Marshall berman tudo que é SÓlido desmancha no ar a aventura da modernidade



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Patterns and Problems of Economic Development, 1861-1958”, no seu Economic Backwardness in Historical Perspective (1962; Praeger, 1965), p: 119-51.



9. Gerschenkron, “Economic Development in Russian Intellectual History of the 19th century”, in Economic Backwardness, p. 152-97. Esse ensaio é uma corajosa acusação a quase todos os escritores e pensadores da “Idade de Ouro” da Rússia. Sobre Belinski vs. Herzen, p. 165-9. V. também os ensaios de Isaiah Berlin sobre Herzen e Belinski no seu Russian Thinkers.

  1. Citado por Donald Fanger, em Dostoevsky and Romantic Realism, p. 149-50; v. todo o cap. 5, “The Most Fantastic City”, p. 137-51. A evocação mais conhecida de Petersburgo como um fantasma ou cidade-sonho, por Dostoievski, está em Noites Brancas (1848). Fänger é excelente no tratamento das tradições literárias e populares que embasam esse tema de Dostoievski.

  2. Sobre a reconstrução de Nevski, v. Egorov, Architectural Planning of St. Petersburg p. 204-8.

  3. V. Panorama of the Nevsky Prospect, de Sadovinkov (Leningrado, Pluto Press, 1976), com textos em inglês, francês, alemão e russo. Essa incrível série descreve minuciosamente a construção de Nevski. Mas Sadovinkov trabalhou num estilo pouco ágil que, apesar de captar a diversidade da rua, perde a sua fluência e dinamismo.

Nevski como uma arena para o confronto entre a Rússia e o Ocidente é o tema do que parece ser a primeira obra literária na qual a rua assume um papel central: o conto de 1833 do príncipe Vladimir Odoievski, “A Tale of Why It Is Dangerous for Young Girls to Go Walking in a Group Along Nevsky Prospect”, trad. Samuel Cioran, Russian Literature Triquarterly, n? 3 (primavera 1972), p. 89-96. O estilo de Odoievski aqui é meio satírico, meio surreal — e, como tal, pode ter influenciado as evocações de Nevski em Gogol — mas definitivamente convencional, conservador e patrioticamente complacente na sua visão da rua e do mundo.

  1. Utilizei principalmente a tradução de Beatrice Scott (Londres, Lindsy Drummond, 1945). V. também David Magarshack (Gogol, Tales of Good and Evil, Anchor, 1968) e as traduções de Donald Fanger de longos excertos em Dostoevsky and Romantic Realism, p. 106-12. Fanger insiste no mérito e importância dessa história e oferece uma discussão sensível da questão. Fazendo uso extensivo do trabalho do crítico e literato soviético Leonid Grossman, ele é excelente quando descreve o mistério e romance da paisagem de Petersburgo, e a cidade como habitat natural para um “realismo fantástico”. No entanto, o romance de Fänger sobre Petersburgo desconsidera a dimensão política que estou tentando assinalar.

  2. V. Nikolai Gogol, de Nabokov (New Directions, 1944), cap. 1, para um sombrio relato do último gesto de Gogol. Nabokov também discute, de forma brilhante, naturalmente, “O Projeto Nevski” mas escapa-lhe a ligação entre visão imaginativa e espaço real.

  3. Esse trecho, como muitos outros, foram cortados pelos censores de Nicolau, que revisaram esse texto com extrema atenção, aparentemente receosos de que a evidente amargura e os delírios, ainda que de um louco, pudessem despertar pensamentos irreverentes e perigosos entre as pessoas sãs. “The Censorship of Gogol’s Diary of a Madman, de Laune Asch, Russian Literature Triquarterly, n? 14(inverno 1976), p. 20-35.

  4. “Petersburg Notes of 1836”, trad. Linda Germano, Russian Literature Triquarterly, nº 7 (outono 1973), p. 177-86. A primeira metade desse artigo apresenta um dos clássicos contrastes simbólicos entre Petersburgo e Moscou.

  5. Gente Pobre e os trabalhos que a ele se seguiram — destacando-se O Sósia e Noites Brancas — imediatamente consagraram Dostoievski como um dos maiores escritores urbanos do mundo. Neste livro, apenas uma parte dos aspectos da rica e complexa visão urbana de Dostoievski serão explorados. A melhor abordagem da sua urbanidade pode ser encontrada no trabalho pioneiro de Leonid Grossman. Quase todo esse trabalho está por ser traduzido, v. , no entanto, Dostoevsky: His Life and Work (1962), trad. Mary Sackler (Bobbs-Merrill, 1975), e Balzac and Dostoevsky, trad. Lydia Karpov (Ardis, 1973). Grossman dá ênfase ao gênero folhetim no jornalismo urbano de Dos toievski na década de 1840 e aponta as suas influências nos romances, especialmente em Noites Brancas, Notas do Subterrâneo e Crime e Castigo. Alguns desses folhetins foram traduzidos por David Magarschck em Dostoevskys Occasional Writings (Random House, 1963); eles são discutidos com bastante sensibilidade por Fänger, p. 137-51, e por Joseph Frank, em Dostoevsky: The Seeds of Revolt, 1821-1849 (Princeton, 1976), especialmente p. 27-39.

  6. Trad. Andrew MacAndrew, em Three Short Novels of Dostoevsky (Bantam, 1966). Há também uma tradução de David Magarshack, Poor People (Anchor, 1968).

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  1. Naturalmente nem toda a segurança do mundo pode salvar uma vitima de um verdadeiro assassino. O czar Alexandre II seria assassinado, em 1881, numa carruagem, nas imediações da rua Nevsky, por terroristas que se colocaram ao longo do caminho a ser percorrido pelo czar e esperaram pelo inevitável congestionamento do tráfego.

  2. The Double, trad. Andrew MacAndrew, em Three Short Novels of Dostoevsky, citado na nota 18, e por George Bird, em Great Short Works of Dostoevsky (Harper & Row, 1968). Fiz uso de ambas as traduções.

  3. Essa frase foi cunhada, em 1882, logo após a morte de Dostoïevski, por um líder e pensador populista, Nikolai Mikhailovski. Mikhailovski usou o argumento de que a simpatia de Dostoievski pelos “fracos e oprimidos” foi sendo gradativamente obscurecida por um perverso prazer pelos seus sofrimentos. Declarava também que esse fascínio pela degradação tornou-se cada vez mais manifesto e alarmante na obra de Dostoievski, mas que poderia ser encontrado já em obras anteriores, como, por exemplo, em O Sósia. V. History of Russian Literature, de Mirsky, p. 184, 337; Dostoevsky in Russian Literary Criticism, 1846-1956, de Vladimir Seduro (Octagon, 1969), p. 28-38.

  4. Civilization and Its Discontents, 1931, trad. James Strachey (Norton, 1962), p. 71; cf. 51. A literatura russa do século XIX e início do século XX, especialmente aquela produzida em Petersburgo, é bastante rica em imagens e idéias de um “Estado policial” no interior do ser. Freud acreditava que a terapia psicanalítica devia esforçar-se por fortalecer o ego contra um superego exageradamente punitivo, tanto o cultural como o pessoal. A tradição literária inaugurada com “O Cavaleiro de Bronze” pode ser vista como cumpridora desse papel na sociedade russa.

  5. O melhor trabalho sobre “os homens dos anos 60” é Sons Against Fathers (Oxford, 1965), de Eugene Lampert. O estudo clássico de Franco Venturi, Roots of Revolution: A History of the Populist and Socialist Movements in Nineteenth Century Russia (1952), trad, do italiano por Francis Haskell (Knopf, 1961), oferece uma grande riqueza de detalhes sobre as atividades dessa geração e deixa-nos tocados pela sua complexidade humana. V. também Road to Revolution, de Avrahm Yarmolinsky(1956; Colher, 1962).

  6. Venturi, Roots of Revolution, p. 247.

  7. Ibid. , p. 227.

  8. Sobre o forte apelo de Herzen, v. Venturi, p. 35.

  9. As melhores descrições da vida e obra de Chernyshevski podem ser encontradas em Venturi, op. cit. , cap. 5; em Sons Against Fathers, de Eugene Lampert, cap. 3; e em Nikolai Chernyshevsky, de Francis Randall (Twayne, 1970). V. também Pioneers of Russian Social Thought, de Richard Hare (1951; Vintage, 1964), cap. 6; The Positive Hero in Russian Literature, de Rufus Mathewson Jr. (1958; Stanford, 1975), especialmente p. 63-83, 101; e sobre Que Fazer?, “N. G. Chernyshevsky: A Russian Utopia”, de Joseph Frank, Southern Review, 1968, p. 68-84. Observe-se o curioso esboço biográfico feito pelo herói do romance The Gift, de Nabokov (1935-37; trad. Michael Scammell, Capricorn, 1970), cap. 4.

  10. Trad. Benjamin Tucker, 1913; republ. Vintage, 1970. A passagem citada acima foi retirada do Livro III, cap. 8.

  11. Essa complacência espiritual prejudica algumas das melhores discussões das Notas, in cluindo “Nihilism and Notes from Underground, de Joseph Frank, Sewanee Review, 1961, p. 1-33; Dostoevskys Underground Man in Russian Literature, de Robert Jackson (Haia, Mouton, 1958); a introdução de Ralph Matlaws a essa esplêndida tradução e edição das Notas (Dutton, 1960); “Dostoevsky’s Underground”, de Philip Rahv, in Modern Occasions, inverno 1972, p. 1-13. V. também “Euclidean and Non-Euclidean Reasoning in the Works of Dostoevsky”, de Grigory Pomerants, no período soviético dissidente Kontinent, 3 (1978), p. 141-82. Mas os cidadãos soviéticos têm um motivo especial — e talvez uma justificativa especial — para atacar Chernyshevski, que foi considerado por Lenin como um bolchevique avant la lettre e mais tarde canonizado como o mártir do establishment soviético.

  12. Citado por Lampert, em Sons Against Fathers, p. 132, 164-5. V. também Diary of a Writer, de Dostoievski, 1873, trad. Boris Brasol(1949; Braziller, 1958), p. 23-30.

  13. Notes from Underground, Livro II, cap. 1; trad. Ralph Matlaw (Dutton, 1960), p. 42-9.

  14. Vale notar que dois dos mais proeminentes raznochinstsy, Nikolai Dobroliubov e Dmitri Pisarev, tinham grande consideração por Dostoievski e viam sua obra como parte da luta do povo russo pelos seus direitos e dignidade humana; sua amargura e rancor eram, para eles, uma fase necessária para a auto-emancipação. Dostoevsky in Russian Literary Criticism, de Seduro, p. 15-27.

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33. V. “A Letter from the Executive Committee to Alexander III”, publ. em 10 mar. 1881 pelos lideres do grupo at Narodnya Volya (A Vontade do Povo), que assassinaram Alexander II em 1? de março. Roots of Revolution, de R. Venturi, p. 716-20. V. também o pedido de 1905 do padre Gapon, citado e discutido no par. 3? deste capítulo.



  1. Comparações entre Dostoïevski e Baudelaire, também enfatizando o tema urbano, mas em perspectivas bastante distintas, podem ser encontradas na obra de Fanger, Dostoevsky and Romantic Realism, p. 235-58, e em Dostoevsky and the Age of Intensity, de Alex de Jonge (St. Martin’s Press, 1975), p. 33-65, 84-5,129-30.

  2. Gerschenkron, em seu livro Economic Backwardness in Historical Perspective, p. 119-25, explica como as reformas de 1860, prendendo os camponeses à terra e impondo-lhes novas obrigações em relação às comunas, intencionalmente retardaram a criação de uma mão-de-obra industrial móvel e livre, o que acabou por dificultar o crescimento econômico. Esse tema é desenvolvido mais extensamente em seu capítulo do Cambridge Economie History, citado na nota 8, acima. V. também o capítulo da autoria de Portal, no mesmo volume, p. 810-23.

  3. Essa história é contada por Venturi, em Roots of Revolution, p. 544-6,585-6, 805.

  4. Ibid. , p. 585.

  5. Sobre a Revolução Francesa, v. , por exemplo, de Albert Soboul, The Sans-Culottes: Popular Movements and Revolutionary Government, 1793-94, 1958; versão resumida, de 1968, trad. Remy Inglis Hall (Anchor, 1972); e, de George Rude, The Crowd in the French Revolution (Oxford, 1959). Sobre a Russia, a obra-chave é a de Venturi. Recentemente, com a abertura (vagarosa e hesitante) dos arquivos soviéticos, uma geração mais jovem de historiadores começou a estudar os movimentos do século XX com um detalhamento e uma profundidade que se aproximam daquilo que Venturi produziu a respeito do século XIX. V. , por exemplo, Leopold Haimson, “The Problem of Social Stability in Urban Russia, 1905-1917”, Slavic Review, p. 23 (1964), p. 621-43, e 24 (1965), p. 1-2; de Marc Ferro, The Russian Revolution of February 1917, 1967, trad, do francês por J. L. Richards (Prentice-Hall, 1972); de G. W. Phillips, “Urban Proletarian Politics in Tsarist Russia: Petersburgo and Moscow, 1912-1914”, Comparative Urban Research, v. Ill, 3 (1975-76), II, 2, e, de Alexander Rabinowitch, The Bolsheviks Come to Power: The Revolution of 1917 in Petrograd (Norton, 1976).

  6. O trabalho que nos permite uma visualização mais detalhada do palácio de Cristal é o de Patrick Beaver, The Crystal Palace, 1851-1936: A Portrait of Victorian Enterprise (Londres, Hugh Evelyn, 1970). V. também Space, Time and Architecture, de Giedion, p. 249-55; History of Modern Anchitecture I, de Benevolo, p. 96-102; Art and the Industrial Revolution, de F. D. Klingender, 1947, org. Artur Elton (Schocken, 1970).

  7. Essa história, de sombria comicidade, é contada por Franz Mehring, em Karl Marx: The Story of His Ufe, 1918, trad. Edward Fitzgerald (Londres, Allen and Unwin, 1936, 1951), p. 342-9.

  8. O relato de Bucher é resumido, e aceito como padrão, por Giedion, p. 252-4, e Benevolo, p. 101-2.

  9. Winter Notes on Summer Impressions, trad. Richard Lee Renfield, com introdução de Saul Bellow (Criterion, 1955), p. 39-41.

  10. Essa cena, inexplicavelmente omitida da tradução de Tucker, é traduzida por Ralph Matlaw e incluída, juntamente com outras cenas chernyschevskianas, em sua edição de Notes from Underground, p. 157-77.

  11. V. Town and Revolution, de Anatol Kopp, 1967, trad. Thomas Burton (Braziller, 1970), e de Kenneth Frampton, “Notes on Soviet Urbanism, 1917-32”, Architects Year Book (Londres, Elek Books, 1968), 12: 238-52. A idéia de que o marxismo exigia a destruição das cidades era, sem dúvida, uma distorção grotesca. Para um breve e incisivo relato das complexidades e ambivalências do marxismo em relação à cidade moderna, v. “The Idea of the City in European Thought: Voltaire to Spengler”, de Carl Schorske, 1963, republ. em Urbanism in World Perspective, org. Sylvia Fava (Crowell, 1968), p. 409-24.

  12. Nós, de Zamiatin, escrito entre 1920 e 1927, foi traduzido por Bernard Guibert Guerney e incluído na ótima antologia de Guerney, Russian Literature in the Soviet Period (Random House, 1960). Ê a fonte original de Admirável Mundo Novo, de Huxley, e de 1984, de Orwell, mas incrivelmente superior a ambos, uma das obras-primas do modernismo neste século.

Jackson, em seu Dostoevskys Underground Man in Russian Literature, p. 149-216, apresenta-nos um fascinante relato da importância de Aforas do Subterrâneo durante a década de 20

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para muitos escritores soviéticos que estavam lutando para manter vivo o espírito critico — Zamiatin, Yuri Olesha, Ilya Ehrenburg, Boris Pilnyak — antes que a escuridão stalinista tudo encobrisse.



  1. Alan Harrington parece ter sido o primeiro a explicitar essa relação em seu romance sobre a crise semi-rural e corporativista Life in the Crystal Palace (Knopf, 1958). Eric e Mary Josephson colocaram lado a lado trechos do livro de Harrington e a primeira parte de Notas do Subterrâneo em sua antologia Man Alone: Alienation in Modern Society (Dell, 1962). Esse livro foi best-seller entre os estudantes americanos durante a década de 60.

  2. Citado por Zelnik, em seu Labor and Society in Tsarist Russia, p. 60.

  3. Há várias versões desse documento, nenhuma delas definitiva. Reuni a versão acima, retirada do livro de Bertram Wolfe, Three Who Made a Revolution (1948; Beacon, 1957), p. 283-6, à versão mais longa encontrada em First Blood: The Russian Revolution of1905, de Sidney Harcave (Macmillan, 1964). V. também o fascinante depoimento de Solomon Schwarz, The Russian Revolution of 1905 (V. of Chicago, 1967), p. 58-72, 268-84.

Sobre a situação em 1905: para o súbito desenvolvimento econômico e industrial da última década do século XIX, v. Economie Backwardness in Historical Perspective, de Gerschenkron, p. 124-33, e o artigo de Portal, em Cambridge Economie History, VI, p. 824-43; sobre as explosões políticas, Why Lenin ? Why Stalin ?, de Theodore von Laue, caps. 3 e 4; Social Democracy and the St. Petersburg Labor Movement, 1885-1897, de Richard Pipes (Harvard, 1963); The Making of a Workers Revolution: Russian Social Democracy, 1891-1903, de Allan Wildman (Chicago, 1967).

  1. Wolfe, p. 286; Trotski, 1905, trad. Anya Bostock (Vintage, 1972), p. 253. O grifo é meu.

  2. Ibid. , p. 104-5, 252-3.

  3. V. Wolfe, cap. 16, sobre “socialismo policial”, e p. 301-4 sobre Gapon depois do 9 de Janeiro, incluindo seu encontro em Lenin; v. também, de Harcave, First Blood, p. 24-5, 65-6, 94-5. Para a ressonância histórica de “Não há mais czar!”, Tsar and People, de Cherniavski, p. 191-2, e todo o capítulo seguinte. Um vivido relato do fim de Gapon é encontrado no livro de Boris Nicolaievski, Aseff the Spy: Russian Terrorist and Police Stool (Doubleday, Doran, 1934), p. 137-48.

  4. V. , por exemplo, Aseff the Spy, de Nicolaievski, citado na nota 51; Russia: A History and an Interpretation, de Michael Florinski( 1947, Macmillan, 1966), II, p. 1153-4, 1166-7, 1172, 1196, 1204; Wolfe, p. 266, 479, e o fascinante relato (1911) de Thomas Masaryk, em seu estudo clássico, The Spirit of Russia. Masaryk apresenta extensa discussão da filosofia e visão de mundo do terrorismo russo e distingue o niilismo e a desolação existencial dos contemporâneos de Azev do idealismo humanístico e abnegado da geração do Zemlya i Volya.

Masaryk mostra-se particularmente intrigado com Boris Sakinkov, tenente de Azev que, logo após sua baixa (que mais tarde se revelou temporária), publicou dois romances que captam, de maneira aguda, o mundo dos terroristas. Os romances, publicados sob o pseudônimo de V. Ropshin, e intitulados The Pale Horse e The Tale of What Was Not, causaram sensação na Europa. Sabe-se que tiveram influência na adesão ao bolchevismo de alguns intelectuais da Europa central, como Lukács, Ernst Bloch e outros. V. The Spirit of Russia, II, p. 375-77, 444-61, 474, 486, 529, 535, 546, 581. V. também o recente trabalho de Michael Lõwy, Georg Lukács: From Romanticism to Bolshevism, 1976, trad, do francês por Patrick Cammiller (Londres, New Left Books, 1979), e The Young Lukács and the Origins of Western Marxism de Andrew Arato e Paul Breines (Continuum, 1979). Masaryk, assim como Lukács fará alguns anos mais tarde, compara de modo extravagante Sakinkov a Ivan Karamazov e ao Fausto de Goethe.

Bolcheviques e mencheviques, como bons marxistas, condenavam o terrorismo das esquerdas e sugeriam que ele estava sendo instigado pela policia. Por outro lado, seria importante notar que a polícia também tinha agentes entre os seus grandes líderes. V. , por exemplo, “The Case of Roman Malinovsky”, de Wolfe, p. 534-58.

53. O livro foi traduzido para o inglês, por John Gournos, em 1960, mas não recebeu a atenção que merecia e não foi reeditado por muitos anos. Entretanto, em 1978, foi feita uma nova tradução, por Robert Maguire e John Malmstad (Indiana University Press), acompanhada de uma profusão de notas criticas e históricas. Incluía também uma discussão particularmente atraente sobre o urbanismo do romance, com notas sobre a história e o folclore e mapas de Petersburgo. O sucesso desta nova edição parece ter levado Grove Press a reeditar a tradução de Gournos. O fato de que leitores americanos podem agora escolher entre as duas versões de Petersburgo prenuncia um bom futuro para o romance neste país. Utilizei a tradução de Maguire e Malmstad; citações em parênteses, dentro do meu texto, designam números de capítulos e páginas.

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54. Donald Fanger coloca Petersburgo em posição proeminente, em “The City of Russian Modernist Fiction”, in Modernism, org. Malcolm Bradbury e James MacFarlane (Penguin, 1976), p. 467-80. A respeito do tema da “sombra” que tudo envolve de Bieli e sua relevância política, v. , de Lubomir Dolezel, “The Visible and the Invisible Petersburgo”, Russian Literature, VII (1979), p. 465-90.



Para discussões gerais, v. , na edição da Penguin, Modernism, os interessantes ensaios de Eugene Lampert, “Modernism in Russia: 1893-1917”, e, de G. M. Hyde, “Russian Futurism” e “The Poetry of the City”; a coleção org. por George Gibian e H. W. Tjalsma, Russian Modernism-Culture and the Avant-Garde, 1890-1930 (Cornell, 1976); e Artists in Revolution: Portraits of the Russian Avant-Garde, 1905-1925, de Robert C. Williams (Indiana, 1977).

