Manual de Escatologia



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Capítulo 19 - Os gentios na tribulação

Há um plano divino para as nações gentílicas que deverá cumprir-se no período da tribulação. Grande parte das profecias dedica-se ao as­sunto, o qual precisa ser desenvolvido para que formemos uma nítida idéia dos acontecimentos no período da tribulação.



I. A Tribulação e os "Tempos dos Gentios"

O período de tempo denominado pelo Senhor "tempos dos gentios" em Lucas 21.24, em que Ele diz "Até que os tempos dos gentios se com­pletem, Jerusalém será pisada por eles", é um dos mais importantes períodos das passagens proféticas. (Cf. Lewis Sperry Chafer, Systematic theology, VII, p. 170) A relação de Israel com a tribula­ção já foi estudada. Examinemos agora os acontecimentos relacionados aos gentios enquanto dirigimos a atenção aos "tempos dos gentios".


A. O plano para os gentios. Deus tem um plano para com as nações gentílicas, a fim de conduzi-las à salvação e à bênção no milênio. O plano foi apresentado da seguinte maneira:

1. A primeira predição sobre os gentios. Noé fez uma abrangente profecia acerca do caráter de cada um de seus filhos como progenitores de raças que repovoariam a terra (Gn 9.25-27) [...]


2. Os juízos sobre as nações adjacentes a Israel [...] Essas predições ocor­rem em várias partes do Antigo Testamento: Babilônia e Caldéia (Is 13.1-22; 14.18-27; Jr 50.1-51.64), Moabe (Is 15.1-9; 16.1-14; Jr 48.1-47), Damasco (Is 17.1-14; Jr 49.23-27), Egito (Is 19.1-25; Jr 46.2-28), Filístia e Tiro (Is 23.1-18; Jr 47.1-7), Edom (Jr 49.7-22), Amom (Jr 49.1-6), Elão (Jr 49.34-39).
3. Os tempos dos gentios. Em contraposição às palavras "tempos ou (e) épocas", que se referem à atuação divina com relação a Israel (cf. At 1.7; l Ts 5.1), temos a expressão tempos dos gentios, que se refere à atuação divina com relação aos gentios. Esta última expressão [...] mede o período em que Jerusalém estará sob o governo dos gentios [...] a medida dos tempos dos gentios chega a aproximadamente 560 anos [...] Este período, no entanto, é interrompido pela era da igreja, que, por não ter duração identificada, introduz um elemento de indefinição sobre quando termi­nará o tempo dos gentios. No entanto, fica claro que os tempos dos gentios já estão completos, com exceção dos sete anos que serão experimentados imediatamente após a retirada da igreja, acontecimento que fecha essa era intercalar.
4. A sucessão das monarquias [...] Quatro poderes mundiais foram pre­ditos por Daniel — Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma. Esses, como previsto pelo profeta, dominariam os tempos dos gentios e seriam elimi­nados pela vinda gloriosa de Cristo, quando o reino messiânico substituir todo governo e toda autoridade humana [...]
5. O julgamento das nações gentílicas [...] Esse acontecimento estupen­do [...] é plenamente previsto no Antigo Testamento (cf. Sl 2.1-10; Is 63.1-6; Jl 3.2-16; Sf 3.8; Zc 14.1-3).

6. Nações gentílicas e o lago de fogo. A destruição das nações gentílicas que se opuserem ao plano de Deus também é prevista no Antigo Testa­mento, mas o próprio Cristo — o Juiz— declarou seu verdadeiro destino (Mt 25.41).


7. Nações gentílicas e o reino [...] A profecia prevê a porção que os gentios terão no reino de Israel (cf. Is 11.10; 42.1,6; 49.6,22; caps. 60, 62 e 63) [...] Uma revelação posterior (Mt 25.31-40) afirma a entrada de gentios no reino pela autoridade do Rei e conforme predeterminado pelo Pai des­de a fundação do mundo. (Ibid., iv, p. 379-81)
B. A duração dos "tempos dos gentios". Os "tempos dos gentios" fo­ram definidos pelo Senhor como o período no qual Jerusalém estaria sob o domínio de autoridades gentílicas (Lc 21.24). Esse período come­çou com o cativeiro babilônico, quando Jerusalém caiu nas mãos dos gentios. Continua até hoje e prosseguirá durante a tribulação, era na qual os poderes gentílicos serão julgados. O domínio gentílico termina na segunda vinda do Messias à terra. Scofield define da seguinte forma os limites temporais:

Os tempos dos gentios são aquele longo período que se inicia no cativeiro babilônico de Judá, sob Nabucodonosor, e termina com a destruição do poder gentílico mundial pela "pedra cortada sem auxílio de mãos" (Dn 2.34,35,44), i.e., a vinda do Senhor em glória (Ap 19.11,21), até quando Jerusalém estará politicamente sujeita ao governo gentílico (Lc 21.24). (C. I. Scofield, Reference Bible, p. 1345)


C. O decurso dos "tempos dos gentios". A descrição mais completa do período é dada pelo profeta Daniel. Dennett escreve:

O que temos em Daniel é [...] o curso e o caráter dos poderes gentios, desde a destruição de Jerusalém até a aparição de Cristo, junto com a posição do remanescente e os sofrimentos do povo judeu, enquanto o; gentios têm o domínio, até que, por fim, na fidelidade em cumprir os Seus propósitos, Deus intervém e, para Sua própria glória, opera o resga­te e a bênção de Seu povo terreno eleito. (Edward Dennett, Daniel the prophet, p. 9)

1. O primeiro esboço profético desse período é dado em Daniel 2. que se refere, por meio de uma grande imagem, aos impérios sucessivos que exerceriam domínio sobre Jerusalém. Sobre isso Chafer escreve:

São previstos cinco domínios mundiais sucessivos — quatro deles repre­sentados pelas partes da imagem, e o quinto é aquele que surgirá sobre os destroços dos outros quatro quando vier o julgamento de Deus. O quinto é diferente porque será estabelecido por Deus no céu, e é eterno na sua duração. O primeiro, a Babilônia, a cabeça de ouro, estava no auge do poder quando Daniel deu sua interpretação. O segundo era a Medo-Pérsia, reino que Daniel também testemunhou. O terceiro domínio foi a Grécia sob Alexandre, e o quarto, Roma, no auge do seu desenvolvimento na época em que Cristo andou na terra. É esse reino de ferro que, no seu formato final, surge sob a forma de pés formados de uma mistura de fer­ro e barro. É na época dos pés e do barro que a Pedra atinge a estátua. (Chafer, op. cit., IV, p. 333.)


2. A segunda referência profética desse período é dada em Daniel 7. Enquanto em Daniel 2 a história dos impérios mundiais é vista da pers­pectiva do homem, em Daniel 7 é vista da perspectiva divina, por meio da qual os impérios aparecem não como uma imagem gloriosa e atra­ente, mas como quatro bestas vorazes e selvagens, que devoram e des­troem tudo à sua frente e, por conseguinte, são dignas de julgamentos. Gaebelein explica essa passagem quando escreve:

O ouro no sonho da imagem e a primeira besta representam o império babilônico. No começo era um leão com asas, mas elas foram arrancadas; ele perdeu sua força e, apesar de ter coração humano, ainda era um ani­mal [...]

