Manual de Escatologia


Capítulo 13 - A teoria do arrebatamento pré-tribulacionista



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Capítulo 13 - A teoria do arrebatamento pré-tribulacionista

A terceira interpretação predominante sobre a questão do arrebatamento na tribulação é a pré-tribulacionista, segundo a qual a igreja, o corpo de Cristo, em seu todo, será, por ressurreição e por transferência, retirada da terra antes de começar qualquer parte da septuagésima semana de Daniel.



I. A Base Essencial da Posição de Arrebatamento Pré-Tribulacionista

O arrebatamento pré-tribulacionista descansa essencialmente na pre­missa maior — o método literal de interpretação das Escrituras. Como com­plemento necessário a isso, os pré-tribulacionistas acreditam na interpre­tação dispensacionalista da Palavra de Deus. A igreja e Israel são dois gru­pos distintos para os quais Deus tem um plano divino. A igreja é um mis­tério não-revelado no Antigo Testamento. Essa era de mistério presente insere-se no plano de Deus para com Israel por causa da rejeição ao Messi­as na Sua primeira vinda. Esse plano de mistério deve ser completado antes que Deus possa retomar seu plano com Israel e completá-lo. Tais considerações surgem do método literal de interpretação.



II. Os Argumentos Essenciais do Arrebatamento Pré-Tribulacionista

Vários argumentos podem ser apresentados em apoio à posição pré-tribulacionista do arrebatamento. Embora nem todos tenham o mesmo peso, sua evidência cumulativa é grande.


A. O método literal de interpretação. É franca e livremente reconheci­do pelos amilenaristas que a controvérsia básica entre eles e os pré-milenaristas é a questão do método de interpretação empregado no tra­tamento de profecias. Allis diz: "A questão da interpretação literal versus a interpretação figurada deve, portanto, ser encarada desde o princí­pio". (Oswald T. Allis, Prophecy and the church, p. 17) Ele admite que, se o método literal de interpretação das Escritu­ras for o certo, a interpretação pré-tribulacionalista é correta.

Dessa ma­neira, podemos ver que a doutrina da volta pré-tribulacionalista de Cristo para instituir um reino literal resulta de métodos de interpreta­ção literal das promessas e das profecias do Antigo Testamento. E natu­ral, portanto, que o mesmo método básico de interpretação deva ser empregado na interpretação do arrebatamento.

Seria ilógico construir um sistema pré-milenarista sobre um método literal e depois abando­nar esse método no tratamento de questões relacionadas. Podemos ob­servar facilmente que o método literal de interpretação exige um arre­batamento pré-tribulacionista da igreja. Os pós-tribulacionistas devem interpretar o livro de Apocalipse pela história, o que é basicamente um método espiritualista, ou então tratá-lo como ainda futuro, mas elimi­nar, por meio da espiritualização, a literalidade dos acontecimentos numa tentativa de harmonizá-los com outras passagens, tendo em mente a sua interpretação. Qualquer uma das explicações viola o princípio de interpretação literal.

Os mesotribulacionistas aplicarão o método lite­ral de interpretação à última metade da septuagésima semana, mas espiritualizarão os acontecimentos da primeira metade, para permitir que a igreja passe por eles. Isso, voltamos a dizer, é uma incoerência básica. Não pode haver um método empregado para estabelecer o pré-milenarismo e outro para interpretar as promessas de arrebatamento. O método literal de interpretação, aplicado de maneira coerente, leva necessariamente a outra conclusão: a de que a igreja será arrebatada antes da septuagésima semana.

Deve ser mencionado, de passagem, que esse método não leva o indivíduo a um ultradispensacionalismo, pois esse sistema não é pro­duto do uso de um literalismo maior, estando antes baseado em consi­derações exegéticas.
B. A natureza da septuagésima semana. Existem várias palavras usa­das no Antigo e no Novo Testamento em referência ao período da septuagésima semana, as quais, quando examinadas em conjunto, ofe­recem a natureza essencial ou o caráter desse período:

1) ira (Ap 6.16,17; 11.18; 14.19; 15.1,7; 16.1,19; l Ts 1.9,10; 5.9; Sf 1.15,18);

2) julgamento (AP 14.7; 15.4; 16.5-7; 19.2);

3) indignação (Is 26.20,21; 34.1-3);

4) castigo (Is 24.20,21);

5) hora do julgamento (Ap 3.10);

6) hora de angústia (Jr 30.7);

7) destruição (Jl 1.15);

8) trevas (Jl 2.2; Sf 1.14-18; Am 5.18).

Devemos mencionar que essas referências abrangem todo o período, não apenas parte dele, de modo que todo o período é assim caracterizado. No que diz respeito à natureza da tribulação (apesar de limitá-la à última meta­de da semana), Harrison afirma:

Vamos entender claramente a natureza da tribulação, que é "ira" divina (11.18; 14.8,10,19; 15.1,7; 16.1,19 [observem que ele omite 6.16,17] e "jul­gamento" divino (14.7; 15.4; 16.7; 17.1; 18.10; 19.2). Sabemos que nosso abençoado Senhor suportou a ira e o julgamento de Deus em nosso lugar; portanto, nós, que estamos Nele, "não seremos julgados". A antítese de 1 Tessalonicenses 5.9 é uma evidência conclusiva: "Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo". Ira para outros, mas salvação para nós no arrebatamento, "quer vigiemos, quer durmamos" (v.10). (Norman B. Harrison, The end, p. 120)
C. A extensão da septuagésima semana. Não há dúvida de que esse período testemunhará o derramamento da ira divina por toda a terra. Apocalipse 3.10; Isaías 34.2; 24.1,4,5,16,17,18-21 e muitas outras passa­gens esclarecem isso muito bem. Contudo, embora esteja em questão toda a terra, esse período é particularmente dirigido a Israel. Jeremias 30.7, que chama esse período "tempo de angústia de Jacó", confirma isso. Os acontecimentos da septuagésima semana são acontecimentos do "dia do Senhor" ou "dia de Jeová". O uso do nome da divindade realça o relacionamento peculiar de Deus com aquela nação.

Quando esse período está sendo profetizado em Daniel 9, Deus diz ao profeta: "Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade" (v. 24). Todo esse período faz, então, referência ao povo de Daniel, Israel, e à cidade santa de Daniel, Jerusalém.

Visto que muitas passagens do Novo Testamento como Efésios 3.1-6 e Colossenses 1.25-27 mostram claramente que a igreja é um mistério e sua natureza como um corpo composto por judeus e gentios não foi manifestada no Antigo Testamento, a igreja não poderia estar nessa e em nenhuma outra profecia do Antigo Testamento. Já que a igreja não teve sua existência senão depois da morte de Cristo (Ef 5.25,26), senão depois da ressurreição de Cristo (Rm 4.25; Cl 3.1-3), senão depois da ascensão (Ef 1.19,20) e senão depois da descida do Espírito Santo em Pentecostes, com o início de todos os Seus ministérios a favor do crente (At 2), não poderia constar das primeiras 69 semanas dessa profecia. Já que a igreja não faz parte das primeiras 69 semanas, que estão relacio­nadas apenas ao plano de Deus para com Israel, ela não pode fazer parte da septuagésima semana, que está, mais uma vez, relacionada ao plano de Deus para Israel, depois que o mistério do plano de Deus para a igreja for concluído.

