Manual de Escatologia



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Capítulo 20 - A campanha do Armagedom

Os "reis da terra e de todo o mundo" serão reunidos pela atuação da trindade do inferno para a chamada "peleja do grande dia do Deus Todo-poderoso" (Ap 16.14). Esse ajuntamento das nações da terra acon­tecerá num lugar chamado Armagedom (Ap 16.16). Lá Deus julgará as nações por haverem perseguido Israel (Jl 3.2), por causa de sua iniqüi­dade (Ap 19.15) e por causa da sua impiedade (Ap 16.9).

Defende-se, comumente, que a batalha de Armagedom também é um acontecimento isolado que ocorrerá logo antes da segunda vinda de Cristo à terra. A extensão desse grande movimento no qual Deus lida com "os reis do mundo inteiro" (Ap 16.14) não será percebida a menos que se compreenda que a "peleja do grande dia do Deus Todo-poderoso" (Ap 16.14) não é uma batalha isolada, mas uma campanha que se estende pela última metade do período tribulacional.

A palavra grega polemos, traduzida por "peleja" em Apocalipse 16.14, significa guerra ou campanha, enquanto machê significa batalha, e às vezes um único combate. Essa distinção é observada por Trench (Richard C. Trench, New Testament synonyms, p. 301-2) e seguida por Thayer (Joseph Henry Thayer, Greek-English lexicon of the New Testament, p. 528) e Vincent. (Marvin R. Vincent, Word studies in the New Testament, n, p. 541) O uso da palavra polemos (campanha) em Apocalipse 16.14 significaria que os acontecimentos que culminam no ajuntamen­to em Armagedom na segunda vinda são vistos por Deus como uma campanha unificada.


A. A localização da campanha. O monte Megido, situado a oeste do rio Jordão no centro-norte da Palestina, a cerca de quinze quilômetros de Nazaré e a vinte e cinco quilômetros da costa do Mediterrâneo, encontra-se numa planície onde ocorreram muitas das batalhas de Israel. Lá, Débora e Baraque derrotaram os cananeus (Jz 4 e 5). Gideão triun­fou sobre os midianitas (Jz 7). Lá, Saul foi morto na batalha com os filisteus (I Sm 31.8). Acazias foi morto por Jeú (2Rs 9.27). E, lá, Josias foi morto na invasão pelos egípcios (2Rs 23.29,30; 2Cr 35.22). Vincent diz:

Megido localizava-se na planície de Esdrelom, "que foi o local escolhido para o acampamento, em todas as batalhas travadas na Palestina desde os dias de Nabucodonosor, rei da Assíria, até a desastrosa marcha de Napoleão Bonaparte, do Egito até a Síria. Judeus, gentios, Sarracenos, cru­zados, franceses anticristãos, egípcios, persas, drusos, turcos e árabes, guerreiros de todas as nações debaixo do céu, armaram suas tendas nas planícies de Esdrelom e contemplaram seus estandartes nacionais ume­decidos pelo orvalho de Tabor e de Hermom". (Ibid., n, p. 542-3.)


Existem várias outras localidades geográficas na campanha.

1) Joel 3.2,13 fala dos acontecimentos que ocorrerão no "vale de Josafá", que parece ser uma área extensa a leste de Jerusalém. Ezequiel 39.11 fala do "vale dos viajantes", que pode referir-se à mesma área que o vale de Josafá, visto que era uma rota de saída de Jerusalém.

2) Isaías 34 e 63 retratam a vinda do Senhor de Edom ou Iduméia, sul de Jerusalém, quando Ele retornar do julgamento.

3) A própria Jerusalém é vista como o centro do conflito (Zc 12.2-11; 14.2).


Desse modo, a campanha esten­de-se das planícies de Esdrelom ao norte, atravessando Jerusalém, até o vale de Josafá a leste e Edom ao sul. A vasta área abrange toda a Palestina, e essa campanha, com todas as suas partes, confirmaria o que Ezequiel retrata quando diz que os invasores cobrirão a terra (Ez 38.9,16). Essa área se conformaria à extensão retratada por João em Apocalipse 14.20. A conclusão de Sims é bem formulada:

... parece que, pelas Escrituras, a última grande batalha do grande dia do Deus Todo-poderoso se alastrará para bem além de Armagedom ou vale de Megido. Armagedom parece ser apenas o local em que as tropas se reunirão vindas dos quatro cantos da terra, e de lá a batalha se espalhará por toda a Palestina. Joel fala dessa última batalha sendo travada no vale de Josafá, que fica perto de Jerusalém, e Isaías mostra o Cristo vindo com as vestimentas manchadas de sangue "de Edom", que fica ao sul da Pa­lestina.

