Memória Histórica de São João de Meriti



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O teatro com público e peças modernas, foi introduzido no Município, pelo ator Virgílio de Alcântara, com o grupo Paz e Amor. Logo, depois, com o desaparecimento do “Paz e Amor”, formou-se o Grupo Para Sempre Unidos, sob a direção de Joaquim da Cruz e Virgílio de Alcântara, tomando parte como elementos integrantes, os atores Nicolau Dias Barão, Edgard Esteves, Fernando Duarte e Guiomar Esteves da Silva. Esse grupo marcou época em Meriti, e tanto entusiasmo insuflou no povo, que se chegou a cogitar da instalação de um teatro municipal, o que, desgraçadamente não encontrou o apoio oficial e os interessados, decepcionados, abandonaram a idéia, e concumitantemente a Ribalta.
Dos atores do passado ainda se mantém no tablado o Nicolau Dias Barão, que é um ótimo artista, tendo ainda um acendrado amor ao teatro.
A Matriz, de Meriti, abriu em seus novos salões um palco, onde abriga os astros que sonham com a vida teatral. Tem logrado êxito, as peças sacras levadas à cena, nos salões veneráveis da Igreja Matriz.
O grupo de São Genésio, está sob a orientação de Anunciação, um dos devotados batalhadores da difícil arte. Os trabalhos são supervisionados pelos padres, que joeiram as peças, não consentindo que o sabor do Belo seja conspurgado, pelas literaturas ruins ou pelo gosto obsceno de autores medíocres.
Entre os atores meritienses que mais se destacaram vale mencionar indiscutivelmente José Mesquita, que atua presentemente em algumas emissoras do Rio, e Áurea Paiva, estrela de primeira ordem, na capital do País.
Outros nomes não lembrarei para evitar citações, mas todos são talentosos, acrescendo apenas a circunstância de não terem interesse em se profissionalizar.
Quanto a nossa messe intelectual estiver mais recamada de flóreas ilustrações artísticas, indubitavelmente não ficarão à margem esses cavaleiros da beleza, que sonham em materizar na Ribalta, os personagens criados nos sonhos indesritíveis dos escritores e dos poetas.
Cumpre ainda encarecer o trabalho feito em favor do teatro pelo veterano ator Marciano Fernandes de Lima, que em Vila Rosali, foi o primeiro a levar para o povo, as belezas da arte cênica.
No campo das letras tem se destacado Adalberto Boanerges Vieira, auto de vários livros. Arnaldo de Castro, Plácido Figueiredo, Silvio Goulart, Abílio Teixeira de Aguiar, Rufino Gomes Júnior, Mussuline Daher, e Caetano Regis Batista, lograram êxito no jornalismo, sobretudo os de “Jornal do Povo” e Caetana, que é poetisa de bom quilate.


ELEMENTO HISTÓRICO

Aquele que desconhece a história, toda a vida será criança.
Cícero


A colonização das terras que atualmente constituem o município de São João de Meriti, com uma área de 33 K² teve início na metade do Século XVI.
O seu desbravamento está ligado ao desenvolvimento de São Sebastião do Rio de Janeiro, cujos primeiros governantes buscaram alargar sua jurisdição pelas terras que margeiam a Baía da Guanabara.
Há merecer citação a aluzão de Mattoso Maia Forte, de que o povoamento da planície que se derrama pelos bordos dos rios Meriti e Estrela ou Inhomirim, e da Baía à orla das serras, provém do tempo em que se iniciou o aproveitamento das terras da Fronteira do Rio de Janeiro e o povoamento da cidade fundada por Mem de Sá, que pelo seu espírito de sacrifício, conseguiu expulsar os aventureiros franceses, assegurando a posse das terras portuguesas, em definitivo.
Esta região era povoada pelos Tamoios, que na opinião de Pedro Guedes Alcoforado, em seu livro “O Tupi na Geografia Fluminense”, afiança ser povos antigos ou para usar a sua própria versão: “Os Tamaios, se julgavam conhecedores de vários segredos, por isso, eram tidos como avós”. O seu maior mártir foi o tuchau Supuguaçu que Salema, atraiçou, exterminando, em um só dia, mais de 2000 selvículas.
Entre os agraciados pela coroa, figura Brás Cubas, que é o provedor da Fazenda Real, e das capitanias de São Vicente e Santo Amaro, tendo fundado a cidade de Santos, em São Paulo, onde foi erigido em sua memória uma expressiva estátua.
Revolvendo vários compêndios, com o propósito de pesquisar, encontrei, no trabalho de Mattoso Maia, (Memória da Fundação de Iguaçu) que o nome da cidade é originário do rio que nasce com o nome de Maranguá na vertente de uma serra próxima da antiga linha de tiros do Exército Brasileiro, em Realengo, Distrito Federal, formando-se da confluência dos córregos Santa Catarina e Meirinho. Corre para Nordeste, vindo de Sudoeste, até Deodoro onde engrossa com as águas do Piraquara e Caldeireiros, vindo ambos da serra da Barata.
Por falta absoluta de referências positivas a acidentes geográficos, existe uma corrente que coloca em situação discutível, os cursos dos rios Meriti e Acari.
O fato já deu motivo a várias querelas, tendo inclusive forçado um arbitramento por parte do presidente Epitácio Pessoa.
Ora, como está claro na planta feita pelo Instituto Cartográfico, Guanabara Barreiros, em 1949, constante da pasta de documentos municipais, do I.B.G.E., o rio Meriti começa onde está a Vila Pedro II.
Daí conclui-se com facilidade que esse rio nasce das confluências dos rios Pavuna com o Acari.
O aterro do histórico canal de Pavuna, provocou uma dúvida quanto a posição real da fronteira. O que houve, positivamente, foi o desvio do rio para dentro de uma parte do canal e no futuro ameaça desaparecer os vestígios do velho leito do rio Pavuna, podendo suscitar controvérsias ...
Mas, por enquanto, o que nos desafia, com o seu emaranhado de confusões, é a trilha para atingir mais altos níveis dos fatos históricos.
Vamos tentar demonstrar que as “entradas” pelos vales da Baixada Fluminense, a partir das “barreiras vermelhas” que se estendiam da praia de Boa Viagem ao Gragoatá, cuja sesmaria coube a Antonio de Marins, que desistiu, sendo a mesma doada ao valente Arariboia, estendia-se até ao Meriti correndo pelo extenso semi-círculo da Baía da Guanabara.
As doações feitas no Aguaçu, Guaguaçu, Iguassu ou Iguaçu, de conformidade com a Revista do Instituto Histórico, Tomo 63, livro 4, e Publicações do Arquivo Público V, instruem, dessa maneira, as que foram doadas em 1568 e em 1569.
Brás Cubas, recebeu do Governador, no ano de 1568, aproximadamente 3000 braças de terra de testada pela costa do mar e 9000 de fundos, pelo rio Meriti ou “Miriti”, “correndo pela piassaba da aldeia de Jacotinga” e outras que tocou a Pedro Cuba, com 300 braças de testada e 6000 de fundos nas cabeceiras de Brás.

Mas, Pedro Cubas, desleixou-se e a sua propriedade foi transferida para Antonio Vaz, Manuel da Costa, Antonio Fernandes, Andrade de Araújo e outros.
Há mister, rememorar que a jurisdição do Rio de Janeiro se estendia de Cabo Frio, Serra de Marica, Vila Santo Antônio de Sá de Macacu, rios da Aldeia e Guaxindiba, daí buscando o rio Magé, Serra dos Órgãos, pelo Paquequer, rios Paraíba e Paraibuna, e destes pelos sertões de Itaguaí, fazendo um total de Norte a Sul, de vinte e três léguas e do Oriente a Ocidente de vinte e quatro léguas.
No perímetro compreendido na exposição anterior, é que se formou a maior parte das freguesias, inclusive a de “Iguassu”, “Miriti”, e outras. Essa opinião é apreciada por historiadores renomados e não encontrei razões para desprezar ou modificar a sua substância.
Nas “Memórias Públicas e Econômicas do Rio de Janeiro”, para uso do Vice-rei Luis de Vasconcelos, figuram como elementos que formavam o interior da capitania do Rio de Janeiro, um infinidade de freguesias, e como parte “fora de muros” o que quer dizer, o subúrbio, as abaixo descritas:
- Nossa Senhora de Marapicu (atual Queimados) com 902 habitantes livres e 919 escravos;

- Santo Antonio de Jacutinga (Maxambomba) com 1.402 habitantes livres e 2.138 escravos;

- São João de Meriti (Trairaponga) com 638 habitantes livres e 978 escravos;

- Nossa Senhora da Piedade de Iguassu (Antigo) 963 habitantes livres e 1.219 escravos;

- Nossa Senhora do Pilar (Em Caxias) com 2.007 habitantes livres e 1.868 escravos;
O cômputo geral era de 5.932 habitantes livres e 7.122 escravos. Daí é que se denota que o braço escravo teve fator preponderante nas terras fluminenses. E para efeito de citação, destacamos Meriti ou São João de Meriti, que no alvorecer de sua história tinha o solo regado pelo suor do negro, que Castro Alves imortalizou, em “Navios Negreiros”.
Devemos atinar para a denominação Meriti, que tem conexão perfeita com Duque de Caxias. A pessoa desavisada pode ficar mergulhada num mar de confusões. Podemos adiantar para servir de bússula, que esta região, que se estendia do Oceano Atlântico a Marapicu e Santo Antonio de Jacutinga a Campo Grande e Irajá, teve duas denominações São João Batista, de Trairaponga, e São João Batista, de Meriti.
Mas, voltemos à meada, da qual nos afastamos para melhor ilustrar o nosso ponto de vista. Monsenhor Pizarro, em suas Memórias Históricas do Rio de Janeiro, nos dá notícia de uma população muito maior, no ano de 1795, conforme exaramos abaixo:
Fogos Habs.

Marapicu ............. 170 1.650

Jacutinga ............. 350 3.506

Meriti .................... 216 1.730

Iguassu ou Iguaçu 700 6.142

Pilar ...................... 560 4.000
Encontra-se, assim, nesta encruzilhada dos destinos, quando Pizarro fazia o levantamento da região, uma média de 216 casas e 1.730 habitantes, nas terras onde atualmente fica São João de Meriti. Se fizermos um cômputo geral, então encontraremos 1.996 casas e 17.022 habitantes, número estimável para a época.
As terras da Baixada Fluminense, se desenvolviam de forma considerável, conforme documentos que fortificam esta opinião. Há quem atribua tudo isso a um interesse especial da Coroa, que sentia a premente carência de aferrar o homem branco ao solo, e para conseguir o seu desejo, agraciava essa gente com latifúndios. Dessa forma poderia combater com mais eficiência a penetração dos aventureiros, que sob a tutela de Vilegagnon, queriam fundar no Brasil a França Antártica. E outras não seriam as razões dos que volviam para essas terras, que propiciavam ingresso às Minas Gerais e meio de fortalecer os portugueses conta os piratas de França.
Vamos encontrar, outra estatística, mais elevada, aí pelo meado de 1821, o que cimenta as nossas afirmações:

TOTAL HABITANTES TOTAL

DE FOGOS LIVRES ESCRAVOS HABITANTES
MARAPICU .... 482 1.708 2.494 4.202

JACUTINGA .. 320 1.274 2.426 3.700

MERITI ........... 158 696 1.568 2.264

IGUAÇU .......... 455 1.914 2.253 4.167

PILAR .............. 568 1.958 2.253 4.372

---------------------------------------------------------------------------

TOTAL ............ 1.983 7.550 11.155 18.705
A estatística anterior dispensa longos comentários. É uma demonstração irrefutável do surto de progresso que grassava pela região ainda virgem.

ASPECTOS RELIGIOSOS

Sabe bem viver o que sabe bem orar.

Santo Agostinho

Pelas informações de Monsenhor Pizarro, a Freguesia de Meriti, constituiu-se a terceira e foi erigida em 22-01-1645 e aprovada pelo alvará de 1º. de fevereiro de 1647. Tudo isso de acordo com as que aprovou as de Irajá, Cassarebu e a de Guaxandiba.
Essa freguesia foi criada pelo prelado Antonio Marins Loureiro, no sítio de Trairaponga. Apesar de sua construção ter sido de taipa, resistiu, por muitos anos.
Há no salão de leitura do Instituto Histórico, o Mapa Topográfico do Porto do Rio de Janeiro, feito por Domingos, Capitão da Companhia de Jezu (sic) no ano de 1730, cuja cópia foi oferecida a D. Manuel de Menezes, que o preclaríssimo Conde do Arcos, por Joaquim dos Santos Araújo, no ano de 1776. Neste mapa, apesar de sua descoloração acentuada, tornando-se difícil em exame, ainda se vê, no ponto grafado pela letra “V”, onde se erguia a vetusta capela de Trairaponga.
Esta capela permaneceu ali até princípios de 1661, “época em que foi edificado outro templo à margem do Meriti, para onde se transferiu a pia batismal. Pelas informações obtidas, essa igreja ficava, onde é atalmente a Vila Pedro II. O Altar-Mór dessa igreja por defeito de construção entrou na iminente ruína, e ficou servindo de freguesia interinamente, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, que ficava no Porto, em 1708 a 1747.
Mais ou menos nessa época, foi que mudou-se a denominação de São João Batista de Trairaponga para São João de Meriti.
Pelo ano de 1747 o secular missionário Padre Ângelo Siqueira, com a ajuda do povo edificou o templo antigo. Apesar de existir a “ordem de 24 de abril de 1738”, mandando que as despesas corressem por conta da Fazenda Pública, tal não aconteceu.
A nova igreja, teve as seguintes dimensões: 80 palmos de comprido desde a porta principal até ao arco do Cruzeiro; 36 de largura e 44 de altura. A sua Capela Mor, 48 palmos de comprimento, 25 de largo e 28 de altura, onde o páraco padre Estevão Gonçalves de Abreu permitiu que se conservasse o S.S. Sacramento. Conserva 5 altares com o maior.
Entretanto, não encontrei dados concretos da reconstrução da Capela no lugar primitivo. Tudo leva a crer, que não levou-se a efeito a obra.
Foi tudo talvez encenação que esfumou-se nas conjecturas dos favores imperiais.
A freguesia antiga tinha largos horizontes.
São Mateus, atual Nilópolis, fundada por João Álvares Pereira, cuja antiguidade leva a crer seja a disposição testamentária de D. Francisca de ...... registrada no livro de óbitos da Freguesia da Sé, folha 88, e por este documento consta que a Capela estava em uso de Curada. Teve autorização de conservar a pia Batismal em 1788. Na opinião de Matoso Maia o nome de São Mateus, foi uma homenagem dos pais do Padre Matheus, ao santo que lhe emprestou o nome. Este sacerdote foi o primeiro herdeiro de Domingos Machado Homem e de D. Joana Barcellos. Atualmente São Mateus da Central, é uma estação que está situada no 2º. Distrito de São João de Meriti, na Linha Auxiliar. É o que resta das antigas terras, que faziam parte de São Mateus do padre Mateus Machado Homem.
Nossa Senhora da Conceição – Edificada por João Correa Ximenes, no Porto da Freguesia, para onde passou a pia batismal até se reedificar a Matriz, o que ocorreu em 1747. Esta capela foi a que no século passado pertenceu ao Comendador Guerra, no Arraial de Pavuna. A casa grande onde esteve a referida capela, está ainda em perfeitas condições nas imediações da rua Mercúrio com a Variante. Existiu também com o mesmo nome, uma capela no Vilar dos Teles, que pertenceu ao Comendador Telles. Os documentos de sua inauguração, com relação nominal de todos os que ali compareceram, ainda podem ser vistos na fazenda de Alberto Jeremias da Silveira Menezes, descendente do Comendador. Esta, porém, era particular e desapareceu com a demolição da casa grande do Comendador.
Nossa Senhora da Conceição, do Sarapuí – que foi edificada pelo frei Bartolomeu dos Serafins, mas com o título de Senhora do Livramento, de quem falou o Santuário. Esta, sem que encontrasse elementos que me autorizassem, é talvez, uma igreja que ainda hoje existe no município de Caxias.
Nossa Senhora da Ajuda – construída pelo capitão Luis Barcelos Machado, filho de José Barcelos Machado, padroeiro do Convento dos Capuchinhos de Cabo Frio, que teve como fundador Tomé de Sá, em data que não se encontra nos rápidos exames que fiz.
Nossa Senhora de Bonsucesso – que ficava na Covanca ou Cobanca, feita por Manuel Soares, ano de 1727.

NOVOS RUMOS

ESTRADAS DE FERRO E RODAGEM

Quando Iguaçu passou à categoria de Vila, no dia 15 de janeiro de 1833, a freguesia de São João Batista de Meriti, ficou atrelada à sua jurisdição. A Câmara do Rio de Janeiro, promoveu a instalação da Vila de Iguaçu. Nessa ocasião, de acordo com a praxe, formou-se a primeira Câmara Municipal da Baixada da Guanabara com os seguintes edis:

Inácio Antonio de Amaral;

Antonio Ferreira Neves;

Feliciano José de Carvalho;

Francisco Martins Viana;

Domingos Francisco Ramos;

Carlos José Maria Barbosa; e

Bento Antonio Moreira Dias.
Essa foi portanto a primeira Casa do Povo, em que nós tomamos parte na qualidade de distrito.
Apesar de ter assinado o termo do livro número 1, do registro civil do Arraial da Pavuna, João Viana não figura na relação dos vereadores eleitos. Chamo, ainda, atenção para o fato de haver o referido parlamentar assinado como vereador isso no ano de 1832 e Câmara só se reuniu em 27 de junho de 1833.
Dessa forma o novo município passou a figurar com os seguintes distritos:
1º. – Santo Antonio de Jacutinga (sede Maxambomba);

2º. – Marapicu;

3º. – Piedade;

4º. – Meriti;

5º. – Santa Ana da Palmeira; e

6º. – Pilar.
No ano de 1916, pelo decreto 1.331, o deputado Manuel Reis mudou o nome de Maxambomba para Nova Iguaçu, procurando perpetuar o nome da outrora próspera Vila de onde brotou o Município.
Pelo Decreto n. 1.332, do mesmo ano foi denominado 7º. distrito a povoação de São Mateus, que em homenagem a Nilo Peçanha, expressão brilhante da política fluminense, passou a denominar-se Nilópolis, pelo decreto n. 1.705 de 6 de outubro de 1921.
As terras onde se encontra o município de São João de Meriti, teve grande florescimento, após a abertura do Canal de Pavuna, até o meado do Século XIX, quando começou a sua decadência econômica e social. Os cursos fluviais foram obstruídos, pela devastação das matas e formaram tremedais. Aí começou a assolar o impaludismo. As terras em adiantado estado de progresso, foram sendo abandonadas.
Há quem diga que o transbordamento do rio se deu em conseqüência da criação da Estrada de Ferro, o que aterrou vários cursos de rios, acarretando o represamento de suas águas mais para o interior.
O fato é que no ano de 1886 foi inaugurada a linha de ferro The Rio de Janeiro Northen Railway” ligando o Rio de Janeiro à antiga estação de Meriti (atual Duque de Caxias) e a povoação que servia de sede da Freguesia, sofreu um abalo tremendo.
Os habitantes da gleba meritiense, iam aos poucos, abandonando a terra, atraídos pelas facilidades de transportes que a estrada de ferro propiciava. E Meriti (atual Caxias) progredia de forma bombástica, enquanto São João de Meriti, perdia a sua situação privilegiada. Assim se explica o atrofiamento das terras meritienses, que sofreu profundo golpe com a criação do caminho de ferro, na terra de Lima e Silva.
No ano de 1898, com a criação da “Empreza de Melhoramentos do Brasil” São João de Meriti, foi aquinhoado com a “Linha Auxiliar” que atravessou as suas terras e dessa maneira insuflou novas energias, fazendo despertar o fogo do progresso. Muitos dos que haviam ido para Meriti, atual Duque de Caxias abandonando suas propriedades, voltaram para o amanho da terra.
Outro fator preponderante para fazer o soerguimento das terras foi o trabalho mandado executar por Nilo Peçanha: o saneamento da Baixada Fluminense.
Posteriormente veio a abertura da Estrada Rio-Petrópolis que com a marcha dos anos se tornou Automóvel Clube e a zona foi mais desenvolvida. Por ela é que viaturas demandavam para o interior, buscando as regiões montanhosas. Esta estrada foi célebre até alguns anos atrás. Depois, com a criação da nova estrada para Petrópolis, encurtando caminho por Caxias, a antiga, que sulcava as terras da atual rua Amazonas, fazenda do Carrapato, Vilar dos Teles, em demanda da Serra, anemiou-se completamente.
Estas são, em linhas gerais, as mais indispensáveis citações que se pode fazer sobre a região e o seu aspecto geral. Os pontos de mais destaque foram aqui abordados, e salvo qualquer deslize julgamos que atingimos o fim colimado. Pois se outros fatores houverem, sobre nenhum prisma, poderá alterar profundamente o edifício que foi criado para o historiador do porvir.
MERITI – 4º. DISTRITO DE AGUAÇU
A freguesia de Meriti, cuja colonização está diretamente ligada à Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, começou a figurar para o mundo, oficialmente pelo Alvará de 1º. de fevereiro de 1647, com a designação de São João Batista de Trairaponga (de traíra-peixe a araponga-ave) nome que perdurou até a mudança da sede para as margens do rio Meriti de onde se transferiu, por força das circunstâncias, para a zona portuária, na Pavuna, com a denominação de Nossa Senhora da Conceição. No ano de 1774, voltou a sede para o primitivo lugar, com a denominação de São João Batista de Meriti. Ao que estamos informados, não existe prova material que documente a volta da igreja para a foz do Meriti. Como é notório, dali teria ficado em caráter excepcional, na Fazenda do Capitão Salustiano, até que fossem tomadas as medidas de que nos ocupamos em outra parte.
Valendo-me de informações do I.B.G.E. posso enumerar que o decreto n. 1 e 1-A, referem-se a criação do distrito de Meriti no dia 3 de junho de 1892. Compendiando a matéria chegamos a formar o juízo de que o dr. José Tomaz de Porciúncula, querendo dar nova organização municipal a cidade do Rio de Janeiro, organizou o município de Iguaçu com cinco distritos:
1º. – Santo Antonio de Jacutinga (com sede em Maxambomba);

2º. – Marapicu;

3º. – Meriti;

4º. – Santa Ana das Palmeiras; e

5º. – Pilar.
Decorrido alguns anos, pela Lei n. 1634, de 18 de novembro de 1919 foram criados outros distritos com as denominações subseqüentes:
1º. – Nova Iguaçu;

2º. – Marapicu;

3º. – Cava (José Bulhões);

4º. – Arraial de Pavuna ou São João de Meriti (sic);

5º. – Santa Branca;

6º. – Xerém (João Pinto); e

7º. – São Mateus (Engenheiro Neiva, atual Nilópolis).
De conformidade com a organização administrativa de 1933, soma-se Meriti, no município de Nova Iguaçu formando o 4º. distrito com a seguinte nomenclatura:

S E D E:
São João de Meriti: Belford, São Mateus, Tomazinho, Itinga (Éden), Rocha Sobrinho (com a emancipação pertence a Iguaçu) todos na Linha Auxiliar; Vila Rosali, Agostinho Porto, Coelho da Rocha, na Estrada de Ferro Rio Douro.
Dessa maneira Meriti ficou girando em torno de Nova Iguaçu até o ano de 1943, conforme estabelece o decreto-lei n. 392, de 31-03-1938.
Somente com a criação do decreto 1.055 de 31 de dezembro de 1943 confirmado pelo decreto n. 1.056 da mesma data, Meriti passou a figurar no quadro territorial de Duque de Caxias. Ficamos relegados a simples condição de 2º. distrito de Duque de Caxias, mas bem poderíamos ter sido, nessa ocasião, a sede do município que se organizou com a denominação de Duque de Caxias. Mas, como sempre, ficamos paralisados, tontos, sem iniciativa e perdemos essa oportunidade de ouro. Ao que sabemos quem forçou a ida da cabeça do município para o lugar às margens da Leopoldina, foi o deputado Natalício Cavalcante, graças ao comodismo dos nossos munícipes, que na época não vibravam mo atualmente.
PESTE DEVASTOU A BAIXADA FLUMINENSE
No fluir do ano de 1855, o cólera-mórbus avassalou a região iguaçuana e se propagou pelas imediações, como uma tempestade de óbitos. Há citação de que a primeira vítima dessa doença foi o escravo Bento Rodrigues Viana. Logo em seguida o mal tomou proporções alarmantes, e quase todos os que trabalhavam nos serviços fluviais foram acometidos pela violenta epidemia.
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