O urso representa o Império Medo-Persa, o império de prata, o tron­co e os braços. Uma pata está levantada, porque o elemento persa era mais forte que o medo. O urso tinha três costelas na boca, porque Susiana, Lídia e a Ásia Menor tinham sido conquistadas por esse poder [...]

O leopardo, com suas quatro asas e quatro cabeças, é o retrato do Império Greco-Macedônio, correspondendo aos quadris de bronze na ima­gem de Nabucodonosor. As quatro asas denotam sua rapidez, as quatro cabeças significam a divisão desse Império nos reinos da Síria, Egito, Macedônia e Ásia Menor [...] chamamos a atenção para o fato de que, ao selecionar as feras para representar os poderes mundiais que dominam os tempos dos gentios, Deus nos fala que seu caráter moral é animalesco. O leão devora, o urso esmaga e o leopardo salta sobre a sua presa.

[...] então temos o quarto império, o de ferro, Roma. Ele é descrito como nenhum outro. É amedrontador, terrível e excepcionalmente forte; ele tem dentes de ferro. Devora, despedaça e esmaga. Tem dez chifres, no meio dos quais nasce um pequeno chifre com olhos semelhante aos olhos de um homem, e uma boca que fala grandes coisas. (Arno C. Gaebelein, The prophet Daniel, p. 73-6)
Assim, as Escrituras revelam que, do tempo de Daniel até o tempo em que Jerusalém receberá liberdade do domínio gentílico, na segunda vin­da de Cristo, quatro grandes impérios surgirão e cairão.
3. Os últimos sete anos dos "tempos ou épocas" designados para Israel também serão os últimos sete anos dos tempos dos gentios, pois o término dos dois é idêntico, segundo a profecia de Daniel 9.24-27. A tribulação deve, então, ser a época final no desenvolvimento do plano dentro dos tempos dos gentios. Logo, o plano esboçado para os gentios terá forte influência sobre o plano escatológico.
Com base nos capítulos de Daniel anteriormente mencionados, ocorrerá o seguinte:

1) Haverá uma reorganização das nações para cons­tituir a forma final do quarto império mundial. Esse império será feri­do pela "pedra" (Dn 2.35); será composto de dez partes diferentes (Dn 2.33; 7.7); terá uma cabeça, que, ao ascender, faz cair três das cabeças de estado já existentes (Dn 7.8).

2) A cabeça desse império será um blasfemador (Dn 7.8,25), um perseguidor dos santos (Dn 7.25) que con­tinuará por três anos e meio (Dn 7.25) como inimigo especial de Deus e do plano de Deus para com Israel.

3) Essa cabeça do império fará com Israel uma aliança para restaurar-lhe a soberania (Dn 9.27), a qual será quebrada (Dn 9.27).

4) Esse líder invadirá a Palestina (Dn 11.41) e esta­belecerá ali a sede do seu governo (Dn 11.45).

5) Ele será julgado no retorno do Senhor (Dn 7.11,26).

6) A destruição desse líder e de seus exércitos redimirá Jerusalém do domínio gentílico (Dn 7.18,22,27).

7) Essa libertação acontece por ocasião da segunda vinda do Messias (Dn 7.13; 2.35).



II. A Forma Final do Poder Mundial Gentílico

Há várias passagens importantes das Escrituras que tratam de forma significativa do poder gentílico mundial.



A. Daniel 2. Na descrição dos tempos dos gentios apresentada em Daniel 2, o profeta lida de maneira generalizada com os quatro impérios sucessivos que dominaram a Palestina; quando, porém, fala a respeito do fim do poder gentílico mundial, o profeta é bastante específico:

O quarto reino será forte como ferro, pois o ferro a tudo quebra e esmiuça; como o ferro quebra todas as cousas, assim ele fará em pedaços e esmiu­çará. Quanto ao que viste dos pés e dos artelhos, em parte de barro de oleiro e em parte de ferro, será esse um reino dividido; contudo, haverá nele alguma cousa da firmeza do ferro, pois que viste o ferro misturado com barro de lodo. Como os artelhos eram em parte de ferro e em parte de barro, assim, por uma parte, o reino será forte e, por outra, será frágil. Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão mediante casamento, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro. Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído... (Dn 2.40-44) (Cf. Robert Anderson, The coming prince)


Há nesses versículos várias características importantes a respeito da forma final do poder gentílico.

1) A forma final do poder gentílico nasce do quarto grande império, o Romano, e é o seu desenvolvimento final. Essa forma é representada pelos pés e pelos dez dedos (Dn 2.41,42).

2) A forma final dessa potência é marcada pela divisão (Dn 2.41). Tal é o significado da ênfase sobre os dez dedos e sobre o barro e o ferro. Tregelles escreve:

Assim, vemos esse quarto império especialmente apresentado a nós numa época em que está num estado dividido e, por isso, enfraquecido. O nú­mero de dedos dos pés parece implicar uma divisão em dez: isso pode servir de indício aqui, apesar de a afirmação mais específica do fato não ser revelada senão mais tarde no livro. Esse reino é então dividido em partes, que, conforme veremos por outras passagens das Escrituras (so­bretudo o cap. 7), são exatamente dez. (S. P. Tregelles, The book of Daniel, p. 19)


3) A forma final do poder gentílico é marcada por uma federação cons­tituída daquilo que é fraco com aquilo que é forte, autocracia e demo­cracia, ferro e barro (Dn 2.42). Kelly observa:

Haverá, antes do fim da era, a mais incrível união de duas condições apa­rentemente contraditórias — um cabeça de império universal, e além dis­so reinos independentes, cada um com seu próprio rei; mas um único homem será o imperador sobre todos os reis. Até chegar essa hora, todo esforço para unir os diferentes reinos sob um só cabeça será um fracasso total. Mesmo então não ocorrerá pela fusão de todos num só reino, mas cada reino independente terá seu próprio rei, apesar de todos estarem sujeitos ao cabeça. Deus disse que eles serão divididos. E isso que nos é demonstrado aqui. "Mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro." E, se já houve alguma parte do mundo que representou esse sistema incoerente de governo, é a Europa moderna. En­quanto o ferro predominou, houve um só império; mas depois veio o bar­ro, ou material estrangeiro. Por causa do ferro haverá monarquia univer­sal, e por causa do barro haverá reinos separados. (William Kelly, Notes on Daniel, p. 50)


Já que a mistura de ferro e barro não é natural, parece sugerir que a federação não deve sua existência ao uso da força, doutra forma essa condição não perduraria. Ela é concretizada por mútuo consentimento, de modo que cada membro da aliança retém a própria identidade. Isso concorda com Apocalipse 17.13. 4) Essa condição dividida final não é agora histórica, mas ainda profética. "Esses reis" (Dn 2.44) não vêm à existência até que a "pedra [...] cortada sem auxílio de mãos" (Dn 2.45) apareça. Ironside diz:

Os comentaristas geralmente nos dizem que a condição de dez dedos do império foi alcançada nos séculos V e VI, quando os bárbaros do Norte conquistaram o Império Romano, e este foi dividido em mais ou menos dez reinos diferentes. Diversas listas foram feitas, de dez reinos cada; mas poucos escritores concordam quanto às verdadeiras divisões. Uma coisa todos parecem ter esquecido: os dez reinos devem existir ao mesmo tem­po, não no decorrer de vários séculos, e todos devem formar uma confederação. Não há nada na história passada sobre reinos da Europa que se encaixe nisso. Eles geralmente eram inimigos em guerra, cada um bus­cando a destruição dos outros. Por isso, rejeitamos totalmente essa inter­pretação dos dez dedos. (Harry A. Ironside, Lectures on Daniel, the prophet, p. 37-8)


Parece melhor considerar esse Império Romano um desenvolvi­mento contínuo com base em sua forma na época do primeiro advento de Cristo até sua forma final na segunda vinda de Cristo.

Pode parecer afirmação severa demais, mas é fato amplamente confirma­do pela história que quase nenhum estudioso de história medieval real­mente entende a única chave para todo o assunto, sem a qual a história medieval é simplesmente um caos incompreensível. A chave é nada mais que a existência contínua do Império Romano. Enquanto for ensinado que o Império chegou ao fim no ano 476, o verdadeiro entendimento dos mil anos seguintes se torna totalmente impossível. Ninguém pode compre­ender a política ou a literatura de todo aquele período, se não lembrar constantemente que, na mente dos homens daqueles dias, o Império Ro­mano, o império de Augusto, Constantino e Justiniano, não era algo do passado, mas algo do presente. (G. H. N. Peters, Theocratic kingdom, n, p. 643)


Parece, então, que o problema não é tanto o reavivamento do império quanto a reformulação da esfera contínua de poder até assumir sua forma final de dez dedos.
B. Daniel 7. A segunda grande passagem que trata da forma final do poder mundial gentílico é encontrada em Daniel 7, que revela a his­tória desse poder por meio de quatro animais vorazes. Com relação ao fim do poder mundial gentílico, Daniel declara várias coisas nessa pro­fecia.

1) Como na profecia anterior, revela-se que a forma final do po­der mundial gentílico deve existir numa união de dez reis e seus reinos (Dn 7.7). A característica singular do quarto animal não era sua força, nem sua ferocidade, nem o fato de que ele destruiu todos os outros animais que o precederam, mas o fato de ter dez chifres.


2) Esses chifres seriam a forma final do império. Kelly diz:

... a singularidade do Romano é a posse dos "dez chifres". Porém não devemos procurar o desenvolvimento real da história nessa visão. Se esse fosse o caso, é claro que os dez chifres não seriam encontrados no animal romano, quando ele foi visto pela primeira vez pelo profeta. Na verdade, não foi senão centenas de anos depois de Roma existir como império que ela teve mais de um governante. O Espírito de Deus expõe claramente as características que seriam encontradas no fim, e não no começo. (Kelly, op. cit., p. 125-6)


Fica claro com base em Daniel 7.24 que esses dez reis são os cabeças de dez reinos que surgem do quarto grande reino mundial. O fato de dez se levantarem do quarto reino parece indicar que o quarto não deixou de existir, para ser ressurrecto depois, mas, sim, permaneceu de algu­ma forma até emergir a condição dos dez chifres. Young afirma isso da seguinte maneira:

Os dez chifres aparecem no animal vivo [...] O animal não morre e ressus­cita novamente com seus dez chifres. Mas esses chifres nascem do animal vivo. Eles devem, então, representar uma segunda fase da sua história, não uma forma reavivada de existência do animal. (Edward J. Young, The prophecy of Daniel, p. 160. Embora tenhamos objeções à interpretação que o autor faz do livro, sua observação é justificada aqui)


3) Dentre esses dez reinos se levantará um indivíduo que terá domínio total sobre os dez reis (Dn 7.8,24; Ap 13.1-10; 17.13). Quando ele con­quistar sua autoridade, três dos dez reis serão derribados.

4) Essa auto­ridade final sobre o império é exercida por alguém que é marcado pela blasfêmia, pelo ódio ao povo de Deus, pelo desprezo à lei e à ordem estabelecida, o qual continuará por três anos e meio (Dn 7.26).

5) Essa forma final de poder mundial terá influência no mundo inteiro (Dn 7.23).
C. Apocalipse 13.1-3. Nessa passagem João continua a linha de re­velação relativa à forma final do poder gentílico. Há várias observa­ções a fazer:

1) Como foi revelado anteriormente, a forma final do po­der sucede a todas as formas anteriores, pois o animal que se levanta é um animal composto, partilhando as características do leopardo, do urso e do leão (Ap 13.2).

2) Essa forma de poder mundial é marcada pelos dez chifres (Ap 13.1), que são explicados em Apocalipse 17.12 como "reis" sobre os quais a besta reina.

3) E restaurado um antigo método de governo que deixou de existir em relação ao reino como um todo. João observa que essa besta tinha sete cabeças (Ap 13.1), e a cabe­ça atual tinha sido ferida mortalmente (Ap 13.3), mas a ferida seria cu­rada. Essas cabeças, de acordo com Apocalipse 17.10, são reis ou for­mas de governo sob o qual Roma existiu. São geralmente vistos como: reis, cônsules, ditadores, decênviros, tribunos militares e imperadores. Scofield comenta sobre a ferida mortal que foi curada (Ap 13.3):

Fragmentos do antigo Império Romano jamais deixaram de existir como reinos separados. Foi a forma imperial de governo que cessou; ela é a cabeça ferida fatalmente. O que temos profetizado em Apocalipse 13.3 é a restauração da forma imperial como tal, embora sobre um império federado de dez reinos; a "cabeça" é "curada", i.e., restaurada; existe um imperador novamente — a Besta. (Scofield, op. cit., p. 1342)
Isso leva a crer que o fator que maravilhou o mundo foi o surgimento do poder monarca absoluto que exercia poder absoluto sobre a federa­ção de dez reinos. 4) Todo esse processo é atribuído ao poder satânico (Ap 13.4). Como o Império Romano foi o agente por meio do qual Sata­nás atacou Cristo em Seu primeiro advento, esse império será, na sua forma final, o agente por meio do qual Satanás trabalhará contra o Mes­sias na segunda vinda.
D. Apocalipse 17.8-14. Outra importante passagem que lida com a forma final do poder gentílico mundial apresenta várias considerações importantes.

1) João parece estar apresentando o lugar de autoridade no final dos tempos (Ap 17.9), já que Roma é o "sétimo monte".

2) A forma final do poder gentílico mundial reside num indivíduo chama­do "oitavo" rei, que chega ao poder sobre esse reino governado pelos sete anteriores (Ap 17.10,11). Esse oitavo é interpretado de várias ma­neiras. Existe a teoria de Scott, que escreve:

As sete cabeças na besta representam sete formas sucessivas de governo desde o surgimento do quarto império universal até o seu fim. "Caíram cinco." Esses são reis, cônsules, ditadores, decênviros e tribunos militares. "Um existe." Essa é a sexta forma ou forma imperial do governo estabelecido por Júlio César, sob o qual João foi banido para Patmos no reinado de Domiciano. As formas anteriores de autoridade haviam cessado [...]

"O outro ainda não chegou." Assim, entre a dissolução do Império e seu futuro reaparecimento diabólico, passaram-se vários séculos [...] Essa é a sétima cabeça. E o surgimento do império caído sob novas condições conforme apresentado em 13.1 [...]