Então a batalha de Armagedom se estenderá desde o vale de Megido no norte da Palestina, através do vale de Josafá, perto de Jerusalém, até Edom no extremo sul da Palestina. Com isso concordam as pala­vras do profeta Ezequiel, de que os exércitos dessa grande batalha virão "para cobrir a terra". O livro do Apocalipse também fala que o sangue correrá dos freios dos cavalos por 1 600 estádios, e foi observado que 1 600 estádios cobrem toda a extensão da Palestina. Mas Jerusalém sem dúvida será o centro de interesse durante a batalha de Armagedom, pois a Palavra de Deus diz: "Reunirei todas as nações contra Jerusalém para a batalha". (A. Sims, The coming war and the rise of Rússia, p. 7.)
B. Os participantes da campanha. A coligação das nações durante o perí­odo tribulacional já foi abordada. Vimos que haverá quatro grandes pode­res mundiais:

1) a federação de dez reinos sob a liderança da besta, que constitui a forma final do quarto grande império mundial;

2) a federação do norte, a Rússia e seus aliados;

3) os reis do Leste, povos asiáticos de além do Eufrates e

4) o rei do Sul, poder ou coligação de poderes do norte da África. Deve ser acrescentado outro grande poder, em virtude de sua participação ativa na campanha:

5) o Senhor e seus exércitos celestiais. Embora a hostilidade dos quatro primeiros seja de uns contra os outros e contra Israel (Zc 12.2,3; 14.2), é particularmente contra o Deus de Israel que eles lutam (Sl 2.2; Is 34.2, Zc 14.3; Ap 16.14; 17.14; 19.11,14,15,19,21).



I. A Invasão pela Confederação do Norte

Segundo Daniel 9.26,27, o príncipe do Império Romano fará uma aliança com Israel por um período de sete anos. Essa aliança evidente­mente restaura Israel a uma posição dentre as nações do mundo e sua integridade é garantida pelos poderes romanos. Essa não é apenas uma tentativa de resolver a longa disputa entre as nações com respeito à reivindicação de posse da terra palestina por Israel, mas também uma imitação satânica do cumprimento da aliança abraâmica que conferiu a Israel o título à terra. Essa ação é retratada por João (Ap 6.2) como um cavaleiro saindo para conquistar, a quem é dada soberania mediante negociações pacíficas. Essa condição persistirá por três anos e meio, após os quais a aliança será quebrada pelas autoridades romanas, e o período conhecido como grande tribulação (Mt 24.21) terá início.

Essa tribulação na terra é, evidentemente, provocada por Satanás, que será lançado do céu para a terra no meio do período tribulacional (Ap 12.9). Ele sai em grande ira (Ap 12.12) para atacar o restante de Israel e os santos de Deus (Ap 12.17). A atividade satânica que move as nações naqueles dias é claramente descrita por João quando diz:

Então, vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs; porque eles são espíri­tos de demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande dia do Deus Todo-poderoso (Ap 16.13,14).


Isso não quer dizer que esse período não seja o da ira de Deus sobre os homens pecadores, antes mostra que, para derramar Sua ira, Deus permite que Satanás, em sua ira, execute um plano contra o mundo inteiro.

Existem inúmeras teorias a respeito dos acontecimentos na cam­panha de Armagedom:

1) Armagedom será um conflito entre o Impé­rio Romano e a confederação do norte; (Cf. L. Sale-Harrison, The resurrection of the old Roman Empire, p. 108-10)

2) será um conflito entre o Im­pério Romano e os reis do Leste, ou poderes asiáticos;(Harry A. Ironside, Lectures on Daniel the prophet, p. 215-6)

3) Armagedom será um conflito entre todas as nações e Deus; (William Pettingill, God's prophecies for plain people, p. 109-10)

4) será um conflito entre os quatro grandes poderes mundiais; (Alva J. McClain, The four great powers of the end time, p. 3)

5) será um conflito entre o Impé­rio Romano, a Rússia e os poderes asiáticos; (Milton B. Lindberg, Gog all Agog, p. 31)

6) excluirá a Rússia, mas ocorrerá entre os poderes romano, oriental e setentrional, (W. W. Fereday, Armageddon, Our Hope, XLVII: 397-401, Dec. 1940) com base na teoria de que Ezequiel 38 e 39 ocorrem no milênio;

7) a Rússia será a única agressora em Armagedom, (Harry Rimmer, The coming war and the rise of Rússia, p. 27) com base na teoria de que não ha­verá uma forma avivada do Império Romano.

Podemos observar a gran­de divergência de opiniões a respeito da cronologia de acontecimentos nessa campanha.

A grande mobilização de exércitos no conflito de Armagedom co­meça com a invasão da Palestina pelos reis do Norte e do Sul (Dn 11.40). O líder do Império Romano e o líder do estado israelita estão de tal modo unidos em aliança (Dn 9.27), que um ataque contra um significa um ataque contra o outro. Com essa invasão se iniciam os aconteci­mentos da campanha, que abalarão o mundo inteiro. Esse movimento inicial é apresentado em Ezequiel 38.1-39.24.

Os poderes representados nesse capítulo já foram identificados como a Rússia e seus satélites. Logo, basta apenas resumir os acontecimentos. Existe consenso entre os estudiosos da Bíblia a respeito do esboço dos acontecimentos. A Rússia faz uma aliança com a Pérsia, a Etiópia, a Líbia, a Alemanha e a Turquia (v. 2,5,6). Pelo fato de Israel parecer presa fácil (v. 11), essa confederação decide invadir a terra para saqueá-la (v. 12). Faz-se um protesto contra essa invasão (v. 13), o qual é, contudo, desprezado. A extensão da invasão deve ser apreendida em trechos paralelos, pois Ezequiel omite o progresso da invasão, mas tra­ta da destruição do invasor nas montanhas de Israel (39.2-4) em conseqüência de uma intervenção divina mediante uma convulsão da natu­reza (38.20-22). Sete meses são gastos para retirar os mortos (39.12) e sete anos são necessários para retirar os escombros (39.9,10).

O profeta afirma que o cenário dessa destruição são as montanhas de Israel (39.2-4); o seu tempo é o "fim dos anos" (38.8) e os "últimos dias" (38.16). Essa destruição é um sinal para as nações (38.23) e para Israel (39.21-24).

Existem várias considerações que deixam claro que a invasão por Gogue (Ez 38) não é a mesma que a batalha de Armagedom (Ap 16.16).

1) Na batalha de Gogue, são mencionados aliados definidos, enquanto em Armagedom todas as nações estão unidas (Jl 3.2; Sf 3.8; Zc 12.3; 14.4).

2) Gogue vem do norte (Ez 38.6,15; 39.2), enquanto em Armagedom os exércitos vêm do mundo inteiro.

3) Gogue vem para saquear (Ez 38.11,12), enquanto em Armagedom as nações se unem para destruir o povo de Deus.

4) Há um protesto contra a invasão de Gogue (Ez 38.13), mas em Armagedom ele não ocorre, pois todas as nações estão unidas contra Jerusalém.

5) Gogue é o líder dos exércitos em sua invasão (38.7), mas em Armagedom é a besta quem a lidera (Ap 19.19).

6) Gogue é derrotado pelas convulsões da natureza (38.22), mas os exércitos em Armagedom são destruídos pela espada que sai da boca de Cristo (Ap 19.15).

7) Os exércitos de Gogue são colocados em ordem no campo aberto (Ez 39.5), enquanto em Armagedom são vistos na cidade de Je­rusalém (Zc 14.2-4).

8) O Senhor pede ajuda na execução de julga­mento sobre Gogue (Ez 38.21), enquanto em Armagedom Ele é retrata­do pisando sozinho o lagar (Is 63.3-6). (Cf. Louis Bauman, Rússia events in the light of Scripture, p. 180-4)

Dois movimentos distintos devem ser reconhecidos.
A. Identificação do tempo em geral. O primeiro problema a ser resol­vido é o problema do tempo dessa invasão.

1. Isso não se refere a um acontecimento passado na história de Israel. A partir dos detalhes fornecidos nos capítulos anteriores, é ób­vio que nenhuma invasão experimentada na história de Israel cumpre de forma completa essa profecia. No passado ocorreram invasões que trouxeram dificuldades para a terra e para o povo, mas nenhuma corresponde aos detalhes apresentados aqui.

2. Isso só pode referir-se a um acontecimento futuro na experiên­cia de Israel. Há uma série de considerações que apóiam essa visão.

a. O contexto do livro. O capítulo 37 lida com a reintegração da nação de Israel à sua terra. Ela é retratada como um processo gradual, pois o profeta a vê como um osso sendo juntado ao outro, amarrados por tendões e revestidos por pele. É uma reunião em meio à increduli­dade, pois o profeta observa que não existia vida na carcaça reunida (v. 8). O capítulo 40 nos leva à era milenar. Desse modo, os movimentos de Gogue e Magogue ocorrem, conforme o contexto, entre o início da rein­tegração de Israel à sua terra e a era milenar.

b. Declarações específicas desse trecho. Há duas referências ao ele­mento de tempo no capítulo 38. Ele ocorrerá "depois de muitos dias" (v. 8) e "nos últimos dias" (v. 16). Isso se refere especificamente aos últimos dias e à obra de Deus com a nação de Israel, que, por ocorrer antes da era milenar (cap. 40), deve passar-se durante o trato de Deus com Israel na septuagésima semana da profecia de Daniel.

c. Será depois do início da restauração, pois Israel já estará habi­tando sua própria terra (38.11). Isso indicaria que tal acontecimento ocor­re depois da aliança feita pelo "príncipe que virá", de Daniel 9.27.

d. Estará ligado à conversão de Israel, que é obviamente futura, pois a destruição do invasor é sinal de que a nação deve abrir os olhos para o Senhor (39.22). Visto que a retirada definitiva da cegueira não chega a essa nação até a segunda vinda, essa profecia deve ter uma relação definida com aquele advento.

e. A indicação de que a terra será reflorestada (39.10) confirma essa conclusão, pois Israel sempre dependeu de outras fontes para obter madeira.(I Reis 5.1-10)
Concluímos, então, pelo próprio texto, que os acontecimentos aqui mencionados devem ocorrer no futuro, numa ocasião em que Deus es­tiver tratando com Israel como nação.
B. O tempo em relação a acontecimentos específicos. A invasão apre­sentada em Ezequiel tem sido relacionada com quase todos os grandes acontecimentos proféticos. Algumas dessas posições devem ser exami­nadas a fim de apurarmos o mais cuidadosamente possível quando esse acontecimento se dará.

1. Alguns defendem, primeiramente, que a invasão ocorre antes do arrebatamento da igreja. Tal é a posição de David L. Cooper, que diz:

... é absolutamente impossível alguém localizar o cumprimento dessa pre­visão após a era milenar. Ele não pode ser colocado no início do milênio, nem no fim da tribulação. Deve estar, conseqüentemente, antes da tribu­lação porque não há outro lugar em que ele possa ocorrer, visto que as três outras datas sugeridas são impossíveis.

[...] haverá uma hora entre o presente e o início da tribulação na qual os judeus estarão habitando na terra das cidades sem muros e estarão em paz. (David L. Cooper, When Gog's armies meet the Almighty, p. 80-1)

Essa parece ser uma tese impossível por várias considerações. 1) O ensino do Novo Testamento sobre a iminência do arrebatamento im­possibilita que um acontecimento como esse tenha de ser cumprido antes.

2) O contexto da própria profecia declara que ele acontecerá "depois de muitos dias" (v. 8) e "nos últimos dias" (v. 16). Já que essa pro­fecia é voltada para Israel, os seus anos e dias é que devem estar sendo mencionados na profecia. Já que Israel e a igreja são dois grupos distin­tos com quem Deus trata, é impossível aplicar os últimos anos de Israel aos últimos anos da igreja.

3) Até onde podemos verificar, Israel não possuirá a terra nem terá o direito de retornar até que o "príncipe que há de vir" com ele faça aliança (Dn 9.27). Israel estará fora da terra, e Jerusalém será pisada pelas nações até que se cumpra o tempo dos gen­tios (Lc 21.24). Seria necessário, segundo essa teoria, afirmar que a ali­ança que dá a Israel uma falsa segurança tenha sido feita antes do arre­batamento, ou que o tempo dos gentios termina com o arrebatamento. Tal não é a indicação da Palavra.
2. Outros ensinam, em segundo lugar, que a invasão acontecerá no final da tribulação. Muitos estudiosos da Bíblia adotam essa interpreta­ção.(Cf. Bauman, op. cit., 174-5.) Contudo, parece haver dificuldades que impossibilitam a aceita­ção dessa posição.

1) O trecho de Ezequiel não menciona uma batalha. A destruição vem pelas mãos do Senhor, mediante uma convulsão da natureza (38.20-23). Mesmo que se provasse que a espada no versículo 21 é uma nação, é o Senhor que aparece como o agente dessa destrui­ção, em lugar de uma destruição bélica. Na conflagração de Armagedom haverá uma grande batalha entre o Senhor e suas tropas e as nações reunidas, da qual o Rei dos Reis surge como o vencedor.

2) Em Ezequiel a invasão é comandada pelo rei do Norte, com seus aliados, que possu­em número limitado. Em Zacarias 14 e Apocalipse 19 todas as nações da terra estão reunidas para a conflagração.

3) Em Ezequiel a destrui­ção ocorre nas montanhas de Israel (39.2-4). Os acontecimentos de Armagedom ocorrerão em Jerusalém (Zc 12.2; 14.2), no vale de Josafá (Jl 3.12) e em Edom (Is 63.1).

4) Em Ezequiel, Israel estará habitando sua terra em paz e segurança (38.11). Sabemos que, em Apocalipse 12.14-17, Israel não habitará a terra em paz e segurança durante a última metade da septuagésima semana, mas será o principal alvo do ataque de Satanás.

Desse modo, conclui-se que a invasão não pode ser identificada com os acontecimentos de Zacarias 14 e de Apocalipse 19 no final da tribulação.


3. Outros defendem ainda que a invasão acontecerá no início do milênio. Essa opinião é apresentada por Arno C. Gaebelein, que diz:

Quando acontecerá a invasão? Encontramos a resposta no texto. O versículo 8 declara que Gogue e Magogue e outras nações conjuntamente invadirão a terra "que se recuperou da espada, ao povo que se congregou dentre muitos povos"; eles vêm "sobre os montes de Israel [...] ". No versículo 11 o propósito maléfico do invasor é conhecido [...] Através de tudo isso, aprendemos que a invasão ocorre na hora em que o Senhor tiver tomado Seu povo de volta e restabelecido Seu relacionamento com o restante de Israel.

A invasão acontecerá algum tempo depois de o império da besta ser destruído [...] e de o falso profeta, o anticristo [...] terem sido julgados.

[...] Miquéias nos diz: "Este (Cristo) será a nossa paz. Quando a Assíria vier à nossa terra" (5.5). Tudo isso confirma a história de Ezequiel 38. (Arno C. Gaebelein, The prophet Ezekiel, p. 252-5)


Embora as passagens citadas pareçam comprovar a tese declarada acima, existem argumentos que provam que essa é uma explicação im­possível.

1) Ezequiel nos diz que a terra será poluída por cadáveres durante sete meses (39.12). Tal cena parece impossível em vista da purificação que será realizada no retorno do Messias.

