Masarykova univerzita


O Desenvolvimento entre 1941 e 1960



Baixar 166.28 Kb.
Página5/7
Encontro29.07.2016
Tamanho166.28 Kb.
1   2   3   4   5   6   7

2.7 O Desenvolvimento entre 1941 e 1960


Depois do fim da Guerra Mundial, Marcello Caetano, em 1946, tentou esboçar uma nova atitude perante as colónias: propôs que o império se tornasse uma federação; a proposta foi recusada pela Câmara de Corporações que até recomendou continuar com a política de assimilação dos indígenas. Contudo, os planos de António Salazar não se cumpriram. Depois do fim da guerra, o mito imperial salazarista foi atacado pela ONU e perdeu a sua perspectiva. O 73º artículo da Carta da ONU declarou-se contra o colonialismo e o capítulo XII exigiu a libertação dos territórios dependenetes. Seguiu um acto formal: em 1951 as colónias foram proclamadas "províncias ultramarinas" e Portugal formalmente deixou de ser uma potência colonizadora. Já não admitia que outras potências se metessem nos assuntos internais.

O Estatuto dos Indígenas de 1954 manteve a maioria das populações africanas na posição sem pleno direito. Era óbvio que as verdadeiras mudanças só podiam vir "de dentro". Por isso formaram-se movimentos e centros pela africanização e libertação. Contudo, não era permitido aos africanos reunir-se nas organizações políticas ou sindicais, todas as organizações vieram a ser a priori suspeitas, "viam-se pides por todo o lado" (p.236).

Apesar do esforço das autoridades portuguesas de manter tudo em segredo, sabia-se que, em 1948-1949, a tropa portuguesa lutou contra rebeliões dos grupos Ovimbundo na região de Sá de Bandeira.

Devido ao atraso das colónias portuguesas em termos gerais, à opressão, ao sistema educativo descuidado e à influência da igreja, o desenvolvimento dos movimentos de libertação nacional foi travado por muitos anos, passando a ser mais activo (e melhor organizado) mais tarde do que nas outras colónias em África. Nos anos cinquenta, a ascensão dos movimentos de libertação nacional nos países circunvizinhos já tinha repercussão também em Angola apesar das tentativas de Salazar manter as colónias isoladas de influências externas. Depois da guerra mundial, os centros de resistência transladaram-se do campo para as cidades e para localidades onde havia concentração de trabalhadores. Apareceram intelectuais africanos que não desejavam tornar-se portugueses pretos e cidadãos secundários do império salazarista.

Para podermos seguir os capítulos do romance, é preciso descrever os maiores movimentos pela libertação, assim chamados “movimentos populares“.

Angola foi o primeiro país entre as colónias portuguesas onde nasceram verdadeiras organizações políticas. A partir de 1953 criaram-se em Angola, sobretudo em Luanda e Benguela, muitas organizações com o objectivo de lutar contra o colonialismo português. Em 1956 reuniram-se num só movimento e deram origem ao Movimento Popular de Libertação de Angola, MPLA. No início, o partido limitava a sua actuação para Luanda e operava entre os assimilados, mestiços e uma parte dos liberais portugueses, mas em breve difundiu a sua influência para toda Angola. Segundo o seu manifesto, o fim foi a queda do régime português, a independência, reformas socias e territoriais e construção duma sociedade moderna sem prejuízos. O partido foi suportado pela inteligência bem como pelos operários, camponeses, funcionários e soldados angolanos. Tomando como base as doutrinas do marxismo-leninismo, o MPLA colaborava também com o PCP – Partido Comunista Português clandestino. O governo português respondeu com represálias: em 1955 foi presa uma parte da chefia do MPLA . Foram enviadas tropas da metrópole, mas já não havia possibilidade de travar o movimento, especialmente na época quando outros países africanos um trás outro ganhavam a independência.

Em 1954 foi fundada a União das Populações do Norte de Angola, mudando o nome em 1958 para a União das Populações de Angola, UPA, com o líder Holden Roberto. Os simpatizantes recrutaram-se sobretudo dos habitantes das localidade agrícolas no norte do país, entre a nacionalidade Bakongo. A chefia do partido desde o início mantinha relações estritas com o ABAKO, partido congolês, e suportava as tentativas de reconstituição do antigo império de Congo. Mais tarde, foi rebaptizada para Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA).

Como uma bomba funcionou, em 1960, a proclamação da independência do Congo Belga. O MPLA pediu que a ONU proclamasse as colónias portuguesas "territórios sem próprio governo" e iniciasse assim a descolonização. A resolução da ONU de Dezembro de 1960 exigiu sem compromissos a independência das países e nações coloniais.



"Independência do Congo, o Lumumba27... Essas ideias chegaram até cá. " (p.257)

2.7 O Sexo: 1961


Nas colónias europeias sempre existiram movimentos de oposição e resistência à presença das potências coloniais. Ao longo doséculo XX, o sentimento nacionalista ia crescendo, suportado ainda pelos Estados Unidos da América e pela União Soviética. Estas potências da II Guerra Mundial alimentavam — quer ideologicamente, quer materialmente — a formação de grupos de resistência nacionalistas, durante a sua disputa por zonas de influência. Só durante a Conferência de Bangung, em 1955, foram chamadas para considerar as reivindicações do assim chamado Terceiro Mundo, primeiro para manter o equilíbrio nas relações internacionais da Guerra Fria, segundo para encaminhar os sentimentos autonomistas. Com o "Ano de África", em 1960, a maioria das colónias francesas, italianas e britânicas ganhou a independência. Era evidente que também nas colónias portuguesas o esquema de convivência de gerentes brancos e trabalhadores pretos sem quaisquer direitos (a não ser que fossem os assimilados) era já ultrapassado, mas o régime autoritário salazarista nunca aceitou este facto. Depois dos distúrbios no Cassange, no fim de 1960, a URSS proclamou que ia apoiar a luta pela libertação. O líder dos Bacongos convenceu John F. Kennedy que era preciso que os EUA apoiassem a resistência angolana contra Portugal, apesar de serem aliados na NATO28. Senão havia perigo de o território cair nas mãos dos comunistas.

O ano 1961 foi decisivo para Angola. Começou com a sublevação dos trabalhadores do COTONANG29, que se queixavam da exploração. Em Janeiro e Fevereiro, queimavam a seara e as missões católicas e, para al~em disso, destruíam as pontes na região de Malange.



As novidades chegam também a Benguela. Ouve-se que os revoltados mataram alguns roceiros, o distrito estava todo a ferro e fogo. Até havia planos para matar todos os brancos. Os brancos em Benguela estão com medo de os cozinheiros pretos envenenarem a comida e trucidarem-nos.

A 4 de Fevereiro, Luanda foi acordada pela metralha: um grupo de revolucionários atacou a cadeia de Luanda e o posto policial; sete polícias foram mortos. Os chefes do MPLA exilados em Conacra informaram o mundo que tinha começado a guerra contra o colonialismo. No dia seguinte, depois do enterro das vítimas, os brancos armaram-se e vingaram-se passando pelos musseques, bairros de africanos, disparando por todos os lados. Luanda entrou em pânico e os distúrbios espalharam-se por todo o país. "Rapazes jovens compraram armas e invadiram os bairros de negros da cidade, atacando qualquer pessoa que achassem pudesse ser responsável pela revolta. Muitos foram mortos, especialmente aqueles que haviam ido à escola e tinham começado adoptar os modos europeus."30



Pessoas nem saem de casa, têm medo das milícias, diz-se que são inexperientes e disparam à toa. A luta transladou-se de áreas distantes, onde parecia estar tão longe, à cidade. "Bailundos deram cabo da rebelião no Norte. Mas agora está na capital." (p.280)

Os tiros abalaram Portugal: o regime perdeu o seu triunfo, o mito sobre a convivência pacífica dos brancos e pretos, graças à cristianização e lusitanização.

A 10 de Fevereiro, o ataque repetiu-se, desta vez feito pelo MPLA. O MPLA assumiu a tarefa do libertador: em fevereiro pediu que o mundo lho ajudasse a derrubar o colonialismo. A morte de Patrice Lumumba indicou a rivalidade entre CIA e KGB para ganhar a influência sobre África. Parecia que o império não pudesse resistir mais, as potências pediram que se transformasse no commonwealth, mas Salazar recusou as reivindicações americanas. Julgou que África sem brancos logo cairia na guerra e tribalismo. Desde o início haviam entre os movimentos várias discórdias e lutas fraccionárias - desligação do império significaria tanto desavenças interiores como a queda na influência das potências vizinhas ou mundiais, ou seja, novos soberanos.

A 15 de Março de 1961, a grande rebelião rebentou no norte de Angola. Os Bacongos que tinham perdido as suas terras deram origem a um massacre de populações brancas, trabalhadores pretos de outras regiões de Angola, assimilados e católicos pretos. Os pretos eram vistos como colaboradores - ainda que forçados - que permitiam aos fazendeiros apoderar-se de terras dos anteriores camponeses negros, cultivadores de café. Os sublevados, armados de machetas, punhais e armas de fogo, trucidaram aldeias inteiras. O terror demorou uma semana e foi liquidado pelos aviões e bombardeamento. O governo português indicou a UPA, o agitador, ser uma organização terrorista. A UPA tomou controlo da zona do norte.

Os massacres continuaram. Grupos de violadores passavam pelo norte e atacavam os brancos, sem programa, sem ideologia. Antes de a tropa intervir, foram mortos cerca de 800 brancos e 6000 pretos31.

"- Atacam as fazendas e matam tudo. Como os trabalhadores geralmente são bailundos, matam-nos também." (p.289)

" - Os terroristas? Querem expulsar os brancos, destruir as fazendas, queimar as casas. Foi o Lumumba que mandou." (p.289)

"Assim que os brancos recuperaram dos massacres, desesperaram-se do facto de o combate ser chefiado pelos guerrilheiros representando a inimizade do Leste e do Oeste e pelos comunistas treinados no Congo e suportados pelos missionários protestantes."32



" - Tipo catequista protestante que está a reunir as pessoas. Dizem que está a mobilizar os negros para um massacre generalizado dos brancos. Até há panfletos." (p.295)

Portugal fez o máximo para acalmar as rebeliões e no mesmo tempo impôs novas reformas: o estatuto de indígenas foi cancelado e pela primeira vez todos eram iguais perante a lei. A educação foi tirada das mãos da igreja, começou a alfabetização. Em Outubro, o governador informou sobre liquidação total de terrorismo.

Entretanto, a Assembleia Geral da ONU aprovou a proposta de ser aberta uma discussão sobre a situação em Angola. A maioria de membros simpatizava com os revoltados ("ignominiosa onda antiportuguesa na ONU, transformada por força de independências demagógicas e fictícias num palco preferido para o desfile da grotesca batucada africana" (p.317)) e os diplomates portugueses sairam. Em abril 1961 a Assembleia Geral aprovou o procedimento que levasse à desligação da África portuguesa do "país materno".

A partir de 5 de maio o régime censurava todas as informações de Angola para poder manobrar, sendo exposto à opinião pública mundial desfavorável. Desfigurava as informações em todas as frentes: para habitantes das colónias, de Portugal e sobretudo para o mundo.



"A Monarquia inaugurou o método, a República seguiu, o Estado Novo só continua a tradição. O exagero do número de massacrados, o requinte de detalhes, e também a influência estrangeira. Agora é o Lumumba e os comunistas, antes eram os ingleses ou os alemães." (p.262)

Os movimentos de resistência reforçavam-se. Os EUA começaram a suportar financeiramente a UPA: já a primeira soma foi suficiente para abrir treinos militares e profissionalizar as forças armadas. Mas já no decorrer do ano 1961 apareceram primeiras lutas entre os movimentos de resistência: em Outubro, uma divisão da UPA atacou e assassinou vinte-dois guerrilheiros do MPLA.





Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal