Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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4. Caríssimos Irmãos e Irmãs! O coração da Virgem, trespassado pela espada, ensina-nos a "aprender Cristo", a confrontar-nos com Ele e a dirigir-lhe as nossas súplicas (cf. Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, nn. 13-16). E orienta-nos no anúncio do seu amor (cf. ibid., n. 17): aquele que carrega a cruz com Jesus, oferece um testemunho eloquente, inclusivamente por quantos se sentem incapazes de acreditar e de esperar.

Durante este ano, perturbado por não poucas preocupações pela sorte da humanidade, desejei que a oração do Rosário tivesse como intenções específicas a causa da paz e da família (cf. ibid., 6 e 40-42). Vós, queridos Irmãos e Irmãs doentes, estais na "linha de vanguarda", na intercessão por estas duas grandes finalidades.

Possa a vossa vida, assinalada pela prova, infundir em todos aquela esperança e serenidade que só se experimentam no encontro com Cristo. Estes bons votos e qualquer outra intenção que tivermos no coração, confiemo-los agora a Maria Imaculada, Saúde dos Enfermos. É com afecto que vos concedo a todos vós aqui presentes, assim como aos vossos entes queridos, a Bênção Apostólica.

Saudação final

Agradeço-vos de coração estas velas acesas. Pensemos em todos os doentes do mundo.

Unamo-nos a Nossa Senhora de Lourdes e aos enfermos congregados em Lourdes. Unamo-nos também a Washington onde, neste ano, se celebra o Dia Mundial do Doente. Concedo-vos a todos e a todas, a minha Bênção. Até à próxima vez!


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II A UM GRUPO DE RELIGIOSOS DA ORDEM DOS FRADES BERNARDINOS

11 de fevereiro de 2003

Venerados Padres Caros Irmãos

A minha cordial saudação de boas-vindas para todos vós. Viestes a Roma, visitando ao longo do vosso percurso os túmulos e São Francisco e de São Bernardino de Sena, para dar graças a Deus, aqui, junto dos túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo, pelos 550 anos de presença dos frades menores (bernardinos) em terras polacas. De boa vontade me uno a tal agradecimento, porque sei quanto bem ela produziu, quão profundamente se inseriu na nossa espiritualidade e cultura nacionais.

Este jubileu está ligado à fundação do convento de Cracóvia. Aquele convento é muito querido ao meu coração, bem como a Basílica na rua Bernardynska. Quando era jovem, muitas vezes passava por ali, mais tarde, como sacerdote e, por fim, como Bispo de Cracóvia. Foram numerosos, também, os encontros com a vossa comunidade. Permaneceu, de modo particular, na minha lembrança, aquele encontro e o simpósio científico realizados no âmbito do jubileu de São Francisco, em Abril de 1976. Recordo o que disse, então, introduzindo o Encontro: "Devemos rezar muito para obter um Francisco do nosso tempo. Um, talvez não muitos. Vivemos numa época em que o Concílio Vaticano nos revelou ao longe e ao largo a dimensão do povo de Deus. É talvez necessário, nestes nossos tempos democráticos, que Francisco se torne o perfil de todos nós: de toda a Igreja na Polónia".

Parece que estas palavras não perderam nada da sua actualidade. Assim, pode ter-se a impressão de que o homem e o mundo do início do terceiro milénio esperam, mais do que nunca, ser penetrados pelo espírito de São Francisco. O homem de hoje tem necessidade da fé, da esperança e da caridade de Francisco; tem necessidade da alegria que jorra da pobreza de espírito, isto é, de uma liberdade interior; quer aprender novamente o amor de tudo o que Deus criou; tem necessidade, enfim, de que nas famílias, nas sociedades, entre as nações reinem a paz e o bem. Disto tem necessidade a Polónia, a Ucrânia e o mundo inteiro.

Por isso, a vossa comunidade ao celebrar o jubileu enquanto dirige o olhar para o passado e dá graças a Deus por todo o bem recebido ao longo destes anos, é chamada de modo particular a olhar também para o futuro. Sois chamados a pedir a Deus que vos torne cada vez mais testemunhas do espírito de Francisco. Rezo convosco, para o alcançar. E, dado que estamos a viver o Ano do Santo Rosário, faço-o por intercessão de Maria, invocando aquele que foi um seu extraordinário devoto o vosso fundador e patrono, São Bernardino de Sena.

Dou graças a Deus, também pelos dez anos da Custódia de São Miguel Arcanjo, na Ucrânia, graças ao vosso ministério perseverante e cheio de dedicação.

Agradeço, mais uma vez, o acolhimento que me foi proporcionado pela Província da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria no Santuário de Kalvaria Zebrzydowska. Faço votos para que a vossa comunidade cresça em número e em graça e que a intercessão e o exemplo dos santos patronos, Francisco e Bernardino, vos ajudem nos caminhos da santidade.

Deus vos abençoe!


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DA BIELO-RÚSSIA POR OCASIÃO DA VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

1. "Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros" (Jo 13, 34).

Prezados Irmãos no Episcopado, estas palavras, que Jesus deixa como testamento aos Apóstolos no Cenáculo, não cessam de ressoar no nosso coração!

Bem-vindos à casa de Pedro!

Abraço com afecto cada um de vós. Saúdo de modo particular Vossa Eminência, Senhor Cardeal, Pastor da Sede Metropolitana de Minsk-Mohilev, enquanto lhe agradeço cordialmente as palavras que me dirigiu em nome não apenas dos outros Irmãos, mas de todo o povo católico da Bielo-Rússia. Saúdo-vos a vós, queridos Pastores de Grodno, de Pinsk e de Vitebsk. Penso com afecto também na pequena mas ardente comunidade católica de rito bizantino, herdeira da missão de São Josafat, e saúdo o Rev.mo Visitador Apostólico ad nutum Sanctae Sedis que, quotidianamente, toma cuidado da mesma.

O amor de Cristo une-nos; é o seu amor que deve penetrar a nossa vida e o nosso serviço pastoral, estimulando-nos a renovar a nossa fidelidade ao Evangelho e a tender para uma dedicação cada vez mais generosa à missão apostólica que o Senhor nos confiou.

2. Ainda está viva em mim a recordação do nosso encontro, realizado em Abril de 1997. Nessa ocasião, tive a grande alegria de participar na primavera da vida eclesial do vosso país, depois do inverno da perseguição violenta que durou várias décadas. Nessa época, ainda eram acentuados os efeitos da ateização sistemática das vossas populações, especialmente dos jovens, da destruição quase total das estrututuras eclesiásticas e do encerramento forçado dos lugares de formação cristã. Graças a Deus, terminou aquele período rígido, e já há alguns anos que está em acto uma progressiva e encorajadora recuperação.

Nos últimos cinco anos, a celebração dos Sínodos para a Arquidiocese de Minsk e para as Dioceses de Pinsk e de Vitebsk ofereceu-vos a oportunidade de realçar as prioridades pastorais, elaborando planos apostólicos apropriados para as várias exigências do vosso território. Desta vez, viestes para me falar dos frutos do vosso generoso trabalho pastoral e, juntamente convosco, por tudo isto dou graças ao Senhor, sempre misericordioso e providente.

3. Agora, trata-se de projectar o compromisso futuro. Em primeiro lugar está a família que, também na Bielo-Rússia, infelizmente está a atravessar uma crise séria e profunda. As primeiras vítimas desta situação são as crianças, que correm o risco de sofrer as consequências da mesma durante toda a sua existência. Para o vosso alívio e encorajamento, gostaria de reiterar aquilo que disse às numerosas famílias reunidas em Manila, no dia 25 do passado mês de Janeiro, por ocasião do IV Encontro Mundial das Famílias. É necessário testemunhar com convicção e coerência a verdade sobre a família, fundamentada sobre o matrimónio. Ela constitui um grande bem, necessário para a vida, o desenvolvimento e o futuro da humanidade. Transmiti às famílias da Bielo-Rússia a exortação que confiei às famílias do mundo inteiro: fazer do Evangelho a regra fundamental da família, e de cada uma das famílias uma página de Evangelho, escrita no nosso tempo.

4. O vosso País conta com quase dez milhões de habitantes, uma boa parte dos quais reside nas cidades. Se é a Nação que menos sofreu com as mudanças do período pós-soviético, a Bielo-Rússia é, porém, o País em que os processos de inserção no vasto contexto do Continente europeu ocorreram de forma mais lenta. As consequências deste atraso pesam sobre a reestruturação económica e, sobretudo nos campos, aumenta a pobreza. A concentração da população nos centros urbanos comporta um esforço notável para a presença da Igreja. E isto vale especialmente para a capital Minsk, onde já vive mais de 20% da população total.

Entre as prioridades, vós pondes os jovens, cada vez mais numerosos nas cidades, à procura de um possível trabalho. A crise demográfica sem precedentes, que atinge o vosso País, constitui também um forte desafio para o anúncio do "Evangelho da vida", e os fenómenos da marginalização, entre os quais o alcoolismo, que recentemente tem aumentado ainda mais, esperam respostas urgentes e eficazes. A todas estas problemáticas, a Igreja católica, embora seja minoritária no vosso País, procura responder com os instrumentos e as estruturas disponíveis.

Caríssimos, encorajo-vos a continuar a percorrer este caminho, e gostaria de aproveitar este ensejo para agradecer às organizações católicas de outras nações, de forma especial italianas e alemãs, que vos oferecem o seu apoio e a sua colaboração.

5. "A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos" (Mt 9, 37). Diante do grande trabalho a realizar, é espontâneo pensar nestas palavras de Jesus. O que fazer? A resposta vem-nos do Evangelho: "Rogai, portanto acrescenta Jesus ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe" (Ibid., v. 38). Em primeiro lugar, a oração. É preciso intensificar o pedido da ajuda divina e educar os fiéis a fim de que façam da oração um momento fundamental entre as suas ocupações quotidianas. Para isto contribuirá a obra, que já começastes, de traduzir em bielo-russo os textos sagrados, em particular os do Missal Romano.

Além da oração, não posso deixar de recordar o vosso esforço em ordem à formação dos candidatos ao sacerdócio e à vida consagrada, especialmente nos dois seminários maiores de Grodno e de Pinsk, assim como me agrada realçar a necessária atenção aos presbíteros encarregados do cuidado das almas. Agora, a colaboração do clero e dos religiosos provenientes da vizinha Polónia constitui uma necessidade que, sem dúvida, contribuirá para a consolidação da comunidade católica do vosso País.

E por fim, o diálogo ecuménico com a Igreja ortodoxa. Na vossa terra, a Igreja católica e a Igreja ortodoxa viveram sempre juntas, e não poucas famílias são confessionalmente mistas e, por conseguinte, necessitadas da assistência também da parte da Igreja católica. O Senhor continue a orientar os vossos passos na busca do respeito recíproco e da cooperação mútua.

Durante o corrente ano, vai ser festejado o 380º aniversário do martírio de São Josafat, Arcebispo de Polatsk, cujo sangue santificou a terra bielo-russa. Possa a recordação do seu martírio ser para todos uma fonte de fidelidade a Cristo e à sua santa Igreja.

7. Confio-vos a todos a Maria, a Theotokos. Venerados e queridos Irmãos, peço a Maria que vos proteja a vós, os vossos mais estreitos colaboradores, que são os sacerdotes, os religiosos e as religiosas, os seminaristas, os leigos activamente comprometidos no apostolado e toda a comunidade católica que vive na Bielo-Rússia. Sobre todos e cada um de vós, Ela vele materna, juntamente com os vossos Santos Padroeiros. Quanto a mim, asseguro-vos a minha lembrança quotidiana na oração, enquanto vos abençoo do íntimo do meu coração.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS E SACERDOTES POR OCASIÃO DO 35° ANIVERSÁRIO DA COMUNIDADE DE SANTO EGÍDIO

8 de Fevereiro de 2003

Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio Queridos amigos da Comunidade de Santo Egídio

1. Sinto-me feliz por me encontrar com todos vós, reunidos em Roma e vindos de várias partes do mundo para alguns dias de oração e de reflexão, por ocasião do encontro internacional dos Bispos e Sacerdotes, amigos da Comunidade de Santo Egídio. Dirijo uma saudação particularmente cordial aos representantes de outras Igrejas e Comunidades eclesiais aqui presentes.

Agradeço a D. Vincenzo Paglia as gentis palavras que me dirigiu, fazendo-se intérprete dos sentimentos de todos e, juntamente com ele, saúdo o Prof. Andrea Riccardi, que seguiu e animou desde os primeiros passos o caminho da Comunidade de Santo Egídio.

Este vosso congresso deseja recordar os 35 anos da vossa Comunidade, que nestes anos se difundiu em vários Países, criando uma rede de solidariedade na Comunidade cristã e civil.

2. Reunistes-vos nestes dias para reflectir sobre o tema: "O Evangelho da paz", assunto importante e sentido no momento que estamos a atravessar, marcado por tensões e ventos de guerra. Por conseguinte, torna-se cada vez mais urgente anunciar o "Evangelho da paz" a uma humanidade fortemente tentada pelo ódio e pela violência.

É necessário multiplicar os esforços. Não nos podemos deter perante os ataques do terrorismo, nem diante das ameaças que se erguem no horizonte. Não nos devemos resignar, como se a guerra fosse inevitável. Queridos amigos, oferecei à causa da paz o contributo da vossa experiência, uma experiência de fraternidade verdadeira, que leve a reconhecer no próximo um irmão que deve ser amado sem condições. Este é o caminho que conduz à paz, um caminho de diálogo, de esperança e de reconciliação sincera.

3. Na Mensagem para o Dia Mundial da Paz do passado dia 1 de Janeiro, eu quis recordar o quadragésimo aniversário da Encíclica "Pacem in terris", do meu venerado predecessor, o Beato João XXIII. Hoje, como naquela época, a paz está comprometida. Por conseguinte, deve ser recordado com vigor que "a paz não é uma questão tanto de estruturas como, sobretudo, de pessoas. Sem dúvida que as estruturas e os mecanismos de paz jurídicos, políticos e económicos são necessários e muitas vezes felizmente existem; mas constituem apenas o fruto da sabedoria e da experiência acumulada, ao longo da história, pelos inumeráveis gestos de paz, realizados por homens e mulheres que souberam esperar, sem nunca ceder ao desânimo. Gestos de paz nascem da vida de pessoas que cultivam constantemente no próprio espírito atitudes de paz" (n. 9).

Através de uma renovada consciência missionária estais chamados, também vós, hoje como nunca, a ser construtores de paz. Permanecendo fiéis e coerentes com a história da vossa tradição associativa, continuai a empenhar-vos para que se intensifique em toda a parte a oração pela paz, acompanhada por uma acção concreta a favor da reconciliação e da solidariedade entre os homens e entre os povos.

4. Oxalá as Comunidades cristãs, e todos os crentes em Deus, sigam o exemplo de Abraão, pai comum na fé, quando reza ao Senhor no monte para que poupe da destruição a cidade dos homens (cf. Gn 18, 23 s.). Devemos continuar, com a mesma insistência, a invocar o dom da paz para a humanidade.

Dirijamos o olhar confiante a Cristo, o "Príncipe da Paz" , que nos anuncia a boa nova da salvação, o "Evangelho da Paz": "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra" (Mt 5, 5). Ele chama os seus discípulos a serem testemunhas e servidores do Evangelho, certos de que o Espírito Santo torna fecunda, em qualquer esforço humano, a sua acção no mundo.

Ao renovar a todos vós a expressão do meu reconhecimento por este encontro, invoco a protecção celeste da Virgem Maria, Rainha da Paz, sobre cada um de vós e sobre as vossas iniciativas. Assegurando-vos a minha proximidade espiritual, concedo de coração a Bênção apostólica a vós aqui presentes, a todos os membros da Comunidade de Santo Egídio espalhados pelo mundo, e a todos os que encontrais nas vossas actividades quotidianas.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DOS REGIONAIS CENTRO-OESTE E NORTE-2 DO BRASIL EM VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

7 de fevereiro de 2003

Venerados Irmãos no Episcopado,

1. Sede bem-vindos à Casa do Sucessor de Pedro nesta vossa Visita ad Limina Apostolorum, testemunho visível da colegialidade episcopal da Igreja. Saúdo fraternalmente a cada um de vós e a Dom Jayme Henrique Chemello, Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Desejo agradecer de coração as palavras do Senhor Cardeal, Dom José Freire Falcão, Arcebispo de Brasília, por querer transmitir os bons sentimentos que vos animam e os desafios pastorais dos Regionais Centro-Oeste e Norte-2.

Ao observar num relance o mapa dos vossos Estados, desde Goiás até atingir as fronteiras internacionais do norte brasileiro, passando por Tocantins Pará e Amapá, posso imaginar as dificuldades que tendes para exercer vossa missão de pastores daquelas imensas regiões. Ser bispo nunca foi fácil, pois hoje supõe obrigações, compromissos e dificuldades que, por todo o lado, e em circunstâncias tantas vezes imprevistas, constituem obstáculos enormes, complexos e, às vezes, humanamente insuperáveis. Mas é Deus quem vos chama a servir, com sentido de responsabilidade, o povo que vos foi confiado e não cessará nunca de sustentar e acompanhar a quantos escolheu, na certeza de que os fiéis, «reconhecendo este ministério, glorificarão a Deus pela vossa obediência na profissão do Evangelho de Cristo e pela sinceridade de vossa comunhão com eles e com todos» (2Cor 9,13).

2. Sem negar as diversidades específicas de cada diocese, existem situações e problemas que exigem uma ação pastoral concorde para exercer, na unidade e na caridade, «algumas funções pastorais (...) a fim de promover o maior bem que a Igreja oferece aos homens, (...) por formas e métodos de apostolado convenientemente ajustados às circunstâncias de tempo e de lugar, nos termos do direito» (Motu pr. Apostolos suos , 14). Conforta-me saber que esta é a vossa experiência, e que este é também o empenho da vossa Conferência Episcopal: uma longa e profícua experiência de comunhão e de corresponsabilidade,que vem ajudando vossas dioceses a unirem seus esforços em prol da evangelização, dando vida a um organismo de comunhão episcopal, para que os Pastores de um determinado território possam renovar seu afeto colegial no exercício de algumas funções, inspirados pela solicitude pastoral comum.

Desde o seu início, em 1952, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil vem realizando esta missão, com numerosas iniciativas destinadas não só para aprimorar a sua organização, mas também para certificar a presença do Redentor, e sua mensagem salvadora, no meio dos homens. Esta foi a constatação havida ao concluirem-se as celebrações do Jubileu de Ouro da entidade. A Conferência dos Bispos ajudou a Igreja que está no Brasil a permanecer ao lado do povo, compreendendo a sua situação e assumindo as suas causas.

Isto leva-nos também a recordar a importância de que, se a Igreja precisa estar perto do povo, como Jesus o fez ao colocar-se nos caminhos da Palestina para ir ao encontro das almas, ela deve, sobretudo, aproximar Jesus ao povo, dando-o a conhecer, fazendo que a graça, que brotou do seu lado aberto, como fonte de água viva, alcance os corações que anelam pela glória no Reino dos céus. A Igreja, como instrumento de salvação, recebeu de Cristo, através dos apóstolos, a missão vital de «ir por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda a criatura» recordando que «quem crer e for batizado, será salvo, mas quem não crer, será condenado» (Mc 16,16).

Vossa missão, venerados irmãos no Episcopado, assume então um caráter próprio e específico à hora de decidir os diversos enfoques da pastoral, e mais amplamente da evangelização. Como sucessores dos Apóstolos, recebestes a luz que vem do Alto, mediante a consagração episcopal. «O Senhor Jesus, depois de ter orado ao Pai, chamando a Si os que Ele quis, elegeu doze para estarem com Ele (...), constituiu-os em colégio ou grupo estável e deu-lhes como chefe a Pedro. Enviou-os primeiro aos filhos de Israel e, depois, a todos os povos, para que, participando do seu poder, fizessem de todas gentes discípulos seus e as santificassem e governassem e, deste modo propagassem e apascentassem a Igreja» (LG, 19).

Pela consagração sacramental e a comunhão hierárquica com a Cabeça e os membros, o Bispo torna-se membro do Colégio Episcopal, e participa portanto da solicitude por todas as Igrejas (ib., 23), para ser mestre da doutrina, sacerdote do culto sagrado e ministro da governação (cf. CIC, cân. 375). Sua tarefa primária é, com efeito, governar a diocese que lhe foi encomendada, consciente de que assim fazendo «concorre eficazmente para o bem de todo o Corpo místico, que é também o corpo das Igrejas» (LG, 23). Todos sabem, porém, que são bastantes as ocasiões nas quais os Bispos não conseguem realizar convenientemente sua missão, «se não tornam mais íntima e harmônica a colaboração com os outros Bispos» (Motu pr. Apostolos suos , 15).

Esta é a razão pela qual, hoje, as Conferências Episcopais cooperam com uma ajuda fecunda e diversificada para dar vida, de modo efetivo e concreto, a união colegial ou collegialis affectus entre os Bispos. A união com aqueles irmãos no Episcopado, com os quais cada um se encontra especialmente vinculado, muitas vezes pela proximidade geográfica e por bastantes problemas pastorais comuns, serve de veículo ao bem comum da diocese que lhe está encomendada, caso contrário seu Pastor ver-se-ia impossibilitado de cumprir eficazmente a sua missão. Penso, por exemplo, na importante questão da formação dos candidatos ao sacerdócio. A necessidade de encontrar vocações firmes e seguras tem exigido das vossas Igrejas particulares um renovado esforço e dispêndio de energias. Faço votos de que o Ano Vocacional, promovido pela Conferência Episcopal, seja coroado de sucesso, para o qual tendes, desde já, meu apoio e asseguradas minhas preces elevadas ao Todo Poderoso.

3. Pode-se afirmar, desta forma, que a tarefa pastoral do Bispo na sua diocese inclui necessariamente a participação ativa nos trabalhos da Conferência Episcopal, configurando, ao mesmo tempo, seus limites: limites por parte da Conferência, devendo esta ocupar-se daqueles assuntos que necessitam ser por ela conduzidos, de acordo com os seus Estatutos, para o bem do conjunto das dioceses; e limites, também, por parte da dedicação pessoal de cada Bispo, correspondente à importância dos problemas que devem ser tratados na Conferência, ou seja, de acordo com os benefícios que redundarão para todas as dioceses.

Tenham em conta, porém, que o excesso de organismos e de reuniões, obrigando muitos Bispos a permanecerem frequentemente fora das próprias Igrejas particulares, além de ser contrário à «lei de residência» (CIC cân. 395), tem consequências negativas tanto no acompanhamento do seu presbitério, quanto de outros aspectos pastorais, como poderia ser no caso da penetração das seitas.

Por isso, foi indicada explicitamente a necessidade de evitar, além da excessiva multiplicação de organismos, a burocratização de orgãos subsidiários e comissões que continuem ativos no período entre as reuniões plenárias; destarte, estes orgãos «existem para ajudar os Bispos, e não para ocupar o lugar deles» (Motu pr. Apostolos suos , 18).

4. No desempenho desta missão, ao dirigir-Me aos meus Irmãos no Episcopado, através da Carta apostólica sob forma de Motu próprio Apostolos suos , pus em evidência que a «união colegial do Episcopado manifesta a natureza da Igreja, a qual, enquanto semente e início do Reino de Deus na terra, é - citando o Concílio Vaticano II (LG, 9) - "para todo o gênero humano o mais firme germe de unidade, de esperança e de salvação"» (n. 8).

Quisera, pois, recordar aqui com satisfação o espírito que vem imbuindo a Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil, como fruto também da recente revisão dos seus Estatutos. Ao empenhar-se em «fomentar uma sólida comunhão entre os Bispos (...) e promover sempre maior participação deles na Conferência» (Cap.I, art.2º), quisestes reafirmar a tradição apostólica mantida sempre ao longo da vida da Igreja, desde a sua constituição.

Não me é desconhecido o vulto da Igreja no Brasil, que se encontra entre as maiores do orbe católico. Os dezessete Regionais que a compõe, cada um deles com um numeroso grupo de Dioceses e, às vezes, de Prelazias, Eparquias, um Exarcado, Abadias territoriais, um Ordinariado Militar e outro para os fiéis de Rito Oriental, uma Administração Apostólica Pessoal, mostra-nos o imenso e exigente panorâma de trabalho que vos depara e a contínua preocupação por manter unido o processo evangelizador.

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