MÓdulo de gestão financeira



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3.4. Elaboração articulada das três Demonstrações Financeiros


A sequência de elaboração dos 3 Documentos (ver mais à frente as respectivas estruturas fundamentais de rubricas) poderá ser a seguinte:


1º Demonstração de Resultados

2º Demonstração dos Fluxos Monetários

3º Balanço
Os valores a introduzir para as diferentes rubricas destes Documentos são, em termos gerais, os valores dos pressupostos ou condições previstas relativamente às actividades de funcionamento operacional, de investimento e de financiamento da instituição.

Demonstração de Resultados (DR)


Os pressupostos a introduzir directamente na DR são valores relativos às condições de funcionamento ou de actividade operacional da instituição (proveitos e custos operacionais, amortizações), juros, impostos.
Demonstração dos Fluxos Monetários (DFM)
Os pressupostos a introduzir directamente na DFM são valores relativos a actividades operacionais da instituição (variação de valores a receber, de existências e de valores a pagar), às actividades de investimento e a actividades de financiamento (variação de dívidas, variação dos fundos próprios).
Recorde-se, a este respeito, que a variação de valores a receber, a pagar e de existências corresponde às diferenças verificadas entre os valores anuais de proveitos/custos operacionais indicados na DR e os respectivos valores anuais de recebimentos/pagamentos, caso a totalidade dos proveitos ou dos custos não seja paga no ano a que respeitam (neste caso, aumentarão as dívidas anuais de utentes/clientes relativamente ao valor total dos serviços prestados/vendas anuais, as dívidas aos fornecedores de mercadorias relativamente ao valor total das compras anuais, ou o stock (existências) de mercadorias (cujo custo não vem incluído na DR)).
Os valores das restantes rubricas da DFM poderão obter-se na DR, anteriormente já construída: Resultado Antes de Juros e Impostos (RAJI), Amortizações e Impostos (actividades operacionais) e Pagamento de Juros (actividades de financiamento). É a partir destas rubricas que é feita, assim, a ligação entre a DR e a DFM.
Balanço (B)
Os valores das diferentes rubricas do B serão obtidos a partir da DFM (ver quais as rubricas no modelo de B a seguir) e da DR (o Resultado Líquido do exercício), anteriormente já construídas.
Os valores das rubricas do B relativo ao final de um dado ano, resultam da variação verificada em relação ao final do ano anterior e são facilmente obtidos a partir da DR e da DFM devendo ser adicionados aos valores do B do ano anterior. Finalmente, para comprovar que todos os valores estão correctamente indicados no B, deverá confirmar-se a verificação da identidade fundamental do B, Activos = Passivos + Fundos Próprios.


Exemplos numéricos dos 3 Documentos Financeiros (e da sua construção articulada)

Elaboração dos Documentos Financeiros da Associação AJUDAR (relativos a 2006)
Pressupostos

Indicam-se a seguir os pressupostos relativos às actividades de exploração, investimento e financiamento da Associação AJUDAR em 2006 e o Balanço de 2005, necessários para a elaboração dos Documentos Financeiros da Associação em 2006.




Para a Demonstração de Resultados:


    • Proveitos operacionais totais

  • Vendas 80

  • Prestação de serviços 120

  • Subsídios e Doações obtidas 60

    • Custos operacionais totais:

    • Custo das Vendas e Prestação de serviços 96

    • Fornecimentos e Serviços Externos 30

    • Custos com Pessoal 20

    • Outros Custos Operacionais 10

  • Amortizações do Exercício 30

  • Resultados Financeiros (Juros) -35

  • Imposto sobre o Rendimento 15,6



Para a Demonstração dos Fluxos Monetários:


  • Fluxos monetários das actividades operacionais

    • Variação de

  • Valores a receber (dívidas de utentes) -10

  • Valores a receber (dívidas de clientes) -10

  • Existências -10

  • Valores a pagar (dívidas a fornecedores) +10




  • Fluxos monetários de investimento

    • Aquisição de activos fixos (instal. equipamento) 90




  • Fluxos monetários de financiamento

  • Variação das dívidas de Curto Prazo (a bancos) +94,6



Para o Balanço:


    • Balanço da Associação AJUDAR (relativo a 2005)







2005

Imobilizado Líquido

Incorpóreo Bruto

Corpóreo Bruto

- Amortizações Acumuladas

Investimentos Financeiros

- Provisões para invest. financeiros



Activo Circulante

Existências

Dívidas de Terceiros de Curto Prazo

Clientes


Utentes

Depósitos em Instituições Financeiras e Caixa



Total do Activo

20

400



100

50

10


50
40

50

100



600

Património

Resultados Transitados

Resultado Líquido do exercício

Total dos Fundos Próprios


200

80

5



285

Provisões para Riscos e Encargos

Dívidas a Terceiros de médio e longo prazo

Dívidas a Terceiros de curto prazo

Dívidas a Instituições de Crédito

Fornecedores

Outros Credores



Total do Passivo

Total dos Fundos Próprios e do Passivo

10

165
100

30

10

315



600


Resultados

Demonstração de Resultados da Associação AJUDAR







2006

Vendas

Prestação de serviços

Transferências e subsídios correntes obtidos


80

120


60

Proveitos operacionais totais

260

Mercadorias

Fornecimentos e Serviços Externos

Custos com Pessoal

Outros Custos Operacionais



96

30

20



10

Custos Operacionais Totais

156

Result. Antes Jur., Imp., Amort.

104

Amortizações do Exercício

30

Resultados Operacionais

74

Resultados Financeiros

- 35

Resultados antes de Impostos

Imposto sobre o Rendimento



39

-15,6


Resultado Líquido

23,4

Demonstração dos Fluxos Monetários da Associação AJUDAR








2006

Fluxos monetários das actividades operacionais

Resultado Antes de Juros e Impostos

Amortizações

Variação de

Valores a receber (dívidas de utentes)

Valores a receber (dívidas de clientes)

Existências

Valores a pagar (dívidas a fornecedores)

Pagamento de Impostos

Total

74

30


-10

-10


-10

10

-15,6



68,4

Fluxos monetários de investimento

Aquisição de activos fixos (instalações e equipamento)



Total

-90


-90

Fluxos monetários de financiamento

Variação das dívidas de Curto Prazo

Pagamento de Juros de Médio e Longo Prazo

Total

94,6


-35

59,6

Variação de disponibilidades

38

Balanço da Associação AJUDAR







2005

2006

Imobilizado Líquido

Incorpóreo Bruto

Corpóreo Bruto

- Amortizações Acumuladas

Investimentos Financeiros

- Provisões para invest. financeiros



Activo Circulante

Existências

Dívidas de Terceiros – Curto Prazo

Clientes


Utentes

Depósitos em Instituições Financeiras e Caixa



Total do Activo

20

400



100

50

10


50
40

50

100



600

20

490



130

50

10


60
50

60

138



728

Património

Resultados Transitados

Resultado Líquido do exercício

Total dos Fundos Próprios


200

80

5



285

200

85

23,4



308,4

Provisões para Riscos e Encargos

Dívidas a Terceiros de médio e longo prazo

Dívidas a Terceiros de curto prazo

Dívidas a Instituições de Crédito

Fornecedores

Outros Credores



Total do Passivo

Total dos Fundos Próprios e do Passivo

10

165
100

30

10

315



600

10

165
194,6

40

10

419,6



728


QUESTÕES E EXERCÍCIOS

1. ___________ é uma medida do valor contabilístico num dado momento do tempo, enquanto o ______________ mede alterações nos fundos próprios da instituição a partir dos proveitos/custos durante um período de tempo.