"E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete." A gigantesca confederação de Roma é vista aqui nas suas caracte­rísticas essenciais como imutável. Ele é o "oitavo". (Walter Scott, Exposition of the revelation of Jesus Christ, p. 351-2)


Assim são vistas aqui as diferentes formas de governo. Uma segunda teoria é a de que se trata de sete imperadores históricos romanos, cinco dos quais já teriam morrido, um sob quem João viveu, e um que virá, de cuja linhagem o oitavo, a besta, procederá. (William R. Newell, The revelation, p. 271) Uma terceira teoria é a de que esses oito representam os oito impérios que lidaram com Israel, todos os quais culminarão na besta. Aldrich escreve:

... quer dizer sete grandes reinos. Acredita-se que João se volta aqui para o período anterior à profecia de Daniel e inclui todos os grandes impérios que se levantaram contra o povo de Deus. Os cinco reinos que caíram seriam o Egito, a Assíria, a Babilônia, a Pérsia e a Grécia.

O sexto reino em Apocalipse é o Império Romano, e isso significa que o sétimo (com a oita­va cabeça a ele associada) é apenas outra forma ou estágio daquele impé­rio. (Roy L. Aldrich, Facts and theories of prophecy, p. 120-1)
Seja qual for a teoria adotada, ficará evidente que o governador final é o herdeiro de toda a autoridade gentílica anterior. Nele, o poder gentílico mundial chega a seu auge.

3) Haverá uma federação de dez reis separa­dos, que colocarão seus reinos sob a autoridade do cabeça do império (Ap 17.12).

4) O império não é construído pela força, mas por consenti­mento mútuo (Ap 17.13).

5) A história desse quarto império mundial é apresentada em Apocalipse 17.8: "A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição". "Era" descreve o império no período de sua impotência. "Está para emergir do abismo" indica a forma vindoura do império. "Caminha para a destruição" re­trata a destruição futura.

6) O principal objeto do ódio da forma final do poder gentílico mundial é Jesus Cristo. "Pelejarão eles contra o Cor­deiro" (Ap 17.14). A impiedade dos poderes mundiais, que buscam domínio mundial, manifesta-se no ódio contra Aquele a quem todo domínio foi dado (Fp 2.9,10; Ap 19.16).

III. As Fronteiras da Forma Final do Império Romano

Acredita-se que os últimos estágios do Império Romano coincidiriam geograficamente com as fronteiras do Império Romano no seu estado antigo. Isso se fundamenta na teoria de que o Império Romano chegou à sua forma de dez dedos e dez chifres na época da queda de Roma, em 476 d.C. Logo, de acordo com essa teoria, a forma reavivada do Império será idêntica às dimensões antigas. Parece haver boas ra­zões para crer na teoria de que as futuras fronteiras da forma final do poder gentílico mundial não apenas coincidirão com as fronteiras anti­gas, mas, na verdade, poderão excedê-las grandemente.

1) Como já foi afirmado, a federação de dez reinos não foi cumprida na queda de Roma, mas aguarda os últimos dias antes de alcançar esse estado. Já que essa federação de dez reinos é futura e jamais existiu na história, não seria possível que os futuros dez reinos se conformassem a algum limite his­tórico. Esses dez reinos são apenas a expansão da forma antiga de de­senvolvimento, não o reavivamento da exata condição antiga.

2) As Escrituras parecem mostrar um império de dimensões ainda maiores que as que Roma teve até o presente. "Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação" (Ap 13.7). Além disso, em Apocalipse 13.2 a besta é vista como o sucessor dos três impérios ante­riores. Isso pode levar a crer não só na idéia de poder, mas também de extensão geográfica, portanto essa forma final do poder gentílico mun­dial pode compreender o território pertencente a todos os outros antecessores.

3) O relacionamento existente entre a besta e a mulher (Ap 17) faz supor o alcance do império. Jennings demonstra isso quan­do escreve:

... as Escrituras afirmam inequivocamente que o império mundial que Roma possuiu no passado será restaurado novamente a ela, e meu propó­sito [...] é reunir tais informações da mesma forma que agradou ao Deus de toda a graça reunir na Sua Palavra, quanto à extensão e aos limites daquele poder imperial mundial reavivado [...] acreditava-se que o futu­ro império teria precisamente as mesmas fronteiras geográficas [...] como naquela época [...] Considero esse um erro fundamental, pois despreza completamente a introdução na terra de outro elemento, básico e caracte­rístico. Simples limites geográficos são uma semelhança irrisória à luz do caráter peculiarmente espiritual dessa era; a introdução de um elemento caracteristicamente espiritual exige, mesmo para limites terrenos, uma medida espiritual [...]

Analisando então o décimo sétimo capítulo do livro de Apocalipse, vemos todo o palco ocupado por apenas duas personalidades: uma "bes­ta" e uma "mulher" [...] essas duas [...] retratam [...] a futura terra proféti­ca [...] não pode haver argumento ou discussão de que essa passagem fale das condições civis e eclesiásticas que dominarão e caracterizarão aquela parte da terra que está dentro dos limites ou das fronteiras da profecia. Toda ela será preenchida por aquilo que diz respeito à "besta" e à "mulher". As duas estão irreparavelmente relacionadas, e nos dizem para que fim todos [...] caminham; e esse é que haverá por fim um império mundial e uma igreja mundial, e esses abrangerão tudo o que agora é chamado cristandade; aquele império apoiando aquela igreja, e a "besta" nas Escrituras apóia a "mulher", e a "mulher" é apoiada pela "besta" [Ap 17.3]. Assim, onde quer que uma delas esteja, inevitavelmente a outra também estará, e as fronteiras desta inevitavelmente marcarão as frontei­ras daquela [...]

[...] somos forçados a reconhecer que as fronteiras do império serão as fronteiras do cristianismo nominal, mas completamente apóstata; e, vice-versa, as fronteiras da igreja apóstata serão exatamente as fronteiras do império. Com isso assegurado e claro, conclui-se, sem qualquer dúvi­da, que o Império Romano reavivado compreenderá [...] todos os países, por todo lugar, em que haja qualquer vestígio do cristianismo apóstata e, logo, incluirá a América do Norte e a do Sul. (F. C. Jennings, The boundaries of the revived Roman Empire, Our Hope, XLVII: 387-9, Dec. 1940)



IV. Os Poderes Aliados contra o Império Romano nos Últimos Dias

Como cada um dos sucessivos poderes tinha inimigos que desafi­avam seu direito de governar, assim também, na época do fim do poder gentílico mundial, haverá reinos e federações de nações que desafiarão a autoridade do Império Romano.


A. A confederação do norte. O primeiro poder a levantar-se contra a autoridade da besta e seus exércitos, o Império Romano, é a grande confederação do norte. Essa confederação é referida em Ezequiel 38.1-39.25 (cf. 38.15; 39.2); Daniel 11.40; Joel 2.1-27 (cf. 2.20); Isaías 10.12; 30.31-33; 31.8,9.