2) Jeremias 25.32,33 afirma que o Senhor destruirá todos os ímpios da terra no Seu retorno. Isso é ampliado em Apocalipse 19.15-18. Parece impossível imaginar que tamanha multidão, como a descrita em Ezequiel, escape à destrui­ção na Sua vinda e logo em seguida O enfrente.

3) Em Mateus 25.31-46 todos os gentios são levados perante o juiz para saber quem entrará no milênio. Visto que nenhum descrente, quer judeu, quer gentio, entrará nesse reino, é impossível imaginar tal apostasia dos salvos que pudes­se cumprir a profecia de Ezequiel.

4) Isaías 9.4,5 prevê a destruição de todas as armas de guerra depois do início do milênio. Onde os exérci­tos do rei do Norte guardariam suas armas à luz dessa predição?

5) Isaías 2.1-4 declara que as guerras terminarão com a vinda de Cristo e a instituição do milênio.

6) De acordo com Apocalipse 20.1-3, Satanás será preso no início do milênio e, assim, não estará ativo para gerar tal movimento contra Israel.

7) Deus está começando a tratar com Israel no início da septuagésima semana depois da translação da igreja. Essa nação está sendo trazida novamente à sua terra (Ez 38.11; 37.1-28), ape­sar de sua descrença, a fim de preparar a nação, pela disciplina, para a vinda do Messias. Desse modo, Miquéias pode dizer corretamente que "este (Cristo) será nossa paz. Quando a Assíria vier à nossa terra" (5.5), apesar de esses acontecimentos só acontecerem antes da segunda vin­da de Cristo. A profecia de Miquéias não torna necessária a presença visível de Cristo, mas promete a Sua proteção.


4. Outros ainda ensinam que a invasão acontece no final do milê­nio. Os que defendem essa posição afirmam que Gogue e Magogue de Ezequiel e de Apocalipse 20.8 são os mesmos. Isso parece uma impossi­bilidade conforme as seguintes considerações:

1) Ezequiel menciona apenas uma coligação do norte na invasão. Em Apocalipse as nações da terra estão reunidas.

2) Em Ezequiel não há menção específica à ação de Satanás nem a seu aprisionamento por mil anos antes da invasão, embora ambos sejam ressaltados em Apocalipse.

3) O contexto de Ezequiel mostra que essa invasão ocorre antes da instituição do milê­nio. Em Apocalipse o milênio já dura mil anos quando a rebelião acon­tece.

4) Em Ezequiel os corpos dos mortos exigem sete meses para ser retirados (39.12). Em Apocalipse 20.9, é dito que os mortos serão "devorados" pelo fogo para que não precisem ser retirados.

5) Em Ezequiel a invasão é seguida pelo milênio (caps. 40-48). Em Apocalipse esse acon­tecimento é seguido pelo novo céu e nova terra. Certamente a nova terra não pode ser concebivelmente corrompida por cadáveres insepultos durante sete meses.

Assim, essas considerações tornam impossível a aceitação dessa teoria no que tange à hora da invasão.
5. Finalmente, acredita-se que a invasão acontecerá no meio da septuagésima semana. Parece haver várias indicações de que essa é a invasão da Palestina pelo rei do Norte no meio da semana que dispara o ataque satânico contra o povo com quem Deus está tratando, a nação de Israel, como relatado em Apocalipse 12.14-17.

a. A invasão acontece no momento em que Israel habita sua pró­pria terra (Ez 38.8). Não há informação de que Israel poderá ocupar a sua terra até a realização da aliança feita pelo "príncipe que há de vir", de Daniel 9.27. É evidente que alguém, dada a sua autoridade como líder do renascido Império Romano, busque solucionar a disputa árabe-israelense dando a Israel o direito de ocupar a terra. A invasão virá algum tempo depois da confirmação dessa aliança.

b. A invasão acontecerá quando Israel estiver habitando em paz sua terra (Ez 38.11). Os que acreditam que essa invasão ocorre no início do milênio interpretam essa paz como aquela prometida pelo Messias. Não existe nada no texto que indique que essa é a verdadeira paz messiânica. Ao contrário, parece ser uma falsa paz que será garantida para Israel por meio da aliança, chamada "vosso acordo com o além" em Isaías 28.18. Israel, então, continua incrédulo, pois não se tornará nação crente até a segunda vinda de Cristo. Essa reunião é apresentada em Ezequiel 37, e a condição sem vida da nação é claramente indicada no versículo 8. Não se pode dizer que Israel estará em paz no final da tribulação, pois a terra terá sido destruída pela invasão (Zc 14.1-3) e seu povo estará disperso (Zc 13.8,9). Ainda assim, a nação poderia estar habitando relativamente em paz a terra na primeira metade da sema­na. Cooper diz: "E bem possível que os primeiros julgamentos da tri­bulação não afetem a Palestina de modo que destruam a beleza e a prosperidade da terra". ( Cooper, op. cit., p. 84)

c. No capítulo 38 de Ezequiel há duas expressões que podem indi­car a hora da invasão. No versículo 8 aparece a expressão "no fim dos anos", e o versículo 16 fala nos "últimos dias" da história de Israel. Esses, é claro, não se referem aos "últimos dias" da igreja, pois Deus está lidando com Israel em Sua divina administração.

Existem várias expressões semelhantes que devem ser esclarecidas nesta altura. O termo último dia relaciona-se ao plano de ressurreição e de julgamento (Jo 6.39,40,44,54; 11.24; 12.48). O termo últimos dias rela­ciona-se à hora da glorificação, salvação e bênção de Israel na era do reino (Is 2.2-4; Mq 4.1-7). O termo fim dos anos relaciona-se ao tempo antes dos últimos dias ou era milenar, no qual ocorrerá o período tribulacional.

Em Deuteronômio 4.27 Moisés prevê a dispersão em vir­tude da infidelidade, mas promete a restauração. No versículo 30 ele diz: "Quando estiveres em angústia, e todas estas cousas te sobrevierem nos últimos dias... ". Aqui os "últimos dias" estão ligados à tribu­lação. Em Daniel 2.28 o profeta revela "o que há de ser nos últimos dias" e depois leva o reino até a forma final do poder mundial gentílico na septuagésima semana. Ao discutir a "indignação" de Daniel 8.19,23, o profeta fala de "no fim do seu reinado".

Mais uma vez em Daniel 10.14 o termo "últimos dias" é usado em referência aos acontecimentos que precedem a era milenar. A conclusão, já que Ezequiel usa essas expressões, é que os acontecimentos apresentados por esse profeta de­vem ocorrer dentro da septuagésima semana. Daniel 11.40 parece refe­rir-se ao mesmo período, pois o profeta situa esses acontecimentos "no tempo do fim". Essa expressão parece separar o acontecimento do pró­prio "final".



d. Muitos comentaristas interpretam Daniel 11.41 em referência à ocupação da terra da Palestina pela besta. O acontecimento que leva a besta a entrar na Palestina é a invasão da Palestina, ao norte, pelo rei do Norte (Dn 11.40). A aliança feita pela besta (Dn 9.27) evidentemente garante a Israel o direito à terra. É necessário algum acontecimento que provoque a abolição da aliança pela besta. Visto que a aliança é quebra­da no meio da semana (Dn 9.27) e a invasão do norte é vista como a causa desse rompimento (Dn 11.41), podemos concluir que essa inva­são ocorre no meio da semana.

e. É reconhecido que os acontecimentos da última metade da se­mana são ocasionados pela expulsão de Satanás do céu (Ap 12.7-13). Evidentemente, a primeira ação de Satanás em oposição a Israel é mo­tivar a sua invasão pelo rei do Norte. Esse é o início de uma grande campanha que começa no meio da semana e continua até a destruição dos poderes gentílicos no retorno do Senhor. A palavra traduzida por "batalha" em Apocalipse 16.14, de acordo com o dicionário de Thayer, seria mais bem traduzida por "campanha", pois isso implica mobilização de exércitos em contraste com uma batalha isolada. A observação, então, é que Deus vê todas as mobilizações de exércitos como uma gran­de campanha, que será terminada pela destruição desses exércitos no retorno de Cristo. Se essa interpretação for correta, a campanha será promovida no decorrer de três anos e meio.

f. Em Isaías 30.31-33; 31.8,9 e Miquéias 5.5 o invasor do norte é chamado "Assíria". Como a Assíria foi um instrumento nas mãos do Senhor para punir a iniqüidade de Israel, então o Senhor usará nova­mente o instrumento para o mesmo propósito. Esse castigo terá o mes­mo nome por causa da identidade de sua missão, a de punir Israel. Isaías 28.18 fala da "aliança com a morte" e o "acordo com o além" pelo qual Deus castigará Israel. Isso deve referir-se a Daniel 9.27, quando Israel busca a paz pelas mãos humanas e não pelas mãos do Senhor. Isaías diz que essa aliança os castigará: "quando o dilúvio do açoite passar, sereis esmagados por ele". O açoite não poderia ser manipula­do pela besta, pois ela fez a aliança, mas deve referir-se à invasão pela "Assíria", que será usada por Deus para punir Israel. A destruição da Assíria parece ser um paralelo da destruição dos exércitos de Gogue em Ezequiel 38 e 39 e, dessa maneira, são consideradas referências pa­ralelas. Deus não poderia punir Israel por essa falsa aliança antes que ela fosse firmada. Isso nos faz acreditar que tal invasão ocorre em al­gum momento no meio da semana.

g. Apocalipse 7.4-17 descreve uma multidão de judeus e gentios que serão salvos durante a tribulação. Alguém pode indagar, em vista da intensa perseguição contra qualquer cristão, como alguém conhece­rá Deus nesse período. Em Ezequiel 38.23 é revelado que a destruição dos exércitos de Gogue é usada como sinal para as nações, e em 39.21 se faz nova referência a esse fato. Em 39.22 o mesmo acontecimento é um grande sinal para Israel. Visto que o livro de Apocalipse retrata a salva­ção de muitas pessoas durante a tribulação, e não só no seu final, e visto que esse acontecimento profetizado por Ezequiel é usado como sinal para levar muitos ao Senhor, ele deverá ocorrer antes do final da tribulação e em alguma hora nesse período. A destruição, tão obvia­mente oriunda das mãos do Senhor, é usada pelo Senhor para tirar a cegueira e levar muitos ao Seu conhecimento.

h. Em Apocalipse 13.7 a besta é retratada com poder mundial. Isso se tornará verdade na sua manifestação como líder mundial em meio à tribulação. Surge a questão: "Como a besta terá o poder mundial se o poder da confederação setentrional ainda não foi quebrado?". O fato de

que a besta terá a autoridade sobre a terra no meio da semana apóia a tese de que o rei do Norte terá sido destruído. Tal destruição trará caos às condições mundiais, o qual unirá as nações conforme se vê no salmo 2, quando será formado o governo liderado pela besta. Visto que não pode­ria haver unidade entre as nações enquanto o rei do Norte estivesse ati­vo, essa unidade deve ser buscada depois de sua destruição.



i. Apocalipse 19.20 diz que o Senhor lidará especificamente com a besta e com o falso profeta na sua vinda. Por todo o Antigo e o Novo Testamento surgem três personagens que desempenharão papéis im­portantes no drama do "tempo dos gentios": a besta, o falso profeta e o rei do Norte ou Assíria. Deus precisa lidar com cada um deles antes que possa manifestar Sua autoridade mundial. Conforme demonstra­do, é impossível que o terceiro continue depois de iniciado o milênio. Deus terá de lidar com ele e com seus exércitos numa ocasião prévia.

j. A cronologia de vários trechos importantes que tratam desses acontecimentos parece apoiar essa tese. Isaías 30 e 31 tratam da destrui­ção do rei do Norte. Isso é seguido, em Isaías 33 e 34, pela destruição de todas as nações, e em Isaías 35 pela descrição do milênio. No livro de Joel encontramos a mesma cronologia. Joel 2 trata da invasão pelo exér­cito setentrional (v. 20), seguida da destruição das nações em Joel 3 e do milênio em 3.17-21.

Em ambos os trechos, a cronologia é a mesma. Os exércitos do norte são destruídos num momento separado, num movi­mento distinto, antes da destruição dos exércitos das nações, que será seguida pelo milênio. Situar os acontecimentos no meio da semana é a única posição coerente com a cronologia dessas passagens. Tais opini­ões nos levam à seguinte cronologia de acontecimentos:

1) Israel faz uma falsa aliança com a besta e ocupa sua terra com uma falsa seguran­ça (Dn 9.27; Ez 38.8,11).

2) Desejoso de obter despojos atacando uma presa fácil e motivado por Satanás, o rei do Norte invade a Palestina (Ez 38.11; Jl 2.1-21; Is 10.12; 30.31-33; 31.8,9).

3) A besta quebra a aliança com Israel e invade a terra (Dn 11.41-45).

4) O rei do Norte é destruído nas montanhas de Israel (Ez 39.1-4).

5) A Palestina é ocupada pelos exércitos da besta (Dn 11.45).

6) Nessa ocasião ocorre a grande coliga­ção que forma um governo único liderado pela besta (Sl 2.1-3; Ap 13.7).

7) Os reis do Leste são apresentados contra o exército da besta (Ap 16.12), evidentemente em conseqüência da dissolução do governo de Gogue.

8) Quando as nações da terra estiverem reunidas em torno de Jerusa­lém (Zc 14.1-3) e do vale de Josafá (Jl 3.2), o Senhor retornará e destruirá todos os poderes gentios do mundo a fim de que possa reinar sobre as nações. Isso é apresentado em Zacarias 12.1-9; 14.1-4; Isaías 33.1-34.17; 63.1-6; 66.15,16; Jeremias 25.27-33; Apocalipse 20.7-10.



II. A Invasão pelos Exércitos da Besta

A invasão da Palestina pela confederação do norte trará a besta e seus exércitos em defesa de Israel. Essa invasão é apresentada por Daniel:

... e entrará nas suas terras, e as inundará, e passará. Entrará também na terra gloriosa, e muitos sucumbirão, mas do seu poder escaparão estes: Edom e Moabe, e as primícias dos filhos de Amom. Estenderá a mão tam­bém contra as terras, e a terra do Egito não escapará. Apoderar-se-á dos tesouros de ouro e de prata e de todas as cousas preciosas do Egito; os líbios e os etíopes o seguirão. Mas, pelos rumores do oriente e do norte, será perturbado e sairá com grande furor, para destruir e exterminar a muitos. Armará as suas tendas palacianas entre os mares contra o glorio­so monte santo; mas chegará ao seu fim, e não haverá quem o socorra (Dn 11.40b-45).
É difícil saber as atividades das nações em tela nesse capítulo. Muitos acham que a invasão relatada acima é a do rei do Norte e do rei do Sul. Contudo, no versículo 36, é introduzido o "rei segundo a sua vontade", anteriormente descrito como a besta, e suas atividades parecem ser esboçadas da seguinte maneira: os versículos 40-45 não podem estar referindo-se às atividades das forças combinadas dos reis do Norte e do Sul, pois o pronome "eles" teria sido usado. Já que "ele" é usado, o trecho deve dizer respeito às próximas atividades do "rei segundo sua vontade". Sobre isso, Peters escreve:

"E entrará nas suas terras" — essa talvez seja a oração que tem provocado maior dificuldade entre os críticos, dada a súbita transição de uma pes­soa para a outra. Se nos confinássemos a essa profecia, seria impossível, pela linguagem, concluir qual rei entrará nesses países; se o rei do Norte, ou do Sul, ou do Império Romano, mas não somos deixados à mercê de conjecturas sobre esse assunto. O rei que é vitorioso na hora do fim pode ser identificado em Daniel 2 e 7 e em Apocalipse 17 como a quarta besta, o poder romano. Usando outras profecias como intérpretes, o pronome "ele" se refere ao poder romano sob seu último líder, que invadirá outros paí­ses, implicando que o rei do Sul e o rei do Norte não obtiveram sucesso contra ele. (G. N. H. Peters, Theocratic kingdom,II, p. 654)


Desse trecho, podem ser vistos vários aspectos a respeito dos mo­vimentos militares da invasão.

1) A movimentação militar se inicia quan­do o rei do Sul se volta contra a aliança besta-falso profeta (11.40), o que ocorre "no tempo do fim".

2) A confederação do norte alia-se ao rei do Sul e ataca a besta com uma grande força terrestre e marítima (11.40). Jerusalém é destruída por conseqüência desse ataque (Zc 12.2), e os exércitos da confederação do norte, por sua vez, são destruídos (Ez 39; Zc 12.4).

3) Todos os exércitos da besta entram na Palestina (11.41) e conquistam o território (11.41,42). Edom, Moabe e Amom escaparão. E, evidentemente, nessa hora que a aliança de Apocalipse 17.13 é forma­da.

4) Enquanto estiver estendendo seu domínio ao Egito, uma notícia alarmante é levada à besta (11.44). Pode ser a notícia da aproximação dos reis do Leste (Ap 16.12), que se reuniram, por causa da destruição da confederação do norte, a fim de desafiar a autoridade da besta.

5) A besta transfere seu quartel-general para a Palestina e lá reúne seus exér­citos (11.45). 6) Lá ocorrerá a sua destruição (11.45).



III. A Invasão pelos Exércitos do Leste

Apocalipse 16.12 revela que alguns acontecimentos sobrenaturais acabam por eliminar aquilo que evitava que os poderes asiáticos en­trassem na região da Palestina para desafiar a autoridade da besta. Walvoord escreve:

O ressecamento do Eufrates é um prelúdio do ato final do drama, não o próprio ato. Devemos concluir, então, que a interpretação mais provável do ressecamento do Eufrates é que por um ato de Deus seu escoamento será interrompido como aconteceu às águas do mar Vermelho e do rio Jordão. Dessa vez o caminho não será aberto para Israel, mas para os que são referidos como reis do Leste [...] A evidência aponta então para um interpretação literal de Apocalipse 16.12 em relação ao Eufrates.(John E Walvoord, The way of the kings of the east, Light for the world's darkness, p. 164)
A identificação dessas forças, representadas pelos reis do Leste, não pode ser confirmada com certeza. Mas sua vinda nos leva ao estágio final da campanha de Armagedom. Elas são levadas em direção às pla­nícies de Esdrelom, a fim de travar combate com os exércitos da besta.

IV. A Invasão do Senhor e Seus Exércitos

Com a destruição do rei do Sul pelos exércitos da besta e com a federação do norte destruída pelo Senhor nas montanhas de Israel, en­contramos duas forças no campo de batalha — os exércitos da besta e os exércitos dos reis do Leste. Antes que essa batalha possa ser travada, aparece nos céus um sinal, o sinal do Filho do homem (Mt 24.30). Seu sinal não é revelado, mas seu efeito é. Ele faz com que os exércitos aban­donem a hostilidade mútua e unam-se contra o próprio Senhor. João diz: "E vi a besta e os reis da terra, com os seus exércitos, congregados para pelejarem contra aquele que estava montado no cavalo e contra o seu exército" (Ap 19.19). Tal é o cenário das hostilidades finais apresen­tadas em Zacarias 14.3; Apocalipse 16.14; 17.14; 19.11-21. Nessa ocasião os exércitos da besta e do Leste são destruídos pelo Senhor (Ap 19.21).

Ao examinar toda a campanha de Armagedom, observamos os seguintes resultados:

1) os exércitos do Sul são destruídos na campa­nha;

2) os exércitos da confederação do Norte são destruídos pelo Se­nhor;

3) os exércitos da besta e do Leste são destruídos pelo Senhor na segunda vinda;

4) a besta e o falso profeta são lançados no lago de fogo (Ap 19.20);

5) incrédulos são eliminados de Israel (Zc 13.8);

6) os cren­tes são purificados graças a essas invasões (Zc 13.9);

7) Satanás é preso (Ap 20.2).

Dessa maneira, o Senhor destrói todas as forças hostis que desafiariam Seu direito de reinar como Messias sobre a terra.

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