Mariza russo



Baixar 58.92 Kb.
Encontro20.07.2016
Tamanho58.92 Kb.


A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NO ENSINO DA BIBLIOTECONOMIA: Contribuição Estratégica da Educação a Distância
INFORMATION TECHNOLOGY (IT) AND LIBRARY SCIENCE (LS) TEACHING: the strategic role of Distance Learning (DL) in Brazilian degree programs
MARIZA RUSSO

Professora Assistente do Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação, da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

mariza.russo@facc.ufrj.br

RESUMO
Nesta era de globalização, de uma instabilidade intensa e constante, a tecnologia é considerada como a caracterização da própria sociedade, visto que esta não pode ser entendida nem representada, sem suas ferramentas tecnológicas. No caso particular do Brasil, coexistem domínio e total ignorância tecnológica, aspectos que fazem com que se acentue o fosso entre os homens. É neste contexto que se insere a tecnologia da Educação a Distância (EaD) - que com sua concepção de ensino mais aberto - é vista como uma contribuição estratégica para modificar o cenário brasileiro, em termos de acesso ao conhecimento, dadas suas características diferenciadas como a flexibilidade de seus programas, e, fundamentalmente, a ênfase na autonomia em relação à escolha de locais e horários de estudo. Na área específica de Biblioteconomia, no Brasil, em que são ofertados 39 cursos, a hipótese que se vislumbra é a de que área é conservadora em relação à utilização das tecnologias de informação mais modernas em seus programas de ensino. A verificação do uso dessa tecnologia, neste universo, constatará se a hipótese levantada é ou não verdadeira. Os resultados poderão suscitar contribuições que motivem a disseminação da utilização de práticas inovadoras na área.
Palavras-chaves
Tecnologia da Informação; Educação a Distância; Ensino da Biblioteconomia.

ABSTRACT

Globalization has brought about unstable and turbulent times, wherein a technological development is assumed to depict society at large: in our times society cannot be understood nor represented without its technological tools and traits. In the case of Brazil both technological proficiency and ignorance coexist to the impairment of a greater social understanding. In such a context Distance Learning (DL) seems to have a strategic contribution in terms of access to knowledge. Given its wider scope regarding the flexibility and autonomy of learning activities, DL may help changing overall learning processes in Brazil. As long as LS degree programs are concerned, there is room to assume that most among the existing 39 degree programs in Brazilian universities are still very conservative toward the use of the newest IT tools. This paper will accomplish an exploratory test of that hypothesis. Findings are hoped to contribute toward disseminating some innovative practices throughout the LS university environment.


KEY-WORDS
Information Technology; Distance Learning; Library Science Teaching.

Rio de Janeiro

jan. 2008

1 INTRODUÇÃO

O cenário do mundo, no século XXI, é caracterizado pelo imenso volume de informações que são geradas e que circulam em grande velocidade, acarretando transformações profundas em todos os níveis do conhecimento humano.

Vive-se a era da globalização, de uma instabilidade intensa e constante, na qual a tecnologia é considerada não como um elemento determinador da sociedade, mas como a caracterização da própria sociedade, na medida em que esta não pode ser entendida nem representada, sem suas ferramentas tecnológicas (BIJKER et al., 1987 apud CASTELLS, 1999).

Impulsionadas pelo crescimento tecnológico, mudanças aceleradas vêm ocorrendo em todos os setores, tanto nos ambientes econômicos, como nos financeiros, nos demográficos, nos políticos e nos sócio-culturais, sendo que nestes cada vez mais se constatam as desigualdades, provocadas por inúmeros fatores que quase sempre são de responsabilidade da própria sociedade.

A partir da década de 1970, a nova dinâmica tecnológica - aliada ao foco na flexibilidade dentro das organizações - se sobressai à produção em massa, vendo surgir as tecnologias intensivas em informação, as quais estão se tornando fundamentais como estratégias competitivas no Ambiente 21 (1).

A economia antes baseada na terra e no capital passa a ser fundamentada no conhecimento, que demanda o domínio de novos saberes e a capacidade de transformá-los em vantagem competitiva.

