Manoel de Menezes



Baixar 6.77 Kb.
Encontro18.07.2016
Tamanho6.77 Kb.
Manoel de Menezes
“Morreu o maior de todos! ... Descansa em paz, pai dos jornalistas catarinenses, e que Deus dê forças à tua querida família para suportar as saudades imorredouras, é o que deseja, do fundo do coração, o incompreendido Manoel de Menezes que, por teu intermédio, envia um saudoso abraço ao nosso querido e sempre lembrado Jairo Callado. ... Quanta tristeza naquele dia, quando o corpo de Jú descia à sepultura.”
Este pequeno trecho foi extraído do livro “Retalhos do tempo”, de Manoel de Menezes, editado em 1977.

Ao comentar o falecimento do grande jornalista Rubens de Arruda Ramos (Jú), Menezes revela alguns dos traços da sua marcante personalidade. Frise-se que a relação de Jú com Menezes registrou mais desencontros do que encontros.

O primeiro traço é o da emoção. Menezes era um emotivo, acima de tudo! Para o bem ou não, suas atitudes sempre tiveram como norte o sentimento mais vivo e mais forte, que arrebata, aprisiona e liberta: a emoção! Todos os que conviveram com ele reconhecem que o nosso patrono era um emotivo em elevado grau.

O segundo é o da coragem para enfrentar as unanimidades decretadas. As chamadas “mentiras convencionais da sociedade” foram analisadas, contestadas e confrontadas por Manoel de Menezes. Sem dúvida, esta foi uma contribuição muito afeiçoada ao espírito democrático do catarinense e ao humor do “manezinho”. A inteligência deste sempre soube duvidar das assertivas mais solenes e autoritárias, com simplicidade desconcertante.

O terceiro elemento a destacar é o gosto pela controvérsia, pelo contraditório. E que

contribuição valiosa é esta! Sem a contradição e a controvérsia, a inteligência se atrofia e mofa... “com a pomba na balaia!”, arremataria Menezes.

Finalmente, a generosidade. Esta compreende a amizade leal e duradoura. Na alegria e na tristeza. Sem perder o humor. Sou testemunha de sua sensibilidade com os “pequenos”. Na verdade, ele foi – a seu estilo – um pioneiro na denúncia, às vezes agressiva, das injustiças e das desigualdades. Contribuiu, sim, para abrir nossos olhos e nosso espírito crítico em relação a privilégios odiosos.

Manoel de Menezes, da inteligência viva, da crítica demolidora, do gesto generoso, da amizade leal, do humor contagiante, da risada envolvente, percorreu outras trajetórias, além da jornalística.

No turismo, foi um empreendedor visionário. Ajudou a descobrir belezas catarinenses até então inéditas. Lagoa da Conceição, Joaquina, Coqueiros são cenários de iniciativas suas.

Na promoção de valores locais, foi inovador. Grandes talentos do jornalismo de nosso Estado tiveram sua primeira oportunidade com Menezes.

Este singelo registro pretende homenagear uma personalidade singular de época recente.

Seus familiares – Dona Brasília e filhos - de certa forma, foram empolgados por este personagem fascinante. Seu filho, Cacau, foi projetado no jornalismo pelos estímulos paternos. Para alegria do pai, criou um estilo próprio e vitorioso.



Manoel de Menezes foi um homem dotado de talentos múltiplos. Dentre todos os comentários que podemos fazer, um é absolutamente verdadeiro: ele não enterrou seus talentos de forma avarenta. Pelo contrário, seguindo o ditame da parábola dos talentos, exercitou-os no palco da vida, uma vida de grandes emoções.
Esperidião Amin, março de 2006.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal