Manual de Escatologia


Quinta Seção - As profecias relacionadas ao segundo advento



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Quinta Seção - As profecias relacionadas ao segundo advento




Capítulo 22 A história da doutrina do segundo advento

Aquilo que toda a Escritura almeja e para o que toda a história aponta é a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo a este mundo. Nesse momen­to serão cumpridos os propósitos de Deus pelos quais Seu Filho veio ao mundo. A redenção terá sido realizada e a soberania terá sido manifes­ta na terra. Grande quantidade de profecias está relacionada a essa vin­da e aos acontecimentos a ela associados.

Os intérpretes bíblicos dividem-se em várias escolas diferentes quanto à questão das doutrinas do quiliasmo. A questão do quiliasmo, por muito tempo considerada sem importância no campo dos estudos bíblicos e da interpretação das Escrituras, passou a ser encarada como uma das principais doutrinas dado o seu efeito determinante em todo o domínio da teologia.

Quiliasmo, assim chamado a partir do termo grego [...] [chilioi] — com o significado de "mil"— refere-se em sentido gerai à doutrina da era milenar ou do reino que ainda há de ser e, como citado na Enciclopédia britânica (14.a ed., s.v.), é "a crença de que Cristo retornará para reinar por mil anos...". A característica dessa doutrina é que Ele retornará antes dos mil anos e conseqüentemente caracterizará esses anos por Sua presença e pelo exercício de Sua justa autoridade, assegurando e sustentando na terra todas as bênçãos destinadas para esse período.

O termo quiliasmo tem sido substituído pela designação pré-milenarismo; e [...] há mais implícito no termo do que mera referência a mil anos. São mil anos interpostos entre a primeira e a segunda ressurreição da humanidade [...] Nesses mil anos [...] todas as alianças com Israel serão cumpridas [...] Toda a expecta­tiva do Antigo Testamento está em jogo, com seu reino terreno, a glória de Israel e a promessa do Messias sentado no trono de Davi em Jerusalém. (Lewis Sperry Chafer, Systematic theology, iv, p. 264-5).



I. As Concepções sobre o Secundo Advento

Ao longo da história verificam-se quatro opiniões principais sobre o segundo advento de Cristo.



A. A posição não-literal ou espiritualizada. A opinião não-literal nega que haverá um retorno literal, corporal e pessoal de Cristo à terra. Walvoord resume essa posição:

Uma opinião moderna comum sobre o retorno do Senhor é a chamada posição espiritual que identifica o retorno de Cristo como um perpétuo progresso de Cristo na igreja, incluindo muitos acontecimentos específi­cos. William Newton Clarke, por exemplo, defendia que as promessas da segunda vinda são cumpridas pela "Sua presença espiritual com o Seu povo", o que é introduzido pela vinda do Espírito Santo no Pentecostes, acompanhado pela destruição de Jerusalém e, finalmente, cumprido pelo contínuo avanço espiritual na igreja. Em outras palavras, não se trata de um acontecimento, mas de todos os acontecimentos da era cristã que cons­tituem a obra de Cristo. [Esse aspecto] [...] é defendido por muitos libe­rais de nossos dias. (John F. Walvoord, The millennial issue in modern theology, Bibliotheca Sacra, 106 Aí, Jan. 1948)


Essa opinião vê o segundo advento cumprido na destruição de Jerusa­lém, ou no dia de Pentecostes, ou na morte do crente, ou na conversão do indivíduo, ou em qualquer transição na história ou experiência in­dividual. Sua controvérsia é se haverá um segundo advento literal. Não é necessário dizer que essa visão se baseia na descrença da Palavra de Deus ou no método espiritualizante de interpretação.
B. A posição pós-milenarista. A posição pós-milenarista, popular en­tre os teólogos aliancistas do período pós-Reforma, defende, segundo Walvoord:

... que, através da pregação do evangelho, todo o mundo será cristianizado e submetido ao evangelho antes do retorno de Cristo. O nome deriva do fato de que nessa teoria Cristo retorna depois do milênio (logo, pós-milênio).(Ibid., 206:45)


Os partidários dessa visão defendem um segundo advento literal e acre­ditam num milênio literal, geralmente seguindo o ensino do Antigo Testamento quanto à natureza desse reino. Sua controvérsia é a respeito de questões como quem instituirá o milênio, a relação de Cristo com o milê­nio e a hora da vinda de Cristo em relação a esse milênio.
C. A posição amilenarista. A opinião amilenarista defende que não haverá um milênio literal na terra após o segundo advento. Todas as profecias a respeito do reino estão sendo cumpridas espiritualmente pela igreja no período entre os dois adventos. Com respeito a essa opi­nião foi declarado:

Seu caráter mais geral é a negação do reinado literal de Cristo na terra. Imagina-se que Satanás tenha sido preso na primeira vinda de Cristo. A presente era, entre o primeiro e segundo advento, é o cumprimento do milênio. Seus seguidores diferem entre o cumprimento do milênio na ter­ra (Agostinho) ou o cumprimento pelos santos no céu (Warfield). Pode-se resumir isso na idéia de que não haverá mais milênio do que há agora, e que o estado eterno se segue imediatamente à segunda vinda de Cristo. Essa teoria assemelha-se ao pós-milenarismo quando afirma que Cristo virá depois do que eles consideram ser o milênio. (Ibid., 106:45-6)


Sua controvérsia é quanto à questão de um milênio literal para Israel ou quanto ao fato de promessas sobre o milênio estarem ou não sendo cumpridas agora na igreja, seja na terra, seja no céu.
D. A posição pré-milenarista. A posição pré-milenarista defende que Cristo retornará ao mundo, literal e corporalmente, antes de começar a era milenar; e, por Sua presença, será instituído um reino sobre o qual Ele reinará. Nesse reino todas as alianças de Israel serão literalmente cumpridas. O reino continuará por mil anos e, depois disso, o Filho dará o reino ao Pai e se fundirá com Seu reino eterno. A questão princi­pal sobre essa posição é se as Escrituras estão sendo cumpridas de for­ma literal ou simbólica.

Na verdade essa é a parte essencial de toda a questão. Allis, zeloso amilenarista, admite: "... As profecias do Antigo Testamento, se interpretadas literalmente, não podem ser consideradas cumpridas ou possíveis de ser cumpridas na presente era". (Oswald T. Allis, Prophecy and the church, p. 238) Não é exa­gero dizer que as questões que dividem essas quatro posições só po­dem ser resolvidas se definirmos o problema do método de interpreta­ção a ser empregado.



II. A Doutrina do Segundo Advento na Igreja Primitiva

Concorda-se, em geral, que a igreja dos séculos que imediatamen­te se seguiram ao período apostólico tinha uma opinião pré-milenarista a respeito do retorno de Cristo. Allis, amilenarista, diz:

Cria-se amplamente [no pré-milenarismo] na igreja primitiva, embora não se possa dizer com certeza com que amplitude. Mas o realce que muitos de seus defensores davam às recompensas terrenas e aos prazeres carnais provocou grande oposição; e ele foi quase completamente substituído pela posição "espiritual" de Agostinho. Reapareceu sob formas extravagantes por ocasião da Reforma, notadamente entre os anabatistas.