A sociedade que emerge dessa mudança de paradigma – denominada Sociedade da Informação (2) - exige uma colaboração interdisciplinar, fazendo com que os projetos educacionais tenham que responder aos desafios dos avanços científicos e tecnológicos e fundamentem seus programas em bases que garantam uma formação de qualidade, compatível com as demandas do mercado profissional atual.

Oliveira (2006) entende que os recursos das tecnologias da informação são instrumentos relevantes na sociedade do conhecimento; no entanto, ressalta que a integração parcial dos países periféricos à nova economia – com acesso desigual às informações e ao conhecimento – estabelece limites intransponíveis para segmentos sociais menos capacitados a responderem aos desafios do novo contexto técnico-econômico.

No caso particular do Brasil, coexistem pobreza e riqueza, atraso e desenvolvimento, domínio e total ignorância tecnológica, aspectos que fazem com que se acentue o fosso entre os homens, levando-os a patamares sempre mais distantes da felicidade por todos almejada.

Ao mesmo tempo em que essas fragilidades são evidenciadas, a busca no mercado de trabalho valoriza cada vez mais a capacidade de análise e de comunicação do profissional, assim como seu preparo técnico para utilização eficiente e inovadora de ferramentas tecnológicas modernas.

As saídas que se vislumbram para minimizar estes problemas deverão passar pela Educação, sendo indispensável que se busque alcançar o máximo de produtividade do sistema educacional como agente promotor do desenvolvimento econômico e social do país; no entanto, este sistema permaneceu, por muitos anos, calcado em uma visão clássica, centrado em um modelo, cuja estrutura tradicional – a escola – é considerada como o único local em que se acumula e se sacraliza o saber.

É neste contexto que se insere a tecnologia da Educação a Distância (EaD), que com sua concepção de ensino mais aberto, pode ser vista como uma estratégia para modificar o cenário brasileiro, em termos de acesso ao conhecimento, dadas suas características diferenciadas como a flexibilidade de seus programas, a agilidade dos mecanismos administrativos e, fundamentalmente, a ênfase na autonomia dos alunos em relação à escolha de locais e horários de estudo.

Formiga (2004) salienta que a tecnologia da educação a distância é uma das respostas para minimizar problemas crônicos da educação nacional, como o de que apenas 9% da população entre 18 e 25 anos esteja matriculada no ensino superior, em contraste com dados internacionais de 30% da Argentina, 50% dos Estados Unidos e 60% do Canadá.

No campo da Biblioteconomia, Haycock, citado por Souza (2001), apresentou um estudo sobre esse tema, no Congresso Geral da International Federation of Library Associations (IFLA), realizado em agosto de 2000, focalizando que um currículo de informação para o século XXI deve fornecer: conhecimento em política e gestão em profundidade; um número de conhecimentos técnicos que enfatize as necessidades dos usuários; a informação em qualquer suporte; tecnologia de informação e um conhecimento sobre mídias não textuais (imagens, filmes, multimídia, Internet etc).

Sob esta ótica, a tecnologia de Educação a Distância, inserida no currículo do curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação, da UFRJ, vem contribuir para oferecer uma proposta político-pedagógica visando não só a formação teórica dos alunos, como também a sua capacitação no uso das ferramentas tecnológicas.

2 OBJETIVOS


  • Aplicar a tecnologia de Educação a Distância (EaD) no Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);

  • Verificar quais os outros cursos da área de Biblioteconomia que aplicam a tecnologia de EaD em seus programas de ensino, com a finalidade de motivar o seu uso mais freqüente, na área de Biblioteconomia;

  • Utilizar a tecnologia de EaD como estratégia para capacitação dos futuros profissionais, visando sua preparação para atuar no mercado de trabalho do Ambiente 21.

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Para se refletir sobre os objetivos propostos, a fundamentação teórica aborda os temas envolvidos na questão, a saber: Tecnologia da Informação, Educação a Distância e Ensino da Biblioteconomia no Brasil. Os trabalhos citados pretendem suscitar discussões e, com isso, trazer contribuições valiosas para o estudo em questão.



