Manual de Escatologia



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Capítulo 6 - A aliança palestina

Nos capítulos finais do livro de Deuteronômio, os filhos de Israel, a semente física de Abraão, enfrentam uma crise nacional. Estão prestes a passar da liderança comprovada de Moisés para a liderança iniciante de Josué. Estão na entrada da terra que lhes foi prometida por Deus nos seguintes termos:

Darei à tua descendência esta terra (Gn 12.7).

... porque toda essa terra que vês, eu te darei, a ti e à tua descendência, para sempre (Gn 13.15).

Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no de­curso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência (Gn 17.7,8).
Essa terra, todavia, é possuída pelos inimigos de Israel, que resistirão a qualquer tentativa dos israelitas de entrar na terra prometida. E impos­sível para eles retornar ao antigo status de nação escrava, e a terra em direção à qual viajavam como "estrangeiros e peregrinos" parecia estar fechada diante deles. Por conseguinte, certas considerações importan­tes precisavam ser enfrentadas pela nação. A terra da Palestina ainda lhes pertencia? A inauguração da aliança mosaica, que todos concor­dam ter sido condicional, pôs de lado a aliança incondicional feita com Abraão? Israel poderia esperar tomar posse permanente de sua terra diante de tal oposição? Para responder a essas perguntas importantes, Deus reafirmou em Deuteronômio 30.1-10 Sua promessa pactuai relati­va à posse da terra e à herança de Israel. A essa afirmação chamamos aliança palestina, porque ela responde à pergunta sobre a relação de Israel com as promessas da terra contidas na aliança abraâmica.

I. A Importância da Aliança Palestina


Essa aliança é de grande importância:

1) pelo fato de reafirmar, a Israel, claramente, o título de posse da terra prometida. Apesar da infidelida­de e da descrença manifestas tão freqüentemente na história de Israel desde a promessa a Abraão até então, a aliança não foi anulada. A terra ainda era deles por promessa.

2) Além disso, a introdução de uma ali­ança condicional, sob a qual Israel estava então vivendo, não podia desprezar, nem havia posto de lado a promessa original e misericordi­osa referente ao propósito de Deus. Esse fato é a base do argumento de Paulo ao escrever: "Uma aliança já anteriormente confirmada por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a pode ab-rogar, de forma que venha a desfazer a promessa" (Gl 3.17).

3) Essa aliança é uma confirmação e uma ampliação da aliança original feita com Abraão. A aliança palestina estende as características da terra da aliança abraâmica. A ampliação, vindo após descrença e desobediência inten­cionais na vida da nação, apóia a tese de que a promessa original seria cumprida a despeito da desobediência.



II. As Disposições da Aliança Palestina

A aliança palestina é apresentada em Deuteronômio 30.1-10, em que lemos:

Quando, pois, todas estas cousas vierem sobre ti, a bênção e a maldição que pus diante de ti, se te recordares delas entre todas as nações para onde te lançar o Senhor, teu Deus; e tomares ao Senhor, teu Deus, tu e teus filhos, de todo o teu coração e de toda a tua alma, e deres ouvidos à sua voz, segundo tudo o que hoje te ordeno, então, o Senhor, teu Deus, mudará a tua sorte, e se compadecerá de ti, e te ajuntará, de novo, de todos os povos entre os quais te havia espalhado o Senhor, teu Deus [...] O Senhor, teu Deus, te introduzirá na terra que teus pais possuíram, e a possuirás [...] O Senhor, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o Senhor, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas. O Senhor, teu Deus, porá todas estas maldições sobre os teus inimigos [...] De novo, pois, darás ouvidos à voz do Senhor; cumprirás todos os seus mandamentos que hoje te ordeno. O Senhor, teu Deus, te dará abundância [...] porquanto o Senhor tornará a exultar em ti, para te fazer bem...

Uma análise dessa passagem demonstrará que há sete características principais no plano ali revelado:

1) A nação será tirada da terra por causa de sua infidelidade (Dt 28.63-68; 30.1-3);

2) haverá um arrependi­mento futuro de Israel (Dt 28.63-68; 30.1-3);

3) o Messias retornará (Dt 30.3-6);

4) Israel será reintegrado à terra (Dt 30.5);

5) Israel será conver­tido como nação (Dt 30.4-8; cf. Rm 11.26,27);

6) os inimigos de Israel serão julgados (Dt 30.7);

7) a nação receberá então bênção completa (Dt 30.9). (Lewis Sperry Chafer, Systematic theology, IV, p. 317-23)
À medida que se pesquisam as grandes áreas incluídas nessa úni­ca passagem, a qual estabelece o plano da aliança, é quase forçoso reco­nhecer que Deus considera a relação de Israel com a terra de extrema importância. Deus não só lhes garante a posse, mas Se obriga a julgar e afastar todos os inimigos de Israel, a dar à nação um coração novo e a convertê-los, antes de colocá-los na terra.

Essa mesma aliança é confirmada mais tarde na história de Israel. Ela se torna um dos assuntos da profecia de Ezequiel. Deus confirma Seu amor para com Israel durante a infância (Ez 16.1-7); Ele lembra de que Israel foi escolhido e aparentado a Jeová por casamento (v. 8-14); no entanto, Israel agiu como uma prostituta (v. 15-34); logo, a punição da dispersão foi cumprida contra ele (v. 35-52); essa rejeição de Israel, todavia, não é definitiva, porque haverá uma restauração (v 53-63). A restauração é baseada na promessa:


Mas eu me lembrarei da aliança que fiz contigo nos dias da tua mocidade e estabelecerei contigo uma aliança eterna. Então, te lembrarás dos teus caminhos, e te envergonharás quando receberes as tuas irmãs, tanto as mais velhas como as mais novas, e tas darei por filhas, mas não pela tua aliança. Estabelecerei a minha aliança contigo, e saberás que eu sou o Se­nhor (Ez 16.60-62).
Assim o Senhor confirma a aliança palestina e a declara aliança eterna, com a qual está comprometido.

III. O Caráter da Aliança Palestina

A aliança feita por Deus referente à relação de Israel com a terra deve ser vista como incondicional. Há várias razões para apoiar isso. Primeiro, é chamada por Deus aliança eterna em Ezequiel 16.60. Seria eterna apenas se seu cumprimento fosse dissociado da responsabilida­de humana e repousasse exclusivamente na Palavra do Eterno.

Em se­gundo lugar, é apenas uma expansão de partes da aliança abraâmica, a qual é, ela mesma, incondicional; logo, essa ampliação deve ser tam­bém eterna e incondicional. Em terceiro lugar, essa aliança tem a garan­tia divina de que Deus efetuará a conversão essencial para seu cumpri­mento. Romanos 11.26,27, Oséias 2.14-23, Deuteronômio 30.6 e Ezequiel 11.16-21 deixam isso claro.

A conversão é vista nas Escrituras como ato soberano de Deus e deve ser reconhecida como inevitável dada a Sua integridade. Em quarto lugar, partes dessa aliança já foram cumpridas literalmente. Israel passou pelas dispersões como julgamento de sua infidelidade. Israel passou por retornos à terra e espera o retorno defi­nitivo. A história de Israel está repleta de exemplos de juízos divinos contra seus inimigos. Esses cumprimentos parciais, que foram literais, indicam um cumprimento literal futuro de partes irrealizadas, nos mes­mos moldes.

Alguns podem sustentar que essa aliança é condicional por causa das afirmações de Deuteronômio 30.1-3: "quando [...] então". Devemos observar que o único elemento condicional aqui é o elemento tempo­ral. O plano é inevitável; o tempo em que esse plano se cumprirá de­pende da conversão da nação. Elementos condicionais de tempo não tornam todo o plano condicional, no entanto.

IV. Implicações Escatológicas da Aliança Palestina

A partir da afirmação original das disposições dessa aliança, é fá­cil perceber que, com base num cumprimento literal, Israel deve ser convertido como nação, reunido de sua dispersão mundial, instalado na sua terra, cuja posse lhe é restaurada, e ainda testemunhar o julga­mento de seus inimigos, recebendo bênçãos materiais a ele assegura­das. Essa aliança, então, exerce grande influência na nossa expectativa escatológica. Já que tudo isso jamais foi cumprido, e uma aliança eter­na e incondicional exige cumprimento, devemos colocar tal plano no nosso cronograma de acontecimentos futuros. Tal é a expectativa dos profetas que escrevem para Israel: Isaías 11.11,12; 14.1-3; 27.12,13; 43.1-8; 49.8-16; 66.20-22; Jeremias 16.14-16; 23.3-8; 30.10,11; 31.8,31-37; Ezequiel 11.17-21; 20.33-38; 34.11-16; 39.25-29; Oséias 1.10,11; Joel 3.17-21; Amós 9.11-15; Miquéias 4.4-7; Sofonias 3.14-20; Zacarias 8.4-8. Tal era a promessa oferecida aos santos. Quer eles vivessem para testemu­nhar o Messias confirmar essas promessas, quer alcançassem a terra por meio da ressurreição, gozariam paz enquanto esperavam a pro­messa de Deus.



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