Mais que um povo, um ideal



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Vikings:

Mais que um povo, um ideal



1 – Introdução:
Este é meu segundo trabalho para a revista Klepsidra. No trabalho anterior, realizei uma abordagem bem ampla sobre a História da civilização Inca. Minha área de interesse em História é justamente como surgiram, se desenvolveram, evoluíram e, algumas vezes, se extinguiram as civilizações dos períodos Antigo e Medieval, como os próprios Incas.

Neste trabalho, continuarei a desenvolver minha área de interesse, porém agora escrevendo sobre um outro povo, cujo brilho social, cultural e militar também foi imenso, mas que assim como os Incas (só que de maneira bem diversa) acabou por perder sua cultura própria e, sendo assim, deixou de ser um povo em particular, para se mesclar ao cenário do Ocidente mundial.

Bem como os Incas, os Vikings não foram totalmente exterminados (ainda existem descendentes de Incas por toda a cordilheira dos Andes, e os descendentes dos Vikings são os povos Escandinavos de hoje), mas sua cultura foi aos poucos se perdendo em detrimento da Religião e dos costumes da Europa Cristã.

Pretendo aqui, não apenas mostrar de um ponto meramente descritivo como se desenvolveu o povo Viking, mas sim explicar o fenômeno que suas incursões causaram na Europa, discutir o fato de os verdadeiros descobridores da América terem sido estes navegadores (por volta de 500 anos antes de Colombo) e, por fim, explicar a seguinte afirmação: “Os Escandinavos deixaram de serem Vikings ao se tornarem Cristãos”.

Antes de iniciar meu texto, quero deixar claro que ele não visa ser um trabalho completo como seria o feito por um especialista no tema, mas apenas intenta familiarizar um pouco mais o estudante brasileiro com este tema tão pouco conhecido: Os Vikings. No entanto é bem possível que meu texto seja uma das mais abrangentes e completas obras sobre este povo escrita em Português, uma vez que tive imensa dificuldade em encontrar dados e obras sobre este tema em nossa língua. Inclusive, quando pedi indicações bibliográficas sobre o tema para a professora de Idade Média da USP, ela não só não me indicou com precisão nenhum livro, como também disse que toda a bibliografia disponível sobre o povo estava em Inglês, Francês, Alemão ou outras línguas Européias. Sendo assim, talvez meu trabalho seja mais importante ainda do que foi o dos Incas, uma vez que existem diversas obras sobre aquele povo traduzidas para o Português ou mesmo feitas no Brasil.
2 – Localização Espacial e Contextualização Racial:
Neste trecho do trabalho irei descrever algumas das levas migratórias que se dirigiram para a Europa ao longo dos séculos, dando ênfase ao período final da Antigüidade e inicial da Idade Média.

Acredito que a melhor maneira de explicar um fato histórico é, antes de mais nada, contextualizá-lo geograficamente. Pois bem, neste trecho irei diferenciar a nossa noção atual de Escandinávia daquilo que era a Escandinávia na época do surgimento dos Vikings.


2.1 – A Escandinávia:
A Escandinávia atual é composta por duas penínsulas: a Escandinava e a Jutlândia. Na península Escandinava situam-se a Noruega, a Suécia e a Finlândia, e na península da Jutlândia situa-se a Dinamarca. Portanto, o termo Escandinavo refere-se aos habitantes de um desses quatro países. No entanto, a situação não era a mesma no final da Antigüidade e princípio da Idade Média.

Na realidade, esses quatro países ditos Escandinavos são formados por três povos diferentes (muitos não sabem, mas ao longo da História, centenas de povos diferentes migraram, guerrearam e, às vezes se miscigenaram na Europa, sendo assim, o conceito de Raça pura é um absurdo completo, mesmo em se tratando dos loiríssimos Escandinavos), os Fineses, os Teutões (ou Teutos) e os Escandinavos propriamente ditos.

Os Fineses constituíram uma leva migratória provavelmente oriunda do norte da Ásia, que aos poucos foi se aproximando da Escandinávia, até se sedentarizar, no final da Antigüidade, na atual Finlândia e em algumas regiões do norte e nordeste da Suécia.

Os Teutões são uma leva migratória muito mais antiga, desde os mais remotos tempos eles já habitavam a Europa e moveram-se muito pouco até se estabelecerem na Jutlândia, nas ilhas do mar Báltico e no sudoeste da Suécia. Entretanto, os Teutões não são muito conhecidos pois tinham divisões internas entre “raças”. As principais “raças” Teutônicas eram os Saxões, os Anglos, os Frísios, os Jutos (cuja “raça” deu nome à Jutlândia) e os Danos.

Por fim, os Escandinavos também são um povo muito antigo na região, cuja presença remonta talvez aos mais longínquos tempos da Pré-história. Eles se estabeleceram inicialmente no noroeste da Noruega, mas depois se espalharam por toda a Noruega e pela maior parte da Suécia.