Bengel e Mede estiveram entre os primeiros estudiosos de distinção da atualidade a defendê-lo. Mas não foi senão no início do século passado que ele passou a influenciar na atualidade. Desde então, tornou-se cada vez mais popu­lar, e muitas vezes se ouve a declaração de que a maioria dos líderes evan­gélicos na igreja de hoje é pré-milenarista. (Ibid., p. 7)


Whitby, geralmente considerado o fundador do pós-milenarismo, es­creve:
A doutrina do milênio, ou reino dos santos na terra por mil anos, é agora rejeitada por todos os católicos romanos e pela maioria dos protestantes; mesmo assim, foi considerada pelos melhores cristãos, por 250 anos, uma tradição apostólica; e, como tal, é apresentada por muitos pais do segun­do e do terceiro século, que falam dela como a tradição do nosso Senhor e Seus apóstolos e de todos os antigos que viveram antes deles, que nos contam as próprias palavras nas quais ela lhes foi entregue, as Escrituras que eram assim interpretadas então, e dizem que ela foi mantida por to­dos os cristãos que eram exatamente ortodoxos.

Ela foi recebida não ape­nas nas partes orientais da igreja, por Papias (na Frígia), Justino (na Pales­tina), mas por Ireneu (na Gália), Nepo (no Egito), Apolinário, Metódio (no Oeste e no Sul), Cipriano, Vitorino (na Alemanha), Tertuliano (na Áfri­ca), Lactâncio (na Itália) e Severo, e pelo Conselho de Nicéia (c. 323 d.C.). (Ap. G. N. H. Peters, Theocratic kingdom, i, p. 482-3)


O fato de tais concessões serem feitas por oponentes do pré-milenarismo deve-se apenas ao fato de que a história relata que essa foi a crença universal da igreja por 250 anos após a morte de Cristo. (Cf. Ibid., quanto a uma lista de historiadores que admitem o fato) Schaff escreve:

O ponto mais marcante da escatologia da era pré-nicena é a proeminên­cia do quiliasmo, ou milenarismo, que é a crença num reinado visível de Cristo em glória na terra com os santos ressurrectos por mil anos, antes da ressurreição geral e do juízo. Essa certamente não foi a doutrina da igreja incorporada a algum credo ou forma de devoção, sendo antes uma posição amplamente aceita por mestres ilustres. (Philip Schaff, History of the Christían church, II, p. 614)


Harnack diz:

A doutrina do segundo advento de Cristo e do reino aparece tão cedo, que cabe perguntar se não deveria ser considerada parte essencial da re­ligião cristã. (Ap. Chafer, op. cit., iv, p. 277.)


A. Expoentes do pré-milenarismo. Talvez a maior compilação de de­fensores do pré-milenarismo dos primeiros séculos tenha sido feita por Peters. Ele os lista da seguinte maneira:
1. Defensores do pré-milenarismo no primeiro século

A.


1) André,

2) Pedro,

3) Filipe,

4) Tomé,

5) Tiago,

6) João,

7) Mateus,

8) Aristio,

9) João, o Presbítero — todos esses são citados por Papias, que, segundo Ireneu, ouviu João pessoalmente e foi amigo de Policarpo [...] Essa referência aos apóstolos concorda com os fatos que temos provado: a) os discípulos de Jesus tinham uma visão judaica sobre o reino messiânico na primeira parte desse século, e b) em vez de descartá-lo, eles o liga­vam ao segundo advento. Em seguida,

10) Clemente de Roma (Fp 4.3), que viveu de 40 a 100 d.C. aproximadamente [...]

11) Barnabé, cerca de 40-100 d.C. [...]

12) Hermas, de 40 a 140 d.C. [...]

13) Inácio, bispo de Antioquia, que morreu na perseguição ordenada por Trajano, cerca de 50 a 115 d.C. [...]

14) Policarpo, bispo de Esmírna, discípulo de João, que viveu entre cerca de 70 e 167 d.C. [...]

15) Papias, bispo de Hierápolis, viveu de 80 a 163 d.C. [...]

B. Por outro lado, não podemos apresentar nenhum nome que 1) possa ser citado como categoricamente contrário à nossa posição, ou 2) possa ser citado como alguém que ensinou, sob qualquer forma ou senti­do, a doutrina de nossos oponentes.

2. Defensores do pré-milenarismo no segundo século

A.


1) Potino, um mártir [...] 87-177 d.C. [...]

2) Justino Mártir, cerca de 100-168 d.C....

3) Melito, bispo de Sardes, cerca de 100-170 [...]

4) Hegísipo, entre 130-190 d.C. [...]

5) Taciano, entre 130-190 [...]

6) Ireneu, um mártir [...] cerca de 140-202.

7) As igrejas de Viena e Lion [...]

8) Tertuliano, cerca de 150-220 d.C. [...]

9) Hipólito, entre 160-240 d.C.

B. Por outro lado, nenhum escritor sequer pode ser apresentado, nem mesmo um nome pode ser mencionado dentre os citados que se tenha oposto ao quiliasmo nesse século [...] Que o estudioso reflita sobre isso: aqui estão dois séculos [...] nos quais nenhuma oposição direta surge con­tra a doutrina, mas ela é mantida pelos mesmos homens, líderes os mais eminentes, por meio dos quais acompanhamos a história da igreja. O que devemos concluir? 1) Que a fé comum da igreja era quiliástica, e 2) que tal generalidade e unidade de crença só poderia ter sido introduzida [...] pe­los fundadores da igreja e pelos presbíteros nomeados por eles.

3. Defensores do pré-milenarismo no terceiro século

A.


1) Cipriano, cerca de 200-258 d.C. [...]

2) Cômodo, de 200-270 d.C. [...]

3) Nepo, bispo de Arsinoe, cerca de 230-280 d.C. [...]

4) Corácio, cerca de 230-280 d.C. [...]

5) Vitorino, cerca de 240-303 d.C. [...]

6) Metódio, bispo de Olimpo, cerca de 250-311 d.C. [...]

7) Lactâncio [...] de 240-330 d.C. [...] (Peters, op. cit., i, p. 494-6)
Embora o testemunho de todos os homens citados acima não seja sempre igualmente claro, alguns deles falaram inequivocamente da posição pré-milenarista. Clemente de Roma escreveu:

Verdadeiramente, logo Sua vontade será cumprida como as Escrituras também testemunham, dizendo "Certamente venho sem demora" e "De repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós desejais, o Santo". (Ap. Charles C. Ryrie, The basis of the premilennial faith, p. 20.)


Justino Mártir, em seu Diálogo com Trifo, escreveu:

Mas eu e qualquer um que somos em todos os aspectos cristãos decididos sabemos que haverá a ressurreição dos mortos e mil anos em Jerusalém, que será então construída, adornada e aumentada, como declararam os profetas Ezequiel e Isaías. [...]