Num extenso tratamento de cada passagem importante da Palavra sobre a tribulação, (Wm. Kelly, Lectures on the second coming of the Lord Jesus Christ, p. 186-237) em que lida com passagens como Mateus 24, Daniel 12, Lucas 21, Marcos 13, Jeremias 30 e Apocalipse 7, Kelly conclui:

... a posição aqui sustentada segue uma investigação precisa de todas as passagens distintas que as Escrituras oferecem sobre a grande tribulação. Eu ficaria grato a qualquer um que me apresentasse outras passagens que se referem a ela; mas não as conheço. Exijo daqueles [...] que sejam capa­zes de apontar uma palavra que supõe que um cristão ou a igreja estejam na terra quando chegar a grande tribulação. Não vimos que a doutrina do Antigo e do Novo Testamento — de Jeremias, de Daniel, do Senhor Jesus Cristo e do apóstolo João — é esta, que, logo antes de o Senhor aparecer em glória, surgirá o último e inigualável sofrimento de Israel, apesar de Jacó vir a ser salvo; que haverá [...] "a grande tribulação", da qual surge uma multidão de gentios; mas tanto Jacó quanto os gentios são totalmen­te distintos dos cristãos ou da igreja. No que diz respeito aos cristãos, a promessa positiva do Senhor é que aqueles que mantiveram a palavra de Sua paciência, Ele livrará da hora do juízo, que está prestes a vir sobre todo o mundo habitável, para provar os que habitam sobre a terra. (Ibid., p. 235)
Devemos concluir com o autor acima que, como todas as passa­gens que tratam da tribulação se relacionam ao plano de Deus para Israel, a finalidade da tribulação impede que a igreja dela participe.
D. O propósito da septuagésima semana. As Escrituras indicam que existem dois propósitos principais a ser cumpridos na septuagésima semana.

1. O primeiro propósito está declarado em Apocalipse 3.10: "Por­que guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guarda­rei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra". Independentemente de quem participará desse período de provas, há várias outras considerações im­portantes no versículo.

1) Primeiramente vemos que esse período tem em vista "os que habitam sobre a terra", e não a igreja. A mesma ex­pressão ocorre em Apocalipse 6.10; 11.10; 13.8,12,14; 14.6 e 17.8. Na sua utilização, João oferece não uma descrição geográfica, mas sim uma classificação moral. Thiessen escreve:

A palavra "habitam" usada aqui (katoikeo) é forte. É usada para descrever a totalidade do Deus que habitava em Cristo (Cl 2.9); é usada para a mo­radia permanente de Cristo no coração do crente (Ef 3.17) e dos demônios retornando para obter posse absoluta de um homem (Mt 12.45; Lc 11.26). Ela deve ser diferenciada da palavra oikeo, que é o termo geral para "habi­tar", e de paroikeo, que tem a idéia de transitório, "visitar".

Thayer destaca que o termo katoikeo inclui a idéia de permanência. Dessa maneira, o jul­gamento referido em Apocalipse 3.10 dirige-se aos habitantes da terra daquele dia, aos que se estabeleceram na terra como se fosse sua verda­deira casa, aos que se identificaram com o comércio e a religião da terra. (Henry C. Thiessen, Will the church pass through the tribulation?, p. 28-9.)

Visto que esse período está relacionado com os "que habitam a terra", os que se estabeleceram em ocupação permanente, não pode ter nenhuma referência à igreja, que seria sujeita às mesmas experiências se estivesse aqui.

2) A segunda consideração a ser notada aqui é o uso do infinitivo peirasai (tentar) para expressar propósito. Thayer define essa palavra, quando Deus é o seu sujeito, como "infligir males a alguém para provar seu caráter e sua constância na fé". (Joseph Henry Thayer, Greek-English lexicon of the New Testament, p. 498) Como o Pai nunca vê a igreja exceto em Cristo, nEle aperfeiçoada, esse período não pode ter nenhuma refe­rência à igreja, pois sua legitimidade não precisa ser testada.

2. O segundo propósito principal da septuagésima semana é em relação a Israel. Malaquias 4.5,6 afirma:

Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição.
O profeta declara que o ministério desse Elias seria preparar para o Rei que estava prestes a vir. Em Lucas 1.17 promete-se que o filho de Zacarias "irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias" para atuar nesse ministério e "habilitar para o Senhor um povo preparado". Com respeito à vinda de Elias que deveria ter sido um sinal para Israel, o Senhor declara:

Então, ele lhes disse: Elias, vindo primeiro, restaurará todas as cousas; como, pois, está escrito sobre o Filho do homem que sofrerá muito e será aviltado? Eu, porém, vos digo que Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, como a seu respeito está escrito (Mc 9.12,13).


O Senhor estava mostrando a seus discípulos que João Batista tinha o ministério de preparar o povo para Ele. E, para dirimir toda dúvida, a palavra em Mateus 11.14 é conclusiva: "E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir". O primeiro ministério de João era preparar a nação de Israel para a vinda do Rei. Só podemos concluir, então, que Elias, que está por vir antes do terrível dia do Senhor, tem um único ministério: preparar um remanescente em Israel para a che­gada do Senhor. E evidente que tal ministério não é necessário à igreja, já que ela, por natureza, é sem mancha, ruga ou qualquer outra coisa, mas é santa e sem mácula.

Esses dois propósitos, a provação dos habitantes da terra e a pre­paração de Israel para o Rei, não têm nenhuma relação com a igreja. Essa é a evidência complementar de que a igreja não estará na septuagésima semana.


E. A unidade da septuagésima semana. Devemos observar, com base nessas três considerações precedentes, que está em vista toda a septuagésima semana quando descrita e prevista na profecia. Embora todos concordem, baseados em Daniel 9.27, em Mateus 24.15 e em Apocalipse 13, que a semana é dividida em duas partes de três anos e meio cada, a natureza e o caráter da semana, no entanto, é um só, permeando ambas as partes na sua totalidade. E impossível admitir a existência da igreja na semana como uma unidade e ainda mais impossível adotar a posição de que a igreja, embora isenta de parte da septuagésima semana, poderá estar na sua primeira metade, pois sua natureza é a mesma do começo ao fim. A impossibilidade de incluir a igreja na última metade torna igualmente impossível incluí-la na primei­ra parte, pois, embora as Escrituras dividam o período da semana, não fazem distinção a respeito da natureza e do caráter das duas partes.
F. A natureza da igreja. Devemos observar cuidadosamente certas distinções entre a igreja e Israel claramente demonstradas nas Escritu­ras, mas muitas vezes negligenciadas na análise em questão.

1) Existe uma distinção entre a igreja professante e o Israel nacional. Devemos notar que a igreja professante é composta por aqueles que fazem pro­fissão de fé em Cristo. Para alguns, essa profissão baseia-se na realida­de, mas para outros não há nenhuma realidade. Este último grupo en­trará no período tribulacional, pois Apocalipse 2.22 indica claramente que a igreja professante não salva experimentará a ira como castigo. A participação no grupo denominado Israel nacional baseia-se em nasci­mento físico, e todos os que pertencem a esse grupo e não forem salvos e removidos pelo arrebatamento, se estiverem vivos no momento do arrebatamento serão, com a igreja professante, sujeitos à ira da tribula­ção.

2) Existe uma distinção entre a igreja verdadeira e a igreja professante. A igreja verdadeira é composta por todos os que, nesta era, receberam a Cristo como Salvador. Ao contrário disso, temos a igreja professante, composta por aqueles que fazem profissão de aceitar a Cris­to sem realmente recebê-lo. Apenas a verdadeira igreja será arrebatada.