No início do século V, os Romanos estavam em franca decadência, e em 410, visando proteger a própria cidade de Roma dos ataques das hordas bárbaras, o Imperador retirou as tropas que guardavam a Britânia (ilha onde atualmente se situam Inglaterra, Escócia e País de Gales). Sendo assim, os habitantes da península da Jutlândia começaram a atacar a Britânia, pois as condições de sobrevivência no lugar eram terríveis (terras estéreis e frio intenso). Foi assim que Anglos, Frísios, Jutos e muitos Saxões transferiram-se para a Britânia, onde sua miscigenação com os Britânicos (nativos da Britânia) deu origem aos Ingleses. Depois dessa leva migratória que perdurou pela primeira metade do século V, a Jutlândia se viu semi abandonada, e foi ocupada pelos Danos (ao norte e centro), que residiam no sul da Suécia e ilhas do Báltico, e pelos Saxões (ao sul).

As comunidades nessa época eram muito divididas e é provável que cada pequeno povoado constituísse um Reino de fato.

O leitor deve estar se perguntando: “Mas por que o autor está me falando sobre todos esses povos?” Bem, a resposta é simples. Acontece que os Danos, foram o único povo Teutão que não migrou para a Britânia, pelo contrário, a migração dos outros deu-lhes mais espaço, pois mesmo os Saxões migraram em grande parte para a Britânia. Sendo assim, os Danos se espalharam e ocuparam a Jutlândia, sem abandonar nem as ilhas do Báltico, nem o sul da Suécia. Isso é importante para delimitar o tema de meu trabalho, pois ao contrário do que muito acham, os Vikings não eram os Noruegueses, os Dinamarqueses e os Suecos, pois os Suecos, juntamente com os Danos que habitavam a Suécia compuseram, na época Viking, o povo Varegue ou Varangiano, não sendo portanto os Suecos, Vikings. Estes se compuseram pelos Escandinavos da Noruega e pelos Danos da Jutlândia e ilhas Bálticas.


3 – Termos Gerais da Civilização Viking:
Esta parte da obra remete-se a explicar melhor os conceitos básicos dos povos Norueguês e Dano, conhecidos como Vikings. Veremos aqui como era sua forma de governo, sua religião, seus hábitos, suas características populacionais e até seu desenvolvimento sócio-econômico.
3.1 – Miscelânea de Reinos:
Como já havia mencionado, no início do processo de ocupação da Jutlândia pelos Danos, provavelmente cada povoado formava um Reino distinto, sendo portanto praticamente impossível precisar quantos Reinos haviam de fato na Jutlândia e ilhas Bálticas (no mais das vezes não me referirei mais aos Danos da Suécia, nem tão pouco aos Suecos), é certo que havia dezenas deles, todos muito atrasados, com suas populações vivendo num sistema político Monárquico, semelhante a uma Monarquia Parlamentarista, o qual explicarei mais adiante.

Já na Noruega, existiam três grandes regiões: os fiordes Ocidentais, mais ao norte; Bergen, no oeste e sudoeste; e o fiorde Vik, no sudeste e sul. A situação dos fiordes Ocidentais e do fiorde Vik era bem semelhante a situação da Jutlândia e das ilhas Bálticas, apenas na região de Bergen parece ter havido uma centralização mais precoce dos povoados locais sob o domínio da cidade de Bergen.

No início do século VI, no fiorde Vik, foi fundada a cidade de Oslo (atual capital da Noruega). Era uma cidadezinha agrícola, mais próxima de um vilarejo feudal do que de um burgos. No entanto, seu povo começou a exercer certa influência sobre os povos vizinhos e gradualmente os foi submetendo ao seu domínio, o que provocou no final do século VII e começo do VIII, a centralização da região sob o domínio de Oslo. Tanto que o fiorde Vik também é chamado de Oslo.

Porém, o frio intenso e a conseqüente semi-esterilidade do solo, além da superpopulação (a população Norueguesa chegava a cerca de dois milhões de habitantes no início da Era Viking) fizeram com que os povos do fiorde Vik quisessem sair de lá, rumo a lugares mais quentes e de solo mais fértil.

A palavra Viking propriamente dita quer dizer: o habitante do fiorde Vik. Portanto, se analisarmos sob esta perspectiva, apenas estes seriam Vikings. Porém como os reides eram realizados por Noruegueses (inicialmente do fiorde Vik, mas depois também das outras regiões da Noruega) e Danos (posteriormente chamados Dinamarqueses), então muitos tentam justificar a palavra Viking de outras formas, como por exemplo a palavra Islandesa vik, que quer dizer baía, ou regato, sendo assim, um Viking é alguém que vive numa baía ou regato. Há também a palavra anglo-saxônica wic, que quer dizer acampamento, sendo assim, um Viking seria alguém que acampa de tocaia.

De qualquer forma, os Vikings não adotavam esta denominação, eles se chamavam pelo seu respectivo lugar de origem (podia ser o fiorde Vik, a Dinamarca, ou até mesmo uma simples aldeia). Nem mesmo os povos da época os chamavam de Vikings. Os povos que lhes eram contemporâneos lhes chamavam de Nórdicos.


3.2 – Política:
Os povos conhecidos como Vikings manifestavam uma forma política semelhante. Não se sabe se esta forma de governo era própria de todos os Escandinavos e depois se difundiu também para os Danos, ou se ela era própria da cidade de Oslo e difundiu-se segundo sua expansão. Porém, a primeira hipótese é mais aceitável, visto que Oslo não chegou a formar um verdadeiro Império, pois não dominou a Escandinávia.

A característica mais marcante dos povos Vikings no que diz respeito a sua política é que todos eles adotavam a Monarquia, mas na grande maioria dos casos, uma Monarquia em moldes atuais, ou seja, semelhante às Monarquias Parlamentares de hoje em dia.

Os Reis tinham poder absoluto no que dizia respeito às guerras, regiões dominadas e tudo que tivesse ligação com os domínios de seu Reino. Porém, ele não podia criar leis, ou mesmo julgar pessoas, estas tarefas eram delegadas às Althings, ou simplesmente Things. As Althings eram uma reunião de todos os homens (mulheres não participavam) livres (escravos não participavam) e adultos (crianças não participavam) do Reino. Em cada localidade do Reino existia uma Althing, o que significa que mesmo no caso de domínios pequenos, as leis e o sistema judicial poderia variar de uma cidade ou região, para outra, dentro de um mesmo Reino. O Rei só poderia tratar da economia e de assuntos militares das regiões dominadas.

Na realidade, as sociedades Vikings tinham um sistema político semelhante às Democracias Gregas, pois salvo a exceção da existência de um Rei, cada região se autogovernava através de seus cidadãos (como na Grécia antiga, o termo cidadão não tem o mesmo significado que hoje, pois nem todos os habitantes eram cidadãos).

A sucessão Real era sempre conturbada, os homens mais poderosos do Reino travavam guerras de influência e, às vezes de fato, para ver quem iria suceder o Rei morto, já que a sucessão hereditária só foi instituída no século XIV. Entretanto, o fato de os poderosos escolherem o novo Rei não implicava, como veremos a seguir, na exclusão dos filhos do Rei da sua linha de sucessão. Pelo contrário, muitas vezes o filho do Rei morto herdava seu trono, ou por se acreditar que ele teria os mesmos valores admirados no pai, ou então porque este (o Rei) deixara homens de confiança que assegurariam ao filho o trono após sua morte. Essa situação era mais comum quando o Rei morria em campo de batalha, pois devido a necessidade de se coroar outro Rei rapidamente (para não desorganizar as tropas), escolhia-se o filho do Rei como seu sucessor.
3.3 – As sociedades Vikings:
Os povos Vikings, assim como tinham uma mesma organização política, também compartilhavam uma mesma composição sociocultural.

A língua falada pelos Vikings era a mesma, seu alfabeto também era o mesmo: o Alfabeto Rúnico.

As sociedades estavam divididas, de um modo geral, da seguinte maneira: O Rei estava no ápice da Pirâmide; abaixo dele estavam os karls, homens ricos e grandes proprietários de terras (os karls não eram nobres, pois nas sociedades Vikings não havia nobres); abaixo dos karls havia os jarls, ou seja, o povo, livres, mas sem posses ou com poucas propriedades, geralmente pequenos comerciantes ou lavradores. Os jarls compunham o grosso dos exércitos Vikings e tinham participação nas Althings; abaixo dos jarls, havia os thralls, escravos. Eles geralmente eram prisioneiros de batalhas, mas podiam ser (dependendo da decisão da Althing da região) escravos por dívidas ou por crimes, seus proprietários tinham direito de vida e morte sobre eles.

A maior parte dos povoados Vikings eram fazendas pequenas, com entre cinqüenta e quinhentos habitantes. Nessas fazendas, a vida era comunitária, ou seja, todos deviam se ajudar mutuamente. O trabalho era dividido de acordo com as especialidades de cada um. Uns eram ferreiros, outros pescadores (os povoados sempre se desenvolviam nas proximidades de rios, lagos ou na borda de um fiorde), outros cuidavam dos rebanhos, uns eram artesãos, outros eram soldados profissionais, mas a maioria era agricultora.

As semeaduras ocorriam tão logo a primavera começava, pois os grãos precisavam ser colhidos no final do verão para que pudessem ser armazenados para o outono e inverno. Durante o inverno, as principais fontes de alimentos eram a carne de gado e das caças que eles obtinham. No verão o gado era transportado para as montanhas para pastar longe das plantações.

Nas fazendas, as pessoas moravam geralmente em grandes casarões comunitários. Geralmente esses casarões eram habitados pelas famílias. Por exemplo: três irmãos, com suas respectivas esposas, filhos e netos.

As mulheres tinham a função de ajudar os maridos, além de cozinharem e fazerem as roupas para toda a família. Quando os maridos se ausentavam caçando ou guerreando (não só os soldados profissionais lutavam nas guerras, o grosso dos contingentes era de homens do povo), as mulheres se tornavam as chefes do lar, não só defendendo-o contra invasores e bandidos, mas também comerciando com os mercadores.

As sociedades Vikings eram monogâmicas e o núcleo familiar era como o das sociedades Cristãs, com o homem ocupando o lugar de chefe da casa, tendo inclusive um assento diferenciado (aonde somente ele podia sentar).

As campanhas militares eram geralmente no inverno, pois assim os homens do povo podiam integrar os exércitos sem terem prejuízos maiores, pois teriam feito as colheitas em suas fazendas.

A arquitetura variava de acordo com a região ocupada, ou seja, dependendo do frio e dos recursos naturais disponíveis as casas e outras construções eram feitas com um ou outro tipo de madeira. Aliás, a madeira era a principal matéria prima para as construções Vikings (o que dificultou as chances de achados arqueológicos, pois a madeira se decompõe), por ser extremamente abundante, principalmente na Noruega, mas também nas regiões colonizadas posteriormente, como Islândia, Groenlândia e ilhas Britânicas.

Porém, nem só em fazendas viviam os Vikings. Existiam também grandes cidades em seus domínios, e eles fundaram outras também. As principais cidades da Noruega e Dinamarca na Era Viking eram: Oslo, Kaupang, Gokstad, Bergen e Trondheim, na Noruega; e Jelling e Hedeby, na Dinamarca. Estas cidade eram na maioria das vezes localizadas ao redor de fiordes e protegidas com altas e largas muralhas de terra batida. Nelas as casas eram bem menores, morando apenas o núcleo familiar em si (homem, mulher e filhos). As obrigações eram semelhantes, mas as cidades não dependiam da agricultura local para sobreviverem, elas podiam fazer isso através do comércio que era a sua principal fonte de lucros.

Talvez a mais importante cidade Viking tenha sido Hedeby, na Dinamarca. O comércio na região era tão intenso que chegava a atrair até mesmo os Árabes da Espanha. Os Vikings vendiam e compravam de tudo, mas um de seus principais produtos de venda eram os escravos, no mais das vezes prisioneiros feitos em reides às ilhas Britânicas.

Sabe-se que para um Viking, o dia do nascimento era muito importante, sendo nele definido o nome que o bebê teria. O nome da pessoa, segundo a crença, determinava seu caráter.

Os Vikings também se preocupavam com a educação de seus filhos. Geralmente, nas fazendas um homem velho reunia as crianças para contar a História dos antepassados, explicar o funcionamento das Althings, dizer que devem louvar o Rei e os Deuses, além de iniciá-las na Religião e, algumas vezes, no conhecimento das Runas. Nas cidades não se sabe como era realizada a educação das crianças.

Sempre que imaginamos os Vikings, lembramos de homens bárbaros, muito maus, trajando roupas peludas e elmos com chifres. Pois bem, esta visão está no mínimo equivocada.

Comecemos por desmistificar os elmos com chifres ou asas.

Muitos dizem que os Vikings os usavam pois tinham medo de que o céu lhes viesse a cair nas cabeças. Na realidade, os Vikings nunca utilizaram tais elmos, eles não passam de uma invenção artística das óperas do século XIX, que visavam resgatar a imagem dos Vikings, sem saber ao certo com eles eram. Os verdadeiros capacetes Vikings eram cônicos e sem chifres, como o da foto.

Quanto às roupas peludas, é certo que no seu cotidiano eles realmente utilizavam roupas bem grossas, devido ao frio das regiões que habitavam, mas apenas uma minoria dos guerreiros as utilizavam, nas batalhas, pois preferiam (por razões óbvias) as malhas de aço e ferro, uma vez que estas protegiam-nos dos golpes.

Já o fato de serem maus e bárbaros é de fácil explicação. Os primeiros ataques Vikings foram reides a mosteiros na costas e ilhas Britânicas (no final do século VIII), mesmo depois, os Vikings continuaram gostando muito de realizar ataques a mosteiros devido ao fato de estes não serem tão bem protegidos quanto as cidades e guardarem tesouros da Igreja Católica, além de vinho, bebida muito apreciada por habitantes de regiões frias. Esse costume de atacar mosteiros fez com que a Igreja rapidamente condenasse os Vikings e os visse como verdadeiros enviados do inferno. Uma oração comum em finais do século IX dizia o seguinte: “Da fúria dos Nórdicos livrai-nos, ó Senhor”.

Talvez a grande vantagem que os Vikings tenham tido sobre os demais povos da Europa que lhes foram contemporâneos tenha sido sua alta tecnologia de construção naval. Os Noruegueses e Dinamarqueses desenvolveram no início da Idade Média um tipo de embarcação que só veio a ser superada cerca de seiscentos anos mais tarde pelos Portugueses, com a invenção das Caravelas e Naus (que na época funcionavam, não eram como as de hoje).

As embarcações Vikings eram de dois tipos básicos: as de transporte e comércio; e as de guerra. Ambas tinham em comum o fato de serem longas, estreitas e com quilhas (parte de baixo do navio) que penetravam muito pouco na água. Sendo assim, elas podiam navegar com estabilidade tanto no mar profundo, quanto em rios rasos, podendo chegar até a praia para que os guerreiros descessem e atacassem o lugar. A supremacia das embarcações Vikings não estava somente na estabilidade, mas também na utilização combinada de remos e velas. Os navios geralmente navegavam com o vento através de velas (foram os primeiros navios da História a usarem o vento como principal fonte de movimento), só utilizavam os remos quando não havia vento.

Existiam, como já mencionei, dois tipos de embarcações, a diferença entre elas era que as mercantes e de transporte, as chamadas knorrs, eram maiores e mais largas que as destinadas a guerra, as chamadas drakkars. Uma knorr precisava ser maior do que uma drakkar pelo fato de que transportava produtos, algumas vezes elas levavam até gado, era também nelas que as pessoas comuns se mudavam para colônias recém estabelecidas.

Tantos as drakkars quanto as knorrs eram enfeitadas com cabeças de dragões ou serpentes em suas proas e com velas listradas (ou xadrezes) em misturas de verde, vermelho ou azul com branco. Nas drakkars, cada homem ia sentado em cima de um pacote que continha suas armas e armadura, este pacote servia-lhe de banco, cada um também tinha um remo, e o último homem era o encarregado do leme, que dava direção ao navio. Quando o navio estava para chegar ao local do ataque, os homens desfaziam seus pacotes e se preparavam para o ataque. Cada drakkar transportava em média quarenta guerreiros, uma knorr transportava muito mais pessoas ainda. Foi graças as drakkars e as knorrs que os Vikings conseguiram colonizaram grande parte das ilhas Britânicas, assaltar a Europa e descobrir a Islândia, a Groenlândia e a América.
3.4 – Religião e Mitos:
Os Vikings não eram criaturas enviadas pelo demônio, ou mesmo homens sem religião, como pensavam alguns homens da época. Apesar de seu costume (que desagradava em muito a Igreja Católica e que lhes proporcionou tais famas) de saquear mosteiros, os Vikings eram extremamente religiosos e desenvolveram uma religião muito peculiar por ser, além de semelhante às doutrinas Protestantes que lhe foram posteriores por cerca de quinhentos anos, um dos maiores, senão o maior incentivo que os Nórdicos tiveram para realizar sua expansão.

Além de uma religião muito evoluída (no sentido de ser adaptada às necessidades de sua população), os Vikings também possuíam vários mitos, como Anões, Dragões, Duendes, Serpentes Marinhas, Gnomos, Elfos e Sereias. Todos estes mitos, por sinal, hoje em dia povoam os chamados RPGs, que foram a febre dos adolescentes da década de 90. O interessante em se estudar tais mitos é justamente entender como, quando e porque surgiram suas idealizações.

Sendo assim abordarei inicialmente as idealizações da mitologia Viking, passando depois às suas crenças religiosas propriamente ditas.

Os Vikings acreditavam que os homens podiam ser perturbados por Elfos e Duendes, que segundo eles seriam criaturas pequenas e com capacidades de se tornarem invisíveis (ou de se esconderem das pessoas de tal forma que não podiam ser encontradas). Os Duendes, segundo as crenças Vikings eram sabotadores natos, gostavam de roubar coisas e escondê-las dos homens. Podiam até provocar naufrágios caso sabotassem um navio. Já os Elfos eram muito parecidos com os humanos, só que bem menores, com orelhas puxadas e poderes mágicos. Alguns rituais de bruxaria invocavam estas entidades para pedir ajuda ou prejudicar outras pessoas (os Elfos são um pouco semelhantes ao que representa o Saci Pererê no folclore Brasileiro do interior).

Os Gnomos eram parecidos com os Duendes, porém, com características boas. Eles protegiam os animais e as florestas, além de guardarem o pote de ouro de Asgard (o céu dos Vikings).

