Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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Tal estruturação deve estar à serviço da Conferência e de cada um dos Ordinários locais, para pôr em execução as decisões da Assembléia Geral e, quando for o caso, do Conselho Permanente como «orgão de orientação e acompanhamento da atuação da CNBB» (Cap. V, art. 46). Por isso, confio no vosso zelo pastoral, a fim de que seja evitada qualquer discrepância relativa às normas estatutárias aprovadas.

5. A dimensão continental do Brasil, requer uma atenção renovada, a fim de que a todos chegue a certeza pela qual Cristo instituiu o Povo de Deus «para ser comunhão de vida, de caridade e de verdade» (LG, 9). O Povo de Deus apresenta-se como uma comunidade, na medida em que os seus membros possuem e participam dos mesmos «bens», que servem para identificá-lo e distingui-lo dos demais grupos sociais. São Paulo resume quais são os bens que concorrem para a constituir o Povo de Deus, ao proclamar que para os seguidores de Cristo «há um só Senhor, uma só fé, um só batismo» (Ef 4,5).

A todos cabe o direito de receber de forma unitária e homogênea não só a verdade revelada, mas o pensamento comum do Episcopado nacional, através das declarações feitas em nome da Conferência dos Bispos. Apelo, portanto, ao vosso sentido de responsabilidade nos pronunciamentos realizados através dos meios de comunicação social, em representação da mesma Conferência. O fato de uma comunicação ser de inteira responsabilidade pessoal, conforme indicam vossos Estatutos (cf. Cap.IV, art.131), não exime a coerência doutrinal e a fidelidade ao Magistério da Igreja.

6. Como Mestres na Fé e dispensadores dos mistérios de Deus, cabe uma sintonia ainda maior quando se trata de analizar, nas diversas instâncias da Conferência Episcopal, assuntos de dimensão nacional que repercutem nas diversas pastorais diocesanas.

A Conferência Episcopal tem a própria responsabilidade no âmbito da sua competência, mas «as suas decisões possuem reflexos inevitáveis na Igreja universal. O ministério petrino do Bispo de Roma permanece o garante da sincronização da atividade das Conferências com a vida e o ensinamento da Igreja universal» (Audiência Geral de 7 de outubro de 1992, n.º 8). Por sua vez, no âmbito da competência de cada organismo que compõe vossa entidade, cabe ao bispo um diligente e atento exame das matérias que lhe são submetidas, não podendo isentar-se, por falta de tempo, da análise objetiva dos assuntos. Como «testemunhas da verdade divina e católica» os Bispos, «dotados da autoridade de Cristo, são doutores autênticos que pregam ao povo a eles confiado a fé que se deve crer e aplicar na vida prática» (LG, 25).

A esta exigência, deve-se acrescentar também a correta aplicação, para cada caso, das normas do Direito da Igreja tanto ocidental como oriental. Se, de um lado, teoricamente, reina um acordo bastante estendido de conceber o Direito na Igreja à luz do mistério revelado, como foi indicado pelo Concílio Vaticano II (cf. Optatam totius, 16), ainda persiste a idéia de um certo legalismo que, na prática, reduz esse Direito a um conjunto de leis eclesiásticas pouco teológicas e pouco pastorais, contrárias em si à liberdade dos filhos de Deus. Tal visão é certamente inadeguada, visto que, como já tive ocasião de dizer, até mesmo recentemente, «as normas canônicas baseiam-se numa realidade que as transcende» e compreende «aspectos essenciais e permanentes nos quais se concretiza o direito divino» (cf. Discurso ao P. C. para os Textos Legislativos, 24/01/2003, 2).

Por isso, é necessário considerar que a ação pastoral não pode reduzir-se a um certo pastoralismo, entendido no sentido de desconhecer ou atenuar outras dimensões essenciais do mistério cristão, entre elas a jurídica. Se a pastoral dilui qualquer obrigação jurídica, relativiza a obediência eclesial, esvaziando o sentido das normas canônicas. A verdadeira pastoral jamais poderá ser contrária ao verdadeiro Direito da Igreja.