E, ainda mais, certo homem chamado João, um dos apóstolos de Cristo, previu por uma revelação que foi feita a ele que os que cressem em nosso Cristo passariam mil anos em Jerusalém e, depois disso, a ressur­reição geral, ou, para ser breve, a eterna ressurreição e julgamento de todos os homens também ocorrerá. (Ibid., p. 22.)
Ireneu, bispo de Lion, apresenta uma escatologia bem desenvolvida quando escreve:

Mas quando esse anticristo tiver devastado todas as coisas neste mundo, ele reinará por três anos e seis meses e sentará no templo em Jerusalém; então o Senhor virá do céu entre as nuvens, na glória do Pai, mandando esse homem e os que o seguiram para o lago de fogo; mas trazendo para os justos o tempo do reino, quer dizer, o descanso, o sagrado sétimo dia; e restaurando a herança prometida de Abraão, na qual o Senhor declarou que "muitos vindos do leste e oeste sentarão com Abraão, Isaque e Jacó...". A bênção prevista, então, pertence sem dúvida à época do reino, quando os justos reinarão depois de sua ressurreição. (Ibid., p. 22-3)


Tertuliano soma o seu testemunho quando diz:

Mas nós confessamos que um reino sobre a terra nos é prometido, apesar de antes do céu, apenas em outro estado de existência; visto que ele acon­tecerá depois da ressurreição, por mil anos na divinamente construída cidade de Jerusalém. (Ibid., i, p. 23)


De acordo com Justino e Ireneu, existiam

... três classes de homens: 1) Os hereges, que negavam a ressurreição da carne e o milênio. 2) Os verdadeiramente ortodoxos, que afirmavam a ressurreição e o reino de Cristo na terra. 3) Os crentes, que concordavam com os justos e mesmo assim esforçavam-se para alegorizar e transfor­mar em metáfora todas as passagens que apontam para o próprio reina­do de Cristo, e que tinham opiniões em concordância com aqueles here­ges que negavam, não com os ortodoxos, que afirmavam, esse reinado de Cristo na terra. (Daniel Whitby, Treatise on the millennium, ap. Peters, op. cit., I, p. 483)


Justino evidentemente reconhecia o pré-milenarismo como "o critério de uma perfeita ortodoxia". Em seu Diálogo com Trifo, em que escreve: "Alguns que são chamados cristãos mas são ímpios, hereges, ensinan­do doutrinas que são totalmente blasfemas, ateístas e tolas", (Ap. D. H. Kromminga, The millennium in the church, p. 45) ele mos­tra que incluiria qualquer um que negasse o pré-milenarismo nessa categoria, visto que incluiu nela os que negaram a ressurreição, um ensinamento associado.

Seria seguro concluir com Peters:

Quando examinamos o quadro histórico [...] somos forçados a concluir que os escritores [...] que insistem na grande extensão do quiliasmo na igreja apostólica e primitiva estão certamente corretos. Nós, conseqüen­temente, apoiamos os que se expressam como Muncher (Church history, v. 2, p. 415) que "[o quiliasmo] foi recebido universalmente por quase todos os mestres", e (p. 450, 452) o associam, junto com Justino, ao "todo da comunidade ortodoxa... ". (Peters, op. cit., i, p. 498)
B. Oponentes da posição pré-milenarista. O terceiro século dá origem ao primeiro antagonismo declarado quanto à posição pré-milenarista. Peters resume:

Nesse século vemos pela primeira vez [...] adversários da nossa doutrina. Qualquer escritor, desde o período mais antigo até o presente, que apre­sentou tais listas contra nós, foi capaz de apenas encontrar esses antagonistas, e nós os apresentamos na sua ordem cronológica, quando eles se revelaram como adversários. Eles são quatro, mas três deles eram muito persuasivos para o erro e rapidamente ganharam seguidores [...] O pri­meiro nessa ordem foi

1) Caio (ou Gaio) [...] no início do terceiro século [...]

2) Clemente de Alexandria [...] professor na Escola Catequética de Alexandria, que teve forte influência (sobre Orígenes e outros) como mestre de 193-220 d.C. [...]

3) Orígenes, cerca de 185-254 d.C. [...]

4) Dionísio, cerca de 190-265 d.C. [...] estes são os defensores mencionados como diretamente hostis ao quiliasmo. (Ibid., i, p. 497)


1. De acordo com Allis, essa oposição surgiu por causa do "realce que muitos de seus defensores depositavam sobre as recompensas terrenas e os prazeres carnais [que] [...] suscitaram ampla oposição contra ele". (Allis, loc. cit) Parece mais correto afirmar que essa oposição surgiu, primeira­mente, por causa de dogmas básicos da Escola de Alexandria, na qual Orígenes se tornou o principal defensor, com enorme influência no mun­do teológico. O método de interpretação por espiritualização propaga­do por Orígenes desencadeou o fim do método literal de interpretação sobre o qual repousava o pré-milenarismo. Mosheim foi citado para comprovar essa influência de Orígenes.

Mosheim, após declarar "que muitos criam no século anterior, sem ofen­sa a ninguém, que o Salvador reinaria mil anos dentre os homens, antes do fim do mundo", adiciona: "neste século a doutrina milenar tornou-se infame, graças à influência especial de Orígenes, que a negou veemente­mente porque ela contradizia suas opiniões" [...] "até a época de Orígenes, todos os mestres que eram a ela predispostos, a professavam e a ensina­vam abertamente [...] Orígenes, porém, a atacou ferozmente, pois ela con­trariava a sua filosofia; e, pelo sistema de interpretação bíblica que desco­briu, ele deu um sentido diferente aos textos bíblicos dos quais os defen­sores dessa doutrina dependiam" [...]

No terceiro século a reputação des­sa doutrina declinou; primeiro no Egito, pela influência de Orígenes [...] e mesmo assim ela não pôde ser exterminada definitivamente: ainda tinha defensores respeitáveis. Mosheim prossegue em vários lugares mostran­do como, por um sistema de interpretação filosofizante e extremamente agressivo, o qual começou "desprezivelmente a perverter e torcer todas as partes dos oráculos divinos que se opunham ao seu dogma ou noção filosófica", a interpretação literal foi definitivamente esmagada. Ele en­tão contrasta a interpretação adotada pelos dois sistemas: "Ele (Orígenes) desejava desprezar o sentido literal e visível das palavras, e queria que se buscasse um sentido secreto, que repousava, escondido, num envoltório de palavras. Os defensores de um reino terrestre de Cristo, por sua vez, firmavam sua causa unicamente no sentido natural e próprio de certas expressões bíblicas".(Peters, op. cit., i, p. 500)
2. A oposição veio pelo surgimento de falsas doutrinas que muda­ram o pensamento teológico.

O gnosticismo [...] bem cedo começou a prevalecer e, embora todas as doutrinas do cristianismo tivessem sofrido em maior ou menor medida essa influência deteriorante, a doutrina do reino tornou-se, sob suas ma­nipulações maleáveis, muito diferente da doutrina bíblica da igreja pri­mitiva [...] ela atacou violentamente o parentesco prometido do Filho do Homem como Filho de Davi [...] Ascetismo, a crença na corrupção ineren­te da matéria [...] era antagônica a ele [...] Docetismo [...] que negava a realidade do corpo humano de Jesus, o Cristo, fechou efetivamente todo acesso a um entendimento do reino, espiritualizando não apenas o corpo, mas tudo mais que se relacionasse a Ele como Messias

[...] Para conciliar as tendências opostas, surgiu outro próspero grupo, que presumia que a razão ocupava a posição de juiz, e pelas deduções da razão instituiu uma via media entre as duas, retendo algo do gnosticismo e do quiliasmo, no que diz respeito à interpretação, mas também espiritualizando o reino, numa aplicação à igreja...( Ibid., I,p. 501.)
3. A continuidade do judaísmo, religião que começara no período apostólico e se fortalecera, fomentou crescente inimizade entre judeus e gentios cristãos. Tal antagonismo levou, por fim, à rejeição do milênio por ser ele "judaico".

