bem zangada falou:

- Venham comigo, pai e filho, vocês estão presos.

E os dois foram levados pelos soldados, a pé, até a prisão de Labor. O pai notou que o menino estava mancando na caminhada que fizeram, pelas ruas de labor, para chegar à prisão. Pirlim estava mancando de um pé.

Quando chegaram na prisão de Labor, perceberam que era um lugar triste de muito sofrimento onde as pessoas choravam sem parar. Em Labor não existia crime como o de um habitante querer fazer mal a outro. O único motivo que levava um cidadão a prisão era ficar tempinho sem trabalhar ou realizar alguma atividade, só porque ela fazia com que ficasse feliz.

A cela da prisão era um grande salão, sem janelas com uma única porta, Havia um salão para homens e outro para mulheres. Como não havia celas para crianças, Pirlim ficou na mesma cela que seu pai. Os dois foram para um canto da sala e sentaram no chão.

Ouvindo todo aquele sofrimento o menino resolveu tirar os sapatos. Seu pai então carinhosamente perguntou



  • Filho, o que houve com seu pé, ele está machucado?

O menino não respondeu nada apenas continuou tirando os sapato. O pai viu que ele retirou um objeto de dentro da meia , abriu a mão e mostrou o objeto para o pai. O homem ficou muito surpreso pois o motivo pelo qual o menino estava mancando era que Pirlim trazia, escondido dento de um de seus sapatos, o aparelho de MP3.

Pirlim, percebeu que todos aqueles homens eram muito mais tristes do que os homens que viviam soltos em Labor. Alguns reclamavam, outros choravam, outros berravam que parecia que estavam com dor, outros nada falavam, outros dormiam quase o tempo todo e o menino ficava triste só de ver tudo aquilo. Para o menino a tristeza dos outros parecia ser mais triste que sua própria tristeza. Ele ficou vários dias prestando atenção em tudo que acontecia naquele local. Havia um homem que dava comida aos presos, ele entrava no salão pela manhã, à tarde e à noite.

O menino pensou, pensou... e teve uma idéia para tentar acabar com toda aquela tristeza. Resolveu fazer com que os presos ouvissem suas histórias. Cada vez que o homem ia embora com os pratos de comidas vazios, Pirlim sentava ao lado de alguém que estivesse triste e lhe oferecia seu MP3, para que suas histórias fossem ouvidas. Dentro de pouco dias, aquela prisão tinha se transformado em um local sem nenhum sofrimento, onde as pessoas só brincavam e conversavam.

Numa noite quando o homem foi levar o jantar para os presos percebeu que havia alguma coisa estranha, todos estavam sorrindo, trocando idéias, felizes. Ele, admirado com o comportamento dos presos, perguntou:



  • O que houve com vocês? O que esta acontecendo? Qual o motivo da mudança? Vocês nunca foram assim!

E todos, um por um, cada um do seu jeito, dizia que estava aprendendo com o Pirlim a ser feliz. O homem ficou mais intrigado ainda, mas demonstrou não dar muita importância àquelas respostas.

Naquela mesma noite, já quase na madrugada, foi ouvido por todos um sinal parecido com aquele de mundo em perigo, porém esse era um toque diferente, era um toque de mundo em emergência.

Na manhã seguinte, bem cedo, o menino ouviu a porta do salão se abrir e alguém dava passos que vinham em sua direção. Então o barulho de passos parou. Pirlim sentiu que aquela pessoa estava bem próxima dele, foi então que uma mão tocou em sua cabeça e uma voz brava de um homem falou:


  • Tenho uma missão para resolver com você, chegou a sua hora, tenho que te levar.

E Pirlim disse ao homem:

- Eu não vou!

O pai do menino logo se meteu na conversa dos dois dizendo:


  • Ninguém vai levar o meu filho!

E o homem que usava roupa de laboroso retrucou:

  • Eu vou levar, sim. Este é o meu trabalho. Eu estou cumprido ordens

O homem pegou o menino pelo braço e o levou, choroso, embora. Pirlim foi empurrado pelo homem para dentro de um desmaterializador e de repente sentiu que estava em outro local completamente diferente daquela prisão. Parecia ser uma casa, que tinha um bebê que não parava de chorar.

Depois de algum tempo parado dentro do desmaterializador, alguém novamente segurou o braço do menino e o puxou para fora. Essa pessoa desconhecida o conduziu até uma cadeira na qual o menino foi sentado. Pirlim estava com medo, mas não demonstrava. A única coisa que continuava ouvindo era aquele o choro escandaloso do bebê. Então sentiu que a pessoa, que o conduziu até a cadeira, estava sentada ao seu lado. Passado alguns instantes a pessoa começou a falar:



  • Em fim eu te encontrei, sou o Governador de Labor. Eu que mando em todo esse mundo. Você é um menino muito ousado e eu não gosto nada dessas coisas.Um menino tão novo desafiando a ordem do local onde nasceu...

E o menino tremia de medo e suava frio.

Então o homem continuou:



  • Queria que você soubesse que sempre reprovei seu comportamento, pois essas suas historinhas só contribuem para levar as pessoas para o mau caminho....

E Pirlim continuava a escutar aquele choro de bebê que não parava.

O Governador prosseguia sua fala:



  • Soube que a partir do dia que você foi preso, o comportamento dos presidiários tem mudado. Não sei o que está acontecendo...

