Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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O bom êxito da inculturação depende dos casais e das famílias que assumem a visão cristã da sua vocação e responsabilidade. Por conseguinte, encorajo-vos a continuar a promover os valores tradicionais da família, tão intimamente vinculados à cultura asiática (cf. Ecclesia in Asia , 6), imbuindo-os com a nova vida que provém do Evangelho. As sérias preocupações sobre as crescentes ameaças contra a vida familiar, que realçastes em inúmeras circunstâncias, não podem ser subestimadas. Uma verdadeira "conspiração contra a vida" (cf. Evangelium vitae , 17) e a família está a manifestar-se de numerosas formas: aborto, permissividade sexual, pornografia, abuso de drogas e pressões em ordem à adopção de métodos de controlo demográfico moralmente inaceitáveis. Apesar das dificuldades que encontrais para combater estas tendências numa sociedade cristã, como Bispos vós sois "os primeiros chamados a constituir os mestres incansáveis do Evangelho da vida" (Ibid., n. 82). Em todas as épocas, a voz profética da Igreja deve proclamar com vigor a necessidade de respeitar e promover a lei divina, inscrita em cada coração (cf. Rm 2, 15). Mediante a escuta, o diálogo e o discernimento, os Bispos devem ajudar a sua grei a viver o Evangelho de maneira plenamente compatível com o depósito da fé e os vínculos da comunhão eclesial (cf. Redemptoris missio , 54).

5. Como alguns de vós mencionaram, a Igreja que está na Indonésia vive e sofre com o povo, enfrentando os desafios que se apresentam no contacto diário com uma sociedade não cristã. Trata-se de uma comunidade que procura um caminho de desenvolvimento humano integral, num contexto de harmonia e tolerância religiosa, oferecendo e recebendo muito, num ambiente cultural complexo. Já se alcançou um louvável nível de diálogo inter-religioso no vosso país, em escala institucional. Este intercâmbio recíproco de experiências religiosas encontrou uma expressão prática nos projectos inter-religiosos de caridade e na colaboração, que se realizaram de maneria particular a seguir às calamidades naturais. Mesmo em regiões predominantemente muçulmanas, a Igreja está presente de maneira activa nos orfanatos, nas clínicas e instituições que se dedicam à assistência dos deserdados. É uma maravilhosa expressão da natureza incondicional do amor de Cristo, um amor que não é reservado a poucos, mas a todos.

Nesta altura, quero assegurar-vos a minha profunda solicitude pelo querido povo indonésio, neste momento de alta tensão em toda a comunidade internacional. Nunca se deve permitir que a guerra divida as religiões mundiais. Encorajo-vos a aproveitar este momento de confusão como uma ocasião para trabalhar em conjunto, como irmãos comprometidos em favor da paz, com o vosso próprio povo, com as pessoas de outros credos religiosos e com todos os homens e mulheres de boa vontade, a fim de assegurardes a compreensão, a cooperação e a solidariedade.

Não podemos permitir que uma tragédia humana se torne inclusivamente uma catástrofe religiosa (cf. Discurso a uma Delegação inter-religiosa da Indonésia, 20 de Fevereiro de 2003). Ao mesmo tempo, estou perfeitamente consciente de que alguns sectores da comunidade cristã na vossa nação sofreram em virtude da discriminação e do preconceito, enquanto outros se tornaram vítimas de actos de destruição e de vandalismo. Em determinadas regiões, às comunidades cristãs foi negada a autorização de construir lugares de culto e oração. Há pouco tempo a Indonésia, juntamente com a comunidade internacional, foi atingida pela horrível perda de vidas num atentado terrorista perpetrado em Bali. Todavia, em tudo isto é preciso ter o cuidado de não cair na tentação de definir grupos inteiros de pessoas pelos actos de uma minoria extremista. A religião autêntica não defende o terrorismo, nem a violência, mas procura promover de todas as formas a unidade e a paz de toda a família humana.

6. Uma vez que constituem uma pequena minoria no vosso país, os cristãos são especialmente chamados a tornar-se "fermento na massa" (cf. Mt 13, 33). Apesar das dificuldades e dos sacrifícios, os vossos sacerdotes e religiosos continuam a dar testemunho diário da Boa Nova de Jesus Cristo, atraindo muitas pessoas ao Evangelho. Dado que "a Igreja que está na Ásia se encontra no meio de pessoas que mostram um forte anseio de Deus" (Ecclesia in Asia , 9), vós sois exortados a encontrar formas concretas de corresponder a esta necessidade. Com efeito, os vossos esforços em ordem a promover vocações ao sacerdócio e à vida religiosa reflectem a vossa consciência acerca deste dever. Admiro-vos pela vossa insistência em conservar os altos níveis de educação e formação nos seminários e nas casas religiosas. A solicitude e a atenção manifestadas na selecção e na formação dos candidatos ao sacerdócio e à vida religiosa redundam sempre em benefício da Igreja particular.

Considerando o facto de que a formação e o desenvolvimento espiritual são processos que duram a vida inteira, os Bispos têm a responsabilidade essencial de ajudar os seus sacerdotes, oferecendo-lhes programas de formação permanente, retiros e tempos de oração e confraternização. Um elemento importante nesta formação, tanto inicial como permanente, é uma adequada educação na teologia e na espiritualidade da liturgia. "A liturgia é a fonte e o ápice de toda a vida e missão cristãs. É inclusivamente um decisivo instrumento de evangelização, sobretudo na Ásia, onde os seguidores das diferentes religiões são muito sensíveis ao culto, às festas religiosas e às devoções populares" (cf. Ecclesia in Asia , 22). Os vossos sacerdotes precisam de ter a oportunidade de ser alimentados por esta liturgia e de se tornar peritos no momento de transmitir a riqueza da liturgia aos outros, de forma a fazer resplandecer sempre a sua profundidade, beleza e mistério.

O apoio espiritual e moral que vós ofereceis aos religiosos e às religiosas nas vossas Dioceses constitui também uma parte significativa do vosso ministério episcopal. Os membros dos Institutos religiosos têm desempenhado um papel indispensável no anúncio da Boa Nova aos homens e mulheres da Indonésia e, de maneira especial, aos pobres e deserdados. Neste importante trabalho, eles devem ser sempre ajudados a fortalecer a sua consagração ao Senhor, através da sua vivência diária dos conselhos evangélicos. "Todos os que abraçaram a vida consagrada são chamados a tornar-se guias na busca de Deus, busca essa que sempre atormentou o coração humano e que é particularmente visível em muitas formas de espiritualidade e de ascetismo da Ásia" (Ecclesia in Asia , 44). Por este motivo, os religiosos podem ter um papel essencial no compromisso integral da Igreja no campo da evangelização.

7. Estimados Bispos, é num espírito de fé e de comunhão que compartilhei convosco estas reflexões sobre determinados aspectos do cuidado do querido povo de Deus que vive na Indonésia. Mediante a vossa presença, sinto-me muito próximo dos fiéis indonésios e, neste momento de incerteza, rezo ardententemente para que eles sejam fortalecidos em Cristo.

Confio-vos todos à intercessão de Maria, Rainha do Rosário, que abraça todos aqueles que a Ela recorrem na hora da angústia e que nunca deixam de pedir para ser libertados do mal. No amor de Jesus Cristo, concedo-vos a todos, bem como aos fiéis das vossas Dioceses, a minha Bênção apostólica.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES NO CURSO SOBRE O FÓRUM INTERNO PROMOVIDO PELA PENITENCIARIA APOSTÓLICA

Sexta-feira, 28 de Março de 2003

1. Caríssimos, o Curso sobre o fórum interno, promovido todos os anos pela Penitenciaria Apostólica, oferece-me a oportunidade de vos receber em Audiência especial. Dirijo uma cordial saudação ao Pró-Penitenciário-Mor, D. Luigi De Magistris, a quem agradeço as deferentes palavras que me dirigiu. Saúdo, depois, os Prelados e Oficiais do mesmo Tribunal e os Padres Penitenciários das Basílicas Patriarcais da Cidade, assim como os jovens sacerdotes e aspirantes ao sacerdócio, que participam nesta tradicional oportunidade de aprofundamento doutrinal.

Manifestei o meu apreço em variadas ocasiões por quantos se dedicam ao ministério penitencial na Igreja: o sacerdote católico, na verdade, é antes de mais o ministro do Sacrifício redentor de Cristo na Eucaristia, e ministro do perdão divino no sacramento da Penitência.

2. É-me grato, nesta ocasião, deter-me principalmente sobre a relação privilegiada que existe entre o sacerdócio e o sacramento da Reconciliação, que deve ser recebido pelo presbítero, antes de tudo, com fé e humildade, e também com frequência convicta. De facto, em relação aos eclesiásticos, o Concílio Vaticano II ensina: "Os ministros da graça sacramental unem-se intimamente a Cristo Salvador e Pastor pela recepção frutuosa dos Sacramentos, especialmente pela frequente recepção do Sacramento da Penitência o qual, preparado diariamente pelo exame de consciência, favorece em grande medida a necessária conversão do coração ao amor do Pai das misericórdias" (Decreto Presbyterorum Ordinis, 18; CIC, cân. 276, 2, 5 e, analogamente, CCEO, cân. 369, 1).

Ao valor intrínseco do sacramento da Penitência, enquanto recebido pelo sacerdote como penitente, acrescenta-se a sua eficiência ascética como ocasião de exame de si mesmo e, por conseguinte, de verificação, feliz ou dolorosa, do próprio nível de fidelidade às promessas. Além disso, ele é um momento inefável de "experiência" da caridade eterna que o Senhor nutre por cada um de nós na sua irrepetível individualidade; é desabafo de desilusões e amarguras infligidas talvez injustamente: é alívio confortador para as numerosas formas de sofrimento pelas quais a vida está marcada.