3) Existe uma distinção entre a igreja verdadeira e o Israel verdadeiro ou espiritual. Antes de Pentecostes, existiam indivíduos salvos, mas não existia igreja, e eles faziam parte do Israel espiritual, não da igreja. Depois do Pentecostes e até o arrebatamento encontramos a igreja, que é o corpo de Cristo, mas não encontramos o Israel espiritual. Depois do arrebatamento não encontramos a igreja, mas novamente um Israel ver­dadeiro ou espiritual. Essas distinções devem ser claramente conside­radas.

O arrebatamento não retirará todos os que professam fé em Cristo, mas apenas os que tenham nascido de novo e recebido a Sua vida. A porção descrente da igreja visível, junto com os descrentes da nação de Israel, entrará no período tribulacional.

1. Já que a igreja é o corpo, do qual Cristo é o cabeça (Ef 1.22; 5.23; Cl 1.18), a noiva de Cristo (1 Co 11.2; Ef 5.23), o objeto de Seu amor (Ef 5.25), os ramos dos quais Ele é a videira e a raiz (Jo 15.5), o edifício do qual Ele é a base e pedra angular (1 Co 3.9; Ef 2.19-22), existe entre o crente e o Senhor uma união e uma unidade. O crente não está mais separado d’Ele, mas é trazido para perto d’Ele. Se a igreja estiver na septuagésima semana, estará sujeita à ira, ao julgamento e à indigna­ção que caracterizam o período e, por causa de sua união com Cristo, Ele, da mesma maneira, estaria sujeito ao mesmo castigo. Isso é impos­sível de acordo com 1 João 4.17, pois Ele não pode ser julgado nova­mente. Visto que a igreja foi aperfeiçoada e liberta de tal julgamento (Rm 8.1; Jo 5.24; l Jo 4.17), se ela fosse novamente sujeita a julgamento, as promessas de Deus não teriam efeito e a morte de Cristo seria ineficaz. Quem ousaria afirmar que a morte de Cristo falhou no cumpri­mento de seu propósito?

Embora os membros possam ser experimen­talmente imperfeitos e necessitar de limpeza experimental, a igreja, que é o Corpo, tem uma posição perfeita em Cristo e não precisa dessa lim­peza. A natureza das provações da septuagésima semana, conforme declaradas em Apocalipse 3.10, não é promover limpeza individual, mas revelar a degradação e a necessidade do coração degenerado. A natureza da igreja torna desnecessária tal provação.

2. Uma vez mais, Apocalipse 13.7 esclarece que todos os que esti­verem na septuagésima semana serão submetidos à besta e por meio dela a Satanás, que dá à besta o seu poder. Se a igreja estivesse nesse período, ela se sujeitaria a Satanás, e Cristo perderia Seu lugar como cabeça, ou Ele mesmo, por causa de Sua união com a igreja, estaria igualmente sujeito à autoridade de Satanás. Tal coisa é impensável. Dessa maneira, conclui-se que a natureza da igreja e a inteireza da sua salvação impedem que ela esteja na septuagésima semana.


G. O conceito da igreja como mistério. Intimamente ligado à conside­ração anterior está o conceito neotestamentário de que a igreja é um mistério. Não era mistério que Deus proveria salvação para os judeus, nem que os gentios seriam abençoados com a salvação. O fato de que Deus formaria de judeus e gentios um só corpo nunca foi revelado no Antigo Testamento e constitui o mistério citado por Paulo em Efésios 3.1-7, Romanos 16.25-27 e Colossenses 1.26-29. Todo esse novo plano não foi revelado até a rejeição de Cristo por Israel. É depois da rejeição de Mateus 12.23,24 que o Senhor faz a primeira promessa da futura igreja, em Mateus 16.18. É depois da rejeição da cruz que a igreja tem seu início, em Atos 2. É depois da rejeição final de Israel que Deus cha­ma Paulo para ser apóstolo aos gentios, e por meio dele o mistério da natureza da igreja é revelado. A igreja é, manifestamente, uma interrupção do plano de Deus para Israel, que não foi iniciada até que Israel rejeitasse a oferta do reino. Segue-se, logicamente, que esse plano de mistério deve ser concluído antes que Deus possa retomar Seu trato com a nação de Israel, como foi demonstrado previamente que Ele fará. O plano do mistério, tão distinto no seu início, certamente será separa­do na sua conclusão. Esse plano deve ser concluído antes que Deus retome e complete Seu plano para Israel. Esse conceito da igreja como mistério torna inevitável o arrebatamento pré-tribulacionista.
H. As distinções entre Israel e a igreja. Chafer estabeleceu 24 contraposições entre Israel e a igreja que demonstram conclusivamente que esses dois grupos não podem ser unidos num só, mas devem ser diferenciados como entidades separadas com quem Deus realiza um plano especial. (Lewis Sperry Chafer, Systematic theology, IV, p. 47-53) Essas contraposições podem ser esboçadas da seguin­te forma:

1) A extensão da revelação bíblica: Israel —quase quatro quin­tos da Bíblia; igreja — cerca de um quinto.

2) O propósito divino: Israel — todas as promessas terrestres nas alianças; igreja — as promessas celestiais no evangelho.

3) A descendência de Abraão: Israel — a des­cendência física, dos quais alguns se tornam descendentes espirituais; igreja — descendência espiritual.

4) O nascimento: Israel — nascimento físico, que produz um relacionamento; igreja — nascimento espiritual que traz um relacionamento.

5) Cabeça: Israel — Abraão; igreja — Cris­to.

6) Alianças: Israel — a de Abraão e todas as alianças seguintes; igreja — indiretamente relacionada com a aliança abraâmica e a nova aliança.

7) Nacionalidade: Israel — uma nação; igreja — de todas as nações.

8) Trato divino: Israel — nacional e individual; igreja — apenas individu­al.

9) Dispensação: Israel — visto em todos os tempos desde Abraão; igreja — vista apenas no presente.

10) Ministério: Israel — sem ativida­de missionária e sem evangelho para pregar; igreja — uma comissão a cumprir.

11) A morte de Cristo: Israel — nacionalmente culpado; ainda será salvo por meio dela; igreja — perfeitamente salva por ela agora.

12) O Pai: Israel — por meio de um relacionamento especial, Deus era o Pai da nação; igreja — somos relacionados individualmente a Deus como Pai.

13) Cristo: Israel — Messias, Emanuel, Rei; igreja — Salvador, Se­nhor, Noivo, Cabeça.

14) O Espírito Santo: Israel — veio sobre uns tem­porariamente; igreja — habita em todos.

15) Princípio governante: Isra­el — o sistema da lei mosaica; igreja — o sistema da graça.

16) Capacitação divina: Israel — nenhuma; igreja — habitação do Espírito Santo.

17) Dois discursos de despedida: Israel — discurso no monte das Oliveiras; igre­ja — discurso no Cenáculo.

18) A promessa da volta de Cristo: Israel — em poder e glória para julgamento; igreja — para nos receber para Si mesmo.

19) Posição: Israel — um servo; igreja — membros da família.

20) O reino de Cristo na terra: Israel — súditos; igreja — co-herdeiros.

21) Sacerdócio: Israel — tinha um sacerdócio; igreja — é um sacerdócio.

22) Casamento: Israel — esposa infiel; igreja — noiva.

23) Julgamentos: Israel — deve enfrentar julgamento; igreja — livre de todos os julgamen­tos.

24) Posições na eternidade: Israel— espíritos de homens justos aper­feiçoados na nova terra; igreja — igreja dos primogênitos nos novos céus.
Essas contraposições, que mostram a distinção entre Israel e a igreja, impossibilitam identificar os dois num mesmo plano, o que é inevitá­vel para a igreja passar pela septuagésima semana. Essas distinções dão apoio extra à posição do arrebatamento pré-tribulacionista.
I. A doutrina da iminência. Muitos sinais foram dados à nação de Israel, os quais precederiam a segunda vinda, a fim de que a nação vivesse em expectativa quando Sua volta se aproximasse. Apesar de Israel não saber o dia nem a hora em que o Senhor voltaria, saberia que sua redenção se aproximava pelo cumprimento desses sinais. Tais si­nais nunca foram dados à igreja. A igreja tem a ordem de viver à luz da vinda iminente do Senhor para transladá-la à Sua presença (Jo 14.2,3; At 1.11; 1 Co 15.51,52; Fp 3.20; Cl 3.4; l Ts 1.10; l Tm 6.14; Tg 5.8; l Pe 3.3,4). Passagens como 1 Tessalonicenses 5.6, Tito 2.13 e Apocalipse 3.3 alertam o crente a aguardar o próprio Senhor, não aguardar sinais que antecederiam Seu retorno. E verdade que os acontecimentos da septuagésima semana lançarão um prenúncio antes do arrebatamento, mas a atenção do crente deve ser sempre dirigida para Cristo, nunca aos presságios.

Essa doutrina de iminência, ou "da volta a qualquer momento", não é uma doutrina nova surgida com Darby, como muitas vezes se afirma, embora ele a tenha esclarecido, sistematizado e popularizado. A crença na iminência marcou o pré-milenarismo dos primeiros pais da igreja bem como dos escritores do Novo Testamento. Em relação a isso, Thiessen escreve:

... eles sustentavam não apenas a visão pré-milenarista da vinda de Cris­to, mas também consideraram a vinda iminente. O Senhor os tinha ensi­nado a aguardar Seu retorno a qualquer momento e, depois, eles acha­vam que Ele viria nos seus dias. Não apenas isso, mas também achavam Seu retorno pessoal iminente. Apenas os alexandrinos se opunham a essa verdade; mas esses Pais também rejeitaram outras doutrinas fundamen­tais. Podemos dizer, então, que a igreja primitiva vivia em expectativa constante do Senhor e, conseqüentemente, não estava interessada na pos­sibilidade de um período de tribulação no futuro. (Thiessen, op. cit., p. 15.)
Embora a escatologia da igreja primitiva não seja clara em todos os seus aspectos, pois não era objeto de sério exame, é clara a evidência de que eles acreditavam no retorno iminente de Cristo. A mesma iminência é vista nos escritos dos reformadores, embora tivessem opiniões diferentes sobre as questões escatológicas. Chafer cita alguns reformadores para mostrar que acreditavam no retorno iminente de Cristo.

... Lutero escreveu: "Acredito que todos os sinais que precedem os últi­mos dias já apareceram. Não pensemos que a vinda de Cristo está longe; olhemos para cima com nossa cabeça erguida; esperemos a vinda de nos­so Redentor com mente desejosa e alegre" [...] Calvino também declara [...] "As Escrituras uniformemente nos ordenam a olhar com expectativa para o advento de Cristo".

A isso podemos acrescentar o testemunho de John Knox: "O Senhor Jesus voltará, e com presteza. E Seu propósito não é outro senão reformar a face de toda a terra, o que nunca foi e nunca será feito, até que o justo Rei e Juiz apareça para restaurar todas as coisas". De igual modo, as palavras de Latimer: "Todos aqueles homens excelentes e letrados a quem, sem dúvida, Deus enviou ao mundo nestes últimos dias para dar um aviso ao mundo, extraem das Escrituras que os últimos dias não podem estar longe. É possível que aconteça nos meus dias, velho como estou, ou nos dias dos meus filhos"... (Chafer, op. cit., IV, p. 278-9.)
A doutrina da iminência impede a participação da igreja em qual­quer parte da septuagésima semana. A multidão de sinais dados a Isra­el para movê-lo à expectativa também seriam para a igreja, e a igreja não poderia estar esperando Cristo até que esses sinais fossem cumpri­dos. O fato é que nenhum sinal é dado à igreja; em vez disso, ela tem a ordem de aguardar a Cristo, o que impossibilita sua participação na septuagésima semana.
J. A obra do Detentor em 2 Tessalonicenses 2. Os cristãos em Tessalônica temiam que o arrebatamento já tivesse acontecido e eles estivessem no dia do Senhor. As perseguições pelas quais estavam passando, referi­das no primeiro capítulo, tinham-lhes dado base para essa considera­ção errônea. Paulo escreve que tal coisa era impossível.

Primeiro, ele mostra no v. 3 que o dia do Senhor não aconteceria até que houvesse uma partida. Não importa se essa partida seria um afastamento da fé ou uma partida dos santos da terra, como já mencionado no v. 1.

Segun­do, ele revela que haveria a manifestação do homem de pecado, ou o iníquo, descrito com mais detalhes em Apocalipse 13. O argumento de Paulo no v. 7 é que, apesar de o mistério de iniqüidade já estar em vigor em seus dias, quer dizer, o sistema sem lei que culminaria na pessoa do iníquo já estava manifesto, este iníquo, no entanto, não se manifestaria até que o Detentor fosse afastado. Em outras palavras, Alguém impede o propósito de Satanás de culminar e Ele continuará a realizar seu mi­nistério até ser afastado (v. 7,8). Explicações a respeito da pessoa do Detentor como governo humano, lei, igreja visível não são suficientes, pois esses todos continuarão em certa medida após a manifestação do iníquo.

Embora esse seja um problema essencialmente exegético, pare­ce que o Único que conseguiria exercer tal ministério de detenção seria o Espírito Santo. Esse problema será examinado em detalhes posteriormente. Contudo, a indicação aqui é que, enquanto o Espírito Santo estiver habitando na igreja, que é o Seu templo, esse trabalho de detenção continuará e o homem de pecado não poderá ser revelado. Apenas quan­do a igreja, o templo, for retirada, o ministério de detenção cessará e a iniqüidade produzirá o iníquo. Devemos notar que o Espírito Santo não cessará seu ministério após a retirada da igreja, nem deixará de ser onipresente com esse afastamento, mas Seu ministério restringidor cessará.

Dessa maneira, o ministério do Detentor, que continuará enquan­to Seu templo estiver na terra e que precisa cessar antes que o iníquo seja revelado, requer o arrebatamento pré-tribulacionalista da igreja, pois Daniel 9.27 revela que esse iníquo será manifesto no começo da septuagésima semana.

L. A necessidade de um intervalo. A palavra apantêsis (encontrar) é usada em Atos 28.15 com a idéia de "encontrar-se para retornar com". Não raro se afirma que a palavra usada em 1 Tessalonicenses 4.17 tem a mesma idéia, logo a igreja deve ser arrebatada para retornar instantâ­nea e imediatamente com o Senhor à terra, negando e tornando impos­sível qualquer intervalo entre o arrebatamento e o retorno. Não apenas a palavra grega não exige tal interpretação, como também certos acon­tecimentos previstos para a igreja após a sua translação tornam tal in­terpretação impossível. Os acontecimentos são:

1) o tribunal de Cristo,

2) a apresentação da igreja a Cristo e

3) as bodas do Cordeiro.