    1. Tecnologia da Informação

Antes de se falar em tecnologia, os gregos registraram o conceito de técnica como a criação daquilo que a natureza, por algum motivo, não tinha chegado a criar. O termo tecnologia tem origem no Séc. XVII, com a publicação da “Glossographia”, de Blount, em 1670, e estava relacionado à descrição de ofícios, artes e manufaturas.

Timm (1971) considera que o termo tecnologia tenha sido utilizado pela 1ª vez, em 1875, por Georg Friedrick von Lamprecht, que o designava como a ciência que ensina a forma e a maneira com que hão de ser trabalhados os produtos brutos da natureza, por meio da técnica humana, de acordo com as necessidades da vida.

Segundo Rüdiger (2004), na época Moderna, se inicia a distinção entre “ciência” – de natureza teórica – e “saber” – de natureza prática e instrumental. Gradativamente, surge a identificação da técnica com a máquina. O autor aponta que a expansão da tecnologia ocorre durante a Revolução Industrial, dividindo esta evolução em três estágios: o primeiro - relativo à utilização da máquina como um instrumento para exploração dos recursos da natureza; o segundo - marcado pela descoberta da eletricidade e pelo surgimento dos sistemas fabris; e o terceiro - caracterizado pela automação desses sistemas e pelo aparecimento de tecnologias capazes de programá-los.

Lévy (1999) retrata de forma similar essa evolução, distinguindo também três tipos de estágios: no primeiro estágio, é salientada a relação homem X natureza, presente na Antiguidade, quando surgiram as técnicas, permitindo ao homem criar aquilo que não poderia ser criado pela natureza. No segundo estágio, durante a Modernidade, prevalece a relação homem X máquina, na qual se inicia uma crescente valorização da razão e identificação da técnica com a máquina. Por fim, na Atualidade, predomina a relação homem X informação, na qual a informação passa a ser considerada de suma importância para o homem, sendo transmitida em volumes e distâncias cada vez maiores e em tempos cada vez menores.

Desde então, passa-se a utilizar o termo tecnologia da informação, a qual vem assumindo uma posição estratégica dentro das organizações e seus impactos têm atingindo todos os setores, tanto no que concerne aos processos desenhados, como aos produtos e serviços desenvolvidos. Informações gerenciais são processadas por meio das Tecnologias de Informação (TIs) para obtenção de melhorias nos processos e para apoiar as decisões estratégicas.

A influência da tecnologia da informação no setor educacional se faz presente na prática docente e nos processos de aprendizagem, representados principalmente pelo uso dos computadores, que ampliaram a velocidade de processamento e disseminação das informações.

Para Oliveira (2006), a era tecnológica levanta inúmeras questões relativas à elaboração de projetos educacionais, dentre as quais podem ser destacadas: a capacidade de formar profissionais para lidar com as tecnologias de informação e a competência para desenhar projetos pedagógicos e currículos que garantam formação profissional de qualidade.

O papel das instituições de ensino, na visão de Delors (1996), diz respeito à formação de indivíduos, levando-os a aprender a conhecer, a fazer, a viver junto e a ser, concepção esta ditada pela Unesco. Neste sentido, o uso das tecnologias de informação – como o e-learning e a educação a distância – representam uma opção estratégica para cumprir estas diretrizes e, ainda, podem dar suporte para atender expectativas da sociedade contemporânea como flexibilidade de tempo e de espaço, redução de custos, maior alcance geográfico, maior intercâmbio de informações entre profissionais das diversas áreas do saber, intensificando as oportunidades de ampliar o aprendizado (OLIVEIRA, 2006).




    1. Educação a Distância (EaD)

Originada dos cursos por correspondência, utilizados na década de 1950, uma nova modalidade de educação, denominada Educação a Distância (EaD), apresenta como uma de suas características principais a flexibilidade – fator de grande relevância no mundo da produção, no século XXI.

Apoiada nos avanços tecnológicos, a EaD foi vencendo a incredulidade dos céticos e se inserindo no cenário educacional, sendo hoje entendida como uma estratégia de ampliação democrática do acesso à educação de qualidade, direito do cidadão e dever do Estado e da sociedade (LOBO NETO, 2001).

Niskier (1999), em algumas de suas obras, denomina a Educação a Distância como a “Tecnologia da Esperança”, na medida em que se ampliaram as condições de ensino, antes centradas somente nas salas de aula, transportando-as para alternativas mais audaciosas, como o uso de vídeos, satélites, microcomputadores, correio eletrônico e Internet.

As diferentes mídias que foram incorporadas ao ensino, ao longo dos anos, têm definido os suportes fundamentais da EaD, como: livros ou cartilhas, que acompanharam as propostas iniciais; a televisão e o rádio, que constituíram os suportes da década de 1980; as redes de satélites, integradas a partir dos anos de 1990 e o correio eletrônico e a Internet, que surgem como os grandes propulsores da modalidade (LITWIN, 2001).

Os suportes tecnológicos emprestam um novo enfoque ao processo educativo, principalmente, no que diz respeito à interação entre docentes e aprendizes. Devido à flexibilidade de sua proposta, permitem um maior grau de autonomia de espaço, de tempo, de ritmo, aproximando os interesses pessoais dos coletivos.

O tema da EaD tomou maior vulto, no Brasil, em 1971, por ocasião da participação de uma delegação brasileira em uma reunião do Birô Internacional de Educação, da UNESCO, em Tóquio, que iria discutir – entre outros assuntos – a educação de adultos. O então Ministro da Educação, Jarbas Passarinho – integrante da referida delegação – organizou uma visita à Inglaterra, para que se estudasse um programa denominado “Universidade Aberta”, buscando trazer subsídios para possível adoção do mesmo no País. Foi criado, dessa forma, em 1972, o Programa Nacional de Teleducação (PRONTEL), pelo Ministério da Educação (MEC), com o objetivo de coordenar as atividades de teleducação no País, prevendo a associação das mídias de rádio e televisão às técnicas tradicionais de ensino.

O primeiro grande decreto, considerado como instrumento de valorização da EaD, foi o Decreto no 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, regulamentado pela Portaria no 301, de 7 de abril de 1998; mesmo sem contar com a participação de especialistas na discussão, foram registrados avanços consideráveis no assunto.

No Decreto, o conceito de EaD aparece como:


“uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados e veiculados pelos diversos meios de comunicação” (NISKIER, [2000]).
Em relação ao ensino superior, a regulamentação em questão dispôs apenas sobre a oferta de cursos de graduação, em nível de bacharelado, de licenciatura e de formação de tecnólogo. Os programas de mestrado e doutorado foram regulamentados, posteriormente (Id.).

O Decreto no 1.917, de 27 de maio de 1996, criou a Secretaria de Educação a Distância (SEED), cuja estrutura regimental foi alterada pelo Decreto no 5.159, de 28 de julho de 2004, com o objetivo de permitir a potencialização dos recursos existentes e qualificar sua atuação. Seu público-alvo é composto por alunos, professores e gestores de escolas públicas de ensino fundamental, médio e de instituições públicas de ensino superior, bem como de secretarias estaduais e municipais de Educação (SECRETARIA..., [2004]).

Dados da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) apontam que o Brasil teve, em 2006, 2.279 milhões de alunos a distância matriculados em vários tipos de cursos: no ensino credenciado, fazendo educação corporativa e em outros projetos nacionais e regionais (Sebrae, CIEE, Fundação Bradesco, Fundação Roberto Marinho etc). Isso significa que um em cada oitenta brasileiros estudou por EaD no ano passado. Existem em todo o Brasil 889 cursos a distância (credenciados pelo Sistema de Ensino – MEC e conselhos estaduais de educação). O maior grupo isolado é o de pós-graduação lato-sensu (246 cursos); os de graduação são 205.
3.3 Ensino da Biblioteconomia no Brasil
A partir do século XIX, várias associações profissionais foram se estruturando, fazendo com que surgisse a percepção de que era necessária a formulação e a transmissão teóricas sobre os conhecimentos nas áreas específicas. Peleski, citado por Souza (2001) apresenta dessa forma a organização científica (ou moderna) do trabalho: de evolução da atividade humana, que passa de um estágio de ocupação para um estágio de profissão, de um saber prático para um conhecimento teórico.

