Memória, história e formaçÃo de professores: fios e desafios do projeto vozes da educaçÃo em são gonçalo



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MEMÓRIA, HISTÓRIA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES: FIOS E DESAFIOS DO PROJETO VOZES DA EDUCAÇÃO EM SÃO GONÇALO
Ines Bragança

Jaqueline Morais

Mairce Araújo

Maria Tereza Tavares

Martha Hees

Regina Jesus

Sônia Rangel

Bolsistas: Giselle Nunes e Marcele Mariosa



A memória da gente é falha, a idade vai chegando... Eu tenho fotos e documentos. Mas será que vou me lembrar de tudo? Posso convidar mais pessoas que participaram dessa história de luta?

Jesus Abreu
A resposta de Seu Jesus, antigo morador de uma comunidade gonçalense, ao convite das alunas da Prática de Ensino II, no ano de 20021, para contar a história do CIEP 052 Romanda Gouveia Gonçalves, localizado no bairro Bela Vista, em São Gonçalo, vem corroborando o desafio enfrentado pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão: Vozes da Educação: memória e história das escolas de São Gonçalo em seu movimento de resgate e produção da história e da memória da educação escolar gonçalense, tendo como princípio político-epistemológico a indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão.

Assim como os mosaicos de Gaudi o Núcleo de Pesquisa e Extensão: Vozes da Educação: memória e história das escolas de São Gonçalo foi ganhando formas, cores e nuances inusitadas, à medida que recuperando as diversas trilhas que o projeto vem seguindo ao longo de sua própria história, colamos cacos, pedaços de cerâmica, pastilhas, azulejos, fragmentos de processos vividos e memória compartilhada, ressignificando o espaço-tempo da formação de professores como um lócus de autoconhecimento, como nos ensina Boaventura Santos.

O Núcleo de Pesquisa e Extensão Vozes da Educação: memória e história das escolas de São Gonçalo nasceu em 1996 e conta hoje com sete professoras, sendo três Doutoras e quatro Doutorandas, todas do Departamento de Educação da Faculdade de Formação de Professores, uma unidade da UERJ localizada em São Gonçalo. Conta também com duas bolsistas de extensão, dos cursos de História e de Letras e mais três alunas voluntárias, dos cursos de Pedagogia, Matemática e Letras que se agregaram ao projeto, enxergando no mesmo um enriquecimento para a sua formação de professoras-pesquisadoras.

Temos como objetivo principal no Vozes promover o resgate da memória histórica da educação de São Gonçalo, realizando, para isso, a identificação e sistematização das informações sobre a história da educação pública contida nas fontes documentais e orais existentes nas próprias escolas.

A recuperação dos registros e narrativas que compõem a memória da educação local tornou-se, não só uma necessidade de se resgatar a memória institucional e cotidiana de nossas escolas, mas fundamentalmente a possibilidade de estabelecermos elos articuladores que nos permitam historicizar e problematizar propostas e projetos de educação em vigor na cidade. Desejamos com nosso trabalho possibilitar um movimento de reflexão dos professores e estudantes acerca de sua própria história, com vistas a garantir a sistematização e organização dos registros dessa memória, bem como relacionar a memória local à memória da Educação Nacional.

Pretendemos, nesse trabalho, apresentar um pouco de nossa experiência realizada ao longo destes sete anos de articulação entre ensino-pesquisa-extensão. As vozes da escola contam suas memórias e histórias. A universidade precisa ouvi-las, problematizá-las, dialogar com elas. Esse é o nosso desafio: sermos capazes de criar mecanismos de escuta, de diálogo, de compreensão e de socialização da teoria em movimento produzida no chão da escola.

Nessa escuta sensível e desafiadora, que entendemos ética e política, as integrantes do Vozes, bem como professoras, professores e estudantes das escolas envolvidas no projeto, buscam fazer da reflexão sobre o processo vivido o eixo de sua formação, tanto como docente, quanto discente, materializando a perspectiva freiriana de que:

Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Confirmando que faz parte da natureza da prática docente a indagação, a busca, a pesquisa. O de que se precisa é que, em sua formação permanente, o professor se perceba e se assuma, porque professor como pesquisador. (1997:32)




Articulando ensino-pesquisa-extensão: tecendo os fios entre a universidade e a escola básica

O Núcleo de Pesquisa e Extensão Vozes da Educação: memória e história das escolas de São Gonçalo nasceu com a preocupação de fortalecer a perspectiva política da Universidade Pública, especialmente no contexto do município de São Gonçalo, onde a Faculdade de Formação de Professores se afirma como a única instituição pública de Ensino Superior.

Nesse sentido, no Projeto Acadêmico de nossa unidade, a extensão universitária foi se colocando como uma estratégia político-epistemológica com vistas à construção de um outro modelo estrutural de Universidade, comprometido com a sua responsabilidade social

No Brasil, especialmente, a partir dos anos 60, a Universidade tem sido convocada pelos setores mais críticos da sociedade (em especial os movimentos docentes e discentes), para assumir a sua “responsabilidade social” perante as questões colocadas pelo mundo contemporâneo, mobilizando seus conhecimentos acumulados em busca de soluções para os problemas sociais.

As reivindicações por um papel mais nítido da Universidade no sentido de exercer uma intervenção social, cobravam dessa instituição um compromisso político com os setores mais desfavorecidos da sociedade, desafiando-a a pensar questões tanto de âmbito mais global como os desastres ecológicos, a fome no mundo, o recrudescimento dos ódios raciais, quanto de âmbito local ou regional, como o desemprego, o fracasso escolar, a criminalidade, a violência, a corrupção no setor público, entre outros.

Concomitantemente, porém, uma visão economicista e conservadora desse papel social da universidade, tendo como base a grave crise financeira que vem desafiando a própria sobrevivência da instituição, levantava a bandeira da busca da produtividade e do auto–financiamento e acabava reduzindo a responsabilidade social a uma cooperação com a “comunidade” industrial, com setores associados à acumulação e reprodução do capital.

No entanto, uma concepção mais ampla de responsabilidade social que se pauta na intervenção reformista dos problemas sociais, bem como na valorização das lutas das classes populares pela construção de uma sociedade mais justa, tem fundamentado iniciativas de políticas de extensão que não escamoteiam o seu compromisso político e social com a democratização da sociedade e a superação de nossas constrangedoras desigualdades sociais.

Nesse sentido, acreditamos que no caso específico da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em nossa unidade, a Faculdade de Formação de Professores, a extensão universitária se coloca como uma alternativa político-metodológica que investe na construção de novas relações com a cidade e suas escolas, pautadas na identificação da realidade social local, sendo referenciadas por questões que atravessam essa realidade e que não podem prescindir de um posicionamento e de cooperação crítica da Universidade Pública.

Concordamos com Santos quando afirma que:

As chamadas atividade de extensão que a universidade assumiu sobretudo a partir dos anos sessenta constituem a realização frustrada de um objetivo genuíno. Não devem ser, portanto, pura e simplesmente eliminadas. Devem ser transformadas. As atividades de extensão que procuram “extender” a universidade sem a transformar; traduziram-se em aplicações técnicas e não aplicações edificantes da ciência; a prestação de serviços a outrem nunca foi concebida como prestação de serviços à própria universidade. Tais atividades estiveram, no entanto, a serviço de um objetivo genuíno, o de cumprir a ‘responsabilidade social da universidade”, um objetivo cuja genuinidade, de resto, reside no reconhecimento da tradicional “irresponsabilidade social da universidade.(1997:229)


Para nós professoras e para os estudantes de graduação, organicamente imbricados no Núcleo de Pesquisa e Extensão Vozes da Educação: memória e história das escolas de São Gonçalo o espaço da extensão em sua multidimensionalidade e complexidade é vivenciado como:

