Memória Histórica de São João de Meriti



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Memória
Histórica
de
São João de Meriti
Ao povo é que dedico este pequeno esboço de Grandeza de Sua História. O torrão meritiense cresceu com o suor de seus filhos. Hoje fulgura na constelação dos municípios fluminenses, como astro de primeira expoência. É o gigante da fronteira que o viajor contempla maravilhado, pelo seu progresso.


Arlindo de Medeiros
Edição – 1958

ARLINDO DE MEDEIROS

Memória História
de
São João de Meriti

A conclusão desta obra se deu pelo integral apoio do prefeito Domingos Corrêa da Costa.

São João de Meriti
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P R E Â M B U L O
É árdua a missão de elucidar, de forma fulgurante, os motivos precípuos, que nos impulsionam no sentido de uma obra.
Avolumam-se as dificuldades, quando o obreiro é um plumitivo e vê, perlustrando os horizontes, as aves ciclópicas do saber, em olímpicas alações.
Este livro veio a lume, pelo integral apoio que teve do prefeito Domingos Corrêa da Costa, que, há muito, via ampliar-se a indescritível lacuna que iria toldar o espaço da História, com a projeção obtusa de uma atroz indiferença.
O Comércio e a Indústria, deram provas sobejas, de estarem possuídos de alto espírito de patriotismo e comungar com as iniciativas, que visam melhorar o nível mental de nosso povo.
É bem verdade que muita coisa ficou à margem deste compêndio, atirado pelas sérias dificuldades em obter informações positivas ou documentar os acontecimentos.
Mas, o historiador do porvir encontrará aqui um ponto de partida, para atingir o seu preeminente objetivo.
Razões de ordem financeiras, fizeram com que este trabalho sofresse retardamento. A par com esse fator, houve outro de maior relevância que merece o desprezo dos homens sinceros, que foi a descrença dos nulos, sempre dispostos a desanimar aos que sonham.
Não pude consultar os arquivos da Câmara de Nova Iguaçu, Duque de Caxias e outros lugares, em decorrência da exigüidade de tempo.
Poucas vezes menciono os nomes de Getúlio Barbosa de Moura e Natalício Tenório Cavalcante, políticos influentes, em toda a região desta Cidade Nervosa.
É muito difícil fazer um livro. Mas, conto com a gentileza de meus patrícios. O meu trabalho é, tão somente, não deixar que a nossa história dilua-se no vazio do anonimato.
Peço a Deus que o historiador de Amanhã, encontre neste livrinho algo que mereça a sua apreciação.
Dar-me-ei, assim, por feliz

ARLINDO DE MEDEIROS

ESPLENDOR DO CANAL HISTÓRICO

O mundo marcha; quem se detiver será esmagado e o mundo continuará marchando.
Balmes


