Mahabharata: uma peça em que as personagens são bonecos feitos de metal, pano, cartão, madeira, (…), movidos por um actor apenas, que lhes dá voz e vida



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Encontro28.07.2016
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Mahabharata

Comentário à peça



Mahabharata: uma peça em que as personagens são bonecos feitos de metal, pano, cartão, madeira, (…), movidos por um actor apenas, que lhes dá voz e vida.
Esta peça é uma adaptação de um poema épico do Hinduísmo, o “Mahabharata”, a maior obra literária alguma vez escrita. Esta obra é composta por dezoito livros e é quinze vezes mais extensa que a Ilíada e oito vezes mais longa que todos os poemas homéricos reunidos.
A história narrada pelo poema é mítica. Aliás, crê-se que o próprio autor dos versos seja também uma personagem mítica, sagrada para a cultura hindu que, além de autor e narrador da trama, seria paralelamente uma das personagens – Krishna1.
Mahabharata conta a história trágica de dois clãs de primos, descendentes de Krishna, que por sua vez descendia do rei Bharata. O próprio nome da obra significa isso mesmo. Numa tradução menos literal, “Mahabharata” pode verter-se como “Grande história (ou guerra) dos descendentes de Bharata”. Estas duas famílias disputaram o trono e acabaram por se envolver numa guerra sangrenta, da qual ambas saíram sem glória. Na busca do equilíbrio e da ordem, as duas famílias acabaram por se destruir uma à outra.
Mas o propósito desta obra não é simplesmente relatar a história do conflito entre as duas famílias, mas através dela representar a luta entre a ordem, a lei, simbolizada pelo clã dos Pandava e o caos, simbolizado pelos Kaurava, no fundo, a luta entre o bem e o mal. O poema retrata também a luta interior de cada ser em busca da sua verdadeira identidade.
Esta obra pode ser uma metáfora da cultura indiana, mas também de toda a humanidade. No poema existe uma passagem que ilustra isso mesmo: “ Tudo o que está no mundo está no Mahabharata, o que não está no Mahabharata não está em mais parte nenhuma.”
Um aspecto que gostaria de salientar em relação à representação é o trabalho admirável do actor e encenador Massimo Schuster. Além de já conjugar estas duas funções, concilia ainda, em palco, os papéis de actor, marionetista e narrador da história.


1 Segundo o ensaio de Carlos João Correia “Mitologias do mal no Mahabharata”: “A autoria desta narrativa épica é atribuída a uma personagem mítica, senão mesmo sagrada, da cultura hindu, que curiosamente intervém directamente como uma das figuras centrais de própria historia que está a relatar.”.


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