Manual de Escatologia



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Quarta Seção - As profecias do período tribulacional




Capítulo 15 - A doutrina bíblica da tribulação




I. O Dia do Senhor

Uma das maiores linhas proféticas encontradas no Antigo e no Novo Testamento é a verdade profética relacionada ao dia do Senhor.



A. As épocas dentro do dia do Senhor. A extensão do dia do Senhor tem sido uma questão de debate entre os intérpretes das Escrituras. Alguns situam o dia do Senhor apenas como os anos de tribulação. Outros o relacionam à segunda vinda de Cristo e aos julgamentos ime­diatamente ligados a esse acontecimento. Existem, contudo, duas in­terpretações principais nessa questão. Uma delas é a posição de Scofield, que diz:

O dia de Jeová (também chamado "aquele dia" e o "grande dia") é o período prolongado de tempo que se inicia com o retorno do Senhor na sua glória e termina com a destruição dos céus e da terra pelo fogo, pre­parando novo céu e nova terra (Is 65.17-19; 66.22; 2Pe 3.13; Ap 21.1). (C. I. Scofield, Reference Bible, p. 1349)

Dessa maneira o dia do Senhor abrangeria o período que vai do retorno de Cristo à terra até o novo céu e a nova terra, depois do milênio. A outra visão é a expressa por Ironside, que diz:

... quando finalmente o dia de graça terminar, o dia do Senhor o sucederá [...] O dia do Senhor segue [o arrebatamento]. Será o tempo em que os juízos de Deus são derramados sobre a terra. Isso inclui a vinda do Senhor com todos os seus santos para executar julgamento sobre Seus inimi­gos e tomar posse do reino... e reinar em justiça por mil anos gloriosos. (Harry A. Ironside, James and Peter, p. 98-9)


Essa segunda visão coincide com a anterior quanto ao término, mas marca o início do dia do Senhor no período tribulacional, de modo que os acontecimentos da tribulação, a segunda vinda e o milênio estão todos incluídos dentro do espaço do dia do Senhor.

O termo dia do Senhor aparece nos seguintes trechos: Isaías 2.12; 13.6,9; Ezequiel 13.5; 30.3; Joel 1.15; 2.1,11,31; 3.14; Amós 5.18 (duas vezes),20; Obadias 15; Sofonias 1.7,14 (duas vezes); Zacarias 14.1; Malaquias 4.5; Atos 2.20; 1 Tessalonicenses 5.2; 2Tessalonicenses 2.2; 2 Pedro 3.10.

Além desses, as expressões aquele dia, o dia ou o grande dia aparecem mais de 75 vezes no Antigo Testamento. Isso evidencia sua importância nas Escrituras proféticas. Tais trechos revelam que a idéia de julgamento é preponderante, o que é constatado claramente em Sofonias 1.14-18. O julgamento inclui não apenas os juízos específicos sobre Israel e sobre as nações no fim da tribulação, associados ao se­gundo advento, mas, à luz de um exame dos próprios trechos, inclui julgamentos que se estendem por todo um período anterior ao segun­do advento. Desse modo, deduz-se que o dia do Senhor incluirá o perío­do tribulacional.

Zacarias 14.1-4 afirma que os acontecimentos da se­gunda vinda também estão incluídos no dia do Senhor. 2 Pedro 3.10 valida a idéia de incluir todo o milênio nesse período. Se o dia do Se­nhor não começasse até a segunda vinda, visto que esse acontecimento é precedido por sinais, ele não poderia vir como um "ladrão na noite", inesperado e sem anúncio, como se diz que virá em 1 Tessalonicenses 5.2.

A única maneira pela qual esse dia poderá chegar inesperadamen­te ao mundo é se chegar imediatamente após o arrebatamento da igre­ja. Conclui-se, então, que o dia do Senhor é o extenso período de tempo que se inicia com a retomada do tratamento de Deus para com Israel após o arrebatamento no início do período tribulacional, passando pelo segundo advento e pela era milenar até a criação do novo céu e da nova terra depois do milênio.
B. Os acontecimentos do dia do Senhor. E evidente que os aconteci­mentos do dia do Senhor são certamente momentosos, e um estudo desse período deve abranger a análise de grande parte das passagens proféticas. Incluirá os acontecimentos profetizados do período tribulacional como: a federação dos estados num Império Romano (Dn 2 e 7); a ascensão do governador político desse Império, que fará uma aliança com Israel (Dn 9.27; Ap 13.1-10); a formulação de um falso siste­ma religioso sob um falso profeta (Ap 13.11-18); o derramamento dos julgamentos sob os selos (Ap 6); a separação das 144 mil testemunhas (Ap 7); os julgamentos das trombetas (Ap 8-11); a ascensão das teste­munhas de Deus (Ap 11); a perseguição de Israel (Ap 12); o julgamento das taças (Ap 16); a destruição da falsa igreja (Ap 17 e 18); os aconteci­mentos da campanha de Armagedom (Ez 38 e 39; Ap 16.16; 19.17-21); a proclamação do evangelho do reino (Mt 24.14). Incluirá também as pro­fecias ligadas à segunda vinda, como: o retorno do Senhor (Mt 24.29,30); a ressurreição dos santos do Antigo Testamento e da tribulação (Jo 6.39,40; Ap 20.4); a destruição da besta, de todos os seus exércitos, do falso profeta e de seus seguidores na adoração da besta (Ap 19.11-21); o julgamento das nações (Mt 25.31-46); o reagrupamento de Israel (Ez 37.1-14); o julgamento de Israel (Ez 20.33-38); a reintegração de Israel em sua terra (Am 9.15); a prisão de Satanás (Ap 20.2,3). Mais adiante incluirá todos os acontecimentos da era milenar, com a revolta final de Satanás (Ap 20.7-10), o juízo do grande trono branco (Ap 20.11-15) e a purificação da terra (2Pe 3.10-13). Esses e muitos assuntos relacionados devem ser estudados.
C. O dia de Cristo. Termo intimamente relacionado, que tem trazi­do confusão a alguns, é dia de Cristo. Scofield diz:

A expressão "dia de Cristo" ocorre nos seguintes trechos: 1Co 1.8; 5.5; 2Coríntios 1.14; Filipenses 1.6,10; 2.16. Algumas versões apresentam "dia de Cristo", 2Tessalonicenses 2.2, incorretamente, para "dia do Senhor" (Is 2.12; Ap 19.11-21). O "dia de Cristo" está totalmente relacionado à recom­pensa e à bênção dos santos na Sua vinda, enquanto o "dia do Senhor" está ligado ao julgamento. (Scofield, op. cit., p. 1212)


Scroggie escreve:

Parece que esse acontecimento, referido freqüentemente como "dia de Cristo", deve ser diferenciado do "dia do Senhor" de 1 Tessalonicenses 5.2 e de 2Tessalonicenses 2.2. A última expressão vem do Antigo Testa­mento e está relacionada ao reino universal de Cristo; mas a expressão anterior é encontrada apenas no Novo Testamento e está relacionada ao Seu advento para a igreja. (Graham Scroggie, The Lord's return, p. 53-4)

Parece, então, que se têm em mente dois projetos separados quando essas expressões são usadas, embora não se tenham em mente dois pe­ríodos distintos de tempo. Não se pode forçar para que designem o mesmo acontecimento. Sempre que o dia de Cristo é usado, refere-se especificamente à expectativa da igreja, sua translação, sua glorificação e seu exame para receber os galardões.

A palavra dia usada nas Escrituras não é necessariamente uma expressão de tempo, mas pode ser empregada em relação aos aconte­cimentos que se encaixam em determinado período. Paulo a utiliza em 2 Coríntios 6.2, quando fala do "dia de salvação". Alguns, não per­cebendo esse aspecto, acham que, pelo fato de as Escrituras mencio­narem o "dia do Senhor" e o "dia de Cristo", esses dois "dias" devem chegar em períodos diferentes, o "dia de Cristo" referindo-se ao perío­do tribulacional e o "dia do Senhor" referindo-se ao segundo advento e ao milênio que o segue.

Certamente dois projetos diferentes estão em mira nesses dois dias, mas eles podem encaixar-se no mesmo es­paço de tempo. Desse modo, os dois dias podem ter o mesmo início, apesar de serem diferentes. Talvez em 1 Coríntios 1.8 a referência se faça ao "dia do Senhor Jesus Cristo", para mostrar que Ele está relacio­nado com ambos os dias, sendo ao mesmo tempo "Senhor e Cristo" (At 2.36).

II. O Período Tribulacional nas Escrituras

Embora esse assunto já tenha sido comentado brevemente num tratamento anterior, é necessário demonstrar os ensinamentos das Es­crituras a respeito dessa importante doutrina escatológica.


A. A Natureza da Tribulação Não existe maneira melhor de entender o conceito bíblico da tri­bulação do que deixar as Escrituras falarem por si. E impossível apre­sentar todas as declarações da Palavra sobre o assunto. Será suficiente listar algumas delas. A linha de revelação começa nos primórdios do Antigo Testamento e continua pelo Novo.

Quando estiveres em angústia, e todas estas cousas te sobrevierem nos últimos dias, e te voltares para o Senhor, teu Deus, e lhe atenderes a voz, então o Senhor, teu Deus não te desamparará, porquanto é Deus misericordioso, nem te destruirá, nem se esquecerá da aliança que jurou a teus pais (Dt 4.30,31).

Então, os homens se meterão nas cavernas das rochas e nos buracos da terra, ante o terror do Senhor e a glória da sua majestade, quando ele se levantar para espantar a terra (Is 2.19).

Eis que o Senhor vai devastar e desolar a terra, vai transtornar a sua superfí­cie, e lhe dispersar os moradores. [...]

A terra será de todo devastada e totalmente saqueada, porque o Se­nhor é quem proferiu esta palavra. [...]

Por isso, a maldição consome a terra, e os que habitam nela se tornam culpados; por isso, serão queimados os moradores da terra, e poucos ho­mens restarão (Is 24.1,3,6).

A terra será de todo quebrantada, ela totalmente se romperá, a terra violen­tamente se moverá. A terra cambaleará como um bêbado, e balanceará como rede de dormir; a sua transgressão pesa sobre ela, ela cairá e jamais se levantará. Naquele dia, o Senhor castigará, no céu, as hostes celestes, e os reis da terra, na terra (Is 24.19-21).

Vai, pois, povo meu, entra nos teus quartos e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira. Pois eis que o Senhor sai do seu lugar, para castigar a iniqüidade dos moradores da terra; a terra descobrirá o sangue que embebeu e já não encobrirá aqueles que foram mortos (Is 26.20,21).

Ah! Que é grande aquele dia, e não há outro semelhante! É tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será livre dela (Jr 30.7; grifo do autor).

Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da sema­na, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abomina­ções virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se der­rame sobre ele (Dn 9.27).

Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos fi­lhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo... (Dn 12.1).

Ah! Que dia! Porque o Dia do Senhor está perto e vem como assolação do Todo-poderoso (Jl 1.15).

... porque o Dia do Senhor vem, já está próximo: dia de escuridade e densas trevas, dia de nuvens e negridão! Como a alva por sobre os montes, assim se difunde um povo grande e poderoso, qual desde o tempo antigo nunca houve, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em gera­ção (Jl 2.1-2).

Ai de vós que desejais o Dia do Senhor! Para que desejais vós o Dia do Senhor? É dia de trevas e não de luz. Não será, pois, o Dia do Senhor trevas e não luz? Não será completa escuridão, sem nenhuma claridade? (Am 5.18,20).

Está perto o grande Dia do Senhor; está perto e muito se apressa. [...] Aquele dia é dia de indignação, dia de angústia e dia de alvoroço e deso­lação, dia de escuridade e negrume, dia de nuvens e densas trevas.

Nem a sua prata nem o seu ouro os poderão livrar no dia da indignação do Senhor, mas, pelo fogo do seu zelo... (Sf 1.14,15,18).

Porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido, nem haverá jamais. Não tivessem aque­les dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhi­dos, tais dias serão abreviados (Mt 24.21,22).

Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas; have­rá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das cousas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados (Lc 21.25,26).

Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repen­tina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão (l Ts 5.3).

... também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra (Ap 3.10).

Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos mon­tes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o Grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se? (Ap 6.15-17).
Com base nessas passagens, torna-se claro que a natureza desse período é de ira (Sf 1.15,18; l Ts 1.10; 5.9; Ap 6.16,17; 11.18; 14.10,19; 15.1,7; 16.1,19), julgamento (Ap 14.7; 15.4; 16.5,7; 19.2), indignação (Is 26.20,21; 34.1-3), provação (Ap 3.10), problemas (Jr 30.7; Sf 1.14,15; Dn 12.1), des­truição (Jl 1.15; l Ts 5.3), escuridão (Jl 2.2; Am 5.18; Sf 1.14-18), desolação (Dn 9.27; Sf 1.14,15), transtorno (Is 24.1-4,19-21), castigo (Is 24.20,21). Em nenhuma passagem encontramos alívio para a severidade desse tempo que virá sobre a terra.

B. A Origem da Tribulação Por recusarem distinguir entre as tribulações dessa época que a igreja sofrerá e o período único de tribulação que virá sobre a terra, os pós-tribulacionistas insistem em que a severidade da tribulação se deve apenas à atividade do homem ou de Satanás, e assim desassociam Deus do período. Reese escreve:

De acordo com Darby e seus seguidores, a grande tribulação é a ira de Deus contra o povo judeu dada a rejeição deste em relação a Cristo. De acordo com as Escrituras, ela é a ira do diabo contra os santos por rejeita­rem o anticristo e seguirem a Cristo.


Basta o leitor perceber a verdade bíblica quanto a esse assunto, para que toda a posição darbyista seja desmascarada como uma campanha de suposições, falsas declarações e pura paixão. (Alexander Reese, The approaching advent of Christ, p. 284)

O período tribulacional testemunhará tanto a ira de Satanás na sua hos­tilidade contra Israel (Ap 12.12-17) quanto a ira do fantoche de Satanás, a besta, na sua hostilidade contra os santos (Ap 13.7). Todavia, essa manifestação de ira nem mesmo começará a exaurir o derramamento de ira daquele dia.

As Escrituras estão repletas de declarações de que esse período não é a ira do homem, nem mesmo a ira de Satanás, mas a ira de Deus.

... o Senhor vai devastar e desolar a terra... (Is 24.1).

... o Senhor sai do seu lugar, para castigar a iniqüidade dos moradores da terra... (Is 26.21).

... e vem como assolação do Todo-poderoso (Jl 1.15).

Nem a sua prata nem o seu ouro os poderão livrar no dia da indignação do Senhor... (Sf 1.18).

E disseram os montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o Grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se? (Ap 6.16,17)

Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira... (Ap 11.18).

... Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele... (Ap 14.7).

Também esse beberá do vinho da cólera de Deus... (Ap 14.10).

Então, o anjo passou a sua foice na terra, e vindimou a videira da terra, e lançou-a no grande lagar da cólera de Deus (Ap 14.19).

Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? [...] porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos (Ap 15.4).

Então, um dos quatro seres viventes deu aos sete anjos sete taças de ouro, cheias da cólera de Deus, que vive pelos séculos dos séculos (Ap 15.7).

... Ide e derramai pela terra as sete taças da cólera de Deus... (Ap 16.1).

... Certamente, ó Senhor Deus, Todo-poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos... (Ap 16.7).

... E lembrou-se da grande Babilônia para dar-lhe o cálice do vinho do furor da sua ira (Ap 16.19).

A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus, porquanto verdadei­ros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande... (Ap 19.1,2).


Com base nessas passagens, não se pode negar que esse período é par­ticularmente a hora em que a ira e o juízo de Deus caem sobre a terra. Não é ira dos homens, nem ira de Satanás, a não ser à medida que Deus os utilize como canais para execução de Sua vontade; é uma tribulação de Deus. Esse período difere de toda a tribulação anterior não apenas em intensidade, mas também em tipo, já que vem do próprio Deus.
C. O Propósito da Tribulação

1. O primeiro grande propósito da tribulação é preparar a nação de Israel para o Messias. A profecia de Jeremias (30.7) esclarece que essa hora, que está por vir, refere-se particularmente a Israel, pois ela é "a hora da angústia de Jacó". Stanton mostra o caráter judeu desse perío­do dizendo:

A tribulação é principalmente judia. O fato é demonstrado por trechos do Antigo Testamento (Dt 4.30, Jr 30.7; Ez 20.37; Dn 12.1; Zc 13.8,9), pelo sermão profético de Cristo (Mt 24.9-26) e pelo próprio livro do Apocalipse (Ap 7.4-8; 12.1,2,17 etc). Ela diz respeito ao "povo de Daniel", à vinda do "falso Messias", à pregação das "boas novas do reino", ao vôo no "sába­do", ao templo e ao "lugar santo", à terra da Judéia, à cidade de Jerusa­lém, às doze "tribos dos filhos de Israel", ao "cântico de Moisés", aos "sinais" nos céus, à "aliança" com a besta, ao "santuário", aos "sacrifíci­os" rituais do templo —todos esses falam de Israel e provam que a tribu­lação é em grande parte a hora em que Deus lida com Seu povo antigo antes da entrada dele no reino prometido. As muitas profecias do Antigo Testamento a ser cumpridas a favor de Israel mostram um tempo futuro em que Deus lidará com essa nação (Dt 30.1-6; Jr 30.8-10 etc.). (Gerald Stanton, Kept from the hour, p. 30-1)
O propósito de Deus para Israel na tribulação é promover a con­versão de uma multidão de judeus que entrarão nas bênçãos do reino e experimentarão o cumprimento de todas as alianças de Israel. As boas novas de que o Rei está prestes a retornar serão pregadas (Mt 24.14) para que Israel possa voltar-se para o seu libertador. Assim como João Batista pregou tal mensagem a fim de preparar Israel para a primeira vinda, Elias pregará a fim de preparar Israel para o segundo advento.

Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrí­vel Dia do Senhor; ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição (Ml 4.5,6).

Esse testemunho parece eficaz uma vez que multidões de judeus serão convertidos durante o período de tribulação e aguardarão o Messias (Ap 7.1-8 e as virgens sábias de Mt 25.1-13). O propósito de Deus tam­bém é povoar o milênio com grande multidão de gentios convertidos, que serão redimidos pela pregação do remanescente fiel. Esse objetivo será alcançado na multidão de "todas as nações, tribos, povos e lín­guas" (Ap 7.9) e nas "ovelhas" (Mt 25.31-46) que entrarão na era milenar. O propósito de Deus, então, é povoar o reino milenar trazendo a Si mesmo vasta multidão dentre Israel e as nações gentílicas.
2. O segundo grande propósito da tribulação é derramar juízo so­bre homens e nações descrentes. Apocalipse 3.10 declara: "Eu te guar­darei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra". Esse trecho já foi analisado anteriormente. E um ensino evidente de outros versículos que esse pe­ríodo alcançará todas as nações:

Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eis que o mal passa de nação para na­ção, e grande tormenta se levanta dos confins da terra. Os que o Senhor entregar à morte naquele dia se estenderão de uma a outra extremidade da terra; não serão pranteados, nem recolhidos, nem sepultados; serão como esterco sobre a face da terra (Jr 25.32,33).

Pois eis que o Senhor sai do seu lugar, para castigar a iniqüidade dos moradores da terra... (Is 26.21).

A fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça (2 Ts 2.12).


Com base nessas passagens, podemos ver que Deus está julgando as nações da terra por causa de sua infidelidade. As nações da terra foram enganadas por um falso ensinamento do sistema religioso prostituído (Ap 14.8) e têm partilhado do "vinho da fúria da sua prostituição". Elas seguiram o falso profeta na adoração da besta (Ap 13.11-18). Por essa impiedade, têm de ser julgadas. Esse julgamento recai sobre "os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escra­vo e todo livre... " (Ap 6.15), todos os que "blasfemaram o nome de Deus [...] nem se arrependeram para lhe darem glória" (Ap 16.9). Visto que o reino a seguir é um reino de justiça, esse julgamento deve ser visto como outro passo no desenvolvimento do plano de Deus para lidar com o pecado de modo que o Messias possa reinar. Esse plano de julgamento contra os pecadores constitui o segundo grande propósito do período de tribulação.
D. A Hora da Tribulação Para entender os elementos de tempo no período tribulacional, é necessário retornar à profecia da septuagésima semana de Daniel, na qual a cronologia do futuro de Israel está esboçada (Dn 9.24-27).

1. A importância da profecia da septuagésima semana de Daniel. Muitos aspectos relevantes podem ser associados a essa profecia:

a. Ela estabelece o método literal de interpretação da profecia. Walvoord escreve:

Corretamente interpretada, a profecia de Daniel fornece excelente exem­plo do princípio de que a profecia está sujeita à interpretação literal. Qua­se todos os expositores, por mais que se oponham à profecia em si, concordam em que pelo menos parte da septuagésima semana de Daniel deve ser interpretada literalmente [...] se as primeiras 69 semanas de Daniel estiverem sujeitas ao cumprimento literal, eis um forte argumento de que o final da septuagésima semana terá o mesmo cumprimento. (John F. Walvoord, Is Daniel's seventieth week future?, Bibliotheca Sacra, 101:30, Jan. 1944)


b. Ela demonstra a verdade das Escrituras. McClain observa:

... a profecia das setenta semanas tem um imenso valor de prova como testemunho da verdade das Escrituras. Aparte da profecia relacionada às primeiras 69 semanas já foi cumprida de maneira exata [...] apenas um Deus onisciente poderia prever com mais de quinhentos anos de antece­dência o dia em que o Messias entraria em Jerusalém para apresentar-se como "Príncipe" de Israel. (Alva J. McClain, Daniel's prophecy of the seventy weeks, p. 5)


c. A profecia apóia a visão de que a igreja é um mistério que não foi revelado no Antigo Testamento. Walvoord diz:

As setenta semanas de Daniel, corretamente interpretadas, demonstram o lugar distinto da igreja e de Israel no propósito de Deus. As setenta semanas de Daniel estão totalmente ligadas a Israel, seu relacionamento com os poderes gentílicos e sua rejeição do Messias. O propósito especial de Deus de chamar um povo de cada nação para formar a igreja e o pro­jeto da presente era não se encontra em nenhum lugar dessa profecia. (Walvoord, loc. cit)

Isso dá mais evidência de que a igreja não está em Apocalipse de 4 a 19, mas deve ter sido arrebatada antes de começar o projeto de Israel.
d. A profecia nos dá a cronologia divina da profecia. McClain co­menta:

Nas previsões das setenta semanas, temos a chave cronológica indispen­sável para todas as profecias do Novo Testamento. O grande discurso profético feito por nosso Senhor em Mateus e em Marcos sem dúvida fixa a hora da última e maior angústia de Israel entre os dias da septuagésima semana da profecia de Daniel (Dn 9.27; Mt 24.15-22; Mc 13.14-20). A mai­or parte do Livro de Apocalipse é simplesmente uma expansão da profe­cia de Daniel dentro do painel cronológico esboçado pela septuagésima semana, que é dividida em dois períodos iguais, cada um se estendendo por 1260 dias, ou 42 meses, ou 3 anos e meio (Ap 11.2,3; 12.6,14; 13.5). Conseqüentemente, se conduzidas sem entendimento dos detalhes das setenta semanas de Daniel, todas as tentativas de interpretar a profecia no Novo Testamento estão fadadas ao fracasso. (McClain, op. cit., p. 6-7)


2. Os fatores importantes da profecia de Daniel. É necessário observar a tônica principal na profecia dada por Daniel. McClain resume esses fatores da seguinte maneira: (Ibid., p. 9-10)

1. Toda a profecia se relaciona ao "povo" e à "cidade" de Daniel, isto é, a nação de Israel e a cidade de Jerusalém (24).

2. São mencionados dois príncipes diferentes, que não devem ser confundidos: o primeiro é chamado Ungido (Messias), o Príncipe (25); e o segundo é designado o Príncipe que há de vir (26).

3. Todo o período em questão é especificado exatamente como seten­ta semanas (24); e essas setenta semanas são divididas em três períodos menores: primeiro, um período de sete semanas, depois disso um período de sessenta e duas semanas e, finalmente, um período de uma semana (25,27).

4. O começo de todo o período das setenta semanas é claramente fixado desde "a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém" (25).

5. O final das sete semanas e sessenta e duas semanas (69 semanas) será marcado pelo surgimento do Messias como o "Príncipe" de Israel (25).

6. Mais tarde, "depois das sessenta e duas semanas" que seguem as primeiras sete semanas (isto é, depois de 69 semanas), o Messias, o Príncipe será "morto" e Jerusalém será destruída novamente pelo povo do outro "prín­cipe" que ainda há de vir (26).

7. Depois desses dois importantes acontecimentos, chegamos à últi­ma, ou septuagésima semana, cujo início será marcado pelo estabeleci­mento de uma firme aliança ou tratado entre o Príncipe por vir e a nação judia por um período de "uma semana" (27).

8. Em "meio" à septuagésima semana o príncipe que há de vir, evi­dentemente rompendo o seu tratado, subitamente fará cessar o sacrifício judeu e lançará sobre esse povo um período de ira e desolação que perma­necerá até todo o final da semana (27).

9. Com o final de todo o período das setenta semanas, será introdu­zido um período de grande e incomparável bênção para a nação de Israel (24).

São estas as bênçãos:

1) cessar a transgressão,

2) dar fim aos pecados,

3) expiar a iniqüidade,

4) trazer a justiça eterna,

5) selar a visão e a profe­cia e

6) ungir o Santo dos Santos. (Daniel 9.24)
As seis bênçãos prometidas estão relacionadas às duas obras do Messias: Sua morte e Seu reinado. As três primeiras referem-se especialmente ao sacrifício do Messias, que antevê a eliminação do pecado da nação. As outras três referem-se especialmente à soberania do Messias, que antevê o estabelecimento do seu reino. A "justiça eterna" só pode referir-se ao reino milenar prometido para Israel. Esse era o alvo e a expectativa de todas as alianças e promessas dadas a Israel, e na sua instalação a profecia será cumprida. Esse reino só poderá ser estabele­cido quando o Santo ou o Lugar Santo for ungido no templo do milê­nio.

O milênio testemunhará a recepção do Messias por Israel e também testemunhará o retorno da glória residente (Shekinah) para o Santo dos Santos. Desse modo vemos que a profecia antecipa toda a obra do Messias para Israel: Ele redimirá e reinará quando se completar o tem­po estipulado na profecia.


3. O significado da semana. Antes de apurar a cronologia dessa pro­fecia, é necessário entender o termo semanas conforme usado por Daniel. Com respeito a isso, McClain escreveu:

A palavra hebraica é shabua, que literalmente significa "sete", e seria bom ler a passagem dessa maneira [...] Desse modo o v. 24 do nono capítulo de Daniel afirma simplesmente que "setenta setes estão determinados"... e o que são esses "setes" deve ser definido pelo contexto e por outras passa­gens das Escrituras. A evidência é bem clara e suficiente como se segue:

[...] os judeus tinham um "sete" de anos bem como um "sete" de dias. E essa "semana" bíblica de anos era tão conhecida dos judeus quanto uma "semana" de dias. Era, em alguns aspectos, até mais importante. Durante seis anos o judeu era livre para cultivar e semear sua terra, mas o sétimo ano deveria ser um solene "sábado de descanso para a terra" (Lv 25.3,4). No múltiplo dessa importante semana de anos —"sete sábados de anos"— era estabelecido o ano do grande jubileu [...]

Existem vários motivos para acreditarmos que as "setenta semanas" da profecia de Daniel referem-se ao bem conhecido período de "sete" anos. Em primeiro lugar, o profeta Daniel estava pensando não apenas sob o aspecto de anos em lugar de dias, mas também em um múltiplo exato de "setes" (10 x 7) de anos (Dn 9.1,2). Em segundo, Daniel também sabia que a duração do cativeiro babilônico baseava-se na violação judai­ca da lei do ano sabático. Visto que, de acordo com 2Crônicas 36.21, os judeus foram retirados da terra para que ela pudesse descansar por seten­ta anos, deveria ser evidente que o ano sabático tinha sido violado por 490 anos, ou exatamente setenta "setes" de anos. Que cabível, então, que agora, no final do julgamento dessas violações, o anjo fosse mandado para revelar o início de uma nova era do tratamento de Deus para com os judeus, o qual se estenderia pelo mesmo número de anos das violações do ano sabático, um ciclo de 490 anos, ou "setenta semanas" de anos (Dn 9.24).

Além disso, o contexto da profecia exige que as "setenta semanas" sejam de anos. Pois, se interpretarmos como "semanas" de dias, o perío­do se estenderia por apenas 490 dias ou pouco mais que um ano. Consi­derando agora que dentro desse breve espaço de tempo a cidade será reconstruída e destruída (sem contar com os tremendos acontecimentos do v. 24), torna-se claro que tal interpretação é improvável.

Finalmente [...] a palavra hebraica shabua é encontrada apenas em mais um trecho do livro (10.2,3), no qual o profeta declara que lamentou e jejuou "por três semanas". Nesse caso, é perfeitamente óbvio que o contexto exige uma "semana" de dias [...] Significativamente, o hebraico aqui é literalmente "três setes de dias". Se, no capítulo 9, o autor pretendia fazer-nos enten­der que as "setenta semanas" eram compostas por dias, por que ele não usou a mesma forma de expressão adotada no capítulo 10?

