Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



Baixar 3.59 Mb.
Página10/105
Encontro19.07.2016
Tamanho3.59 Mb.
1   ...   6   7   8   9   10   11   12   13   ...   105

4. Bem enraizados na vossa história, olhai para o futuro com confiança e clarividência. A caridade estimula-vos a abrir sempre novos campos de acção, para realizar novos projectos de promoção humana e de evangelização em favor dos doentes, dos pequeninos e dos últimos. Isto requer uma vida espiritual intensa, que vá buscar à oração, à prática sacramental e a uma séria ascese pessoal, o alimento quotidiano. É neste terreno que se devem mergulhar as raízes do vosso ser e agir.

Ao exortar-vos a perseverar na vossa dedicação generosa, garanto-vos uma recordação constante à Virgem de Nazaré, que me apraz contemplar juntamente convosco quando, estimulada pelo Espírito, vai visitar a idosa prima Isabel. Que ela, Santa Maria da Visitação, vos ampare para que testemunheis o amor de Deus, pronto para abraçar e curar o homem gratuitamente.

Concedo a Vossa Excelência, venerável Irmão, ao Presidente, aos doentes, aos voluntários, aos Assistentes Eclesiásticos e a toda a Família da UNITALSI a Bênção apostólica, portadora de abundantes favores celestes para todos.

Vaticano, 26 de Fevereiro de 2003.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DA PRESIDÊNCIA E ASSOCIADOS DO CÍRCULO DE SÃO PEDRO

28 de Fevereiro de 2003

Estimados membros do Círculo de São Pedro!

1. Sinto-me contente por vos acolher também este ano e saúdo-vos com afecto. Dirijo um pensamento especial ao venerando e querido Assistente Espiritual, D. Ettore Cunial, que este ano celebra o quinquagésimo aniversário do seu Episcopado. Saúdo o Presidente Geral, Dr. Marcello Sacchetti, a quem agradeço as amáveis palavras que me dirigiu em nome dos presentes.

A ocasião é-me propícia para agradecer o serviço que prestais com assiduidade e devoção durante as celebrações litúrgicas na Basílica Vaticana e noutras circunstâncias. Alegro-me, ainda, pelo zelo apostólico com que colaborais na obra da nova evangelização nas dioceses de Roma e pelas intervenções de solidariedade em favor das pessoas pobres, doentes e necessitadas, dando assim testemunho do Evangelho da caridade.

2. Há ainda uma missão que cumpris de modo particular, que é o de recolher o Óbolo de São Pedro em Roma. Hoje, segundo a tradição, viestes entregar-mo pessoalmente. Caríssimos, obrigado pela vossa participação na missão do Papa.

Conheceis as crescentes necessidades do apostolado, as carências das Comunidades eclesiais especialmente em terras de missão, os pedidos de ajuda que chegam das populações, indivíduos e famílias que estão em precárias condições. Muitos esperam da Sé Apostólica uma ajuda que, muitas vezes, não conseguem encontrar noutro lugar.

Vistas assim as coisas, o Óbolo constitui uma verdadeira e particular participação na acção evangelizadora, especialmente se se consideram o sentido e a importância de partilhar concretamente as solicitudes da Igreja universal. A este propósito, Roma reveste um carácter peculiar dado que, pela presença do Sucessor de Pedro, é o centro e, de um certo modo, o coração de todo o Povo de Deus.

O Senhor vos agradeça e vos conceda a alegria de o servir fielmente, trabalhando sempre para o crescimento e difusão do seu Reino.

3. Caros Irmãos e Irmãs, para continuar a acreditar nos próprios compromissos, cada cristão deve cultivar cuidadosamente e fazer crescer a própria relação com Cristo. Esforçai-vos também vós, por ser autênticos discípulos de Cristo. Permanecei fiéis ao vosso tríplice compromisso de oração, acção e sacrifício. Oferecei às pessoas que encontrardes, sobretudo às que estão em dificuldades ou marginalizadas, o alimento espiritual da mensagem evangélica juntamente com o auxílio material. A Virgem Maria, Mãe da Igreja, e os Santos Apóstolos Pedro e Paulo, vos protejam e intercedam por vós. Asseguro-vos uma recordação quotidiana na oração, enquanto de coração vos abençoo, juntamente com as vossas famílias e todos os que vos são queridos.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DA PONTIFÍCIA ACADEMIA PARA A VIDA REUNIDOS EM ASSEMBLEIA

Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2003

Caríssimos membros da Pontifícia Academia para a Vida

1. A celebração da vossa Assembleia oferece-me a ocasião de vos dirigir com alegria a minha saudação, exprimindo-vos o meu apreço pelo intenso compromisso com que a Academia para a Vida está a dedicar-se ao estudo dos novos problemas, sobretudo no campo da bioética.

Quero dirigir um agradecimento especial ao Presidente, Prof. Juan de Dios Vial Correa, pelas amáveis palavras de saudação que me transmitiu, assim como ao Vice-Presidente, D. Elio Sgreccia, diligente e válido na dedicação à tarefa que lhe foi confiada. Saúdo também com afecto os membros do Conselho de Direcção e os Relatores desta importante reunião.

2. Nos trabalhos da vossa Assembleia quisestes debater, num programa complexo e denso de reflexões intercomplementares, o tema da investigação biomédica, analisando-a do ponto de vista da razão iluminada pela fé. Trata-se de uma perspectiva que não limita o campo de observação mas, pelo contrário, o alarga, porque a luz da Revelação ajuda a razão com vista à plena compreensão daquilo que é próprio da dignidade do homem. Não é, porventura, o homem que, como cientista, promove a investigação? Com frequência o homem é também o sujeito sobre o qual se realizam as experiências. De qualquer forma, é sempre ele o destinatário dos resultados da investigação biomédica.

Todos reconhecem que os progressos da medicina, na cura das enfermidades, dependem prioritariamente dos desenvolvimentos da investigação. Em particular, foi sobretudo deste modo que a medicina pôde contribuir de maneira decisiva para debelar epidemias mortais e para enfrentar com resultados positivos doenças graves, melhorando notavelmente, em grandes áreas do mundo desenvolvido, a duração e a qualidade da vida.

Todos nós, crentes e não-crentes, devemos reconhecer e oferecer o nosso apoio sincero a este esforço da ciência biomédica, destinado não somente a fazer-nos conhecer melhor as maravilhas do corpo humano, mas também a favorecer um digno nível de saúde e de vida para as populações do planeta.

3. A Igreja católica deseja exprimir também um ulterior motivo de gratidão a muitos cientistas, dedicados à investigação no âmbito da biomedicina: com efeito, muitas vezes o Magistério pediu a sua ajuda para encontrar a solução de delicados problemas morais e sociais, recebendo deles uma colaboração convicta e eficaz.

Aqui, gostaria de recordar de modo particular o convite que o Papa Paulo VI dirigiu, na sua Encíclica Humanae vitae, aos investigadores e cientistas, a fim de que oferecessem a sua contribuição "para o bem da família e do matrimónio", procurando "esclarecer mais profundamente as diversas condições que favorecem uma regulação honesta da procriação humana" (n. 24). É um convite que faço meu, realçando a sua actualidade permanente, que se torna mais acentuada em virtude da crescente urgência de encontrar soluções "naturais" aos problemas da infertilidade conjugal.

Eu mesmo, na Encíclica Evangelium vitae, dirigi um apelo aos intelectuais católicos, para que se tornassem presentes nos ambientes privilegiados da elaboração cultural e da investigação científica, para concretizar na sociedade uma nova cultura da vida (cf. n. 98). Precisamente nesta perspectiva, desejei instituir a vossa Academia para a Vida, com a tarefa de "estudar, formar e informar acerca dos principais problemas de biomedicina e de direito, relativos à promoção e à salvaguarda da vida, sobretudo na relação directa que eles têm com a moral cristã e as directrizes do Magistério da Igreja" (Motu proprio Vitae mysterium, 4).

Por conseguinte, no campo da investigação biomédica, a Academia para a Vida pode constituir um ponto de referência e de iluminação, não apenas para os investigadores católicos, mas também para quantos desejam trabalhar neste sector da biomedicina, com vista ao verdadeiro bem de cada homem.

4. Portanto, renovo o meu sincero apelo, a fim de que a investigação científica e biomédica, evitando qualquer tentação de manipulação do homem, se dedique com empenho à exploração de caminhos e recursos para o sustento da vida humana, a cura das enfermidades e a solução de problemas sempre novos no âmbito biomédico. A Igreja respeita e apoia a investigação científica, quando segue uma orientação autenticamente humanista, evitando toda a forma de instrumentalização ou destruição do ser humano, e conservando-se livre da escravidão dos interesses políticos e económicos. Propondo as orientações morais indicadas pela razão natural, a Igreja está convencida de que oferece um serviço precioso à investigação científica, orientada para a procura do verdadeiro bem do homem. Nesta perspectiva, ela recorda que não só as finalidades, mas também os métodos e os instrumentos da investigação, devem ser sempre respeitadores da dignidade de cada ser humano, em qualquer fase do seu desenvolvimento e em todas as etapas da experiência.

Hoje, talvez mais do que noutros tempos, considerando o enorme progresso das biotecnologias também a nível das experiências sobre o homem, é necessário que os cientistas estejam conscientes dos limites insuperáveis que a salvaguarda da vida, da integridade e da dignidade de cada ser humano impõe à sua actividade de investigação. Abordei muitas vezes este tema, porque estou persuadido de que a ninguém é permitido silenciar diante de certos resultados ou pretensões da experiência sobre o homem, e muito menos à Igreja, cujo eventual silêncio seria futuramente imputado pela história e talvez pelos próprios promotores da ciência.

5. Desejo dirigir uma especial palavra de encorajamento aos cientistas católicos para que, com competência e profissionalidade, ofereçam a sua contribuição aos sectores onde é mais urgente uma ajuda para a solução dos problemas que dizem respeito à vida e à saúde dos homens.

O meu apelo dirige-se, de maneira particular, às Instituições e às Universidades, que se orgulham da sua qualificação de "católicas", para que se comprometam a estar sempre à altura dos valores ideais que propiciaram a sua origem. São precisos um verdadeiro e próprio movimento de pensamento e uma nova cultura de alto perfil ético e de inegável valor científico, para promover um progresso autenticamente humano e, na realidade, livre na própria investigação.

6. É necessária uma última observação: aumenta a urgência de preencher a gravíssima e inaceitável lacuna que separa o mundo em vias de desenvolvimento do mundo avançado, no que se refere à capacidade de fazer progredir a investigação biomédica, em benefício da assistência à saúde e em favor das populações aflitas pela miséria e por epidemias dramáticas. E aqui penso de maneira especial no drama da Sida, particularmente grave em muitos países da África.

É preciso dar-se conta de que, deixar estas populações sem os recursos da ciência e da cultura quer dizer não apenas condená-las à pobreza, à exploração económica e à carência de uma organização dos serviços de assistência à saúde, mas significa inclusivamente cometer uma injustiça e alimentar uma ameaça, a longo prazo, para o mundo globalizado. Valorizar os recursos humanos endógenos significa garantir o equilíbrio sanitário e, em última análise, contribuir para a paz no mundo inteiro. Desta maneira, a instância moral relativa à investigação científica biomédica abrir-se-á, necessariamente, a um discurso de justiça e de solidariedade internacionais.

7. Formulo votos a fim de que a Pontifícia Academia para a Vida, que se prepara para encetar o seu décimo ano de existência, tenha a peito esta mensagem e a faça chegar a todos os investigadores, crentes e não-crentes, contribuindo desta forma para a missão da Igreja no novo milénio.

Como sustentáculo deste serviço especial, querido ao meu coração e necessário para a humanidade de hoje e de amanhã, invoco sobre vós e o vosso trabalho a assistência constante de Deus e a protecção de Maria, Sede da Sabedoria. Como penhor das luzes celestiais, concedo-vos de bom grado a minha Bênção apostólica, a vós, aos vossos familiares e também aos vossos colegas de trabalho.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DA FEDERAÇÃO NACIONAL DOS CAVALEIROS DO TRABALHO

Sábado, 22 de Fevereiro de 2003

Ilustres Senhores e gentis Senhoras

1. Sinto-me feliz por vos receber nesta Audiência especial, que proporciona a agradável oportunidade de me encontrar com alguns qualificados representantes do mundo do trabalho e do empresariado na Itália. Saúdo-vos a todos cordialmente, com um pensamento especial para o Presidente da Federação Nacional dos Cavaleiros do Trabalho, Engenheiro Mário Federici, ao qual agredeço as gentis palavras que me dirigiu em nome dos presentes. Saúdo também o Dr. Biagio Agnes, Presidente da Comissão para a Comunicação e a Imagem.

A Ordem ao mérito do Trabalho é comummente reconhecida como uma das mais prestigiosas. Ela confere o título de Cavaleiro do Trabalho a pessoas que, como vós, se distinguiram pela capacidade empresarial e, sobretudo, pelo rigor moral nos vários campos das actividades produtivas.

2. Vós representais assim, não só um grupo escolhido do empresariado Italienisch, mas também os promotores de um crescimento solidário e equilibrado da economia nacional.

A respeito disto, permiti que eu vos faça o convite a dedicar, cada vez mais, no vosso trabalho, uma atenção prioritária aos princípios éticos e morais.

Na Encíclica Sollicitudo rei socialis eu recordava que "a colaboração para o desenvolvimento do homem todo e de todos os homens é, efectivamente, um dever de todos para com todos" (n. 32). Precisamente na vossa qualidade de "Cavaleiros do Trabalho", sede os defensores e as primeiras testemunhas deste "dever" universal. Trata-se de uma tarefa ainda mais urgente à luz da actual evolução da sociedade, marcada pelo processo de globalização, no interior do qual devem ser salvaguardados o valor da solidariedade, a garantia de acesso aos recursos e a distribuição equitativa da riqueza produzida.

3. Na sociedade contemporânea a família, com frequência, parece ser penalizada pelas regras impostas pela produção e pelo mercado. Por conseguinte, entre os vossos esforços esteja o de a apoiar de modo eficaz, para que seja cada vez mais respeitada como sujeito activo também no sector da produção e da economia.

Além disso, faz anos que a vossa federação presta atenção à formação dos jovens. A este respeito, penso na Residência universitária Lamaro-Pozzani, reservada a quantos frequentam os cursos universitários em Roma. Continuai a investir nos jovens, ajudando-os a superar a diferença existente entre a formação escolar e as reais exigências das empresas de produção. Permiti assim que as novas gerações, graças também a uma firme ancoragem no património dos valores humanos e cristãos, contribuam para tornar o mundo do trabalho cada vez mais à medida do homem.

Ao renovar ao meu cordial agradecimento por esta visita, desejo a cada um de vós um proveitoso sucesso nos vários campos profissionais. Invoco sobre vós, sobre as vossas famílias e sobre as pessoas que vos são queridas a intercessão de São Bento de Núrsia, Padroeiro dos Cavaleiros do Trabalho, e abençoo-vos a todos de coração.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL REGIONAL DO NORTE DA ÁFRICA (C.E.R.N.A.) EM VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

22 de Fevereiro de 2003

Caríssimos Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio

1. É com alegria que vos recebo, Pastores da Igreja de Cristo na Região do Norte da África, que vindes em peregrinação aos túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo. Agradeço a D. Teissier, Arcebispo de Argel e Presidente da vossa Conferência Episcopal, que acabou de expressar em vosso nome as esperanças que levais convosco, as dificuldades que encontrais, assim como a solidariedade profunda que vos une aos vossos povos. Faço votos para que esta visita, que manifesta a vossa comunhão fraterna com o Bispo de Roma, seja para todos vós um apoio e a ocasião de um dinamismo renovado, para que suporteis sempre com coragem o peso do ministério apostólico das vossas Dioceses. De igual modo, sois entre os vossos fiéis as testemunhas da solicitude do Papa pela Igreja do Magrebe!

2. O mundo em que vivemos caracteriza-se pela multiplicação dos intercâmbios, para uma interdependência mais forte e para a abertura cada vez maior das fronteiras: é o fenómeno da mundialização, com os seus aspectos ao mesmo tempo positivos e negativos, que as nações devem aprender a gerir de maneira construtiva! No que lhe diz respeito, a Igreja católica conhece bem a dimensão universal, que é constitutiva da sua identidade. A partir do dia de Pentecostes (cf. Act 2, 8-11), ela sabe que todas as nações estão chamadas a difundir a Boa Nova da salvação e que o povo de Deus está presente em todos os povos da terra (cf. Lumen gentium, 13). As vossas Dioceses sempre foram sensíveis a esta dimensão da catolicidade e ao vínculo vital que as une à Igreja universal, porque os Pastores e os fiéis provêm de diversos Países. Contudo, esta realidade assumiu uma dimensão nova na vossa região, ao longo destes últimos anos, com o desenvolvimento das relações e dos intercâmbios entre o Norte e o Sul do Sara. Por várias razões, muitos homens e mulheres originários dos Países da África subsahariana, muitas vezes cristãos, estabeleceram-se nos Países do Magrebe ou viveram neles temporariamente. A vossa Conferência Episcopal, a C.E.R.N.A., organizou recentemente, com os Bispos das regiões do Sul do Sara, uma reflexão pastoral sobre este tema. Presto homenagem à qualidade e à importância deste trabalho, que vos convido a prosseguir e a intensificar, convicto de que este "intercâmbio de dons" é uma graça de enriquecimento e de renovação para todas as partes envolvidas.

3. Estai profundamente radicados no mistério da Igreja! É a ela que Cristo envia para levar aos homens a Boa Nova do amor de Deus! Como recordou justamente o Concílio Vaticano II, "o povo messiânico, ainda que não abranja de facto todos os homens e apareça até frequentemente como um pequeno rebanho, constitui para toda a Humanidade um germe fecundíssimo de unidade, de esperança e de salvação. Estabelecido por Cristo em ordem à comunhão de vida, amor e verdade, nas mãos d'Ele serve também de instrumento da redenção universal, e é enviado a todo o mundo, qual luz desse mundo e sal da terra" (Lumen gentium, 9).

Neste espírito, convido-vos a valorizar as riquezas das diversas tradições espirituais que alimentaram a história cristã dos vossos Países, desde a antiguidade até ao grande impulso missionário dos últimos dois séculos. Elas realçaram e fizeram sobressair aspectos diferentes do tesouro do Evangelho: o sentido da comunidade e o prazer da comunhão fraterna, o sinal da pobreza e a disponibilidade para com o próximo, a escuta atenta do outro e o sentido da presença discreta e amorosa, a alegria de anunciar e partilhar a Boa Nova. Estas riquezas espirituais, vividas com fidelidade pelas famílias religiosas que participam na vida das vossas Dioceses, podem dar sempre fruto em benefício das vossas comunidades. Não receeis aceitar também a novidade que poderá ser introduzida por irmãos e irmãs provenientes de outros continentes ou de outras culturas, com espiritualidade e sensibilidade diversas! A Igreja nunca se alegrará suficientemente por ser, à imagem da primeira comunidade de Jerusalém, uma comunidade fraterna na qual todos podem encontrar o seu lugar, ao serviço do bem comum (cf. Act 2, 32).

4. A este propósito, as vossas relações realçam a presença importante e activa nas vossas Dioceses de jovens, provenientes de Países subsarianos para um período de estudos nas universidades dos vossos respectivos Países. O seu acolhimento e a sua participação na vida das comunidades cristãs mostram claramente que o Evangelho não está ligado a uma cultura. Realizastes importantes esforços na atenção pastoral dedicada a estes jovens, a fim de os ajudar a superar o seu isolamento, e propusestes-lhes uma formação cristã firme, para lhes permitir crescer na fé.

5. Queridos Irmãos, vós realçais a boa qualidade das relações entre os cristãos das vossas comunidades e a população muçulmana, e eu desejo prestar homenagem à boa vontade das Autoridades civis em relação à Igreja. Tudo isto é possível graças ao conhecimento recíproco, aos encontros quotidianos da vida e aos intercâmbios, sobretudo com as famílias. Continuai a encorajar estes encontros de dia para dia como uma prioridade, porque eles contribuem para fazer envolver, de um lado e do outro, as mentalidades, e ajudar a superar as imagens deformadas que os meios de comunicação infelizmente ainda apresentam com muita frequência. Acompanhados por diálogos oficiais, importantes e necessários, estabelecem vínculos novos entre as religiões, entre as culturas e, sobretudo, entre as pessoas, e fazem crescer em todos a estima da liberdade religiosa e o respeito recíproco, que são elementos fundamentais da vida pessoal e social. Revelando os valores comuns a todas as culturas, estando radicados na natureza da pessoa, mostrando que "da abertura recíproca dos seguidores das diversas religiões podem derivar grandes benefícios para a causa da paz e do bem comum da humanidade" (Mensagem para o Dia Mundial da paz de 2001 , n. 16).

Realçais também o facto de que os acontecimentos dramáticos vividos por alguns membros da comunidade cristã e compartilhados pela população muçulmana aumentaram não só a solidariedade humana, mas a atenção ao próximo e aos seus valores religiosos. A experiência espiritual da Igreja, que reconhece na Cruz do Senhor a maior expressão do amor, sempre considerou o dom dos mártires como um testemunho eloquente e uma fonte fecunda para a vida dos cristãos. Por conseguinte, é legítimo esperar também destes acontecimentos trágicos, frutos de paz e de santidade para todos.

No caminho do diálogo, a atenção pela cultura ocupa um lugar importante entre as vossas preocupações: graças à abertura ou ao incremento de centros de estudos e de bibliotecas qualitativamente válidas, preocupais-vos por propor o acesso ao conhecimento das religiões e das culturas, oferecendo assim aos habitantes dos Países do Magrebe os meios para redescobrir o seu passado. Felicito-me de modo particular pela feliz iniciativa do Colóquio dedicado a Santo Agostinho, organizado pelas autoridades da Argélia, em colaboração com a Igreja.

6. Em toda a comunidade cristã, apesar de ser pouco numerosa e frágil, o serviço da caridade em relação aos mais pobres permanece uma prioridade, porque é a expressão da vontade de Deus para todos os homens e da partilha que todos estão chamados a viver, sem distinção de raça, de cultura ou de religião. Vós viveis esta diaconia sobretudo com as pessoas doentes ou deficientes, recebidas e curadas nos hospitais, ou nas casas de saúde que as religiosas põem à disposição da população. Continuai assim a acolher os migrantes, que atravessam os vossos Países do Magrebe com a esperança de chegar à Europa, para lhes oferecer um momento de repouso e de convivência fraterna na sua indigência e condição precária! Continuai, através de órgãos de ajuda, como a Caritas, e em colaboração com associações locais, a dar testemunho da caridade de Cristo, que veio para confortar todos os que sofrem (cf. Mt 11, 28)!

7. Sei que os vossos sacerdotes desempenham o seu ministério com grande caridade pastoral e coragem, preocupando-se por estar muito próximos da população. Manifesto-lhes, através de vós, a minha profunda estima, exortando-os a colocar cada vez mais a Eucaristia no centro da sua vida. Eis a fonte quotidiana na qual se alimenta a sua relação pessoal com Cristo, e da qual nasce a caridade que aumenta incessantemente a sua oração e a sua solicitude missionária, como proclama a Oração Eucarística n. IV: "Pedimos-te... pelos membros da nossa assembleia, pelo povo que te pertence, e por todos os homens que te procuram com rectidão". De facto, é através da participação na intercessão e na oferta de Cristo que se constitui o Povo de Deus. Convido ainda os sacerdotes a estarem disponíveis aos apelos da Igreja, em função das novas necessidades. Que preservem a preocupação de cultivar entre eles relações fraternas, dentro do presbitério diocesano, partilhando as suas experiências apostólicas, as suas abordagens pastorais e as suas descobertas espirituais!

1   ...   6   7   8   9   10   11   12   13   ...   105


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal