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O Desenvolvimento entre 1917 e 1940



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2.5 O Desenvolvimento entre 1917 e 1940


O interesse por Angola cresceu com a descoberta de diamantes. Vieram os primeiros garimpeiros a explorar a terra, em 1920 foi formada a DIAMANG, Companhia de Diamantes de Angola, um concessionário exclusivo até os anos sessenta. Depois da opressão dos seles em 1917, os restantes rebeldes, os choques que ameaçavam a exploração de diamantes, foram em 1920 expulsos para o Congo. As tropas coloniais acabaram a subjugação do território angolano só em 1922, mas logo em 1924 houve uma rebelião em Porto-Amboine, em 1925 em Ambriz e em 1939 em Mucumbaiz. Naquela altura a luta contra o colonialismo não tinha muito a ver com a política, tratou-se em maior ou menor grau dos movimentos espontâneos dos grupos étnicos a defender o antigo sistema de vida. Com a implantação do regime colonial em progresso, a estrutura social e económica ia mudando e em vez duma massa indiferenciada apareceram novas classes socias e novas relações entre elas.

Depois da Guerra Mundial, Norton Matos quis continuar a reformar o país, mas foi expulso pelos brancos por ter sido filantrópico demais. Em Portugal, com a Revolução de 28 de Maio de 1926, caiu o régime republicano e instalou-se o régime do governo militar. António de Oliveira Salazar, Ministro das Finanças a partir de 1928, compreendeu que para o crescimento da Pátria era preciso tirar mais proveito das colónias. Como Ministro Ultramarino em transição fez passar em 1930 uma nova lei sobre colónias iniciando a centralização administrativa e financeira do império. O mito da grandeza imperial passou a ser a ideia central da reeducação do povo por Salazar. O novo código laboral de 1928 melhorou os salários e o tratamento medical. No mesmo ano nasceu o projecto de imigração governada para aumentar a produtividade das plantações de café, sendo a cultura melhor organizada e dirigida. A reforma monetária substituiu escudo pelo angolar, mas ao mesmo tempo aumentou os impostos. As agitações espalharam-se nas cidades bem como no campo e desta vez ultrapassaram a dimensão local tribalista.

O Estado Novo, proclamado em 1933, abertamente declarou as intenções de assimilar os povos africanos e integrá-los no império português. A Carta Orgánica do Império Colonial Português de Novembro de 1933 declarou objectivos assimilativos. O propósito era a integração das sociades indígenas de colónias na nação portuguesa.

A campanha ideológica concentrada na "herança dos descobrimentos" caracteriza os anos trinta e quarenta.


2.6 O Coração: 1940/41


Em 1940 viviam em Angola cerca de 3,7 milhões habitantes, disso 44 mil brancos25. Oficialmente a população era dividia em duas categorias: os indígenas e os não-indígenas (os brancos, mestiços e africanos assimilados). Praticamente existia mais uma categoria: os assimilados formalmente pertenciam à segunda categoria, mas não eram habitantes de pleno direito. Segundo os portugueses, todos os indígenas desejavam tornar-se assimilados, mas na verdade a maioria rejeitava, pois não queriam ser considerados traidores e tornar-se "portugueses pretos". O estatuto do assimilado podia ser atribuido só ao africano que falava perfeitamente português, era cristão, podia dar provas que tinha um trabalho fixo, pagava os impostos, tinha atingido um certo nível de educação e não tinha sido punido. A comissão que atribuía este estatuto tomava em conta sobretudo as opiniões políticas e a lealdade ao regime português. O assimilado não era obrigado exercer o trabalho forçado, podia viajar sem pedir permissão, recebia - em teoria - o mesmo ordenário com os europeus e tinha direito a voto. Não obstante, menos que 100 mil assimilados em 1940 provavam que a política de assimilação não dava muito resultado. Além da assimilação jurídica existia a natural: a misturação. Os mestiços ganhavam o mesmo estatuto e os mesmos direitos como os portugueses26.

Nos últimos anos, a economia ia enfraquecendo. "A crise económica se mantinha, as mudanças políticas em Portugal com a criação do Estado Novo traziam desassôssego." (p.173)

O marfim, a borracha e o azeite-de-dendê tinham sido substituídos pelo milho, açúcar e algodão. Cada vez mais africanos fugiam do alcance das instituções coloniais ou emigravam, sobretudo para a África do Sudoeste.

A família Semedo tem um membro novo: o marido de Eurídice, a filha de Alexandre. Bartolomeu Espinho é um protótipo do colono português na época entre as guerras mundiais. "Lisboeta espertalhão e quase iletrado" (p.170), "não tem escrúpulos, não tem cultura, (...), mas é o diabo. Vai longe esse rapaz." (p.171). Bartolomeu ouve sobre a intensificação da cultura do algodão na zona do Bocoio e Balombo e decide atirar-se nela. O Banco empresta-lhe dinheiro, pois o Estado quer ajudar a cultura do algodão.

Parecia que Angola se estava a ssimilar, mas em 1940-41 sucederam novas rebeliões: sublevações dos mucubais. Estes acontecimentos fizeram lembrar que alguns territórios não queriam pertencer a Angola e que algumas tribos iam defender a sua independência. No caso dos mucubais, não se tratou só da defesa da sua particularidade, mas também da luta sobre o gado, essencial para a vida da tribo, frequentemente roubado pelos brancos ou por outras tribos. Os brancos, provocados por sublevações constantes e resistência inesperada dos mucubais, resolveram o problema duma forma radical, até foram utilizados aviões para oprimir a rebelião.



A Benguela chega a notícia que os mucubais1, na zona de Moçâmedes, andam a matar pessoas. Mais tarde revela-se que a revolta está ainda mais perto de Benguela: na Bibala, em Capangombe. Os brancos primeiro tentam tirar o gado dos mucubais – estes, sem o gado, perdem tudo, orgulho, identidade e rebeldia. Todo o gado deve ser reunido para o Estado que o vende depois em hasta pública. Mas a tribo resiste aos ataques, apesar de se defender só com flechas e azagaias. Sempre acontecia assim e por isso há muitas lendas e superstições sobre feitiços poderosos protegendo a tribo. Mesmo os mucubais são considerados monstros horríveis: "É verdade que têm as caras pintadas e dentes de vinte centímetros?" (p.218)

As lutas regionais intensificam-se. Quem vem da zona referida, fala-da verdadeira guerra. Na Bibala, no Pocolo, em todas as partes. "Já não habituais razias dos colonos e polícias que vinham requisitar o gado aos cuvale. Agora é guerra mesmo. " (pp.200-201)

"-Estão a matar gente, os brancos estão a matar gente. Todos, todos..." (p.200)

Apesar de a tribo ter sempre conseguido resistir aos ataques de outras tribos e do exército, contra "um pássaro grande que vomitava fogo" (p.201) já são impotentes.

Durante a II Guerra Mundial António Salazar manobrava entre os régimes do Eixo, com os quais a furto simpatizava, e a Grã-Bretanha - ser o seu aliado sempre valia a pena. Salazar mantinha a neutralidade sobretudo para que ninguém depois do fim da guerra, quem quer que ganhasse, pudesse colocar em dúvida a continuidade do império português.



Naturalmente, os simpatizantes com Salazar acolheram este procedimento, como vemos na personagem de Ernesto Tavares, membro da secção local da União Nacional, o partido único de Salazar: "E por alturas da sua morte, defendia a neutralidade de Portugal na Segunda Guerra Mundial mas com indisfarçada simpatia por Hitler e Mussolini, homens fortes, que-era-o-que-os-povos-precisavam." (p.198)

Com a Guerra Mundial subiu o preço do sisal e o Bocoio é excelente para o sisal. Bartolomeu Espinho decide tentá-lo.



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