O menino continuava a tremer e seu coração acelerou. Parecia que quanto mais o homem falava, mais perturbador se tornava o choro do bebê. E o homem não parava de falar:

  • Não sei o que você tem de tão misterioso, o que foi que fez para que as pessoas parassem de chorar. Além de baderneiro você também é um mago, pois o Laboroso que trabalha no presídio me contou que você conseguiu mudar completamente o comportamento de seus companheiros de prisão. Queria conhecer sua magia.

O coração do menino acelerou mais ainda e o choro do bebê ficava ainda mais alto e Pirlim continuava prestando muita atenção em tudo que o homem falava:

- Pois é custei a concordar com os meus familiares laborosos, mas estou precisando de sua magia. Há duas luas atrás nasceu meu primeiro filho. Ele será o próximo governador de Labor. Os especialistas dizem que ele é uma criança saudável, mas desde que nasceu ele não para de chorar. Eu e minha esposa estamos esse tempo todo sem descansar. Já fizemos de tudo, e nada do que foi feito resolveu o problema. Se você é mago mesmo como estão dizendo, me ajude faça o meu filho parar de chorar! Assim como você foi capaz de mudar o comportamento dos presos, você poderia mudar o comportamento do meu pequenino?

O menino permaneceu quieto por alguns instantes e depois, com o corpo tremendo dos pés à cabeça e com o coração cada vez mais acelerado, apertou a mão do governador e respondeu com a voz meio gaga:


  • E-eu a-a-aceito mais não e-estranhe mi-minha magia e nem se a-arrependa do-do que está me pe-pedindo.

E o homem concordou com tudo que foi dito por Pirlim e demonstrou isso dizendo as seguintes palavras:

  • Claro que não vou me arrepender, minha esposa já está nos esperado no quarto do menino. Ela também está ansiosa para conhecer essa sua magia.

O menino segurou no cotovelo do governador e foi levado até o quarto do bebê. Chegando lá Pirlim notou que o choro era como de alguém que reclamava alguma coisa, pois parecia com o daquelas pessoas que estavam presas por ficarem algum tempo sem trabalhar. Pirlim sentou em uma cadeira ao lado dele, e em outra cadeira, sentou o governador. Então a esposa do governador colocou o filho no colo do marido. O menino começou a tirar os sapatos e as meias, e de dentro de uma das meias retirou o aparelho da MP3. Quando o homem viu o aparelho na mão de Pirlim, colocou seu filho no berço, bufou, segurou nos ombros de Pirlim e começou a sacudi-lo dizendo:

  • Você não vai fazer isso na minha casa! Aqui eu quero ordem! Nada pode ser mais importante para minha família do que o trabalho!

Então a esposa do governador pagou o braço do marido e disse

  • Largue o menino! Foi você quem chamou ele para vir aqui! Deixe que ele faça o que for preciso.

Enquanto o bebê continuava chorando, sua mãe tirou Pirlim da mão do Governador, o colocou sentado na cadeira novamente e falou para o marido:

  • Temos que resolver esse problema agora! Nosso filho não para de chorar por nada deste mundo. Eu estou ficando preocupada. Já pensou se isso for pra sempre e ele se tornar uma pessoa que não faz nada além de chorar. Se ele não parar de chorar, aí mesmo que ele nunca irá trabalhar.

E o marido respondeu:

  • Mas, se nosso filho ouvir, ele pode gostar e então vou ter o meu próprio filho gostando dessas baboseiras. E se ele se ocupar apenas em ouvir essas histórias?

A mulher então respondeu o seguinte:

  • Eu te entendo, mas não temos outra saída, nosso pequenino chora sem parar. Eu te peço por favor, deixe Pirlim fazer o que deve ser feito.

O homem com uma voz bem triste, se rendeu a vontade da esposa, dizendo:

  • Está bem, faremos o que for preciso, se for para o bem de nosso filho, eu permito que o menino Pirlim faça nosso filho ouvir essas histórias .

Então o menino chegou pertinho do bebê, pegou os fone de ouvido e os colocou cuidadosamente nas orelhinhas do pequenino chorão e ligou o MP3.

Mal a primeira história começou, o perfumado bebezinho parou chorar e foi ai que Pirlim começou a acariciar o rosto liso e macio daquele ex-chorão e assim pode perceber que naquele rosto havia um belo sorriso. Mas agora existia uma coisa diferente ali que não existia antes, pois além dos sussurros chorosos dos dois adultos, não eram só as mãos de Pirlim que faziam carinho no pequenino haviam mais quatro mãos, duas do pai e duas da mãe

O Governador então deu um abraço em Pirlim e falou:

- Menino, a partir de hoje eu te nomeio o Mago das Histórias e o seu trabalho será fazer com todos em meu governo tenham tempo para ouvir e criar histórias. Chorar, sorrir, fazer carinho nos filhos, enfim, ter tempo, para tudo o nos traz alegria



Deste dia em diante passou a vigorar uma lei, sugerida por Pirlim, que dava liberdade a todos os presos de Labor. Modificava a função dos laborosos, que agora deveriam zelar para que todos os habitantes tivessem um tempo vago para ocupar com atividades prazerosa e, principalmente, obrigava todos os habitantes de Labor a nunca deixar morrer o mundo das histórias. E foi assim que Labor se tornou um mundo ideal para se viver, pois além de ser evoluída cientificamente ele se tornou um mundo feliz.
E agora queridos terráqueos vocês vão deixar morrer o mundo dos sons? Ajudem o nosso planeta a se tornar um lugar onde existam, cada vez mais, pessoas felizes. Agora é com vocês, façam a sua parte, criem suas próprias histórias!

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