7. Venerados Irmãos, é uma graça saber-se e sentir-se unidos, próximos uns dos outros, decididos a caminhar e trabalhar em conjunto, sobretudo quando se sente tantas forças que nos são contrárias, forças de divisão que procuram separar ou mesmo contrapor os irmãos entre si, chamados antes a viverem unidos. Prossegui o vosso caminho buscando sempre uma sintonia fraterna no âmbito da vossa Conferência Episcopal e com o Sucessor de Pedro que, neste momento, renova seu abraço de comunhão com todos, inclusive com os que aqui estiveram, desde o ano passado, em Visita ad Limina. Por ser este o último grupo previsto do Episcopado brasileiro, deixo-vos os meus votos de paz e de fraternidade, na esperança de que sigais construindo a unidade na verdade e na caridade e para que possais, juntos, responder aos grandes desafios da hora atual.

Ao concluir este encontro dirijo o meu pensamento para a Virgem Aparecida, Mãe das vossas Comunidades cristãs e Padroeira da grande Nação brasileira. A Ela confio todos vós e vossos sacerdotes, religiosos e religiosas, e fiéis leigos das vossas Dioceses, ao conceder-vos de coração a minha Bênção Apostólica.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II À DELEGAÇÃO DO SANTO SÍNODO DA IGREJA ORTODOXA SÉRVIA

6 de Fevereiro de 2003

1. É com profunda alegria que vos dirijo a minha saudação, caríssimos Irmãos, e com sentimentos de caridade fraterna acolho, junto dos túmulos dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, a vossa Delegação. Por vosso intermédio saúdo o venerado Patriarca Pavle, com o Santo Sínodo, todos os Bispos, o clero, os monges e fiéis da vossa Igreja Santa.

2. A presença da vossa Delegação em Roma e o nosso encontro de hoje, que se realiza no início do terceiro milénio, não só se revestem de grande significado, mas também nos enchem de esperança a todos nós. De facto, a última década do século XX foi muito assinalada por não poucos acontecimentos dolorosos, que provocaram indizíveis sofrimentos em numerosas populações dos Balcãs. Infelizmente, não faltaram as injustiças e os seus autores não hesitaram em recorrer à instrumentalização dos sentimentos e dos valores religiosos e patrióticos para atingir em maior profundidade o seu próximo.

As Igrejas nem por isso deixaram de cumprir o seu dever de chamar todas as partes à causa da paz, ao restabelecimento da justiça e ao respeito dos direitos de cada pessoa, sem os discriminar pela sua pertença étnica ou crença religiosa. Como é sabido, também a Santa Sé, sem equívocos e com imparcialidade, muitas vezes ergueu a sua voz e eu, pessoalmente, não deixei de o fazer antes e durante as acções que feriram em particular as populações do vosso País, em 1999.

3. O passado recente marcou profundamente a história dos homens; deixou não pouca confusão nos juízos e tantos sofrimentos naqueles que suportaram lutos dolorosos ou tiveram de abandonar tudo o que possuíam. As Igrejas têm o dever de actuar segundo o modelo do bom samaritano.

Elas devem aliviar os sofrimentos de todos, curar as feridas e promover a purificação da memória de que surgirá um sincero perdão e uma fraterna colaboração. Estou contente porque já se empreenderam algumas iniciativas nesse sentido e desejo que a sua realização continue, graças ao generoso contributo de todos, a nível local no vosso País, bem como a nível regional. Pelo que diz respeito à Igreja católica, também presente na Sérvia e nos Países limítrofes, garanto que ela não fugirá a este dever e não deixará de dar o seu contributo.

4. Hoje, as Igrejas confrontam-se com novas exigências e desafios, que derivam de uma irreprimível transformação do Continente europeu. A identidade cristã da Europa, formada nas suas raízes pelas duas tradições ocidental e oriental, às vezes parece ser posta em discussão. Isto não pode deixar de nos levar a procurar e promover todas as formas de colaboração que permitam aos ortodoxos e aos católicos dar, em conjunto, um vivo e convincente testemunho da sua tradição comum. Este testemunho tornar-se-á eficaz não somente na afirmação dos valores evangélicos como a paz, a dignidade da pessoa, a defesa da vida e a justiça na sociedade de hoje, nas também na aproximação e consolidação da fraternidade que deveria assinalar as relações eclesiais entre católicos e ortodoxos.

A vossa Igreja, no decurso dos séculos, também entre algumas adversidades, empenhou-se na difusão do Evangelho entre o Povo Sérvio, contribuindo desse modo para a promoção da identidade cristã da Europa. Fiel à tradição apostólica, ela proclamou com perseverança a Boa Nova da salvação, imprimindo à sociedade sérvia uma forte marca cultural que aparece, além do mais, na sugestiva arquitectura de igrejas e mosteiros. Esta herança não vos pertence somente a vós; dela se orgulham também todos os outros cristãos. O meu desejo e os meus votos são para que toda a Europa encontre os meios apropriados para a preservar em toda a parte onde floresceu e cresce.

5. Caríssimos irmãos, agradeço-vos a vossa visita. Ela é para mim um sinal de que o Espírito de Deus guia a Igreja para o restabelecimento da unidade de todos os discípulos de Cristo pela qual Ele rezou na véspera da sua morte. Peçamos ao Senhor que nos dê a força de continuar a percorrer este caminho com confiança, paciência e coragem. Peço-vos que transmitais as minhas cordiais e fraternas saudações a Sua Beatitude, o Patriarca Pavle, e à vossa Igreja com todos os seus membros. Quanto a vós, garanto-vos a minha oração a fim de que o Senhor que orienta os nossos passos, vos acompanhe nesta vossa visita, motivo de esperança para o crescimento das nossas relações recíprocas.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DO SÍNODO PERMANENTE DA IGREJA GRECO-CATÓLICA UCRANIANA

3 de Fevereiro de 2003

Veneráveis Irmãos no Episcopado

1. A reunião do Sínodo permanente da Igreja greco-católica ucraniana, aqui em Roma, oferece-vos a feliz oportunidade de reafirmar a vossa comunhão com o Sucessor de Pedro. De facto, quisestes reunir-vos nesta cidade, a fim de encontrar, em espírito de profunda unidade e de cordial fraternidade, o Papa e os seus mais directos colaboradores. Sede bem-vindos!

Agradeço ao Cardeal Lubomyr Husar, vosso Arcebispo-Mor, as amáveis palavras que me dirigiu, em nome de todos. Ao saudar cada um de vós em particular, desejo fazer chegar o meu afectuoso pensamento aos fiéis confiados aos vossos cuidados pastorais, recordando a amizade que me manifestaram durante a visita à Ucrânia, em Junho de 2001. Naquela ocasião, à alegria das vossas comunidades juntou-se também o acolhimento e o respeito de tantos fiéis ortodoxos, que viram no Bispo de Roma um amigo sincero.

2. A Igreja greco-católica ucraniana, renascida depois dos trágicos acontecimentos do século passado, prossegue o seu caminho de reconstrução na consciência da sua grande herança espiritual, do fecundo testemunho dos seus mártires e da necessidade de manter a todos os níveis uma atitude de diálogo, de colaboração e de comunhão.

Encorajo-vos neste espírito que, no contexto das vicissitudes de cada dia, às vezes difíceis, é para vós um guia seguro para resolver os problemas que gradualmente se apresentam. A este respeito, como deixar de pôr em relevo os recentes e cordiais encontros com os vossos Irmãos Bispos de rito latino, que permitiram examinar, à luz do mesmo preceito da caridade e da unidade, as questões pastorais que interessam a ambas as comunidades? Também elas são aplicação prática daquela comunhão efectiva e afectiva que deve orientar os Pastores do rebanho de Cristo. Esta comunhão é muito mais necessária se se reflecte sobre os desafios que a actual situação põe diante de vós, desde as necessidades espirituais de uma larga faixa da população aos graves dilemas da emigração; das privações dos menos afortunados às dificuldades familiares; da exigência de um diálogo ecuménico ao desejo de uma maior integração no contexto europeu.

3. Venerados Irmãos, provindes de uma terra que é o berço do cristianismo na Europa Oriental. É-vos pedido que trabalheis neste "laboratório" eclesial em que coexistem a tradição cristã oriental e a latina. Ambas contribuem para tornar mais belo o rosto da única Igreja de Cristo. A Ucrânia, "terra de confins", leva escrita na sua história e no sangue de tantos dos seus filhos a chamada para trabalhar com todo o empenho no serviço da causa da unidade de todos os cristãos.

Confio os vossos bons propósitos às orações dos vossos numerosos mártires e à intercessão de Maria Santíssima, ternamente invocada nos muitos santuários do vosso País. Com a minha cordial Bênção Apostólica!

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II A UM GRUPO DE JOVENS DA ARQUIDIOCESE DE TRANI-BARLETTA-BISCEGLIE (ITÁLIA)

1 de Fevereiro de 2003

Caríssimos Jovens

1. É com grande alegria que vos acolho, juntamente com o vosso Arcebispo, D. Giovanni Battista Pichierri, e os Sacerdotes que vos acompanham. Estou feliz por vos encontrar: sede todos bem-vindos!

Com esta peregrinação a Roma, desejais preparar-vos para uma missão especial, promovida pela Comunidade diocesana de Trani-Barletta-Bisceglie, e que verá como protagonistas precisamente os jovens. Trata-se da "Missão dos jovens para os jovens", uma escolha que olha para o futuro e está em sintonia com as indicações dos Bispos italianos, que propõem os jovens e a família como destinatários privilegiados do compromisso pastoral destes anos (cf. Comunicar o Evangelho num mundo em mudança. Orientações pastorais 2001-2010, pp. 51-52).

Os jovens e as famílias constituem o futuro da sociedade e da Igreja, e é confortador ver amadurecer no meio deles numerosas e significativas experiências de espiritualidade, de serviço e de partilha.

2. A vossa missão liga-se espiritualmente à Jornada Mundial da Juventude de 2000 quando, em Tor Vergata, pude definir os jovens como "sentinelas da manhã naquele alvorecer do novo milénio" (Homilia na Vigília, n. 6). Estou feliz por ver que aquelas palavras não cessam de fazer vibrar o vosso coração, como também o coração de muitos rapazes e moças, estimulando as suas mentes para a acção.

A expressão "Missão dos jovens para os jovens" faz eco da expressão usada pelo Concílio Vaticano II. Os jovens "devem tornar-se escreveram os Padres conciliares os primeiros e imediatos apóstolos dos jovens, exercendo pessoalmente o apostolado entre si, tendo conta do ambiente social em que vivem" (Decreto Apostolicam actuositatem, 12). Este convite foi renovado pelo meu venerável Predecessor, o Papa Paulo VI que, na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, observava: "É necessário que os jovens, bem formados na fé e na oração, se tornem cada vez mais os apóstolos da juventude. A Igreja conta muito com a sua contribuição" (n. 72).

3. Bem formados na fé e na oração. Caros jovens, é preciso reflectir com atenção sobre esta exigência. O bom êxito da missão dependerá da qualidade dos missionários: quanto mais dóceis fordes como instrumentos nas mãos de Deus, mais o vosso testemunho será eficaz. Preparai-vos com empenhamento, para serdes "fermento", "sal" e "luz" no meio dos vossos coetâneos e nos ambientes em que viveis.

3. A santidade surpreende, faz reflectir, convence e, se Deus quiser, converte. A santidade dos jovens constitui um dos dons mais bonitos que o Senhor concede à Igreja. Cada um de vós é chamado a ser santo, ou seja, a seguir Jesus com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças. Sirva-vos de guia e de modelo neste caminho a Virgem Maria que, também Ela jovem como vós, respondeu ao Anjo: Eis-me, sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra (cf. Lc 1, 38), e sempre cumpriu fielmente a vontade de Deus. Caríssimos, aprendei dela a ser humildes e dóceis, prontos a dar-vos a vós mesmos para que, também em vós, o Senhor possa realizar "grandes coisas".

4. A propósito do estilo da missão, permiti-me agora que vos repita uma palavra tirada da primeira Carta do Apóstolo Pedro, onde se faz esta observação: "Venerai Cristo Senhor nos vossos corações e estai sempre prontos a responder, para vossa defesa, com doçura e respeito, a todo aquele que vos perguntar a razão da vossa esperança. Tende uma consciência recta a fim de que, mesmo naquilo em que dizem mal de vós, sejam confundidos os que caluniam a vossa boa conduta em Cristo" (1 Pd 3, 15-16).