1. Passagens como 2Coríntios 5.9; 1 Coríntios 3.11-16; Apocalipse 4.4 e 19.8,14 mostram que a igreja já terá sido examinada no que diz respeito à sua administração e terá recebido sua recompensa por oca­sião da segunda vinda de Cristo. É impossível conceber esse aconteci­mento sem que transcorra algum período de tempo.

2. A igreja deve ser apresentada como presente do Pai para o Filho. Scofield escreve:

Esse é o momento da suprema alegria de nosso Senhor — a consumação de toda a Sua obra de redenção.

"Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purifica­do por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mes­mo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem cousa semelhante, porém santa e sem defeito" (Ef 5.25-27).

"Ora, aquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória" (Jd 24). (C. I. Scofield, Will the church pass through the great tribulation?, p. 13)
3. Apocalipse 19.7-9 revela que a consumação da união entre Cris­to e a igreja precede a segunda vinda. Em muitas passagens, como Mateus 25.1-13,22.1-14 e Lucas 12.35-41, o Rei é visto no papel do Noi­vo na Sua vinda, indicando que o casamento já se realizou. Esse aconte­cimento, da mesma maneira, requer um período de tempo e torna im­possível que o arrebatamento e a manifestação sejam acontecimentos simultâneos. Embora a extensão do período não esteja sendo verificada nessa discussão, faz-se necessário um intervalo entre o arrebatamento e a revelação.
M. Distinção entre o arrebatamento e a segunda vinda. Devemos obser­var várias contraposições entre o arrebatamento e a segunda vinda. Elas mostrarão que os dois acontecimentos não são vistos como sinônimos nas Escrituras. A existência de dois planos separados é mais bem per­cebida pelas muitas contraposições encontradas nas Escrituras entre os dois acontecimentos.

1) A translação compreende a retirada dos cren­tes, enquanto o segundo advento requer o aparecimento e a manifesta­ção do Filho.

2) Na translação os santos são levados nos ares, enquanto na segunda vinda Cristo volta à terra.

3) Na translação Cristo vem bus­car Sua noiva, enquanto na segunda vinda Ele retorna com a noiva.

4) A translação resulta na retirada da igreja e na instauração da tribula­ção, enquanto a segunda vinda resulta no estabelecimento do reino milenar.

5) A translação é iminente, enquanto a segunda vinda é prece­dida por uma multidão de sinais.

6) A translação traz uma mensagem de conforto, enquanto a segunda vinda é acompanhada por uma men­sagem de julgamento.

7) A translação está relacionada ao plano para a igreja, enquanto a segunda vinda está relacionada ao plano para Israel e para o mundo.

8) A translação é um mistério, enquanto a segunda vinda é prevista em ambos os testamentos.

9) Na translação os crentes são julgados, enquanto na segunda vinda os gentios e Israel são julga­dos.

10) A translação deixa a criação intacta, enquanto a segunda vinda implica uma mudança na criação.

11) Na translação os gentios não são afetados, enquanto na segunda vinda são julgados.

12) Na translação as alianças de Israel não são cumpridas, enquanto na segunda vinda todas as alianças são cumpridas.

13) A translação não tem relação par­ticular com o plano de Deus para o mal, enquanto na segunda vinda o mal é julgado.

14) É dito que a translação ocorrerá antes do dia da ira, enquanto a segunda vinda se segue a ele.

15) A translação é apenas para os crentes, enquanto a segunda vinda tem efeito sobre todos os homens.

16) A expectativa da igreja em relação à translação é "perto está o Senhor" (Fp 4.5), enquanto a expectativa de Israel em relação à segunda vinda é "o reino está próximo" (Mt 24.14).

17) A expectativa da igreja na translação é ser levada à presença do Senhor, enquanto a expectativa de Israel na segunda vinda é ser levado ao reino. (W. E. Blackstone, Jesus is coming, p. 75-80) Essas e outras contraposições que poderiam ser apresentadas apóiam a alega­ção de que se trata de dois planos diferentes que não podem ser unifi­cados num só.


N. Os vinte e quatro anciãos. Em Apocalipse 4.4 João tem a visão de 24 anciãos assentados em tronos, vestidos de branco, com coroas de ouro e na presença celeste de Deus. Muitas respostas são dadas à per­gunta sobre a identidade desses 24 anciãos. Há quem insista em dizer que são anjos, por estarem associados aos quatro seres viventes do li­vro. Parece aí uma tentativa de fugir da identificação literal por ser con­trária ao sistema desses teorizadores.

O que se diz sobre os 24 anciãos não poderia aplicar-se a anjos, porque anjos não são coroados com co­roas de vencedor (stephanos), recebidas como recompensas, nem se as­sentam em tronos (thronos), que falam de dignidade e de prerrogativa reais, nem são vestidos de branco em decorrência de julgamento. A impossibilidade dessa concepção argumenta a favor de uma segunda posição, segundo a qual são homens ressurrectos e redimidos, vesti­dos, coroados e assentados em tronos, os quais se relacionam à realeza no céu. Scofield apresenta evidências que apóiam a visão de serem eles representantes da igreja. Ele escreve:

Cinco aspectos identificam os anciãos como representantes da igreja.

1) Sua posição. Estão entronizados à volta do trono central que é cercado por um arco-íris. A igreja, e só à igreja dentre todos os grupos dos redimidos, é prometida a entronização (Ap 3.21). Cristo ainda não está assentado no Seu trono na terra, mas essas figuras reais, já apresentadas sem culpa, com a indizível alegria do Senhor, devem estar com Ele (Jo 17.24; l Ts 4.17).

2) O número desses anciãos representativos, num livro em que os núme­ros representam grande parte do simbolismo, é significativo, pois 24 é o número de ordens em que o sacerdócio levítico foi dividido (l Cr. 24.1-19) e, de todos os grupos de redimidos, apenas a igreja é sacerdócio (l Pe 2.5-9; Ap 1.6).

3) O testemunho dos anciãos entronizados os distingue como representantes da igreja: "e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu san­gue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação, e para nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra"(Ap 5.9,10). A igreja, e apenas a igreja, pode assim testemu­nhar.

4) O ancionato é um ofício representativo (At 15.2; 20.17).

5) A inteli­gência espiritual dos anciãos os destaca como quem partilha dos mais ínti­mos conselhos divinos (e.g., Ap 5.5; 7.13). E a quem dentre os redimidos esses conselhos devem ser revelados senão àqueles a quem o Senhor dis­se: "Já não vos chamo servos [...] mas tenho-vos chamado amigos"[...] (Jo 15.15)? Os anciãos são, simbolicamente, a igreja, e são vistos no céu num local designado pelas Escrituras para a igreja antes que os selos sejam abertos e os ais sejam pronunciados, e antes que qualquer das taças da ira de Deus seja derramada. E em tudo o que se segue, até o vigésimo capítu­lo, a igreja nunca é citada como presente na terra. (SCOFILD,op.cit.,p.23-4)



Visto que, de acordo com Apocalipse 5.8, esses 24 anciãos estão associ­ados num ato sacerdotal, o que nunca se diz a respeito dos anjos, de­vem ser crentes-sacerdotes associados ao Grande Sumo Sacerdote. Vis­to que Israel não ressuscita até o fim da septuagésima semana, nem é julgado ou recompensado até a vinda do Senhor, de acordo com Isaías 26.19-21 e Daniel 12.1,2, esses devem ser representantes dos santos da presente época. Já que são vistos como ressurrectos, no céu, julgados, recompensados, entronizados no começo da septuagésima semana, conclui-se que a igreja deve ter sido arrebatada antes do início da septuagésima semana. Se a igreja não for ressuscitada e transladada aqui, como alguns insistem, e não o é até Apocalipse 20.4, como estaria no céu em Apocalipse 19.7-11? Mais adiante nos dedicaremos a um estudo dessa questão; essas considerações, no entanto, dão maior apoio à posição pré-tribulacionista.


O. O problema subjacente a 1 Tessalonicenses 4.13-18. Os cristãos tessalônicos não ignoravam o fato da ressurreição. Tratava-se de algo muito bem estabelecido e não requeria apresentação nem defesa. O que provocou a revelação de Paulo foi a falta de compreensão deles acerca do relacionamento entre a ressurreição e os santos que haviam dormi­do em Cristo.

Paulo escreve então não para ensinar-lhes a ressurreição, mas, em vez disso, o fato de que no arrebatamento os vivos não teriam vantagem sobre os mortos em Cristo. Se os tessalonicenses acreditassem que a igreja passaria pela septuagésima semana, se regozijariam por alguns de seus irmãos terem escapado daquele período de sofrimento e estarem com o Senhor sem experimentar o derramamento de Sua ira. Se a igreja fosse passar pela tribulação, seria melhor estar com o Senhor do que esperar os acontecimentos da septuagésima semana. Eles estariam louvando ao Senhor pelos irmãos que foram poupados desses acontecimentos, em vez de pensar que eles tivessem perdido algumas das bênçãos do Senhor. Esses cristãos evidentemente acredi­tavam que a igreja não passaria pela septuagésima semana e, na expec­tativa do retorno de Cristo, lamentavam por seus irmãos, a respeito de quem pensavam que perderiam a bênção do acontecimento.


P. O anúncio de paz e segurança. Em 1 Tessalonicenses 5.3 Paulo fala à igreja de Tessalônica que o dia do Senhor virá depois de um anúncio de "paz e segurança". Essa falsa segurança acalmará a muitos, deixando-os em estado de letargia, o qual fará com que o dia do Senhor chegue como um ladrão. O anúncio que produzirá essa letargia precede o dia do Senhor. Se a igreja estivesse na septuagésima semana, não haveria possibilidade de que, durante o período em que os crentes fossem per­seguidos pela besta em um grau sem precedentes, tal mensagem pu­desse ser pregada e encontrasse aceitação tal que a humanidade ficasse anestesiada a ponto de tornar-se desvanecida. Todos esses sinais apon­tariam para a certeza de que eles não estavam no tempo de "paz e segu­rança". O fato de que o ataque de ira, julgamento e escuridão é precedi­do pelo anúncio de tal mensagem indica que a igreja deve ser arrebata­da antes desse período.
Q. A relação da igreja com os governos. No Novo Testamento a igreja é instruída a orar pelas autoridades governamentais, já que elas são nomeadas por Deus, a fim de que possam ser salvas e, por conseguinte, os santos possam viver em paz. Tal é a orientação de 1 Timóteo 2.1-4. A igreja é também instruída a sujeitar-se a tais poderes conforme l Pedro 2.13-16, Tito 3.1 e Romanos 13.1-7, pois representam a vontade de Deus. De acordo com Apocalipse 13.4, o governo durante a septuagésima se­mana será controlado por Satanás e realizará sua vontade e propósito na manifestação do iníquo.

Por causa do relacionamento da igreja com os governos nessa época e por causa do controle satânico do governo da septuagésima semana, a igreja deve ser liberta antes que se manifes­te o governo satânico. A igreja não poderia sujeitar-se a tal governo. Durante a septuagésima semana, Israel clamará pelo julgamento de Deus sobre tal homem e que Deus vindique a Si mesmo, como se vê nos salmos imprecatórios. Esse não é o caso do ministério e do relaciona­mento da igreja com os governos dessa era.


R. O silêncio a respeito da tribulação nas epístolas. As epístolas de Tiago, de l Pedro e em certa medida de 2 Tessalonicenses foram especificamente escritas por causa da perseguição da igreja. Muitas das passagens, como João 15.18-25; 16.1-4; l Pedro 2.19-25; 4.12; Tiago 1.2-4; 5.10,11; 2 Tessalonicenses 1.4-10; 2 Timóteo 3.10-14; 4.5, foram escritas para dar revelação concernente à perseguição, razões para sua existência, ajuda e apoio para que os crentes a suportassem.

Evidentemente os escritores das epístolas não tinham conhecimento de que a igreja enfrentaria a septuagésima semana, do contrário certamente teriam oferecido ajuda e direção para a perseguição mais severa que o homem jamais conhece­rá, visto que estavam preocupados em dar ajuda nas perseguições dos dias passados. Eles não preparariam para as perseguições comuns a todos e negligenciariam o derramamento da ira durante o qual o crente necessitaria de ajuda e assistência especial. A esse respeito Scofield es­creve:

Além de não haver uma sílaba nas Escrituras que afirme que a igreja en­trará na grande tribulação, nem o discurso do Cenáculo, a nova promessa, nem as Epístolas que explicam essa promessa sequer mencionam a grande tribulação.

Nenhuma vez, nesse grande corpus de escrituras inspiradas, escritas claramente para a igreja, a expressão é encontrada. (Ibid., p. 11)


Visto que as perseguições dessa época e a ira da septuagésima semana variam em tipo e caráter, e não apenas em intensidade, é in­suficiente dizer que, se um indivíduo está preparado para o que é ruim, também estará para o pior. O silêncio das epístolas, que deixa­ria a igreja despreparada para a tribulação, apóia total ausência dela naquele período.
S. A mensagem das duas testemunhas. Em Apocalipse 11.3 dois emis­sários especiais são enviados a Israel. Seu ministério é acompanhado por sinais para comprovar a origem divina de sua mensagem de acor­do com o uso profético de sinais do Antigo Testamento. A essência de sua pregação não é revelada, mas o conteúdo pode ser depreendido da vestimenta desses mensageiros. Diz-se que estarão vestidos de pano de saco (sakkos), que é definido por Thayer como:

