Mais que um povo, um ideal


– Os Noruegueses no Período de 850 a 950



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6.2.1 – Os Noruegueses no Período de 850 a 950:
Os Noruegueses continuavam suas navegações desenfreadas e, em 860, navegando para noroeste das ilhas Faroe, encontraram a Islândia. Na verdade é incorreto afirmar que os Vikings descobriram a Islândia, pois quando lá chegaram a terra não estava deserta, ou habitada por nativos, mas sim por monges Irlandeses eremitas. Entretanto, tais monges, a exemplo de Lindisfarne, foram ou mortos ou aprisionados para serem vendidos como escravos. O que deixou o caminho livre para a colonização de mais esta ilha. Porém, logo os Noruegueses perceberam que o lugar era tão frio quanto sua terra natal (por isso o nome Terra do Gelo, em inglês Iceland). Mesmo assim eles fundaram na região alguns povoados e uma pequena cidade: Reykjavik, tornando a Islândia mais uma colônia Norueguesa. Apesar disso, posteriormente Dinamarqueses também habitaram a região, mas isso depois da Era Viking.

Por volta de 870, com apenas dez anos de idade, Haraldo I, o Louro, assumiu o trono de Oslo. Nesta época, o fiorde Vik já estava totalmente leal ao domínio do Rei de Oslo mas, por outro lado, Bergen também se fortalecera muito na porção ocidental da Noruega. Tanto assim que havia imposto seu domínio a região dos Fiordes Ocidentais, transferindo sua capital (a de Bergen) para Trondheim.

Haraldo I tinha um sonho: conquistar para sua coroa toda a Noruega, unificando-a não como os Reis Heróis, mas definitivamente. À partir desse desejo, o Rei empreendeu todos os esforços de seu Reino entre os anos de 885 e 890 para submeter Bergen ao seu poder.

A maior arma que os Vikings tinham contra Bergen eram as drakkars, pois Bergen não sabia construí-las e por isso, seus navios de guerra eram muito inferiores. Sendo assim, Haraldo I esforçou-se em se tornar invencível nos mares e tão logo conseguiu, começou a atacar os portos de cidades como Bergen e Trondheim, desencadeando uma guerra dentro da Noruega.

Bergen através de sua nobreza, revidava como podia aos cercos navais dos Vikings, mas por seus navios serem inferiores, se viu encurralada por volta do ano 890. Ocorreu então a chamada Batalha de Hafrsfjord, no fiorde Hafrs. Nesta batalha, exclusivamente naval, os Vikings impuseram a Bergen a derrota definitiva e anexaram, de uma vez por todas, a região aos domínios de Oslo.

Depois da unificação da Noruega por Haraldo I, a capital do país deixou de ser Oslo, para passar a ser Trondheim, que era na época a principal cidade Norueguesa.

Ainda no Reinado de Haraldo I, um ataque nos moldes do realizado à Irlanda, em 841, foi realizado no extremo norte da Escócia, partindo das ilhas Órcadas. Esse ataque, no qual o próprio Haraldo I tomou parte, anexou a região aos domínios Noruegueses. Essa região juntamente com os arquipélagos de Shetland, Órcadas e Faroe formou o chamado Condado das Órcadas.

O sonho de Haraldo I estava concretizado. Ele não só havia unificado a Noruega, como também podia vangloriar-se de ser um dos maiores Monarcas da Europa, pois além de seu país, ele controlava as ilhas Órcadas, Shetland e Faroe, além de um quarto da Irlanda, o norte da Escócia e a Islândia.

No entanto, o poder demasiado de Haroldo I acabou se tornando uma faca de dois gumes. Pois ao mesmo tempo que em seu longo Reinado (de 870 a 945) ele ampliou muito os domínios territoriais de Oslo, seu excesso de autoritarismo colocou as Althings mais distantes contra ele, fazendo, em muitos casos, suas ordens não serem cumpridas, o que provocou uma violenta crise política entre os Vikings Noruegueses, proporcionando aos Dinamarqueses deixarem de serem os coadjuvantes no cenário Viking para se tornarem os personagens principais.

A crise era tão violenta que com a morte de Haraldo I em 945, apenas a Noruega estava sob a autoridade de Oslo, tendo o Condado das Órcadas se tornado praticamente independente. A Islândia e Dublin seguiram esse exemplo, mas continuavam sob a autoridade (pelo menos simbólica) da Noruega, coisa que foi deixando de acontecer cada vez mais ao Condado das Órcadas, que estava cada vez mais sob a influência da Escócia.

Depois da morte de Haraldo I seu filho caçula, Erik, o Machado Sangrento, reclamou o trono, mas seu filho (filho de Haraldo I) mais velho, Haakon retornou da Inglaterra, onde havia crescido como filho adotivo do Rei Athelstan de Wessex (que era Cristão), e reclamou o trono para si. Os karls, com medo de que Erik, por ter convivido com o pai, continuasse com seus desmandos, resolveram apoiar Haakon, dando-lhe o trono de Oslo. Haakon tornou-se então Haakon I, Rei da Noruega.

Haakon I foi o primeiro Rei Cristão da Noruega. Por ter sido criado numa corte Cristã, ele acreditava e seguia os preceitos do Catolicismo, e sua meta de governo foi converter a Noruega a essa doutrina. Para isso ele construiu Catedrais nas principais cidades, ou seja, em Oslo, Trondheim e Bergen. Também restaurou as Althings de toda a Noruega para colocá-las sob seu domínio, coisa que não acontecia antes, pois como já mencionei, as Althings tinham autonomia em relação ao Rei.


6.2.2 – Os Dinamarqueses no Período de 850 a 950:
Depois de dominarem a ilha Sheppey, na Inglaterra, os Dinamarqueses se converteram no pior pesadelo dos povos Ingleses. Através da ilha, e de outras ilhas próximas às fozes de rios (ilhas que eles vieram a conquistar depois), os Dinamarqueses penetravam no interior da Inglaterra e realizavam saques às diversas cidades, por mais fortificadas que fossem.

Geralmente os saques funcionavam da seguinte maneira: os Dinamarqueses chegavam a uma determinada região e exigiam uma certa quantidade de ouro e outras riquezas para não atacá-la. Esse tributo exigido se chamava Danegeld. Se o povoado pagasse o tributo, os Vikings iam embora, mas voltavam dentro de alguns meses exigindo novo tributo, de tal maneira que os recursos do povoado iam se esgotando até que ele não pudesse mais pagar o Danegeld. Quando isso acontecia, ou seja, os Ingleses não pagavam o tributo, os Vikings saqueavam a vila e, por vezes, conquistavam-na criando uma nova base de operações. Com efeito os Danegeld serviram para melhorar a máquina de guerra Dinamarquesa.

Por volta de 850 (as fontes são confusas entre 845 e 865), um líder Dinamarquês chamado Ragnar Lothbrok subiu o rio Sena com uma expedição gigantesca e saqueou Paris. Parece que havia por volta de trinta mil homens em sua expedição. Reides como este demonstram o apogeu Dinamarquês.

Neste período, um outro chefe Dinamarquês também saqueou o Reino Franco, ele se chamava Hastein, e depois de três anos saqueando os Francos, partiu de lá, em 862, com sessenta e dois navios (entre knorrs e drakkars). Entretanto, ele rumou para o sul, em direção à Espanha Árabe, aportando perto de Cádiz. Ele entrou em luta com os Mouros, mas foi derrotado e acabou perdendo parte do que havia roubado dos Francos. Sendo assim, reuniu os homens e navios que lhe restavam e continuou navegando rumo ao oriente, penetrando no mar Mediterrâneo. No caminho ele atacou as cidades Árabes de Ceuta e Tânger, no norte da África, mas se dirigiu para o nordeste da Espanha, onde entrou novamente em luta contra os Sarracenos (Árabes), mas desta vez, venceu-os e saqueou seus territórios. Depois disso, ele voltou a saquear o Reino Franco (mas agora sua porção sul, banhada pelo Mediterrâneo). Passou então o inverno numa ilhota da foz do rio Ródano (no próprio Reino Franco), para depois seguir sua viagem Mediterrâneo adentro, pois seu objetivo era saquear Roma.

Após o inverno, Hastein e seus homens levantaram acampamento e seguiram com cerca de quarenta navios (os que haviam sobrado da derrota frente aos Árabes do sul da Espanha) rumo a península Itálica, onde esperavam enfim saquear Roma. Por volta de 863, eles avistaram a majestosa cidade de Luna, na Itália, e a confundiram com Roma, por isso a atacaram. Inicialmente foram repelidos, mas Hastein armou um plano muito inteligente: fingiu ter sido gravemente ferido na batalha e aceitou receber o batismo e extrema unção (bênção que se dá aos mortos) dos sacerdotes de Luna (que ele ainda pensava ser Roma). Sendo assim, quando ele fingiu estar morto, o povo da cidade permitiu que seu corpo fosse levado para dentro para ser sepultado. Uma vez em Luna, Hastein “ressuscitou” e liderou seus homens na pilhagem da cidade. A expedição de Hastein foi uma das mais impressionantes incursões Vikings no mar Mediterrâneo.

Já na Inglaterra, aos poucos os Dinamarqueses foram tomando todos os Reinos abaixo da Nortúmbria, ou seja: Kent, Lindsey, Anglia Oriental, Mércia, Essex e Sussex. Faltava-lhe apenas o Reino de Wessex, que a essa época já dominava também a Cornualha Britânica.

Em 870, os Vikings chefiados por Ivar, o Desossado e por Hubba (ambos filhos de Ragnar Lothbrok) atacaram o Reino de Wessex, que era governado por Etelred. Mas este os repeliu. Novamente, em 871, os Dinamarqueses, agora chefiados por Guthrum, voltaram a atacar Wessex, por ocasião da morte de Etelred. Porém, seu irmão e sucessor, Alfred voltou a expulsá-los.

Os Dinamarqueses se retiraram para Reading e organizaram novo ataque contra Wessex em 876, mas foram derrotados novamente. Então armaram uma estratégia inteligente de ataque. Na meia-noite de ano novo de 878, desfecharam um forte ataque contra Wessex, forçando Alfred a bater em retirada para a cidade de Athelney. A Inglaterra abaixo da Nortúmbria estava toda tomada pelos Vikings da Dinamarca.

No entanto, Alfred não estava morto e de Athelney organizou seu contra-ataque. Ainda em 878, reuniu um exército entre os povos dominados de Wessex, Sussex, Kent e Mércia, e enfrentou os Escandinavos na Batalha de Edington. Alfred venceu e obrigou os Vikings a se retirarem para o leste. Sendo assim, nas regiões de Lindsey, Essex, Anglia Oriental e boa parte da Mércia, foi estabelecido o chamado território de Danelaw, a colônia Dinamarquesa na Inglaterra.

Alfred continuou desfechando ataques a Danelaw, até que em 880 ocupou Londres e estabeleceu ali o marco divisório entre Danelaw e Wessex (que agora dominava também Sussex, Kent e boa parte da Mércia, além dos seus antigos territórios e da Cornualha). Como parte do tratado entre Wessex e os Vikings, o líder Dinamarquês Guthrum foi obrigado a ser batizado e se comprometer a propagar o Catolicismo no território de Danelaw. Foi a conversão dos Vikings da Inglaterra ao Catolicismo.

Os sucessores de Alfred; Eduardo, o Velho (899 a 925), Athelstan (925 a 939), Edmund (939 a 946) e Eadred (946 a 955); continuaram desfechando ataques a Danelaw, além de atacarem também os Reinos da Nortúmbria e da Escócia. A expulsão dos Dinamarqueses da cidade de York (ponto estratégico, por se situar no centro da Inglaterra), por Eadred, somada aos outros atos dos Reis de Wessex proporcionaram a que Edgar fosse coroado, em 973 como o primeiro Rei de toda a Inglaterra, ou seja, as lutas de Wessex contra Danelaw proporcionaram a unificação da Inglaterra. Entretanto, Danelaw não foi inteiramente conquistada, bem como não o foi a Escócia. A presença Viking na Inglaterra continuou até 1066.

Até agora falamos dos Dinamarqueses na Inglaterra, mas agora vamos falar do que eles fizeram na Europa continental.

Os Dinamarqueses, bem como os Noruegueses (aqueles mais do que estes) sempre atacaram os Francos através do rio Sena, por ser uma entrada estratégica, e próxima da Escandinávia, para esse Reino (o Reino Franco (após a morte de Carlos Magno, e de seu filho, seus netos dividiram o Império em três partes inicialmente: uma delas consistia na norte da Itália, a outra naquilo que depois seria, junto com a primeira parte, o Sacro Império Romano-Germânico, e a terceira parte tornou-se o Reino Franco. Mais tarde, uma região entre o Reino Franco e o Reino Germânico tornou-se a Borgonha)).

Pois bem, um Viking de origem Norueguesa, mas no comando de tropas Dinamarquesas, chamado Rolf Gangr estava atacando o Reino Franco havia muito tempo, mas em 911, ele foi derrotado nos arredores de Chartres, pelas tropas do Rei Carlos III, o Simples. Caído prisioneiro, Rolf Gangr foi levado à presença de Carlos III, em Saint-Clair-sur-Epte, que surpreendentemente não o condenou, mas fez-lhe uma proposta irrecusável. O chefe Viking teria que aceitar ser batizado e converter-se ao Catolicismo, para ganhar as terras de ambas as margens da foz do Sena. Rolf Gangr teria que jurar vassalagem a Carlos III e prometer ser os guardião do Reino Franco contra os Vikings, tanto Noruegueses, quanto Dinamarqueses.

O raciocínio de Carlos III foi óbvio, contra um Viking, nada melhor que outro. Rolf Gangr aceitou a proposta e em 912 foi batizado e nomeado Duque da Normandia (a região até então não se chamava assim, este nome lhe foi dado em alusão à população que a habitava, ou seja, Dinamarqueses e Noruegueses descendentes dos Nórdicos). Depois disso, Rolf Gangr passou a ser conhecido como Rollon. Uma curiosidade: segundo as Sagas Vikings escritas por Islandeses no século XIV, Rollon tinha o apelido de “o Andarilho”, mas não porque gostava de andar, e sim porque segundo tais Sagas, suas pernas eram tão compridas que não havia cavalo em que ele pudesse montar.

A Normandia, apesar de ter origens Vikings, rapidamente se converteu em uma região do Reino Franco propriamente dita. Pois em 950 a migração de Escandinavos para o território foi proibida e, no século XI, o idioma Escandinavo também. Sendo assim, a Normandia não pode ser considerada uma colônia Dinamarquesa, mas apenas uma área de povoamento Viking, uma vez que prestava vassalagem ao Reino Franco.

Durante o Reinado de Gorme, o Velho (de 936 a 950), a Dinamarca foi também definitivamente unificada. Gorme estabeleceu a capital do país na cidade de Jelling, na Jutlândia, onde ergueu em homenagem a sua mulher uma estela memorial (monolito, ou coluna, destinada a ter uma inscrição), que junto com a que seu filho Haroldo Dente Azul ergueu para ele (para Gorme), é o mais belo monumento da Era Viking.
6.3 – Os Vikings da segunda metade do século X até o fim da Era Viking:
Aqui será relatada a decadência Viking, ela veio junto com o Catolicismo e pois um fim às incursões de um povo tão avançado nas tecnologias náuticas e bélicas, que conseguiu empreender, quase quinhentos anos antes de Colombo, a descoberta da América, não só pela Groenlândia (que apesar de muitos não saberem, pertence à América), mas também por Vinland, que ao contrário do que muitos pensam, foi realmente descoberta.

Veremos também nesta parte do trabalho a série de guerras entre os próprios Vikings, Noruegueses contra Dinamarqueses e vice-versa, que enfraqueceram ainda mais os povos Nórdicos, dando a impressão temporária de fortalecimento de um dos lados, como no Império de Canuto, mas que acabaram por levar a, já exaurida, civilização Viking a perda quase total de sua importância deixando, inclusive, os Escandinavos de serem os Vikings.


6.3.1 – Os Noruegueses no Período de 950 a 1066:
Haakon I era o Rei da Noruega em 950, quando esta foi atacada pelos Dinamarqueses chefiados por seu Rei Haroldo Dente Azul, filho de Gorme, o Velho, que unificou a Dinamarca.

Haroldo Dente Azul atacou a Noruega com seus drakkars e seus guerreiros, mas Haakon I teve muito sucesso na defesa do Reino, expulsando o invasor.

Porém, dez anos se passaram, ou seja, em 960, Haroldo tornou a atacar a Noruega. Desta vez, Haakon I foi pego de surpresa e morto na batalha. Resultado, a Noruega foi conquistada pela Dinamarca de Haroldo Dente Azul.

Depois da conquista da Noruega por Haroldo Dente Azul, a História dos acontecimentos de Dinamarca e Noruega se mistura muito, por isso deixarei para contá-la quando falar da Dinamarca neste período, porque sobre a Noruega há outras coisas para contar, entretanto sobre a Dinamarca, não há.

Bem, já que exclui da pauta de temas deste trecho a situação político-militar da Noruega, então me remeterei a contar fatos importantes ocorridos nas possessões marítimas deste país, que apesar de estarem parcialmente independentes desde o final do governo de Haraldo I, continuaram a receber sua influência.

Contarei aqui a História de um homem muito rico pertencente ao karl, chamado Erik, o Vermelho.

Com certeza muitos já ouviram falar a respeito deste Viking, mas garanto que a maioria não tem nem idéia do porquê de sua fama. É este o objetivo aqui, contar quem foi ele.

Erik nasceu por volta de 940, na Noruega. Cresceu lá, e por volta de 970, numa discussão na Althing, matou um outro notável Norueguês. Ele foi julgado, mas sua pena não foi a morte, e sim o banimento para a Islândia.

Chegando na Islândia, como era muito rico, Erik logo se tornou o proprietário de um fazenda, e junto com sua família estava reconstruindo sua vida. Entretanto, por razões desconhecidas, em 980 ele matou outro homem, agora um notável da Islândia. Sua pena foi novamente o banimento, mas não para um lugar definido. Agora ele já não mais podia pisar nem na Noruega, nem na Islândia. Restavam-lhe poucas opções de onde ir, então, por dois anos ele navegou com um grupo de seguidores seus, deixando sua família na Islândia.

Em 982, ele encontrou uma terra cheia de rochedos a noroeste da Islândia. Desembarcou lá e viu alguns campos verdes (era verão), na hora ele percebeu que havia descoberto novas terras.

Erik viu nisso a chance de criar seu próprio Reino, independente da Noruega, que tanto o perseguia. Ele retornou para a Islândia dizendo que havia descoberto a Gröenland (que em inglês ficou Greenland, ou Terra Verde). Ele sabia que com esse nome atrairia para seu empreendimento muitas pessoas em busca da tão sonhada terra fértil.

Quatro anos mais tarde, em 986, ele finalmente conduziu uma esquadra de vinte e cinco knorrs até a Groenlândia. Lá, ele se radicou na região sul, que ficou conhecida como Colônia Oriental (por ser mais perto da Europa). Fundaram a cidade de Gardar e a vila, ou fazenda de Brattahlid, da qual Erik se tornou o chefe. Aos poucos foram chegando mais pessoas e a Groenlândia foi sendo povoada. A cidade de Gardar chegou a ter uma Catedral, um Mosteiro Beneditino, um Convento de monjas e doze Paróquias. Mais tarde, mas ainda no século X, foi edificada mais a noroeste a chamada Colônia Ocidental, mas nela só havia o pequeno povoado de Gothabfjord (mapa da Groenlândia, com as Colônias Oriental e Ocidental destacadas no item 2.1).

Não é nem preciso mencionar, devido ao imenso número de Igrejas, que a Groenlândia sempre foi Católica, desde seus primórdios. Há indícios que mostram que a conversão da Groenlândia ao Catolicismo ocorreu entre 990 e 1000.

No ano 1000, Erik, o Vermelho (também dito Erik, o Ruivo) morreu e foi sucedido no governo de Brattahlid por seu filho Leif Eriksson (Eriksson = Erik + son (filho de Erik)), que teve que desistir de seu empreendimento marítimo (explicado detalhadamente no item 7 – Vinland) para suceder o pai.


6.3.2 – Os Dinamarqueses no Período de 950 a 1066:
Como já havia mencionado, Haroldo Dente Azul conquistou a Noruega em 960, mas vejamos melhor como ocorreram os fatos.

Haroldo atacou o Reino de Haakon I, em 950, mas não se saiu bem, foi repelido. Em 960, Haroldo atacou novamente a Noruega, e desta vez a conquistou. A Noruega já estava infiltrada pelo Catolicismo, apesar de a maioria de sua população ser ainda pagã (adepta do Ásatrú), e lá, Haroldo Dente Azul tomou contato direto com os sacerdotes Católicos, uma vez que Haakon I era Católico, ele havia se cercado de uma elite clerical Cristã.

Diz a lenda que, depois de tomar o poder na Noruega, Haroldo submeteu os sacerdotes leais a Haakon I a uma sessão de tortura, porém sua fé era tão grande que eles não sentiam dor. Vendo aquilo, Haroldo se convenceu de que o Deus dos Católicos era de fato poderoso e se converteu ao Catolicismo, deixando-se batizar logo em seguida.

A conversão de Haroldo Dente Azul iniciou a propagação da fé Cristã também na Dinamarca. O Rei esforçou-se para converter tanto Dinamarqueses quanto Noruegueses ao Catolicismo, e incentivou a construção de igrejas por todo o seu Reino. As igrejas que os Vikings construíam eram de um estilo particular, muito diferentes das igrejas tradicionais da Europa. Eram as chamadas Igrejas de Aduelas, feitas inteiramente de madeira trabalhada com imagens da História Viking (muitas dessas imagens eram pagãs). O mais belo nessas igrejas era o estilo da construção. Elas eram pequenas, mas muito altas, com vários telhados escalonados e sobrepostos o que produzia um efeito muito bonito tanto externa quanto internamente.

Em 974, o Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Oto II atacou a Jutlândia e conquistou-a, deixando a Dinamarca reduzida às suas ilhas e ao sudoeste da Suécia. Doze anos depois, em 986, Haroldo Dente Azul foi destronado por seu filho Swein Barba Bifurcada, e morreu no exílio, pouco depois.

O primeiro objetivo de Swein foi o de retomar a Jutlândia ao Sacro Império Romano-Germânico. Para isso, ele desfechou diversos ataques contra seus inimigos, até que em 990 ele conseguiu expulsá-los, durante o governo do Imperador Oto III. Porém, os mais de quinze anos de dominação pelo Sacro Império concluíram na Jutlândia o que Haroldo Dente Azul havia começado, ou seja, a conversão do povo a fé Cristã.

Em 994, Swein Barba Bifurcada junto com seu amigo Olaf Tryggvesson, um membro do karl Norueguês, desfechou um grande ataque contra Londres, visando retomá-la de Wessex. Mas o ataque fracassou. Quando retornaram da Inglaterra, Swein resolveu entregar a coroa da Noruega para Olaf Tryggvesson. Ele queria reconstruir a Dinamarca, que julgava estar em frangalhos após a saída Germânica.

No entanto, no ano 1000, Olaf e Swein se desentenderam e este declarou guerra àquele. A Dinamarca era muito mais poderosa do que a Noruega (pois Swein tinha dividido o poder, mas não o poderio econômico e militar) e, portanto, a guerra se resolveu logo, com a derrota e morte de Olaf Tryggvesson na Batalha de Svolder. Swein retomou a coroa da Noruega e a manteve até sua morte, em 1014. Mas as atenções dele estavam voltadas para a Inglaterra, que desde a expansão de Wessex (iniciada por Alfred em 878), estava engolindo o território Dinamarquês de Danelaw.

Aproveitando-se do que restara desse território, Swein invadiu a Inglaterra em 1001 e, em 1002, conseguiu uma grande vitória sobre o Rei Inglês (nesta época a Inglaterra já era um país, como mencionei no item 6.2.2), denominada o Massacre do dia de São Brice, quando conseguiu um bom fortalecimento de Danelaw.

Onze anos depois, agora ajudado por seu filho Canuto, Swein derrotou o Rei Etelred, o Irresoluto, e só não conquistou a Inglaterra porque este conseguiu fugir da batalha. Entretanto, Swein Barba Bifurcada morreu em 1014, deixando seu trono na Noruega e na Dinamarca vagos, enquanto seu filho, Canuto, se embrenhava na luta contra os Ingleses.

Devido a esta situação, na Noruega Olaf Haraldsson (ou Olaf II) começou a governar interinamente, escolhido por uma Althing, enquanto que na Dinamarca, a fragmentação política ressurgiu.

Canuto não era Rei de nada, mas os exércitos de seu pai continuavam seguindo-o, pois em última instância ele seria, pelo menos, o governante de Danelaw. Em 1016, finalmente Etelred, o Irresoluto tombou em combate. O caminho para o trono Inglês estava aberto. Edmund Ironside (um Duque Inglês) ainda tentou conter Canuto, mas seus homens (os de Canuto) o derrotaram e ele foi coroado Rei da Inglaterra. Edmund Ironside só conseguiu preservar Eduardo, filho de Etelred, enviando-o para a Normandia, onde seria criado por Guilherme, o Duque da Normandia. Finalmente os Vikings conquistavam a Inglaterra. Mas o preço foi alto, Canuto havia perdido tudo o que seu pai conquistara na Escandinávia.

Os primeiros atos de Canuto como Rei da Inglaterra foram punir severamente todos os Ingleses que se opusessem a ele, mas com seu casamento, em 1017, com a viúva do Rei Etelred, o Irresoluto, ele mudou sua política e passou o resto de seu Reinado se esforçando para que Vikings e Ingleses convivessem em paz.

Depois que já havia assegurado sua posição na Inglaterra, Canuto embarcou para a Dinamarca, em 1019, e rapidamente (com pouca resistência) reunificou o país e no mesmo ano tomou para si a coroa Dinamarquesa.

Na Noruega porém, as coisas estavam mais difíceis, Olaf Haraldsson, que governava interinamente desde a morte de Swein Barba Bifurcada, em 1014, reivindicou o trono Norueguês em 1015 e, em 1016, foi coroado Rei da Noruega.

Olaf Haraldsson era descendente de Haraldo, o Louro, e aceitou ser batizado, em 1013, em Rouen, na Normandia, para poder ser candidato ao trono, ou pelo menos ao governo interino da Noruega. Quando foi coroado dedicou-se a enraizar ainda mais o Catolicismo na Noruega, pois percebeu que a Igreja proporcionava uma excelente máquina de dominação popular. Entretanto, Olaf II exagerou e suas medidas provocaram grande hostilidade por parte das Althings Norueguesas.

Canuto não havia desistido do ideal de reconquistar para si o que fora de seu pai, por isso, em 1028, invadiu a Noruega tomando Trondheim, onde se proclamou Rei. Olaf Haraldsson estava extremamente impopular (desde os ricos até o povo) e sua única opção foi fugir para a Rússia, buscando refúgio no Principado de Kiev (fundado pelos Varegues e considerado por muitos como o primeiro Reino da Rússia), onde reuniu um exército mercenário (composto por pagãos) e retornou à Noruega para enfrentar Canuto, em 1030. Porém, seus exércitos eram inferiores aos experientes soldados de Canuto e ele foi derrotado e morto na Batalha de Stiklestad.

Após a morte de Olaf Haraldsson, começaram a surgir rumores de milagres operados por ele (apesar de sua extrema impopularidade), rumores estes que levaram à sua canonização como Santo Olavo, o padroeiro da Noruega, em 1164.

Canuto enfim unificara sob seu poder a Inglaterra, a Dinamarca e a Noruega, além de ter influência na Islândia e nos territórios de presença Viking da Irlanda. Porém o Condado das Órcadas estava cada vez mais distante dos acontecimentos políticos Escandinavos e já era muito mais influenciado pelo Reino da Escócia do que pelos Vikings em si.

O único homem que pode ser chamado de “Imperador Viking”, ou seja, Canuto, morreu em 1035 e o Império, que ele havia conquistado com tanto esforço, se esfacelou. Na Noruega, assumiu o trono Magnus, filho mais velho de Olaf Haraldsson. Já na Inglaterra, os filhos de Canuto Reinaram, mas Haroldo, o Pé-de-Lebre (1035 a 1040) Reinou apenas cinco anos e foi morto por conspiradores e Harthecnut (1040 a 1042) conseguiu reinar apenas dois anos antes de também ser morto por conspiradores Ingleses que aspiravam devolver o trono Inglês a um Inglês. Por isso, trouxeram de volta da Normandia Eduardo, o Confessor, filho de Etelred, o Irresoluto. Sob o pretexto de ser meio-irmão de Harthecnut (uma vez que este era filho de Canuto com a viúva de Etelred), Eduardo assumiu o trono da Inglaterra, em 1042.

Eduardo havia sido mandado por Edmund Ironside para a Normandia, em 1016, quando seu pai morreu, com o objetivo de preservar a linhagem dinástica Inglesa. Ele cresceu sob a tutela de Guilherme, Duque da Normandia. Quando assumiu o trono, fez um pacto com Guilherme segundo o qual, o que morresse primeiro deixaria seu trono para o outro. Eduardo governou até 1066, e foi um dos mais Cristãos dentre todos os Reis da Inglaterra, tanto assim que em 1161 foi canonizado como Santo Eduardo. Uma de suas principais contribuições culturais foi a construção da Abadia de Westmister.

Após a Batalha de Stiklestad, Haraldo Hardrada, irmão de Olaf Haraldsson, fugiu de volta para Kiev, onde ingressou no exército Varegue. Foi servir como mercenário Varegue no exército do Império Bizantino, mas em 1045, a notícia da morte de Magnus (filho de Olaf Haraldsson, que havia recebido o trono Norueguês após a morte de Canuto), o fez regressar à Noruega, em 1046, e reclamar o trono para si. Acabou sendo coroado Rei da Noruega, em 1047. Em seu Reinado, teve pulso de ferro, o que lhe rendeu o apelido de Hardrada , que quer dizer “Conselheiro Duro”.

Em 1066, quando Eduardo, o Confessor, Rei da Inglaterra, morreu, havia três pretendentes à sua sucessão: o Duque Guilherme (ou William), da Normandia (de acordo com o pacto que citei acima); seu filho (filho de Eduardo) Haroldo Godwinson; e Haraldo Hardrada (Haraldo III), Rei da Noruega.

Como os Ingleses queria ser governados por um Inglês, nomearam Haroldo Godwinson como Rei Haroldo II, o que causou insatisfação nas duas outras partes.

Haraldo Hardrada foi o primeiro a se manifestar. Tão logo Haroldo Godwinson foi coroado, em janeiro de 1066, ele atacou a Inglaterra. Os Noruegueses tiveram grandes sucessos. Penetrando pela antiga Nortúmbria, eles venceram o Duque de York e tomaram a cidade. Entretanto, não conseguiram avançar mais e, em 25 de setembro do mesmo ano, foram surpreendidos por um ataque Inglês e derrotados na Batalha de Stamford Bridge, na qual o próprio Haraldo Hardrada morreu.

A derrota de Haraldo Hardrada na Batalha de Stamford Bridge (nos arredores de York) marca o fim da Era Viking.

Quando a coroa Inglesa parecia assegurada para Haroldo Godwinson, o Duque Guilherme da Normandia desembarcou na Inglaterra e reclamou o trono para si, alegando ser seu direito devido ao pacto que fizera com Eduardo, o Confessor. Como foi hostilizado, preparou-se para a guerra e, no dia 14 de outubro do mesmo 1066, na Batalha de Hastings, na antiga região do Sussex, as tropas de arqueiros e cavaleiros dos Normandos derrotaram as tropas de espadachins e guerreiros com machado de batalha dos Ingleses, pois as tropas Inglesas não estavam acostumadas a enfrentar cavaleiros, nem tão pouco arqueiros.

Haroldo Godwinson foi morto e Guilherme, dito Guilherme, o Conquistador, conquistou a Inglaterra, pondo um fim definitivo às linhagens de Reis Ingleses descendentes dos Teutões e ligando profundamente o Ducado da Normandia à Inglaterra, ligação essa que bem mais tarde, no século XIV, deu origem à chamada Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra.

Os Normandos, apesar de terem descendência Viking, não eram Vikings (eram muito mais Francos), e sua ascensão marca o declínio dos Vikings.

Haraldo Hardrada é considerado o último Rei ou chefe Escandinavo com características Vikings.




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