Marshall berman tudo que é SÓlido desmancha no ar a aventura da modernidade



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* Correntes Alternadas, p. 196-8. O argumento de Paz é que o Terceiro Mundo necessita desesperadamente da energia imaginativa e critica do modernismo. Sem ela, “a revolta do Terceiro Mundo (...) degenerou em diferentes variedades de cesarismo frenético, ou definhou sob a força opressora de burocracias ao mesmo tempo cínicas e inconsistentes”.

* Essa critica foi exemplarmente resumida pela observação de T. W. Adorno (embora jamais impressa) segundo a qual Marx pretendeu transformar o mundo inteiro num gigantesco asilo para indigentes. 22

* Marx, na mesma década, reclamava, em termos surpreendentemente similares aos de Baudelaire, das clássicas e antigas fixações na política de esquerda: “A tradição de todas as gerações mortas pesa como um sonho mau no cérebro das gerações rivas. E exatamente quando parecem engajados na revolução, na criação de algo inteiramente novo (...), os homens ansiosamente conjurant os espíritos do passado, tomam de empréstimo seus nomes, seus slogans de batalha, suas fantasias, para apresentar a nova cena da história mundial sob o disfarce de um tempo venerável e sob uma linguagem de empréstimo”. (“O Dezoito Brumário de Luis Bonaparte”. In: MER. 1851-52, p. 595).

* “Vejam-se os comentários de Baudelaire, no ensaio “Heroísmo da Vida Moderna”, sobre o terno preto ou cinza, que estava se tornando a moda masculina standard: ele expressa “não apenas beleza política, que é uma expressão de igualdade universal, mas também beleza poética, expressão da alma pública”. A emergente moda padronizada confere “o necessário garbo à nossa idade sofrida, que veste o símbolo da perpétua lamentação sobre os seus negros ombros finos” (p. 118).

* Op-Ed: Optical Editorial, matéria que ganha destaque pela posição que ocupa na página. (N. T.)

* Em Classes Operárias e Classes Perigosas, citada na nota 21, Louis Chevalier, o venerável historiador de Paris, faz um horripilante relato das investidas a que foram submetidos os velhos bairros centrais, nas décadas anteriores ao projeto Haussmann: explosão demográfica, que dobrou a população, enquanto a edificação de mansões de luxo e prédios públicos reduzia de maneira drástica o estoque de moradias; crescente desemprego em massa, fato que. em uma era anterior ao auxílio governamental, conduzia diretamente à morte por desnutrição; aterradoras epidemias de tifo e cólera, que atingiam sobretudo os velhos quartiers. Tudo isso mostra por que os parisienses pobres, que lutaram tão bravamente em tantas frentes do século XIX, não opuseram resistência à destruição dos seus velhos bairros: eles talvez desejassem partir, como diz Baudelaire em outro contexto, para qualquer lugar longe do seu mundo.

O breve e pouco conhecido ensaio de Robert Moses, também citado na nota 21, oferece particular atração para aqueles que saboreiam as ironias da história urbana. Na tentativa de apresentar uma lúcida e equilibrada visão das realizações de Haussmann, Moses se autocoroa como seu sucessor e, de forma implícita, reivindica para si ainda mais autoridade do que aquela concedida a Haussmann, para levar avante projetos ainda mais gigantescos, após a guerra. O escrito termina com uma crítica admiravelmente incisiva e contundente que antecipa, com espantosa precisão e fina acuidade, as objeções que serão dirigidas contra o próprio Moses, na década seguinte, e que por fim ajudarão a tirar da cena pública os grandes discípulos de Haussmann.



* Veja-se o comentário de Engels, no panfleto Contribuição ao Problema da Habitação (1872), a propósito do “método chamado ‘Haussmann’ (...). Refiro-me à prática, hoje generalizada, de abrir grandes brechas nas vizinhanças operárias das nossas grandes cidades, especialmente aquelas situadas nas regiões centrais. (...) O resultado é o mesmo em toda a parte: os becos e alamedas mais comprometedores desaparecem, para dar lugar à autoglorificação da burguesia, como crédito de seu tremendo sucesso — mas reaparecem logo adiante, muitas vezes no bairro adjacente”. (Obras Escolhidas de Marx e Engels, Moscou, 1955, 2 vols. V. I, p. 559, 606-9.)

* O tráfego de rua não foi, evidentemente, o único tipo de movimento organizado conhecido no século XIX. A ferrovia fez sua aparição, em larga escala, desde os anos de 1830, e constitui uma presença vital na literatura européia, desde Dombey and Son, de Dickens (1846-48). Mas a ferrovia obedecia a horários rígidos e trafegava em uma rota preestabelecida; assim, por causa de toda a sua potencialidade demoníaca, tornou-se um dos paradigmas da ordem oitocentista.

Deve-se observar que a experiência do “caos”, em Baudelaire, é anterior ao advento dos sinais luminosos de trânsito, uma invenção desenvolvida nos Estados Unidos por volta de 1905, símbolo maravilhoso das primeiras tentativas estatais de regular e racionalizar o caos do capitalismo.



* Quarenta anos depois, com o surgimento (ou melhor, a designação) dos Brooklin Dodgers (os Dribladores do Brooklin, equipe de beisebol), a cultura popular produzirá sua própria versão irônica dessa fé modernista. O nome traduz o meio pelo qual as habilidades necessárias à sobrevivência urbana — especificamente a habilidade para se desviar do tráfego — podem transcender a finalidade prática e assumir novas formas de significado e valor, no esporte e na arte. Baudelaire teria adorado esse simbolismo, como aconteceu a muitos de seus sucessores do século XX (e. e, cummings, Mariane Moore).

* No século XIX, o principal transmissor de modernização foi a Inglaterra, no século XX têm sido os Estados Unidos. Os mapas de poder mudaram, mas a primazia da língua inglesa — a menos pura, a mais flexível e adaptável das línguas modernas — é maior do que nunca. Talvez sobreviva ao declínio do império americano.

* Le Corbusier nunca chegou a fazer muitos avanços em seus infatigáveis esforços para destruir Paris. Mas muitas de suas visões mais grotescas se concretizaram na era Pompidou, quando vias expressas elevadas dividiram a Rive Droite, os grandes mercados de Les Halles foram demolidos, dezenas de ruas prósperas foram eliminadas e bairros veneráveis, na sua totalidade, se transformaram em “les promoteurs e desapareceram sem deixar vestígios. Veja-se Norma Evenson, Paris: Um Século de Mudança, 1878-1978 (Yale, 1979); Jane Kramer, “Um Repórter na Europa: Paris”. In: The New Yorker, 19 / 6 / 1978; Richard Cobb, “O Assassinato de Paris”. In: New York Review of Books, 7 / 2 / 1980, e vários dos últimos filmes de Godard, especialmente Duas ou Três Coisas que eu Sei Dela (1973).

* Isso pede uma explicação. Le Corbusier sonhou com uma ultramodernidade capaz de cicatrizar as feridas da cidade moderna. Mais típico do movimento modernista em arquitetura foi o intenso e desqualificado ódio pela cidade e a incansável esperança de que o design e o planejamento modernos poderiam riscá-la do mapa. Um dos primeiros clichês modernistas foi a comparação entre a metrópole e a carruagem ou (depois da Primeira Grande Guerra) o cabriolé. Uma típica orientação modernista em relação à cidade pode ser encontrada em Espaço, Tempo e Arquitetura, a obra monumental do discípulo mais bem-dotado de Le Corbusier, o livro que, mais do que qualquer outro, foi usado por duas gerações como o cânone do modernismo. A edição original do livro, composto em 1938-39, termina com a exaltação do novo complexo rodoviário urbano, de Robert Moses, que Giedion vê como o modelo ideal para o planejamento e a construção do futuro. A rodovia demonstra que “não há mais lugar para a rua urbana, com tráfego pesado correndo entre fileiras de casas; não se pode permitir que isso persista” (p. 832). Essa idéia vem diretamente de lUrbanisme; o que difere, e incomoda, é o tom. O entusiasmo lírico e visionário de Le Corbusier foi substituído pela truculenta e ameaçadora impaciência do comissário. “Não se pode permitir que isso persista”: a polícia não faria melhor. Ainda mais ominoso é o que vem em seguida: o complexo rodoviário urbano “aponta para um futuro em que, depois que a necessária cirurgia for realizada, a cidade artificial será reduzida a seu tamanho natural”. Essa passagem, que tem o arrepiante efeito de uma nota marginal de Mr. Kurtz, mostra como a campanha contra a rua, por duas gerações de planejadores, foi apenas uma fase de uma guerra ainda mais ampla, contra a própria cidade moderna.

O antagonismo entre a arquitetura moderna e a cidade é explorado com sensibilidade por Robert Fishman, em Utopias Urbanas no Século ATA”(Basic Books, 1977).



* “É perturbador pensar que os jovens de hoje, recebendo agora o treinamento básico para suas carreiras, devam aceitar, na presunção de que estejam adotando um pensamento moderno, concepções sobre cidades e trafego que são não apenas inviáveis, mas não acrescentam nada de significativo àquilo que se sabia quando seus pais eram crianças.” (Morte e Vida das Grandes Cidades Americanas. Random House & Vintage, 1961. p. 371. — O grifo é de Jacobs.) A perspectiva de Jacobs é desenvolvida de forma interessante por Richard Sennett, em Os Usos da Desordem: Identidade Pessoal e Vida da Cidade (Knopf, 1970), e por Robert Caro, em O Corretor Poderoso: Robert Moses e a Queda de Nova Iorque (Knopf, 1974). Existe ainda uma rica bibliografia européia nessa direção. Veja-se, por exemplo, A Cidade: Nova Cidade ou Cidade Dormitório, de Felizitas Lenz-Romeiss, de 1970, traduzido do alemão por Edith Kuestner e Jim Underwood (Praeger, 1973).

No âmbito profissional da arquitetura, a critica à espécie de modernismo de Le Corbusier, e das esterilidades do Estilo Internacional, como um todo, começa com Robert Venturi, em Complexidade e Contradição em Arquitetura, com introdução de Vincent Scully (Museu de Arte Moderna, 1966). Na última década isso se tornou não só generalizadamente aceito, como gerou por sua conta uma nova ortodoxia. Tudo isso foi codificado claramente por Charles Jencks, em A linguagem da Arquitetura Pós-moderna (Rizzoli, 1977).



* Não conheço a língua russa, embora tenha lido história e literatura russa por muitos anos. Esta seção deve agradecimentos a George Fischer, Allen Ballard e Richard Wortman, que não sâo responsáveis pelos meus erros.

* A população de Petersburgo chegou a 220 mil em 1800. Era ainda ligeiramente menor que a de Moscou (250 mil), porém Petersburgo logo passaria à frente da antiga capital. Sua população cresceu para 485 mil em 1850, 667 mil em 1860, 877 mil em 1880, passou de um milhão em 1890 e de dois milhões nas vésperas da Primeira Guerra Mundial. Foi, ao longo do século XIX, a quarta ou quinta maior cidade da Europa, menor que Londres, Paris e Berlim e igual a Viena. (European Historical Statistics, 1750-1970. B. R. Mitchel, org., Columbia University Press, p. 76-8.)

* A fortaleza é digna de nota devido à sua ressonância simbólica e importância política e militar. Veja-se o caso de Trotski, em outubro de 1905, denunciando o manifesto de 17 de outubro de Nicolau II,.que havia prometido um governo representativo e uma constituição: “Olhem ao redor, cidadãos. Alguma coisa mudou? A fortaleza Pedro-Paulo ainda não domina a cidade? Ainda não se ouvem gemidos e ranger de dentes por detrás de suas amaldiçoadas paredes?”. Em Petersburgo, romance poético de Andrei Bieli, também de outubro lê-se: “acima das paredes brancas da fortaleza, a torre impiedosa de Pedro-Paulo dolorosamente saliente avançava fria para o céu”. Vemos aí uma polaridade simbólica nas percepções dos petersburguenses quanto aos dois marcos verticais mais notórios na paisagem urbana opressivamente horizontal: a torre dourada do Almirantado cristalizava toda a promessa de vida e alegria da cidade; o campanário de pedra da fortaleza marcava a ameaça do Estado àquela promessa, a sombra permanente contra o sol da cidade.

* É importante observar que a rua Kameni-Ostrovski, local onde Chernyshevski situa sua cena de confronto, terminava na fortaleza Pedro-Paulo, onde se achava prisioneiro enquanto escrevia. Situar a cena aí constituiu um desafio dissimulado, porém forte, às forças que esperavam manter o autor e suas idéias encarceradas.

* Não é difícil imaginar essa cena ocorrendo numa cidade pós-revolucionária em qualquer lugar do mundo: Teerã ou, digamos, Managua, em 1979. Porém, seria necessário uma mudança importante na marcação cênica de Chernyshevski: o dignatário, agora ex-dignatário, provavelmente manteria um caráter vil, talvez até mesmo excessivamente respeitoso para com seus ex-subordinados, uma vez que pretenderia sobreviver. Alternativamente, poderíamos imaginar um confronto como o de Chernyshevski no início da Revolução. Mas, então, as figuras de várias classes se moveriam do fundo Para a frente do palco e se enfrentariam, ao invés de seguirem, serenas, seus caminhos.

* Por exemplo: o aerodinâmico Expresso Moscou-Petersburgo, que partia e chegava da Nevski após 1851, serviu como um símbolo vivido de modernidade dinâmica. Contudo, se tomarmos 1864, ano de Notas do Subterrâneo, saberemos que havia apenas 5800 quilômetros de ferrovias ao longo de todo o imenso Império Russo, comparadas aos 21 mil quilômetros da Alemanha e aos 22 mil quilômetros da França. (.European Historical Statistics. 1750-1870, p. 581-84.)

* A demonstração individual na rua desempenha um papel crucial em todos os escritos de Dostoievski sobre Petersburgo, e é notável em Crime e Castigo. Raskolnikov e seus camaradas sofredores estão por demais destruídos interiormente para se exporem ao fluxo social da Nevski, como faz o Homem do Subterrâneo, ou como ele, começarem a afirmar seus direitos de uma forma política coerente (de fato, este é um dos problemas de Raskolnikov: ele não consegue se decidir entre ser um inseto e ser Napoleão). Entretanto, nos momentos culminantes de suas vidas, eles se lançam nas ruas para se confrontarem com os estranhos que vêem, para mostrar onde estão e quem são. Assim, quase no final do livro, Svidrigailov pára em frente a uma torre de observação que oferece uma vista de toda a cidade. Apresenta-se ao recruta judeu que serve de guarda da torre, diz que vai para a América e mete uma bala na cabeça. Simultaneamente, no momento culminante do livro, Raskolnikov entra na praça do Mercado de Feno, no meio de uma agitada favela, em pleno centro da cidade, atira-se no chão è beija a calçada, antes de se dirigir â delegacia de seu bairro (recentemente instalada, produto das reformas legais dos meados da década de 1860) para confessar e se entregar.

* A maior concentração de capital e trabalho de Petersburgo foi na indústria metalúrgica e têxtil. Fábricas enormes e ultramodemas foram aí construídas, quase inteiramente com capital estrangeiro, mas com garantias e subsídios do Estado, para produzir locomotivas e material rodante, teares, pecas de navios a vapor, armas modernas e maquinário para agricultura. É digna de nota a Metalúrgica Putilov, cujos sete mil empregados desempenhariam um papel crucial nas revoluções de 1905 e 1917. O progresso industrial de Petersburgo é penetrantemente discutido por R. Zelnik em Labor and Society in Tsarist Russia: The Factory Workers of St. Petersburgo, 1855-1870 (Stanford, 1971; veja-se também “The Industrialization of Russia”, de R. Portal, in Cambridge Economic History of Europe. VI, p. 831-34. Ver Zelnik, p. 239, quanto ao profundo isolamento dos operários, na sua maioria recém-chegados do campo, que “se estabeleciam nas margens industriais da cidade, onde viviam sem famílias. Sua incorporação à cidade foi apenas nominal; para todos os efeitos práticos, eles pertenciam aos subúrbios industriais que ficavam além dos limites da cidade, ao invés de pertencerem a uma comunidade urbana”. Foi só em 1870, época da primeira greve de Petersburgo, na fábrica de processamento de algodão na Nevski, que resultou em julgamentos de massa públicos e extensa cobertura nos jornais, que as paredes que separavam os trabalhadores e a cidade começaram a cair.

* O adjetivo provém de Ozymandias, famoso poema de Shelley sobre um historiador da Grécia antiga que descobriu destroços de uma gigantesca estátua no deserto. (N. T.)

* Uma das ironias mais estranhas desta história é o fato de que, no tempo em que as Notas de Inverno foram escritas, o que seria provavelmente a ponte suspensa mais avançada do mundo estava localizada na própria Rússia: a ponte Dnieper, bem perto de Kiev, projetada por Charles Vignoles e construída entre 1847 e 1853. Nicolau I tinha um afeto especial por essa ponte, cuja construção ele havia autorizado: exibiu planos, desenhos e aquarelas na Grande Exposição Internacional e guardava uma maquete no palácio de Inverno (Klingerder, An and Industrial Revolution, p. 159, 162). Mas nem Dostoievski — que tinha estudado engenharia e realmente sabia algo sobre pontes — nem qualquer outro russo intelectual, conservador ou radical, parece ter tomado conhecimento do projeto. É como se a crença de que a Rússia era constitucionalmente incapaz de desenvolvimento — crença aceita axiomaticamente pelos que desejavam o desenvolvimento, assim como pelos que não o queriam — cegou a todos para o desenvolvimento que realmente ocorria. Isto, sem dúvida, ajudou a retardar ainda mais o desenvolvimento.

* Garden Cities of To-Morrow, 1902 (MIT, 1965, intr. F. J. Osborn e L. Mumford): sobre a metrópole como diligência, veja-se p. 146; sobre o palácio de Cristal como modelo suburbano, veja-se P- 53-4 e 96-8. Ironicamente, embora o palácio de Cristal fosse um dos traços mais populares do Projeto ideal de Howard, os homens encarregados de construir a primeira Cidade-Jardim em Letchworth o excluíram do projeto por ser não-inglês (o senhor Podsnap certamente concordaria), moderno em demasia e excessivamente caro. Eles o substituíram por uma rua de mercado neomedieval que era, a seu ver, mais “orgânica” (Fishman, Urban Utopias in the Twentieth Century, p. 67-8).

* Karl Baedeker (1801-59), editor e escritor, nascido em Essen, na Alemanha. É autor de vários guias destinados a viajantes. (N. T.)

* Giovanni Battista Piranesi (1720-78), arqueólogo e pintor, especializou-se em reproduzir, Por meio de gravuras, cenas da arquitetura da antiga Roma, além de estudar as ruínas de Pompéia e Herculano. (N. T.)

* Mas o empreendimento norte-americano nunca se rende. Nos fins de semana, uma procissão contínua de aeroplanos cruza o ar logo após a linha da praia, traçando palavras no céu ou portando faixas que proclamam as qualidades de várias marcas de refrigerantes ou de vodca, de discotecas ou clubes de sexo, de políticos e empresas locais. Nem mesmo Moses foi capaz de zonear o céu como área proibida ao comércio e à política.

* Coney Island é a epitome daquilo que o arquiteto holandês Rem Koolhaas denomina “a cultura do congestionamento”. Delirious New York: A Retrospective Manifesto for Manhattan (“Nova Iorque Delirante: Um Manifesto Retrospectivo para Manhattan”), especialmente p. 21-65. Koolhaas vê Coney Island como um protótipo, uma espécie de reverso da intensamente vertical “cidade de torres” de Manhattana; compare-se o traçado radicalmente horizontal de Jones Beach, apenas acentuado pela torre de água, a única estrutura vertical permitida.

* Isso gerou amargos conflitos com os proprietários e deu a Moses a oportunidade de aparecer como defensor do direito do povo ao ar livre e fresco e à liberdade de movimento. “Isso era estimulante para Moses”, relembra um de seus engenheiros meio século depois. “Ele fazia com que a gente se sentisse parte de algo grandioso. Era a gente lutando contra os ricos proprietários e legisladores reacionários em benefício do povo. (...) Era quase como se fosse uma guerra.” (Caro, p. 228, 272) Na verdade, porém, como mostra o próprio Caro, virtualmente todo o terreno de que Moses se apropriou consistia em pequenas casas e sítios familiares.

* Siglas que se referem a organismos públicos criados na década de 30, como a Tenessee Valley Authority, TVA, a Federal Security Agency, FSA, os Civilian Conservative Corps, CCC etc. (N. T.)

* Por outro lado, tais projetos realizaram uma série de incursões drásticas e fatais na rede urbana de Manhattan. Koolhaas, em Delirious New York, p. 15, explica incisivamente a importância desse sistema para o ambiente da cidade: “A disciplina bidimensional da Rede cria a liberdade nunca sonhada para a anarquia tridimensional. A Rede define um novo equilíbrio entre controle e descontrole. (...) Com sua imposição, Manhattan está para sempre imunizada contra qualquer inter venção totalitária (adicional). No quarteirão simples — a maior área possível que pode ser submetida ao controle arquitetônico — ela desenvolve uma máxima unidade de Ego urbanístico”. São precisamente essas fronteiras do Ego que o próprio ego de Moses procurou suprimir.


* Walter Lippmann parece ter sido um dos poucos a perceber as implicações de longo alcance e os custos ocultos desse futuro. “A General Motors despendeu uma pequena fortuna para convencer o público norte-americano de que, se desejava gozar dos benefícios da empresa privada na fabricação de automóveis, teria de reconstruir suas cidades e suas rodovias pela ação da empresa pública. “ Essa profecia correta está citada em seu belo ensaio “The People’s Fair: Cultural Contradictions of a Consumer Society” (“A Feira do Povo: Contradições Culturais de uma Sociedade de Consumo”), incluído no volume do catálogo do Museu de Queens, Dawn of a New Day: The New York Worlds Fair, 1939-40 (“Madrugada de um Novo Dia: A Feira Mundial de Nova Iorque”) (NYU, 1980. p. 25). Esse volume, que inclui interessantes ensaios de diversos autores e fotografias esplêndidas, é o melhor livro disponível sobre a feira.

* Moses pelo menos era suficientemente honesto para chamar um cutelo por seu nome real, para reconhecer a violência e a devastação no âmago de suas obras. Bem mais típica do planejamento do pós-guerra é uma sensibilidade como a de Giedion, para quem, “após a cirurgia necessária, a cidade artificialmente inflada está reduzida a seu tamanho natural”. Essa genial auto-ilusäo, que pressupõe que as cidades possam ser retalhadas sem sangue ou ferimentos, sem gritos ou dor, aponta o caminho da “precisão cirúrgica” dos bombardeios da Alemanha, do Japão e, depois, do Vietnã.

* Para uma versão ligeiramente posterior desse conflito, de sensibilidade muito diferente mas de equivalente força intelectual e visionária, compare-se com “For the Union Dead”, de Robert Lowell.

* Designação do jovem contestador. adepto de drogas, por dentro da moda mais atual. (N. T.)

* De plain man, “homem raso”. (N. T.)

* Under Milkwood, drama radiofônico de 1935. (N. T.)

* Em Nova Iorque, essa ironia teve um efeito especial. É provável que nenhum político norte-americano tenha encarnado a fantasia e as esperanças da cidade moderna tão bem como Al Smith, que usou como hino de sua campanha presidencial de 1928 a canção popular “East Side, West Side, All around the town (...) We’ll trip the light fantastic on the Sidewalks of New York” (“East Side, West Side, por toda a cidade. (...) Passearemos à luz fantástica nas calçadas de Nova Iorque). Foi Smith, no entanto, que nomeou e apoiou vigorosamente Robert Moses, o homem que fez mais que qualquer outro para destruir essas calçadas. Os resultados das eleições de 1928 mostraram que os norte-americanos não estavam prontos ou dispostos a aceitar as calçadas de Nova Iorque. Por outro lado, como depois ficou claro, os Estados Unidos estavam contentes em abraçar “as rodovias de Nova Iorque” e em pavimentar a si próprios à sua imagem.

* A idéia de que a rua, ausente do modernismo dos anos 50, tornou-se um ingrediente ativo no modernismo da década de 60 não resiste a um exame mais acurado de todos os meios de expressão. Mesmo nos desesperançados anos 50, a fotografia continuou a alimentar-se da vida nas ruas, como o fizera desde seus primeiros tempos. (Note-se, também, as estréias de Robert Frank e William Klein.) A segunda maior cena de rua da ficção norte-americana foi escrita na década de 50 sobre a de 30, na obra de Ralph Ellison, Invisible Man. A melhor passagem, ou as melhores passagens, foram escritas nos anos 30: a East 6th Street, em direção ao rio, em Call It Sleep, de Henry Roth. A rua passou a ser uma presença fundamental nas sensibilidades bastante diferentes de Frank O’Hara e Allen Ginsberg nos últimos anos da década, em poemas como “Kaddish”, de Ginsberg, e “The Day Lady Died”, de O’Hara, ambos pertencentes ao ano de transição de 1959. Embora seja necessário assinalá-las, as exceções não parece negar meu argumento de que uma grande transformação ocorreu.

* Socióloga norte-americana (1860-1935) comprometida com as lutas pela paz e a liberdade, principalmente no período da guerra. Prêmio Nobel da Paz em 1931. (N. T.)

* Contemporâneas da obra de Jacobs, e semelhantes a ela em sua tessitura e riqueza, há a ficção urbana de Grace Paely (cujas histórias se passam no mesmo bairro) e, a um oceano de distância, a de Doris Lessing.

* O autor joga com a homonímia entre Moses, Moisés, o profeta bíblico, e Robert Moses, o planejador da via expressa. (N. T.)

* Tomei emprestado este título de um trabalho da década de 60, o álbum de Bob Dylan, Bringing It All Back Home (Columbia Records, 1965). Esse disco brilhante, talvez o melhor de Dylan, é pleno do radicalismo surreal do final dos anos 60. Ao mesmo tempo, o seu título e os títulos de algumas de suas canções — “Subterranean Homesick Blues” (“Blues Subterrâneo com Saudade de Casa”), “It’s Alright, Ma, I’m Only Bleeding” (“Tudo Bem, Mãe, Estou só Sangrando”) — expressam um vínculo intenso com o passado, com os pais, com o lar, que estava quase totalmente ausente uma década atrás. Esse álbum pode voltar a ser experimentado hoje, como um diálogo entre os anos 60 e os anos 70. Aqueles dentre nós que se formaram em meio às canções de Dylan só podem esperar que ele possa aprender tanta coisa com seu trabalho dos anos 60 quanto nós aprendemos com ele.

* Finalmente, no final dos anos 70, algumas autarquias e comissões de artes locais começaram a responder favoravelmente, e algumas expressivas obras da terra passaram a ser construídas. Essa grande oportunidade incipiente também apresenta problemas, coloca os artistas em conflito com os defensores do meio ambiente e pode levá-los a criar uma mera beleza cosmética que disfarça a cobiça e a brutalidade políticas das grandes corporações e dos políticos. Para uma lúcida análise das formas pelas quais os artistas da terra colocaram e responderam tais questões, veja-se Kay Larson, “It’sthePits”, Village Voice, 2 de setembro de 1980.

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