... os gentios cristãos, na sua hostilidade para com o judaísmo, que buscava impor seu legalismo e ritualismo, finalmente foram levados a tal extremo que [...] tudo que em sua opinião tinha sabor de judaísmo foi jogado fora, incluindo, é claro, a crença judaica, há muito esposada, de um reino. (Ibid., i, p. 504)


4. A união da igreja com o estado sob Constantino provocou a morte da esperança milenar. Smith, depois de declarar que "o intervalo entre a era apostólica e a de Constantino tem sido chamado período quiliástico da interpretação apocalíptica", diz:

Imediatamente após o triunfo de Constantino, os cristãos, que se livra­ram da opressão e da perseguição e se tornaram autoritários e prósperos, começaram a perder sua expectativa ativa da rápida vinda do Senhor e o conceito espiritual do Seu reino, e passaram a contemplar a supremacia temporária do cristianismo como cumprimento do reino prometido de Cristo na terra. O Império Romano, transformado num império cristão, deixou de ser considerado objeto de denúncia profética, mas o cenário de um desenvolvimento milenar. Essa opinião, todavia, foi logo confrontada pela interpretação figurada do milênio como o reino de Cristo no coração de todos os crentes verdadeiros. (Ap. Peters, op. cit., i, p. 505)


5. A supressão dos escritos dos pais da igreja pelos que se opu­nham à sua posição, visando a minimizar sua contínua influência, re­duziu o realce desse ensinamento central e começou a obliterar a im­portância que a esperança iminente tinha na vida e nos escritos deles.
6. A influência de Agostinho, que contribuiu mais para o pensamento teológico que qualquer outro indivíduo entre Paulo e a Reforma, e por meio de quem o amilenarismo foi sistematizado e o sistema romanista obteve sua eclesiologia, foi fator fundamental na cessação do pré-milenarismo.
7. O aumento do poder da Igreja Romana, que ensinava ser ela o reino de Deus na terra e ser seu líder o vigário de Deus na terra, foi fator de significativa importância.

É de extremo interesse ressaltar os métodos usados pelos oponen­tes da opinião pré-milenarista para contrariar esse ensinamento.

1) Gaio e Dionísio foram os primeiros a duvidar da genuína inspiração do livro de Apocalipse, pois evidentemente se supunha que o recurso ao li­vro [...] não poderia ser abandonado.

2) A rejeição do sentido literal e sua substituição por figuras ou alegorias, que efetivamente modificaram a aliança e a profecia.

3) Trechos do Antigo Testamento que ensinavam lite­ralmente a doutrina tiveram sua inspiração profética desacreditada [...]

4) A aceitação de todos os trechos proféticos, e o que não podia ser alegorizado e aplicado à igreja tinha o seu cumprimento relegado ao céu [...]

5) Fazer com que promessas dadas diretamente aos judeus como na­ção fossem consideradas condicionais na sua natureza ou meramente tí­picas das bênçãos desfrutadas pelos gentios. (Ibid., i, p. 502)
Devemos observar que a oposição ao pré-milenarismo surgiu daqueles que eram marcados pela descrença, cujas doutrinas, em geral, tinham sido condenadas pelos crentes através da história da igreja; assim, opu­nham-se ao pré-milenarismo não porque não fosse bíblico, mas porque contradizia suas próprias filosofias e métodos de interpretação.

III. A Ascensão do Amilenarismo

Com a contribuição de Agostinho ao pensamento teológico, o amilenarismo ganhou destaque. Embora Orígenes tenha estabelecido os fundamentos ao fixar o método não-literal de interpretação, foi Agos­tinho quem sistematizou a visão não-literal do milênio no que agora conhecemos como amilenarismo.



A. A importância de Agostinho. O relacionamento entre Agostinho e toda a doutrina amilenarista foi apresentado por Walvoord:

Seu pensamento não apenas cristalizou a teologia que o precedera, mas estabeleceu a base de ambas as doutrinas, católica e protestante. B. B. Warfield, citando Harnack, refere-se a Agostinho como "incomparavel­mente o maior homem que a igreja possuiu, 'entre o apóstolo Paulo e Lutero, o reformador'". Embora a contribuição de Agostinho tenha sido principalmente reconhecida nas áreas da doutrina da igreja, da hamartiologia, da doutrina da graça e da predestinação, também é um marco significativo na história antiga do amilenarismo.

A importância de Agostinho para a história do amilenarismo deriva de duas razões. Primeiro, não existiram expoentes aceitáveis do amilenarismo antes de Agostinho [...] Antes dele, o amilenarismo associ­ava-se às heresias produzidas pela escola teológica alegorista e espiritualista de Alexandria, que não apenas se opunha ao pré-milenarismo, mas subvertia qualquer exegese literal das Escrituras [...]

O segundo motivo da importância do amilenarismo agostiniano é que seu ponto de vista se tornou a doutrina dominante na igreja romana e foi adotado com variações pela maioria dos reformadores protestantes, juntamente com muitos outros de seus ensinamentos. Os escritos de Agos­tinho, na verdade, causaram o abandono do pré-milenarismo pela maior parte da igreja organizada.(Walvoord, op. cit., 206:420-1)


B. A opinião de Agostinho sobre a questão quiliástica. Em sua famosa obra, A cidade de Deus, Agostinho lançou a idéia de que a igreja visível era o reino de Deus na terra. Peters comenta a respeito da importância dessa obra:

Talvez não tenha surgido nenhuma obra que tivesse tão forte e avassaladora influência contra a antiga doutrina como A cidade de Deus, de Agostinho. Esse livro foi escrito especificamente para ensinar a existên­cia do reino de Deus na igreja simultânea ou paralela ao reino terrestre ou humano.(Peters, op. cit., i, p. 508)


Dessa eclesiologia básica, que interpreta a igreja como o reino, Agosti­nho desenvolveu sua doutrina do milênio, resumida por Allis como se segue:

Ele ensinou que o milênio deve ser interpretado espiritualmente como cumprido pela igreja. Defendia que o aprisionamento de Satanás ocorreu durante o ministério terreno do nosso Senhor (Lc 10.18), a primeira res­surreição é o novo nascimento do cristão (Jo 5.25) e o milênio deve corresponder, conseqüentemente, ao período entre os adventos ou era da igreja. Isso implicava a interpretação de Apocalipse 20.1-6 como uma "repetição" dos capítulos anteriores e não uma referência à nova era que seguiria cronologicamente os acontecimentos demonstrados no capítulo 19. Vivendo na primeira metade do primeiro milênio da história da igre­ja, Agostinho naturalmente entendeu de modo literal os mil anos de Apocalipse 20 e esperava que a segunda vinda ocorresse no final daquele período. Mas, por ter identificado o milênio de maneira incoerente com o que restava do sexto quiliasmo da história humana, ele acreditava que esse período deveria terminar por volta de 650 d.C. com uma grande ex­plosão de maldade, a revolta de Gogue, seguida da vinda de Cristo em juízo. (Allis, op. cit., p. 3)


Desse modo Agostinho fez várias afirmações que moldaram o pensa­mento escatológico:

1) negou que o milênio seguiria a segunda vinda,

2) defendeu que o milênio ocorreria no período entre os adventos e

3) ensinou que a igreja é o reino e não haveria cumprimento literal das promessas feitas a Israel.

Essas interpretações formaram o núcleo cen­tral do sistema escatológico que dominou o pensamento teológico por séculos. O fato de a história ter provado que Satanás não foi aprisiona­do, que não estamos no milênio, experimentando tudo o que foi pro­metido aos que nele entrassem, e que Cristo não retornou em 650 d.C. foi insuficiente para dissuadir os defensores desse sistema. A despeito de seu óbvio fracasso, ele ainda é amplamente defendido.

IV. O Eclipse do Pré-milenarismo

Com a ascensão do romanismo, comprometido com a idéia de que a instituição deste era o reino de Deus, o pré-milenarismo caiu rapida­mente. Auberlen diz:

O quiliasmo desapareceu proporcionalmente à medida que o catolicismo papal romano avançava. O papado tomou para si, como um roubo, a gló­ria que é objeto de esperança e só pode ser alcançada pela obediência e humildade da cruz. Quando a igreja tornou-se meretriz, deixou de ser a noiva que sai para encontrar seu noivo; e assim o quiliasmo desapareceu. Essa é a profunda verdade que jaz no âmago da interpretação protestante antipapal do Apocalipse. (Ap. Peters, ibid.,Ii, p. 499)
Peters observa:

Podemos então citar brevemente como fato evidente que todo o espírito e alvo do papado é antagônico à perspectiva da igreja primitiva, baseando-se no cobiçado poder eclesiástico e secular, na ampla jurisdição deposita­da nas mãos de um primaz [...] quando se fundou um sistema que decidi­ra que o reinado dos santos já havia começado — que o bispo de Roma reinava na terra no lugar de Cristo; que a libertação da maldição só seria cumprida no terceiro céu; que na igreja, como um reino, havia uma "aris­tocracia" à qual se devia obedecer sem hesitação; que os anúncios proféticos a respeito do reino do Messias se cumpriam na predominância, es­plendor e riqueza de Roma; que a recompensa e elevação dos santos não dependia da segunda vinda, mas do poder depositado no reino presente etc.— foi então que o quiliasmo, tão desagradável e obnóxio para essas declarações e doutrinas, caiu sob a influência poderosa e penetrante exercida contra ele. (Ibid., i, p. 516-7)


Apesar da ascensão do amilenarismo romano, um pequeno rema­nescente manteve a posição pré-milenarista. Ryrie cita os valdenses e os paulicianos, junto com os Cátaros, que mantinham a crença apostólica. (Ryrie, op. cit., p. 27-8) Peters acrescenta os albigenses, os lollardos, os seguidores de Wiclif e os protestantes boêmios que esposaram a causa pré-milenarista. (Peters, op. cit., i, p. 521)

V. O Quiliasmo desde a Reforma

No próprio período da Reforma, o interesse dos reformadores es­tava centralizado nas grandes doutrinas da soteriologia e muito pouca atenção foi dedicada às doutrinas da escatologia. Os reformadores per­maneceram, em sua maioria, na posição de Agostinho, principalmente porque essa área de doutrina não estava em discussão. Todavia, lança­ram-se alguns fundamentos que abriram o caminho para a ascensão do pré-milenarismo. Peters escreve:

... cada um [dos reformadores] registrou sua crença no fato de todo crente dever estar constantemente ansiando pela segunda vinda, uma vinda rá­pida, dada a ausência da futura glória milenar antes da vinda de Jesus, na permanência da igreja num estado mesclado até o fim, no desígnio divino para a presente dispensação, no princípio de interpretação adotado, na expansão e na ampliação da incredulidade antes da segunda vinda, na renovação desta terra etc. —doutrinas em concordância com o quiliasmo. A simples verdade em referência a eles era esta: que eles não eram quiliásticos, apesar de ensinarem vários tópicos que materialmente aju­davam a sustentar o quiliasmo. (Ibid., i, p. 527)
O retorno ao método literal de interpretação, no qual se baseou o movi­mento da Reforma, lançou novamente a base para o ressurgimento da fé pré-milenarista.
A. A ascensão do pós-milenarismo. No período pós-Reforma surgiu a interpretação conhecida como pós-milenarismo, que veio a suplantar, em grande parte, o amilenarismo agostiniano na igreja protestante. A incapacidade do amilenarismo, como interpretado por Agostinho, de satisfazer os fatos da história levaram a um novo exame da sua doutri­na. O primeiro defensor da posição de que Cristo retornaria depois do milênio e traria o estado final com o grande julgamento e ressurreição, segundo Kromminga, (Kromminga, op. cit., p. 20) foi Joaquim de Flora, escritor católico romano do século xii. Walvoord comenta a respeito dele:

Seu ponto de vista é que o milênio começa e continua como o reinado do Espírito Santo. Ele tinha em vista três dispensações: a primeira de Adão até João Batista, a segunda começando com João e a terceira com Benedi­to (480-543), fundador do mosteiro ao qual pertencia. As três repartições eram respectivamente do Pai, do Filho e do Espírito. Joaquim previu que em cerca de 1260 o desenvolvimento final ocorreria e a justiça triunfaria. (Walvoord, op. cit., 206:152)


Durante os séculos XVI e XVII muitos na Holanda defenderam a opinião de que o milênio era futuro. Coccejus, Alting, os dois Kitringas, d'Outrein, Witsius, Hoornbeek, Koelman e Brakel são citados por Berkhof como pós-milenaristas.(Louis Berkhof, Teologia sistemática, p. 722) Todavia, o pós-milenarismo como sistema é normalmente atribuído a Daniel Whitby (1638-1726). (A. H. Strong, Systematic theology, p. 1013) Walvoord escreve a respeito de Whitby:

O próprio Whitby era um unitário. Seus escritos, particularmente os que tratavam da divindade, foram queimados em público e ele foi declarado herege. Ele era liberal e livre-pensador, não confinado pelas tradições ou conceitos passados da igreja. Sua opiniões sobre o milênio provavelmen­te nunca teriam sido perpetuadas se não se tivessem encaixado tão bem no pensamento da época.

A crescente maré de liberdade intelectual, da ciência e da filosofia, juntamente com o humanismo, tinham aumentado o conceito do progresso humano e retratado um belo quadro do futuro. A opinião de Whitby da era áurea da igreja era justamente a que o povo queria ouvir. Ela se ajustava aos pensamentos da época. Não é estranho que teólogos, buscando reajustar-se a um mundo em transformação, en­contrassem em Whitby a chave para suas necessidades.

Sua doutrina era atraente para todos os tipos de teologia. Fornecia para os conservadores um princípio aparentemente bem mais operacional de interpretação das Escrituras. Afinal, os profetas do Antigo Testamento sabiam do que esta­vam falando quando previram uma época de paz e de justiça. O conheci­mento crescente do homem sobre o mundo e as melhorias científicas que estavam vindo poderiam encaixar-se nesse cenário. Por outro lado, o con­ceito agradou os liberais e céticos. Se eles não acreditavam nos profetas, pelo menos acreditavam que o homem era agora capaz de melhorar a si mesmo e a seu ambiente. Eles também acreditavam que uma era áurea estava por vir. (Walvoord, op. cit., 206:154)


Esses dois grupos para os quais o pós-milenarismo era atraente — os liberais e os conservadores— logo desenvolveram dois ensinos diversos.