  1. Balanço; Demonstração dos fluxos monetários

  2. Demonstração de resultados; Balanço

  3. Balanço; Demonstração de resultados

  4. Demonstração dos fluxos monetários; Demonstração de resultados



  1. O item de equilíbrio numa Demonstração de fluxos monetários é ______________




  1. A variação no valor dos activos circulantes

  2. A variação líquida no activo total

  3. A variação das disponibilidades

  4. O valor total das origens de fundos



  1. Qual dos pontos seguintes é uma origem de fundos ?




  1. Uma redução nos valores a receber

  2. Um decréscimo nas contas a pagar

  3. Impostos pagos no periodo

  4. Investimento na aquisição de um novo equipamento



  1. Princípios contabilísticos geralmente aceites focalizam a sua atenção




          1. Na medida dos fluxos monetários num dado período

          2. No equilíbrio do balanço no fim de cada período

          3. Na medida do resultado líquido num dado período

          4. Na utilização de um método geral para cálculo do rendimento de todas as organizações em geral


  1. Se as compras a fornecedores forem feitas a crédito,




          1. O pagamento relativo às compras ocorrerá antes da data das compras

          2. O pagamento relativo às compras ocorrerá na data das compras

          3. O pagamento relativo às compras ocorrerá depois da data das compras

          4. O custo será identificado depois do pagamento.




  1. Qual o Documento Financeiro que permite fazer uma avaliação do desempenho da gestão ? E da situação financeira da instituição ? E da capacidade de gerar meios monetários ?



  1. Na sua instituição, são elaborados os três Documentos financeiros ? Se a sua resposta foi negativa, mencione, sucintamente, as principais razões que explicam tal situação.



  1. Uma instituição em 2004 tem títulos a pagar de 1200, contas a pagar de 2400, e dívida de longo prazo de 3000. Os valores correspondentes de 2005 são 1600, 2200 e 2800. Quanto aos activos, a empresa tinha, em 2004, 800 de disponibilidades, 400 em títulos a receber e 1800 de existências. Os valores correspondentes de 2005 são 500, 300 e 2000. As contas a receber no fim de 2004 são de 900 e no fim de 2005 de 800. As fábricas e equipamentos líquidos são de 6000 em 2004 e de 6500 em 2005. Construa o balanço da organização para 2004 e 2005. Qual é o valor dos fundos próprios da instituição em 2005 ?




    • 3700

    • 5200

    • 8400

    • 11600



  1. Em continuação do problema anterior, considere que a instituição teve vendas de 1000 em 2005, o custo das mercadorias vendidas foi de 400, as amortizações de 100 e pagou 160 de juros. A taxa de imposto é de 35% e todos os impostos são pagos no próprio ano. Qual é o resultado líquido de 2005 ?




  • 119

  • 340

  • 325

  • 221



    1. Com base na informação e nos documentos financeiros dos dois problemas anteriores, construa a Demonstração de Fundos Monetários da instituição. Qual é o saldo financeiro anual ?

  • (1319)

  • 621

  • 321

  • (479)



    1. Em 2005, a instituição Aventura Tecnológica teve proveitos operacionais de 2000, custos operacionais de 1500, amortizações de 100, encargos com juros de 80 e resultado líquido de 192. O balanço da instituição apresenta-se a seguir.



Activo

2004

2005

Depósitos em Inst. Financeiras e caixa

Valores a receber

Existências

Activos circulantes totais

Activos fixos brutos

Amortizações acumuladas

Activos fixos líquidos

Activo Total


60

406


600

1066


1130

307


823

1889

99

448


640

1187


1280

407


873

2060

Dívidas a fornecedores

Dívida de Curto prazo a Bancos

Dívida de Longo prazo a Bancos

Passivo Total

Património

Resultados transitados

FundosPróprios Totais

Pasivo e Fundos Próprios Totais


138

380


838

1356

350


183

533


1889

108

414


813

1335

350


375

725


2060

Elabore a Demonstração dos fluxos monetários. Qual é o valor total dos fluxos monetários das actividades operacionais ?




        • 304

        • 352

        • 260

        • 275




    1. A partir da Demonstração da questão anterior, qual é o valor total dos fluxos monetários das actividades de investimento ?




        • 150

        • (73)

        • 73

        • (150)




    1. E qual é o valor total dos fluxos monetários das actividades de financiamento ?




        • (11)

        • (110)

        • (71)

        • (55)

4. Medidas de desempenho económico e financeiro

Objectivo específico:
No final deste capítulo o leitor deverá estar habilitado a:


  • Conhecer os três tipos de medidas ou indicadores que permitem avaliar como é que a instituição está a cumprir a sua missão;

  • Conhecer as principais medidas de dimensão que podem ser calculadas a partir do Balanço e da Demonstração de resultados;

    • Conhecer os principais indicadores que permitem analisar o desempenho da instituição em termos económicos, no que respeita à evolução da sua rendibilidade e à eficiência da gestão;

    • Conhecer os principais indicadores que permitem analisar o desempenho da instituição em termos financeiros, no plano estrutural (estrutura de capital) e no plano mais imediato da liquidez e do equilíbrio financeiro (liquidez, cobertura, rotação).

A razão fundamental para a avaliação do desempenho financeiro é determinar como é que a instituição está a cumprir a sua missão. Os valores financeiros não podem só por si dar resposta a esta questão mas podem esclarecer quanto à origem de fundos, o custo da prestação de serviços ou a capacidade da instituição para actuar no futuro.


Muito importante é procurar avaliar os benefícios dos programas sociais realizados, o que deverá incluir a avaliação do “capital social” de uma instituição (liderança, conhecimento, relações com outras entidades).
Análises efectuadas a partir das demonstrações financeiras da instituição permitirão avaliar o desempenho financeiro, dando resposta a questões como as seguintes:

  • Existem ou não fundos líquidos em dinheiro ?

  • Quão prudente é a gestão dos meios financeiros disponíveis e dos investimentos ?

  • A instituição é ou não estável financeiramente ?

  • Existe ou não riqueza acumulada que permita sustentar financeiramente a instituição no caso em que a angariação de fundos se venha a reduzir no futuro ?

Os três tipos seguintes de medidas ou indicadores deverão ser considerados.



4.1. Medidas de Valor dos Benefícios Sociais
É muito importante medir os benefícios sociais dos programas de actividades sociais da instituição. A determinação do valor desses benefícios a longo prazo poderá ser em parte subjectiva, mas é a medida de valor mais importante destas instituições.
Pode-se começar por procurar conhecer a procura de um dado programa social em termos de volume de participação. Depois, tentar medir os resultados ou o impacto do programa a longo prazo, o que geralmente requer algum tipo de investigação, como por exemplo dados estatísticos e avaliação dos custos sociais do alcoolismo, do valor de vidas salvas, do tempo poupado, de custos evitados, do acréscimo da produtividade ou do aumento do número de postos de trabalho.
Uma vez compreendido o impacto social de um programa, poderá comparar-se os seus custos e os benefícios e calcular o Valor Actual Líquido (VAL) do programa (ver o tópico suplementar deste Módulo). O VAL é o valor total do programa hoje. Se tiver um valor maior do que 0, então o programa cria e aumenta o valor social em relação ao investimento que foi feito no programa. Se for menor do que 0, isto implica que deveríamos investir os nossos recursos diferentemente ou então alterar o programa para que possa criar valor social positivo.
Importante é não esquecer que o objectivo principal da gestão financeira é a maximização do valor social dos investimentos realizados nos programas sociais.


4.2. Medidas de Dimensão
Deverá proceder-se a uma análise global de recursos a partir das Demonstrações Financeiras.
Assim, a partir do Balanço deverá calcular-se: a distribuição percentual dos activos totais por grandes grupos de rubricas (imobilizações, activo circulante, passivo de médio e longo prazo, passivo de curto prazo, fundos próprios).
A análise da estrutura dos activos pode ajudar a identificar os recursos disponíveis para prestar serviços no futuro. Mas não estão incluídos nesta análise outros valores menos tangíveis como o valor do “staff” existente ou da “expertise” desenvolvida na instituição.

A partir da Demonstração de resultados deverá calcular-se: a distribuição percentual das receitas e das despesas totais por grandes grupos de rubricas.


A análise da estrutura das receitas permite avaliar a importância relativa dos diferentes tipos de receitas e a da sua evolução ao longo do tempo (doações, subsídios, quotizações, prestação de serviços, venda de produtos, etc.), o que pode ter efeito relevante na capacidade de uma instituição realizar a sua missão.
A análise da estrutura das despesas poderá revelar a importância relativa dos custos de pessoal nos custos totais da instituição, do consumo de outros recursos na prestação de serviços do programa social ou de serviços de apoio (por exemplo, serviços de angariação de fundos ou administrativos).



    1. Indicadores ou Rácios Económicos e Financeiros

Os indicadores ou rácios financeiros permitem analisar os principais aspectos do desempenho da instituição:




  • A evolução da actividade

  • A eficiência da gestão

  • A evolução das origens e aplicações de fundos

  • O equilíbrio liquidez versus exigibilidade



  • A análise dos Rácios Financeiros




  • Deve ter em conta perspectiva adoptada: instituição, credores, outra

  • Deve dispor de referências para comparação de valores de modo a monitorizar a saúde financeira da instituição:

    • outras instituições com missão, actividades e dimensão similares;

    • a instituição em períodos anteriores



      • Limitações:




    • Permitem a quantificação de factos mas não a sua explicação;

    • Necessidade de informação complementar para confirmar conclusões obtidas;

    • Necessidade de comparar com outros rácios de outros períodos ou instituições;

    • Não há valores absolutos de referência;

    • Rácios compostos muitas vezes por valores contabilísticos calculados com arbitrariedades;

    • Difícil definir instituições comparáveis


Rácios de actividade ou eficiência
É suposto que a instituição deve gerir os recursos obtidos de modo a criar os benefícios sociais requeridos.
Assim, uma medida de avaliação geralmente utilizada é a seguinte:



    • Rácio de eficiência de um programa de actividades

Despesas totais/ Despesas das actividades do Programa.


Mede os custos dos “inputs” das actividades ou serviços prestados.
Assim, esta medida não reflecte adequadamente a actividade da instituição. A maior parte dos actores envolvidos está antes interessada em conhecer os “outputs” ou os resultados em termos dos benefícios de longo prazo e do cumprimento eficiente da missão. Ora, isto não é inteiramente possível com base nos dados financeiros actualmente disponíveis. Para este efeito, deverá recorrer-se, assim, às medidas de valor dos benefícios sociais, anteriormente referidas (secção 4.1)


Rácios de rendibilidade
O conceito de rendibilidade é um dos mais importantes ao diagnosticarmos a situação económica e financeira de uma organização com fins lucrativos. É um valor relativo que resulta de uma relação entre um dado resultado gerado e um montante de recurso ou investimento que permitiu gerar esse mesmo resultado.
Os rácios de rendibilidade avaliam a capacidade de uma instituição para utilizar os seus activos produtivamente na criação de proveitos.
Nas organizações não lucrativas, o excesso de receitas em relação às despesas não é necessariamente um indicador de bom desempenho.
Em instituições pequenas, importa sobretudo assegurar que todas as receitas sejam consumidas como despesas, não se registando assim qualquer lucro ou perda, para que seja realizado o máximo possível de actividades.
Em instituições maiores é mais difícil que as despesas compensem totalmente as receitas. Estas instituições procuram, assim, gerar um excedente financeiro reduzido, o qual poderá ser utilizado caso se verifiquem atrasos no recebimento de fundos ou haja uma queda inesperada nas receitas.
Nas instituições de maior dimensão, em que se realizem investimentos e actividades geradoras de dinheiro, o objectivo será obter lucros que permitam financiar as actividades dos programas sociais. Para estas actividades, é comum comparar o lucro realizado com a dimensão da actividade. Por exemplo:



    • Margem de lucro (ou Rendibilidade das Vendas)

Resultado Operacional/ Vendas


Mede a margem de lucro das Vendas.
Rácios baixos não significam necessariamente que a empresa tem problemas: os valores variam com o sector de actividade.


Rácios de estrutura de capital
Os rácios de estrutura ou de endividamento avaliam a estrutura de capital da instituição e a sua capacidade para pagar os seus compromissos financeiros a longo prazo. Avaliam a utilização da dívida e dos fundos próprios para o financiamento dos activos.



  • Endividamento

Passivo Total / Activo Total


Esta medida indica que parte dos activos é financiada pelos fundos alheios.
Mede o nível da dívida em relação ao investimento nos activos. Um valor baixo indica que existem activos suficientes para cobrir o peso da dívida.



    • Autonomia Financeira Global

Fundos Próprios / (Fundos Próprios + Passivo)


Esta medida indica o peso dos Fundos Próprios no total dos fundos.



  • Passivo - Fundos Próprios (Debt-to-Equity)

Passivo Financeiro / Fundos Próprios


Compara os recursos provenientes dos credores com os recursos pertencentes à instituição. Como há dívida estão associados encargos com juros, o risco (incerteza quanto à capacidade de satisfazer compromissos financeiros) aumenta. Mas, como por outro lado, os juros permitem economias de impostos, importa equilibrar adequadamente a utilização de dívida e de fundos próprios de modo a maximizar os resultados e gerir o risco.

A definição mais simples de “solvabilidade financeira” é serem positivos os activos líquidos. Porém, as organizações não lucrativas poderão ser viáveis com activos líquidos negativos, uma vez que muitos activos importantes não são registados ou são subavaliados no sistema financeiro (como os valores menos tangíveis dos benefícios sociais, o valor do “staff” existente ou da “expertise” desenvolvida na instituição).


O financiamento com fundos alheios é importante porque permite o crescimento das instituições e ajuda instituições com alguma intensidade de activos a expandir os seus equipamentos. Porém, não convém ter uma grande dependência desses fundos para preservar o controlo da instituição.


Rácios de liquidez
Os rácios de liquidez avaliam a capacidade da instituição para fazer face às suas obrigações financeiras de curto prazo e ao seu funcionamento normal.



  • Liquidez Geral

Liquidez Geral = Activo Circulante / Passivo de curto prazo


Os valores activos circulantes correspondem aos bens activos que serão convertidos em dinheiro nos próximos 12 meses, e os valores passivos de curto prazo são as dívidas que serão regularizadas nos próximos 12 meses. Assim, este rácio é uma medida da capacidade da instituição para satisfazer os seus compromissos financeiros em devido tempo.
Um baixo valor deste rácio significa possíveis problemas de insolvência Um valor muito alto pode significar que a gestão não está a investir activos disponíveis produtivamente.



  • Liquidez Reduzida

Liquidez Reduzida = (Activo Circulante – Existências) / Passivo de curto prazo


Porque as existências podem ser de difícil conversão em dinheiro. Este rácio avalia a capacidade da instituição para fazer face às suas obrigações financeiras de curto prazo a partir dos seus activos mais líquidos.



  • Liquidez Imediata

Liquidez Imediata = (Disponibilidades + Títulos Negociáveis) / Passivo de curto prazo


Trata-se de um outro indicador semelhante ao anterior, mas ainda mais restritivo.


Rácios de cobertura



    • Cobertura dos encargos financeiros

Resultado Operacional* / Juros Financeiros


É o número de vezes que os Resultados cobrem os Encargos Financeiros. Representa a nossa margem de segurança quanto ao pagamento dos juros. Um valor alto é desejável, quer para credores quer para a gestão.



