Manual prático



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MANUAL PRÁTICO

DE


DELINQUENCIA JUVENIL


TERRORISMO POÉTICO
ARTE SABOTAGEM
TEATRO SECRETO
RELIGIÕES LIVRES
CONCEITOS DISTORCIDOS
IDEOLOGIAS SAQUEADAS
PIRATARIA DE IDÉIAS
SABOTAGEM CULTURAL
FNORD

Prólogo 1



Panfletagem Subliminar
Nada é verdadeiro, tudo é permitido
Leia o texto & mexa sua bunda gorda
Estamos em Território Inimigo & o Inimigo está em nós. A primeira Grande Batalha contra o Império deve se dar dentro de Nossas Cabeças.

Libertar nossa imaginação. Poderosos Feitiços Publicitários iludem nossos Desejos mais Puros, Belos & Loucos. Mau Olhado Policial que aprisiona nossa Espontaneidade Selvagem. Engodos Geopolíticos, Castração Gramatical contendo nossa linguagem transgressora.

As raízes do Poder Total do Império estão em nossa psique e regem nosso cotidiano.

O Assustador Buraco Negro do Poder que tudo absorve & que tudo subverte & que lucra zilhões com a revolta dos Pobres Formigomens, tristes Ibus declamando discursos libertários para um Céu de Concreto.

Os Protestos & Discursos não devem mais ser Espalhafatosos & Coniventes com a lógica do Espetáculo & da Mídia.

Devem ser em Silêncio & Invisíveis: SUBLIMINARES.

Uma Terrível Conspiração agindo no subconsciente das pessoas.

O Novo Ativismo Global encontra-se num beco sem saída: A "Geração de Seattle" encontra-se presa à sua própria mitologia. Os protestos contra a guerra não deram em nada. Os tanques nas avenidas de Bagdá são um Triste Retrato de uma derrota precoce.

Precisamos de Novas Táticas. Teatro Secreto. Loucos Subversivos agindo na calada da noite. Vândalos & Bárbaros criando Novas Situações que arrebentem as correntes da Realidade Consensual.

Panfletagem Aleatória despertando Estranhos Atratores numa caótica sociedade fragmentada


"Tornai-vos Invisíveis
Nada é Real-----Tudo é Permitido

Bárbaros Invisíveis que Nada Respeitam


Vândalos que fodem com o Cotidiano (mas que devem, impreterivelmente, Gozar Dentro)"

Comícios em forma de Jogos Secretos. (experimente fazer um comício em que as pessoas nem desconfiem tratar-se de um comício: PANFLETAGEM SUBLIMINAR) Terrorismo Postal & Sabotagem Ideológica (Santo Hakim), mas lembre-se que a Segunda Grande Batalha se dá no campo da Semântica Corrompida. Aproveite que o Demônio está embriagado com seu Vinho Do Poder & que os Magos não estão do lado do Império.

Faça seu Ativismo Secreto & suas Loucas Conspirações e no mundo real: seja um Delinquente, Inconsequente & Demente.
----Delinqüente (por causa do estupro do espaço)----Inconseqüente (por causa do estupro do tempo)----Demente (por causa do estupro da linguagem).
Panfletagem Subliminar Já.

Prólogo 2



A Balada da Nossa Geração


Somos Muitos & Faremos Muito Barulho

Ironia, cinismo e sarcasmo são nossas armas.

Somos Infantis, Mal Educados & Alienados, somos tudo o que o atual meio libertário mais odeia.

Nós escutamos o som alto sempre que isto nos convém. Achamos que se o vizinho velho morrer de brabo com a altura do som, é porque já era a hora dele.

Nós não bebemos água e não limpamos as unhas.

Nós não temos o costume de lavar as mãos antes das refeições, a menos que elas estejam sujas. E só nós mesmos temos condição de saber o que significa sujeira para nós.

Nós não temos carro, só pra pedir carona & roubamos o que temos vontade sempre que possível.

Queimamos Out-doors & Jogamos Merda nos bancos.


Somos Anti-éticos & Despudorados. Somos Rebeldes & Não temos causa alguma além de nos divertirmos e nos sentirmos livres.

Estamos pouco nos importando com o fato de estarmos destruindo uma propriedade privada. Isso é apenas vandalismo, nossa mais bela manifestação artística.



IMPORTANTE (Leia isso antes de prosseguir)
É permitida a reprodução total ou parcial dos textos contidos neste livro mesmo que a fonte, a obra e o autor não sejam citados Estão todos autorizados a copiarem os textos, modificarem o que quiserem, assumir a autoria e utilizarem para o que bem desejarem.

Goze sem entraves

Seja realista, exija o impossível

Nada é verdadeiro, tudo é permitido.

Todos os direitos desta obra reservados à

Humanidade

(qualquer cópia feita por alienígenas ou repolhos disfarçados de humanos irá gerar uma tremenda crise cármica cósmica)





Ficção ou Realidade: A Tosca Dialética da Delinqüência...


É fato que nos últimos dois anos um jovem senhor denominado com a “infame” alcunha de: Ari Almeida, vem despertando a atenção de diversos mortais para as suas ações junto de seu grupo: Os Delinqüentes.


Não é de hoje que lemos relatos miraculosos de Arte Sabotagem, Terrorismo Poético, Ativismo Estético e outros conceitos mais – influenciados por Hakim Bey e outros neo-situacionismos – creditados a Ari Almeida & Os Delinqüentes. Ficção ou realidade? Muito provavelmente a resposta não pode ser dada. A verdade é que uma tênue diferença separa estes dois conceitos quando pensamos nas ações Delinqüentes. Pouco sabemos destes rapazes delinqüentes, a não ser os relatos de seus supostos “ataques” que se passam na fria cidade de Curitiba. O Blogger Delinqüente, lugar onde Ari Almeida posta os relatos, muito bem escritos e articulados, de suas ações marginistas, já recebeu centenas e centenas e centenas de acesos. Chamando até mesmo a atenção da grande mídia corporativa, por ironia, um dos inimigos eleitos do bando que de maneira suposta se escondem numa baiúca no bairro Sítio Cercado, na periferia da capital paranaense.
Os Delinqüentes nada mais são do que um nome e um excesso de suposições. Não existem fotos e nenhuma outra referencia mais concreta, digamos assim, a estes senhores, profetas do caos, além dos já citados relatos das peripécias ideológicas libertarias do grupo. E é justamente o relato de todos os ataques realizados até o final de 2003 que este MANUAL PRÁTICO DE DELINQÜÊNCIA JUVENIL apresenta. Uma antologia do Caos Delinqüente Fnord-ico.
É evidente que a intenção que Ari Almeida & seus Outros Delinqüentes possuem ao lançar esta compilação completa e desesperada, nada mais é do que criar uma motivação para que outras pessoas mecham suas bundas obesas e ou esqueléticas de suas cômodas e acomodadas poltronas e façam algo de “concreto” em prol de uma nova realidade. Uma luta cômica e inusitada contra o Império. É verdade que estes textos podem estar motivando o surgimento de novos delinqüentes, vanguardistas e provocadores que se disponham a fazer coisas que nem mesmos estes tais de Os Delinqüentes tenham sequer imaginado em fazer. E esse é o alvo. Entretanto novamente surgira a pergunta: Ficção ou Realidade? Seja como for o mérito será deles, mas muito melhor (maior) se for verdade.

Por: Danni-el MACEDUSSS

Autor do livro ainda inédito: 68 manifestos contra 68

O Macarrão da mamãe é mais gostoso



(ato um)

Foi logo depois de começar a falar em Vandalismo & Barbárie mais seriamente que um amigo apareceu com a idéia dos pique-niques em supermercados. A princípio achei pouco prática: os seguranças logo nos colocariam para fora com chutes e pontapés. Eu estava equivocado, é preciso ser esperto para subverter a ordem cotidiana. Quando se fala em pique-nique logo vem à memória aquela imagem da toalha estendida ao chão, cheia de frutas, doces e salgados.