1) Um tipo bíblico de pós-milenarismo, que encontrava seu material nas Escrituras e seu poder em Deus;

2) o tipo de teologia evolucionista ou liberal, que baseava suas evidências na confiança de que o homem atingi­ria o progresso por meios naturais. Esses dois sistemas de crença ampla­mente distintos têm uma coisa em comum a idéia do progresso e da solu­ção definitiva para as presentes dificuldades. (Ibid)
O pós-milenarismo tornou-se a posição escatológica dos teólogos que dominaram o pensamento teológico pelos últimos séculos. As ca­racterísticas gerais do sistema podem ser resumidas desta maneira:

O pós-milenarismo baseia-se na interpretação figurada da profecia, que permite grande liberdade em encontrar o significado de trechos difíceis — uma amplitude hermenêutica refletida na falta de uniformidade da exegese pós-milenarista. As profecias do Antigo Testamento relacionadas ao reino de justiça na terra serão cumpridas no reino de Deus no período entre os adventos. O reino é espiritual e invisível em vez de material e político. O poder divino do reino é o Espírito Santo. O trono no qual Cris­to sentará é o trono do Pai no céu. O reino de Deus no mundo crescerá rapidamente, mas com ocasiões de crise. Todos os meios são usados para apressar o reino de Deus — é o centro da ação providencial de Deus. A pregação do evangelho e a divulgação dos princípios cristãos particular­mente sinalizam o seu progresso.

A vinda do Senhor é considerada uma série de acontecimentos. Qualquer intervenção providencial de Deus na situação humana é uma vinda do Senhor. A vinda final do Senhor é o auge e reside num futuro muito remoto. Não há esperança do retorno do Senhor no futuro previsível, certamente não nesta geração. O pós-milenarismo, assim como o amilenarismo, acredita que todos os julga­mentos finais de homens e anjos são essencialmente um único acontecimento que se dará após a ressurreição de todos os homens antes do esta­do eterno.

O pós-milenarismo se distingue do pré-milenarismo no que diz respeito ao milênio como futuro e posterior à segunda vinda. O pós-milenarismo diferencia-se do amilenarismo pelo seu otimismo, por sua confiança em um triunfo máximo do reino de Deus no mundo e por seu cumprimento relativo da idéia milenar na terra. Teólogos como Hodge encontram cumprimento bastante literal para várias profecias, incluindo a conversão e a restauração de Israel como nação. Outros como Snowden acreditam que o milênio de Apocalipse 20 se refere ao céu.(Ibid., p. 165)


O pós-milenarismo não é mais um assunto relevante na teologia. A Segunda Guerra Mundial levou ao colapso do sistema. Sua queda pode ser atribuída

1) à própria fraqueza do pós-milenarismo que, base­ado no princípio de interpretação espiritualista, não era coerente;

2) à tendência ao liberalismo, que o pós-milenarismo não podia enfrentar por causa do princípio de interpretação espiritualista;

3) à incapacida­de de acomodar os fatos da história;

4) à nova tendência para o realis­mo na teologia e na filosofia, vista, por exemplo, na neo-ortodoxia, que admite que o homem é pecador e não pode trazer a nova era prevista pelo pós-milenarismo e

5) à nova tendência ao amilenarismo, que nas­ceu do retorno à teologia reformada como base da doutrina.(Cf. Ibid., 106:165-8)

O pós-milenarismo não encontra defensores nas presentes discussões quiliásticas do mundo teológico. * (* Desde a publicação desta obra em inglês, há 40 anos, novas formas de pós-milenarismo têm surgido, tanto entre teólogos conservadores quanto entre teólogos liberais. Como observou Pentecost, no entanto, elas continuam incapazes de explicar a história e de sobreviver a ela (e.g., a teologia da libertação, cuja ferramenta "pós-milenarista" era a dialética marxista, que entrou em colapso mundial no final da déca­da de 1980). (N. do T.))
B. A recente ascensão do amilenarismo. O amilenarismo tem experi­mentado grande aumento de popularidade nas últimas décadas, em boa parte graças ao colapso da posição pós-milenarista, à qual a maio­ria dos teólogos seguia. Já que o amilenarismo depende do mesmo prin­cípio de interpretação espiritualista do pós-milenarismo e vê o milênio como uma era entre os adventos, antecedendo a segunda vinda, como ocorre no pós-milenarismo, era relativamente simples para um pós-milenarista voltar-se para a opinião amilenarista.

O amilenarismo hoje é dividido em dois campos.

1) O primeiro, do qual Allis e Berkhof fazem parte, apega-se essencialmente ao amilenarismo agostiniano, apesar de admitir a necessidade de aprimo­ramentos. Essa também é, claramente, a opinião da igreja romana. Ele encontra todos os cumprimentos das promessas veterotestamentárias concernentes ao reino e suas bênçãos no governo de Cristo no trono do Pai sobre a igreja, que está na terra.

2) O segundo é o ponto de vista defendido por Duesterdieck e Kliefoth e promovido nos Estados Uni­dos por Warfield, que ataca a posição agostiniana de que o reino seja terrestre, mas vê o reino como o governo de Deus sobre os santos que estão no céu, fazendo dele um reinado celestial. Walvoord resume esse ponto de vista da seguinte forma:

Um novo tipo de amilenarismo surgiu, contudo, do qual Warfield pode ser tomado como exemplo. Esse é um tipo totalmente novo de amilenarismo. Allis atribui a origem desse ponto de vista a Duesterdieck (1859) e Kliefoth (1874) e o analisa como uma inversão da teoria agostiniana básica de que Apocalipse 20 era a recapitulação da era da igreja. Essa nova questão, ao contrário, segue a linha de ensinamento de que o milê­nio é distinto da era da igreja, apesar de anteceder a segunda vinda.

Para resolver o problema da correlação dessa interpretação com os duros fatos de um mundo incrédulo e pecador, eles interpretaram o milênio não como o retrato de um período, mas como um estado de bênção dos santos no céu. Warfield, com a ajuda de Kliefoth, define o milênio com estas pala­vras: "A visão, em uma palavra, é uma visão da paz daqueles que morre­ram no Senhor; e essa mensagem nos é transmitida nas palavras de 14.13: 'Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor' — pas­sagem da qual aquela que analisamos é certamente apenas uma expan­são. O quadro que nos é apresentado aqui é o do 'estado intermediário' — dos santos de Deus reunidos no céu longe do ruído confuso e das ves­tes cobertas de sangue que caracterizam a guerra na terra, a fim de que eles possam aguardar seu fim seguramente".

Entre os amilenaristas classificados como conservadores, há dois pontos de vista principais:

1) o que encontra cumprimento na presente era na terra com a igreja;

2) o que encontra cumprimento no céu com os santos.

O segundo, mais que o primeiro, requer espiritualização não ape­nas de Apocalipse 20, mas de todos os muitos trechos do Antigo Testa­mento que falam da era áurea do reino de justiça na terra.(Ibid., 206:430)


Uma série de motivos pode ser arrolada para a atual popularidade do sistema amilenarista.

1) E um sistema abrangente, que inclui todas as camadas do pensamento teológico: protestantismo liberal, protes­tantismo conservador e católico romano.

2) Com exceção do pré-milenarismo, é a teoria quiliástica mais antiga e, conseqüentemente, possui a marca da antigüidade.

3) Tem o selo da ortodoxia, uma vez que foi o sistema adotado pelos reformadores e se tornou a base de muitas profissões de fé.

4) Conforma-se ao eclesiasticismo moderno, com grande ênfase na igreja visível, que, para o amilenarista, é o centro de todo o plano de Deus.

5) Apresenta um sistema escatológico sim­ples, com apenas uma ressurreição, um julgamento e muito pouco num plano profético para o futuro.

6) Ajusta-se prontamente às pressuposi­ções teológicas da chamada "teologia pactuai".

7) Atrai a muitos como uma interpretação "espiritual" das Escrituras em vez de uma interpre­tação literal, esta tratada como "conceito carnal" do milênio.

Podemos destacar sete perigos do método amilenarista de inter­pretação.

1) [...] Ao usar o método de espiritualização das Escrituras, eles as estão interpretando por um método que seria extremamente destrutivo para a doutrina cristã, se não fosse limitado à escatologia.

2) Eles não seguem o método de espiritualização em relação à profecia em geral, mas apenas quando necessário para negar o pré-milenarismo.

3) Justificam o método de espiritualização como um meio de eliminar problemas de cumprimento profético —o método nasce de uma suposta necessidade, e não como um produto natural da exegese.

4) Não hesitam em usar a espiritualização em outras áreas além da profecia, caso isso seja necessário para manter o sistema e a doutrina.

5) Como ilustrado no modernismo atual, quase to­talmente amilenarista, a história prova que o princípio da espiritualização se espalha facilmente para todas as áreas básicas da verdade teológica [...]

6) O método amilenarista não fornece uma base sólida para um siste­ma coerente de teologia. O método hermenêutico do amilenarismo tem justificado igualmente o Calvinismo conservador, o modernismo liberal e a teologia romana [...]

7) O amilenarismo não surgiu historicamente do estudo das Escrituras, mas pela negligência em relação a elas. (Ibid., 207:49-50)


O efeito do sistema de interpretação amilenarista é agudamente sentido em três grandes áreas da doutrina.

1) Na área da soteriologia o amilenarismo é culpado do erro de redução comum à teologia pactuai, em que um ponto menor é transformado no ponto principal de um plano, e assim vê todo o plano de Deus como um plano de redenção, de modo de que todas as eras são variações na revelação progressiva da aliança de redenção.

2) Na área da eclesiologia eles vêem todos os san­tos de todos os tempos como membros da igreja. Isso deixa escapar as distinções entre os planos de Deus para Israel e para a igreja, e exige a negação do ensinamento bíblico de que a igreja é um mistério, não re­velado até a presente era. Eles vêem o cumprimento de todo o plano do reino na igreja, no período entre os adventos, ou então nos santos que agora estão no céu. Eles não têm um conceito distinto da igreja como o corpo de Cristo, mas a vêem apenas como uma organização. Essa é uma das diferenças básicas entre o pré-milenarismo e o amilenarismo.

3) Na área da escatologia, embora se rejeitem universalmente as inter­pretações pré-milenaristas, há pouco acordo entre os ramos do amilenarismo. O amilenarismo liberal nega doutrinas como a ressur­reição, o juízo, a segunda vinda, o castigo eterno e outros assuntos afins. O amilenarismo romano desenvolveu o esquema do purgatório, do limbo e de outras doutrinas não-bíblicas como parte de seu sistema. O amilenarismo conservador ainda mantém as doutrinas literais de ressurreição, juízo, castigo eterno e temas relacionados. E difícil, portanto, sistematizar a escatologia amilenarista. É nesse campo, todavia, que se percebem as maiores divergências em relação ao pré-milenarismo e a uma posição bíblica.


C. O ressurgimento do pré-milenarismo. Embora os reformadores não tenham adotado a interpretação pré-milenarista das Escrituras, sem ex­ceção retornaram ao método literal, que é a base sobre a qual repousa o pré-milenarismo. A aplicação lógica desse método de interpretação logo levou muito dos escritores do pós-reforma a essa posição. Peters diz:

... estamos endividados para com umas poucas mentes destacadas por terem causado o retorno da fé patrística em todas as suas formas essenci­ais. Entre eles, os seguintes se destacam: o profundo estudioso bíblico Joseph Mede (1586-1638), na sua ainda celebrada obra Clavis apocalyptica (traduzida para o inglês) e Exposition on Peter; Theodore Brightman (1644), Exposition of Daniel and Apocalypse.; J. A. Bengel (teólogo de vasto saber, 1687-1752), Exposition of the Apocalypse e Addresses; também os escritos de Theodore Goodwin (1679); Charles Daubuz (1730); Piscator (1646); M. F. Roos (1770); Alstedius (1643); Cressener (1689); Farmer (1660); Fleming (1708); Hartley (1764); J. J. Hess (1774); Homes (1654); Jurieu (1686); Maton (1642); Peterson (1692); Sherwin (1665) e outros (como Conrade, Gallus, Brahe, Kett, Broughton, Marten, sir Isaac Newton, Whiston etc.)... (Peters, op. cit., i, p. 538.)


Da influência desses homens surgiu uma corrente de exegetas e expo­sitores que recuperaram a notoriedade do pré-milenarismo na interpretação bíblica. (Ibid., i, p. 542-6. Peters alista cerca de 360 adeptos dessa posição dentre líderes de onze denominações nos Estados Unidos, e mais 470 escritores e pastores da Europa que esposaram a causa pré-milenarista) Dentre eles serão encontrados grandes exegetas e expositores que a igreja conheceu, como Bengel, Steir, Alford, Lange, Meyer, Fausset, Keach, Bonar, Ryle, Lillie, Macintosh, Newton, Tregelles, Ellicott, Lightfoot, Westcott, Darby, apenas para mencionar alguns.

A declaração de Alford, a respeito dos intérpretes do Apocalipse desde a Revolução Francesa, é pertinente: "A maioria, tanto em número, quanto em perícia e pesquisa, adota o advento pré-milenarista, seguindo o senti­do simples e inegável do texto sagrado".(Henry Alford, Greek Testament, n, p. 350)

Sem dúvida Allis está correto quando diz:

O ensino dispensacionalista de hoje, como é representado, por exemplo, pela Bíblia de Scofield, pode ser remetido diretamente ao Movimento dos Irmãos, que surgiu na Inglaterra e na Irlanda em 1830. Seus adeptos são conhecidos como os Irmãos de Plymouth, porque Plymouth foi o mais forte dos antigos centros de assembléias dos Irmãos. Também é chamado darbyismo, graças a John Nelson Darby (1800-82), seu representante mais notável.(Allis, op. cit., p. 9.)


Os estudos bíblicos promovidos por Darby e seus seguidores populari­zaram a interpretação pré-milenarista das Escrituras. Essa tem sido dis­seminada no crescente movimento de conferências bíblicas, na propa­gação de institutos bíblicos, nos muitos periódicos dedicados ao estu­do da Bíblia, e está intimamente associada a todo o movimento teológi­co conservador nos Estados Unidos hoje.

Desse modo, a pesquisa histórica revela que a interpretação pré-milenarista, unanimemente defendida pela igreja primitiva, foi suplan­tada mediante a influência do método de alegorização de Orígenes pelo amilenarismo agostiniano, que se tornou o ponto de vista da igreja ro­mana e continuou a dominar até a Reforma protestante, por ocasião da qual o retorno ao método literal de interpretação restaurou a interpre­tação pré-milenarista. Essa interpretação foi desafiada pelo surgimento do pós-milenarismo, que começou a tomar forma depois da época de Whitby e continuou presente até seu declínio após a Primeira Guerra Mundial. Esse declínio promoveu a ascensão do amilenarismo, que ago­ra compete com o pré-milenarismo como método de interpretação da questão quiliástica.



VI. Observações Resultantes

Não se pode considerar demasiada a importância atribuída à dou­trina do segundo advento do Senhor Jesus Cristo. Chafer diz:



O tema geral concernente ao retorno de Cristo tem a rara distinção de ser a primeira profecia pronunciada pelo homem (Jd 14,15) e a última men­sagem do Cristo exaltado, bem como a última palavra da Bíblia (Ap 22.20,21). Da mesma forma, o tema da segunda vinda de Cristo é singular pelo fato de ocupar grande parte do texto das Escrituras, mais que qual­quer outro tópico, e ser um tema distinto da profecia no Antigo e no Novo Testamento. Na verdade, todas as outras profecias contribuem para o gran­de final do cenário completo desse acontecimento — a segunda vinda de Cristo. (Chafer, op. cit., IV, p. 306)
No que diz respeito à segunda vinda, certos fatos podem ser ressaltados.

A. A segunda vinda é pré-milenar. O método literal de interpretar as Escrituras, conforme proposto anteriormente, torna inegável a vinda pré-milenar do Senhor.
B. A segunda vinda é literal. A fim de cumprir as promessas feitas na Palavra a respeito de Sua volta (At 1.11), a vinda de Jesus deve ser lite­ral. Isso requer um retorno corporal de Cristo à terra.
C. A segunda vinda é inevitável. O grande grupo de profecias que ainda não foram cumpridas torna a segunda vinda absolutamente ine­vitável.(Cf. W. E. Blackstone, Jesus ís coming, p. 24-5) Foi prometido que Ele mesmo virá (At 1.11); os mortos ouvi­rão sua voz (Jo 5.28); Ele ministrará aos Seus servos vigilantes (Lc 12.37); Ele voltará a este mundo (At 1.11), ao mesmo monte das Oliveiras, de onde ascendeu (Zc 14.4); virá em chama de fogo (2 Ts 1.8), nas nuvens do céu com grande poder e glória (Mt 24.30; l Pe 1.7; 4.13); Ele se levan­tará sobre a terra (Jó 19.25); Seus santos (a igreja) virão com Ele (l Ts 3.13; Jd 14); todo o olho O verá (Ap 1.7); Ele destruirá o anticristo (2 Ts 2.8); Ele se assentará no Seu trono (Mt 25.31; Ap 5.13); todas as nações serão reunidas perante Ele para serem julgadas (Mt 25.32); Ele terá o trono de Davi (Is 9.6,7; Lc 1.32; Ez 21.25-27); esse trono será sobre a terra (Jr 23.5,6); Ele terá um reino (Dn 7.13,14) e reinará sobre todos os seus santos (Dn 7.18-27; Ap 5.10); todos os reis e nações O servirão (Sl 72.11; Is 49.6,7; Ap 15.4); os reinos deste mundo se tornarão o Seu reino (Zc 9.10; Ap 11.15); a Ele acorrerão os povos (Gn 49.10); todo o joelho se dobrará diante Dele (Is 45.23); as nações subirão para adorar o Rei (Zc 14.16; Sl 86.9); Ele edificará Sião (Sl 102.16); Seu trono será em Jerusa­lém (Jr 3.17; Is 33.20,21); os apóstolos se assentarão em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel (Mt 19.28; Lc 22.28-30); Ele governa­rá todas as nações (Sl 2.8,9; Ap 2.27); Ele reinará em juízo e justiça (Sl 9.7); o templo em Jerusalém será reconstruído (Ez 40-48) e a glória do Senhor entrará Nele (Ez 43.2-5; 44.4); a glória do Senhor será revelada (Is 40.5); o deserto se transformará em pomar (Is 32.15); o deserto flo­rescerá como a rosa (Is 35.1,2) e a glória Lhe será morada (Is 11.10). Todo o plano de aliança com Israel, ainda não cumprido, torna obriga­tória a segunda vinda do Messias à terra. O princípio do cumprimento literal torna o retorno de Cristo essencial.
D. A segunda vinda será visível. Várias referências bíblicas reforçam o fato de que a segunda vinda será uma manifestação do Filho de Deus à terra (At 1.11; Ap 1.7; Mt 24.30). Assim como o Filho foi publicamente repudiado e rejeitado, Ele será publicamente apresentado por Deus na segunda vinda. Essa vinda estará associada à visível manifestação da glória (Mt 16.27; 25.31), pois, no término do juízo e na manifestação da soberania, Deus será glorificado (Ap 14.7; 18.1; 19.1).
E. Exortações práticas decorrentes da segunda vinda. As Escrituras fa­zem amplo uso da doutrina da segunda vinda de Cristo como princí­pio de exortação. Ela é usada como exortação à vigilância (Mt 24.42-44; 25.13; Mc 13.32-37; Lc 12.35-38; Ap 16.15); à sobriedade (lTs 5.2-6; lPe 1.13; 4.7; 5.8); ao arrependimento (At 3.19-21; Ap 3.3); à fidelidade (Mt 25.19-21; Lc 12.42-44; 19.12,13); a não nos envergonharmos de Cristo (Mc 8.38); contra o mundanismo (Mt 16.26,27); à moderação (Fp 4.5); à paciência (Hb 10.36,37; Tg 5.7,8); à mortificação da carne (Cl 3.3-5); à sinceridade (Fp 1.9,10); à santificação prática (lTs 5.23); à fé ministerial (2Tm 4.1,2); à obediência às ordens apostólicas (lTm 6.13,14); à diligên­cia e pureza pastoral (lPe 5.2-4); à pureza (lJo 3.2,3); a permanecermos em Cristo (lJo 2.28); a resistirmos às tentações e às provações mais se­veras da fé (lPe 1.7); a suportarmos a perseguição pelo Senhor (lPe 4.13); à santidade e à piedade (2Pe 3.11-13); ao amor fraternal (lTs 3.12,13); a conservarmos em mente nossa cidadania celestial (Fp 3.20,21); a amarmos a segunda vinda (2Tm 4.7,8); a aguardarmos por Ele (Hb 9.27,28); a confiarmos que Cristo terminará Sua obra (Fp 1.6); a mantermos a esperança firme até o final (Ap 2.25; 3.11); a renegarmos a impiedade e as paixões mundanas e a vivermos piedosamente (Tt 2.11-13); a estarmos alertas por causa da natureza repentina de Sua volta (Lc 17.24-30); a não julgarmos nada antes do tempo (1 Co 4.5); à esperança de recompensa (Mt 19.27,28). Ela garante aos discípulos um período de alegria (2 Co 1.14; Fp 2.16; lTs 2.19); conforta os apóstolos na partida de Cristo (Jo 14.3; At 1.11); é o principal acontecimento aguardado pelo crente (lTs 1.9,10); é uma coroação de graça e uma segurança de estar­mos irrepreensíveis no dia do Senhor (1 Co 1.4-8); é a hora de acertar contas com os servos (Mt 25.19); é a hora de juízo para os gentios vivos (Mt 25.31-46); é a hora de cumprir o plano de ressurreição dos salvos (1 Co 15.23); é a hora da manifestação dos santos (2 Co 5.10; Cl 3.4); é uma fonte de consolação (lTs 4.14-18); está associada à tribulação e ao julgamento dos incrédulos (2 Ts 1.7-9); é proclamada na mesa do Se­nhor (1 Co 11.26).(Ibid., p. 180-1.)



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