A Biblioteconomia passou, também, por esta trajetória; nos Estados Unidos, do século XIX, buscando sua identidade profissional. Melvin Dewey criou o Library Journal e a American Library Association (Id.), e foram então implementados os primeiros cursos de Biblioteconomia.

No Brasil, o Decreto no 8.835, de 11 de julho de 1911, oficializou o primeiro curso de Biblioteconomia, em nível de graduação, na Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro, cuja primeira turma teve início em abril de 1915. O modelo deste curso pioneiro se inspirou no programa francês, da École des Chartes, enfatizando o aspecto cultural e humanístico, mais do que os aspectos técnicos, do modelo norte-americano. O “Mackenzie College” fundou, em 1829, um curso de Biblioteconomia, seguindo os padrões americanos (CALDIN, 1999).

Em 1936, a Prefeitura Municipal de São Paulo criou um curso de Biblioteconomia, o qual foi incorporado à Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em 1940, funcionando até os dias de hoje (Id.).

O surgimento de outros cursos - cada um com suas características - fez com que se impusesse a normalização dos mesmos, em se tratando de duração e conteúdos curriculares. A Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (FEBAB), afiliada à IFLA, empenhou-se na solução desta questão, o que resultou na emissão pelo Conselho Federal de Educação (CFE) da Resolução de 18 de novembro de 1962, que fixou o currículo mínimo e a duração dos cursos de Biblioteconomia no Brasil (Id.). Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), em 20 de dezembro de 1996, os cursos de Graduação passam a se nortear pelas Diretrizes Curriculares de cada área, calcadas em maior flexibilidade e autonomia, em consonância com as demandas da sociedade contemporânea.

Hoje, são ofertados, na área de Biblioteconomia, no País, 39 cursos, sendo o mais novo deles o da UFRJ – Biblioteconomia e Gestão de Unidades e Informação -, que surge com uma nova proposta, a de formar bibliotecários aptos a atuar no Ambiente 21.

Procedendo-se a uma análise da localização destes cursos, verificou-se que a sua maior concentração apresenta-se na região sudeste do País (50%), fato que é justificado pelo grande percentual de bibliotecas instaladas, também na região (47%), segundo pesquisa realizada por Russo (2003).

A comissão que elaborou a proposta político-pedagógica do novo curso da UFRJ analisou grande parte dos currículos dos 38 cursos já existentes, percebendo que muitos deles precisavam agregar inovações não só em seus programas, como também na utilização de tecnologias de informação, a fim de se tornarem compatíveis com as exigências do mercado de trabalho atual (PROPOSTA..., 2005).

Experiências esparsas foram detectadas, nesta análise, em relação à aplicação da EaD, nos cursos de Biblioteconomia, como a da UFSC e a da UFF; porém as mesmas ainda não podem servir de sustentação para provar que a área é adepta ao uso das tecnologias de informação em seus currículos.

4 HIPÓTESE

A área de Biblioteconomia é conservadora em relação à introdução de processos de inovação, principalmente em se tratando da utilização das tecnologias de informação mais modernas em seus programas de ensino.



5 METODOLOGIA

A metodologia escolhida para testar a hipótese levantada e ajudar a atingir os objetivos discriminados foi a do estudo de caso, o qual permite que sejam observados os fatos, da forma em que eles ocorrem, para se registrar as variáveis de interesse, passíveis de análises posteriores.

Tendo sido determinado como campo de estudo a área de Biblioteconomia, serão observados os 39 cursos existentes no país, encontrados no site da Associação Brasileira de Ensino em Ciência da Informação (ABECIN).

O questionamento do estudo de caso recairá, principalmente, sobre as seguintes observações:




  1. O curso aplica a modalidade de Educação a Distância em seu currículo?

  2. Caso positivo, em uma ou em mais disciplinas?

  3. Caso negativo, existe a previsão de uso da metodologia de EaD, em futuro próximo?

A primeira parte da coleta de dados consistirá em busca nos sites dos respectivos cursos. Para a segunda abordagem, será estabelecido um contato eletrônico com os coordenadores dos cursos, no qual será aplicado um questionário com perguntas semi-abertas. O contato pessoal só será realizado caso o eletrônico não obtenha sucesso e servirá, também, para avaliar o grau de inserção do curso no contexto virtual.

No estudo de caso, serão analisadas, também, questões tais como a existência de política de EaD na instituição de ensino, na qual o curso está inserido; de facilidades e dificuldades encontradas na implementação da modalidade de EaD e de vantagens e desvantagens reconhecidas na aplicação da EaD.

Após a compilação dos resultados da observação, serão analisados os dados obtidos, para tentar se estabelecer o grau de inclusão da EaD na área definida.

Dessa forma, espera-se traçar um quadro de como a área de Biblioteconomia vem lidando com as inovações tecnológicas, mas especificamente no que diz respeito às práticas educativas.
6 A EXPERIÊNCIA DO CBG
Considera-se inegável a importância do ensino presencial; entretanto, não há como atribuir-lhe o papel de único responsável por desenvolver, construir ou criar o conhecimento humano. Nesse sentido, com a finalidade de agregar valor, a tecnologia de EaD vem sendo aplicada no CBG, desde o início de sua primeira turma – em agosto de 2006, na disciplina Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação (FBCI).

É utilizada uma plataforma interativa, denominada Quantum, desenvolvida pela empresa REDINTEL, e customizada para a UFRJ. A Quantum possui as seguintes ferramentas: Agenda; Bibliografia; Biblioteca; Chat; Colaboração; Downloads; FAQ; Fórum; Glossário; Mural; Perfil; Quadro de Avisos; Quem está on line; Sala de Tutoria; Tira-Dúvidas. Estas ferramentas visam ampliar a interatividade entre alunos e professores, por meio da utilização deste canal de comunicação, no sentido de enriquecer o processo ensino-aprendizagem.

A partir de uma senha, os alunos podem utilizar todas as ferramentas, sendo o professor um motivador deste uso.

A plataforma, conta com um diferencial de perfis, que possibilita ao professor o gerenciamento do conteúdo de seu curso e dos indicadores administrativos, com a emissão de relatórios de freqüência dos alunos ao Curso (nº de visitas), notas, médias, avaliações etc.

Mais iniciativas de EaD são, ainda, utilizadas em outras disciplinas do CBG, tais como: História do Registro da Informação; Bibliotecas, Informação e Sociedade; Serviço de Referência e História, Memória e Documento.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O entendimento da necessidade do Brasil buscar maior inserção na economia mundial faz com que se procure encontrar saídas estratégicas para atingir este objetivo.

O exemplo de países como a China e a Coréia, que galgaram patamares surpreendentes no ranking econômico internacional, nos últimos anos, investindo enfaticamente na educação de seu povo, corrobora a idéia de que “a educação é o mais vital de todos os recursos”(SCHUMACHER, 1977, p. 67).

O Brasil, com sua grande população e com o alto índice de analfabetos ou semi-analfabetos, requer a utilização de práticas educacionais que não se limitem a espaços determinados e, ao mesmo tempo, que permitam – por meio de programas mais flexíveis – a participação de um maior número de aprendizes.

A proposta do uso da tecnologia de Educação a Distância vem ao encontro destes requisitos e se constitui em uma contribuição estratégica para elevar o País no cenário econômico mundial.

A aplicação da EaD no ensino de graduação em Biblioteconomia, por sua vez, também é vista como um caminho para a consecução desse objetivo pretendido pelo Brasil. A formação dos profissionais de hoje, além de focalizar o atendimento às demandas do mercado, deve estar voltada, também, para a preparação de cidadãos imbuídos de valores éticos e comprometidos com a construção de uma sociedade mais inclusiva.

A verificação do uso dessa tecnologia nos cursos de Biblioteconomia, oferecidos no Brasil, a ser feita na próxima fase deste estudo, servirá para constatar se a hipótese levantada é ou não verdadeira. Os resultados poderão suscitar contribuições que motivem a disseminação da utilização de práticas inovadoras na área em questão. No caso específico do CBG, em sintonia com sua proposta temática diferenciada, pretende-se, também, aplicar a tecnologia de EaD em cursos de extensão, os quais irão servir para capacitar profissionais das mais longínquas regiões brasileiras, oportunidade essa pouco explorada pelos demais cursos do país.

Espera-se, ainda, com essa prática influenciar outros professores e alunos para que eles possam desenvolver novas formas de compreender a realidade, com autonomia, participação e crítica, comprometidos com o exercício da cidadania, a fim de contribuir para a construção de um Brasil melhor.

Com esses novos rumos tecnológicos e com a introdução de propostas inovadoras no processo de formação profissional, espera-se ajudar a reduzir as desigualdades entre os cidadãos.
7 NOTAS

(1) Cenário de intensas mudanças, no qual os conhecimentos científico e tecnológico se constituem em insumos básicos das organizações e onde as palavras de ordem são: flexibilidade, celeridade, autonomia, inovação e competitividade.

(2) Também denominada Sociedade do Conhecimento.

8 REFERÊNCIAS

BATISTA, Wagner Braga. Educação a distância: ampliar ou superar distâncias? 2001. 2 v. (Doutorado em Educação) Programa de Pós-graduação em Educação. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2001.

CALDIN, C.F. et al. Os 25 anos do ensino da Biblioteconomia na UFSC. Encontros Bibli: Revista de Biblioteconomia e Ciência da informação, Florianópolis, n. 7, abr. 1999.

CASTELLS, Manuel. A Sociedade em rede. 7.ed. rev. e ampl. São Paulo: Paz e Terra, 1999. v.1: A Era da informação: economia, sociedade e cultura.

DELORS, Jacques. Educação, um tesouro a descobrir: relatório para a Unesco sobre educação para o século XXI. São Paulo: Cortez. 1996.

FORMIGA, Marcos. Evolução dos 100 anos da Educação a distância no Brasil. In: BAYMA, Fátima (org.). Educação corporativa: desenvolvendo e gerenciando competências. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2004.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.

LITWIN, Edith (Org.). Educação a distância: temas para o debate de uma nova agenda educativa. Trad. de Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2001.

LOBO NETO, Francisco, J. S. Educação à distância: regulamentação. Brasília: Plano, 2001.

NISKIER, Arnaldo. O Direito à tecnologia da esperança. [2000] Disponível em: http://www.cjf.gov.br/revista/numero6/artigo18.htm. Acesso em: 07 set. 2005.

__________. Educação à distância: tecnologia da esperança – políticas e estratégias para a implantação de um sistema nacional de educação aberta e à distância. São Paulo: Loyola, 1999.

OLIVEIRA, Fátima Bayma. A Contribuição estratégica da Educação. In: _______. Tecnologia da informação e da comunicação: desafios e propostas estratégicas para o desenvolvimento dos negócios. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006.

PROPOSTA Pplítico-pedagógica de implantação do Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG/UFRJ). Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2005. 45 f.

RÜDIGER, Francisco. Introdução às teorias da cibercultura. Porto Alegre: Sulina, 2004.

RUSSO, Mariza. As bibliotecas universitárias no cenário brasileiro. Revista CFB, Brasília, ano 2, n.1, p.3, maio 2003.
SCHUMACHER, E.F. O Negócio é ser pequeno: um estudo da Economia que leva em conta as pessoas. Trad. de Octavio Alves velho. Rio de Janeiro: Zahar, 1977.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. Relatório de gestão 2004. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seed/ Acesso em: 15 set. 2005

SOUZA, Francisco das Chagas. Contexto do ensino de Fundamentos Teóricos de Biblioteconomia na UFSC. Encontros Bibli: Revista de Biblioteconomia e Ciência da informação, Florianópolis, n. 12, dezembro 2001.



TIMM, A. Pequeña historia de la tecnologia. México: Guadarrama, 1971.




Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal