Mecanismos da mediunidade



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MECANISMOS DA MEDIUNIDADE

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER E WALDO VIEIRA

DITADO PELO ESPÍRITO ANDRÉ LUIZ

(12)
Série André Luiz


1 - Nosso Lar

2 - Os Mensageiros

3 - Missionários da Luz

4 - Obreiros da Vida Eterna

5 - No Mundo Maior

6 - Agenda Cristã

7 - Libertação

8 - Entre a Terra e o Céu

9 - Nos Domínios da Mediunidade

10 - Ação e Reação

11 - Evolução em Dois Mundos

12 - Mecanismos da Mediunidade

13 - Conduta Espírita

14 - Sexo e Destino

15 - Desobsessão

16 - E a Vida Continua...

ÍNDICE
Registros de Allan Kardec

Mediunidade

Ante a Mediunidade
CAPÍTULO 1 = Ondas e percepções

CAPÍTULO 2 = Conquistas da Microfísica

CAPÍTULO 3 = Fótons e fluido cósmico

CAPÍTULO 4 = Matéria mental

CAPÍTULO 5 = Corrente elétrica e corrente mental

CAPÍTULO 6 = Circuito elétrico e circuito mediúnico

CAPÍTULO 7 = Analogias de circuitos

CAPÍTULO 8 = Mediunidade e eletromagnetismo

CAPÍTULO 9 = Cérebro e energia

CAPÍTULO 10 = Fluxo mental

CAPÍTULO 11 = Onda mental

CAPÍTULO 12 = Reflexo condicionado

CAPÍTULO 13 = Fenômeno hipnótico indiscriminado

CAPÍTULO 14 = Reflexo condicionado específico

CAPÍTULO 15 = Cargas elétricas e cargas mentais

CAPÍTULO 16 = Fenômeno magnético da vida humana

CAPÍTULO 17 = Efeitos físicos

CAPÍTULO 18 = Efeitos intelectuais

CAPÍTULO 19 = Ideoplastia

CAPÍTULO 20 = Psicometria

CAPÍTULO 21 = Desdobramento

CAPÍTULO 22 = Mediunidade curativa

CAPÍTULO 23 = Animismo

CAPÍTULO 24 = Obsessão

CAPÍTULO 25 = Oração

CAPÍTULO 26 = Jesus e mediunidade



Registros de Allan Kardec (1)
No estado de desprendimento em que fica colocado, o Espírito do sonâmbulo entra em comunicação mais fácil com os outros Espíritos encarnados, ou não en­carnados, comunicação que se estabelece pelo contacto dos fluidos, que compõem os perispíritos e servem de transmissão ao pensamento, como o fio elétrico.
O Livro dos Espíritos” — Pág. 233. FEB, 27ª edição.
Salvo algumas exceções, o médium exprime o pen­samento dos Espíritos pelos meios mecânicos que lhes estão à disposição e a expressão desse pensamento pode e deve mesmo, as mais das vezes, ressentir-se da imperfeição de tais meios.
O Livro dos Médiuns” — Pág. 229. FEB, 26ª edição.
A mediunidade não é uma arte, nem um talento, pelo que não pode tornar-se uma profissão. Ela não existe sem o concurso dos Espíritos; faltando estes, já não há mediunidade.
O Evangelho Segundo o Espi­ritismo” — Pág. 311. FEB, 48ª edição.
Por toda a parte, a vida e o movimento: nenhum canto do Infinito despovoado, nenhuma região que não seja incessantemente percorrida por legiões inumeráveis de Espíritos radiantes, invisíveis aos sentidos grosseiros dos encarnados, mas cuja vista deslumbra de alegria e admiração as almas libertas da matéria.
O Céu e o Inferno” — Pá­gina 34. FEB, 18ª edição.
São extremamente variados os efeitos da ação fluí­dica sobre os doentes, de acordo com as circunstâncias. Algumas vezes é lenta e reclama tratamento prolon­gado, como no magnetismo ordinário; doutras vezes é rápida, como uma corrente elétrica.
A Gênese” — Pág. 279. FEB, 13ª edição.
(1) Designados pelo Autor espiritual.

Mediunidade
Acena-nos a antigüidade terrestre com bri­lhantes manifestações mediúnicas, a repontarem da História.

Discípulos de Sócrates referem-se, com admi­ração e respeito, ao amigo invisível que o acom­panhava constantemente.

Reporta-se Plutarco ao encontro de Bruto, cer­ta noite, com um dos seus perseguidores desencar­nados, a visitá-lo, em pleno campo.

Em Roma, no templo de Minerva, Pausânias, ali condenado a morrer de fome, passou a viver, em Espírito, monoideizado na revolta em que se alucinava, aparecendo e desaparecendo aos olhos de circunstantes assombrados, durante largo tempo.

Sabe-se que Nero, nos últimos dias de seu rei­nado, viu-se fora do corpo carnal, junto de Agripina e de Otávia, sua genitora e sua esposa, ambas assas­sinadas por sua ordem, a lhe pressagiarem a queda no abismo.

Os Espíritos vingativos em torno de Calígula eram tantos que, depois de lhe enterrarem os res­tos nos jardins de Lâmia, eram ali ‘vistos, frequen­temente, até que se lhe exumaram os despojos para a incineração.

Todavia, onde a mediunidade atinge culminân­cias é justamente no Cristianismo nascituro.

Toda a passagem do Mestre inesquecível, entre os homens, é um cântico de luz e amor, externan­do-lhe a condição de Medianeiro da Sabedoria Di­vina.

E, continuando-lhe o ministério, os apóstolos que se lhe mantiveram leais converteram-se em mé­diuns notáveis, no dia de Pentecostes (2),
(2) Atos, capítulo 2, versículos 1 a 13.
quando, associadas as suas forças, por se acharem “todos reunidos”, os emissários espirituais do Senhor, atra­vés deles, produziram fenômenos físicos em grande cópia, como sinais luminosos e vozes diretas, incLu­sive fatos de psicofonia e xenoglossia, em que os ensinamentos do Evangelho foram ditados em vá­rias línguas, simultaneamente, para os israelitas de procedências diversas.

Desde então, os eventos mediúnicos para eles se tornaram habituais.

Espíritos materializados libertavam-nos da pri­são injusta. (3)
(3) Atos, capítulo 5, versículos 18 a 20.
O magnetismo curativo era vastamente prati­cado pelo olhar (4)
(4) Atos, capítulo 3, versículos 4 a 6.
e pela imposição das mãos. (5)
(5) Atos, capítulo 9, versículo 17.
Espíritos sofredores eram retirados de pobres obsessos, aos quais vampirizavam. (6)
(6) Atos, capítulo , versículo 7.
Um homem objetivo e teimoso, quanto Saulo de Tarso, desenvolve a clarividência, de um mo­mento para outro, vê o próprio Cristo, às portas de Damasco, e lhe recolhe as instruções (7).
(7) Atos, capítulo 9, versículos 3 a 7.
E porque Saulo, embora corajoso, experimente enor­me abalo moral, Jesus, condoído, procura Ananias, médium clarividente na aludida cidade, e pede-lhe socorro para o companheiro que encetava a ta­refa. (8)
(8) Atos, capítulo 9, versículos 10 e 11.
Não somente na casa dos apóstolos em Jeru­salém mensageiros espirituais prestam contínua as­sistência aos semeadores do Evangelho; igualmen­te no lar dos cristãos, em Antioquia, a mediunidade opera serviços valiosos e incessantes. Dentre os médiuns aí reunidos, um deles, de nome A gabo (9),
(9) Atos, capítulo 11, versículo 28.
incorpora um Espírito benfeitor que realiza importante premonição. E nessa mesma igreja, vários instrumentos medianímicos aglutinados favorecem a produção da voz direta, consignando expressiva incumbência a Paulo e Barnabé. (10)
(10) Atos, capítulo 13, versículos 1 a 4.
Em Tróade, o apóstolo da gentilidade recebe a visita de um varão, em Espírito, a pedir-lhe con­curso fraterno. (11)
(11) Atos, capítulo 16, versículos 9 e 10.
E, tanto quanto acontece hoje, os médiuns de ontem, apesar de guardarem consigo a Bênção Divi­na, experimentavam injustiça e perseguição. Quase por toda a parte, padeciam inquéritos e sarcasmos, vilipêndios e tentações.

Logo no início das atividades mediúnicas que lhes dizem respeito, vêem-se Pedro e João segrega­dos no cárcere. Estêvão é lapidado. Tiago, o filho de Zebedeu, é morto a golpes de espada. Paulo de Tarso é preso e açoitado várias vezes.

Á mediunidade, que prossegue fulgindo entre os mártires cristãos, sacrificados nas festas círcen­ses, não se eclipsa, ainda mesmo quando o ensina­mento de Jesus passa a sofrer estagnação por im­positivos de ordem política. Apenas há alguns sé­culos, vimos Francisco de Assis exalçando-a em luminosos acontecimentos; Lutero transitando en­tre visões; Teresa d’A vila em admiráveis desdo­bramentos; José de Copertino levitando ante a espantada observação do papa Urbano 8º, e Swe­denborg recolhendo, afastado do corpo físico, ano­tações de vários planos espirituais que ele próprio filtra para o conhecimento humano, segundo as concepções de sua época.

Compreendemos, assim, a validade permanente do esforço de André Luiz, que, servindo-se de es­tudos e conclusões de conceituados cientistas ter­renos, tenta, também aqui (12),


(12) Sobre o tema desta obra, André Luiz é o autor de outro livro, intitulado “Nos Domínios da Me­diunidade”. — (Nota da Editora.)
colaborar na eluci­dação dos problemas da mediunidade, cada vez mais inquietantes na vida conturbada do mundo moderno.

Sem recomendar, de modo algum, a prática do hipnotismo em nossos templos espíritas, a ele re­corre, de escantilhão, para fazer mais amplamente compreendidos os múltiplos fenômenos da conju­gação de ondas mentais, além de com isso demons­trar que a força magnética é simples agente, sem ser a causa das ocorrências medianímicas, nascidas, invariàvelmente, de espírito para espírito.

Em nosso campo de ação, temos livros que consolam e restauram, medicam e alimentam, tanto quanto aqueles que pro põem e concluem, argumen­tam e esclarecem.

Nesse critério, surpreendemos aqui um livro que estuda.

Meditemos, pois, sobre suas páginas.
EMMANUEL
Uberaba, 6 de agosto de 1959.

Ante a Mediunidade
Depois de um século de mediunidade, à luz da Doutrina Espírita, com inequívocas provas da sobrevi­vencia, nas quais a abnegação dos Mensageiros Divinos e a tolerância de muitos sensitivos foram colocadas à prova, temo-la, ainda hoje, incompreendida e ridi­cularizada.

Os Intelectuais, vinculados ao ateísmo prático, des­prezam-na até agora, enquanto os cientistas que a ex­perimentam se recolhem, quase todos, aos palanques da Metapsíquica, observando-a com reserva. Junto deles, porém, os espíritas sustentam-lhe a bandeira de trabalho e revelação, conscientes de sua presença e signi­ficado perante a vida. Tachados, muitas vezes, de fa­náticos, prosseguem eles, à feição de pioneiros, des­bravando, sofrendo, ajudando e construindo, atentos aos princípios enfekcados por Allan Kardec em sua codificação basilar.

Alguém disse que «os espíritas pretenderam mis­turar, no Espiritismo, ciência e religião, o que resultou em grande prejuízo para a sua parte científica”. E acentuou que “um historiador, ao analisar as ordena­ções de Carlos Magno, não pensa em Além-Túmulo; que um fisiologista, assinalando as contrações muscu­lares de uma rã não fala em esfera. ultraterrestres; e que um químico, ao dosar o azoto da lecitina, não se deixa impressionar por nenhuma fraseologia da so­brevivéncia humana”, acrescentando que, “em Meta-psíquica, é necessário proceder de igual modo, absten­do-se o pesquisador de sonhar com mundos etéreos ou emanações anímicas, de maneira a permanecer no terra-a-terra, acima de qualquer teoria, para somente indagar, muito humildemente, se tal ou tal fenômeno é verdadeiro, sem o propósito de desvendar os misté­rios de nossas vidas pregressas ou vindouras”.

Os espírita, contudo, apesar do respeito que con­sagram à pesquisa dos sábios, não podem abdicar do senso religioso que lhes define o trabalho. Julgam lícito reverenciá-los, aproveitando-lhes estudos e equa­ções, qual nos conduzimos nestas páginas (13),


(13) A convite do Espírito André Luiz, os médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira receberam os textos deste livro em noites de quin­tas e terças-feiras, na cidade de Uberaba, Estado de Minas Gerais. O prefácio de Emmanuel e os capítulos pares foram recebidos pelo médium Fran­cisco Cândido Xavier, e o prefácio de André Luiz e os capítulos ímpares foram recebidos pelo médium Waldo Vieira. — (Nota dos médiuns.)
tanto quanto eles mesmos, os sábios, lhes homenageiam o esforço, utilizando-lhes o campo de atividade para ex­perimentos e anotações.

Consideram os espíritas, que o historiador, o fisio­logista e o químico podem não pensar em Além-Tú­mulo, mas não conseguem avançar desprovidos de sen­so moral, porqüanto o historiador, sem dignidade, éveículo de imprudência; o fisiologista, sem respeito para consigo próprio, quase sempre se transforma em car­rasco da vida humana, e o químico, desalmado, facil­mente se converte em agente da morte.

Se caminham atentos à mensagem das Esferas Espirituais, isso não quer dizer se enquistem na visão de “mundos etéreos”, para enternecimento beatifico e esterilizante, mas para se fazerem elementos úteis na edificação do mundo melhor. Se analisam as emana­ções anímicas é porque desejam cooperar no aperf ei­çoamento da vida espiritual no Planeta, assim como na solução dos problemas do destino e da dor, junto da Humanidade, de modo a se esvaziarem penitenciarias e hospícios, e, se algo procuram, acima do “terra­-a-terra”, esse algo é a educação de si mesmos, atra­vés do bem puro aos semelhantes, com o que aspiram, sem pretensão, a orientar o fenômeno a serviço dos homens, para que o fenômeno não se reduza a simples curiosidade da inteligéncia.

Quanto mais investiga a Natureza, mais se con­vence o homem de que vive num reino de ondas trans­figuradas em luz, eletricidade, calor ou matéria, se­gundo o padrão vibratório em que se exprimam.

Existem, no entanto, outras manifestações da luz, da eletricidade, do calor e da matéria, desconhecidas nas faixas da evolução humana, das quais, por enquan­to, sômente poderemos recolher informações pelas vias do espírito.

Prevenindo qualquer observação da critica cons­trutiva, lealmente declaramos haver recorrido a diver­sos trabalhos de divulgação científica do mundo con­temporâneo para tornar a substância espírita deste livro mais seguramente compreendida pela generalidade dos leitores, como quem se utiliza da estrada de todos para atingir a meta em vista, sem maiores dificul­dades para os companheiros de excursão. Aliás, quan­to aos apontamentos científicos humanos, é preciso reconhecer-lhes o caráter passageiro, no que se refere à definição e nomenclatura, atentos à circunstância de que a experimentação constante induz os cientistas de um século a considerar, muitas vezes, como supe­rado o trabalho dos cientistas que os precederam.

