MÓdulo 3 Crianças com deficiência física associada à outra



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CURSO: EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA

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MÓDULO 3

Crianças com deficiência física associada à outra(s) deficiência(s)
Para BRASIL (2000), quando o atendimento educacional orienta-se pelas competências e habilidades da criança e considera também suas necessidades especiais, a ênfase da intervenção recai principalmente sobre as capacidades do aluno, realizando, ainda a análise funcional e qualificada de suas condições, de modo a definir as respostas educacionais mais adequadas para sua formação. A análise funcional focaliza:

– as dificuldades que o aluno apresenta na execução de movimentos corporais ou a ausência deles;

– a permanência ou a transitoriedade das alterações motoras que apresenta;

– a origem das dificuldades motoras – sistema ósseo, sistema muscular, sistema nervoso ou a associação dos três sistemas;

– o nível individual da disfunção, que pode provocar maior ou menor limitação motora.

Algumas crianças com deficiência física podem ser portadoras, também, de outras deficiências – intelectuais, sensoriais ou mentais – associadas. É importante mencionar que essas dificuldades não são inerentes à deficiência física, ou seja, nem todas as deficiências físicas estão associadas a múltiplas deficiências.

Quando comparadas aos colegas da mesma idade, as crianças com deficiência física ficam em desvantagem, em decorrência das limitações motoras e de comunicação.

Entretanto, esses aspectos não podem ser confundidos com déficit cognitivo, ou seja, a deficiência física não implica deficiência mental, embora possa acontecer.

O que ocasiona esse equívoco é o fato de a criança muitas vezes não conseguir falar e movimentar-se. Uma avaliação cuidadosa pode reduzir os erros de diagnóstico.

Quando a deficiência física tem uma origem cerebral, a exemplo dos traumatismos crânio-encefálicos, da paralisia cerebral ou de tumores, as limitações podem atingir proporções maiores, muitas vezes gerando deficiência mental, auditiva ou visual. As deficiências múltiplas podem ocorrer, portanto, como resultado de lesões mais extensas.

É muito importante observar se na escola a educação dos alunos está de acordo com suas potencialidades e se há respeito às limitações impostas pelas deficiências.

A equipe escolar precisa considerar (MEC, 2000):

- a necessidade de apoio requerida pelo aluno, de modo a facilitar a realização das atividades escolares;

- a melhor forma de adequar o currículo e organizar os materiais, equipamentos e procedimentos educacionais para atender ao aluno;

- a adaptação do espaço físico de modo a facilitar o desenvolvimento do aluno, sua comunicação e o acesso aos materiais que necessita utilizar.

A área de socialização é uma das mais comprometidas no aluno com deficiências múltiplas e motoras associadas, porque depende de suas condições de desenvolvimento, aprendizagem e relacionamento com o mundo. É evidente a importância dos aspectos relacionados ao auto-conceito e à auto-estima, que podem estar alterados em decorrência das dificuldades dos alunos em realizar as tarefas escolares, em participar e comunicar-se com os colegas e professores.

Atividades individuais e grupais devem favorecer o conhecimento das possibilidades e limitações do aluno. As expectativas otimistas e as atitudes positivas dos professores e familiares favorecem suas realizações, motivações e resultados escolares.

O professor deve selecionar cuidadosamente as atividades, o apoio, os recursos técnicos e materiais para melhorarem as possibilidades de comunicação, mobilidade e participação desses alunos. As seguintes perguntas podem orientar o professor:

- necessitam de um sistema de comunicação alternativo? Qual? De que período o aluno necessita para desenvolver suas habilidades de comunicação?

- quais objetos e conteúdos devem ser priorizados em sua educação?

- que atividades complementares devem ser providenciadas para o aluno?

O atendimento ao aluno deve ser grupal, podendo ser individualizado nas situações que requerem:

- respeito ao ritmo próprio de aprendizagem;

- uso de materiais e equipamentos especializados;

- apoio do professor para atividades que envolvam adaptações curriculares específicas.

Outros cuidados devem ser observados:

- utilização do mobiliário adequado;

- postura cômoda e que facilite a visão geral do grupo, a interação e a realização das atividades escolares;

- respeito ao ritmo e a forma de falar de cada um;

- supressão de barreiras arquitetônicas;

- apoio dos colegas e dos familiares;

- uso de equipamentos e instrumentos para atividades manipulativas.

A resposta da escola às necessidades educacionais dos alunos com deficiência física associada a outras deficiências, portanto, deve considerar a adaptação do contexto de ensino-aprendizagem às necessidades apresentadas pelo

Aluno.


Selecionamos a LEITURA ANEXA 1, que acompanha este módulo, que é o Documento Orientador do Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais, elaborado pelo Ministério da Educação.
Crianças com múltiplas deficiências sensoriais (surdas- cegas):

Segundo McInnes & Treffry (1981) as crianças surdas-cegas, em decorrência de suas dificuldades multissensoriais, podem apresentar dificuldades para comunicar-se de maneira inteligível e de perceber adequadamente o mundo.

Muitas vezes, a origem de sua deficiência indica comprometimentos de saúde, acarretando atrasos no desenvolvimento e afetando a aparência, muitas vezes interpretados, equivocadamente, como sendo decorrentes de deficiência mental ou perturbação emocional.

A criança surda-cega na fase pré-escolar tem razões que justificam suas dificuldades nas relações espaço-temporais, que se encontram prejudicadas pela falta das pistas fornecidas pela visão e audição, resultando em dificuldades ou impossibilidades de captar informações ambientais. Nessa fase, de maneira espontânea, as crianças envolvem-se em atividades de expressiva movimentação e exploração do mundo físico e social. Privada de dois sentidos importantes, essas crianças estão sujeitas a dificuldades na percepção e integração com o ambiente circundante, porque o conhecimento dos objetos e das pessoas a seu redor requer proximidade física, que viabilize o contato e o manuseio dos elementos presentes no ambiente.

A motivação natural para explorar é, portanto, mínima e deve ser estimulada pelos colegas, familiares, professores e pessoas que estão envolvidas em seu convívio.

A falta ou insuficiência de visão e audição dificultam o estabelecimento e a manutenção de relações interpessoais, principalmente com as demais crianças de sua idade, requerendo uma intervenção que viabilize e estimule essas relações. Conquanto se possa pensar que as dificuldades dessas crianças sejam semelhantes, há muitas diferenças entre elas, mesmo quando a perda visual e auditiva seja do mesmo nível.

Um aspecto importante a considerar é a possibilidade de que as outras vias sensoriais estejam, ou não, alteradas. É óbvio que uma situação como essa torna a situação da criança muito mais agravada.

Uma concepção interativa de deficiência chama a atenção para a necessidade de se considerar os aspectos ambientais que podem agravar ou atenuar o nível de comprometimento das crianças. Se as possibilidades de participação e interação estão presentes, bem como o estímulo e o encorajamento à ação, essa criança demonstra maior funcionalidade em seu ambiente e melhores expectativas de desenvolvimento e aprendizagem.

Quanto ao aspecto educacional, os estudiosos asseguram que desenvolvem estilos de aprendizagem individuais que as ajudam a compensar sua múltipla deficiência.

Desse modo, crianças surdas-cegas podem alcançar bom nível de aprendizagem escolar e desenvolvimento de habilidades adaptativas. Evidentemente, esses resultados requerem condições individuais favoráveis e condicionantes ambientais que viabilizam o seu êxito. O ambiente familiar e educacional deve ser, portanto, favorável ao desenvolvimento e à aprendizagem.

A educação das crianças com deficiência visual e auditiva deve considerar os seguintes aspectos, entre outros:

- as reduzidas experiências de êxito na relação com o ambiente físico e social;

- as limitações das vias sensoriais, que dão pouco incremento às iniciativas e à motivação para as atividades motoras e cognoscitivas, como ocorre com as demais crianças;

- a necessidade de tocar e aproximar-se dos objetos e das pessoas, que lhe permitam conhecê-los;

- as dificuldades para antecipar ações e eventos ambientais;

-a escassez de estímulos e atrativos para motivar a exploração, a participação, a curiosidade, a interação, ou seja, o contato com a realidade;

- despreparo do ambiente familiar e comunitário para atuar adequadamente com a criança.

A atuação educacional dos alunos deve considerar suas potencialidades e limitações, para não ampliar as exigências ou minimizar os desafios. Em ambos os casos, a criança fica prejudicada.

Também é importante considerar e aprimorar os resíduos visuais e auditivos do aluno, quando presentes, além de estimular os demais sentidos preservados para melhorar a sua eficiência perceptivo-sensorial.

Atuar de modo a envolver a criança globalmente, é um princípio direcionador que deve ser praticado pelos educadores.

Precisa-se evitar focalizar apenas as áreas de dificuldades ou aspectos isolados do desenvolvimento e da aprendizagem infantil, mas destacar suas potencialidades e capacidades como base para a atuação pedagógica.

Deve observar-se que os programas educacionais precisam tornar-se compatíveis com as habilidades acadêmicas e a competência curricular do aluno. Não há sempre a necessidade de um currículo diferente, mais de sua adequação.

Os procedimentos educacionais devem resguardar as medidas de acesso ao currículo, ou seja, máquinas Braille, leitores ópticos, bengalas, material ampliado ou em relevo, entre outros, para que seja possível a eficiência do processo de ensino e aprendizagem.
Possibilidades de trabalho interdisciplinar:

No âmbito das instituições escolares, o trabalho interdisciplinar é mais encontrado nas escolas especializadas.

Considerando que as crianças com múltiplas deficiências são mais desafiadoras para os profissionais, principalmente em função da complexidade de sua condição e da diversidade que requer seu atendimento.

A despeito do questionamento existente sobre a necessidade de profissionais da área de saúde ou de áreas afins na educação de crianças com múltipla deficiência, a realidade brasileira, historicamente, não abre mão da contribuição de profissionais de outras formações para dar conta das especificidades que as condições desses alunos requerem. As ações interdisciplinares aplicam-se na avaliação e na intervenção.

Faz-se necessário, muitas vezes, demorada análise de vários profissionais para identificar a avaliação dos alunos entre as muitas hipóteses de deficiência do tipo: surdez profunda, autismo, deficiência mental grave, surdez-cegueira, psicose infantil, entre outras.

Quanto à intervenção, seja no âmbito da própria escola ou em locais e horários diferentes, é freqüente que as crianças com múltipla deficiência, principalmente as mais comprometidas, tenham necessidade de atendimentos em diferentes áreas, como a da pedagogia, psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, etc.



Vídeos de apoio:

http://www.youtube.com/watch?v=JjszYUY0XBI

http://www.youtube.com/watch?v=RPChCtdq7hk

http://www.youtube.com/watch?v=aT0ey77f4mA

http://www.youtube.com/watch?v=pL37w1-eGDU

O que se pode considerar sobre o desenvolvimento de crianças de sete a onze anos com deficiência múltipla?

- que apresentam uma seqüência similar de desenvolvimento comum a todas as demais crianças, bem como uma estrutura similar de inteligência, reagindo estruturalmente de maneira aproximada aos estímulos do ambiente físico e social que as cercam;

- que suas dificuldades e necessidades básicas para apreender os estímulos ambientais e interagir com o meio podem ter elementos facilitadores e dificultadores comuns aos de outras crianças da mesma idade que apresentam os mesmos tipos e níveis de deficiências;

- que condições emocionais satisfatórias e níveis positivos de autoconceito e auto-estima minimizam aspectos de desenvolvimento os efeitos de suas deficiências e melhoram as expectativas de desenvolvimento e realização;

- que a amplitude e a intensidade das deficiências são fatores que interferem na funcionalidade das crianças e em seu desempenho;

- que os tipos de deficiências que apresentam definem as formas de lidar com o ambiente físico e social;

- que fatores sociais e culturais favorecem ou dificultam seu desenvolvimento e aprendizagem;

- que as respostas emocionais de suas famílias frente a suas deficiências são muito importantes para a formação de sua auto-estima, autoconfiança e auto-valorização;

- que o acesso ao atendimento educacional, o mais cedo possível, amplia significativamente seus horizontes de desenvolvimento e abre-lhes a porta para a participação na sociedade.

Nessa faixa de idade a criança, de um modo geral, tende a voltar sua atenção para fora de si mesma e em direção ao mundo. Dirige-se cada vez mais para a realidade exterior objetiva, não apenas ao mundo que a cerca, que diz respeito à proximidade pessoal, mas expandindo-se para coisas distantes no espaço e no tempo. A natureza dos objetos, seu funcionamento, finalidades, origem e componentes são estímulos atraentes, que despertam e mantêm a atenção da criança em seu desejo natural de conhecer. Ao mesmo tempo, são desafios interessantes para a criança o como operar, as habilidades para fazer, os truques, os passos e as regras.

As crianças com múltipla deficiência podem apresentar dificuldades variadas:

- problemas na comunicação são freqüentes nas que apresentam deficiência auditiva e motora, isoladas ou associadas a outras deficiências;

- dificuldades de locomoção são freqüentes nos casos de deficiência motora e visual, isoladas ou associadas a outras deficiências;

- problemas perceptivos e conceituais são freqüentes nas que apresentam deficiência mental, visual e auditiva, isoladas ou associadas a outras deficiências;

- problemas orgânicos decorrentes de síndromes ou quadros clínicos mentais, neurológicos, motores e sensoriais associados, que afetam o funcionamento orgânico e a vitalidade da criança.

Essas dificuldades, entretanto, não são típicas de crianças com múltipla deficiência. Nem todas apresentam essas limitações e, quando ocorrem, podem manifestar-se em níveis variados.

A funcionalidade desses educandos no ambiente em que vivem depende de muitos fatores, entre eles:

- condições individuais ligadas às deficiências;

- oportunidade de participação familiar, comunitária e social;

- estimulação ambiental e intervenção educacional, desde a mais tenra idade;

- condições e expectativas socioculturais;

- propiciar apoio adequado a seu desenvolvimento, aprendizagem, formação pessoal e participação social.
Adaptações curriculares:

O currículo da escola deve passar por adaptações para que possa ser feito o melhor atendimento possível. As adaptações curriculares visam adequar o currículo às necessidades especiais dos alunos. Podem constituir alterações pouco expressivas ou muito significativas nos conteúdos, procedimentos didáticos e avaliativos, de modo a possibilitar o alcance dos objetivos definidos para cada etapa educativa.

Essas adaptações curriculares que visam o acesso à aprendizagem podem incluir, segundo MANJÓN & GARRIDO (1995):

- a criação de ambiente físico e material adequado às necessidades educacionais do aluno;

- a melhoria dos níveis de comunicação com os adultos e com os colegas;

- a adequação dos métodos, técnicas e procedimentos didático-pedagógicos para a aprendizagem dos conteúdos curriculares;

- a colocação do aluno nos grupos que favorecem a sua aprendizagem e a sua integração social;

- a organização do ambiente da sala de aula e das atividades de modo acessível a todos os alunos, inclusive aos que apresentam necessidades especiais;

- a introdução de atividades complementares ou substitutivas para o aluno alcançar os objetivos dos demais colegas;

- a introdução de atividades complementares ou substitutivas para o aluno alcançar objetivos específicos e diferentes dos demais colegas e que são indispensáveis frente a suas necessidades especiais;

- a supressão de atividades e objetivos educacionais que não estão ao alcance do aluno em decorrência de suas limitações ou que impeçam sua participação ativa no grupo;

- a substituição de objetivos e atividades por outros acessíveis, significativos e básicos para o aluno;

- a adaptação do tempo e dos critérios para o cumprimento dos objetivos, o desenvolvimento dos conteúdos e a realização do processo avaliatório.

Apesar das adaptações curriculares sugeridas, é possível que o currículo não seja capaz de atender a todas às necessidades do aluno com deficiência múltipla. Muitas vezes, em decorrência da gravidade de suas deficiências, alguns requerem um currículo individual específico.

Além das adaptações, algumas recomendações podem ser observadas para sua educação:

- apoiar o processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança, respeitando as particularidades de suas etapas evolutivas;

- encorajar, estimular e valorizar a criança, interagindo afetivamente com ela, favorecendo sua auto-estima e reconhecendo suas conquistas e realizações;

- desafiar a criança a participar, descobrir e criar;

- adotar seu próprio desempenho como referência para avaliações.

Um equívoco freqüente relacionado às crianças com múltipla deficiência é avaliar suas capacidades pela aparência e funcionamento. Como muitas não conseguem falar, escrever e locomover-se ou apresentam um movimento corporal descoordenado ou flacidez facial, seus familiares, professores e amigos podem ser levados a imaginar deficiências e limitações que não possuem. Por outro lado, sua aparência pode ocultar talentos e capacidades que não estão sendo manifestadas, até mesmo por falta de apoio e motivação para interagir no ambiente físico e social.


Alunos com deficiência física associada à outra(s) deficiência(s):

Para (MEC, 2000): Quando as crianças portadoras de deficiências múltiplas apresentam deficiência física associada, os educadores devem estar atentos para suas possibilidades motoras, de comunicação e de locomoção, bem como suas habilidades cognitivas e de socialização. Caso a criança não possa falar ou apresente sérias dificuldades na emissão oral, sua aprendizagem da leitura dificilmente poderá ser avaliada pelos meios tradicionais.

A produção escrita, do mesmo modo, fica dificultada ou inviabilizada se a criança não conseguir coordenar os movimentos ou executar movimentos de preensão que permitam manusear o lápis ou executar os traçados.

O desenvolvimento da linguagem discursiva deve ser estimulado, a despeito das dificuldades de emissão, uma vez que são possíveis as atividades de escuta e reflexões sobre a língua. Apesar de não conseguir expressar-se verbalmente ou não fazê-lo com clareza, o aluno deve ser estimulado a utilizar a escuta como via de desenvolvimento da linguagem, da compreensão e da aprendizagem. Por outro lado, as adaptações motoras precisam ser providenciadas para possibilitar a aquisição das habilidades de leitura e da escrita alfabética.

Os educadores defendem que a escrita pode ser uma forma de expressão dos pensamentos e veículo de comunicação para esses alunos, sobretudo, de apoio para sua aprendizagem e avaliação.

A adequação curricular para o aluno com deficiência múltipla que incluam a deficiência física devem considerar:

- adaptações motoras: mesa e cadeira adaptadas, adaptação de cabeça e queixo, cadeiras de roda, cintos de segurança para cintura e tórax, apontadores, etc.;

- procedimentos didáticos e adaptações de materiais: letras e palavras recortados em cartolina ou em blocos, softwares específicos, computador com adaptador de teclado, etc;

- adaptações nos métodos e técnicas de ensino-aprendizagem de modo a considerar as necessidades especiais da criança e o seu ritmo próprio de desempenho e aprendizagem;

- facilitadores de comunicação: sistemas aumentativos ou alternativos de comunicação (sistemas de símbolos, auxílios físicos e técnicos, etc.).

Nem todas as crianças com deficiência múltipla que incluam a deficiência física conseguem avançar na carreira acadêmica, em face dos níveis de suas limitações. Devem, entretanto, ter a oportunidade de atingir o máximo de suas potencialidades e capacidade de desenvolvimento.

Sua educação pode requerer o apoio especializado de professores itinerantes ou de salas de recursos, quando integrados na rede regular de ensino.

A múltipla deficiência pode interferir na estruturação do esquema corporal (controle do corpo, vivência corporal e imagem corporal). As questões estéticas e funcionais representam elementos importantes na formação do conceito de si e da auto-aceitação. A participação do outro é importante nesse processo de elaboração, sejam os membros da família, os amigos, os professores, os colegas, enfim as pessoas significativas para os adolescentes.

O que deve ser incentivado nessa fase:

- aceitar as deficiências como uma realidade, sem exagerar seus efeitos ou negar sua existência;

- incentivar, encorajar e reforçar a participação da pessoa na vida familiar e comunitária, ajudando o adolescente a vivenciar sentimentos de pertencer a esses grupos sociais de modo a sentir-se integrado;

- contribuir para a superação dos possíveis sentimentos de inferioridade e de auto-desvalorização que possam ocorrer;

- criar situações de participação real e de obter sucesso e realizações;

- oferecer apoio moral, espiritual, material, físico, profissional e outros necessários;

- favorecer a aquisição e o desenvolvimento de habilidades adaptativas que melhorem o funcionamento da pessoa no seu ambiente físico e social;

- compreender e respeitar as fases evolutivas da pessoa com deficiência e seu ritmo próprio de desenvolvimento;

- maximizar as potencialidades, as habilidades, a criatividade, a independência e a iniciativa pessoal;

- favorecer o desenvolvimento e as experiências de aprendizagem;

- compreender e manifestar sentimentos de afeto, amizade e solidariedade;

- acreditar nas capacidades e potencialidades da pessoa com deficiências;

- incentivar metas e aspirações.


O que deve ser evitado:

- sentimentos de rejeição, de piedade ou comiseração;

- atitudes de superproteção e cuidados excessivos;

- infantilizar a pessoa com deficiências e prestar-lhe apoio exagerado e desnecessário;

- confundir limitações com incompetência generalizada;

- superestimar as enfermidades e as indisposições físicas;

- atitudes de desespero, desânimo e descrença;

- excessiva expectativa, impaciência e intolerância;

- medo de tentar tarefas ou situações novas;

- dependência de outros para solucionar problemas;

- comparação com o desempenho e as realizações de outras pessoas;

- expor a pessoa com deficiências ao fracasso, a experiências negativas de vida e a frustrações desnecessárias;

- atribuir sempre o humor, os sentimentos e as características de personalidade da pessoa a suas deficiências.

Essas recomendações não são regras, mas aspectos que podem ser observados, de modo a facilitar a convivência com as pessoas com deficiência múltipla e melhorar sua qualidade de vida.




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