A extensão universitária é o processo educativo, cultural e científico que articula o ensino e a pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre universidade e sociedade. A extensão é uma via de mão dupla, com trânsito assegurado à comunidade acadêmica, que encontrará, na sociedade, a oportunidade da elaboração da práxis de um conhecimento acadêmico. No retorno à universidade, docentes e discentes trarão um aprendizado que, submetido à reflexão teórica será acrescido àquele conhecimento. Este fluxo, que estabelece a troca de saberes sistematizados – acadêmico e popular, terá como conseqüência: a produção do conhecimento resultante do confronto com a realidade brasileira e regional; e a democratização do conhecimento e a participação efetiva da comunidade na atuação da universidade. (Fórum Nacional de Extensão, 1997).


Assim, a extensão universitária no limiar do século XXI, pressupõe um caminhar coletivo, aberto e sensível à complexidade do momento histórico que atravessamos, onde as certezas e previsibilidade de uma racionalidade iluminista já foram colocadas em xeque, pelos paradoxos da crise global/local que o contemporâneo nos delega.

Portanto, refletir os caminhos da extensão hoje é fundamentalmente, disponibilizar uma permanente interlocução/interação entre os diferentes setores sociais externos e internos à comunidade universitária, procurando forças sinérgicas que possam resistir e criar outras formas de intervenção social e produção de conhecimento pautada num paradigma emancipatório de sociedade. Paradigma este, ético porque solidário, estético porque reencantado, político porque participativo ( Boaventura Santos, 2000).



A cidade, a escola e o Vozes




(...) São Gonçalo, cidade mui singela erguida nos encantos da aquarela, namorada de nós os gonçalenses cidade que cresce dia a dia, momunmento eternal, sol de alegria, orgulho bem maior dos fluminenses(...)

Hino de São Gonçalo, Geraldo Lemos, 1970
Colonizadas por portugueses a partir do século XVI, as terras das Bandas D’Além, denominada após emancipação política em 1892 como a cidade de São Gonçalo, situa-se, perifericamente, em relação à cidade do Rio de Janeiro. Quando visto por imagem de satélite, representa, na micro-região conhecida como área Metropolitana ou do Grande Rio, a segunda malha urbana aí existente, perdendo apenas para a cidade do Rio de Janeiro.

São Gonçalo, hoje, é uma cidade de grande porte, com uma população de cerca de um milhão e quatrocentos mil habitantes e o quarto município mais populoso da Região Metropolitana. Situada na periferia do Rio de Janeiro, possui uma taxa de urbanização de 100%.)

Criada em 1892, a cidade estruturou-se inicialmente a partir das culturas da cana de açúcar e do café, nas grandes fazendas. Com o declínio das culturas canavieiras e cafeeiras, dedica-se à policultura, dando início à divisão das fazendas em sítios. Entretanto, a sua paisagem rural perdurou até fins da década de 50, quando o parcelamento do solo atingiu o seu pique, tomando uma amplitude que modificou o seu perfil, sobretudo, nas décadas posteriores.

A fase de industrialização e urbanização de São Gonçalo começa a desenvolver-se a partir da década de 30, com a instalação das primeiras fábricas, dando ao município uma nova paisagem que se mesclava em semi-rural e urbana. Com o pique industrial mais importante do Estado, o município sobreviveu, até o início dos anos 60, incentivado pelo processo de substituição de importações que foi incrementado pela política nacional desenvolvimentista.

Por essa ocasião, surge a deliberação nº 370 de 10/11/62, da Prefeitura, que estendeu a zona urbana a todo o território municipal. Há uma redução drástica do setor primário e o crescimento industrial de grande porte, cede lugar, à era dos serviços, da pequena e média indústria. Aparece a problemática do emprego e da pobreza.

