Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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3. A este propósito, o Sínodo dos Bispos reconheceu a necessidade actual de que cada Bispo desenvolva "um estilo pastoral cada vez mais aberto à colaboração de todos" (Pastores gregis, 44), fundamentado numa compreensão clarividente do relacionamento entre o sacerdócio ministerial e o sacerdócio comum dos fiéis baptizados (cf. Lumen gentium, 10). Embora o próprio Bispo seja responsável pelas decisões autorizadas que é chamado a tomar no exercício do seu governo pastoral, a comunhão eclesial "preessupõe também a participação de todas as categorias de fiéis, enquanto co-responsáveis do bem da Igreja particular que eles mesmos formam" (Pastores gregis, 44). Mediante uma sólida eclesiologia da comunhão, o compromisso em vista de criar melhores estruturas de participação, consulta e responsabilidade compartilhada não deveria ser erroneamente entendido como uma concessão a um modelo "democrático" secular de governo, mas sim como um requisito intrínseco do exercício da autoridade episcopal e uma forma necessária de revigoramento de tal autoridade.

4. O exercício do munus regendi está voltado tanto para a reunião do rebanho na unidade visível de uma única profissão de fé, vivida na comunhão sacramental da Igreja, como para a orientação desta grei, na diversidade dos seus dons e das suas vocações, rumo a um bem comum: a proclamação do Evangelho até aos extremos confins da terra. Consequentemente, cada acto de governo eclesial deve visar a promoção da comunhão e da missão. Assim, em vista da sua finalidade e objectivos conjuntos, os três múnus de ensinar, santificar e governar são claramente inseparáveis e interdependentes: "Por isso mesmo o Bispo, quando ensina, ao mesmo tempo santifica e governa o Povo de Deus; enquanto santifica, também ensina e governa; quando governa, também ensina e santifica" (Pastores gregis, 9; cf. também Lumen gentium, 20 e 27).

A experiência demonstra que, quando se dá a prioridade sobretudo à estabilidade exterior, podem-se perder o impulso à conversão pessoal, a renovação eclesial e o zelo missionário, suscitando um falso sentido de segurança. O período doloroso da revisão pessoal, criado pelos acontecimentos ocorridos ao longo dos últimos dois anos, só produzirá frutos espirituais se levar toda a Igreja Católica nos Estados Unidos da América a uma compreensão mais profunda da natureza autêntica da Igreja e da sua missão, e a um compromisso mais intenso para fazer com que a Igreja que está no vosso país possa reflectir, em todos os aspectos da sua vida, a luz da graça e da verdade de Jesus Cristo.

Aqui, não posso deixar de confirmar, uma vez mais, a minha profunda convicção de que os documentos do Concílio Vaticano II precisam de ser atentamente estudados e levados ao coração de todos os fiéis leigos, dado que estes textos normativos do Magistério oferecem o fundamento para uma renovação eclesial autêntica, em obediência à vontade de Cristo e em conformidade com a Tradição apostólica da Igreja (cf. Novo millennio ineunte, 57).

5. Estimados Irmãos, enquanto orientais as Igrejas confiadas ao vosso cuidado pastoral, faço votos por que possais receber a consolação, o apoio e a fortaleza do clero, dos religiosos, das religiosas e dos fiéis leigos a quem vós servis. O ministério para o qual fostes chamados é exigente e até mesmo oneroso, mas constitui inclusivamente uma fonte de imensa alegria espiritual e um serviço indispensável para o crescimento dos discípulos de Cristo na fé, na esperança e na caridade. É com profundo carinho que confio todos vós à intercessão de Maria, Mãe da Igreja, enquanto vos concedo cordialmente a minha Bênção Apostólica como penhor de júbilo e de paz no Senhor.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DO MOVIMENTO INTERNACIONAL DE SCHÖNSTATT POR OCASIÃO DA INAUGURAÇÃO DO SANTUÁRIO E DO CENTRO INTERNACIONAL

Quinta-feira, 9 de Setembro de 2004

Queridos Irmãos e Irmãs do Movimento Internacional de Schönstatt!

1. É com alegria que vos dou as boas-vindas a Castel Gandolfo. Nestes dias, na Cidade Eterna, participastes na inauguração do santuário Matri Ecclesiae. A criação de um Centro Internacional de Schönstatt em Roma evidencia e aprofunda o vínculo do vosso movimento com o Sucessor de Pedro e com a Mãe Igreja.

Agradeço ao Presidente do Presídio Geral as palavras cordiais que me dirigiu. Elas mostram como os vários ramos do vosso movimento se deixam inflamar pelo Apostolado no mundo de hoje e pelo ideal da santidade cristã.

2. No vosso movimento cresce a responsabilidade pela sociedade e pela efusão do espírito do Cristianismo nos relacionamentos sociais. Procurei sempre despertar esta responsabilidade para o mundo na nossa Igreja. Por isso, desejo fortalecer-vos nesta tarefa que pode assumir múltiplas formas. Dela faz parte também o compromisso concreto pela vida, precisamente no perigo e na ameaça representados por uma cultura da morte cada vez mais difundida, como demonstra terrivelmente a prática do aborto. Todos os fiéis são exortados a manifestar os "sinais de luz", dos quais o mundo tem sempre necessidade.

O compromisso de Schönstatt destina-se em particular à família como célula primária da Igreja, da cultura e da sociedade. Segundo o conselho do vosso fundador, dais à cruz e à imagem de Maria um lugar privilegiado nas vossas casas, para que se tornem "santuários domésticos da Igreja" (cf. Familiaris consortio, 55), onde Maria age como mãe e educadora. Desta forma Maria, como "Mãe de Deus peregrina", alcança os homens para que conheçam o seu amor materno.

A nossa Igreja tem necessidade de uma revitalização da vida de fé e da obra apostólica. Neste compromisso, unem-se todos os movimentos espirituais e as comunidades eclesiais que o espírito de Deus suscitou no inicio do terceiro milénio. Eles são uma resposta da Providência aos numerosos desafios do nosso tempo.

3. O vosso novo santuário romano é dedicado a Maria, Mãe da Igreja. A Ancilla Domini vos acompanhe e vos guie no vosso serviço à Igreja para que, através dele, se possam tornar cada vez mais visíveis as características da Mater Ecclesiae como Corpo de Cristo.

Por isso, concedo a vós e a quantos pertencem à vossa ampla família no mundo, a minha Bênção Apostólica.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II A UM GRUPO DE PEREGRINOS ESPANHÓIS QUE PARTICIPARAM NA CERIMÓNIA DE BEATIFICAÇÃO EM LORETO

7 de Setembro de 2004

Saúdo com afecto o Senhor Arcebispo de Barcelona e os demais Bispos da Catalunha que, acompanhados de tantos peregrinos, participaram na Beatificação de Pedro Tarrés i Claret, médico e sacerdote, duas vocações que nele eram inseparáveis.

A vida do novo Beato, repleta de profunda devoção à Mãe de Deus, estava centrada em Jesus, a Quem ele quis entregar-se totalmente como apóstolo da juventude, de modo especial na Federação de Jovens Cristãos da Catalunha e na Acção Católica.

Pedro Tarrés continua a ser um exemplo para os médicos, porque amava o enfermo como pessoa, ajudando-o a curar ou a suportar a dor. Do mesmo modo, como homem de coração indiviso e pela sua dedicação incansável aos fiéis e aos diversos apostolados que lhe foram confiados, ele é também modelo para os sacerdotes de hoje.

O Beato Pedro Tarrés nunca perdeu o amor pelo sacrifício, e por isso é um exemplo luminoso para quantos, mesmo no meio de muitas dificuldades, consagram a sua vida à causa do Reino de Deus, através de um serviço generoso aos irmãos mais necessitados.

Enquanto confio todos vós à intercessão do novo Beato, concedo-vos de coração a Bênção Apostólica.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES NO CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO ITALIANA SANTA CECÍLIA

4 de Setembro de 2004

1. Dirijo-me agora a vós, caríssimos Responsáveis e sócios da Associação Italiana Santa Cecília, reunidos em Roma para um Congresso sobre o canto gregoriano na liturgia, por ocasião do XIV centenário da morte de São Gregório Magno. Apresento-vos as minhas cordias saudações e expresso o meu grato apreço pela solicitude com que vos dedicais ao campo da música sacra, sempre atentos aos ensinamentos do Magistério. Fazendo assim, ofereceis um válido contributo à actuação da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II. Ao renovar-vos o meu encorajamento, abençoo de coração todos vós e toda a Associação, assim como os numerosos cantores que hoje e amanhã animarão a celebração no Vaticano.

Aos Pueri Cantores Senhoras e Senhores

2. Sinto-me feliz por vos receber e saudar, a vós que representais a Federação internacional Pueri Cantores e que vos encontrais reunidos em assembleia geral em Roma.

Alegro-me porque, graças à vossa associação, milhares de crianças e de jovens no mundo participam da beleza da liturgia, contribuindo assim para "exprimir adequadamente o mistério lido na plenitude de fé da Igreja e segundo as indicações pastorais oportunamente dadas pela competente autoridade" (Ecclesia de Eucharistia, 50). Encorajo-vos vivamente a prosseguir a solicitude pela formação destes jovens para que sejam, mediante o seu canto, membros activos da Igreja e verdadeiras testemunhas do Evangelho de Cristo.

Concedo-vos de todo o coração a Bênção Apostólica.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR PHILIP MCDONAGH NOVO EMBAIXADOR DA IRLANDA JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

Sábado, 4 de Setembro de 2004

Senhor Embaixador

É com grande prazer que lhe dou as boas-vindas e aceito as Cartas que o credenciam como Embaixador Extraordinário e Ministro Plenipotenciário da Irlanda junto da Santa Sé. Agradeço-lhe as cordiais palavras de saudação que o Senhor Embaixador me dirigiu da parte da Presidente, Sua Excelência a Senhora Mary McAleese, e pediria que tivesse a amabilidade de lhe comunicar, bem como a todo o amado povo irlandês, os meus cordiais bons votos e a certeza das minhas orações.

A Irlanda sente-se, justamente, orgulhosa pela sua antiga herança de hospitalidade calorosa e de assistência generosa para com as pessoas que se encontram em necessidade. Fundamentadas no amor cristão pelo próximo e alimentadas numa vida familiar estável, tais virtudes formaram a "alma" da Irlanda e continuam a constituir um dos seus recursos mais preciosos. A história não escrita de tantos irlandeses, homens e mulheres, que dedicaram a sua vida ao serviço do próximo, constitui um dos capítulos mais impressionantes da história do seu país. Estimo profundamente a sua referência ponderada a uma destas pessoas, o saudoso Arcebispo D. Michael Courtney, que ofereceu o sacrifício supremo da sua vida para levar a paz e o bem-estar ao povo sofredor do Burundi. É encorajador ver que o mesmo amor ao próximo está a inspirar tantos jovens irlandeses que, abnegadamente, dedicam o seu tempo ao voluntariado, e os seus talentos e as suas capacidades profissionais ao serviço dos outros. Neste espírito de assistência às pessoas em necessidade, a Irlanda tem feito muito no seio da comunidade internacional para aliviar o seu sofrimento, oferecendo assistência financeira, oportunidades nos campos da educação e da orientação profissional e, quando é interpelada, enviando fundos de socorro nos casos de emergência e tropas para a manutenção da paz.

A experiência de gerações de emigrantes irlandeses tornou o seu povo consciente das sérias dificuldades e das condições de precariedade frequentemente encontradas pelos indivíduos e pelas famílias que vão em busca de um novo início de vida numa terra estrangeira. Esta sensibilidade representa um grande recurso para o desenvolvimento de uma amadurecida cultura da aceitação.

Tal cultura exige generosidade e abertura à diversidade legítima, enquanto requer também o respeito necessário pelo património cultural da nação e um compromisso na promoção de formas adequadas de integração (cf. Ecclesia in Europa, 101-102). O flagelo dos refugiados e das pessoas deslocadas por motivos de pobreza, de guerra ou de perseguição é particularmente dramático e exige especiais consideração e generosidade. A Santa Sé faz votos a fim de que os passos dados durante a presidência irlandesa da União Europeia, em favor de políticas de abertura aos outros povos, continue a inspirar a atitude da comunidade em relação aos imigrantes de outros continentes e culturas. Encorajo o seu país a dar continuidade à abordagem desta importante problemática humanitária, em conjunto com os seus parceiros europeus, com um coração aberto e um compromisso perseverante.

Como Vossa Excelência observou, recentemente a Irlanda passou por significativas mudanças sociais, que incluíram um notável crescimento económico. Uma sociedade mais próspera tem maiores possibilidades de se tornar uma comunidade mais justa e aberta, mas deve enfrentar também novos desafios, inclusivamente o perigo de um determinado empobrecimento espiritual e da indiferença diante das dimensões morais e religiosas mais profundas da vida. A aspiração do seu país a tornar-se uma sociedade profundamente moderna, no contexto da família das nações europeias, encontrará a sua expressão mais sublime no compromisso de confirmar sobretudo a dignidade incomparável e o direito à vida de cada pessoa humana. Estou persuadido de que, permanecendo fiel aos valores que forjaram a Irlanda como nação desde a época da sua evangelização, o seu povo contribuirá para oferecer um auxílio extraordinário para o futuro da Europa (cf. Ecclesia in Europa, 96).

Vossa Excelência mencionou as esperanças da Irlanda a propósito do processo de paz. Rezo a fim de que se realizem todos os esforços em vantagem das oportunidades oferecidas pelo chamado Acordo da Sexta-Feira Santa, que deu um renovado impulso e uma nova esperança ao povo da Irlanda do Norte. A Igreja Católica que, na Irlanda, trabalha em conjunto com outras comunidades cristãs, está comprometida na consolidação de atitudes positivas de compreensão, de respeito e de estima pelos outros, através das actividades ecuménicas e das iniciativas no campo da educação. A mensagem do Evangelho não pode ser separada da vocação à mudança de coração; a evangelização não pode ser afastada do ecumenismo e da promoção da sociedade, da reconciliação e da abertura ao próximo, especialmente aos outros cristãos. Que as iniciativas de todos aqueles que buscam a paz e a reconciliação sejam abençoadas pela graça de Deus e dêem fruto para as crianças do futuro.

O Senhor Embaixador assume os deveres como Representante do seu país junto da Santa Sé no mesmo ano em que estamos a celebrar em conjunto o 75º aniversário das nossas relações diplomáticas. Enquanto lhe asseguro as minhas preces pelo bom êxito da sua missão, invoco sobre Vossa Excelência, a sua família e o querido povo da Irlanda, as bênçãos abundantes de Deus Todo-Poderoso.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR DONALD SMITH NOVO EMBAIXADOR DO CANADÁ JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

Sábado, 4 de Setembro de 2004

Excelência

É-me grato apresentar-lhe as cordiais boas-vindas no dia de hoje, no momento de receber as Cartas Credenciais através das quais Vossa Excelência é designado Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário do Canadá junto da Santa Sé. As minhas visitas pastorais ao seu país, especialmente na jubilosa ocasião da Jornada Mundial da Juventude , realizada em Toronto no ano de 2002, permanecem claramente gravadas na minha mente. Agradeço-lhe as saudações que o Embaixador me transmite da parte do Senhor Governador-Geral e do povo do Canadá. Pediria a Vossa Excelência que lhes comunicasse os meus sinceros agradecimentos e que lhes assegurasse as minhas preces pelo bem-estar de toda a nação.

As contribuições generosas e concretas do Canadá para a edificação de um mundo de paz, de justiça e de prosperidade são amplamente reconhecidas por parte da comunidade internacional. Com efeito, a solidariedade para com as nações em vias de desenvolvimento constitui uma conhecida e admirável característica do seu povo, e é evidenciada, entre outras coisas, pela notável participação do seu país nas missões de manutenção da paz e pela produção de remédios a baixo custo, destinadas às nações mais pobres. Diante do sofrimento e das divisões que, com muita frequência, afligem a família humana, a necessidade de soluções definitivas para os conflitos humanos torna-se ainda mais evidente. A este propósito, como Vossa Excelência quis observar, durante os trinta e cinco anos de relações diplomáticas a Santa Sé comprometeu-se juntamente com o Canadá numa série de projectos em vista do desenvolvimento dos povos e das comunidades em necessidade, inclusivamente na promoção e na aplicação da chamada Convenção de Otava, sobre as minas de terra, e no acordo da Organização Mundial do Comércio (WTO), sobre a propriedade intelectual e a saúde pública. De maneira análoga, juntamente com outros países, o Canadá e a Santa Sé têm-se esforçado a fim de fomentar a estabilidade, a paz e o desenvolvimento na Região dos Grandes Lagos, na África.

Tais gestos de solidariedade são mais do que simples actos unilaterais de boa vontade. Aliás, eles derivam de valores e de convicções que forjaram a sociedade do Canadá ao longo da sua história e é deles que depende o progresso social autêntico. Por este motivo, durante a minha última visita ao seu país, encorajei todos os habitantes do Canadá a valorizar aquilo que representa o núcleo da sua herança: a visão espiritual da vida, inspirada pel credo segundo o qual todos os homens e mulheres recebem a sua dignidade fundamental de Deus e, juntamente com ela, a capacidade de crescer na verdade e na generosidade (cf. Homilia na Santa Missa de encerramento, Toronto, 28 de Julho de 2002).

Vossa Excelência observou que a abertura do Canadá à imigração trouxe uma diversidade crescente e uma grande riqueza à sua cultura, oferecendo o acolhimento recíproco e o respeito entre os grupos étnicos. As características da tolerância e da hospitalidade despertaram o amor de muitas pessoas pela sua terra. A integração bem sucedida de comunidades étnicas diversificadas, que actualmente se encontram a viver no seu país, demonstra também às demais nações que o respeito devido a cada uma das pessoas humanas está arraigado na origem comum de todos os homens e mulheres, e não tanto nas diferenças existentes entre os indivíduos. É esta verdade sublime e fundamental acerca da pessoa humana homem e mulher (Ele) os criou, à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26-27) que constitui a base imutável para todas as outras verdades antropológicas. É da sua natureza como dádiva divina que brota a dignidade inviolável e sagrada de toda a vida, o respeito devido a cada indivíduo e a exigência de que todos os homens e mulheres respeitem a estrutura natural e moral que receberam como um dom de Deus (cf. Carta Encíclica Centesimus annus, 38).

Durante muitas gerações os habitantes do Canadá reconheceram e celebraram o lugar do matrimónio no centro da sua sociedade. Fundada pelo Criador, com a sua própria natureza e finalidade, e conservada pela lei moral natural, a instituição do matrimónio acarreta necessariamente a complementaridade dos maridos e das esposas, que participam na acção criativa de Deus através da educação dos filhos. Desta maneira, os casais asseguram a sobrevivência da sociedade e da cultura, e justamente merecem o reconhecimento legal específico e categórico da parte do Estado. Qualquer tentativa de mudar o significado da palavra "esposo/esposa" contradiz a justa razão: as garantias legais, semelhantes às que são concedidas ao matrimónio, não podem ser aplicadas às uniões entre pessoas do mesmo sexo, sem criar uma compreensão falsa acerca da natureza do matrimónio.

Senhor Embaixador, o Canadá não está a enfrentar sozinho os difíceis desafios que se apresentam aos indivíduos na cultura contemporânea. Acompanhada da boa vontade, estou convicto de que a maravilhosa visão de uma vida familiar generosa e estável, tão querida ao povo do Canadá, continuará a oferecer à sociedade o fundamento sobre o qual as aspirações da sua nação podem ser edificadas. Por sua vez, a Igreja Católica que está no Canadá deseja oferecer a sua assistência, salvaguardando as bases sociais essenciais da vida civil. Ela encontra-se fortemente comprometida na formação espiritual e intelectual dos jovens, de maneira especial através das suas escolas, e o seu apostolado social estende-se também àqueles que estão a enfrentar alguns dos sérios problemas da sociedade contemporânea, inclusivamente no que se refere ao abuso do álcool e ao uso das drogas, assim como às pessoas atingidas pelas várias formas de marginalização social. Estou persuadido de que os membros da comunidade católica hão-de enfrentar com generosidade os novos desafios sociais, na medida em que os mesmos surgirem.

Excelência, estou consciente de que a sua missão contribuirá para fortalecer ainda mais os vínculos de amizade, que já existem entre o Canadá e a Santa Sé. No momento em que o Senhor Embaixador assume as suas novas responsabilidades, quero garantir-lhe que os diversos departamentos da Cúria Romana estão prontos para o assistir no cumprimento dos seus deveres. Sobre Vossa Excelência, a sua família e todos os seus concidadãos, invoco cordialmente as abundantes bênçãos de Deus Todo-Poderoso.
MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AOS JOVENS DA ACÇÃO CATÓLICA POR OCASIÃO DA ENTREGA DA « CARTA DOS JOVENS CRISTÃOS DA EUROPA»

Loreto, 4 de Setembro de 29004

Caríssimos jovens amigos

1. É com prazer que vos recebo e saúdo-vos com grande afecto. Agradeço-vos de coração a vossa presença e este importante sinal de comunhão. Agradeço, em particular, à jovem que falou em nome de todos.

A "Carta dos jovens cristãos da Europa", que viestes entregar-me, surgiu da recente peregrinação juvenil europeia ao túmulo do Apóstolo Tiago, em Santiago de Compostela, um significativo ponto de convergência, graças ao qual os povos do continente, ao longo dos séculos, aprenderam a conhecer-se e a aceitar-se reciprocamente, contribuindo assim para a formação da Europa.

2. Ser testemunhas de Cristo para construir uma Europa da esperança. Eis a mensagem que tendes a preocupação de enviar aos vossos coetâneos e a toda a comunidade europeia de hoje. O sonho que levais no coração é o sonho de uma Europa orgulhosa do seu rico património cultural e religioso e, ao mesmo tempo, atenta aos valores do homem e da vida, da solidariedade e do acolhimento, da justiça e da paz.

Vós não vos envergonhais do Evangelho, e estais conscientes de que a civilização do amor não se constrói separando o Evangelho da cultura, mas procurando entre eles sínteses sempre novas.

Pretendeis percorrer este caminho para dar vida a um Continente sobretudo rico de valores, capaz de memória, para não esquecer os erros do passado e, mais ainda, para fortalecer as próprias raízes espirituais.

3. A fim de realizardes a vossa missão, são necessárias fidelidade a Cristo e à sua Igreja, coerência e coragem até ao heroísmo da santidade. Foi este o itinerário que os santos e as santas da Europa percorreram nos séculos passados. O seu testemunho sirva de estímulo a cada um de vós, caríssimos jovens que me seguis através da rádio e da televisão. Vele sobre vós a Virgem Maria, que na humilde Casa de Loreto acolheu, no decorrer dos séculos, numerosos peregrinos provenientes de todas as partes da Europa. O Papa une-se à vossa oração; e, ao encorajar-vos a dar com sinceridade o vosso testemunho de Cristo, abençoa-vos a todos de coração.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DAS PROVÍNCIAS ECLESIÁSTICAS DE BOSTON E DE HARTFORD (E.U.A.) POR OCASIÃO DA VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

2 de Setembro de 2004

Estimados Irmãos Bispos

1. Através da dádiva de Deus, tornámo-nos "ministros do Evangelho" e recebemos a graça "de anunciar as riquezas incalculáveis de Jesus Cristo a todas as nações". Fazendo eco destas palavras do Apóstolo Paulo (cf. Ef 3, 7-8), e no espírito de gratidão pela nossa vocação comum, dou-vos as calorosas boas-vindas, meus Irmãos Bispos das Províncias Eclesiásticas de Boston e de Hartford, por ocasião da vossa visita quinquenal aos túmulos dos Apóstolos e à Sé de Pedro. Retomando a minha série de reflexões acerca da tarefa de ensinamento confiada aos Bispos no seio da comunhão do Povo de Deus, desejo considerar algumas solicitudes particulares que se estão a apresentar à Igreja que peregrina nos Estados Unidos da América, enquanto ela cumpre o seu dever de proclamar o Evangelho e de orientar todo o seu povo para a plenitude da fé, da liberdade e da salvação em Jesus Cristo.

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