Assim, as notas dessa natureza, neste volume, to­madas naturalmente ao acervo de Informações e dedu­ções dos estudiosos da atualidade terrestre, valem aqui por vestimenta necessária, mas transitória, da expli­cação espírita da mediunidade, que é, no presente livro, o corpo de idéias a ser apresentado.

Não podemos esquecer a obrigação de cultuar a mediunidade e acrisolá-la, aparelhando-nos com os re­cursos precisos ao conhecimento d nós meninos.

A Parapsicologia nas UniVersidades e o estudo dos mecanismos do cérebro e do sonho, do magnetismo e do pensamento nas instituições ligadas à Psiquiatria e ás ciências mentais, embora dirigidos noutros rumos, chegarão igualmente á verdade, mas, antes que se in­tegrem conscientemente no plano da redenção huma­na, burilemos, por nossa vez, a mediunidade, à luz da Doutrina Espírita, que revive a Doutrina de Jesus, no reconhecimento de que não basta a observação dos fatos em si, mas também que se fazem indispensáveis a disciplina e a iluminação dos ingredientes morais que os constituem, a fim de que se tornem ‘fatores de aprimoramento e felicidade, a benefício da criatura em trânsito para a realidade maior.
ÂNDRÉ LUIZ
Uberaba, 11-8-59.


1

Ondas e percepções
AGITAÇÃO E ONDAS — Em seguida a es­forços persistentes de muitos Espíritos sábios, en­carnados no mundo e patrocinando a evolução, a inteligência do século 20 compreende que a Terra é um magneto de gigantescas proporções, consti­tuído de forças atômicas condicionadas e cercado por essas mesmas forças em combinações multifor­mes, compondo o chamado campo eletromagnético em que o Planeta, no ritmo de seus próprios mo­vimentos, se tipifica na Imensidade Cósmica.

Nesse reino de energias, em que a matéria con­centrada estrutura o Globo de nossa moradia e em que a matéria em expansão lhe forma o clima peculiar, a vida desenvolve agitação.

E toda agitação produz ondas.

Uma frase que emitimos ou um instrumento que vibra criam ondas sonoras.

Liguemos o aquecedor e espalharemos ondas caloríficas.

Acendamos a lâmpada e exteriorizaremos on­das luminosas.

Façamos funcionar o receptor radiofônico e encontraremos ondas elétricas.

Em suma, toda inquietação se propaga em forma de ondas, através dos diferentes corpos da Natureza.


TIPOS E DEFINIÇÕES — As ondas são ava­liadas segundo o comprimento em que se expressam, dependendo esse comprimento do emissor em que se verifica a agitação.

Fina vara tangendo as águas de um lago pro­vocará ondas pequenas, ao passo que a tora de madeira, arrojada ao lençol líquido, traçará ondas maiores.

Um contrabaixo lançá-las-á muito longas.

Um flautim desferí-las-á muito curtas.

As ondas ou oscilações eletromagnéticas são sempre da mesma substância, diferenciando-se, po­rém, na pauta do seu comprimento ou distância que se segue do penacho ou crista de uma onda à crista da onda seguinte, em vibrações mais, ou me­nos rápidas, conforme as leis de ritmo em que se lhes identifica a frequência diversa.

Que é, no entanto, uma onda?

À falta de terminologia mais clara, diremos que uma onda é determinada forma de ressurreição da energia, por intermédio do elemento particular que a veicula ou estabelece.

Partindo de semelhante princípio, entenderemos que a fonte primordial de qualquer irradiação é o átomo ou partes dele em agitação, despedindo raios ou ondas que se articulam, de acordo com as oscilações que emite.


HOMEM E ONDAS — Simplificando conceitos em torno da escala das ondas, recordemos que, oscilando de maneira integral, sacudidos simples mente nos elétrons de suas órbitas ou excitados apenas em seus núcleos, os átomos lançam de si ondas que produzem calor e som, luz e raios gama, através de inumeráveis combinações.

Assim é que entre as ondas da corrente alter­nada para objetivos industriais, as ondas do rádio, as da luz e dos raios 10º, tanto quanto as que de­finem os raios cósmicos e as que se superpõem além deles, não existe qualquer diferença de natu­reza, mas sim de frequência, considerado o modo em que se exprimem.

E o homem, colocado nas faixas desse imenso domínio, em que a matéria quanto mais estudada mais se revela qual feixe de forças em temporária associação, sômente assinala as ondas que se lhe afinam com o modo de ser.

Temo-lo, dessa maneira, por viajante do Cos­mo, respirando num vastíssimo império de ondas que se comportam como massa ou vice-versa, con­dicionado, nas suas percepções, à escala do pro­gresso que já alcançou, progresso esse que se mostra sempre acrescentado pelo patrimônio de ex­periência em que se gradua, no campo mental que lhe é característico, em cujas dimensões revela o que a vida já lhe deu, ou tempo de evolução. e aquilo que ele próprio já deu à vida, ou tempo de esforço pessoal na construção do destino. Para a valorização e enriquecimento do caminho que lhe compete percorrer, recebe dessa mesma vida, que o acalenta e a que deve servir, o tesouro do cére­bro, por intermédio do qual exterioriza as ondas que lhe marcam a individualidade, no concerto das forças universais, e absorve aquelas com as quais pode entrar em sintonia, ampliando, os recursos do seu cabedal de conhecimento, e das quais se deve aproveitar, no aprimoramento intensivo de si mesmo, no trabalho da própria sublimação.


CONTINENTE DO “INFRA-SOM” — Ajus­tam-se ouvidos e olhos humanos a balizas naturais de percepção, circunscritos aos implementos da própria estrutura.

Abaixo de 35 a 40 vibrações por segundo, a criatura encarnada, ou que ainda se mostre fora do corpo físico em condições análogas, movimenta-se no império dos “infra-sons” (14),


(14) Outros Autores admitem que estes Infra-sons começam abaixo de 18 vibrações por segundo. — (Nota do Autor espiritual.)
porqüanto os sons continuam existindo, sem que disponha de recursos para assinalá-los.

A ponte pressionada por grande veículo ou a locomotiva que avança sobre trilhos agita a porta de residência não distante, porta essa cuja inquie­tação se comunica a outras portas mais afastadas, em regime de transmissão “infra-som”.

Nesse domínio das correntes imperceptíveis, identificaremos as ondas eletromagnéticas de Hertz a se exteriorizarem da antena alimentada pela ener­gia elétrica e que, apresentando frequência aumen­tada, com o emprego do. chamados “circuitos osci­lantes”, constituídos com o auxílio de condensado­res, produzem as ondas da telegrafia sem fio e do rádio comum, começando pelas ondas longas, até aproximadamente mil metros, na medida equi­valente à frequência de 300.000 vibrações por se­gundo ou 300 quilocíclos, e avançando pelas ondas curtas, além das quais se localizam as ondas mé­tricas ou decímétricas, disciplinadas em serviço do radar e da televisão.

Em semelhantes faixas da vida, que a ciência terrestre assinala como o continente do «infra-soma, circulam forças complexas; contudo, para o Espí­rito encarnado ou ainda condicionado às sensações do Plano Físico, não existe nessas províncias da Natureza senão silêncio.


SONS PERCEPTIVEIS — Aumente-se a fre­quência das ondas, nascidas do movimento inces­sante do Universo, e o homem alcançará a escala dos sons perceptiveis, mais exatamente qualificá­veis nas cordas graves do piano.

Nesse ponto, penetraremos a esfera das per­cepções sensoriais da criatura terrestre, porqüanto, nesse grau vibratório, as ondas se transubstanciam em fontes sonoras que afetam o tímpano, gerando os «tons de Tartini» ou «tons de combinação», com efeitos psíquicos, segundo as disposições mentais de cada indivíduo.

Eleva-se o diapasão.

Sons médios, mais altos, agudos, superagudos.

Na fronteira aproximada de pouco além de 15.000 vibrações por segundo, não raro, o ouvido vulgar atinge a zona-limite. (15)
(15) A escala de percepção é extremamente va­riável. (Nota do Autor esp(rituat.)
Há pessoas, contudo, que, depois desses mar­cos, ouvem ainda.

Animais diversos, quais os cães, portadores de profunda acuidade auditiva, escutam ruídos no «ultra-som», para além das 40.000 vibrações por segundo.

Prossegue a escala ascendente em recursos e proporções inimagináveis aos sentidos vhiculados ao mundo físico.
OUTROS REINOS ONDULATÓRIOS — Salien­tando-se no oceano da Vida Infinita, outros reinos ondulatórios se espraiam, ofertando novos campos de evolução ao Espírito, que a mente ajustada às peculiaridades do Planeta não consegue perceber.

Sigamos através das oscilações mais curtas e seremos defrontados pelas ondas do infravermelho.

Começam a luz e as cores visíveis ao olhar humano.

As micro-ondas, em manifestação ascendente, determinam nas fibras intra-retinianas, segundo os potenciais elétricos que lhes são próprios, as ima­gens das sete cores fundamentais, fàcilmente des­cortináveis na luz branca que as sintetiza, por in­termédio do prisma comum, criando igualmente efeitos psíquicos, em cada criatura, conforme os estados mentais que a identifiquem.

Alteia-se a ordem das ondas e surgem, depois do vermelho, o alaranjado, o amarelo, o verde, o azul, o anilado e o violeta.

No comprimento de onda em que se localiza o violeta, em 4/10.000 de milímetro, os olhos humanos cessam de enxergar; todavia, a série das oscilações continua em progressão constante e a chapa fotográfica, situada na vizinhança do espec­tro, revela a ação fotoqulmica do ultravioleta e, ultrapassando-o, aparecem as ondas imensamente curtas dos raios 10º, dos raios gama, dirigindo-se para os raios cósmicos, a cruzarem por todos os departamentos do Globo.

Semelhantes notas oferecem ligeira ideia da transcendência das ondas nos reinos do Espírito, com base nas forças do pensamento.

2

Conquistas da Microfísica
PRIMÓRDIOS DA ELETRÔNICA — Espíritos eminentes, atendendo aos imperativos da investiga­ção científica entre os homens, volvem da Espiri­tualidade ao Plano Terrestre, incentivando estudos acerca da natureza ondulatória do Universo.

A Eletrônica balbucia as primeiras notas com Tales de Mileto, 600 anos antes do Cristo.

O grande filósofo, que tinha a crença na uni­dade essencial da Natureza, observa a eletrização no âmbar (elektron, em grego).

Seus apontamentos sobre as emanações lumi­nosas são retomados, no curso do tempo, por Herão de Alexandria e outras grandes inteligências, cul­minando nos raciocínios de Descartes, no século 17, que, inspirado na teoria atômica dos gregos, conclui, trezentos anos antes da descoberta do elé­tron, que na base do átomo deveria existir uma partícula primitiva, chegando a desenhá-la, com surpreendente rigor de concepção, como sendo um «remoinho» ou imagem aproximada dos recursos energéticos que o constituem.

Logo após, Isaac Newton realiza a decompo­sição da luz branca, nas sete cores do prisma, apre­sentando, ainda, a ideia de que os fenômenos lu­minosos seriam correntes corpusculares, sem excluir a hipótese de ondas vibratórias, a se expandirem no ar.

Huyghens prossegue na experimentação e de­fende a teoria do éter luminoso ou teoria ondulatória.

Franklin teoriza sobre o fluido elétrico e pro­põe a hipótese atômica da eletricidade, tentando classificá-la como sendo formada de grânulos sutis, perfeitamente identificáveis aos remoinhos eletrô­nicos hoje imaginados.
CAMPO ELETROMAGNÉTICO — Nos pri­mórdios do século 19, aparece Tomás Young, exa­minando as ocorrências da reflexão, interferência e difração da luz, fundamentando-se sobre a ação ondulatória, seguindo-se-lhe Fresnel, a consolidar-lhe as deduções.

Sucedem-se investigadores e pioneiros, até que, em 1869, Maxwell afirma, sem que as suas asser­ções lograssem despertar maior interesse nos sá­bios de seu tempo, que as ondulações de luz nas­ciam de um campo magnético associado a um campo elétrico, anunciando a correlação entre a eletricidade e a luz e assegurando que as linhas de força extravasam dos circuitos, assaltando o espaço ambiente e expandindo-se como pulsações ondulatórias. Cria ele a notável teoria eletromag­nética.

Desde essa época, o conceito de campo eletro­magnéticos assume singular importância no mun­do, até que Hertz consegue positivar a existência das ondas elétricas, descobrindo-as e colocando-as a serviço da Humanidade.

Nas vésperas do século 20, a Ciência já con­sidera a Natureza terrestre como percorrida por ondas inumeráveis que cruzam todas as faixas do Planeta, sem jamais se misturarem.

Entretanto, certa indagação se generalizara.

Reconhecido o mundo como vasto magneto, composto de átomos, e sabendo-se que as ondas provinham deles, como poderiam os sistemas atô­micos gerá-las, criando, por exemplo, o calor e a luz?


ESTRUTURA DO ÁTOMO — Max Planck, dis­tinto físico alemão, repara, em 1900, que o átomo, em lançando energia, não procede em fluxo contí­nuo, mas sim por arremessos individuais ou, mais propriamente, através de grânulos de energia, es­tabelecendo a teoria dos “quanta de energia”.

Foi então que Niels Bohr deduziu que a des­coberta de Planck somente se explicaria pelo fato de gravitarem os elétrons, ao redor do núcleo, no sistema atômico, em órbitas seguramente definidas, a exteriorizarem energia, não girando como os pla­netas em torno do Sol, mas saltando, de inespe­rado, de uma camada para outra.

E, procedendo mais por intuição que por obser­vação, mentalizou o átomo como sendo um núcleo cercado, no máximo, de sete camadas concêntricas, plenamente isoladas entre si, no seio das quais os elétrons circulam livremente, em todos os senti­dos. Os que se localizam nas zonas periféricas são aqueles que mais fàcilmente se deslocam, patroci­nando a projeção de raios luminosos, ao passo que os elétrons aglutinados nas camadas profundas, mais jungidos ao núcleo, quando mudam de órbita deixam escapar raios mais curtos, a se graduarem na série dos raios X.

Aplicada a teoria de Bohr em multifários se­tores da demonstração objetiva, ela alcançou encorajadoras confirmações, e, com isso, dentro das possíveis definições terrestres, o cientista dinamar­quês preparou o caminho a mais amplo entendi­mento da luz.


ESTADO RADIANTE E RAIOS 10º — A Ciên­cia da Terra acreditava antigamente que os átomos fossem corpúsculos eternos e indivisíveis. Elemen­tos conjugados entre si, entrelaçavam-se e se se­paravam, plasmando formas diversas.

Seriam como vasto mas limitado capital da vida de que a Natureza poderia dispor sem qualquer desperdício.

No último quartel do século 19, porém, sin­gulares alterações marcaram os passos da Física.

