Memorial da biquinha



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MEMORIAL DA BIQUINHA

Os carreiros ou trilhos dos animais ao longo do Grande Rio, hora aproximavam-se das suas águas, hora embrenhavam-se nas matas, mas sempre margeando seu curso. Na densidade das matas ribeirinhas, aqui e ali, estes caminhos cruzavam-se em torno a uma nascente de água pura e farta e logo se encaminhavam num emaranhado de rumos e destinos. Atrás dos animais vieram os seus predadores : os primeiros habitantes humanos da nossa região... por tempos imemoriais, os grupos e tribos transitavam ao longo do Jeticahy desfrutando de suas benesses e convivendo com sua força.

Um dia, por estes primitivos caminhos, chegaram os homens brancos...bandeirantes, militares, proscritos... e os negros... cativos ou fugidos. E os trilhos se tornaram picadas. O rio era sempre um obstáculo pela sua volúpia, mas num ponto ou outro, os caminhos paralelos se cruzavam em travessias arriscadas e audazes. As picadas, que derivaram dos trilhos e carreiros originais, mantinham quase sempre sua malha e sua lógica. E quase sempre se cruzavam ao redor de uma nascente fresca e farta para recuperar forças. Muitas vezes ao saciar a tropa, o viajante percebia brilhos fugazes na água e decidia ali se arranchar por algum tempo à cata de um tesouro que movia a todos de então: o ouro das Geraes!

Após acampar, outros forasteiros ali chegavam e também ficavam, trazendo sua fé e seus costumes, que em tempos tão difíceis, estavam sempre à prova. Em torno da fonte surgiam barracos de barro, capim e madeira, roçados, garimpos, comércio ... e o cruzeiro!

As necessidades e devoções uniam os homens fazendo desses aventureiros rudes, santos ou vilões, mártires ou guerreiros, mas sempre... heróis!

A pequena nascente assistiu à sequência do desbravamento, sua consolidação, seus dramas e alegrias. Garimpeiros, roceiros, boiadas e queimadas; histórias de vida.

Esta pode ter sido a história da Fonte da Biquinha. Esta é uma história original de quase todos os povoados do bravio Sertão Oeste Mineiro. Desbravado pela ganância dos portugueses com seus impostos, pelos que fugiam do seu fisco e de suas leis, pelos cativos índios e negros, mas todos encontrando em Maria (seja da Conceição ou do Rosário) um raio de esperança, um colo, um afago.

Resgatar a Fonte da Biquinha é recuperar pela nascente, a história de uma povoação que foi o limite da poderosa Capitania das Minas Geraes com a Capitania de Goyaz até 1816, que se conectava com a Capitania de São Paulo pelo Porto do Engano e dali ao Desemboque do rio Grande e ao Aterrado paulista (hoje Ibiraci), que subindo a serra alcançava o Julgado do Rio das Velhas (atual Desemboque) e que mais tarde, atravessando a ponte do Suruby alcançava o Centro Sul mineiros. Uma povoação que aos pés da Babilônia e a um passo da Canastra, sempre foi irrigada pela música de suas cascatas e abençoada pelas graças do Divino.

Resgatar a Fonte da Biquinha é revolver as entranhas de nossas memórias e de nossas famílias, dando aos nossos descendentes a dignidade de uma heróica trajetória de vida.

- Monumento
Um monumento é uma estrutura construída por motivos simbólicos e/ou comemorativos, mais do que para uma utilização de ordem funcional. Os monumentos são geralmente construídos com o duplo objetivo de comemorar um acontecimento importante, ou homenagear uma figura ilustre, e, simultaneamente, criar um objeto artístico que melhorará o aspecto de uma cidade ou local.

Justificativa
A construção de um monumento que perpetue a fonte da Biquinha na memória dos cidadãos de Delfinópolis, justifica-se pela informação histórica de que neste local iniciou-se o núcleo do primeiro povoamento, o “Descoberto da Santíssima Trindade”, na picada dos bandeirantes ;

Justifica-se porque contribui para consolidar a identidade de um povo que se preocupa em resgatar e cultuar suas origens;

Justifica-se porque insere no acervo do seu Patrimônio Cultural, um item de memória exclusivo e permanente;

Justifica-se porque insere um bem de interesse cultural no roteiro turístico do município.


O Projeto



Descrição: o projeto apresenta uma base formada por três degraus que representarão permanentemente os três momentos de ação do Conselho do Patrimônio : resgatar, preservar e difundir os valores de memória da comunidade. Medidas: os degraus terão 15 cms de altura por 50 cms de largura, sendo que a primeira base terá 5,60 m x 5,60 m, a segunda terá 4,60 m x 4,60 m e a terceira terá 3,60 x 3,60 m e serão revestidos de pedra mineira.

O monumento terá uma rampa de acessibilidade com 1,60 m de largura, desde a base inferior até à base superior.

Sobre a base será implantado um bloco de quartzito furnas, rocha característica da região, simbolizando a relação telúrica da comunidade com o seu ambiente. O bloco terá 2 m x 1,20 m x 1x20 m.

Encimando o bloco de quartzito furnas será colocada uma estrutura de rocha (granito) em forma de tetraedro (uma pirâmide com três faces laterais) que simboliza a origem e a essência de toda a Criação : o carbono. Com a imagem do tetraedro o marco simboliza a ação do homem que constrói sua História e a conecta com o Universo, através do Tempo e do Espaço. Nas três faces estarão inscritos: o brasão municipal, o verso “Dever de filhos celebrar a História...”, do Hino de Delfinópolis e a data de emancipação política de Delfinópolis: 17 de Dezembro. As inscrições deverão ser entalhadas na rocha para garantir sua preservação.


Considerações
O projeto apresentado sugere uma construção simples, econômica e resistente às intempéries. Ao mesmo tempo em que o carisma das rochas confere ao marco uma presença de atemporalidade, também sua simbologia poderá permitir outras leituras sem grandes desvios do conceito proposto. Enfim a proposta é dotar Delfinópolis de um monumento memorial despojado porém marcante que enseje aos seus cidadãos e visitantes uma reflexão permanente sobre o brado de seu Hino:
Dever de filhos celebrar a História

do povo desta terra tão querida,

lembrar os fatos, reviver a glória!”


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