O CANAL HISTÓRICO

O antigo Canal da Pavuna, teve a sua preponderância no desenvolvimento das terras de São João de Meriti. Em todos os documentos e informações, encontrei sempre a afirmação categórica de que o Arraial de Nossa Senhora do Desterro da Pavuna, tinha perfeita conexão com Meriti ou Trairaponga. No ano de 1919, para robustecer a opinião em foco, o Arraial de Pavuna, juntamente com São João de Meriti, faziam parte do 4º. Distrito de Nova Iguaçu, de conformidade com o decreto-lei n. 1.634. Mas, posteriormente, houve o caso Sebastião A. Negreiros e tudo voltou a estaca zero. Mas, voltemos ao Canal, que foi construído no meado do século XIX, por influência do Comendador Guerra, que gozava dos favores da Coroa, como senhor de escravos e de grandes propriedades. Dir-se-ia, que essa obra teve seu início com a alta finalidade de sanear a região. Visava ligar a Baía da Guanabara com o porto de Sepetiba. Mas, logo depois de sua abertura, notou-se que as marés afluíam de forma regular, propiciando calado para pequenas embarcações. Daí o seu aproveitamento imediato durante décadas, pelos senhores de terras, que habitavam este recanto da Baixada da Guanabara. As canoas cortavam as águas em demanda da Capital, levando para outros mercados, o milho, o feijão, o açúcar, a aguardente e vários produtos dos engenhos e da lavoura. Houve obstrução parcial do Canal por parte da devastação das matas e ele ficou algum tempo desértico, dado ao difícil acesso das embarcações através de sua corrente, povoada de troncos, vegetações aquáticas, e a febre que grassava pela região, de forma virulenta. No ano de 1886, aproximadamente, houve o movimento de reabertura do Canal. Preparou-se uma das mais belas festas na terra. E, num dia qualquer, deste mesmo ano, compareceu à fazenda da Conceição, toda ornamentada de bandeiras, sobretudo o trapiche, na zona do Porto o imortal brasileiro, José do Patrocínio. O tribunício “colored”, astro de primeira água na política Nacional, aureolado pelo favoritismo da Princesa Isabel, matizou de esperanças a paisagem agreste, da terra meritiense, ainda nos alvores. Lá compareceram os donos de quase todas as fazendas da localidade. Todos com trajes que bem diziam a imponência da festa e a importância da visita. Lá pelas tantas, o Capitão Salustiano, convidou o Libertador para fazer uma visita à igreja de Meriti, que estava no alicerce, e é a que ainda existe. O visitante, segundo narração de Dona Laura Freire de Arruda, acompanhou o capitão à sua fazenda , que ficava no ponto em que atualmente se encontra a rua Ramiro Gonçalves, e hospedou-se na sua casa grande, já desaparecida. À noite, numa palestra que tivera, José do Patrocínio disse aos circundantes, que em obediência a uma promessa feita, daria para a construção da igreja, a vultosa soma de “trinta contos”. Como também, por intercessão sua, a Princesa Isabel ofertou além de diversos castiçais, a pia batismal, que tudo leva a crer não seja mais a que está na igreja. Conta-se também que José do Patrocínio cumpriu a promessa feita, doando a quantia prometida, e que foi a pedra basilar, que facilitou a edificação do Templo, que, em linhas gerais, sofreu poucas modificações. É, portanto, fora de dúvida, que a Igreja Matriz, não possui a idade que muita gente quer atribuir, quando confunde a mesma com a Igreja de Trairaponga. É verdade que nem Monsenhor Pizarro, nem Milliet de Saint Adolfo, dizem o nome da Igreja, construída à margem do rio Meriti, depois da ruína de Trairaponga.
Vários documentos preciosos desapareceram da Igreja, no ano de 1916, quando lavrou um incêndio, por formas inexplicáveis, destruindo grande parte do seu mobiliário e arquivo.
Estribando em informações de Matoso Maia, existia na época como meio de transporte, diversos barcos de propriedade particular, que flutuavam sobre o rio da Pavuna. Num computo geral contava-se 14 portos de São João de Meriti ao rio Sarapuí. No rio Meriti, propriamente, havia três barcos. Louvado ainda no mesmo autor, havia no Engenho Velho, o sargento-mór José Dias de Oliveira, que possuía uma canoa; o da Pedra do padre José Rodrigues, com uma canoa; o de Pedro Álvares Roiz, que possuía duas canoas de pesca; do de Pau Ferro, de Francisco Pupo Corrêa, com 1 barco e duas canoas; da Valla, de Catarina Maria Mendonça, com um barco; do capitão José Antonio Barbosa, com um barco e uma canoa; o de Anna Ferreira, com um barco; o da Chácara (Xacara) de Inácio Roiz e Antonio Martins; o de João da Silva, com três canoas; do capitão João Pereira de Lima Gramacho, com um barco e uma canoa; o do mestre de campo Bartolomeu José Bahia, com um barco e o do Capitão Pedro Alves Frique que não está enumerado, pelo autor.
No governo do Marques do Lavradio, a região estava no fastígio, e pela Revista do Instituto Histórico, em seu tomo 76, há um perfeito retrato da situação que predominava. Por este caminho marítimo, que só permitia passagem de barcos exíguos espremidos entre as duas margens, recobertas de vegetações, é que os colonos podiam penetrar o sertão. Foi pelo Canal de Pavuna, que o sábio francês, Augusto Saint Hilaire, penetrou no âmago da terra Fluminense, e pode escrever as suas célebres “Viagens Pelas Províncias do Rio de Janeiro”. Convém acrescentar: todas as jornadas para as Minas Gerais, eram através de Meriti, que pelo caminho marítimo em entroncamento em Pavuna quer pelo terrestre, preferido mais a miúde pelos tropeiros. Ficou célebre pela sua importância em talar os sertões fluminenses em busca do “hinterland”, mineiro a “Estrada de Minas”, que por decisão da Câmara municipal de São João de Meriti, tomou o nome do brilhante político Getulio Barbosa de Moura.
O famoso naturalista francês Augusto de Saint Hilaire, em suas famosas viagens, descreve parte da região de Meriti. Diz aquele homem de ciência, que “depois de ter abandonado a Ilha do Governador, rumou pela foz do rio Meriti. Na parte que subiu e referido rio, o seu curso era apenas sensível. Suas águas eram salobras. Atravessavam terras abaixas, pantanosas. Essas terras alagadiças eram inteiramente cobertas de árvores aquáticas. Ninguém pensava em aproveitá-las. Mas, para o futuro, com o crescimento do Rio de Janeiro, a região teria que se desenvolver”. De fato o naturalista Augusto de Saint Hilaire, previa o expoente de grandiosidades que seria Meriti, na História da Velha Província.
Mas, naquelas priscas eras, progredia na Freguesia de São João Batista de Meriti, os engenhos que abaixo transcrevo, em sincronia com a informação do Tomo 76 parte 1ª. da Revista do Instituto Histórico e corroborada por Matoso Maia, em seu livro “Memórias da Fundação de Iguassú” (Iguaçu).
O engenho do Porto, que apesar de não encontrar documentos para cimentar minha idéia, enuncio que era o do Porto de Pavuna, do tenente Manuel “Mis” dos Santos, que possuía 50 escravos, produzindo anualmente 15 caixas de açúcar, entre branco e mascavo, e 6 pipas de aguardente.
O de Nossa Senhora da Ajuda, de Francisco “Mis” que fazia 8 caixas de açúcar, 3 pipas de aguardente e possuía tão somente 32 escravos;
O da Covanca, de Marcelino Costa Barros que passou ao domínio de Conselheiro Alves Carneiro que possuía 20 escravos e só produzia 5 caixas de açúcar e 6 pipas de aguardente, demonstração típica de ineficiência. Diga-se que Costa Barros, pela delimitação existente, estava relacionada na Freguesia de São João Batista de Meriti, considerando, outrossim, os limites com a freguesia de Irajá.
O do Barbosa, de propriedade do capitão mor Domingos Viana, que em 1864 foi vendido ao Comendador Telles, ancestral da tradiconal família Teles de Menezes, cuja sede, até bem pouco, ainda existia no Vilar dos Teles, no lugar chamado Fazenda Velha. Esse engenho possuía 30 escravos e produzia 11 caixas de açúcar e outras tantas pipas de aguardente;
O de Nossa Senhora do Desterro de Pavuna, do capitão Inácio Rodrigues da Silva, que foi para as mãos do Visconde Bonfim que contava com 50 escravos, tinha uma produção pobre de 5 caixas de açúcar e 5 de aguardente;
O de São Mateus, do alferes Ambrosio de Souza, depois propriedade do Barão de Mesquita, de grande produção, com 50 escravos, fazia 30 caixas de açúcar, de 14 pipas de aguardente. A sua sede ficava nas terras do atual município de Nilópolis e suas ruínas ainda desafiam o tempo;
O de Bananal, do capitão Ayres Pinto, ascendente de Teixeira Pinto, família de origem paulista, que ficava em Engenheiro Belford, no lugar em que está uma avenida de Virgílio Machado. Ali por vastos anos viveu o Major Augusto César da Silva Pinto, herdeiro das terras que margeavam o rio Pavuna. Parte da família do Comendador Teixeira Pinto ainda vive no lugar denominado Brigituva, em Cruzeiro, Estado de São Paulo, e parte em São João de Meriti, no perímetro onde existiu outrora a antiga fazenda. Nos primórdios do Bananal com seus vinte escravos fazia 10 caixas de açúcar e 3 pipas de aguardente;
O de Gericinó ou Jerixinó de D. Maria de Andrade foi para o domínio do Visconde de Barbacena que possuía 37 escravos e obtinha 7 caixas de açúcar e 2 pipas de aguardente. Note-se que Gericinó fica atualmente para o lado do Distrito Federal e examine-se ainda a extensão da antiga freguesia. Muitas terras foram relacionadas como Rio de Janeiro, mas os documentos estão aí provando a realidade dos fatos;
O do Capitão Miguel Cabral com 18 escravos fabricando 13 caixas de açúcar e meia pipa de aguardente;
A engenhoca de João Pereira Lemos, que fazia 5 pipas de aguardente e possuía 7 escravos;
E o de Antonio da Rocha Rosa, que não é ascendente de Manuel da Rosa, conforme versões movidas por simples analogia. Este possuía 16 escravos e fazia 12 pipas de aguardente.
Todo o produto era transportado para outros mercados através do histórico canal da Pavuna com os seus 14 portos e as suas diversas modalidades de pequenas embarcações.
Por via terrestre eram penosas as caminhadas, que cortavam terrenos pantanosos, onde a febre quase sempre contaminavam os troupeiros que com seus muares jornadeiavam pela região.
Nesta terra onde tudo se destrói não existe um marco que possa recordar o fausto de uma época. Perdeu-se na voragem do tempo o significado do canal de Pavuna. Os contemporâneos vagamente se lembram de seu valor na construção de nossos destinos. Em seu ponto principal, que fora visitado por senhores ilustres, que deslumbravam os habitantes da Freguesia, ergue-se atualmente, uma parada de ônibus¹. Nem uma placa para rememorar um fato de importância capital.
Destroçamos nossa tradição.
Esta verdade, comove os espíritos mais esclarecidos.