pano grosseiro, material escuro e áspero feito especialmente de pêlo de animais: vestuário desse material, pendendo do corpo da pessoa como um saco, era comumente usado pelos lamentadores, penitentes, suplicantes [...] e também por aqueles que, assim como os profetas hebraicos, mantinham uma vida austera. (Thayer, op. cit., p. 566)
Quando comparamos o ministério de Elias em 2 Reis 1.8 e o de João Batista em Mateus 3.4 — ministérios correspondentes no sentido de que ambos foram enviados a Israel num período de apostasia para levar a nação ao arrependimento — com o ministério das duas testemunhas, vemos que o sinal de sua mensagem em ambos os casos é o mesmo, a vestimenta de pano de saco, sinal de lamentação e arrependimento nacional. Podemos concluir pela forma característica de suas vestimentas que as duas testemunhas anunciam a mesma mensagem de João: de arrependimento porque o Rei está vindo. Suas boas novas são "o evangelho do reino" de Mateus 24.14. Eles não negligenciam a pregação da cruz, pois Apocalipse 7.14 e Zacarias 13.8,9 mostram que a pregação do evangelho durante a septuagésima semana é acompanha­da pela pregação da cruz. A mensagem confiada à igreja é uma mensa­gem de graça. A igreja não possui outra mensagem. O fato de a mensa­gem anunciada ser de julgamento, de arrependimento e de preparação para a vinda do Rei mostra que a igreja não deverá estar mais presente, pois tal mensagem não é confiada a ela.
T. O destino da igreja. Ninguém negará que a igreja tem um destino celestial. Todas as suas promessas e expectativas têm caráter divino. Quando estudamos o destino dos salvos na septuagésima semana, en­contramos que sua expectativa e promessa não é celestial, mas sim terrena. Mateus 25.34 deixa isso muito claro. Se a igreja estiver na terra durante a septuagésima semana, todos os que forem salvos durante esse período serão salvos para fazer parte do Corpo. Se o arrebatamento só ocorresse no final da septuagésima semana, e parte dos salvos entrasse numa bênção terrena e outra parte num destino celestial, o corpo de Cristo seria desmembrado e a unidade seria destruída. Tal desmembramento é impossível. Isso só pode mostrar que os que forem salvos durante a septuagésima semana e entrarem no reino milenar deverão ter sido salvos após o término do plano divino para a igreja.
U. A mensagem a igreja de Laodicéia. Em Apocalipse 3.14-22 João traz uma mensagem à igreja de Laodicéia. Essa igreja representa a forma final da igreja professante, que é rejeitada pelo Senhor e vomitada de Sua boca por causa da falsidade de sua profissão. Se a igreja, na sua totalidade, não apenas sua porção professante, entrar na septuagésima semana, teremos de concluir que a igreja de Laodicéia é o retrato da verdadeira igreja. Muitas coisas ficam evidentes então. A igreja verdadeira não poderia passar pelas perseguições da septuagésima semana e continuar a ser morna para com o Senhor. As perseguições intensifi­cariam as chamas e transformariam a mornidão num calor intenso, ou então apagariam o fogo totalmente. Esse sempre foi o ministério das perseguições no passado.

O que fica ainda mais claro, se ela representa a verdadeira igreja, é que essa igreja é vomitada perante o Senhor, com­pletamente rejeitada por Ele. Isso só poderia ensinar que alguém pode ser parte da igreja verdadeira e depois ser finalmente lançado fora, o que é impossível.



A única alternativa é ver que a igreja verdadeira ter­mina com a igreja de Filadélfia, que é retirada da terra de acordo com a promessa de Apocalipse 3.10 antes da tribulação, e a falsa igreja professante, de quem a igreja verdadeira será separada pelo arrebata­mento, é deixada para trás, rejeitada por Deus e vomitada na septuagésima semana para revelar a verdadeira natureza de sua profis­são e a justa rejeição por Deus.
V. Os tempos dos gentios. Em Lucas 21.24 o Senhor mostra que Jeru­salém continuará sob domínio gentio "até que os tempos dos gentios se completem". Zacarias 12.2; 14.2,3 mostra que isso não acontecerá até a segunda vinda, quando os exércitos da besta forem destruídos pelo Senhor, como vemos que Ele fará em Apocalipse 19.17-19. Em Apocalipse 11.2, no parêntese entre a sexta e sétima trombeta, existe uma referência aos tempos dos gentios. João indica que Jerusalém ainda está sob po­der gentio e, do começo da série de julgamentos, interrompida por esse parêntese, até o fim do domínio gentio, transcorrem três anos e meio. É importante observar isso, pois, de acordo com a visão mesotribulacionista, as trombetas ocorrem nos primeiros três anos e meio da septuagésima semana. Se essa visão fosse correta, os tempos dos gentios teriam de terminar no meio da semana, ou pelo menos an­tes do fim da septuagésima semana, e Jerusalém teria de ser liberta por outro acontecimento ou pessoa que não o Senhor. Esse elemento crono­lógico indicado em Apocalipse 11.2 torna insustentável a visão mesotribulacionista.
X. O remanescente na segunda vinda. Passagens como Malaquias 3.16; Ezequiel 20.33-38; 37.11-28; Zacarias 13.8,9; Apocalipse 7.1-8 e muitas outras indicam claramente que, quando o Senhor voltar à terra, haverá um restante de crentes em Israel aguardando o Seu retorno. Junto com essas há outras passagens, como Mateus 25.31-40 e parábolas como as de Mateus 22.1-13 e de Lucas 14.16-24, que mostram que haverá uma multidão de crentes dentre os gentios que crerão Nele e aguardarão o Seu retorno. Para que o Senhor possa na segunda vinda cumprir as promessas feitas nas alianças abraâmica, davídica e palestina, é neces­sário que haja um remanescente fiel sobre quem Ele possa reinar e cum­prir as promessas. Deve existir também um grupo de crentes gentios que possa receber, pela fé, os benefícios das alianças no Seu reinado. Esses grupos entram no milênio com o corpo natural, salvo, mas sem experimentar a morte e a ressurreição. Se a igreja estivesse na terra até a segunda vinda, esses indivíduos teriam sido salvos e recebido uma posição na igreja, teriam sido arrebatados naquela hora, e, conseqüen­temente, não restaria uma pessoa salva na terra. Quem então estará esperando encontrar Cristo no Seu retorno? Com quem Cristo poderia cumprir literalmente as alianças feitas com Israel? Essas considerações tornam necessário o arrebatamento pré-tribulacionalista da igreja, para que Deus possa chamar e preservar o remanescente durante a tribula­ção e por meio dele cumprir as promessas.
Z. Os 144 mil selados de Israel. Enquanto a igreja estiver na terra não existirá nenhum salvo que desfrute um relacionamento exclusivamen­te judaico. Todos são salvos para receber uma posição no corpo de Cris­to, conforme indicado em Colossenses 1.26-29; 3.11; Efésios 2.14-22; 3.1-7. Durante a septuagésima semana, a igreja estará ausente, pois dos salvos restantes em Israel Deus sela 144 mil judeus, 12 mil de cada tri­bo, de acordo com Apocalipse 7.14. O fato de Deus lidar novamente com Israel nesse relacionamento nacional, separando-o por identidade nacional e mandando-o como representante às nações no lugar das tes­temunhas da igreja, indica que a igreja não deve estar mais na terra.
AA. A cronologia do livro de Apocalipse. Ao lidarmos com as posi­ções mesotribulacionista e pós-tribulacionista sobre o arrebatamento, a cronologia de Apocalipse foi examinada. E mencionada aqui apenas como uma evidência mais. Os capítulos 1-3 apresentam o desenvolvimento da igreja na presente época. Os capítulos 4-11 abrangem os acon­tecimentos de toda a septuagésima semana e concluem com o retorno de Cristo para reinar na terra em 11.15-18. Desse modo os selos ocor­rem nos primeiros três anos e meio, e as trombetas se referem aos últi­mos três anos e meio. De acordo com as instruções dadas a João em 10.11, os capítulos 12-19 examinam a septuagésima semana novamen­te, dessa vez com a objetivo de revelar os atores no palco desse drama histórico. Essa cronologia torna impossível a perspectiva mesotribu­lacionista, pois o suposto arrebatamento mesotribulacionista de 11.15-18 é, na verdade, o retorno pós-tribulacionista à terra, e não o arrebata­mento. Isso fornece mais evidência para a posição do arrebatamento pré-tribulacionista.
BB. O grande objeto do ataque satânico. De acordo com Apocalipse 12, o objeto do ataque satânico durante o período tribulacional é "a mulher" que deu à luz o filho. Como o filho é nascido para "reger todas as nações com cetro de ferro" (Ap 12.5), essa passagem só pode referir-se a Cristo, o Único que tem direito de reger. O salmista confirma essa interpretação em Salmos 2.9, claramente messiânico. Aquele de quem Cristo veio só pode ser Israel. Quando Satanás for lançado para fora do céu (Ap 12.9), ele prosseguirá com "grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta" (Ap 12.12). A igreja não deverá estar aqui, pois, como é "corpo de Cristo" e "noiva de Cristo" e, conseqüentemente, preciosa para Cristo, seria o objeto do ataque satânico se estivesse presente como foi através dos tempos (Ef 6.12). O motivo pelo qual Satanás se volta contra Israel só pode ser explicado pela ausência da igreja no cenário da tribulação.
CC. A apostasia do período. A completa apostasia durante aquele período da parte professante da igreja impede que a verdadeira igreja esteja na terra. A única igreja organizada mencionada no período de tribulação é o sistema caracterizado como Jezabel (Ap 2.22) e meretriz (Ap 17 e 18). Se a igreja verdadeira estivesse na terra, já que jamais é mencionada à parte do sistema apóstata, deveria ser parte desse siste­ma. Tal conclusão é impossível. As testemunhas crentes convertidas durante o período são especificamente descritas como pessoas que se mantiveram isentas da corrupção desse sistema apóstata (Ap 14.4). Uma