Jovens de Trani-Barletta-Bisceglie, Cristo é "a esperança que está em vós"! Seja Ele a iluminar as vossas jovens consciências! Estai sempre prontos a responder a todo aquele que vos perguntar a razão da sua verdade e do seu amor. Sede testemunhas convictas e mensageiros da verdade, pois ela persuade, por si só, aqueles que se lhe abrem. O vosso "cartão de visita" seja o amor recíproco: "É por isso que todos saberão que sois meus discípulos disse Jesus se vos amardes uns aos outros" (Jo 13, 35). E o amor encher-vos-á de uma alegria íntima e intensa; da alegria unida à paz do coração, que somente Jesus sabe dar aos seus amigos.

E transmiti aos vossos coetâneos a alegria de O seguir. Quem encontra Jesus, experimenta uma forma diversa de ser feliz, uma nova alegria de viver, fundamentadas não no ter ou no parecer, mas no ser. Ser jovem cristão significa viver com Jesus, por Jesus e em Jesus.

5. Agora, voltando a reflectir sobre o tema da vossa missão, pergunto-vos: desejais vós, caríssimos jovens da Arquidiocese de Trani-Barletta-Bisceglie, ser sentinelas de esperança?

Com esta fé e com esta coragem, ide e o Senhor esteja convosco! Maria, Estrela da Nova Evangelização, vele sempre sobre os vossos passos. Também eu vos acompanho com o afecto, a oração e a minha Bênção.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DA INDONÉSIA POR OCASIÃO DA VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

29 de Março de 2003

Queridos Irmãos Bispos

1. "Graça e paz vos sejam dadas da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo" (1 Cor 1, 3)! É com estas palavras de São Paulo e com afecto no Senhor que vos saúdo, Bispos da Indonésia, por ocasião da vossa visita ad limina Apostolorum. Através de vós, abraço espiritualmente também o clero, os religiosos e os leigos das vossas Igrejas particulares. O facto de terdes vindo de tão longe para vos ajoelhardes junto dos túmulos dos Apóstolos, para rezardes em conjunto e para vos encontrardes com o Sucessor de Pedro, dá testemunho da índole universal da Igreja. Como Sucessores dos Apóstolos, cujo testemunho de Cristo crucificado e ressuscitado constitui o fundamento seguro da proclamação evangélica da Igreja em todos os tempos e lugares, viestes aqui para confirmar a vossa comunhão na fé a na caridade. Estou-vos grato porque, neste período de provações, conseguistes realizar esta peregrinação em ordem a compartilhar a fé, as experiências e as reflexões das vossas comunidades locais, assim como os desafios que estais a enfrentar. Que os frutos dos nossos encontros enriqueçam a Igreja que está na Indonésia e promovam o vosso ministério pastoral.

2. A vossa liderança ajuda a assegurar que a Igreja ocupe um lugar na linha de vanguarda na promoção da paz e da harmonia, num país formado por grupos tão diferentes entre si. Com efeito, a vossa Conferência procura reflectir o lema Bihneka Tungal Ika, "unidade na diversidade", que está representado no vosso brasão nacional. As vossas diferentes formações étnicas e culturais, reunidas numa atmosfera de fé, diálogo e confiança mútua podem oferecer um modelo de esperança para toda a Indonésia. No começo de uma nova era, a Indonésia está a enfrentar o desafio da construção de uma sociedade fundamentada nos princípios democráticos da liberdade e da igualdade dos seus cidadãos, independentemente da língua, raça, proveniência étnica, herança cultural ou religião. Não tenho qualquer dúvida de que a Igreja permanecerá activamente comprometida nestes esforços, encorajando todas as pessoas a unirem-se no exercício das suas responsabilidades cívicas, através do diálogo e da abertura, evitando todo o tipo de preconceito ou intolerância. O desenvolvimento de uma sociedade que assume estes ideais democráticos ajudará a impedir a violência dramática que, infelizmente, tem representado um flagelo no vosso país nos últimos anos.

A liberdade religiosa, que constitui uma das características tradicionais da sociedade indonésia, é garantida pela vossa Constituição nacional. A Igreja deve permanecer sempre vigilante, a fim de assegurar que este princípio seja respeitado a níveis federal e local. A minha esperança é de que estes esforços ajudem a criar um clima em que o respeito pelo exercício da lei se torne a nova base para uma sociedade democrática tolerante e não violenta. Este importante primeiro passo começa com uma formação humana adequada. Como disse na minha Carta Encíclica Centesimus annus , ajudar "o indivíduo mediante a educação e a formação nos verdadeiros ideais" é um elemento necessário para a criação de uma ordem cívica caracterizada por uma autêntica solicitude pelo bem comum (cf. n. 46). A este propósito, deve prestar-se uma atenção especial aos pobres.

A Igreja está persuadida de que "o desenvolvimento dos pobres constitui uma grande oportunidade para o crescimento moral e cultural de toda a humanidade" (Ibid., n. 28). Dado que a mensagem de Cristo é de esperança, os seus seguidores devem assegurar sempre que os menos afortunados de entre nós, independentemente da religião ou da tradição étnica, sejam tratados com a dignidade e o respeito exigidos pelo Evangelho. A promoção dos direitos fundamentais da pessoa mais frágil é um caminho seguro para uma sociedade estável e produtiva. A Igreja é chamada "a pôr-se ao lado dos pobres, a discernir a justiça das suas exigências e a ajudar a realizá-las" (cf. Sollicitudo rei socialis , 39).

3. Uma das maneiras mais eficazes para a comunidade cristã ajudar os pobres é através da educação. É neste sector, assim como no seu impressionante sistema de agências caritativas, que a Igreja que peregrina na Indonésia é apreciada. Embora correspondam apenas a uma pequena parte da população total, os católicos desenvolveram um vasto e respeitado sistema escolar. O trabalho da Igreja no campo da educação é reconhecido como uma das maiores contribuições para a sociedade indonésia e, sem dúvida, continua a ser um modo efectivo de transmitir os valores evangélicos. A educação católica, como uma importante parte da missão catequética e evangelizadora da Igreja, deve fundamentar-se numa filosofia em que a fé e a cultura se encontrem numa unidade harmónica (cf. Congregação para a Educação Católica, A dimensão religiosa da educação na escola católica, n. 34). Os vossos esforços com vista a defender as escolas católicas, especialmente nas áreas pobres não católicas, atingidas pelas dificuldades financeiras, mostram o vosso firme compromisso na solidariedade multicultural e na exigência do amor evangélico por todos. Embora seja encorajador observar o elevado nível de alfabetização na população em geral, não se pode deixar de ficar alarmado com o grande número de jovens que não frequentam a escola secundária. Os vossos jovens devem ser encorajados a não descuidar a sua educação, fascinados pelo materialismo superficial e efémero. A este propósito, gostaria de realçar o trabalho essencial dos catequistas, em países como a Indonésia, onde os fiéis são uma pequena minoria. A falta de acesso à educação católica nalgumas regiões mais pobres, unida a um ambiente por vezes em conflito, ou mesmo hostil, ao Cristianismo, põe em evidência a necessidade de oferecer sérios programas de formação catequética para os jovens e os adultos. A comunidade eclesial tem a responsabilidade de assegurar que os seus membros sejam bem recebidos num "ambiente em que possam viver ao máximo nível possível aquilo que aprenderam" (Catechesi tradendae, 24). A catequese é tarefa de toda a comunidade de fé e uma extensão do ministério da palavra, confiado ao Bispo e ao seu clero. Trata-se de uma responsabilidade eclesiástica, que exige uma formação doutrinal e pedagógica. Encorajo-vos a oferecer todo o vosso apoio àqueles que assumiram de bom grado a difícil e exigente tarefa de prestar este serviço essencial, pelo qual toda a Igreja está agradecida.

4. Desde há algum tempo a vossa Conferência Episcopal reconheceu que a evangelização caminha paralelamente com o profundo, gradual e específico trabalho de inculturação. A verdade do Evangelho deve ser sempre proclamada de maneira persuasiva e relevante. E isto é especialmente importante numa sociedade complexa como a vossa onde, nalgumas áreas e no meio de certos grupos, às vezes o catolicismo é visto com suspeita. Vós tendes a delicada tarefa de fazer com que o Evangelho conserve o seu significado fundamental, válido para todos os povos e culturas comunicando-o, ao mesmo tempo, com a devida atenção aos valores tradicionais e à família. Como afirmei na minha Visita Pastoral à Indonésia, em 1989, "o exemplo de Cristo e o poder do seu Mistério pascal penetram, purificam e elevam toda a cultura e cada uma das culturas" (Homilia em Yogyakarta, 10 de Outubro de 1989).

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