A principal passagem sobre essa confederação se encontra em Ezequiel 38.2-6. O problema aqui é identificar Gogue e Magogue, junto com as nações aliadas. O problema é parcialmente explicado pela leitu­ra da Versão revisada (em língua inglesa): "Filho do homem, volve o teu rosto contra Gogue, da terra de Magogue, príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal". Com relação ao "príncipe e chefe" ou "príncipe de Rôs" (Ver­são revisada), Kelly diz:

É verdade que [...] [Rôs], quando o contexto exige que seja substantivo comum, significa "cabeça ou "chefe"; mas é esse sentido que nos confun­de nessa passagem. Não há dúvida então de que deve ser um nome próprio, e aqui não de um homem, como em Gênesis 36.2, se a leitura comum for adotada, mas de uma raça. Isso oferece imediatamente um sentido coerente, reforçado pelo termo que o precede, assim como por aqueles que seguem [...] Meseque e Tubal confirmam [...] o significado de [Rôs] como adjetivo gentílico [Rôs]. (William Kelly, Notes on Ezekiel, p. 192-3)
O príncipe de Rôs é chamado Gogue em Ezequiel 38.3. Deve-se enten­der que Gogue é o nome dado ao líder dessa confederação e sua terra é chamada Magogue, sendo composta por três partes: Rôs, Meseque e Tubal. A respeito desses nomes, Gaebelein diz:

Com base em Gênesis 10.2, sabemos que Magogue foi o segundo filho de Jafé. Gômer, Tubal e Meseque também foram filhos de Jafé; Togarma foi neto de Jafé, o terceiro filho de Gômer. A terra de Magogue localizava-se no que chamamos hoje Cáucaso e estepes adjacentes. E os três —Rôs, Meseque e Tubal— foram chamados de citas pelos antigos. Vagavam como nômades nas terras ao redor e ao norte do mar Negro e do mar Cáspio, e eram conhecidos como os bárbaros mais selvagens [...] Cuidadosa pes­quisa demonstrou o fato de que [...] Rôs é a Rússia [...] O príncipe de Rôs, significa, então, o príncipe ou rei do império russo. (Arno C. Gaebelein, The prophet Ezekiel, p. 257-8)


Bauman faz uma identificação mais pormenorizada. Ele escreve:

Magogue foi o segundo filho de Jafé (Gn 10.1,2), um dos três filhos de Noé. Antes do alvorecer da história secular, esses descendentes parecem ter habitado exclusivamente a região do Cáucaso e do norte da Armênia [...] É interessante observar que a própria palavra "Cáucaso" significa "forte de Gogue" [...]

Josefo [...] disse: "Magogue fundou aqueles que por causa dele viriam a ser chamados magoguitas, mas pelos gregos eram chamados citas" [...] A própria tradição cita reza que seus ancestrais se originavam de Araxes, na Armênia. Isso concorda com o registro divino que coloca os descendentes imediatos de Noé na Armênia. Ao longo da história, os citas (magoguitas) devem ter migrado para o norte em tempos primevos.

Historiadores con­cordam em que os magoguitas estavam divididos em duas raças distintas, uma jafética, ou européia, e outra turaniana, ou asiática.

A raça jafética compreendia aqueles que os gregos e romanos cha­mavam sármatas, mas que, em tempos modernos, são chamados russos ou eslavos. Os sármatas eram uma mistura de medos e citas que se uni­ram e emigraram em pequenos bandos para a região do mar Negro esten­dendo-se do Báltico aos montes Urais.

A raça turaniana compreendia esses magoguitas asiáticos (citas) que habitavam no grande planalto da Ásia Central [...] Hoje seus descenden­tes são conhecidos como tártaros, cossacos, finos, calmucos e mongóis.

[...] Se lexicógrafos da atualidade forem consultados quanto à nação que representa "Rôs", quase todos eles, junto com a maioria dos exposito­res, respondem Rússia.

[...] Gesenius, cujo léxico hebraico jamais foi superado, diz que "Gogue" é "sem dúvida os russos". Ele declarou que "Rôs" era uma de­signação para as tribos que naquela época ocupavam a região ao norte das montanhas Taurus, habitantes da vizinhança do Volga, e ele acredita­va que nesse nome e nessa tribo temos o primeiro vestígio na história de "Russ", ou nação russa.

Gesenius também identificou "Meseque" como Moscou, a capital da Rússia moderna na Europa. Ele identificou "Tubal" com Tobolsk, a primeira província da Rússia asiática a ser colonizada e também o nome da cidade em que Pedro, o Grande, construiu o velho forte com base no padrão do Kremlin em Moscou. Moscou indica a Rússia na Europa, e Tobolsk indica a Rússia na Ásia.

[...] o Biblical and theological dictionary. Nele lemos: "Magogue signifi­ca o país ou povo, e Gogue o rei daquele país; o nome geral das nações do norte da Europa e da Ásia, ou os distritos ao norte do Cáucaso, próximos ao monte Taurus" (p. 417).

A The new Schaff-Herzog encyclopedia of religious knowledge diz o se­guinte: "Uma localização geográfica mais restrita colocaria a moradia de Magogue entre a Armênia e a Média, talvez às margens do Araxes. Mas o povo parece ter-se estendido mais ao norte pelo Cáucaso, preenchendo ali o extremo horizonte norte dos hebreus (Ez 38.15; 39.2). É assim que Meseque e Tubal são geralmente mencionados nas inscrições assírias (Mushku e Tabal, gr. Moschoi e Tibarenoi)" (v. v, p. 14). (Louis Bauman, Russian events in light of Bible prophecy, p. 23-5)
Logo, a identificação de Rôs como a Rússia atual parece estar bem au­tenticada e geralmente aceita.

Foi predito que, em aliança com Magogue, haveria "muitos povos contigo" (Ez 38.15). A leitura marginal adotada pelos revisores em Ezequiel 38.7, "serve-lhe de guarda", mostra o lugar de projeção que a Rússia ocupará nessa época. A primeira nação federada com a Rússia será a Pérsia (Ez 38.5). Isso se refere ao antigo domínio da Pérsia, hoje conhecido como Irã. O segundo aliado é chamado Etiópia. Esse nome é usado nas Escrituras nove vezes, de acordo com a concordância de Young, em referência à área na África, e onze vezes em referência à terra de Cuxe, região da Arábia. A The new Schaff-Herzog encyclopedia of religious knowledge define "Cuxe" desta maneira:

O nome da tribo e do lugar que aparece muitas vezes no Antigo Testamen­to, geralmente referido como "Etiópia", e até recentemente sempre consi­derado referente à região sul do Egito. Desde que foram decifradas as ins­crições cuneiformes da Assíria, da Babilônia e da Arábia, descobriu-se que a forma pode representar duas outras regiões e dois outros povos: 1) os habitantes de uma região ao leste da Babilônia central, há pouco conheci­dos como cassitas ou cossitas (gr., kossaioi), que governaram a Babilônia entre os séculos XVII e XII a.C [...] 2) uma terra e um povo no norte da Arábia.(Samuel Macauley Jackson, org., New Schaff-Herzog encyclopedia of religious knowledge, III, p. 328)
A conclusão de Bauman é:

Já que Ezequiel descreve Gogue: "Virás, pois, do teu lugar, das bandas do norte, tu e muitos povos contigo" (38.15); e já que "Cuxe" é um dos "muitos povos" mencionados que acompanham Gogue "das bandas do norte", fica evidente que o "Cuxe" da profecia de Ezequiel não era a "Etiópia" da África, mas um país situado em algum lugar contíguo à Pérsia.(Bauman, op. cit., p.31)


O terceiro aliado mencionado é a Líbia ou Pute. Embora isso seja identificado geralmente com a Líbia da África, Bauman observa:

... se a Líbia da África [...] é o que se tem em mente aqui, então para aliar-se às forças de Gogue o exército da Líbia teria de marchar diretamente pelas terras onde as forças hostis a Gogue estarão reunidas —um exército poderoso e inumerável. O exército teria de marchar para o leste pelo Egi­to, pela Arábia e pela Palestina até a terra de Gogue, e depois retornar e marchar de volta com Gogue para a terra da Palestina a fim de lutar com os inimigos que Gogue deve enfrentar! [...]

Se John D. Davis, em seu Dicionário da Bíblia, está certo, e "Pute" se encontra ao sul ou sudeste de "Cuxe", e o "Cuxe" da profecia é adjacente à Pérsia, não devemos achar que o povo de "Pute" [...] sairá da mesma parte da terra de onde virá o resto das nações que se reunirão na grande "confederação nordeste"? (Ibid., p. 32)
Logo, Pute pode estar localizada adjacentemente à Pérsia ou ao Irã.

O quarto aliado mencionado é Gômer. Parece haver evidência para apoiar a teoria de que isso se refere à atual Alemanha. Gaebelein diz:

Informação valiosa é dada no Talmude; Gômer é referido ali como os germani, os alemães. O fato de os descendentes de Gômer terem migrado para o norte e se fixado em partes da Alemanha parece ser bem demons­trado.(Gaebelein, op. cit., p. 259)
Essa identificação é apoiada pela maioria dos comentaristas e historia­dores.(Cf. Bauman, op. cit., p. 34-6)

O quinto aliado da Rússia é denominado Togarma. É geralmente identificado como a Turquia ou a Armênia, apesar de estender-se um pouco até incluir a Ásia Central. Sobre esse povo Rimmer escreve:

Geograficamente, Togarma sempre foi a terra que agora denominamos Armênia. É assim chamada nos registros da Assíria. Tenho certeza de que nenhuma pessoa informada tenderia a desafiar essa identificação especí­fica, já que as crônicas assírias são amplamente apoiadas por escritores antigos como Tácito. Aliás, toda a literatura armênia refere-se à terra e ao seu povo como "A Casa de Togarma", e eles têm uma tradição ininterrupta que antecede sua literatura em vários séculos, ligando-os ao neto de Jafé. (Harry Rimmer, The coming war and the rise of Rússia, p. 62)
Bauman acrescenta:

Togarma, talvez as tribos turcomanas da Ásia central, junto com a Sibéria, os turcos e os armênios.

Togarma e todos os seus bandos [...] dificilmente serão outros senão as grandes tribos siberianas que se espalham do norte da Ásia até o Oce­ano Pacífico.(Bauman, op. cit., p. 38)
Até onde esse povo se estende além da Turquia ou da Armênia não é possível apurar, mas ele pode incluir os povos federados à Rússia.

Com base na profecia de Ezequiel, aprende-se que haverá uma grande confederação, conhecida como a confederação do norte, sob a liderança de alguém que surge da terra de Magogue — a Rússia. Aliado à Rússia estarão o Irã (Pérsia), certos estados árabes (Pute ou Etiópia), a Alemanha e alguns povos asiáticos conhecidos como Togarma, que podem incluir uma união considerável de poderes asiáticos. Essa não é uma lista tão completa como se vê em Ezequiel 38.6: "e muito povos contigo". Essa profecia prevê uma considerável aliança de poderes jun­to com a Rússia que resistirá contra Israel e o Império Romano nos últimos dias.


B. Os reis do Leste. De acordo com Apocalipse 16.12, a Palestina, que se tornará o centro da atividade do líder romano e de seus exérci­tos, será invadida por um grande exército vindo dalém do Eufrates e conhecido como as forças dos "reis do Leste". Isso representa uma se­gunda grande aliança de poderes que desafia a autoridade da besta. Com relação à passagem de Apocalipse, Scott escreve:

O Eufrates formou o limite no leste da conquista romana e a fronteira leste da Palestina ampliada do futuro. Ele sempre foi uma barreira geo­gráfica — uma defesa natural que separa o oeste do leste [...] A barreira é retirada por esse ato de juízo, para que as nações orientais possam lançar seus exércitos mais rapidamente sobre Canaã.

[...] a razão do juízo divino sobre o rio é "para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol" [...] não é o rei do Leste, mas do lado do leste — povos do lado oriental do Eufrates — que estão em questão. (Scott, op. cit., p. 331-2)
Então podemos concluir que a segunda grande força em oposição aos gentios será composta pela união das nações na Ásia, que se ajuntam contra a ameaça do domínio mundial pelo cabeça do Império Romano.
C. O rei do Sul. Um terceiro poder em conflito com o Império Ro­mano é o rei do Sul, mencionado em Daniel 11.40. Esse poder avança sobre a Palestina e inicia um movimento de nações que resulta na sua destruição. Evidentemente o rei do Sul está aliado ao rei do Norte, pois eles invadem a Palestina simultaneamente (Dn 11.40). Há uma concordância geral entre os intérpretes de que o rei do Sul se refere ao Egito, visto que o Egito é com freqüência mencionado nas Escrituras como a terra ao sul.

Ao estudar a união das nações gentílicas no período da tribulação, descobrimos:

1) uma federação de nações de dez reinos que se tornou a forma final do quarto reino ou Império Romano sob a liderança da bes­ta (Ap 13.1-10);

2) uma confederação do norte, a Rússia e seus aliados;

3) uma confederação do leste ou asiática e

4) um poder da África do Norte.

Os movimentos desses quatro poderes aliados contra a Palesti­na no período da tribulação são afirmados claramente nas Escrituras e constituem um dos principais temas proféticos.

V. A Pessoa e o Ministério da Besta, o Cabeça do Império

As Escrituras falam muito sobre o indivíduo que aparecerá no fim dos tempos como cabeça dos poderes gentílicos na federação de dez reinos. Sua pessoa e seu trabalho são apresentados em Ezequiel 28.1-10; Daniel 7.7,8,20-26; 8.23-25; 9.26,27; 11.36-45; 2Tessalonicenses 2.3-10; Apocalipse 13.1-10; 17.8-14. Uma síntese de verdades nessas passa­gens revelará os seguintes fatos relativos às suas atividades:

1) Ele en­trará em cena nos "últimos dias" da história de Israel (Dn 8.23).

2) Ele não aparecerá até o dia do Senhor ter começado (2 Ts 2.2).

3) Sua mani­festação está sendo impedida pelo Detentor (2 Ts 2.6,7).

4) Esse apareci­mento será precedido por um afastamento (2 Ts 2.3), que pode ser inter­pretado como um afastamento da fé ou um afastamento dos santos para a presença do Senhor (2 Ts 2.1).

5) Ele é um gentio. Já que ele surge do mar (Ap 13.1) e já que o mar retrata as nações gentias (Ap 17.15), ele deve ter origem gentílica.

6) Ele surge do Império Romano, já que é um governador do povo que destruiu Jerusalém (Dn 9.26).

7) Ele é o cabeça da forma final de governo gentílico mundial, pois é como um leopardo, um urso e um leão (Ap 13.1). (Cf. Dn 7.7,8,20,24; Ap 17.9-11.) Como tal, ele é um líder político. As sete cabeças e os dez chifres (Ap 13.1; 17.12) estão confederados sob a sua autoridade.

8) Sua influência é mundial, pois governa sobre todas as nações (Ap 13.8). Essa influência surge por meio da aliança que ele faz com as outras nações (Dn 8.24; Ap 17.12).

9) Ele eliminou três reis antes de chegar ao poder (Dn 7.8,24). Um dos reinos sobre os quais ele tem autoridade foi reavivado, porque uma das cabeças, que representa um reino ou rei (Ap 17.10), foi curada (Ap 13.3).

10) Seu surgimento se dá por meio de seu plano de paz (Dn 8.25).

11) Ele será marcado pessoalmente por sua inteligência e persuasão (Dn 7.8,20; 8.23) e também por sua sutileza e astúcia (Ez 28.6), e logo sua posição sobre as nações será estabelecida pelo consentimento delas (Ap 17.13).

12) Ele governa sobre as nações confederadas com autoridade absoluta (Dn 11.36), e é visto fazendo sua própria vontade. Essa autori­dade é manifestada por meio da mudança de leis e costumes (Dn 7.25).

13) Seu interesse principal está na força e no poder (Dn 11.38).

14) Como cabeça do império federado, ele faz uma aliança de sete anos com Israel (Dn 9.27), que é quebrada após três anos e meio (Dn 9.27).

15) Ele intro­duz uma adoração idólatra (Dn 9.27), na qual se coloca como deus (Dn 11.36,37; 2Ts 2.4; Ap 13.5).

16) Ele é descrito como um blasfemador por causa da usurpação da deidade (Ez 28.2; Dn 7.25; Ap 13.1,5,6).

17) Ele é energizado por Satanás (Ez 28.9-12; Ap 13.4), recebe dele sua autorida­de e é controlado pelo orgulho do diabo (Ez 28.2; Dn 8.25).

18) Ele é o cabeça do sistema imoral de Satanás (2 Ts 2.3) e sua declaração de poder e divindade é provada por sinais feitos pelo poder satânico (2 Ts 2.9-19).

19) Ele é recebido como Deus e como governante por causa da cegueira do povo (2 Ts 2.11).

20) Esse governante torna-se o grande adversário de Israel (Dn 7.21,25; 8.24; Ap 13.7).

21) Haverá uma aliança contra ele (Ez 28.7; Dn 11.40,42), a qual desafiará sua autoridade.

22) No conflito re­sultante, ele ganhará controle sobre a Palestina e sobre o território adja­cente (Dn 11.42) e fará sua sede em Jerusalém (Dn 11.45).

23) Quando chegar ao poder, esse governante será elevado por meio da prostituta, o sistema religioso corrupto que, em seguida, tentará dominá-lo (Ap 17.3).

24) Esse sistema é destruído pelo governante para que possa go­vernar sem impedimentos (Ap 17.16,17).

25) Ele se torna o adversário especial do Príncipe dos Príncipes (Dn 8.25), de Seu plano (2 Ts 2.4; Ap 17.14) e de Seu povo (Dn 7.21,25; 8.24; Ap 13.7).

26) Embora ele se man­tenha no poder por sete anos (Dn 9.27), sua atividade satânica está li­mitada à última metade do período da tribulação (Dn 7.25; 9.27; 11.36; Ap 13.5).

27) Esse governo será eliminado por um juízo direto de Deus (Ez 28.6; Dn 7.22,26; 8.25; 9.27; 11.45; Ap 19.19,20). Esse juízo acontecerá quando ele estiver ocupado em uma campanha militar na Palestina (Ez 28.8,9; Ap 19.19), e ele será lançado no lago de fogo (Ap 19.20; Ez 28.10).

28) Esse juízo acontecerá na segunda vinda de Cristo (2 Ts 2.8; Dn 7.22) e constituirá uma manifestação da Sua autoridade messiânica (Ap 11.15).

29) O reino sobre o qual ele governou passará para a autoridade do Messias e se tornará o reino dos santos (Dn 7.27).

Muitos nomes e títulos são dados a esse indivíduo nas Escrituras. Artur W. Pink dá uma lista de nomes que se aplicam a ele (Arthur W. Pink, The Antichrist, p. 59-75): o sangui­nário e fraudulento (Sl 5.6), o perverso (Sl 10.2-4), o homem da terra (Sl 10.18), o homem poderoso (Sl 52.1), o inimigo (Sl 55.3), o adversário (Sl 74.8-10), o líder de muitas nações (Sl 111.6), o homem violento (Sl 140.1), o assírio (Is 10.5-12), o rei da Babilônia (Is 14.4), a estrela da manhã (Is 14.12), o destruidor (Is 16.4,5; Jr 6.26), a estaca (Is 22.25), o hino triunfal dos tiranos (Is 25.5), o profano e perverso príncipe de Israel (Ez 21.25-27), o pequeno chifre (Dn 7.8), o príncipe que há de vir (Dn 9.26), o homem vil (Dn 11.21), o rei que fará segundo a sua vontade (Dn 11.36), o pastor inútil (Zc 11.16,17), o homem da iniqüidade (2 Ts 2.3), o filho da perdição (2 Ts 2.3), o iníquo (2 Ts 2.8), o anticristo (l Jo 2.22), o anjo do abismo (Ap 9.11), a besta (Ap 11.7; 13.1). A esses podem ser acrescenta­dos: aquele que vem em seu próprio nome (Jo 5.43), o rei de feroz catadura (Dn 8.23), o abominável da desolação (Mt 24.15), o assolador (Dn 9.27). Assim, é possível ver quão extensa a revelação desse indiví­duo é. Não é de admirar, já que essa é a obra-prima de Satanás na sua tentativa de imitar o plano de Deus.


A. A besta será um indivíduo ressurrecto? Com base em Apocalipse 13.3 e 17.8, muitos expositores acreditam que a besta que governará terá muitos seguidores porque sofreu a morte e ressuscitou pelas mãos de Satanás. Alguns acreditam que a besta será a reencarnação de Nero. Outros insistem em que será Judas restaurado à vida. (Pink, op. cit., p. 50-5) E outros ainda afirmam que ele será um indivíduo ressurrecto, sem tentar identificá-lo. (Newell, op. cit., p. 186; Joseph Seiss, The Apocalypse, n, p. 397-400)

Surge a questão então se esse é um indivíduo ressurrecto em quem é imitado o milagre da morte e da ressurreição de Cristo. Embora se mencione que ele provém da atividade satânica (Ap 13.2), tem uma ferida mortal que foi curada (Ap 13.3) e surge do abismo (Ap 17.8), parece melhor não interpretar isso como morte e ressurreição por várias razões.

1) Em Apocalipse 13.3 e 17.8 a besta é descrita como o reino composto. A referência à cura parece ser o reaparecimento, no reino gentílico, de um poder que estava morto havia muito tempo.

2) Satanás é chamado "anjo do abismo" em Apocalipse 9.11, de modo que Apocalipse 17.8 não ensina que o cabeça do império saiu do abismo, mas sim que o próprio império foi trazido "do abismo" ou por Satanás.

3) As Escrituras revelam que os homens são levantados do túmulo pela voz do Filho de Deus.

Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo (Jo 5.28,29).