vez que a igreja não é mencionada como parte desse sistema, devemos concluir que ela não está presente na tribulação.


DD. As promessas a verdadeira igreja. Existem certas passagens das Escrituras que prometem a definitiva retirada da igreja antes da septuagésima semana.
1. Apocalipse 3.10: "Eu te guardarei da hora da provação". João usa a palavra têreõ. Thayer diz que, quando esse verbo é usado com en, significa "fazer com que alguém persevere ou se mantenha firme em algo"; quando usado com ek significa "fazer com que alguém fique em segurança escapando para fora de". (Ibid., p. 622) Como ek é usado aqui, indica que João está prometendo à igreja o afastamento da esfera de teste, e não a preservação durante o teste. Isso é ainda mais concretizado pelo uso das palavras "da hora". Deus não está apenas guardando das prova­ções, mas também da própria hora em que essas provações chegarão aos que habitam a terra. Thiessen comenta essa passagem:

... queremos apurar o significado do verbo "guardar" (tereso) e da prepo­sição "de" (ek). Alford diz que a preposição ek significa "para fora do meio de: mas se pela imunidade de, ou se por ser mantido em segurança du­rante, a preposição não define claramente" [...] Desse modo ele destaca que gramaticalmente os dois termos podem ter o mesmo significado, de sorte que Apocalipse 3.10 pode significar "perfeita imunidade contra" e não "passando ilesa pelo mal" [...] a gramática permite a interpretação de completa imunidade do período.

Outros estudiosos dizem a mesma coisa da preposição ek (fora de, para longe de). Buttmann-Thayer dizem que ek e apo "servem para denotar a mesma relação", referindo-se a João 17.15; Atos 15.29; Apocalipse 3.10 como exemplos desse uso. Abbott duvida "se na lxx e em João, ek sempre envolve prévia existência nos males dos quais alguém é libertado, quando é usado com sozo e tereso" (i.e., com os verbos salvar e guardar).

Westcott diz com respeito a ek sozo (salvar de) que "não necessariamente implica que aquilo de que se oferece libertação efetiva­mente aconteça (cf. 2 Co 1.10), mesmo que seja assim usado com freqüên­cia (Jo 12.27). Similarmente lemos em 1 Tessalonicenses 1.10 que Jesus nos livra "da (ek) ira vindoura". Isso dificilmente pode significar proteção nela; isso deve significar isenção dela. Parece, então, perfeitamente claro que a preposição "de" pode significar completa isenção do que é previsto.

É claro que o contexto e outras declarações nas Escrituras exigem que essa seja a interpretação. No que diz respeito ao contexto, observe-se que a promessa não é meramente ser guardada da tentação, mas da hora da tentação, i.e., de um período como tal, não apenas das lutas durante o período. E, mais uma vez, porque um apóstolo escreveria ek tes horas (da hora), como fez, quando facilmente poderia ter escrito en te hora (na hora), se fosse isso que ele quisesse dizer? Certamente o Espírito de Deus o guiou na própria linguagem que empregou. (Thiessen, op. cit., p. 22-4)


2. 1 Tessalonicenses 5.9: "Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo". O contraste nessa passagem é entre a luz e a escuridão, entre a ira e a salvação. 1 Tessalonicenses 5.2 mostra que essa ira e escuridão estão li­gadas ao dia do Senhor. Uma comparação dessa passagem com Joel 2.2; Sofonias 1.14-18; Amós 5.18 descreverá a escuridão mencionada aqui como a escuridão da septuagésima semana. Uma comparação com Apocalipse 6.17; 11.18; 14.10,19; 15.1,7; 16.1,19 descreverá a ira do dia do Senhor. Paulo ensina claramente no v. 9 que nossa expectativa e des­tino não são ira e escuridão, mas salvação, e o v. 10 mostra o método dessa salvação, a saber, para que "vivamos em união com ele".
3. 1 Tessalonicenses 1.9,10. Uma vez mais Paulo indica claramente que nossa expectativa não é a ira, mas a revelação do "Seu Filho dos céus". Isso não poderia acontecer, a menos que o Filho fosse revelado antes de a ira da septuagésima semana ser derramada na terra.
EE. A concordância da tipologia. Embora o argumento da analogia seja fraco em sua essência, quando um ensino é contrário a toda tipologia, não pode ser interpretação verdadeira. As Escrituras são ricas em tipos que ensinam que os que andaram na fé foram libertos dos acessos de juízo que sobrevieram aos descrentes. Tais tipos são vistos na experiência de Noé e Raabe, mas talvez a ilustração mais clara tenha sido a de Ló. Em 2Pedro 2.6-9 Ló é chamado homem justo. Esse comentário divino lança luz sobre Gênesis 19.22, quando o anjo buscou apres­sar a partida de Ló com as palavras "Apressa-te, refugia-te nela; pois nada posso fazer, enquanto não tiveres chegado lá". Se a presença de um homem justo impedia o derramamento do juízo merecido sobre a cidade de Sodoma, quanto mais a presença da igreja na terra impedirá o derramamento da ira divina até sua retirada.

Várias razões para a crença na posição do arrebatamento pré-tribulacionista foram apresentadas. Algumas delas são particularmen­te aplicáveis à posição do arrebatamento mesotribulacionista e outras à posição de arrebatamento pós-tribulacionista. Deve-se ter em mente que não examinamos todos esses argumentos com a mesma importân­cia ou peso. A doutrina pré-tribulacionista não se baseia apenas nesses argumentos, mas, em vez disso, eles são considerados evidência cumu­lativa de que a igreja será liberta do arrebatamento antes do início da septuagésima semana de Daniel.





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