  1. Harcave, em First Blood, p. 168-262, apresenta o mais claro relato dos “dias de outubro” e suas conseqüências; p. 195-6 para o Manifesto do czar, de 17 de outubro. Mas 1905, de Trotski, é especialmente agudo e brilhante ao tratar do clímax e do começo do fracasso da Revolução. O discurso de Trotski de 18 de outubro (citado no texto) e alguns dos seus artigos de jornal proporcionam uma análise precisa do Manifesto de outubro, no qual, como ele disse, “Tudo é dado — e nada é dado”. Mas Trotski também foi um dos primeiros revolucionários a perceber que as massas da Rússia teriam de descobrir isso sozinhas, e, até que o fizessem — poderia levar anos —, a Revolução estava terminada.

  2. Mathewson, em The Positive Hero in Russian Literature, p. 172, usa o argumento de que o tratamento que Gorki dispensa à Revolução é muito mais profundo em romances como The Artaminov Business e peças, onde ele retrata o seu impacto sobre a burguesia e os intelectuais (não-heróicos e não-revolucionários).

  3. Gerschenkron, em Economie Backwardness in Historical Perspective, p. 124-33, situa o desenvolvimento comunista e as políticas de industrialização no contexto da tradição de Pedro.

  4. Billington, The Icon and the Axe, p. 534-6.

  5. V. o trabalho de Leopold Haimson, Marc Ferro, Alexander Rabinowitch e outros, citado em detalhes nas notas 38 e 52. À medida que esse trabalho vai se desenvolvendo e sendo assimilado, estamos gradualmente acumulando conhecimento e ampliando uma perspectiva a partir da qual a história de Petersburgo em 1917 pode ser compreendida em toda a sua profundidade. Talvez, no futuro, essa história venha a ser finalmente contada de modo adequado.

  6. Os poemas de Mandelstam, na maior parte sem título, estão numerados de acordo com a edicão-padrão russa, org. Gleb Strove e Boris Filippov, e publ. em Nova Iorque em 1967. As traduções aqui utilizadas são de Clarence Brown e W. S. Merwin, em Osip Mandelstam: Selected Poems (Atheneum, 1974).

  7. “Meia-noite em Moscou”, omitido do Selected Poems, pode ser encontrado em Complete Poetry of Osip Emilevich Mandelstam, trad. Burton Raffel e Alan Burago (State University of New York Press, 1973). Mas preferi usar a versão de Max Hayward, de sua tradução do magnífico Hope Against Hope: a Memoir (Atheneum, 1970), p. 176. A viúva de Mandelstam colocou grande ênfase no compromisso do poeta (e no seu próprio) com esta tradição, p. 176-8; v. p. 146-54 para um contraste entre Mandelstam, “o homem comum “ de Petersburgo, e Pasternak, o “aristocrata de Moscou”.

  8. Trad. Clarence Brown em Prose of Osip Mandelstam (Princeton, 1967), p. 149-89, com um penetrante ensaio crítico, p. 37-57.

  9. Clarence Brown, Mandelstam (Cambridge, 1973), p. 125,130.

  10. Para as primeiras oito linhas, usei a tradução de Max Hayward, em Hope Against Hope,
    p. 13, que inclui “o assassino e exterminador de camponeses”. Utilizei a versão de Mervin e Brown, mais consistente, para as últimas oito linhas. Esta tradução foi feita a partir de uma versão posterior do poema, onde o quarto verso é diferente. A versão acima é aquela que passou pelas mãos da policia.

  11. On Socialist Realism, publicado sob o pseudônimo de Abram Tertz, apareceu na revista Dissent, trad. George Dennis, em 1959, e em forma de livro (Pantheon, 1960), com introdução de Czeslaw Milosz.

  12. Alexander Zinoviev, The Yawning Heights, publicado em samizdat em 1974-75, trad. Gordon Clough (Random House, 1979), p. 25.

  13. Cornelia Gerstenmaier, The Voices of the Silent, trad, do alemão por Susan Hecker (Hart, 1972), p. 127. Esse volume, juntamente com In Quest of Justice: Protest and Dissent in the Soviet Union Today (Praeger, 1960), apresenta um relato fascinante, com grande número de documentos, do renascimento da dissidência nos jornais e nas ruas.
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