Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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2. Permanecei fiéis à vossa história. O nosso mundo secularizado reconhece o testemunho das vossas comunidades, que põem Deus no centro. Numerosos Bispos pedem para dispor, nas suas Dioceses, destes espaços vitais de encontro com o Senhor. Mediante a liturgia, o estudo e o trabalho, sede exemplo de vida cristã, plenamente orientada para Deus, e respeitadora do homem e da criação.

Tomei conhecimento dos vossos contactos com monges e monjas de outras religiões: trata-se de relacionamentos significativos, que podem revelar-se fecundos. Exorto-vos a aprofundar as relações ecuménicas com os irmãos e as irmãs da Europa oriental. O monaquismo constitui uma plataforma natural pela compreensão recíproca. Isto é extremamente importante no presente momento histórico, para fazer com que a Europa conserve as suas raízes cristãs.

3. Apraz-me saber que, como grande Família beneditina, estais a redescobrir cada vez mais o vosso património conjunto. Queridos Irmãos e Irmãs, continuai o vosso caminho, seguindo as pegadas de São Bento e de Santa Escolástica: "Não anteponhais absolutamente nada a Cristo" (RB, 72, 11). Fiéis a esta regra de vida, conhecereis um futuro rico dos dons de Deus.

Que vo-los obtenha a Bem-Aventurada Virgem Maria, a quem vos confio, enquanto de todo o coração vos abençoo, juntamente com todas as vossas comunidades.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR JOÃO ALBERTO BACELAR DA ROCHA PÁRIS NOVO EMBAIXADOR DE PORTUGAL JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

21 de Setembro de 2004

Senhor Embaixador,

Bem-vindo seja ao Vaticano, onde tenho o prazer de acolhê-lo por ocasião da apresentação das Cartas Credenciais que o designam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República Portuguesa junto da Santa Sé. Agradeço-lhe as saudações que me transmitiu da parte do Senhor Presidente Jorge Sampaio e do povo português; as suas palavras trouxeram-me à mente os dias das minhas Visitas Pastorais à sua terra, mormente ao Santuário de Fátima, quando pude pessoalmente constatar as raízes cristãs dessa Nação abençoada e protegida por Nossa Senhora. Ficar-lhe-ia grato, se Vossa Excelência pudesse transmitir ao Senhor Presidente da República os meus votos de bem-estar e prosperidade para todo o país e a certeza das minhas súplicas ao Altíssimo para que continue inspirando sentimentos de recíproco entendimento e de fraternidade que hão-de permitir a edificação da Pátria como casa e obra de todos.

É por todos conhecido o panorama sócio-político mundial deste início de milénio: a acentuação das diferenças regionais, tanto culturais quanto económicas; a preocupação pela salvaguarda da paz frente à crescente acção de grupos extremistas que "têm tornado cada vez mais hirto de obstáculos o caminho do diálogo e das negociações" (Mensagem de Sua Santidade para o dia Mundial da Paz , 8); a frequência de catástrofes naturais e outras, bem mais graves, que assolam inteiras populações, como são a fome e as enfermidades endémicas, por vezes incontroláveis; o descompasso gritante entre ricos e pobres, e o consequente desrespeito dos direitos humanos são, entre outros, motivo de séria apreensão de todo governante, consciente da participação globalizante das próprias decisões.

Senhor Embaixador, o seu país tem consciência dos esforços da Santa Sé no sentido de humanizar a mundialização e de captar a influência benéfica do progresso científico e tecnológico em vista do maior bem-estar de cada povo ou nação. Foi por isso, que as autoridades do governo português não hesitaram em reconhecer e propalar as próprias convicções cristãs à hora de colaborar na preparação de uma Constituição européia. Desejo aproveitar esta ocasião para exprimir o Meu reconhecimento pela acção do seu Governo em ressaltar a identidade cristã da Europa, e faço votos por que as convicções que dela derivam possam afirmar-se tanto no âmbito nacional como internacional.

Neste sentido, a assinatura da nova Concordata entre a Santa Sé e Portugal, não vem a ser mais do que a expressão viva de um consenso maturado para reforçar a presença desta "alma" cristã fundada nas "profundas relações históricas entre a Igreja Católica e Portugal, tendo em vista as mútuas responsabilidades que vinculam as partes, no âmbito da liberdade religiosa, a continuar o seu serviço ao bem comum e a colaborar na construção de uma sociedade que promova a dignidade da pessoa humana, a justiça e a paz" (Cfr. Preâmbulo). Talvez a Providência, tal como outrora, induza a reviver o passado com novos gestos audazes, fazendo soar a hora de uma nova evangelização, que cabe a todos descobrir. Meus auspícios são de um Portugal actuante e destemido, sempre aberto aos novos desafios da nossa sociedade, e ciente de que o Todo-Poderoso não deixará de mãos vazias aos que se empenham em confiar em seus desígnios.

Entretanto, os referidos desafios poderão ser mais bem equacionados e apresentados à opinião pública da Comunidade Internacional, se entrarem como elementos duma lógica de desenvolvimento, na qual as forças vitais da sociedade local constituam a sua força propulsora: associar os cidadãos aos projectos da sociedade, dar-lhes confiança naqueles que os governam e na Nação de que são membros, eis as bases sobre as quais assenta a vida harmónica das sociedades humanas. Fiel à missão religiosa e humanitária que lhe é própria, a Igreja procura desempenhar o papel de fermento da unidade, e gostaria que o Evangelho vivificasse cada vez mais o gérmen cultural que é a base de uma nação.

Sei que a esta tarefa se consagram os pastores e os fiéis católicos da sua mãe pátria berço de numerosos santos e beatos portugueses, como aliás o Senhor Embaixador reconhecia destacando o serviço à fé desse povo generoso e fiel. Aproveito o ensejo para dirigir, através de Vossa Excelência, as minhas fraternas saudações a todos os seus compatriotas-membros da Igreja Católica e cuja aspiração profundamente sentida é a de cooperar de maneira harmoniosa e efectiva com os seus concidadãos na construção duma Nação solidária e fraterna.

Senhor Embaixador,

Neste momento em que inicia oficialmente o mandato, formulo votos de bom sucesso para a sua nobre missão, assegurando-lhe que sempre poderá dispor da solícita atenção dos meus colaboradores em tudo quanto possa servir o frutuoso desempenho do cargo. Por fim, reiterando todo o meu afecto ao povo de Portugal e a minha deferente saudação aos seus governantes, invoco sobre Vossa Excelência, seus familiares e colaboradores bem como sobre a nação inteira a ajuda de Deus e a abundância das suas bênçãos.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DO PACÍFICO POR OCASIÃO DA VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

Sábado, 18 de Setembro de 2004

Prezados Irmãos Bispos

1. É na graça e na paz de nosso Senhor que vos dou as cordiais boas-vindas, membros da Conferência Episcopal do Pacífico, e faço minhas as palavras do Apóstolo São Paulo: "Dou graças ao meu Deus por todos vós, por meio de Jesus Cristo, pois a vossa fé é proclamada ao mundo inteiro" (Rm 1, 8). Estou grato ao Arcebispo D. Apuron, pelos bons votos e pelos sentimentos de amabilidade que me transmitiu em vosso nome. Retribuo-os cordialmente e com afecto, enquanto vos asseguro a todos as minhas orações, assim como àqueles que foram confiados à vossa solicitude. A vossa visita ad limina Apostolorum expressa a profunda comunhão de amor e de verdade que une as diversas dioceses da região do Pacífico ao Sucessor de Pedro e aos seus colaboradores no serviço à Igreja universal. Tendo percorrido distâncias enormes para "conhecer a Cefas" (cf. 1 Gl 1, 18), vós confirmais "a vossa unidade na mesma fé, esperança e caridade, fazendo conhecer e apreciar cada vez mais o imenso património de valores espirituais e morais que toda a Igreja, em comunhão com o Bispo de Roma, difundiu no mundo inteiro" (Pastor bonus, Apêndice I, 3).

2. Jesus Cristo continua a dirigir a sua atenção amorosa para os Apóstolos da Oceânia, conduzindo-os rumo a uma fé e a uma vida cada vez mais profundas n'Ele. Como Bispos, respondei ao seu apelo: de que modo a Igreja pode ser um instrumento cada vez mais eficaz de Cristo (cf. Ecclesia in Oceania , 4)? Mesmo onde a vida da Igreja está repleta de sinais de crescimento, não se podem poupar esforços para empreender iniciativas pastorais eficazes, destinadas a fazer com que o Senhor seja cada vez mais amado e conhecido. Com efeito, as famílias e as comunidades, dando continuidade à busca do sentido da sua própria vida, esperam ver "a fé em acção". E isto exige que vós, mestres de fé e arautos da Palavra (cf. Pastores gregis , 26), anuncieis com clarividência e determinação, que "a fé tem em si mesma a força de plasmar a cultura, permeando até ao núcleo essencial as suas motivações" (Ecclesia in Oceania , 20). Por conseguinte, arraigado na tradição cristã e atento aos sinais das transformações culturais contemporâneas, o vosso ministério episcopal constituirá um sinal de esperança e de orientação para todos.

3. Estimados Irmãos, a vigorosa vida pastoral das vossas dioceses, que descreveis com clareza nos vossos relatórios, constitui um sinal edificante para todos. As celebrações litúrgicas jubilosas, a forte participação dos jovens na missão da Igreja, o florescimento das vocações, a presença palpável da fé na vida civil das vossas nações, tudo dá testemunho da bondade infinita de Deus para com a sua Igreja. Todavia, com a prudência da solicitude de um pai pela sua própria família, vós destes expressão inclusivamente às preocupações pelos ventos de mudança que sopram ao longo das costas dos vossos países. A invasão do secularismo, de forma particular sob a forma do consumismo, e a vigorosa influência dos aspectos mais insidiosos dos meios de comunicação social, que transmitem uma visão deformada da vida, da família, da religião e da moralidade, tudo isto debilita os próprios fundamentos dos valores culturais tradicionais.

Diante destes desafios, as populações da Oceânia estão a adquirir uma melhor compreensão da necessidade de renovar a sua fé e de levar uma vida mais abundante em Cristo. Nesta busca elas contam convosco com grande esperança, para que sejais sólidos ministros da verdade e testemunhas audazes de Cristo. E desejam que vós sejais vigilantes na busca de novos modos de ensinar a fé, de tal forma que elas mesmas possam ser fortalecidas pelo vigor do Evangelho, que deve imbuir o seu modo de pensar, os seus parâmetros de juízo e as suas normas de comportamento (cf. Sapientia christiana, Premissa). Neste contexto, será o vosso testemunho pregado e vivido do "sim" extraordinário de Deus à humanidade (cf. 2 Cor 1, 20), que há-de inspirar as vossas populações a rejeitarem os aspectos negativos das novas formas de colonização e a escolher tudo aquilo que gera uma nova vida no Espírito!

4. Como dom inesgotável de Deus, a unidade da Igreja resplandece sobre a totalidade dos seus membros, como um apelo premente a crescer na comunhão de fé, de esperança e de caridade. No meio das mudanças culturais, que muitas vezes constituem factores de divisão, o grande desafio de hoje consiste em fazer da Igreja "a casa e a escola da comunhão" (Novo millennio ineunte , 43). Isto exige que o Bispo, enviado em nome de Cristo para governar uma determinada porção do povo de Deus, ajude o seu povo a tornar-se um só no Espírito Santo (cf. Pastores gregis , 43). Por conseguinte, encorajo-vos a imitar o Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas e que as chama cada uma pelo nome. Os encontros e a escuta atenta dos vossos colaboradores mais estreitos sacerdotes, religiosos, religiosas e catequistas assim como os contactos directos com os pobres, os doentes e as pessoas idosas, hão-de unir o vosso povo e enriquecer o vosso ensinamento, graças ao exemplo concreto que ofereceis, de uma fé humilde e do serviço.

A importância particular da communio entre o Bispo e os seus sacerdotes significa que vos preocupais sempre em manifestar-lhes o vosso interesse paterno pelo seu crescimento e pela sua felicidade. A vossa solicitude pela formação humana, espiritual, intelectual e pastoral dos vossos seminaristas e dos vossos presbíteros constitui uma expressão evidente do vosso amor por eles, e isto dará muitos frutos no seio das vossas Dioceses. Este afecto particular deve manifestar-se através do cuidado assíduo pela sua santificação pessoal no ministério e pela actualização constante do seu compromisso pastoral (cf. Pastores dabo vobis , 2). Por conseguinte, convido-vos insistentemente a desempenhar um papel cada vez mais importante no acompanhamento dos vossos seminaristas e na proposta de programas regulares de formação permanente dos sacerdotes, a fim de que eles formem a sua identidade e a sua personalidade sacerdotais (cf. ibid., n. 71). Tal identidade nunca deverá fundamentar-se sobre qualquer cargo social nem sobre títulos. Ela é constituída sobretudo por uma vida de simplicidade, de castidade e de serviço humilde (cf. ibid., n. 33) que convida o próximo a fazer a mesma coisa.

Para concluir esta consideração, associo-me a vós, rezando pelos vossos sacerdotes e manifestando-lhes a minha profunda gratidão e o meu vivo encorajamento. Saúdo de maneira particular aqueles que, na perspectiva de um compromisso autêntico em prol da Igreja no Pacífico, deixaram o ministério paroquial, de que gostavam, para se porem ao serviço dos seminários. Há que prestar homenagem à sua generosidade. Aos sacerdotes que, por diversos motivos, não puderam viver as exigências do seu ministério, recordo que Deus, que é rico de misericórdia e cheio de amor, os convida cada dia a voltar para Ele. Por fim, recordai a todos os vossos sacerdotes o afecto profundo que nutro por eles!

5. A história da instituição da Igreja que está na Oceânia é a de inúmeras mulheres e homens consagrados, que se abandonaram ao apelo do Senhor, de anunciar o Evangelho com dedicação abnegada. Os Religiosos, as religiosas, os sacerdotes, os irmãos e as irmãs continuam a ocupar a linha de vanguarda na evangelização das vossas Dioceses. Pondo-se em busca da perfeição da caridade, ao serviço do Reino, os religiosos satisfazem de maneira particular a sede crescente do vosso povo, de uma espiritualidade firme que faça aumentar a sua fé. Este testemunho exige que os próprios religiosos se nutram quotidianamente do manancial de uma espiritualidade sadia. Por conseguinte, a vida espiritual, arraigada no carisma de uma Ordem, deve ocupar "o primeiro lugar no programa das Famílias de vida consagrada, de tal modo que cada Instituto e cada Comunidade se apresentem como escolas de verdadeira espiritualidade evangélica" (Vita consecrata , 93). Efectivamente, a fecundidade apostólica, o amor generoso pelos pobres e a capacidade de inspirar as vocações no meio dos jovens dependem desta prioridade e também do crescimento individual e comunitário.

As religiosas, em particular, têm contribuído enormemente para o desenvolvimento social das mulheres e das crianças na vossa região. Agindo desta forma, elas têm dado testemunho daqueles valores femininos que expressam a índole essencial do relacionamento da humanidade: a sua capacidade de viver "pelo próximo" e "pela causa do próximo" (cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta aos Bispos da Igreja Católica, sobre a colaboração de homens e mulheres na Igreja e no mundo , 14). A autenticidade, a honestidade, a sensibilidade e o serviço enriquecem todos os relacionamentos humanos. Aquilo que desejei definir como "génio feminino" não deixará de enriquecer a organização pastoral das vossas Dioceses. Nos dias de hoje, a colaboração solícita e a coordenação atenta com as Ordens religiosas são elementos necessários para garantir a elaboração de programas adequados de formação teológica e espiritual, inicial e permanente, em vista de preparar as religiosas para assumir o seu papel inestimável na tarefa cada vez mais exigente da evangelização da cultura na região do Pacífico.

6. Estimados Irmãos Bispos, durante o Sínodo para a Oceânia, muitos de vós observaram com satisfação que um número cada mais elevado de leigos consegue avaliar mais profundamente o dever que lhes compete, de participar na missão eclesial de evangelização (cf. Ecclesia in Oceania , 19). Os vossos catequistas acolheram com grande ardor e com profunda generosidade a fervorosa convicção do Apóstolo São Paulo: "Ai de mim, se eu não evangelizar!" (1 Cor 9, 16). Todavia, esta paixão não pode ser deixada somente a um pequeno grupo de "especialistas", mas deve inspirar e exortar todos os membros do Povo de Deus, a transmitir a força do Evangelho ao coração da cultura e das culturas (cf. Catechesi tradendae, 53). Isto exige que se preste uma grande atenção à promoção dos programas de catequese para os adultos. Uma vez que aumentam os níveis gerais no campo da educação no seio das vossas comunidades, é imperativo que o vosso povo consiga fazer crescer a sua fé e a capacidade de expressão da sua força libertadora. A este propósito, estou persuadido de que haveis de prestar uma atenção particular ao desenvolvimento das Capelanias das Universidades espalhadas pela Região do Pacífico do Sul, onde muitos dos vossos melhores jovens já estão a receber a formação para se tornarem os futuros responsáveis das respectivas comunidades. Que eles estejam prontos para manifestar a sua própria esperança! (cf. 1 Pd 3, 15).

7. É com carinho e gratidão fraterna que vos apresento estas reflexões, enquanto vos encorajo a compartilhar os frutos do carisma da verdade que o Espírito Santo vos concedeu. Unidos no anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo e orientados pelo exemplo dos Santos, continuai ao longo do vosso caminho com esperança! Confiai-vos a Nossa Senhora, Estrela do Mar, e enquanto invoco sobre vós a intercessão de São Pedro Chanel, concedo-vos do íntimo do coração a minha Bênção Apostólica, a vós e aos presbíteros, aos religiosos, às religiosas e a todos os leigos das vossas Dioceses.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II À SENHORA NEVINE SIMAIKA HALIM ABDALLA NOVA EMBAIXADORA DO EGIPTO JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

Sábado, 18 de Setembro de 2004

Senhora Embaixadora!

1. Sinto-me feliz por receber Vossa Excelência para a apresentação das Cartas que a acreditam como Embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária da República Árabe do Egipto junto da Santa Sé.

Agradeço-lhe profundamente ter-me transmitido a mensagem de cordiais bons votos, que Sua Excelência o Senhor Mohamed Hosni Moubarak, Presidente da República, me quis enviar. Ficar-lhe-ia grato se se dignar transmitir-lhe, em retribuição, os meus votos mais cordiais para a sua pessoa e para a prosperidade do povo egípcio.

2. Senhora Embaixadora, Vossa Excelência recordou a necessidade de edificar uma cultura da paz, a fim de permitir uma solidariedade real entre os homens e dar verdadeiras oportunidades de um futuro de concórdia entre as nações. Como a Santa Sé não deixa de recordar nestes tempos atormentados, só poderá haver um entendimento duradouro nas relações internacionais se a vontade de dialogar prevalece sobre a lógica do confronto. Quer se trate do Iraque, onde o regresso à paz civil parece tão difícil de instaurar, na Terra Santa, infelizmente desfigurada por um conflito sem fim que se alimenta de ódio e de desejos de vingança recíprocos, ou de outros países martirizados pelo terrorismo que atinge de maneira tão cruel os inocentes, em toda a parte a violência revela o seu horror e a sua incapacidade de resolver os conflitos. Ela não produz nada que seja positivo, gera unicamente o ódio, a destruição e a morte. Mais uma vez chamo a comunidade internacional a assumir as suas responsabilidades, para favorecer o regresso à razão e à negociação, única saída possível dos conflitos entre os homens, pois todos os povos têm o direito de viver em serenidade e paz.

Vossa Excelência, Senhora Embaixadora, realçou a vontade de servir a paz que caracteriza as preocupações da Santa Sé. Sinto-me feliz por recordar, por minha vez, a cultura do seu País e a sua tradição política que lhe conferiram e ainda conferem, através das vicissitudes da história, um lugar particular nas relações entre as nações, nas fronteiras dos continentes africano e asiático, para trabalhar em prol da paz e da reconciliação entre os homens e os povos.

3. Garantir a paz, o bem estar e a segurança dos cidadãos encontra-se entre as primeiras responsabilidades do Estado. Isto requer que ele garanta a igualdade de todos perante a lei, como recordou Vossa Excelência ao referir-se ao lugar que as mulheres ocupam na sociedade egípcia, e que favoreça o respeito recíproco e o bom entendimento entre os diferentes componentes da Nação. Sei que posso contar com a vigilância das Autoridades egípcias para garantir em particular a todos os cidadãos o princípio da liberdade de culto e de religião, que é uma forma eminente da liberdade das pessoas e, por conseguinte, faz parte dos direitos humanos fundamentais. Faço apelo à atenção de todos os responsáveis da sociedade civil para que estes direitos das pessoas sejam efectivamente respeitados em toda a parte onde vivem comunidades de cristãos, sem que receiem qualquer forma de discriminação ou de violência. Por seu lado, os católicos do Egipto sentem-se felizes por participar activamente no desenvolvimento do seu País, dedicando-se continuamente a estabelecer relações pacíficas com os seus compatriotas.

4. Para levar a bom termo esta missão fundamental para o futuro da humanidade que é a construção da paz, as religiões desempenham um papel importante. Todas elas têm uma palavra a dizer acerca do homem, relativas aos seus deveres face ao Criador, a elas próprias e aos seus semelhantes; elas difundem um ensinamento que honra a vida como um dom sagrado de Deus que o homem deve respeitar e preferir. Como já afirmei várias vezes, as religiões estão chamadas a comprometerem-se de forma resoluta, precisamente em virtude disto, a denunciar e a recusar qualquer forma de recurso à violência, porque é contrária à sua finalidade específica, que é precisamente reconciliar os homens entre si e com Deus. Com frequência empenhados nas tarefas especificamente educativas junto das crianças e dos jovens, as religiões, em relação a isto, devem assumir uma responsabilidade importante nos conteúdos dos seus ensinamentos, para que seja combatida e rejeitada qualquer forma de sectarismo e, ao contrário, seja desenvolvido e favorecido tudo o que permite uma descoberta mais aprofundada e o respeito do próximo. Vossa Excelência pode ter a certeza de que a Igreja Católica vela, no que lhe diz respeito, para cumprir esta missão com determinação.

A presença no Egipto da prestigiosa Universidade Al-Azhar, que tive a ocasião de visitar e que garante um papel fundamental no mundo muçulmano, é uma oportunidade para que o diálogo inter-religioso seja prosseguido e intensificado, sobretudo entre cristãos e muçulmanos. É fundamental desenvolver um conhecimento recíproco mais profundo das tradições e das mentalidades das duas religiões, do seu papel na história e das suas responsabilidades no mundo contemporâneo, mediante encontros entre os responsáveis religiosos, mas convém de igual modo suscitar o respeito e o desejo de conhecimento recíproco a nível das pessoas e das comunidades de crentes, nas cidades e aldeias. Então, cristãos e muçulmanos poderão, estimando-se reciprocamente, trabalhar melhor juntos ao serviço da causa da paz e de um futuro melhor para a humanidade.

5. A sua presença aqui, Excelência, permite-me saudar calorosamente, por seu intermédio, os pastores e os fiéis dos diferentes ritos que compõem a comunidade católica do Egipto. Faço votos por que os fiéis tenham sempre a preocupação de desenvolver entre si relações fraternas e construtivas, pondo em comum as suas riquezas específicas e, desta forma, prestando homenagem à unidade católica. Que eles se preocupem, de modo particular, da qualidade do testemunho evangélico que dão a todo o povo nas escolas postas sob os seus cuidados e nas obras de caridade que põem ao serviço do País! Convido-os a prosseguir de igual modo o diálogo com os seus irmãos cristãos, sobretudo da Igreja copto-ortodoxa e da Igreja greco-ortodoxa, actualmente provada pela morte trágica do seu pastor, Sua Beatitude Petros VII, Patriarca de Alexandria e de toda a África. Que eles tenham a preocupação de colaborar, sempre que seja possível, em actividades comuns ao serviço do homem!

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