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MASARYKOVA UNIVERZITA
Filozofická fakulta

Magisterská diplomová práce

2009 Bc. Linda Růžičková

Masarykova univerzita

Filozofická fakulta

Ústav románských jazyků a literatur

Bc. Linda Růžičková
A crítica social em Recordações do Escrivão Isaías Caminha, romance de Lima Barreto

Magisterská diplomová práce

Vedoucí magisterské práce: Mgr. Vlastimil Váně
Brno 2009

Prohlášení:

Prohlašuji, že jsem pracovala zcela samostatně a pouze s použitím veškeré uvedené literatury. Potvrzuji také, že tištěná verze práce naprosto odpovídá verzi elektronické.
V Brně 18. 8. 2009 ...............................................

Za cenné rady, připomínky a věnovaný čas bych velmi ráda poděkovala svému vedoucímu práce Mgr. Vlastimilu Váně a také svým rodičům, kteří mi studium umožnili a podporovali mě.


Índice


Índice 5

I. Nota introdutiva 6

II. Perfil de Afonso Henriques de Lima Barreto 9

Contexto histórico-social 9

Vida de Afonso Henriques de Lima Barreto 12

III. Recordações do Escrivão Isaías Caminha 23

Crítica social 23

1. Preconceito e discriminação social 23

2. Regime político 30

3. Os meios da imprensa 40

Jornalismo em geral 41

Jornal O Globo e falso prestígio na sociedade 44

Linguagem do romance 59

Personagem-narrador 65

IV. Conclusão 68



V. Índice das fontes bibliográficas 70

I. Nota introdutiva


Como o título da tese sugere, o nosso objetivo será estudar a crítica social do mundo ficcional presente no romance Recordações do Escrivão Isaías Caminha de Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922), escritor pertencente entre os literatos brasileiros que mais chamam atenção na virada do século XIX. Com esta análise pretendemos fazer uma apresentação da crítica social feita pelo autor neste livro, que se conta entre os únicos três romances que ele conseguiu terminar na sua vida.

O romance data a sua aparição no ano 1909 e pode ser considerado, junto com o Triste fim de Policarpo Quaresma de 1915 e o romance Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá de 1919, exemplar típico da sua criação literária quanto à sua preocupação com a crítica social.

A escolha deste autor dentre outros escritores que marcaram a virada do século XIX justifica-se precisamente pela predominância do enfoque social na sua obra. A análise tem como finalidade trabalhar a dimensão social omnipresente, comprovando, entre outras coisas, a presença de paralelos existentes entre o mundo ficcional do romance e o mundo real, no qual Lima Barreto viveu e que o influenciou. Portanto parece-nos bastante relevante estudar a crítica social entreligada com a realidade vivida pelo autor, também por isso dedicamos os dois primeiros capítulos ao contexto histórico-cultural da época e à biografia de Lima Barreto.

Como figuras do porte de Machado de Assis, de Sílvio Romero, de José Veríssimo, de Euclides da Cunha, marcaram notavelmente a época e introduziram na literatura novas reivindicações estéticas e novos métodos de pensar, recai sobre Lima Barreto um mérito muito especial: ele introduziu na literatura brasileira a temática social de modo crítico, compreendendo e encarando o fenômeno social de maneira especial e ao mesmo tempo ligando esta temática com um profundo sentimento de humanidade que tem as suas origens no drama pessoal do autor.1

Lima Barreto retrata nos seus livros um novo Brasil, visto agora diretamente e com enfoque na realidade e nos problemas que afligem a sociedade. Propõe uma visão diferente da dos autores oficialmente reconhecidos pela Academia Brasileira de Letras, opondo-se assim à estética preferencial, baseada nos padrões parnasianos ou simbolistas. Além disso, Lima Barreto traz uma visão contrária aos intersesses da política dominante, portanto assume o tom de denúncia social com empenhamento político-ideológico. Como diz Zélia Nolasco-Freire, Lima Barreto e outros precursores de novo olhar na literatura, como Monteiro Lobato, Euclides da Cunha ou Graça Aranha, contribuíram para a diminuição da distância entre a realidade e a ficção. Ressaltavam uma postura nacionalista, por voltarem-se para o que seja nacional e regional, agora não mais com a idealização romântica, mas, sim, por denunciarem os desequilíbrios dessa realidade.2 Típico destes escritores é dirigir a sua atenção para os tipos marginalizados, o sertanejo nordestino, o caipira, os funcionários públicos ou os mulatos. Os dois últimos, repetidamente, aparecem nas obras de Lima Barreto como personagens principais.

Em primeiro lugar, Lima Barreto trabalha com a ideia de que a sociedade é marcada pela injustiça e pela desigualdade sociais e assim constrói um retrato da sociedade em que mostra, ao mesmo tempo, as origens dessa avaliação. O escritor posiciona-se contra a configuração desse modelo de sociedade e confiando no poder da vontade acredita na transformação dela pela ação do homem.

Em segundo lugar, ao lado dessa temática maior, Lima Barreto apresenta uma outra, baseada na sua experiência pessoal, ou seja, temática da dor e do sofrimento humanos que nascem da construção injusta da sociedade. Neste contexto convem apontar para o fato de que, da obra de Lima Barreto transparece repetidamente a sua persuasão de que a condição humana, a dor e o sofrimento não são elementos próprios ao ser natural, mas ao ser social. Em outras palavras, é a sua inserção social que o condena ao sofrimento. Por este motivo, o autor trabalha a condição humana sob o ponto de vista das suas imposições sociais fazendo da sua obra um panfleto contra a ordem existente, um grito de dor dos oprimidos, procurando despertar a indignação dos seus concidadãos por meio da crítica sagaz e ferina, na tentativa de mobilizá-los para as transformações necessárias a uma sociedade mais justa e feliz.3 Com a obra de Lima Barreto, “a literatura brasileira vê a transformação da palavra em espada.”4

O livro escolhido foi publicado quando Lima Barreto tinha 28 anos sendo o seu primeiro romance, e como o autor esperava, o primeiro que lhe abriria a porta para o mundo dos grandes literatos. É verdade que os três principais romances de Lima Barreto assinalam, muitas vezes, elementos mais ou menos idênticos, mas a nossa escolha caiu justamente em Recordações porque caracterizam a primeira fase do processo lieterário do jovem autor, o momento mais férvido e agressivo que dá raiz à sua crítica social, no qual o ardor do escritor jovem, ambicioso e revoltado transmete-se para a narrativa como traço que consideramos significante, porque nasceu da sua profunda crise existencial, do grande momento de desilusão e de fome de curar o mundo “doente”.



Portanto o nosso enfoque central será captar os diferentes fenômenos da vida da sociedade carioca, que mais tocaram o autor e nas quais se concentrou na sua crítica: descriminação social omnipresentes, a jovem República e o meio da grande imprensa, além de representações da vida suburbana. Neste sentido, estudaremos os aspetos significantes que o autor criticava, e a partir deles vamos construir a sociedade carioca como a pintou no seu livro Lima Barreto.
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