Retomando experiências iniciadas pelo cientis­ta alemão Hittorf, William Crookes valeu-se de um tubo de vidro fechado, no qual obtinha grande ra­refação do ar, fazendo passar, através dele, uma corrente elétrica, oriunda de alto potencial.

Semelhante tubo poderia conter dois ou mais eletrodos (cátodos e ânodos, ou pólos negativos e positivos, respectivamente), formados por fios de platina, e rematados em placas metálicas de subs­tância e molde variáveis.

Efetuada a corrente, o grande físico notou que do cátodo partiam raios que, atingindo a parede oposta do vidro, nela formavam certa luminosidade fluorescente.

Crookes classificou como sendo radiante o es­tado em que se mostrava o gás contido no recipiente e declarou guardar a impressão de que conseguira reter os corpúsculos que entretecem a base física do Universo.

Mas, depois dele, aparece Roentgen, que lhe retoma as investigações, e, projetando os raios ca­tódicos sobre tela metálica, colocou a própria mão entre o tubo e pequena chapa recamada de subs­tância fluorescente, observando que os ossos se destacavam, em cor escura, na carne que se fizera transparente.

Os raios 10º ou raios Roentgen foram, desde então, trazidos à consideração do mundo.
ELETRON E RADIOATIVIDADE — O jovem pesquisador francês Jean Perrin, utilizando a am­pola de Crookes e o eletroscópio, conseguiu positi­var a existência do elétron, como partícula elétrica, viajando com rapidez vertiginosa.

Pairava no ar a indagação sobre a massa e a expressão elétrica de semelhante partícula.

Surge, todavia, José Thomson, distinto físico inglês, que, estudando-a do ponto de vista de um projétil em movimento, consegue determinar-lhe a massa, que é, aproximadamente, 1.850 vezes menor que a do átomo conhecido por mais leve, o hidro­gênio, calculando-lhe, ainda, com relativa seguran­ça, a carga e a velocidade.

Os apontamentos objetivos, em torno do elé­tron, incentivaram novos estudos do infinitamente pequeno.

Animado pelos êxitos dos raios de Roentgen, Henri Becquerel, com o auxílio de amigos espiri­tuais, porque até então o gênio científico na Terra desconhecia o extenso cabedal radioativo do urânio, escolhe esse elemento para a pesquisa de novas fontes dos raios 10º e surpreende as radiações diferentes que encaminham o casal Curie à descoberta do rádio.

A Ciência percebeu, afinal, que a radioativi­dade era como que a fala dos átomos, asseverando que eles nasciam e morriam ou apareciam e desa­pareciam no reservatório da Natureza.


QUIMICA NUCLEAR — O contador de Gei­ger, emergindo no cenário das experimentações da Microfísica, demonstrou que, em cada segundo, de um grama de rádio se desprendem 36 bilhões de fragmentos radioativos da corrente mais fraca de raios emanantes desse elemento, perfazendo um total de 20.000 quilômetros de irradiação por se­gundo.

No entanto, há tão grande quantidade de áto­moa de rádio, em cada grama desse metal, que somente no espaço de 16 séculos é que o seu peso fica reduzido à metade. (*)

Apreendendo-se que a radioatividade exprimia a morte dos sistemas atômicos, não seria possível apressar-lhes a desintegração controlada, com vis­tas ao aproveitamento de seus potenciais energé­ticos?

Rutherford lembrou que as partículas emana­das do rádio funcionam como projéteis vigorosos, e enchendo um tubo com azoto, nele situou uma parcela de rádio, reparando os pontos de queda dos corpúsculos eletrizados sobre pequena tela fos­forescente. Descobriu, desse modo, que os núcleos do azoto, espancados em cheio pelas partículas ra­dioativas alfa, explodiam, convertendo-se em hi­drogênio e num isótopo do oxigênio.

Foi realizada, assim, calculadamente, a primeira transmutação atômica pelo homem, originando-se, desde então, a chamada química nuclear, que cul­mina hoje com a artilharia atômica do cíclotron, estruturado por Lawrence, à feição de um eletro­-imã, onde, acelerados por uma corrente de mi­lhares de volta, em tensão alternada altíssima, projéteis atômicos bombardeiam os elementos a eles expostos, que se transmutam em outros ele­mentos químicos conhecidos, acrescidos dos chama­dos radioisótopos, que o casal Joliot-Curie obteve pela primeira vez arremessando sobre o alumínio a corrente menos penetrante do rádio, constituída de núcleos do hélio, ou hélions. Surgiram, assim, os fecundos serviços da radioatividade artificial.

Nossos apontamentos sintético. objetivam ape­nas destacar a analogia do que se passa no mundo Intimo das forças corpusculares que entretecem a matéria física e daquelas que estruturam a maté­ria mental.


(*) NOTA DA EDITORA, em 1993: Este parágrafo, confor­me está escrito, parece dizer que o tempo de meia-vida depende da quantidade de material, ou número de átomos de rádio, o que não condiz com o conhecimento que a Ciência tem do assunto.

Lembra Emmanuel, no Prefácio, que André Luiz se serviu, nesta obra, de estudos e conclusões de cientistas da Terra, podendo, então, ter havido, quanto ao assunto em pauta, entendimento imperfeito ou do autor espiritual, ou do médium, ou da fonte científica da qual se originou o parágrafo.

3

Fótons e fluido cósmico
ESTRUTURA DA LUZ — Clerk Maxwell, cen­tralizado nos estudos do eletromagnetismo, previra que todas as irradiações, inclusive a luz visível, pressionam os demais corpos.

Observações experimentais com o jato de uma lâmpada sobre um feixe de poeira mostraram que o feixe se acurvou, como se impelido por leve cor­rente de força. Semelhante corrente foi medida, acusando insignificante percentagem de pressão, mas o bastante para provar que a luz era dotada de inércia.

Os físicos eram defrontados pelo problema, quando Einstein, estruturando a sua teoria da relatividade, no princípio do século 20, chegou àconclusão de que a luz, nesse novo aspecto, possuiria peso específico.

Isso implicava a existência de massa para a luz. Como conciliar vibração e peso, onda e massa? Intrigado, o grande cientista voltou às expe­riências de Planck e Bohr e deduziu que a luz de uma lâmpada resulta de sucessivos arremessos de grânulos luminosos, em relâmpagos consecutivos, a se desprenderem dela por todos os lados.

Pesquisadores protestaram contra a assertiva, lembrando o enigma das difrações e das interferências, tentando demonstrar que a luz era cons­tituída de vibrações.

Einstein, contudo, recorreu ao efeito fotoelé­trico — pelo qual a incidência de um raio luminoso sobre uma película de sódio ou potássio determina a expulsão de elétrons da mesma película, elétrons cuja velocidade pode ser medida com exatidão —, e genialmente concebeu os grânulos luminosos ou fótons que, em se arrojando sobre os elétrons de sódio e potássio, lhes provoca o deslocamento, com tanto mais violência, quanto mais concentrada for a energia dos fótons.

O aumento de intensidade da luz, por isso, não acrescenta velocidade aos elétrons expulsos, o que apenas acontece ante a incidência de uma luz ca­racterizada por oscilação mais curta.
“SALTOS QÜÂNTICOS” — A teoria dos “sal­tos qüânticos” explicou, de certo modo, as oscilações eletromagnéticas que produzem os raios luminosos.

No átomo excitado, aceleram-se os movimentos, e os elétrons que lhe correspondem, em se distan­ciando dos núcleos, passam a degraus mais altos de energias. Efetuada a alteração, os elétrons se afastam dos núcleos aos saltos, de acordo com o quadrado dos números cardinais, isto é, de 1 para 2 no primeiro salto, de 2 para 4 no segundo, de 3 para 9 no terceiro, de 4 para 16 no quarto, e assim sucessivamente.

Na temperatura aproximada de 1.000 graus centígrados, os elétrons abandonam as órbitas que lhes são peculiares, em número sempre crescente, e, se essa temperatura atingir cerca de 100.000 graus centígrados, os átomos passam a ser cons­tituídos sômente de núcleos despojados de seus elé­trons-satélites, vindo a explodir, por entrechoques, a altíssimas temperaturas.

Reportando-nos, pois, a escala de excitação dos sistemas atômicos, vamos encontrar a luz, conhe­cida na Terra, como oscilação eletromagnética em comprimento médio de onda que nasce do campo atômico, quando os elétrons, erguidos a órbitas ampliadas pelo abastecimento de energia, retornam às suas órbitas primitivas, veiculando a sua ener­gia de queda.

Se excitarmos o átomo com escassa energia. apenas se altearão aqueles elétrons da periferia, capazes de superar fàcilmente a força atrativa do núcleo.

Compreenderemos, portanto, que, quanto mais distante do núcleo, mais comprido será o salto, determinando a emissão de onda mais longa e, por esse motivo, identificada por menor energia. E quanto mais para dentro do sistema atômico se verifique o salto, tanto mais curta, e por isso de maior poder penetrante, a onda exteriorizada.


“EFEITO COMPTON” — Buscando um exem­plo, verificaremos que a estimulação das órbitas eletrônicas externas produzirá a luz vermelha, for­mada de ondas longas, enquanto que o mesmo pro­cesso de atrito nas órbitas que se lhe seguem, na direção do núcleo, originará a irradiação azul, for­mada de ondas mais curtas, e a excitação nas órbitas mais íntimas provocará a luz violeta, de ondas ainda mais curtas. Continuando-se a pro­gressão de fora para dentro, chegaremos aos raios gama, que derivam das oscilações do núcleo atô­mico.

Em todos esses processos de irradiação, o po­der do fõton depende do comprimento da onda em que se manifesta, qual ficou positivado no “efei-to Compton», pelo qual uma colisão provocada entre fótons e elétrons revela que os fótons, em fazendo ricochete no entrechoque, descarregam energia, baixando a frequência da própria onda e originando, assim, a luz mais avermelhada.


FÓRMULA DE DE BROGLIE — A evidência do fóton vinha enriquecer a teoria corpuscular da luz. Entretanto, certos fenômenos se mantinham à margem, sômente explicáveis pela teoria ondula­tória que a Ciência não aceitara até então.

Foi o estudioso físico francês, Luis De Broglie, que compareceu no cenário das contradições, enun­ciando o seguinte principio:

— “Compreendendo-se que as ondas da luz, em certas circunstâncias, procedem à feição de cor­púsculos, por que motivo os corpúsculos de matéria, em determinadas condições, não se comportarão àmaneira de ondas?»

E acrescentava que cada partícula de matéria está acompanhada pela onda que a conduz.

Suportanto hostilidades e desafios, devotou-se a minuciosas perquirições e criou a fórmula para definir o comprimento da onda conjugada ao cor­púsculo, entendendo-se, desde então, que os elétrons arremessados pela válvula de Roentgen, quando ori­ginam oscilações curtas, aproximadamente 10.000 vezes mais reduzidas que as da luz, são transpor­tados por ondas tão curtas como os raios X.
MECÂNICA ONDULATÓRIA — Físicos dis­tintos não se sentiam dispostos a concordar com as novas observações de De Broglie, alegando que a teoria se mostrava incompatível com o fenômeno da difração e pediam que o sábio lhes fizesse ver a difração dos elétrons, de vez que não admitiam a existência de corpúsculos desfrutando proprieda­des que, a seu ver, eram exclusivamente caracte­rísticas das ondas.

Pouco tempo decorrido, dois cientistas ameri­canos projetaram um jato de elétrons sobre um cristal de níquel e registraram a existência da di-fração, de conformidade com os princípios de De Broglie.

Desde então, a mecânica ondulatória instalou-se na Ciência, em definitivo.

Mais da metade do Universo foi reconhecido como um reino de oscilações, restando a parte constituída de matéria igualmente suscetível de converter-se em ondas de energia.

O mundo material como que desapareceu, dan­do lugar a tecido vasto de corpúsculos em movi­mento, arrastando turbilhões de ondas em frequên­cias inumeráveis, cruzando-se em todas as direções, sem se misturarem.

O homem passou a compreender, enfim, que a matéria é simples vestimenta das forças que o servem nas múltiplas faixas da Natureza e que todos os domínios da substância palpável podem ser plenamente analisados e explicados em lingua­gem matemática, embora o plano das causas con­tinue para ele indevassado, tanto quanto para nós, as criaturas terrestres temporàriamente apartadas da vida física.


“CAMPO1 DE EINSTEIN” — Conhecemos a gama das ondas, sabemos que a luz se desloca em feixes corpusculares que denominamos “fótons”, não ignoramos que o átomo é um remoinho de for­ças positivas e negativas, cujos potenciais variam com o número de elétrons ou partículas de força em torno do núcleo, informarno-nos de que a energia, ao condensar-se, surge como massa para trans­formar-se, depois, em energia; entretanto, o meio sutil em que os sistemas atômicos oscilam não pode ser eqüacionado com os nossos conhecimentos. Até agora, temos nomeado esse «terreno indefinível, como sendo o «éter»; contudo, Einstein, quando buscou imaginar-lhe as propriedades indispensáveis para poder transmitir ondas características de bi­lhões de oscilações, com a velocidade de 300.000 quilômetros por segundo, não conseguiu acomodar as necessárias grandezas matemáticas numa fór­mula, porqüanto as qualidades de que essa maté­ria devia estar revestida não são combináveis, e concluiu que ela não existe, propondo abolir-se o conceito de «éter», substituindo-o pelo conceito de «campo».

Campo, desse modo, passou a designar o es­paço dominado pela influência de uma partícula de massa.

Para guardarmos uma ideia do princípio esta­belecido, imaginemos uma chama em atividade. A zona por ela iluminada é-lhe o campo peculiar. A intensidade de sua influência diminui com a dis­tância do seu fulcro, de acordo com certas propor­ções, isto é, tornando-se 1/2, 1/4, 1/8, 1/16, etc., a revelar valor de fração cada vez menor, sem nunca atingir a zero, porque, em teoria, o campo ou região de influência alcançará o infinito.

A proposição de Einstein, no entanto, não re­solve o problema, porque a indagação quanto àmatéria de base para o campo continua desafiando o raciocínio, motivo pelo qual, escrevendo da esfera extra-fisica, na tentativa de analisar, mais acura­damente, o fenômeno da transmissão mediúnica, definiremos o meio sutil em que o Universo se equi­libra como sendo o Fluido Cósmico ou Hálito Di­vino, a força para nós inabordável que sustenta a Criação.



4

Matéria mental
PENSAMENTO DO CRIADOR — Identifican­do o Fluido Elementar ou Hálito Divino por base mantenedora de todas as associações da forma nos domínios inumeráveis do Cosmo, do qual conhece­mos o elétron como sendo um dos corpúsculos-base, nas organizações e oscilações da matéria, interpre­taremos o Universo como um todo de forças dinâ­micas, expressando o Pensamento do Criador. E superpondo-se-lhe à grandeza indevassável, encon­traremos a matéria mental que nos é própria, em agitação constante, plasmando as criações tempo­rárias, adstritas à nossa necessidade de progresso.

No macrocosmo e no microcosmo, tateamos as manifestações da Eterna Sabedoria que mobiliza agentes incontáveis para a estruturação de siste­mas e formas, em variedade infinita de graus e fases, e entre o infinitamente pequeno e o infini­tamente grande surge a inteligencia humana, do­tada igualmente da faculdade de mentalizar e co-criar, empalmando, para isso, os recursos intrínsecos à vida ambiente.

Nos fundamentos da Criação vibra o pensa­mento imensurável do Criador e sobre esse plasma divino vibra o pensamento mensurável da criatura, a constituir-se no vasto oceano de força mental em que os poderes do Espírito se manifestam.
PENSAMENTO DAS CRIATURAS — Do Prin­cípio Elementar, fluindo incessantemente no campo cósmico, auscultamos, de modo imperfeito, as ener­gias profundas que produzem eletricidade e magne­tismo, sem conseguir enqüadrá-las em exatas defi­nições terrestres, e, da matéria mental dos seres criados, estudamos o pensamento ou fluxo ener­gético do campo espiritual de cada um deles, a se graduarem nos mais diversos tipos de onda, desde os raios super-ultra-curtos, em que se exprimem as legiões angélicas, através de processos ainda inacessíveis à nossa observação, passando pelas os­cilações curtas, médias e longas em que se exte­rioriza a mente humana, até às ondas fragmentá­rias dos animais, cuja vida psíquica, ainda em germe, sômente arroja de si determinados pensa­mentos ou raios descontínuos.

Os Espíritos aperfeiçoados, que conhecemos sob a designação de potências angélicas do Amor Di­vino, operam no micro e no macrocosmo, em nome da Sabedoria Excelsa, formando condições adequa­das e multiformes à expansão, sustentação e pro­jeção da vida, nas variadas esferas da Natureza, no encalço de aquisições celestiais que, por enquan­to, estamos longe de perceber. A mente dos ho­mens, indiretamente controlada pelo comando su­perior, interfere no acervo de recursos do Planeta, em particular, aprimorando-lhe os recursos na di­reção do plano angélico, e a mente embrionária dos animais, influenciada pela direção humana, hierarquiza-se em serviço nas regiões inferiores, da Terra, no rumo das conquistas da Humanidade.


CORPÚSCULOS MENTAIS — Como alicerce vivo de todas as realizações nos planos físico e extrafísico, encontramos o pensamento por agente essencial. Entretanto, ele ainda é matéria, — a matéria mental, em que as leis de formação das cargas magnéticas ou dos sistemas atômicos pre­valecem sob novo sentido, compondo o maravilhoso mar de energia sutil em que todos nos achamos submersos e no qual surpreendemos elementos que transcendem o sistema periódico dos elementos quí­micos conhecidos no mundo.

Temos, ainda aqui, as formações corpuscula­res, com bases nos sistemas atômicos em diferentes condições vibratórias, considerando os átomos, tan­to no plano físico, quanto no plano mental, como associações de cargas positivas e negativas.

Isso nos compele naturalmente a denominar tais princípios de «núcleos, prótons, nêutrons, posítrons, elétrons ou fótons mentais», em vista da ausência de terminologia analógica para estrutu­ração mais segura de nossos apontamentos.

Assim é que o halo vital ou aura de cada cria­tura permanece tecido de correntes atômicas sutis dos pensamentos que lhe são próprios ou habituais, dentro de normas que correspondem à lei dos «quan­ta de energia» e aos princípios da mecânica ondu­latória, que lhes imprimem frequência e cor pecu­liares.

Essas forças, em constantes movimentos sin­crônicos ou estado de agitação pelos impulsos da vontade, estabelecem para cada pessoa uma onda mental própria.

MATÉRIA MENTAL E MATÉRIA FÍSICA — Em posição vulgar, acomodados às impressões comuns da criatura humana normal, os átomos mentais inteiros, regularmente excitados, na esfera dos pensamentos, produzirão ondas muito longas ou de simples sustentação da individualidade, cor­respondendo à manutenção de calor. Se forem os elétrons mentais, nas órbitas dos átomos da mesma natureza, a causa da agitação, em estados menos comuns da mente, quais se iam os de atenção ou tensão pacífica, em virtude de reflexão ou oração natural, o campo dos pensamentos exprimir-se-áem ondas de comprimento médio’ ou de aquisição de experiência, por parte da alma, correspondendo à produção de luz interior. E se a excitação nasce dos diminutos núcleos atômicos, em situações ex­traordinárias da mente, quais sejam as emoções profundas, as dores indizíveis, as laboriosas e atu­radas concentrações de força mental ou as súpli­cas aflitivas, o domínio dos pensamentos emitirá raios muito curtos ou de imenso poder transfor­mador do campo espiritual, teoricamente semelhan­tes aos que se aproximam dos raios gama.

Assim considerando, a matéria mental, embora em aspectos fundamentalmente diversos, obedece a princípios idênticos àqueles que regem as asso­ciações atômicas, na esfera física, demonstrando a divina unidade de plano do Universo.
INDUÇÃO MENTAL — Recorrendo ao “cam­po” de Einstein, imaginemos a mente humana no lugar da chama em atividade. Assim como a in­tensidade de influência da chama diminui com a distância do núcleo de energias em combustão, de­monstrando fração cada vez menor, sem nunca atingir a zero, a corrente mental se espraia, segundo o mesmo princípio, não obstante a diferença de condições.

Essa corrente de partículas mentais exterio­riza-se de cada Espírito com qualidade de indução mental, tanto maior quanto mais amplos se lhe evidenciem as faculdades de concentração e o teor de persistência no rumo dos objetivos que demande.

Tanto quanto, no domínio da energia elétrica, a indução significa o processo através do qual um corpo que detenha propriedades eletromagnéticas pode transmiti-las a outro corpo sem contacto vi­sível, no reino dos poderes mentais a indução ex­prime processo idêntico, porqüanto a corrente men­tal é suscetível de reproduzir as suas próprias peculiaridades em outra corrente mental que se lhe sintonize. E tanto na eletricidade quanto no mentalismo, o fenômeno obedece à conjugação de ondas, enquanto perdure a sustentação do fluxo energético.

Compreendemos assim, perfeitamente, que a matéria mental é o instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, que não se reduzem efetivamente a abstrações, por representarem tur­bilhões de força em que a alma cria os seus pró­prios estados de mentação indutiva, atraindo para si mesma os agentes (por enquanto imponderáveis na Terra), de luz ou sombra, vitória ou derrota, infortúnio ou felicidade.


FORMAS-PENSAMENTOS — Pelos princípios mentais que influenciam em todas as direções, en­contramos a telementação e a reflexão comandan­do todos os fenômenos de associação, desde o aca­salamento dos insetos até a comunhão dos Espíritos Superiores, cujo sistema de aglutinação nos é, por agora, defeso ao conhecimento.

Emitindo uma ideia, passamos a refletir as que se lhe assemelham, ideia essa que para logo se corporifica, com intensidade correspondente à nos­sa insistência em sustentá-la, mantendo-nos, assim. espontâneamente em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir.

É nessa projeção de forças, a determinarem o compulsório intercâmbio com todas as mentes en­carnadas ou desencarnadas, que se nos movimenta o Espírito no mundo das formas-pensamentos, cons­truções substanciais na esfera da alma, que nos liberam o passo ou no-lo escravizam, na pauta do bem ou do mal de nossa escolha. Isso acontece porque, à maneira do homem que constrói estradas para a sua própria expansão ou que talha algemas para si mesmo, a mente de cada um, pelas corren­tes de matéria mental que exterioriza, eleva-se a gradativa libertação no rumo dos planos superio­res ou estaciona nos planos inferiores, como quem traça vasto labirinto aos próprios pés.

5

Corrente elétrica e corrente mental
DÍNAMO ESPIRiTUAL — Ainda mesmo que a Ciência na Terra, por longo tempo, recalcitre

contra as realidades do Espírito, é imperioso con­vir que, no comando das associações atômicas, sob a perquirição do homem, prevalecem as associações inteligentes de matéria mental.

O Espírito, encarnado ou desencarnado, na es­sência, pode ser comparado a um dínamo complexo, em que se verifica a transubstanciação do traba­lho psicofísico em forças mento-eletromagnéticas, forças essas que guardam consigo, no laboratório das células em que circulam e se harmonizam, a propriedade de agentes emissores e receptores, con­servadores e regeneradores de energia.

Para que nos façamos mais simplesmente com­preendidos, imaginemo-lo como sendo um dínamo gerador, indutor, transformador e coletor, ao mes­mo tempo, com capacidade de assimilar correntes contínuas de força e exteriorizá-las simultâneamente.


GERADOR ELÉTRICO — Recordemos que um motor se alimenta da corrente elétrica, fornecida pelos recursos atômicos do plano material.

E para simples efeito de estudo da transmis­são de força mediúnica, em que a matéria mental é substância básica, lembremo-nos de que a cha­mada força eletromotriz nasce do agente que a produz em circuito fechado.

Afirmamos que o gerador elétrico é uma fon­te de força eletromotriz, entretanto, não nos acha­mos à frente de uma força automática, mas sim de uma característica do gerador, no qual a ener­gia absorvida, sob forma particular, se converte em energia elétrica.

O aparelho, gerador, no caso, não plasma cor­rentes elétricas e sim produz determinada diferença de potencial entre os seus terminais ou extremos, facultando aos elétrons a movimentação necessária.

Figuremos dois campos elétricos separados, cada um deles com cargas de natureza contrária, com uma diferença de potencial entre eles. Esta­belecido um fio condutor entre ambos, a corrente elétrica se improvisa, do centro negativo para o centro positivo, até que seja alcançado o justo equi­líbrio entre os dois centros, anulando-se, desde en­tão, a diferença de potencial existente.

Se desejamos manter a diferença de potencial a que nos referimos, é indispensável interpor entre ambos um gerador elétrico, por intermédio do qual se nutra, constante, o fluxo eletrônico entre um e outro, de vez que a corrente circulará no con­dutor, em vista do campo elétrico existente entre os dois corpos.


GERADOR MEDIÚNICO — Idealizemos o fluxo de energias mento-eletromagnéticas, ou fulcro de ondas da entidade comunicante e do médium, como dois campos distintos, associando valores po­sitivos e negativos, respectivamente, com uma dife­rença de potencial que, em nosso caso, constitui certa capacidade de junção específica.

Estabelecido um fio condutor de um para o outro que, em nosso problema, representa o pensamento de aceitação ou adesão’ do médium, a cor­rente mental desse ou daquele teor se improvisa em regime de ação e reação, atingindo-se o neces­sário equilíbrio entre ambos, anulando-se, desde então, a diferença existente, pela integração das forças conjuntas em clima de afinidade.

Se quisermos sustentar o continuísmo de se­melhante conjugação, é imprescindível conservar entre os dois um gerador de força, que, na questão em análise, é o pensamento constante de aceitação ou adesão da personalidade mediúnica, através do qual se evidencie, incessante, o fluxo de energias conjugadas entre um e outro, porqüanto a corren­te de forças mentais, destinada à produção desse ou daquele fenômeno ou serviço, circulará no con­dutor mediúnico em razão do campo de energias mento-eletromagnéticas existente entre a entidade comunicante e a individualidade do médium.
ÁTOMOS E ESPIRITOS — Para entendermos com mais segurança o problema da compensação vibratória na produção da corrente elétrica e (de outro modo) da corrente mental, lembremo-nos de que. conforme a lei de Coulomb, as cargas de sinal contrário ou de força centrípeta atraem-se, con­trabalançando-se essa atração com a repulsão por elas experimentada, ante as cargas de sinal igual ou de força centrífuga.

A harmonia eletromecânica do sistema atômi­co se verifica toda vez que se encontre neutro ou, mais pronriamente. quando as unidades positivas ou unidades do núcleo são em número idêntico ao das negativas ou aquelas de que se Constituem os elétrons, estabilidade essa que decorre dos princí­pios de gravitação nas linhas do microcosmo.

Afirma-se, desse modo, que existe uma unidade de diferença de potencial entre dois pontos de um campo elétrico, quando a ação efetuada para trans­portar uma unidade de carga (ou 1 coulomb), de um ponto a outro, for igual à unidade de trabalho.

Entendendo-se que os mesmos princípios pre­dominam para as correntes de matéria mental, embora as modalidades outras de sustentação e manifestação, somos induzidos a asseverar, por analogia, que existe capacidade de afinização entre um Espírito e outro, quando a ação de plasmagem e projeção da matéria mental na entidade co­municante for, mais ou menos, igual à ação de receptividade e expressão na personalidade mediú­nica.


FORÇA ELETROMOTRIZ E FORÇA MEDIÚNICA — Compreendemos que se dispomos, em toda parte, de fontes de força eletromotriz, mediante a sábia distribuição das cargas elétricas, encon­trando-as, a cada passo, na extensão da indústria e do progresso, temos igualmente variados manan­ciais de força mediúnica, mediante a permuta har­moniosa, consciente ou inconsciente, dos princípios ou correntes mentais, sendo possível observá-los, em nosso caminho, alimentando grandes iniciativas de socorro às necessidades humanas e de expansão cultural.

Usinas diversas espalham-se na paisagem ter­restre, alentando sistemas de luz e força, na criação do conforto e da atividade, em cidades e vila­rejos, campos e estâncias, e associações mediúnicas de vária espécie se multiplicam nos quadros morais do mundo, nutrindo as instituições maiores e me­nores da Religião e da Ciência, da Filosofia e da Educação, da Arte e do Trabalho, do Consolo e da Caridade, impulsionando a evolução da espiri­tualidade no plano físico.


FONTES DE FRACO TEOR — Possuímos, ainda, aquelas fontes de força elétrica, dotadas de fraco teor, nos processos não industriais em que obtemos a eletrização por atrito, ou, por contacto, a indução eletrostática e os efeitos diversos, tais como o efeito piezelétrico, vulgarmente empregado na construção de microfones e alto-falantes, peças destinadas à reprodução do som e ao controle de frequência na radiotecnia; o efeito termoelétrico, utilizado na formação dos pirômetros elétricos que facultam a aferição das temperaturas elevadas, e o efeito fotoelétrico, aproveitado em várias espécies de medidores.

Em analogia de circunstâncias, assinalamos, em todos os lugares, os mananciais de força mediúnica, a se expressarem por mais fraco teor nos processos não ostensivos de ação, do ponto de vista da evidência pública, pelos quais servidores abne­gados do bem conseguem a restauração moral desse ou daquele companheiro rebelde, a cura de certo número de almas doentes, a repetição de avisos edificantes, a assistência especializada a múltiplos tipos de sofrimento, ou a condução enobrecedora do grupo familiar a que se devotam.

Em todas as atividades mediúnicas, porém, nas quais a mente demande a construção do bem, sejam elas de grande porte ou de singela apresentação, a importância do trabalho a realizar e a luz da Vida Superior são sempre as mesmas, possibilitan­do ao Espírito a faculdade de falar ao Espírito na obra incessante de aperfeiçoamento e sublimação.

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