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Algumas Notas sobre o Colonialismo Português



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3. Algumas Notas sobre o Colonialismo Português

3.1 Perspectiva Histórica


"Idade Média no século XX"
O imperialismo português era o imperialismo dum país atrasado em termos económicos, sociais e culturais que nem era capaz de resolver os seus próprios problemas internos. Este atraso, datado já do século XVII, tornou-se ainda mais evidente durante o período colonial e resultou - numa forma mais intensa do que acontecia com outros países envolvidos no colonialismo - roubos bem como várias formas de opressão. Portugal foi de um lado um país colonizador e de outro lado um país sob a forte influência de outras potências, dependente de sujeitos politicamente e economicamente mais fortes. Enquanto noutras regiões de África o colonialismo provocou a derrogação de relações socias e económicas e o aparecimento de novas, mais progressistas, um processo semelhante nas colónias portuguesas foi travado por causa de formas e métodos da exploração portuguesa. A fraqueza portuguesa sempre incentivava outras potências, sobretudo a Inglaterra e a Alemanha, para tentarem repartir o império português. Como o pretexto serviam notícias sobre o trabalho forçado, diferente da escravidão só pelo seu nome, e sobretudo críticas do atraso em termos gerais e a incapacidade do desenvolvimento que fosse necessário. Esta ofensiva, desenvolvida no início do século XX contra o colonialismo português, foi uma mistura da indignação ante o tratamento inumano de pretos e de tentativas de monopólios britânicos tendo como objectivo entrar neste espaço com o seu capital. Como reposta a estas críticas Portugal tentou elaborar uma doutrina colonial e justificar os seus métodos, por outro lado tentou atrair o capital com o fim de possibilitar o desenvolvimento eficiente.34

A doutrina colonial portuguesa era sempre cheia de controvérsias, e sempre continha uma grande contradição entre as teorias sobre o "Ofício Sagrado", o papel histórico dos portugueses e a realidade: a política exercida face aos africanos. Não haviam muitos lugares onde o colonialismo fosse ainda mais absurdo, mas, ao mesmo tempo, tão forte, influenciando a maioria da nação, como acontecia em Portugal. "Quanto mais piorava a posição e a exploração dos africanos, tanto mais se firmava o régime policial nas colónias e tanto mais se ouviam palavras sobre o grande serviço que Portugal faz nas suas colónias para o benefício da humanidade."35

"O aspecto básico dessa mitologia é uma afirmação que Portugal, apesar de ser fraco politicamente e militarmente, tem uma especial força espiritual que o capacita - como única nação europeia - ficar em África bem como na Ásia e continuar com a sua missão começada já há quinhentos anos. Os doutrinadores do colonialismo proclamavam que o imperialismo português era algo completamente diferente dos outros imperialismos, pois não era caracterizado «pela exploração, opressão das nações submissas nem pilhagem sistemática, mas pelo altruismo, abnegação, fé e responsabilidade histórica pela civilização»." 36

Em 1947 Henrique Galvão apresentou um relatório sobre a situação terrível em Angola, mas este não saiu oficialmente e ele foi preso. Só em 1954 Basil Davidson, um escritor britânico, chamou a atenção do mundo para as condições em Angola, publicando duma parte o relatório de Henrique Galvão; completa foi publicada só em 1961. Galvão descreveu a bestialidade ligada ao trabalho forçado e mostrou as consequências para a população angolana. Enquanto durante a escravidão o escravo era a propriedade do dono e era o interesse do dono tratar do escravo para que pudesse trabalhar e ser eficiente (como tratava do cavalo ou boi), na época do trabalho forçado os africanos já não pertenciam a ninguém. Os donos pediam-nos do Estado temporariamente e se um morreu, simplesmente pediram outro. Galvão também apresentou factos que, em termos de alimentação, a situação era pior do que nos tempos antigos, a população sofria da subnutrição e falta do tratamento médico; a mortalidade infantil bem como adulta era alarmante. Apesar da agitação da opinião pública mundial os colonizadores não tomaram nenhumas medidas e o desenvolvimento económico nos anos cinquenta resultou no fortalecimento do sistema de trabalho forçado, uma garantia de grandes lucros.

Sem a pressão de outras potências e mais tarde da ONU, o régime salazarista provavelmente nunca admitiria a independência das suas colónias. A força mais importante nas mãos do régime foi a PIDE, Polícia International e de Defesa do Estado. ("-Vêm-se pides por todo o lado." (p.263)) Os métodos da PIDE baseavam-se nos métodos da Gestapo: os processos secretos, campos-prisões, assassínios e desaparecimentos, a tortura, uma rede de denunciantes que espreitava todos os movimentos de pessoas suspeitas ou só um pouco liberais.

O segundo ajudante foi a Igreja Católica. "Os padres lá estão à espera, ansiosos por salvarem mais umas alminhas." (p.46) Antes de os escravos embarcarem, foram baptizados pelo bispo, que recebia certa contribuição por cada um; a Igreja supunha que era melhor para um africano ser escravo baptizado do que ficar pagão livre, sem esperança da tábua de salvação eterna. Os missionários, entre os quais a maioria eram jesuítas, dedicavam-se mais ao comércio de escravos do que à actuação missionária. A sua actividade era criticada por governadores e outros colonos, sobretudo pelo seu trato duro dos escravos (tão duro que outros escravistas protestavam!). A ordem jesuíta possuía barcos escravistas que circulavam entre África e o Brasil; além disso lhe pertenciam grandes latifúndios nos quais trabalhavam os escravos.

A Igreja tinha nas suas mãos a educação - bem como em Portugal da miserável qualidade, ensinando só a submissão cristã e a reconciliação com o destino. Nos terrenos da igreja trabalhavam milhares dos africanos forçados bem como as crianças, pois segundo a Igreja "o trabalho é o melhor meio civilizador". Enquanto noutras colónias as missões suportavam até certo ponto as línguas indígenas (que levou à conscientização nacional), nas colónias portuguesas as escolas eram um instrumento da lusitanização e educação segundo as ideias do panlusitanismo.

É evidente que os padres católicos nem sempre se comportavam segundo os mandamentos e regulamentos, como podemos ver na personagem do padre Costa, "sempre sedente por dinheiro" (p.115):  "...já tinha deixado órfãos os seus quinze afilhados mulatos e fora substituído pelo padre Horácio, mais novo, mas igualmente adepto da filosofia da reprodução de mulatos para o crescimento da Igreja" (p.195)

Os portugueses sempre se orgulhavam que nas suas colónias não havia discriminação racial. É verdade que não haviam letreiros que permitissem algo ao branco e proibissem o mesmo ao preto (como acontecia na República da África do Sul) e que a legislação oficialmente não fazia diferenças entre brancos e pretos. Porém, a discriminação racial era praticamente aplicada em todas as esferas de vida. O africano não podia desempenhar certos trabalhos destinados aos europeus, não lhe foi atribuído o alvará comercial, não tinha nenhuns direitos políticos (noutro lado isto foi o problema da maioria da população sob o régime salazarista), não tinha direito ao tratamento médico nem a frequentar as escolas europeias.

Segundo as fontes oficiais portuguesas, entre 1902 (opressão dos bailundos) e março 1961 não havia rebelião nenhuma. Mas é evidente que a censura cuidou com esmero para que as notícias sobre o descontentamento dos africanos não saíssem em público e as autoridades mantinham em segredo factos que indicavam a situação verdadeira.

Os portugueses nunca reconheceram as estruturas tradicionais sociais, hábitos, tradições e línguas, considerando-as bárbaras e também contestaram o direito dos povos africanos à autodeterminação e autonomia.

Nós, os que estamos a construir esta terra. Nós, os civilizadores desta negralhada. Vamos pôr isto direito, nem que seja a ferro e fogo.“ (p.107)

3.2 A Família Semedo: Personificação do Colonialismo Português


Através das peripécias de vida de gerações da família Semedo é que aprendemos sobre os colonos portugueses e o colonialismo em geral. Os tempos mudam e a única coisa que faz lembrar o passado e as tradições do país é uma estátua yaka, que Alexandre herda do seu pai.

Os pais de Alexandre eram portugueses e nunca puseram este facto em dúvida. Alexandre, "branco de segunda", passa por várias atitudes; dedica-se à agricultura como os colonos naquela altura faziam, casa-se com uma portuguesa e produz uma nova geração de colonos que se consideram portugueses. Põe em prática a sua paixão pelos gregos dando-lhes nomes gregos: Aquiles, Sócrates, Orestes, Helena, Eurídice. Esses, simbolicamente representam a Europa e as tradições europeias sem dúvida baseadas em tradições - entre outros - da Antiguidade. Os filhos de Alexandre não se identificam com o ambiente africano, representam o colonialismo português do lado ínfimo, explorando os indígenas nas terras que lhes foram roubadas. Aquiles, vivendo - como diz - uma "vida de merda de branco numa terra de pretos" (p184), só se interessa por caçadas, mulheres e fútebol, orienta os trabalhadores negros e quase não os considera seres humanos. É morto num ataque contra os indígenas e Alexandre é perseguido pela ideia que matou o seu filho "por tê-lo educado de ser superir porque branco".

A geração seguinte ainda se comporta à europeia, Heitor graças ao seu interesse pelo latim e grego torna-se orgulho de Alexandre. Todos são apolíticos, excepto Sócrates que volta para Portugal para ser advogado. A única excepção dos netos é Chico, filho mulato da enteada de Alexandre. Com a sua intenção de aderir à UNITA já representa uma nova juventude angolana, interessada pelo seu país dividido entre diversas fracções políticas, e ao mesmo tempo o facto fascinante da multiracialidade angolana. "Fogueiras sagradas e infalíveis do Sagrado Ofício que deve desde já ser reactivado, e com ele os comunistas e anarquistas e lumumbistas que têm inveja satânica da felicidade que reina neste território multiracial, pois não é a melhor prova de multiracialidade a Chucha ter ido para cama com o primo mulato?" (p.316)

Alexandre Semedo, agora parecendo um patriarca, escreve as suas memórias em forma de conversas para a estátua yaka, interessa-se pela história da região, lê livros etnográficos. Nas paredes estão penduradas as coisas que reunia toda a sua vida, bugigangas africanas, objectos de cestaria, entrançados. Através a sua paixão pelos gregos, é capaz de entender tradições doutro país e respeitar a sua cultura. Encontra alguns apontamentos feitos anos atrás: "No segredo da adaga cuvale está a mensagem duma cultura para outra; não forçosamente antagonismo, por ser uma arma; mas mensagem duma diferença nascida no passado dos homens que a fizeram e usaram." (p.278)

No decorrer da sua vida tenta compreender a mensagem que a estátua lhe transmite. Se calhar não propriamente para ele, mas relacionada com ele certamente. "A mensagem vinha das profundezas da História? Vinha do sítio onde fora talhada e pintada?" (p.172)

Ao ver os olhos dela, que sempre o incomodavam e irritavam, sente remorsos, sente que os conquistadores serão castigados por terem agido injustamente. E também sente a força espiritual do povo: os deuses deles estão tão presentes no ambiente, bem como eram os deuses gregos.



"-Os homens podem atrasar a vontade dos deuses. Nunca evitá-la. Os heróis são sempre vencidos e, pior, humilhados pelos deuses. E aqui nem heróis há!

- Os deuses são os pretos? - perguntou Glória. - É isso que o pai quer dizer?

-Quase isso. Os deuses deles... sei lá! Não sei explicar." (p.193)

A solução só vem com a personagem do bisneto, Joel. Explica que a estátua representa um colono ridicularizado - burro e ambicioso. Alexandre não consegue vê-lo, pois ele mesmo é um deles. Joel sente que a estátua fala duma compreensão entre homens, mesmo diferentes, e nisso vê o futuro de Angola. "Já estamos a lutar juntos, homens de raças diferentes. Será o primeiro caso em África, dizem os camaradas." (p.388)

No fim do romance, portanto mesmo no fim da vida de Alexandre, a estátua fala directamente para ele: a geração dele será a última. Isto a estátua dizia-lhe toda a vida e ele só agora entendeu.

4. Conclusão


Yaka é um romance sobre a última época do colonialismo português, personificado pelos membros da família Semedo: através das suas peripécias, ambições, sucessos, insucessos, discussões e dúvidas descobrimos o caminho que levou Angola, terra dos degregados e exploração colonial em 1890, até a independência em 1975.

O início do romance descreve a viragem dos séculos XIX e XX: retrata as tentativas agrícolas e a exploração de recursos naturais - borracha, couro, marfim e cera - de grande valia no mercado internacional. Anos mais tarde, observamos a crueldade da acção colonizadora, roubos e massacres contra a população nativa, proprietária de terras. Roubos de terras deram origem a grandes levantamentos no decorrer da primeira metade do século XX. As tribos tentavam defender defender terras, que utilizavam para a pastorícia ou para a agricultura, contra os colonos, tendo como objectivo a plantação de café ou algodão, um negócio rendoso. Assistimos ao nascimento dos movimentos populares pela libertação do país, MPLA, UPA/FNLA, UNITA, e ao mesmo tempo, reparamos que desde o início houve controvérsias entre eles, o combate nunca esteve unido. Vemos os massacres em 1961 e começo da guerra colonial que levou até a independência em 1975, conseguida duma parte graças a lutas dos movimentos de libertação, mas principalmente facilitada pela queda do regime salazarista em 1974 e pela pressão de outros países e organizações internacionais. Embora os movimentos de libertação acreditassem que controlavam a situação, sempre eram influenciados pelas potências mundiais que tinham seus interesses em África ou geralmente na cena política mundial.

Seguimos como se transforma a sociedade composta por dois elementos antagónicos - os indígenas pretos e os colonos brancos - numa sociedade mista, bem como o nascimento da "angolanidade", pertinência ao país que está a ser criado.

Toda a história é acompanhada por Yaka, a estátua que assiste à toda a história da família e só no fim é entendida: sempre previa o fim do colonialismo.



Pepetela escreveu este livro com o objectivo de testemunhar uma época da história angolana, por isso encontramos um grande número de referências históricas. Ao ler as fontes históricas, descobrimos que todos os acontecimentos importantes têm seu eco no romance, seja na narração, seja nos diálogos ou contemplações das personagens. Cumpriu a sua tarefa: conseguiu retratar certa época de história angolana e transmitir as informações para que não sejam esquecidas; se retirássemos os dados históricos, estes podiam servir de documento histórico. Nesta obra, Pepetela assumiu em absoluto a sua função de romancista-historiador.

5. Bibliografia


1) Pepetela: Yaka. Publicações Dom Quixote, Lisboa 1998.
2) Klíma, Jan: Angola. Libri, Praha 2003.
3) Klíma, Jan: Poslední koloniální válka. Libri, Praha 2001.
4) Hrbek, Ivan a kol.: Dějiny Afriky, kniha druhá. Svoboda, Praha 1966, pp.90-102, 533-543.
5) Ilife, John: Afrika a Afričané. Dějiny kontinentu. Vyšehrad, Praha 2001.
6) Votrubec, Ctibor: Angola. Nakladatelství politické literatury, Praha 1966. pp.52-77.
7) José de Sousa Bettenvourt: Mecanismo de uma Integração Social. In Boletim do Instituto de Investigação Científica de Angola. Luanda 1965, pp. 267-271.
8) Birmingham, David: Portugal e África. Vega, Lisboa 2003.
9) O Desafio Africano. Vega, Lisboa 1997.
10) Medina, João: História de Portugal., vol.XIII. Edita Ediclube. pp.317-324
11) United Nations: Report of the Sub-Comitee on the Situation in Angola. New York 1962.
12) Camões, Luís de: Os Lusíadas. Editora Ulissea, 1999.

Internet:
Country study on Angola.


















Yaka.


Eugene M. Baer: Pepetela: Yaka.


Mata, Inocência: Pepetela e as (novas) margens da nação angolana.


Serrano, Carlos: Romance como Documento Social: o Caso de Mayombe.



1Camões: Os Lusíadas, p.273.

2Pepetela significa pestana em umbundo, língua bantu do sul de Angola.

3MPLA – Movimento Popular para a Libertação de Angola.

4Yaka. http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/pepetela/yaka.html

5Ibidem.

6Serrano: Mayombe como Documento Social.

7 Manikongo – soba; naquela altura Nzinga-a-Nkuwa.

8Hrbek: Dějiny Afriky, kniha druhá, p.95.

9Lunda – Província do Nordeste de Angola; antigo reino muito importante.

10O romance é dividido em cinco partes: A Boca: 1890/1904, Os Olhos: 1917, O Coração: 1940/41, O Sexo: 1961, As Pernas: 1975.

11Degregados – pessoas condenadas em Portugal e exiladas. Chegavam a partir so séc. XVI e faziam uma parte substancial dos imigrantes.

12Brancos nascidos aos pais vindos de Portugal eram chamados brancos de segunda. Tembém no primeiro bilhete de ientidade de Alexandre vinha: raça – branco de segunda.

13Vide Country study on Angola.

14Mucubais – corruptela portuguesa do nome do povo cuvale, população do sul ocidental de Angola, essencialmente pastora.

15Mundombes – população pastora que habita o Dombe Grande, relacionada com os cuvale; população originária da zona de Benguela.

16Cipaios – políciais africanos encarregados de policiar a população africana.

17Também Mutu-ia-Kevela ou Mutu-ya-Kavela

18Vide História de Portugal, p.319.

19Vimbali – africanos que serviam de intermediários no comércio; geralmente citadinos, os que “viviam como os brancos“.

20Chitaca – roça; fazenda.

21Calcinhas – (depreciativo) que se veste à europeia.

22Sumbes – vivem na região de Sumbe, a norte de Benguela.

23Seles – localizados ao sul dos sumbes. São conhecidos pela resistência aos colonizadores.

24Guerra preta – querra contra as populações africanas sublevadas.

25Klíma: Angola, p.54.

26Até havia um provérbio nas colónias portuguesas: Deus criou os brancos e os pretos, mas os portugueses criaram mestiços.

27Patrice Lumbumba – líder do partido que ganhou as primeiras eleições no Congo independente. Foi morto em 1961 perto da fronteira angolana pelos inimigos políticos. Tornou-se um símbolo da revolta contra as tendências chamadas neocolonialismo.

28Portugal integrou-se na NATO em 1949.

29COTONANG – Companhia Geral dos Algodões de Angola.

30Birmingham: Portugal e África, p.165.

31Klíma: Poslední koloniální válka, p.19.

32Ibidem, p.49.

33FAPLA – Forças Armadas Populares de Libertação de Angola, forças armadas do MPLA.

34Vide Dějiny Afriky, kniha druhá, p.533.

35Ibidem, pp.533-534.

36Ibidem, p. 534.




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