Meaning of labor: reflexions from a vivencial workshop developed with youth people



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COUTINHO, M. C.; GOMES, J. S. Sentidos do Trabalho: Reflexões a partir de uma Oficina Vivencial Desenvolvida com Jovens

SENTIDOS DO TRABALHO: REFLEXÕES A PARTIR DE UMA OFICINA VIVENCIAL DESENVOLVIDA COM JOVENS
MEANING OF LABOR: REFLEXIONS FROM A VIVENCIAL WORKSHOP DEVELOPED WITH YOUTH PEOPLE
Maria Chalfin Coutinho1

July Silveira Gomes2



RESUMO

Diferentes estudos têm sido feito sobre o significado e os sentidos do trabalho, assim como sobre sua centralidade e importância. Este artigo se originou de uma oficina vivencial, desenvolvida com 11 jovens, sobre os significados e os sentidos do trabalho. O objetivo foi explorar as concepções dos participantes sobre o trabalho, a centralidade do trabalho em suas vidas e o atual contexto do “mundo do trabalho”.



Palavras-chaves: Trabalho, Sentidos do trabalho, Oficina vivencial
ABSTRACT

Different studies have been made about the meaning and the sense of work, as well as about its centrality and its importance. This paper is based on a vivencial workshop with 11 youth people. The workshop was focused on the meaning and the sense of work among the participants. The goal was to understand the participant's ideas about work, the centrality of work in their life, and the current context of the "world labor".



Key words: Labor, Meaning of labor, vivencial workshop

O trabalho é uma categoria social que vêm se transformando muito nos últimos anos. Temáticas como reestruturação produtiva, relações de trabalho, competitividade e desemprego, estão sendo objetos de reflexão ao discutir-se a centralidade, os sentidos e o significado que o trabalho vem assumindo (TOLFO et al, 2005).

Para Corrochano (2002) estas transformações atingem a estrutura organizacional e física do mundo do trabalho, se configurando em uma crise que atinge todos os trabalhadores, mas de forma desigual. Para os jovens, em busca de qualificação e aperfeiçoamento, visando ingressar no mundo do trabalho, esta crise dificulta não só a sua inserção no mercado de trabalho, mas também pode acarretar em problemas quanto à construção de sua identidade.

Oliveira et al (2004) destacam o caráter ambíguo e complexo que as diferentes concepções acerca do trabalho apontam. Os autores consideram que o trabalho é um fator de integração social e fonte de auto-realização. Borges (1997), vem ao encontro destes autores, a partir da perspectiva da teoria da cognição social, considerando o trabalho como uma atividade dotada de sentido para o indivíduo que a realiza.

Oliveira et al (2004) afirmam que o trabalho cuja finalidade consiste apenas em atender à sociedade de consumo adquire uma significação totalmente estética, ou seja, o trabalho não se apresenta como fundamento para o desenvolvimento de identidades e projetos de vida.

Tendo em vista as inúmeras possibilidades de configurações da concepção de trabalho a partir das diferentes vivências e expectativas de cada indivíduo, este artigo propõe uma reflexão teórica acerca do tema sentidos do trabalho, a partir da realização de uma oficina vivencial sobre este tema com jovens universitários e profissionais graduados inseridos ou buscando inserção no mundo do trabalho3.

Esta oficina foi elaborada tendo em vista a realidade dos participantes. Através de atividades práticas e de técnicas de dinâmica de grupo, propuseram-se reflexões acerca do trabalho na vida de cada pessoa, sua centralidade e o sentido que esta atividade apresentava dentro do contexto atual.

Primeiramente, será feito um breve panorama teórico sobre os jovens perante o mercado de trabalho, seguido de propostas teóricas sobre os sentidos do trabalho. A seguir, um relato sucinto da metodologia utilizada e dos resultados alcançados, à luz das referências utilizadas, finalizando-se com as considerações acerca do apresentado.



OS JOVENS E O MERCADO DE TRABALHO


As condições sociais e de trabalho dos brasileiros têm se modificado nas últimas décadas. De acordo com a pesquisa mensal de emprego do IBGE (2005) e com a síntese das informações disponibilizadas pelo IBGE (2004), no mês de dezembro de 2005 houve um aumento de 2,4% no contingente de pessoas ocupadas, em relação a dezembro de 2004. Quanto à taxa de pessoas desocupadas, verifica-se um declínio de 12,3% em relação a dezembro de 2004.

Historicamente, houve importante “diminuição na jornada de trabalho, com introdução de limites para o ingresso e saída do mercado de trabalho” (POCHMAN, 2005: 112). Esta diminuição decorreu da contribuição de inúmeras leis e instituições em prol dos direitos da infância e da juventude e, também, pela implementação do sistema previdenciário. Prieb (2000) afirma que houve tanto diminuição quanto aumento na jornada de trabalho, dependendo da situação de cada país e suas categorias profissionais.

Pochman (2005) postula que se deve viabilizar a entrada mais tardia dos jovens no mercado de trabalho, principalmente daqueles que compõem as classes populares, possibilitando maior tempo para a preparação escolar destes. Acrescenta, ainda, que o cenário brasileiro configura-se pela falta de perspectiva dos jovens, de todas as classes, perante o mundo do trabalho.

Soares (2002) reafirma esta dificuldade de inserção do jovem no mercado de trabalho, destacando uma outra barreira, além destas citadas por Pochman (2005): a escolha profissional. A autora destaca vários fatores que influenciam esta decisão, como a influência dos pais, do ambiente social e a pressão quanto ao fato de esta escolha implicar em assumir uma identidade profissional. De acordo com Soares (2002) o projeto profissional de cada pessoa é influenciado, desde a infância, pelas representações sociais positivas e negativas das profissões, principalmente àquelas exercidas por seus pais. Assim, assume-se aqui a posição de que o trabalho é parte integrante da vida das pessoas mesmo antes de exercerem atividades produtivas.

Percebe-se que inúmeros são os fatores que podem influenciar o sentido e o significado dado ao trabalho e, conseqüentemente, modular a dimensão desta atividade para cada pessoa, tornando-o mais ou menos central.
A CENTRALIDADE DO TRABALHO: SIGNIFICADOS E SENTIDOS

A importância do trabalho, para a compreensão das relações sociais e do modo de ser dos trabalhadores, tem sido questionada. Autores como Schaff, Gorz (citados por Prieb 2000) e Rifikin apontam para o fim do trabalho como categoria central para os trabalhadores. Porém outros autores, como Borges, Cochorrano, Ferreira, Luna e Morin, dentre outros, reafirmam sua centralidade e importância na sociedade atual. Prieb assinala a existências destes dois pontos de vista, porém corrobora estes últimos. O presente artigo vem ao encontro das idéias propostas acerca do papel ainda ocupado pelo trabalho, o que pôde ser reafirmado na oficina vivencial realizada pelas autoras.

Com a intensificação da automação e da robótica, Adam Schaff e Andre Gorz (citados por PRIEB, 2000) teorizam sobre o fim do trabalho no modo como tradicionalmente ele é visto - como responsável pela criação de riquezas - e sobre a conseqüente perda de sua centralidade para as pessoas no ambiente social capitalista.

Rifkin (1995) vem ao encontro destes autores, destacando o avanço tecnológico e a automação como transformações mais marcantes da atual “era da informação”. Para este autor, as novas descobertas científicas no campo tecnológico têm diminuído a necessidade de mão-de-obra industrial, substituindo-se não só a força física humana por máquinas, mas também a “mente humana” por máquinas inteligentes. Deste modo, caminha-se para a eliminação do processo de produção a partir do trabalho humano.

Porém, para Prieb (2000:21) os avanços tecnológicos contribuem cada vez mais para que se vivencie “[...] a eternidade do modo de produção capitalista [...]”, e o aumento da exploração do trabalhador e não o fim desta classe. Considera que as atuais transformações configuram-se pela desqualificação e precarização do mundo do trabalho, devido à submissão do trabalhador ao trabalho informal, à flexibilização do mercado e aos baixos salários.

Luna (2005) destaca os diferentes entendimentos que se pode ter a partir do conceito de trabalho, considerando as implicações dos aspectos cognitivos, afetivos e axiológicos que o trabalho suscita no indivíduo. Acrescenta, ainda, que o trabalho e, conseqüentemente, a identidade profissional adotada por cada pessoa, é parte constituinte da identidade individual, implicando na

[...] existência de um trabalho com significado para quem o realiza (...). À medida que aumenta vertiginosamente as divisões e subdivisões das atividades de trabalho e conseqüentemente a dependência mútua entre os indivíduos, mais difícil se torna localizar uma atividade que se realiza em um universo de múltiplas e complexas relações e fornecer a ela um significado. (LUNA, 2005:81).

Ferreira (2000) vem ao encontro de Luna (2005) caracterizando o trabalho como uma atividade inserida num contexto, inscrito numa temporalidade e guiado pelo objetivo da ação. Deste modo, entende que esta atividade mantém a sua centralidade no contexto atual.

Morin (2001), corroborando os dois últimos autores citados, ressaltou características para que um trabalho tenha sentido, verificando que não só o trabalho, mas também os sentidos atribuídos a ele, são compostos por dimensões que implicam envolvimento cognitivo e afetivo por parte daquele que o realiza. Para Morin (2001), a finalidade da ação, a eficiência da atividade, a possibilidade de satisfação intrínseca e a garantia de segurança e autonomia são os pontos que conduzem o trabalhador a realizar um trabalho com sentido, juntamente com o fato de o trabalho ser moralmente aceitável, de proporcionar o desenvolvimento de afiliações e de ocupar parte de uma rotina diária.

Borges (1997) também entende o significado trabalho como uma categoria multifacetada, destacando: - a centralidade do trabalho como relativa ao grau de importância que o indivíduo atribui ao trabalho em relação a outras esferas de sua vida; - os atributos descritivos como sendo os aspectos que definem o trabalho como ele é; - os atributos valorativos como sendo as definições de como o trabalho deveria ser; - e a hierarquia dos atributos como ligada aos valores e às crenças dos indivíduos. Dentre os atributos valorativos, estruturou as categorias: Independência Financeira e Prazer, Justiça no Trabalho, Esforço Físico e Aprendizagem e Dignidade.

Tolfo et al (2005) acrescentam que os aspectos cognitivos e afetivos, relacionados ao trabalho, fazem parte da estrutura psicológica do trabalhador. Assim, o trabalho apresenta uma significação generalizável e não imutável, compartilhada socialmente, e um sentido singular atribuído a este coletivo, apreendido a partir das vivências pessoais.

Torres (2002) pondera que “as mudanças que se operam nas relações de trabalho transpõem-se para além da aporia emprego-desemprego. O trabalho assalariado perdeu a sua centralidade enquanto estrutura...”, mas o trabalho em seu sentido ontológico continua sendo elemento central na vida do sujeito histórico, ou seja, uma categoria de interpretação da condição humana.

A partir de discussões e questionamentos sobre quais conceitos de trabalho permeiam o imaginário popular e o debate acadêmico, e de que forma estas idéias podem caracterizar o trabalho como mais ou menos central na vida de uma pessoa, desenvolveu-se a oficina foco deste artigo.
A OFICINA

A oficina realizada com jovens universitários propunha explorar os temas O que é trabalho, Contexto atual do trabalho e Centralidade do trabalho, organizados em três módulos. Esta oficina contou com três coordenadores presentes em todos os encontros. Cada módulo foi ministrado por um dos três coordenadores, sendo os outros dois auxiliares. Participaram da oficina 11 pessoas, sendo um aluno do ensino médio, uma professora de educação física, e nove estudantes universitários que cursavam engenharia de automação, enfermagem, psicologia e economia.

No primeiro módulo, o objetivo principal foi explorar as concepções de cada participante sobre trabalho, articulando com as concepções de emprego e profissão, no intuito de propor reflexões sobre suas diferenças e semelhanças. Baseando-se nas proposições de Morin (2001) e Borges (1997) acerca das dimensões e atributos dos sentidos e significados do trabalho, foram exploradas também as percepções acerca do que é trabalho e do que este deveria ser.

Primeiramente, sugeriu-se que cada participante selecionasse cartões contendo profissões imaginárias2, previamente elaborados e expostos ao centro de um círculo formado pelos participantes. Eles também tinham a liberdade de criar uma profissão. Além disso, solicitou-se que cada um, ao comunicar a sua escolha, caracterizasse-a como trabalho, emprego ou profissão.

As atividades escolhidas como emprego, foram: afiador de agulhas, manobrista de avião, testador de carimbos e tirador de chicletes (debaixo de mesas escolares). Os participantes justificaram suas escolhas comentando que a atividade é mecânica ou então que seu objetivo através dela seria apenas ganhar dinheiro.

Como trabalho, foram selecionadas: fiscal da natureza, animador de velório, contador de estrelas e manobrista de avião. Em geral, comentaram que estas atividades, para aquelas pessoas, se caracterizariam como trabalho pelo fato de haver um envolvimento emocional ao realizá-la, de ser satisfatória e de apresentar desafio, possibilitando aperfeiçoamento. Uma pessoa comentou que poderia ser remunerada ou não. Quanto às profissões, foram escolhidas: pensador de profissões imaginárias, descascador de marisco, ouvidoria e aconselhamento. Foram comentadas as possibilidades de crescimento pessoal, e a “carga filosófica” implicada nestas atividades, necessitando estudo, reflexão e aperfeiçoamento.

Percebeu-se que as justificativas utilizadas para caracterizar trabalho e emprego foram diferentes e bem delimitadas. Porém, os participantes apontaram dificuldades em definir qual atividade corresponderia a cada uma destas categorias, ao ponto de uma participante comentar que não consegue separar emprego de trabalho, visto que em cada profissão um deveria conter o outro. As justificativas relacionadas à ao emprego e à profissão foram percebidas como similares.

A seguir, propôs-se uma reflexão sobre “o que é”, e “o que deveria” ser trabalho e emprego. No decorrer desta atividade, observou-se que o termo “emprego” foi associado a conceitos popularmente utilizados com cunho negativo, como submissão e alienação. Já o termo “trabalho” a conceitos socialmente valorizados, como compromisso social, liberdade, intelecto, sonhos e desejos. Foram verbalizadas dúvidas sobre o fato de o trabalho conter ou não emprego, assim como a possibilidade de que o emprego “deveria ser” o trabalho e vice versa, não havendo diferenciação entre os dois, haja vista que o ideal seria que todo trabalho e todo emprego fossem prazerosos e proporcionassem retorno financeiro, de acordo com os participantes.

Percebe-se que o uso do termo “emprego” nesta oficina suscita a idéia de Schaff e Gorz (citados por PRIEB, 2000), em relação à forma como o trabalho é tradicionalmente visto: uma forma de produção de riquezas, fruto do sistema capitalista. Já em relação ao termo “trabalho”, as idéias remetem ao elucidado por Borges (1997), Ferreira (2000), Luna (2005) e Morin (2001) sobre um trabalho multifacetado, que tenha um significado na sua relação com outras pessoas e um sentido pessoal constituinte da identidade individual.

Os resultados relacionados ao trabalho que “deveria ser” vêm ao encontro das categorias destacadas por Borges (1997) como categorias descritivas e valorativas de um trabalho com significado para o trabalhador.

No segundo módulo, o objetivo foi estimular reflexões sobre as formas como o trabalho almejado poderia se inserir no contexto atual. Para isso, solicitou-se que cada participante relatasse ao grupo que tipo de atividade gostariam de realizar em sua vida, enquanto escolha profissional, e como a realizariam dentro do contexto atual do mercado de trabalho.

Quanto às profissões citadas, encontram-se: medicina, educação física, psicologia e economia. Um dos participantes não citou especificamente uma profissão, mas comentou que gostaria de trabalhar com comunicação, o que possibilitaria contato com pessoas e realização de viagens. Acrescentou que as questões administrativas seriam resolvidas num escritório doméstico.

Os participantes que desejam trabalhar com medicina cursavam engenharia de automação e enfermagem. Eles relataram a importância de trabalharem em contato com pessoas e gostariam de se envolver em trabalhos sociais, como a participação numa ONG (Organização Não Governamental), ou na ONU (Organização das Nações Unidas). Os interessados em psicologia cursavam esta graduação, e argumentaram a escolha devido à possibilidade de realizar um trabalho que beneficie o outro. Porém, afirmaram não ter clareza quanto à forma de atuação, tendo em vista a necessidade de ganhar dinheiro e a abertura do mercado de trabalho nem sempre vir ao encontro do planejado.

O participante estudante de economia comentou não saber ao certo onde gostaria de trabalhar neste campo de estudo, mas almejava algo que abrangesse também o campo social. Além disso, ele manifestou interesse em complementar sua formação com a graduação de história. A professora de educação física afirmou trabalhar na área em que deseja, mostrando-se satisfeita em sua atuação. Ressaltou que participa de lutas sindicais em prol de melhores remunerações e que gostaria de proporcionar, aos seus alunos mais atividades ao ar livre.

As dimensões pontuadas por Morin (2001) como caracterizadoras de um trabalho com sentido são facilmente encontradas nestes relatos. Observou-se neste grupo uma ênfase na necessidade de afiliações, de autonomia ao realizar a atividade, de satisfação intrínseca e de realizar-se algo moralmente aceitável.

Percebe-se que as atividades almejadas como profissão tornam-se central para estas pessoas, na medida em que fazem parte de um projeto de vida os levará a assumir uma identidade profissional e que exigem uma preparação para sua realização, ou seja, as atividades atuais dos participantes são guiadas por objetivos futuros, vindo ao encontro de Soares (2002). Também foram identificadas algumas dúvidas quanto à forma de atuação, o que corrobora os dizeres de Luna (2005) e Soares (2002) a respeito da dificuldade em se situar uma atividade e fornecer a elas um significado no complexo contexto atual.

No terceiro módulo abordou-se o tema centralidade do trabalho, através de reflexões sobre como o trabalho está envolvido, ou não, nas nossas atividades diárias. Para isso, foram elaborados diagramas contendo 10 círculos, agrupados aos pares, e dispostos em cinco linhas horizontais. Os círculos à esquerda representavam a esfera do trabalho, e os da direita, as outras dimensões da vida. Na primeira linha, as esferas estavam em margens opostas, completamente separadas. Nas linhas subseqüentes, esta distância diminuía, até que na quinta linha os círculos estavam sobrepostos. Este diagrama foi baseado em uma questão do inventário que o grupo MOW (Meaning of Work)3 vem utilizando em pesquisas sobre os significados do trabalho.

Após reflexão individual, os diagramas foram preenchidos de acordo com o que aquela imagem representou para cada participante. Os resultados indicaram que as diferentes concepções de trabalho e as diferentes experiências de vida dos participantes evocavam diferentes sentidos para o mesmo aspecto do diagrama. Isto é, para alguns participantes, o fato de o trabalho ocupar uma esfera afastada da vida cotidiana era positivo na medida em que esta atividade deveria ser realizada em um ambiente à parte, com horários definidos e possibilitar tempo livre para que o individuo possa dedicar-se a atividades desvinculadas daquelas realizada em sua profissão.

Já para outros participantes, o fato de o trabalho estar desvinculado das outras esferas da vida era negativo e frustrante, sendo que os círculos sobrepostos correspondiam ao ideal a ser alcançado. Estes argumentaram que sua profissão fazia parte de sua identidade social, visto que não conseguiam se perceber como pertencentes a outra categoria profissional que não fosse aquela da qual gostavam. Deste modo, afirmaram que a atividade de trabalho que realizavam, ou que desejavam realizar, era parte integrante da sua vida.

Sob ambos pontos de vista, observou-se a importância de realizar-se uma atividade satisfatória, que trouxesse beneficio para si mesmo e para o próximo, que possibilitasse remuneração e, portanto, o trabalho pode ser entendido como central na vida destas pessoas.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os sentidos que o trabalho vêm assumindo, a importância desta atividade para os trabalhadores e a centralidade do trabalho, têm sido objetos de reflexão àqueles interessados em entender e abordar a influência as implicações das transformações da sociedade atual sobre para a condição humana.

Sob o ponto de vista apresentado por Schaff e Gorz (citados por PRIEB, 2000) e Rifikin (1995) as teorias sobre o fim do trabalho ganham força. Porém, sob outra ótica, o “trabalhar” e percebido como um dos elementos que dão sentido à vida das pessoas no atual contexto social, sendo parte de sua identidade.

A partir dos resultados elucidados neste artigo, verifica-se que há uma busca por um trabalho satisfatório e prazeroso, que supra as necessidades dos sujeitos tanto nos planos afetivo, e cognitivo, quanto nos planos social e financeiro. Neste sentido, percebe-se que o trabalho, para os participantes, mantém um espaço significativo em suas vidas, reiterando as proposições de autores que apontam a relevância do trabalho como parte importante na vida social dos indivíduos, assim como parte constituinte de sua identidade.

Além disso, os resultados alcançados nas oficinas mostram a importância de propiciar espaços de discussão sobre temáticas relacionadas ao trabalho e às possibilidades de atuação profissional que façam sentido ao trabalhador, dentro do atual contexto.

Considerando, ainda, as relações de trabalho como uma relevante área de estudo e atuação psicológica, a compreensão e a articulação dos sentidos atribuídos ao trabalho facilitará o avanço nos estudos relacionados a esta temática. Buscou-se, com o desenvolvimento de oficinas sobre sentidos do trabalho, ampliar o espaço de atuação dos futuros profissionais de psicologia, dando acesso a camadas da população com maiores dificuldades de inserção no mercado de trabalho aos conhecimentos e às práticas psicológicas.



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CONTATO


Maria Chalfin Coutinho

Endereço Eletrônico: chalfin@mbox1.ufsc.br



CATEGORIA: Relato de Pesquisa

Recebido em 29 de jun 2006



Aprovado em 30 de jun 2006

1 Professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina.

2 Estudante do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina.

3 Esta oficina fez parte do projeto de extensão “Oficinas sobre os Sentidos do Trabalho” desenvolvido pelos alunos Artur Aguiar, Helen de Oliveira, July Silveira Gomes em 2005, sob coordenação da professora do Departamento de Psicologia Dr. Maria Chalfin Coutinho, com apoio dos programas PROEXTENSÃO e PRÓ-BOLSA, da Pró-Reitoria de Extensão da UFSC.


Pesquisas e Práticas Psicossociais, v. 1, n. 1, São João del-Rei, jun. 2006


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