A resposta óbvia é que Daniel usou o termo hebraico shabua sozinho quando se refe­riu à conhecida "semana" de anos [...] mas, no capítulo 10, quando fala das "três semanas" de jejum, ele claramente as especifica como "semanas de dias" para distingui-las das "semanas" de anos no capítulo 9. (McClain, op. cit., p. 12-5)
Uma interessante evidência de apoio é encontrada em Gênesis 29.27, que diz: "Decorrida a semana desta, dar-te-emos também a outra, pelo trabalho de mais sete anos que ainda me servirás". Aqui a "semana" é especificada como uma semana de anos ou sete anos.

Também é necessário, nesse exame, observar que o ano nas passa­gens proféticas é composto por 360 dias. O mesmo autor declara:

... há forte evidência para demonstrar que o ano profético das Escrituras é composto por 360 dias, ou doze meses de 30 dias.

O primeiro argumento é histórico. De acordo com Gênesis, o dilúvio começou no décimo sétimo dia do segundo mês (7.11) e terminou no dé­cimo sétimo dia do sétimo mês (8.4). Esse é um período de exatamente cinco meses, e afortunadamente a extensão do mesmo período é dada em termos de dias —"cento e cinqüenta dias" (7.24; 8.3). Dessa maneira, a referência mais antiga a um mês na história bíblica aponta para um mês de trinta dias de extensão e doze meses nos dariam 360 dias.

O segundo argumento é profético [...] Daniel 9.27 menciona o perío­do da perseguição judia [...] Visto que a perseguição começa na metade da septuagésima semana e continua até o "final" da semana, o período tem, obviamente, três anos e meio. Dn 7.24,25 fala do mesmo príncipe romano e da mesma perseguição fixando a duração como "um tempo, dois tempos e metade dum tempo" — em aramaico, três vezes e meia. Ap 13.4-7 fala do mesmo grande líder político e de sua perseguição aos ju­deus "santos" que durará "quarenta e dois meses". Ap 12.13,14 refere-se à mesma perseguição, citando a duração nos mesmos termos de Dn 7.25, como "um tempo, dois tempos e metade de um tempo"; e esse período é ainda mais definido em Apocalipse 12.6 como "mil, duzentos e sessenta dias".

Desse modo temos o mesmo período declarado várias vezes como três anos e meio, 42 meses ou 1 260 dias. Conseqüentemente, torna-se claro que a extensão do ano da profecia de setenta semanas é fixada pelas próprias Escrituras em 360 dias. (Ibid., p. 16-7)


4. O início das 69 semanas. Foi dito a Daniel que esse período de 490 anos está determinado "sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade" (Dn 9.24). As Escrituras trazem vários decretos relacionados à restaura­ção dos judeus do cativeiro babilônico. Houve o decreto de Ciro em 2 Crônicas 36.22,23 e em Esdras 1.1-3, o decreto de Dario em Esdras 6.3-8 e o decreto de Artaxerxes em Esdras 7.7. Contudo, todas essas permis­sões foram cedidas para a reconstrução do templo, e nada foi dito sobre a reconstrução da cidade. Em Esdras 4.1-4 a reconstrução do templo foi interrompida porque os judeus estavam reconstruindo a cidade sem autorização. Em nenhum desses decretos a condição de Daniel 9.25 foi realizada. Quando examinamos o decreto de Artaxerxes, estabelecido no seu vigésimo ano e registrado em Neemias 2.1-8, vemos que é dada permissão para a reconstrução de Jerusalém. Esse constitui o início do período profético indicado por Deus nessa profecia.

Torna-se necessário, então, identificar uma data para o decreto de Artaxerxes. Anderson escreve a respeito:

A data do reinado de Artaxerxes pode ser claramente apurada — por meio não de um tratamento minucioso de comentaristas bíblicos ou de escri­tores proféticos, mas pela voz unânime de historiadores seculares e cronologistas.

O decreto persa que restaurou a autonomia de Judá foi publicado no mês judeu de Nisã. Pode-se, aliás, datar do primeiro dia do mês de Nisã [...] Logo, as setenta semanas devem ser calculadas a partir de primeiro de Nisã de 445 a.C.

A grande característica do ano sagrado judeu permaneceu imutável desde a noite memorável em que a lua do equinócio brilhou no Egito sobre as cabanas de Israel manchadas de sangue pelo sacrifício pascal; e não existe dúvida ou dificuldade em fixar dentre os estreitos limites da data juliana o primeiro dia de Nisã em qualquer ano. Em 445 a.C. a lua nova pela qual se regulava a Páscoa caiu no dia 13 de março às 7 horas e nove minutos da manhã. E, por conseqüência, o primeiro de Nisã pode ser atribuído a 14 de março. (Robert ANDERSON, The comning Prince, p.121-3)
5. O cumprimento das 69 semanas. Nenhum estudo mais detalhado foi feito a respeito das setenta semanas de Daniel do que o de Sir Robert Anderson, na obra The coming prince. Anderson calcula a cronologia das sessenta e nove semanas da seguinte maneira:

"Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas sema­nas." Uma era de 69 "semanas", ou 483 anos proféticos, calculados a par­tir de 14 de março de 445 a.C, deveria terminar com um acontecimento capaz de satisfazer as palavras "até ao Ungido, ao Príncipe".

[...]

Nenhum estudioso do evangelho pode deixar de reconhecer que a última visita do Senhor a Jerusalém não foi apenas de fato, mas também pelo seu propósito, o ponto de transição de seu ministério [...] agora o duplo testemunho de Suas palavras e Suas obras foi plenamente dado e Sua entrada na Cidade Santa visava a proclamar Sua messianidade e cum­prir o Seu destino.



[...]

É a data disso pode ser apurada. De acordo com o costume judaico, o Senhor foi a Jerusalém no oitavo dia de Nisã, "seis dias antes da Pás­coa". Mas como o dia 14, no qual foi celebrada a última ceia, caiu numa quinta-feira, o oitavo dia teria sido a sexta-feira anterior. Ele deve ter pas­sado o sábado, conseqüentemente, em Betânia; e, na noite do dia 9, com o término do sábado, o jantar foi tomado na casa de Marta. No dia seguin­te, o décimo dia de Nisã, Ele entrou em Jerusalém, conforme registrado nos evangelhos.

A data juliana de 10 de Nisã foi domingo, 6 de abril, 32 d.C [...] Qual então foi a extensão do período entre o decreto da reconstrução de Jerusa­lém e o advento público do "Ungido, o Príncipe" —entre 14 de março de 445 a.C. e 6 de abril de 32 d.C? o intervalo conteve exatamente 173 880 dias, ou 69 anos proféticos de 360 dias, as primeiras 69 semanas da profe­cia de Gabriel. (Ibid., p. 124-8)
Anderson chega à seguinte conclusão:


  • 1º de Nisã no vigésimo ano de Artaxerxes (o decreto de reconstruir Jerusa­lém) caiu em 14 de março de 445 a.C.

  • 10 de Nisã, na Semana da Paixão (a entrada de Cristo em Jerusalém), foi no dia 6 de abril de 32 d.C.

  • O intervalo foi de 476 anos e 24 dias (os dias sendo calculados inclusivamente, conforme exigido pela linguagem profética e pela práti­ca judaica).

  • Mas 476 x 365 =...........................................................173 740 dias

  • Mais (de 14 de março a 6 de abril, incluindo ambos)............24 dias

  • Mais dias dos anos bissextos..............................................116 dias

  • = 173 880 dias

  • E 69 semanas de anos proféticos com 360 dias (ou 69 x 7 x 360) = 173.880 dias. (Ibid., p. 128)

Desse modo, Anderson mostra que as 69 semanas começam com o de­creto da reconstrução de Jerusalém e terminam com a entrada triunfal em Jerusalém no domingo da morte do Senhor. Lucas 19.42 fala que a entrada do Senhor em Jerusalém nesse dia é algo muito significativo: "Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos". (Ibid., p. 126) A exatidão da profecia de Daniel é observada quando ele cita: "Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido" (Dn 9.26).


6. Existe um espaço entre a sexagésima nona e a septuagésima semana? Os pós-tribulacionistas unem-se aos amilenaristas ao afirmar:

a) A septuagésima semana da profecia de Daniel foi cumprida nos anos imediatamente seguintes à morte de Cristo. Alguns acreditam que Cristo foi morto no final da sexagésima nona semana para que a última sema­na se seguisse à sua morte. (Cf. Philip Mauro, The seventy weeks and the great tribulation, p. 55ss) Alguns vão além e declaram que toda a era presente é a septuagésima semana. (George L. Rose, Tribulation till translation, p. 68-9) O erro dessa visão reside no fato de que somente pela espiritualização da profecia os resultados da obra do Messias, conforme esboçados em Daniel 9.24, podem conside­rar-se cumpridos. A nação de Israel, a quem a profecia foi dirigida, sim­plesmente não experimentou um benefício sequer da vinda do Messi­as. Já que essa interpretação depende de um método inaceitável, a po­sição deve ser rejeitada.

b) Contrariamente à visão de que a septuagésima semana deve ser encarada como cronologicamente posterior, alguns afirmam que esse período é separado das outras sessenta e nove sema­nas por um período indefinido de tempo. Existem várias considerações que apóiam essa questão.

1) Tal intervalo é encontrado em vários trechos das Escrituras. Walvoord escreve:

O Dr. Ironside mostra vários exemplos de parênteses no plano de Deus: 1) O intervalo entre o "ano aceitável do Senhor" e o "dia da vingança do nosso Deus" (Is 61.2 — parêntese que se estende por mais de 1 900 anos).

2) O intervalo dentro do Império Romano, simbolizado pelas pernas de ferro na grande imagem de Daniel 2 e os pés com dez dedos. Confira também Daniel 7.23-27 e 8.24,25.

3) O mesmo intervalo é encontrado en­tre Daniel 11.35 e Daniel 11.36.

4) Ocorre um grande parêntese entre Oséias 3.4 e 3.5, e também entre Oséias 5.15 e 6.1.

5) Um grande parêntese acon­tece também entre Salmos 22.22 e 22.23 e entre Salmos 110.1 e 110.2.

6) Pedro, ao citar Salmos 34.12-16, pára no meio do versículo para distin­guir a obra presente de Deus e seu futuro tratamento com o pecado (l Pe 3.10-12).

7) A grande profecia de Mateus 24 torna-se clara apenas se a presen­te era for considerada um parêntese entre Daniel 9.26 e 9.27.

8) Atos 15.13-21 indica que os apóstolos entendiam plenamente que durante a era pre­sente as profecias do Antigo Testamento não seriam cumpridas, mas teri­am sua realização quando Deus reedificar "o tabernáculo caído de Davi" (At 15.16).

9) As datas anuais de festas marcadas para Israel mostravam ampla separação entre as festas que prefiguravam a morte e ressurreição de Cristo e o Pentecostes, e as festas que falavam da união e bênção de Israel.

10) Romanos 9-11 contribuem para o parêntese, especialmente o futuro da oliveira no capítulo 11.

11) A revelação da igreja como um corpo requer um parêntese entre os tratamentos passados de Deus e seu futuro tratamento com a nação de Israel.

12) A consumação do presente parênte­se é de tal natureza que retoma os acontecimentos interrompidos da últi­ma semana de Daniel. (Walvoord, op. cit., 202:47-8.)

A profecia não pode ter um cumprimento literal se não existirem pa­rênteses nos grandes planos proféticos, pois em muitas profecias os acontecimentos não são consecutivos. O intervalo da profecia de Daniel está de acordo com o princípio estabelecido na Palavra de Deus.
2) Em segundo lugar, os acontecimentos de Daniel 9.26 necessitam de um intervalo. Dois grandes acontecimentos ocorrem após a sexagésima nona semana e antes da septuagésima semana: a morte do Messi­as e a destruição da cidade e do templo em Jerusalém. Esses dois acon­tecimentos não ocorreram na septuagésima semana, pois esta não nos é introduzida até o v. 27, mas num intervalo entre a sexagésima nona e a septuagésima semana. Será observado que a morte do Messias ocor­reu apenas alguns dias depois do término da sexagésima nona semana, mas a destruição da cidade e do templo não se realizou até o ano 70 d.C, ou cerca de quarenta anos depois do término da sexagésima nona semana. Se alguns dias de intervalo são permitidos, não é difícil admi­tir a possibilidade de um intervalo de quarenta anos. Se um intervalo de quarenta anos é permitido, não é difícil ver que o intervalo pode estender-se pela presente era.

3) Em terceiro lugar, o ensinamento do Novo Testamento de que Israel foi deixado de lado (Mt 23.37-39) até a restauração do trato de Deus exige um intervalo entre as últimas duas semanas. Se a septuagésima semana já foi cumprida, as seis bênçãos prometidas de­veriam, semelhantemente, ter sido cumpridas para Israel. Nenhuma delas foi experimentada pela nação. Como a igreja não é Israel, não pode cumpri-las agora. Visto que Deus cumprirá literalmente o que prometeu, Ele deve honrar essas coisas com a nação. Vê-se, portanto, que deve haver um intervalo entre sua rejeição e a consumação dessas promessas.

4) Em quarto lugar, já que todas as bênçãos prometidas estão asso­ciadas à segunda vinda de Cristo (Rm 11.26,27), se não houvesse inter­valo, o Senhor teria voltado três anos e meio ou sete anos depois de Sua morte para cumprir as promessas. Como o Seu retorno ainda é aguar­dado, deve haver um intervalo entre as últimas duas semanas da pro­fecia.

5) Finalmente, ao lidar com a profecia, o Senhor prevê um interva­lo. Mateus 24.15 faz referência à vinda do "abominável da desolação", e esse é um sinal para Israel de que a grande tribulação se aproxima (Mt 24.21). Mesmo nessa hora, porém, há esperança, pois "logo em se­guida à tribulação daqueles dias [...] verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória" (Mt 24.29,30). Desse modo, o Senhor coloca a septuagésima semana de Daniel no final dos tempos imediatamente antes de Seu segundo advento à terra. Associando isso a Atos 1.6-8, vemos que toda era de duração indeterminada estará interposta entre a sexagésima nona e a septuagésima semana da profecia. A única conclusão deve ser que os acontecimentos da septuagésima semana ainda não foram cumpridos e aguardam cum­primento literal futuro.


7. O início da septuagésima semana. Fica evidente, com base em Daniel 9.27, que a septuagésima semana começa com a aliança feita entre "mui­tos" por uma semana, ou por sete anos. Essa "uma semana", seguindo o método de interpretação estabelecido para as 69 semanas, demonstra que esse período terá sete anos de duração. A questão que deve ser encarada é a identidade daquele que faz a aliança que marca o início desse período de sete anos. Daniel o identifica como "ele" em 9.27. Deve referir-se ao "Príncipe que há de vir" no versículo anterior. McClain, identificando esse indivíduo, escreve:

... existem dois príncipes mencionados: primeiro, o "ungido" e, segundo, o "príncipe que há de vir". A expressão "o príncipe que virá" não pode referir-se ao "ungido" pelo simples motivo de que é "o povo de um prín­cipe que há vir" que destruirá Jerusalém após a morte do Messias. E, vis­to que agora é simplesmente uma questão histórica que Jerusalém foi destruída em 70 d.C. pelo povo romano, não pelo povo judeu, segue-se que o "príncipe que há de vir" não pode ser o Messias judeu, mas algum grande príncipe que surgirá do Império Romano. (McCLAIN,op.cit, p.42)


Gaebelein fala a respeito desse indivíduo: "Vindo do Império Romano surgirá um futuro príncipe. Esse príncipe ou chefe do quarto império é idêntico ao pequeno chifre de Daniel 7". (Arno C. Gaebelein, The prophet Daniel, p. 142) Ele será ainda identificado com o "rei de feroz catadura" de Daniel 8.23, com o rei que "fará segun­do a sua vontade" de Daniel 11.36, com o "homem da iniqüidade" de 2Tessalonicenses 2 e com a "besta do mar" de Apocalipse 13.1-10. Visto que todas as alianças feitas pelo Messias com Israel são eternas, o Mes­sias não pode ser aquele que fará a aliança, pois ela será temporária. Essa aliança, que garantirá a Israel a posse de sua própria terra e a res­tauração de sua autonomia religiosa e política, deve ser vista como o falso cumprimento da aliança de Abraão. Essa aliança fará com que muitos em Israel acreditem que o "homem da iniqüidade" é Deus (2 Ts 2.3). E a proclamação dessa falsa aliança que marcará o início da septuagésima semana.
8. O plano da septuagésima semana. McClain listou seis característi­cas desse plano que resumem bem sua relação com o quadro profético.

1. A septuagésima semana é um período de sete anos que se estende profeticamente entre a translação da igreja e o retorno de Cristo na Sua gló­ria.

2. A septuagésima semana também dá a exata estrutura cronológica para os grandes acontecimentos registrados nos capítulos de 6 a 19 do livro de Apocalipse.

3. A septuagésima semana terá início com a realização de uma "fir­me aliança" entre o futuro príncipe romano e o povo judeu.

4. No meio da septuagésima semana, o príncipe romano reverterá subitamente sua postura amistosa para com os judeus e fará "cessar os sacrifícios".

5. A quebra da "firme aliança" entre os judeus e o príncipe romano iniciará um período inigualável de "desolações" para o povo judeu.

6. O final desse período de sete anos trará ao fim toda a série das setenta semanas e conseqüentemente introduzirá as grandes bênçãos pro­metidas para Israel em Daniel 9.24. (McClain, op. cit., p. 45ss)

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