Quem disse que pique-niques tem de ser assim? Essa foi a primeira pergunta que me ocorreu. Depois foi o seguinte: o que, realmente é um lugar público? Supermercados são lugares públicos? É proibido comer dentro de uma supermercado? Pra mim, estas são perguntas inspiradoras. Por exemplo, é perfeitamente normal sentar em banco de praça, tirar da bolsa um sanduíche e comê-lo em paz. Mas fazer o mesmo em uma loja de departamentos pode ser diferente.
De repente lá estava eu imaginando estas coisas acontecerem. De repente lá estava eu entrando em contado com amigos Delinquentes & Doentes e pronto: uma inconsequente ação dos Novos Bárbaros estava sendo arquitetada, descobrimos que sim, podámos criar situações que subvertessem a rotina cotidiana e turbinasse a realidade banal com um pouco mais de arte. O material utilizado foi o mais básico e prosaico possível: marmitas de alumínio e a sobra da comida do fim de semana. O mundo moderno e seu tabus ocultos permite ótimas diversões pra quem curte criar situações.
Domingo à tarde já estávamos com tudo pronto: quarto marmitas cheias macarronada. O alvo: a C&A na segunda à tardinha, assim que todos tivessem abandonado seus trabalhos forçados. Faríamos uma operação sicronizada. Cada um levaria uma marmita e estaria com um relógio marcando a hora corretamente. Cada um abriria sua marmita em um setor diferente da loja com uma diferença estratégica de cinco minutos, o suficiente pra deixar os funcionários doidos em sua correria.

Seis e meia eu sento no setor de calçados, logo depois de dizer à atendente que estava apenas olhando os modelos e puxo minha marmita de macarrão. A funcionária fica visivelmente constrangida sem saber se fala algo ou não. De canto de olho vejo que ela se dirige ao segurança e pergunta algo. O segurança fala ao walk-talk e cochixa ao ouvido. Foi mais rápido do que eu esperava.


- Moço, eu sinto muito, mas aqui não é o lugar adequado pra fazer uma refeição.
- Porquê?
- Sabe como é, tem os outros clientes e pode ser que alguém não se sinta muito à vontade.
- Sentir-se muito à vontade? Quem não está se sentindo muito à vontade aqui sou eu.
- Senhor, procure entender...
- Moça, preste bem atenção, se o filho daquela mulher de vestido vermelho que está experimentando as sandalhas, quiser comer as batatinhas fritas que a mãe dele tem na bolsa, não vai poder?
- Mas senhor, é diferente...
- O que é diferente? Pelo que me consta aquelas batinhas tem muito mais cancerígenos que esse belo macarrão feito com todo amor e carinho por minha mãe.
A discussão estava se prolongando por mais tempo que a pobre funcionária planejara e o segurança logo se deu por conta disso e veio em seu auxílio.
- Algum problema?
Nem deixei a moça responder.
- Claro que estamos com um problema, um problemão! Parece que o filho daquela mulher ali de vermelho não está podendo comer seus salgadinhos.
- Não é isso, o problema não é com o menino... (a funcionaria começou a ficar realmente nervosa)... esse senhor aqui não quer entender que isso aqui é uma loja de departamentos e não um restaurante!
- É claro que isso não é um restaurante, não comprei essa macarronada aqui, não roubei ela de lugar algum e não vejo porque não comê-la.
O segurança era um daqueles típicos grandalhões seguros de si e sem medo algum que as discussões descambem pra violência.
- É o seguinte seu panaca, acho bom você levantar daí meio logo antes que as coisas se compliquem de verdade pro teu lado.
- As coisas não podem se complicar muito, comer macarronada é uma tarefa extremamente simples.
- Rapaz, eu não tô aqui pra conversa fiada não, tenho mais o que fazer.
Nisso começou a me puxar violentamente pelo cangote; pelos meus cálculos o Jean já estaria abrindo sua marmita no setor das calçinhas e sutiãs. Hora de chamar pelo gerente, sem esquecer da salutar dose de escândalos, para que não só o gerente deixe de vir e ainda leve umas porradas na saída de serviço ou no depósito.
- Ô seu macacão, eu quero falar com o gerente!
- Cala a boca rapaz!
- Calo a boca o cacete!! (eu já estava começando a gritar) Compro nessa loja à anos, nunca atrasei um pagamento e exijo a presença do gerente!!!
Nisso alguém chamou ele pelo rádio e me tranquilizei sabendo que o Jean tinha se manifestado. O grandalhão me soltou pra falar no rádio e pude me recompôr. O gerente já estava vindo. Finalmente eu veria como se saem os gerentes quando os problemas saem da rotina.
- Com licença, posso saber o que está acontecendo aqui?
Nessas horas um bom arruaçeiro deve saber se comportar dignamente e utilizar aquela cartinha bem educada que estava guardada na manga.
- Senhor, está ocorrendo um grande equívoco.

Nisso uma pequena multidão de curiosos já começava a se formar ao nosso redor.



- Essa funcionária, que me atendeu muito bem, diga-se de passagem, confundiu tudo e não permitiu que eu desse uma leve enganada no estômago antes que escolhesse um par de tênis, estava realmente me interressando por aquele Nike de 349 Reais.
- Mas senhor, tudo bem que você esteja um pouco faminto, nesse caso era só comunicar algum de nossos funcionários que prontamente conseguiríamos um lugar mais resevado para fazer sua refeição, o senhor concorda?
- Não! Não concordo não! Quer dizer que o menino vai ter de sair da loja pra comer seu salgadinho?
- Creio que o senhor não está entendendo.
- Do meu lado eu creio que alguma coisa muito errada está acontecendo aqui, este não é um ambiente em que eu, como cliente em potencial, não deveria estar me sentindo em casa?
- Mas senhor...
E aí começou toda uma ladainha gerencial cheia de palavras bem colocadas & chavões de bom atendimento & aquele velho papo furado de que "o direito de um acaba onde começa o direito de outro". O Jean devia estar se saindo bem, pois uma funcionária veio falar ao ouvido do gerente e os seguranças (agora eram três) desciam apressadamente as escadas em direção ao setor de moda masculina. Era o Vinicius e olha que o Vinicius é muito mais sarcástico e panfletário que eu.
O gerente gaguejou pela primeira vez, pediu pra funcionária que tinha me atendido que ficasse um pouco comigo e pediu licença prometendo voltar em poucos minutos. A menina ficou comigo sem dizer uma palavra, totalmente indignada pela situação. E eu contendo a vontade de rir; bem que alguém podia chamar a polícia para as coisas começarem a realmente ficarem grandes. Grande dia! Grande dia!
O combinado era que assim que a quarta marmita fosse aberta pelo Fábio no térreo, quinze pra sete, todos fossem para lá e daríamos abraços e beijos em todos. Foi um plano perfeito, diga-se de passagem, devíamos ter filmado a coisa toda, mas tudo bem, essas coisas vão ficar fotograficamente registradas em nossas memórias para o resto de nossas vidas.
O gerente estava demorando e a funcionária estava muito inquieta.
- Querida, pode dar uma volta pra relaxar que não tem perigo de eu voltar a comer, quer um pouco?
- Não, obrigada, respondeu ela, com a melhor cara de nojo que conseguira.
- De nada, baby.
Nisso bateu as sete e quinze e levantei-me de onde estava sentado. A funcionária deu um salto assustada de onde estava e logo voltou a sentar-se, reconhecendo o ridículo da situação. Triunfantemente dirigo-me ao térreo onde o Fábio estaria sem enxergar um segurança sequer, deviam estar todos ocupados. Encontrei a galera toda reunida com o Vinicius ainda discutindo com o gerente sobre o conceito de lugar públicos e privados e uma considerável multidão em volta. Eu tinha panfletos no bolso. Gosto de carregar certos panfletos no bolso. Jamais esquecerei a cara de tacho que o gerente fez quando o Vinícius fez uma cara de bravo, falou que não discutiria mais e catou nossas marmitas e jogou no lixo mais próximo.
- Realmente vocês tem razão! Este é um sagrado lugar de comprar onde não se deve nunca, jamais, cometer a heresia de não gastar. Senhor gerente! Estes três delinquetes juvenis são meus irmãos e o senhor pode ter ser certeza que contarei tudo, tim-tim por tim-tim para nossa mãe e esses três marginaizinhos ficarão pelo menos um mês sem comer macarrão.
Então começamos a nos dirigir para a saída da dando tchaus e beijinhos em todos os curiosos que estavam com algum sorriso no rosto. Disturbios Cotidianos são aquilo que eu considero mais divertido ultimamente. Antes de sair, virei-me para trás e joguei todos os panfletos com a frase "Seja realista, exija o impossível" que tinha no bolso, falando em alto e bom tom:
- Um forte abraço para todos vocês!!!!

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