    • Cobertura do serviço da dívida

Resultado Operacional* / Juros e Dívida Financeira


É o número de vezes que os Resultados cobrem os Encargos Financeiros e a Dívida bancária.
* No numerador destes rácios podem ser considerado o valor total dos “meios libertos brutos de exploração”, que correspondem à soma do Resultado Operacional com as Amortizações e as Provisões do exercício.


Rácios de rotação
Os rácios de rotação avaliam a capacidade da instituição para utilizar os seus activos produtivamente na criação de resultados.



  • Prazo de médio de recebimentos (PMR em meses)

PMR = (Valor médio das Dívidas de Utentes (ou Clientes) / Valor dos serviços prestados (ou Vendas)) x 12


É uma medida específica da eficiência das cobranças da instituição. Interessa um valor baixo para este rácio.



  • Prazo de médio de armazenagem (PMA em meses)

PMR = (Valor médio de Existências / Custo dos Serviços prestados ou das Vendas) x 12


É uma medida específica da eficiência das existências da instituição. É desejável um valor reduzido para este rácio.



  • Prazo de médio de pagamentos (PMP em meses)

PMP = (Valor médio das Dívidas a Fornecedores / Compras) x 12


É uma medida específica das condições de pagamento da instituição. Interessa um valor elevado para este rácio. Indica quantos meses de despesas em compras se devem aos fornecedores.



  • Necessidades em Fundo de Maneio

O valor normal das Necessidades em Fundo de Maneio de uma instituição é dado por:

NFM = PMR * V + PMA * CMV – PMP* CMF,
onde V – Vendas, CMV – Consumo de mercadorias e matérias, CMF – Compras a fornecedores
As Necessidades em Fundo de Maneio da exploração podem ser analisadas tomando como referência as práticas habituais de condições financeiras da área de actividade em que a instituição se situa ou as práticas vigentes na própria instituição.
Trata-se de um outro indicador da capacidade da instituição para satisfazer os seus compromissos financeiros de curto prazo.

QUESTÕES E EXERCÍCIOS



        1. Como poderá uma instituição de solidariedade social acompanhar o seu desempenho económico e financeiro ?



        1. Um programa de reabilitação de toxicodependentes realizado numa cidade do País tem os seguintes custos anuais previstos:




  • Rendas de edifícios e equipamentos: 8 000

  • Remunerações de especialistas e técnicos: 20 000

  • Fornecimentos diversos: 3 000

  • Outros: 4 000

Há 17 participantes no Programa. No final do Programa, testes realizados comprovam o sucesso em 15 casos. Estima-se a poupança pela cidade de 5 000 no corrente ano por cada participante com sucesso.


O benefício anual líquido total do Programa é:
A. 60 000

B. 23 500

C. 40 000

D. 46 000





        1. Volte a considerar a empresa Aventura Tecnológica da Questão 11 da secção anterior. Qual é a liquidez reduzida em 2005 ?




  1. 0,90

  2. 0,95

  3. 1,05

  4. 2,18



        1. E qual é o valor do rácio de endividamento em 2005 ?




  1. 0,40

  2. 0,26

  3. 0,65

  4. 0,42



        1. E qual é o valor da autonomia financeira global ?

A. 0,40


    1. 0,35

C. 0,45

D. 0,62




        1. E qual é o valor do rácio de cobertura dos encargos financeiros em 2005 ?




          1. 2,5

          2. 4

          3. 5,5

          4. 7,5



        1. Qual a medida ou o indicador que lhe parece mais indicado para medir a qualidade da gestão dos fundos disponibilizados pelos doadores e pelo Estado ?




  1. Margem de lucro

A.“Debt to equity”

  1. Valor dos benefícios sociais

  2. Prazo médio de armazenagem



        1. Uma liquidez geral muito elevada implica que:




  1. A gestão não está a investir os activos disponíveis produtivamente

  2. Os activos circulantes foram consumidos e a empresa está insolvente

  3. As cobranças das dívidas dos utentes são pouco eficientes

  4. Os passivos circulantes são superiores aos activos circulantes



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