Memória, trauma e registros de violência: do holocausto às ditaduras



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EMENTA CURSO PPGHIS, 2016/2

“Memória, trauma e registros de violência: do holocausto às ditaduras”

Profa. Dra. Maria Paula Araujo

Prof. Dr. Michel Gherman



Ementa:

Nos últimos anos a sociedade e o Estado, em várias regiões do mundo, tem se dedicado ao tema da memória e do trauma da violência política, bem como às diferentes formas de registro, representação e reparação dessa violência. Testemunhos orais e escritos organizados na forma de acervos documentais ou publicados como relatos testemunhais, constituindo o que vem sendo chamado de “literatura testemunhal”; desenhos, pinturas, fotografias, diferentes expressões iconográficas tem sido expostas em museus e centros culturais em todo o mundo. Museus e memoriais tem sido criados com o objetivo de visibilizar a experiência do trauma e contribuir para a sua não repetição.

O cenário descrito acima remete a uma mudança de paradigma da historiografia que passou a incorporar a questão da subjetividade, da experiência e do trauma, mas também diz respeito a uma postura ético-política vinculada ao estudo da violência e preocupada com a sua não repetição.

O curso pretende analisar diferentes tipos de registros da experiência da violência representados na literatura, no cinema, em exposições artísticas, acervos, museus e memoriais procurando investigar as formas destes registros tanto no campo artístico como no campo das políticas públicas voltadas para a cultura da reparação, da defesa dos direitos humanos e da não repetição (como museus e memoriais).



Programa:

I Uma discussão teórica e metodológica sobre história e memória: Maurice Halbwachs, Michel Pollak, Andreas Huysen, Elizabeth Jelin, Beatriz Sarlo.

II Registro artístico iconográfico: cinema, exposições (Anselm Kieffer), desenhos (desenhos infantis sobre a guerra, Zérane), fotografia (Sebastião Salgado).

III Museus e memoriais. Memorial do Holocausto (Nova York), Fundação Shoa, o “quarteirão do terror em Berlim” (com os museus da Gestapo e da Stasi); Memorial da Resistência (São Paulo), Museu do Aljube/Memorial da Resistência (Lisboa), Museu da Imigração (Nova York e Paris), Museu da Tolerância (Bangladesh) Museus de Memória da Repressão na Argentina.

IV- Testemunhos, acervos áudio visuais e literatura testemunhal

Literatura testemunhal (Primo Levi, Márcio Seligman- Silva); literatura testemunhal na América Latina (Domitila Bairrios, Rigoberta Mechu), exemplos no Brasil (romance K de Bernardo Kucinski)

Acervos áudio visuais: acervo “Marcas da Memória” (Brasil); Archives Sonores Mémoires Européennes du Goulag (projeto de pesquisa CNRS, França)

Bibliografia de referência (preliminar)

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