A partir da década de 70, São Gonçalo viveu um acelerado crescimento populacional, que atingiu principalmente os bairros periféricos, com a facilidade de acesso ao Rio de Janeiro, proporcionada pela Ponte Rio Niterói, inaugurada em 1974. A distância Rio - São Gonçalo, encurtada pela ponte, tornou o município um local de moradia alternativa, por ter aluguéis com preços mais baixos. O crescimento industrial de grande porte cedeu lugar à era dos serviços, da pequena e média empresas, iniciando-se também a desindustrialização. Aparece a problemática do desemprego e da pobreza e a cidade passa a ser considerada como “cidade dormitório” à medida que sua população começa a trabalhar fora do local de moradia.

Dados mais recentes do IBGE (1996)2 traçam um perfil atual do município apontando que, grande parte de sua população pode ser considerada muito pobre, a partir dos índices relacionados aos aspectos básicos da condição de vida, como renda mensal, educação e saneamento básico.

Em relação à renda familiar do município, mais da metade dos chefes de domicílio (53,6%) tinha renda média mensal de até 2 salários mínimos, proporção superior a da Região Metropolitana do Rio de Janeiro(43,7%); 56,1% das crianças menores de 6 anos vive em domicílios cuja renda familiar não ultrapassa 2 salários mínimos mensais.

Em relação à questão da escolaridade da família, 10,8% dos chefes domiciliares não tinha nenhuma instrução e 16,7% tinha de 1 a 3 anos de estudo; isto significa que 27,5% não concluíu o primeiro segmento do primeiro grau. O relatório também chamava a atenção para o elevado percentual de mulheres sem nenhuma instrução, 20,6%. Como se tratava de dados agregados, não discriminavam o percentual de mulheres chefes de família sem nenhuma instrução.

Os dados denunciavam a precariedade das condições de esgotamento sanitário e tratamento de lixo: 36,8% dos domicílios não possue esgoto sanitário adequado e 33,7% dos domicílios não é atendido pelo serviço de recolhimento do lixo.

Com relação à questão educacional, é bom lembrar que “coincidência ou não”, foi na década de 70, período da desindustrialização e pauperização da cidade, que o governo estadual da época criou a Fundação Centro de Treinamento de Professores do Estado do Rio de Janeiro e posteriormente no seu interior, a Faculdade de Formação de Professores, com sede no município de São Gonçalo, a primeira (e única) instituição pública a nível universitário da cidade.

Tal instituição de ensino, desde 1987 vinculada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro, vem oferecendo cursos de graduação – licenciatura plena – nas áreas de História, Matemática, Geografia, Ciências Biológicas, Pedagogia e Letras, bem como pós-graduação, lato sensu, em Português, Inglês e História do Brasil. Atualmente, a Faculdade de Formação de Professores constitui-se como a principal instituição formadora dos quadros docentes das redes públicas e privadas de educação da cidade.

Construindo a sua trajetória no ensino público de nível universitário há mais de vinte e cinco anos, sua identidade institucional tem movido professores e professoras que aí trabalham no sentido de buscar concretizar um projeto político-pedagógico fundamentado no tripé ensino-pesquisa-extensão.

É no bojo deste movimento que no Departamento de Educação surge o Núcleo de Pesquisa e Extensão Vozes da Educação: memória e história das escolas de São Gonçalo, objetivando estreitar laços entre a Faculdade de Formação de Professores e demais instituições educativas da cidade.


Caminhos trilhados

Nesses sete anos do Vozes temos investido no aprofundamento de nossas interlocuções com as escolas da cidade, bem como reiterando o princípio da indissociabilidade do ensino-pesquisa-extensão. Em linhas gerais, por meio das ações do Núcleo, temos promovido tanto a socialização de conhecimentos produzidos internamente – via os diferentes cursos e eventos de extensão já oferecidos por nós3 - quanto contribuído para estimular a produção local e autônoma das escolas com as quais temos nos articulado mais diretamente – via a formação de seus próprios núcleos de memória e história. Além disso, o acervo do Núcleo foi enriquecido pela produção de três Teses de Doutorado4, monografias e trabalhos de conclusão de curso orientadas e produzidas por professoras e estudantes vinculadas ao Vozes5.

Em relação à formação de núcleos de memórias e história nas escolas, atualmente, 3 (três) estão em fase de consolidação:. Além disso, temos investido na promoção de oficinas – tanto nas UERJ Sem Muros, quanto em diversas escolas (EM Prefeito Nicanor Ferreira Nunes; Escola E. E.l Pandiá Calógeras, CIEP 413 Adão Pereira Nunes, CIEP 052 Romanda Gouveia Gonçalves, E.E. Trasilbo Filgueiras) com objetivo de discutir os caminhos para a formação dos núcleos.

Ressaltamos também a participação do Núcleo em diferentes fóruns nacionais e internacionais ( ANPED, COLE, Congressos de História da Educação, Pedagogia 97/ Cuba, IV Congresso Ibero Americano de História de la Educacíon Latino Americana /Chile 98, de entre outros).

A indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão tem sido, portanto, o princípio básico norteador das nossas ações. As atividades de extensão têm alimentado, justamente com as de pesquisa, o trabalho reflexivo e formativo nas disciplinas que ministramos, tais como: Prática de Ensino I, Prática Pedagógica I e II, História da educação e Pesquisa em Educação I, II e III.

A proposta do Núcleo de Pesquisa e Extensão Vozes da educação: memória e história das escolas de São Gonçalo, ao investir no diálogo universidade-escola básica, a cada momento, tem sido desafiada a ir além do papel de extender o conhecimento produzido em seu interior, para se abrir ao conhecimento produzido pelos seus interlocutores externos.

Se, como nos diz Santos (1997), a ‘abertura ao outro é o sentido profundo da democratização da universidade, uma democratização que vai muito além do acesso à universidade e a permanência nesta”, a prática dialógica instaurada na lógica ensino-pesquisa-extensão é um instrumento essencial de democratização e socialização do conhecimento à medida que possibilita resgatar o sentido genuíno da responsabilidade social da universidade pública.

Esboçando uma conclusão


Olhar uma escola, por dentro (sempre) e por fora é conhecer um lugar novo. Se não carregamos conosco elementos fundamentais como: expectativa, curiosidade, interesse, não teremos nada para relatar deste lugar.

Não saberemos se o visitamos ou simplesmente passamos por ele, porque quando chegamos a este lugar, buscamos sua essência, seu cheiro, seu significado de existir, descobrindo sua história.

Sendo assim, acreditamos que os olhares voltados para uma escola não devem ser como de um pesquisador, avaliador ou simples passageiro.Tem que carregar um olhar de quem já “viveu” e olhou de “verdade” no fundo dos olhos de quem no seu dia-a-dia, constrói um eterno e marcante, cotidiano escolar. (trecho do documento escrito pelas professoras no CIEP 413 Adão Pereira Nunes)
O alerta das professoras do CIEP 413, ao dar voz a sentimentos de desqualificação e críticas antigas do próprio professorado às formas como a Universidade vem se relacionando com a escola básica, corroboram os desafios do Vozes, no sentido tanto da “abertura ao outro”, quanto ao compromisso político de reafirmar o caráter público e democrático da Universidade.

Somos, no Núcleo de pesquisa e extensão Vozes da Educação: memória e história da escolas de São Gonçalo, um grupo heterogêneo de professoras e alunas unidas por uma paixão – a pesquisa e o magistério – e pelo compromisso político com a democratização e socialização do conhecimento que, por sua vez, fundamenta uma visão de Universidade organicamente estruturada em função de sua responsabilidade social. O trabalho do núcleo pensado nesse sentido nos possibilitou ganhar nova feição, contribuindo sobremaneira para dar uma outra dinâmica à nossa inserção no Departamento de Educação, através da articulação e do intercâmbio interdepartamental entre os docentes no interior da Faculdade de Formação de Professores.

A iniciativa de criação do núcleo, revelou-se ainda significativa à medida que aproximou a UERJ/FFP das escolas públicas do município de São Gonçalo ; envolveu estudantes na constituição de um acervo documental valorizador da preservação da memória educacional deste município; tem estimulado o registro e a produção da história da educação local, permitindo também, um balanço da nossa ação cidadã como profissionais da educação.

Acreditamos, porém, que uma das mais ricas possibilidades do Núcleo vem sendo apontar novos caminhos para a formação de professores, onde as categorias memória e história são complexificadas ganhando centralidade na formação do professor-pesquisador, à medida que a focalização de aspectos do passado, utilizando “os óculos do presente” nos leva a construir bases mais vigorosas e criativas para nossas ações de formação.

Ensaiando uma conclusão ainda que provisória, a partir dos movimentos vividos dentro do Núcleo de pesquisa e extensão Vozes da Educação: memória e história da escolas de São Gonçalo, poderíamos nos juntar a outras vozes como as de Boaventura Santos, Freire, Park, dentre tantos outras que defendem como Valêncio (1999) a possibilidade de conceber a extensão não como um momento subseqüente ao ensino e à pesquisa, mas como um locus de exercício da prática dialógica, que urge ser incorporada na construção de um paradigma emancipatório de Universidade Pública.
Referências bibliográficas:
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia.São Paulo: Cortez,1997.

____ Extensão ou comunicação? Petrópolis: Vozes, 1971.

PARK, Margareth. (org.) Memória em Movimento na Formação de Professores. Campinas: Mercado das Letras, 2001.

RELATÓRIO DO NÚCLEO DE PESQUISA E EXTENSÃO VOZES EM EDUCAÇÃO: MEMÓRIA E HISTÓRIA DA ESCOLAS DE SÃO GONÇALO, PERÍODO 1997/2002, São Gonçalo, mimeo

SANTOS, Boaventura Santos. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência. São Paulo: Cortez, 2000.

______ Pela mão de Alice. O social e o político na pós-modernidade. 5.ed. Porto Alegre: Afrontamento,1999.

VALÊNCIO, N.F.L.S. A indissociabilidade entre ensino-pesquisa/extensão: verdades e mentiras sobre o pensar e o fazer da Universidade Pública no Brasil. In: Revista Proposta nº. 83, dez/fev,. Rio de Janeiro: Fase editora, 1999.




1 A pesquisa intitulada Cotidiano escolar – a memória entrelaçando presente, passado e futuro foi realizada pelas alunas do 8º. Período do Curso de Pedagogia :Márcia Rodrigues, Renata Mujo, Rosiane Santana, Shirlei Cruz, Simone Nascimento sob a orientação da Profª. Regina de Fátima de Jesus pesquisadora do Núcleo de Pesquisa e Extensão Memória e História das Escolas de São Gonçalo

2 Retratos Municipais – Região Metropolitana do Rio de Janeiro de 1996

3 Entre eles os curso de extensão Vozes da Educação: 500 anos de Brasil e Afrodescendência, diversidade cultural e educação, bem como o primeiro Seminário Nacional de Educação Paulo Freire na Contemporaneidade.

4 A tese intitulada As Missões Culturais no Estado do Rio de Janeiro: jornadas educacionais entre o assistencialismo religioso e o missionarismo político, defendida junto à UNICAMP em set. 2000, por Martha Hees , a tese Os pequenos e a cidade: o papel da escola na construção de uma alfabetização cidadã, defendida junto à UFRJ, em março de 2003, por Maria Tereza Goudard Tavares e a tese intitulada Ambiente alfabetizador :a luta pela qualidade de ensino nas escolas das classes populares,defendida junto à UFRJ,em 2003 por Mairce Araújo


5 Os movimentos comunitários em São Gonçalo: fluxo e refluxo. Monografia de final de Curso/ História, elaborada por Rosemaura da Silva, em set/ 2002 orientada por Maria Tereza Goudard Tavares. Classe em cooperação Manuel de Souza: a busca por uma educação infantil cidadã. Monografia de pós-graduação lato sensu do Curso Alfabetização das crianças das classes populares, na UFF, em junho/2003, orientada por Jacqueline Morais e Mairce Araújo.


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