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MASARYKOVA UNIVERZITA

FILOSOFICKÁ FAKULTA

Ústav románských jazyků a literatur
Alena Vašíčková
A HISTÓRIA DE ANGOLA ATRAVÉS DO ROMANCE YAKA


Bakalářská diplomová práce

Vedoucí práce: Mgr. Silvie Špánková


BRNO 2006

Prohlašuji, že jsem bakalářskou diplomovou práci vypracovala samostatně s využitím uvedených pramenů a literatury.

V Brně 22.5.2006

Alena Vašíčková

Děkuji Mgr. Silvii Špánkové za čas věnovaný této práci a cenné připomínky.


Índice

1. Introdução 4

1.1. Introdução ao Trabalho 4

1.2 Introdução ao Autor e Obra 6

2. O Processo Histórico 8

2.1 O Desenvolvimento até 1890 8

2.2 A Boca: 1890/1904 10

2.3 O Desenvolvimento entre 1904 e 1917 15

2.4. Os Olhos: 1917 17

2.5 O Desenvolvimento entre 1917 e 1940 21

2.6 O Coração: 1940/41 22

2.7 O Desenvolvimento entre 1941 e 1960 24

2.7 O Sexo: 1961 26

2.8 O Desenvolvimento entre 1961 e 1975 29

2.9 As Pernas: 1975 31

3. Algumas Notas sobre o Colonialismo Português 34

3.1 Perspectiva Histórica 34

3.2 A Família Semedo: Personificação do colonialismo Português 38

4. Conclusão 40

5. Bibliografia 41



1. Introdução



1.1. Introdução ao Trabalho



Mas, entanto que cegos e sedentos
Andais de vosso sangue, ó gente insana, Não faltarão Cristãos atrevimentos
Nesta pequena casa Lusitana:
De Africa tem marítimos assentos;
É na Ásia mais que todas soberana;
Na quarta parte nova os campos ara;
E, se mais mundo houvera, lá chegara.1

África não era o único destino da obsessão dos portugueses de descobrir, conquistar, baptizar e negociar, mas - comparando com outras colónias na América Latina ou Asia - as consequências do colonialismo foram as mais drásticas. Nas escolas europeias aprendemos principalmente sobre a história europeia, incluindo horribilidade das guerras mundiais, e pouca atenção é prestada à história de África, não menos sangrenta e chocante. A escravidão não é uma invenção da época colonial, pois já a assim chamada democracia da Grécia antiga não duvidava que uma parte da população era só coisas pertencentes ao dono; não obstante, a escravatura africana ultrapassou todos os limites da perversão humana. O “Sagrado Ofício“ dos portugueses de colonizar novas terras e espalhar a fé cristã, nem que seja a ferro e fogo, levou ao sofrimento de milhões de pessoas. A doutrina católica sobre a igualdade de pessoas foi silenciada, como qualquer ideia não conveniente à Igreja. Por outro lado, a própria Igreja Católica "consagrou" os interesses coloniais dos portugueses. A demagogia católica desempenhou um papel semelhante à propaganda na literatura (Os Lusíadas não é de longe uma única obra deste tipo) e, mais tarde, à propaganda feita sistematicamente pelo regime salazarista. O caminho à independência foi longo e não fácil, e ainda após a desligação de Portugal, os países africanos passaram por muitos problemas antes de atingirem verdadeira liberdade e paz.

O objectivo deste trabalho é descrever e interpretar as alterações políticas e sociais, que decorreram em Angola entre 1890 e 1975, tendo como ponto de partida o romance Yaka do escritor angolano Pepetela. O romance é dividido em cinco capítulos que captam anos-chave para o desenvolvimento do país: analisaremos referências históricas mencionadas no romance, comparando-as com dados das fontes históricas. Será também necessário mencionar os acontecimentos mais importantes que decorreram entre os anos referidos, pelo menos os que forem necessários para a compreensão do desenvolvimento. Tentaremos descobrir os impulsos que levaram à oposição contra o regime colonial português e, a seguir, à guerra pela liberdade nacional.



1.2 Introdução ao Autor e Obra


Pepetela2 (nome de guerra e posterior pseudónimo literário de Arthur Carlos Maurício Pestana1 dos Santos) nasceu em Benguela, em 29 de outubro 1941 como descendente de uma família colonial portuguesa. Estudou em Benguela toda a sua infância e adolescência. Em 1958 partiu para Lisboa onde frequentou um curso de engenharia no Instituto Superior Técnico, depois de dois anos transferiu-se para Letras. Em 1963 tornou-se militante do MPLA3 viajando para Argel. Na capital argelina formou-se em Sociologia e integrou o Centro de Estudos Africanos que apoiava o MPLA com a publicação de manuais que contribuíam para a divulgação da história e geografia de Angola nos estudos primários desse país. A luta pela independência de Angola levou Pepetela a viajar até Cabinda e Moxico, regressou ao seu país em 1974. Após o fim do colonialismo, e com o Governo do MPLA, Pepetela foi nomeado, em 1976, vice Ministro da Educação, cargo que exerceu até 1982. Em 1997 recebeu o Prémio Camões, que o consagra como uma figura marcante da literatura da língua portuguesa. Actualmente é professor de Sociologia da Faculdade de Arquitectura de Luanda, onde vive.

Na sua obra, Pepetela concentra-se sobretudo na temática histórica e acompanha as mudanças sociopolíticas do seu país. Ou seja, na história busca a matéria para a ficção, como podemos ver por exemplo em Mayombe (1980), Yaka (1985), Lueji (1990), A Geração da Utopia (1992), O Desejo de Kianda (1995), Parábola do Cágado Velho (1996), A Gloriosa Família (1997). Noutro lado não se esquece dos mitos e das ricas tradições culturais angolanas (Muana Pó (1978)), nem do humorismo: Jaime Bunda, Agente Secreto (2001), Jaime Bunda e a Morte do Americano (2003). Pepetela é também co-autor da História de Angola, edição do MPLA, publicada em Argel em 1965 pelo Centro de Estudos Angolanos e autor de, entre outras obras, de Luandando, uma panorâmica descritiva do perfil sociológico da cidade de Luanda.

Dificilmente podíamos dizer sobre um dos livros referidos que é restritamente histórico. Há motivos que permeiam toda a obra de Pepetela, há ecos, há referências entre os livros. Mas o objectivo é sempre o mesmo: captar e apresentar a realidade angolana, o processo histórico que levou o país do colonialismo através guerra até a independência, o progresso misturado com o mundo tradicional, as características da sociedade e da mentalidade angolana. De tudo isto sobressai o interesse pelo Homem. Com a humildade, Pepetela enquadra na sua obra o ciclo de vida, o nascimento, o amor e a morte.
"Eu estava completamente preso à história quando escrevi o Yaka".4

"É um livro onde acredito não hajam muitos erros históricos."5

Nas sociedades africanas, onde há uma falta de obras puramente históricas, a ficção pode substituí-las. Esta atitude não está longe da forte tradição da oralidade nas sociedades africanas: os mitos, bem como os verdadeiros acontecimentos, eram transmitidos duma geração para outra oralmente. O género de romance é o mais próximo ao estilo muito antigo e próprio de muitos povos, a epopeia. Utilizando a forma de romance, há grande probabilidade que a mensagem será lida e compreendida, ou transmitida para gerações seguintes:

Mas é uma tentativa de mostrar: era assim. (...) Daqui a uns tempos não haverá pessoas que tenham vivido a situação colonial por "dentro". E toda a nova geração deverá ouvir falar, apenas. Há de haver textos de história sobre o que era o colonialismo, o que era a mentalidade do colono, etc., mas forçosamente texto de história, é uma coisa fria... e as pessoas acabam por imaginar o que seria, mas não compreender profundamente, e aí é o papel do romance, fundamental, para a nova geração conseguir "viver" um pouco o que era a vida antes. Aí há também uma preocupação de registar  para a história. E há pouca gente que escreve, que tenha tido essa vivência. E aí eu pensei, eu tenho essa vivência da sociedade colonial, eu tenho a vivência dos que se opuseram à sociedade colonial, eu sou um dos raros cinco, seis ou dez que possam fazer isso. 6




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