Satanás não tem o poder de dar a vida. Já que apenas Cristo tem o poder de ressurreição, Satanás não poderia fazer alguém reviver. 4) Os ímpios não são ressuscitados até o grande Trono Branco (Ap 20.11-15). Se um ímpio fosse ressuscitado nessa hora, isso transtornaria o plano de ressurreição divinamente ordenado de Deus. 5) Já que todas as refe­rências a esse indivíduo o apresentam como homem, não como ser so­brenatural, parece impossível acreditar que ele é um indivíduo ressurrecto. Conclui-se então que a besta não será um indivíduo ressurrecto.
B. A destruição da besta. É estranho que quase todas as passagens que mencionam as atividades da besta também incluam uma adver­tência quanto à sua destruição final. Isso deve ocupar grande espaço no plano de Deus. Seu fim é visto em Ezequiel 21.25-27; 28.7-10; Daniel 7.11,27; 8.25; 9.27; 2Tessalonicenses 2.8; Apocalipse 17.11; 19.20; 20.10. Embora examinemos posteriormente os acontecimentos que levam à sua destruição, devemos observar aqui que Deus destruirá violenta­mente essa obra-prima satânica de ilusão e de imitação no reino gentílico. Pink escreve:

As Escrituras registram solenemente o fim de várias personagens augustas e más. Algumas são destruídas pelas águas; algumas, devora­das pelas chamas; algumas, engolidas pelas mandíbulas da terra; algu­mas, atingidas por uma doença fatal; algumas, massacradas com gran­de desonra; algumas, enforcadas; algumas, comidas por cães; algumas, consumidas por vermes. Mas a nenhum habitante pecador da terra, com exceção do homem da iniqüidade, "o ímpio", foi reservada a terrível distinção de ser consumido pelo resplendor da aparição pessoal do pró­prio Jesus Cristo. Tal será sua destruição inédita, um fim que atingirá o clímax graças à sua origem desprezível, sua carreira brilhante e sua ini­qüidade incomparável. (Pink, op. cit., p. 119-20)



VI. A Pessoa e o Ministério do Falso Profeta, o Líder Religioso

Associado diretamente à besta, o cabeça do império federado, há outro indivíduo, conhecido como o "falso profeta" (Ap 19.20; 20.10), chamado "a segunda besta" em Apocalipse 13.11-17, em que é dada sua descrição completa. Essa passagem das Escrituras mostra alguns importantes fatores relacionados que devem ser observados:

1) Esse indivíduo é evidentemente um judeu, já que surge da terra, ou da terra seca, que é a Palestina (13.11);

2) é influente nos negócios religiosos (13.11, "dois chifres, parecendo cordeiro");

3) é motivado por Satanás como é a primeira besta (13.11);

4) tem uma autoridade delegada (13.12, "a autoridade da primeira besta");

5) promove a adoração da primeira besta e convence a terra a adorar a primeira besta como se fosse Deus (13.12);

6) seu ministério é autenticado pelos sinais e milagres que ele faz, evidentemente provando que ele é o Elias que estava por vir (13.13,14);

7) tem sucesso em enganar o mundo incrédulo (13.14);

8) a adoração promovida é uma adoração idólatra (13.14,15);

9) tem o poder da morte para convencer homens a adorar a besta (13.15);

10) tem a autoridade no meio econômico para controlar todo o comércio (13.16,17);

11) tem uma marca que estabelecerá sua identidade para os que vive­rem naquela época (13.18).
Podemos observar que, ao comparar a segunda besta à primeira, o Apocalipse a apresenta como serva da primeira. Ela é chamada de "falso profeta" (Ap 16.13; 19.20; 20.10), que ministra juntamente com a pri­meira besta como seu profeta ou porta-voz. Somos apresentados, então, a uma trindade satânica, demoníaca, ou a trindade do inferno: o dragão, a besta e o falso profeta (Ap 16.13). O lugar ocupado por Deus no Seu plano é assumido por Satanás, o lugar de Cristo é ocupado pela primeira besta, o ministério do Espírito Santo é desempenhado pelo falso profeta.

VII. A RELAÇÃO ENTRE O ANTICRISTO E AS DUAS BESTAS

A palavra anticristo aparece somente nas Epístolas de João. É usa­da em l João 2.18,22,4.3 e 2 João 7. Um estudo dessas referências revela­rá que João está preocupado principalmente com um erro imediato de doutrina — a negação da pessoa de Cristo. A ênfase não está na revela­ção futura de um indivíduo, mas sim na manifestação presente da falsa doutrina. Para João o anticristo já estava presente. Surge então a ques­tão referente à relação entre o "anticristo" das epístolas de João e as bestas do Apocalipse.

O prefixo anti- pode ser usado tanto no sentido de "em vez de" quanto no sentido de "contra". Aldrich observa corretamente:

A solução do problema da identificação do anticristo parece depender do esclarecimento da questão de ser ele fundamentalmente o grande inimi­go de Cristo ou o falso cristo. (Aldrich, op. cit., p. 39)


Thayer fundamenta a existência dessas possibilidades quando diz que a preposição tem dois usos básicos: primeiro, contra ou oposto a; e, em segundo lugar, uma troca, em vez de ou no lugar de. (Joseph Henry Thayer, Greek-English lexicon of the New Testament, p. 49) Um estudo das cinco aplicações de anticristo nas epístolas de João parece mostrar clara­mente a idéia de oposição e não a de troca. Trench observa:

Para mim as palavras de João parecem decisivas como indicação de que a resistência a Cristo e o desafio a Ele, isso, e não alguma assimilação enga­nosa de Seu caráter e trabalho, é a marca essencial do anticristo; logo, é isso que devemos esperar encontrar incorporado ao seu nome [...] e nesse sentido, se não todos, pelo menos muitos dos Pais compreendiam a pala­vra. (Richard C. Trench, Synonyms of the New Testament, p. 107)


A palavra anticristo parece contrapor-se a "falso cristo" nas Escri­turas. Essa palavra é usada em Mateus 24.24 e em Marcos 13.22. Quan­to ao contraste entre as palavras, o mesmo autor diz:

O [Pseudochristos, falso cristo] não nega ser cristo; pelo contrário, ele se ba­seia nas expectativas que o mundo tem de tal pessoa; ele tão-somente se apropria delas, afirmando com blasfêmia que ele é o Prometido, em quem as promessas de Deus e as esperanças dos homens são realizadas [...]

A diferença, então, está clara [...] [antichristos, anticristo] nega que há um Cristo; [...] [Pseudochristos, falso Cristo] afirma ser Cristo. (Ibid., p. 108)
Parece que João tem em mente a idéia de oposição, em vez da idéia de substituição. Essa idéia de oposição direta a Cristo parece ser a caracte­rização específica da primeira besta, pois ela coloca seu reino contra o reino do Filho de Deus. Se o anticristo deve ser identificado com algu­ma das duas bestas, é com a primeira. (Cf. Newell, op. cit., p. 195-201 sobre argumentos que apóiam essa teoria) No entanto, talvez João não esteja fazendo referência a nenhuma das duas bestas, mas sim ao siste­ma ilícito que as caracterizará (2 Ts 2.7). Já que ele está realçando o peri­go de um abandono doutrinário atual, ele os lembra de que tal é o ensinamento da filosofia do anticristo de Satanás, que Paulo acreditava já estar em ação (2 Ts 2.7).

Sem dúvida essa filosofia do anticristo gerada por Satanás, mencionada por João, culminará nas bestas e em seus mi­nistérios conjuntos, quando a primeira besta estará em oposição direta a Cristo como alguém que cumpre falsamente a aliança de dar a Israel sua terra, e a segunda besta assumirá o lugar de liderança no meio reli­gioso que pertence por direito a Cristo. Mas João não tenta identificar nenhuma das bestas como o anticristo, mas sim advertir àquele que negar a pessoa de Cristo que estará trilhando o caminho que por fim desembocará na manifestação do sistema ímpio de atividades de ambas as bestas. Elas, na sua unidade corporativa, são o ápice da impiedade.



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