¹ O ponto ficava depois da primeira rua, à esquerda de quem vai para o Distrito Federal. Havia ali também a famosa Bica da Mulata, que a mesma mentalidade que destruiu o Canal, arrancou-a para lugar ignorado. O trapiche ainda pode ser visto, em sua última agonia. Os apologistas da indiferença histórica, erguem no ponto em que houve tanto esplendor, uma simples parada de ônibus. Nem uma placa para rememorar um passado de glória. Fez-se dessa maneira a vontade dos arrasadores de tradição, que o mundo oficial, corroborou na sua eterna incapacidade.

T R A D I Ç Ã O
NOMES ILUSTRES DE ESTADISTAS
DO IMPÉRIO

As terras da velha Freguesia de São João de Meriti, abrigavam personagens ilustres entre eles renomados estadistas do Império. Dos vultos de maior proeminência, que viveram longos anos nas terras meritienses, é honroso citar o marquês de Barbacena ou melhor Felisberto Caldeira Brant. Possuía, aquele importante homem público, uma grande fazenda em São João de Meriti, onde, nos dias obscuros de sua vida, quando apagou-se o prestígio junto ao imperador Pedro I, fez o seu ostracismo. Há merecer citação que o marquês, muitas vezes, esteve no Arraial de Pavuna, visitando, também, a zona, no fastígio de seu progresso agrícola. O Visconde de Barbacena, fez diversas obras nas terras circunvisinhas, entre elas a canalização de um braço do Sarapuí, com seis eclusas e a regularização do curso deste rio. Teve em suas mãos uma concessão para fazer a via férrea entre o Brejo e as margens do Guandu, com a atenuante de estender um ramal até Vila Iguaçu, o que, entretanto, não se concretizou. Ocupou a presidência da Província do Rio de Janeiro em 7 de junho até 9 de outubro de 1848.
Encontrei na Pasta de Documentos Municipais do I.B.G.E., uma reportagem sobre São João de Meriti, feita pelo jornal “O ESTADO” que informa ter nascido em Meriti, no ano de 1787, o nobre Manuel Lopes Pereira Bahia, primeiro e único Barão de Meriti. Este personagem, que tudo indica não tenha sido natural da terra meritiense, pela ausência de indentificação documental, faleceu em 26-02-1860 nada constando de sua descendência e nem notícias onde repousam seus restos mortais. Podemos atestar, entretanto, que o Barão de Meriti gozou de prestígio nos tempos imperiais, tanto que figura na história do baronato;
Outro figurão da época que habitou a região no século passado sobretudo, foi Idelfonso de Oliveira Caldeira Brant, agraciado com o título de Visconde de Gericinó. Este era irmão do marquês de Barbacena, família que tinha raízes na mais alta linhagem da nobreza luzitana. Pelo estudo genealógico feito por Rodrigo Otávio, na citação de Matoso Maia, Caldeira Brant era descendente de D. João III, duque de Brabante;
O Comendador Pedro Antonio Teles Barreto de Menezes, que descendia também, conforme o brazão da família, dos nobres portugueses. Foi cavalheiro da Ordem de Cristo e viveu nas terras que batizadas como Vilar dos Teles, no 3º. Distrito de São João de Meriti, em homenagem a tradicional família;
O Conselheiro Alves Carneiro, que era dono do engenho da Covanca ou Cobanca; Antonio Tavares Guerra que foi senhor da fazenda Cara de Pato que na opinião do dr. Walter Freire Arruda, depois passou a se chamar Carrapato. O comendador Guerra foi homem de poder e influência na região durante vários anos.
Citamos ainda os que foram donos de terra em Meriti, como Tranqueira, que os restos de sua fazenda em vias de demolição ainda existem na rua da Matriz, um pouco além das cabeceiras da Maria Augusta; D. Maria Lucina, que ainda se vê o seu velho casarão na rua Mauro Arruda; Major Augusto Cezar, juiz de paz, homem caridoso, benfeitor de igreja; Dona Maria Peixoto, avó de Virgílio Azambuja Monteiro, que fez doação das terras onde atualmente se encontra o Hospital de Caridade. Se ingratidões houvessem o compilador registra aqui as suas homenagens, a veneranda senhora e ao seu neto.

TEATRO E IMPRENSA

A imprensa é a imensa e sagrada locomotiva do progresso.


Victor Hugo

I M P R E N S A

Investigações feitas nesse campo colimando reconstruir à luz desapaixonada da História os fatores capitais de nossa florescência cultural, possibilitaram a veicular o material que avulta neste capítulo de primacial importância. À mingua de melhores informes, apresento minhas escusas, se a pálida contribuição não satisfizer os espíritos mais exigentes.
O primeiro jornal que apareceu no ciclo em que se formava o clima social, semente que iria germinar o ideal de liberdade e progresso de São João de Meriti, foi o “Foról”. Esse periódico teve vida efêmera, quer pelas dificuldades em sua manutenção, quer pela orientação insidiosa que teve.
Logo depois, aparecia no mesmo espaço um outro jornal “A Marreta”, sob a direção do atual capitalista Amadeu Lanziloti. Ao que soubemos esse periódico chegou a possuir oficinas próprias, mas o seu dono, desgostoso com os insucessos políticos, colhidos pelas campanhas encetadas por seu jornal, se afastou da direção da empresa, que veio também a falir.
Entrementes surgiu também o “O Limite” sob a direção de José Muniz, jornalzinho que procurava fortalecer os ideais de libertação de nossa terra. O seu proprietário, moço pobre, como todo jornalista, não pode continuar o seu trabalho e o seu jornal, carente de recursos, também desapareceu da circulação.
Nessa inquieta transição de nossa vida política, surgiu outros pequenos jornais. Podemos citar “Garota Fluminense”, “14 de dezembro”, etc. Esses veículos de imprensa não tiveram êxito. Apenas criou no espírito do povo o sentido de independência, que jazia adormecido, sem perspectivas de alar-se pelo infinito, em busca de glória.
Com o advento da ditadura do senhor Getúlio Vargas, serenou os bombardeios das opiniões e a Imprensa, com sua majestade, ficou tolhida de exercer a sua verdadeira finalidade. E enquanto durou aquele Regime de exceção não se tem notícias de ter aparecido na terra nenhum jornal. Com o raiar da Nova Era os homens de Imprensa saíram para a arena e continuaram a sua brilhante faina. Foram semear o campo com os ensinamentos de liberdade e de Justiça. A voz da Imprensa trovejou.
Aqui abrimos um parênteses para enumerar o Jornal de São João de Meriti que apareceu sob a direção do senhor Luiz de Araújo Marques e tendo como redator Emannuel dos Santos Soares. Era um jornal bem feito, noticioso e informativo.
Paralelamente surgiu o Jornal do Povo, direção de Silvio Goulart e Abílio Teixeira de Aguiar. Não podemos afiançar se em primeiro lugar veio o jornal de Luiz de Matos, uma vez que o Jornal do Povo, só apareceu quando o seu diretor terminou com a “Tribuna de Caxias”, que também circulou muito tempo no então 2º. Distrito de Duque de Caxias.
Assim, objetivando, tudo leva a crer tenha o Jornal de São João de Meriti aparecido com a “Tribuna de Caxias” o mais antigo.
Antes de encerrar este capítulo quero lembrar um jornal bem trabalhado, a “Tribuna Fluminense” talvez o mais bem feito que já apareceu em Meriti, dirigido pelo veterano profissional de o “O Globo”, Antenor dos Santos, com a colaboração de Amadeu Lanziloti. Este jornal propugnava pela independência de Meriti e teve parte preponderante nessa luta. Depois surgiram as dificuldades e ele seguiu o caminho o ostracismo.
Na época, também circulava a revista “Voz de Meriti”, que foi considerada a melhor que já apareceu nesta parte da Baixada. Era dirigida pelo poeta Virgílio de Alcântara, rapaz esforçado e inteligentes e Osvaldo de Oliveira, secundados por Edgard Esteves, Wilson Rocha, Higino Fernandes e outros. Era órgão apolítico, mas que entrou em decomposição, justamente porque alguns de seus membros queriam torcer a sua finalidade.
Tivemos, posteriormente, a “Revista Fluminense”, de propriedade de Otávio Duarte, que apesar de possuir oficinas, não foi além de alguns números.
Merece citação também o jornal “Tribuna Democrática”, de Sebastião de Azambuja Ribeiro, que não obstante lutar com uma montanha de dificuldades deixando de circular normalmente, vem resistindo a ação do tempo.
Nos primórdios, circulava na sede do município, situada em Iguaçu, o jornal “Correio de Iguaçu”, sob a direção do jornalista Silvio Goulart, que também entrou para a obscuridade, pois o terreno foi sempre hostil ao jornalismo.
Pela observância dos fatos depreende-se que em toda a zona, o órgão de imprensa mais antigo é o “Correio da Lavoura” de Silvino de Azevedo, que há largos anos circula normalmente na Cidade dos Laranjais. Quiçá o mencionado periódico, é o mais velho da Baixada da Guanabara, depois do “Libertador”, fundado em 1887 por José Antonio de Barros Júnior, que saiu de circulação.
Existiu ainda em Meriti “A Voz dos Municípios”, de Nilo Gimenes, Rufino Gomes Júnior, jornalista fulgurante; A Tribuna do Comércio; “Tribuna Democrata”, de Rocha Maia e Élson Costa, mas o único que resiste ao tempo é o Jornal do Povo, atualmente sob a direção de Newton Goulart, moço inteligente e futuroso.
Esta deveria ser, a meu gosto, a galeria de honra a todos que lutaram pela arte de Gutemberg neste recanto da Gleba Fluminense. Se cometi algum engano, foi sem a menor consciência deste ato.
Aí fica o capítulo que gostaria tivesse sido escrito com rara perfeição.


T E A T R O
Houve sempre os adeptos da difícil arte de Talma, nesta terra de Meriti.
No raiar de nossa existência, havia os teatrinhos, formados por grupos familiares, que representavam para os espectadores íntimos, sem o revestimento técnico, exigido pelos profissionais.
Constitui tarefa espinhosa, enumerar nesta fase embrionária os grupos indistintos, que se formavam no seio de cada família, mais com caráter de diversão de que com a intenção de fazer teatro, na expressão do vocábulo ...
Mais, ainda paira na lembrança de muitos os Escoteiros São Jorge, de Engenheiro Belford, onde havia o chamado teatrinho do Sargento Otacílio, isso pelo ano de 1936, que foi durante muito tempo, o maior centro de atrações do quarto distrito de Iguaçu.
Há quem diga também na existência de um teatrinho na Matriz, há vários anos atrás, que representava somente peças sacras nas épocas da Semana Santa, ao tempo do D. Plácido Brodrs, que seria o pioneiro do teatro.
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