Mitos como os das Serpentes Marinhas e Sereias são de fácil compreensão, à medida que os Vikings (principalmente os Noruegueses) adentravam no oceano, o medo dos naufrágios se tornava mais presente, sendo assim a crença em criaturas que os proporcionavam era lógica. As Sereias eram temidas pelos navegadores, pois segundo a lenda, elas ficariam sentadas sobre os rochedos próximos do litoral e com seu canto hipnótico atrairiam os homens para lá, fazendo o navio bater nas rochas e afundar, matando a todos, além disso, elas também podiam aparecer no meio do mar, onde com seu canto podiam fazer os homens se atirarem na água para pegá-las, morrendo afogados. No entanto, as Sereias não são uma criação da Mitologia Viking, uma vez que já existem lendas de Sereias em contos antigos como a Odisséia, do Grego Homero. Já as Serpentes Marinhas (comuns em representações artísticas de mapas da Idade Média) eram criaturas que habitavam as água profundas, algumas vezes elas podiam querer se alimentar dos homens, sendo assim subiam à superfície e tentavam virar as embarcações para depois devorar os tripulantes. Justamente para se protegerem das Serpentes Marinhas e de outros perigos imaginários, os Vikings utilizavam na proa de seus barcos cabeças de Dragão, pois assim, estariam protegidos, uma vez que acreditavam que o Dragão era o animal mais poderoso e, portanto, mais temido do mundo.

A crença na existência de Dragões, no entanto, não é de origem Viking. Ela remonta a um passado muito mais remoto, e teria surgido na China, cerca de cinco mil anos antes de Cristo, quando os Chineses encontravam esqueletos de dinossauros e tentavam explicar de onde teriam surgido ossadas tão enormes. De um forma desconhecida, esta crença (a dos Dragões) se difundiu pelos séculos e pelas regiões até atingir a Escandinávia. No entanto, os Vikings foram os responsáveis pela instituição do mito dos Dragões na Europa. Quando vemos filmes sobre histórias de Dragões, ou jogamos RPGs com Dragões, aqueles animais não são os do imaginário Chinês, mas sim os do imaginário Viking.

Por fim, não podemos nos esquecer dos Anões. Se pensarmos novamente nos jogos de RPG, lembraremos que os Anões nesses jogos são sempre representados com a imagem que temos dos Vikings (imagem que, como já expliquei, é falsa), ou seja, utilizam elmos com chifres, botas e roupas peludas e sua arma preferida é um machado (o machado era realmente a principal arma Viking, mas o machado de mão, não o machado de batalha que é muito maior e que necessita da utilização das duas mãos em sua operação, não usavam este machado, pois gostavam de usar escudos), a imagem dos Anões de RPGs também pode ser a de outros povos Medievais, como Árabes e até Cristãos. Pois bem, não é que na Idade Média não existissem as pessoas com baixa estatura, que hoje são conhecidas como anões, mas os Anões mitológicos são criação da Mitologia Viking. Os Nórdicos acreditavam que esses seres eram imortais e viviam embaixo da terra, eles eram mineiros, e apesar de desprezados pelos Deuses, sempre que podiam, ajudavam os homens.

Mas falemos agora sobre a Religião Viking propriamente dita. Ela era uma seita complexa, com um panteão (conjunto de deuses) muito semelhante ao da Mitologia Grega (talvez inspirado nela), o comportamento dos Deuses em suas interações com os homens também eram muito semelhante ao da Mitologia Grega, porém, a motivação social desta religião, diferentemente da Grega, não era apenas explicar fenômenos e reações inexplicáveis, mas também, e principalmente, estimular o povo que a adota a melhorar de vida; tal qual as doutrinas Protestantes do século XVI.

A Religião Viking se chamava Ásatrú, ou Vanatrú. Não havia nela uma explicação própria para a criação do mundo, como na maioria das religiões, bem como, diferentemente da maioria das religiões, o culto aos Deuses não era realizado em templos, pois os Vikings não os construíam. Os cultos eram realizados em locais onde as pessoas se sentiam em total sintonia com a natureza, ou seja, normalmente próximo a cachoeiras, lagos, florestas ou até na beira do mar; desde que o lugar fosse afastado da civilização.

O Ásatrú é baseado na renovação (digo é, pois ainda hoje existem seguidores dessa religião), ou seja, num passado remoto teriam existido outros deuses que não os atuais, que numa guerra foram vencidos e destruídos pelos atuais que ocuparam seu lugar. Porém, os próprios deuses atuais também virão a ser destruídos numa guerra e, portanto, substituídos por outros deuses num futuro distante. Essa guerra entre os deuses é conhecida como Ragnarök.

No Ragnarök, todos os deuses velhos morrerão e junto com eles, também a humanidade, serão então os deuses velhos substituídos por novos e a humanidade recomeçará do zero. Esse mito é uma clara alusão ao Apocalipse da Bíblia, onde todos serão julgados, os bons serão salvos e os maus punidos, no fim do mundo.

Os Vikings acreditavam que o mundo, bem como o céu (lugar onde os deuses moravam), chamado de Asgard existia não devido aos deuses, mas sim a uma árvore mágica chamada Yggdrasill. Esta árvore teria as raízes tão profundas que apenas as criaturas hostis (rejeitadas pelos deuses (como os Anões)) viviam à sua volta; ao redor do caule de Yggdrasill estava o mundo dos homens, ou seja, o nosso mundo, chamado de Midgard; e acima das folhas mais altas localizava-se Asgard.

Para os Nórdicos também existia uma alma, que eles chamavam Filgia. A Filgia só se separava do corpo em duas ocasiões: na morte e ao dormir. Em ambas as ocasiões, a alma ia “dar um passeio” no Reino dos mortos (que depois explicarei com era) e se encontrava com as pessoas falecidas, sendo assim, os Vikings acreditavam que ao dormirem podiam ter presságios de coisas que estavam por acontecer, sendo os sonhos, por isso, considerados muito importantes.

O ponto mais importante da Ásatrú, no entanto era a doutrina que julgo semelhante à doutrina Protestante. Entendam: a Escandinávia era extremamente fria o ano todo, por isso, a agricultura é muito difícil.

Pois bem, o mundo do mortos estava dividido em duas partes: uma chamada Walhalla, análoga à nossa noção de Paraíso e outra chamada Hel, análoga à nossa noção de Inferno. Walhalla tinha o clima ameno e o solo extremamente fértil, além de o sol brilhar o tempo todo, coisa que não acontece no Círculo Polar Ártico, pois durante boa parte do ano, as pessoas são submetidas a chamada noite eterna, e em outras épocas, o sol nasce à meia-noite. Já Hel (nome que inspirou nos Ingleses a palavra Hell, que em inglês quer dizer Inferno) era gélido, com terras estéreis e noite perpétua, ou seja, um retrato da Escandinávia. Isso (a semelhança de sua terra natal com Hel) incentivava as pessoas a quererem deixá-la, rumo a um lugar mais quente, de terras mais férteis e onde o dia e a noite se eqüivalessem (ver item 4 – O Ser Viking).

Somente essa comparação entre a Escandinávia e o Hel já seria suficiente para incentivar as pessoas a colonizar outras regiões, no entanto, havia um outro motivo mais forte que empurrava as pessoas a isso.

Quando realizavam reides a outras regiões, mesmo que não as colonizassem, os Vikings roubavam muitas riquezas e, por tanto, melhoravam de vida. Pois bem, Walhalla estava reservada para os corajosos, ou seja, os que morreram lutando; para os saudáveis, os escolhidos dos deuses; e para os ricos e bem sucedidos. Em contraposição, Hel estava reservado aos doentes, aos medrosos e aos pobres. Por isso, todos lutavam para melhorar de vida, pois assim, ainda que mortos, iriam para o tão sonhado lugar melhor.

É inevitável que se façam comparações entre as religiões Ásatrú, Luterana e Calvinista. Uma vez que a doutrina Calvinista prevê a salvação pela predestinação, ou seja, os que forem escolhidos pelos deus (ou por Deus) para se tornarem ricos, receberam um sinal divino de que serão salvos, e doutrina Luterana diz que a salvação é dada pela fé, tanto que ela pode ser claramente ilustrada na seguinte frase: “Filha, peca forte. Mas crê mais ainda, e serás salva”. A semelhança é óbvia, uma vez que não importava aos Vikings as boas obras que tivessem deixado na terra, ou mesmo a correção de suas vidas, o que importava era que acreditassem em seus deuses (pois se não acreditassem, não teriam estímulo para lutar), pois se fossem escolhidos por eles para serem bem sucedidos (ganhassem as lutas e, por isso, enriquecessem) seriam salvos, caso contrário, a danação os esperava.

Cabe ,depois de tal comparação, questionar se Lutero e Calvino não conheciam o Ásatrú, pois se o conheciam, podemos então dizer que não passavam de plagiadores de uma doutrina muito mais antiga. Sendo assim, a única coisa que teriam feito na realidade foi adaptá-la à fé Cristã.

Sei que já me alonguei muito no que diz respeito às crenças Vikings, mas, como veremos mais adiante, elas serão importantíssimas para a compreensão do que era ser Viking e além disso, constituem talvez um dos mais importantes legados Vikings aos nossos dias.

Abaixo segue a lista das principais divindades do Ásatrú, especificadas com seus poderes e algumas curiosidades.



O



din
: Era o principal Deus Viking. Ele governava Asgard e também Midgard. Vivia montado em seu cavalo negro de oito patas chamado Sleiphir, e seguido por seus dois lobos de estimação: Geri e Freki. Era o Deus da Magia, da Morte e da Guerra, empunhava a lança Gungnir, que nunca erra o alvo. Ele também era o Protetor dos Estadistas (governantes) e dos Poetas. Segundo o imaginário Viking, o principal presente de Odin aos homens foi a sabedoria, representada pelo Alfabeto Rúnico, entretanto, Odin teve que fazer um grande sacrifício para poder criar este alfabeto. Sacrifício este que lhe custou o olho direito. Odin era celebrado na quartas-feiras, e por isso, este dia ficou conhecido como Odinsday, que depois, tornou-se em inglês a Wednesday (quarta-feira). O possível análogo de Odin na mitologia Grega é Zeus, por se tratar do Deus dos deuses.

Frigg: Era a esposa de Odin, conhecida por saber de todos os segredos do Universo, entretanto, ela não contava estes segredos para ninguém, nem mesmo para Odin. É a deusa da Fertilidade e suas possíveis análogas na Mitologia Grega são Era, por se tratar da mulher de Zeus e Deusa dos Partos, ou Gaia, por se tratar da Mãe Terra, a Fertilidade em pessoa.

Thor: É com certeza o Deus mais conhecido do Ásatrú. Isso devido, é claro, ao famoso desenho de nome “Thor, o Deus do Trovão”. Na verdade, Thor não era apenas o Deus do Trovão, mas também o Deus da Chuva, do Relâmpago e da Vingança. Ele era o melhor entre todos os guerreiros de Asgard, mas não era o Deus da Guerra, nem dos Guerreiros. Empunhando seu mítico martelo de pedra chamado Mijollnir, ele era invencível em qualquer batalha. Os guerreiros Vikings costumavam usar réplicas em miniatura do Mijollnir penduradas em seus pescoços durante as batalhas, pois acreditavam que assim também seriam invencíveis, como o Deus. Apesar disso, Thor era o menos inteligente de todos os deuses. O possível análogo de Thor na Mitologia Grega é Apolo, por ser filho de Zeus, bem como Thor é filho de Odin, além disso, Apolo é o Deus do Sol, e Thor também é Deus de entidades celestes. Este Deus era reverenciado todas as quintas-feiras, sendo este dia chamado de Thorsday, que deu origem ao nome da quinta-feira em inglês, ou seja, Thursday.

Loki: Também é filho de Odin, e irmão de Thor, era um Deus curioso, por ser ao mesmo tempo o Deus do Bem e do Mal. Ele era conhecido com o trapaceiro de Asgard, pois sempre tentava enganar os outros deuses. Seu dia de reverência era o sábado, que era conhecido como Lokisday, mas este dia, por não se tratar de um Deus de tanta relevância no contexto Viking, não deu origem ao nome atual do sábado em inglês.

Tyr: Era o Deus dos Guerreiros e do Combate (não da Guerra). Era o líder do exército dos deuses, apesar de não ser nem de longe o melhor guerreiro. Seu possível análogo na Mitologia Grega é Marte, que apesar de ser o Deus da Guerra, também não é nem de longe o melhor guerreiro do Olimpo. Tyr era muito celebrado principalmente pelos soldados profissionais, e seu dia era a terça-feira, que ficou conhecida como Tyrsday, palavra que em inglês deu origem à Tuesday (terça-feira).

Frey: Trata-se de um dos principais Deuses do Ásatrú. Ele é o Rei dos Duendes e o Deus masculino da Fertilidade. Ele é sempre representado com o pênis ereto, para demonstrar que é fértil.

Freya: Irmã de Frey, é a mais importante entre as Deusas do Ásatrú, superando até mesmo Frigg. Ela também é uma Duende e é a Deusa do Amor e da Magia. Era celebrada nas sextas-feiras, por isso este dia era chamado de Freyasday, o que deu origem em inglês ao dia Friday (sexta-feira).

Heimdal: Era o porteiro de Asgard, ele guardava a única forma de acesso ao Reino dos deuses: o arco-íris.

Njord: É um Deus muito importante para os Vikings, por se tratar do Deus dos Mares, era também o Protetor dos Marinheiros e Pescadores.

Idun: Deusa da Saúde, possuía uma caixa de madeira mágica, onde guardava um infinito número de maçãs as quais tinha a obrigação de servir a todos os deuses, todos os dia. Estas maçãs é que lhes garantiam a força e a eterna juventude. Na Mitologia Grega existia a crença de que os deuses se mantinham fortes e jovens porque comiam Ambrósio e bebiam Néctar todos os dias. Quem servia Néctar aos deuses Gregos era Baco, o Deus do Vinho, por isso ele é o possível análogo de Idun.

Nornes: Eram três irmãs responsáveis pela guarda e preservação da árvore Yggdarsill. Elas deveriam mantê-la longe das vistas dos homens e fazer chover hidromel (bebida alcoólica a base de mel fermentado, típica dos Vikings) sobre suas raízes todos os dias, para que ela nunca morresse, o que seria o fim do mundo. Urd era a irmã mais velha e vivia olhando para trás, por cima do ombro; é a Deusa do Passado. Verdandi é bem jovem e gosta de olhar para o chão; é a Deusa do Presente. Já de Skuld, não se pode precisar a idade, pois ela vive enrolada em panos negros e com um capuz na cabeça, além disso, ela leva um pergaminho nas mãos, pergaminho esse que contém os segredos do Futuro, do qual ela é a Deusa.

Dvalin: É o Rei dos Anões, além de ser o Deus do mundo subterrâneo.

Valkyrias: São entidades femininas que aparecem para os homens que estão prestes a morrer. Apenas estes podem vê-las, para os demais elas são invisíveis. Elas têm a missão de conduzir os mortos até Walhalla ou Hel.


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