3. Depois, como ministro do sacramento da Penitência o sacerdote, consciente do precioso dom de graça que lhe foi confiado, deve oferecer aos fiéis a caridade do acolhimento cuidadoso, sem ser avarento com o seu tempo, nem áspero ou frio no modo de tratar. Ao mesmo tempo, ele deve usar a caridade, aliás, a justiça de apresentar, sem variantes ideológicas e sem deduções arbitrárias, o ensinamento genuíno da Igreja, evitando as profanas vocum novitates, em relação aos seus problemas.

Sobretudo, desejo recordar aqui a vossa atenção sobre o dever de adesão ao Magistério da Igreja sobre os problemas complexos que se apresentam em âmbito bioético e sobre a orientação moral e canónica no campo matrimonial. Na minha Carta, dirigida aos sacerdotes para a Quinta-Feira Santa de 2002, eu anotei: "Relativamente às questões éticas fundamentais da actualidade, por vezes acontece que os fiéis saem da confissão com as ideias bastante confusas, nomeadamente porque não encontram nos confessores a mesma linha de avaliação. Na realidade, aqueles que desempenham, em nome de Deus e da Igreja, este delicadíssimo ministério têm o dever concreto de não cultivar e, mais ainda, de não manifestar na sede sacramental juízos pessoais não sintonizados com o que a Igreja ensina e proclama. Não se pode confundir com amor o acto de faltar à verdade por um equivocado sentido de compreensão" (Carta aos Sacerdotes, 17 de Março de 2002, n. 10).

4. O sacramento da Penitência, se for bem administrado e recebido, revela-se um instrumento principal de discernimento vocacional. Quem age em fórum interno deve alcançar pessoalmente a certeza moral sobre a idoneidade e integridade daqueles que dirige espiritualmente para poder aprovar licitamente e encorajar as suas intenções de aceder às Ordens. Aliás, só podemos ter esta certeza moral, quando a fidelidade do candidato às exigências da vocação foi comprovada com experiência contínua.

Contudo, o director espiritual deve oferecer aos cadidatos ao sacerdócio não só o discernimento, mas também o exemplo da sua vida, procurando reproduzir em si o Coração de Cristo.

5. O recto e frutuoso ministério penitencial e o amor à fruição pessoal do sacramento da Penitência dependem sobretudo da graça do Senhor. Para obter este dom para o sacerdote é de particular relevo a mediação de Maria, Mãe da Igreja e Mãe dos sacerdotes, porque é Mãe de Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote. Que ela se digne obter do seu Filho, para cada sacerdote, o dom da santidade, mediante o sacramento da Penitência humildemente recebido e oferecido com generosidade.

Desça sobre as vossas convicções, os vossos propósitos, e as vossas esperanças, a Bênção apostólica, propiciadora das bênçãos de Deus, que concedo a todos com afecto.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES NA REUNIÃO PLENÁRIA DA PONTIFÍCIA COMISSÃO PARA A AMÉRICA LATINA

Quinta-feira, 27 de Março de 2003

Senhores Cardeais Queridos Irmãos no Episcopado

1. É com prazer que vos recebo, a vós Conselheiros e Membros da Pontifícia Comissão para a América Latina, que realizastes a vossa Assembleia Plenária a fim de examinar uma vez mais a situação eclesial nas terras da América Latina, identificar os seus problemas pastorais e oferecer algumas linhas-mestras para ajudar a traçar uma estratégia evangelizadora capaz de enfrentar os grandes desafios que se apresentam neste momento crucial do começo do novo milénio.

Agradeço cordialmente as expressivas palavras de saudação que, em nome de todos, me foram dirigidas pelo Senhor Cardeal Giovanni Battista Re, Presidente desta Pontifícia Comissão, apresentando-me as linhas-mestras que orientaram os vossos trabalhos nestes dias de encontro, de reflexão e de diálogo. Agradeço-vos também a todos o compromisso e o trabalho levado a cabo durante estes dias, que se realizam segundo as indicações e a ajuda que ofereceis, participando deste modo na minha solicitude de Pastor universal de toda a Igreja. As vossas considerações e propostas serão úteis para a renovada Evangelização da América Latina, cuja situação religiosa e social acompanhei sempre com interesse e afecto, de maneira muito concreta nas minhas 18 viagens apostólicas ao querido Continente da Esperança.

2. Desde o ano de 2001 até ao mês de Fevereiro do corrente ano de 2003, os Bispos latino-americanos realizaram as suas visitas ad Limina, com excepção da Colômbia e do México, que o farão mais tarde. A cada um dos 28 grupos que me visitaram, dirigi um discurso com indicações pastorais sobre vários temas. Na realidade, trata-se de orientações não apenas para o grupo concreto a que me dirigia em cada ocasião, mas para todo o Episcopado. A Pontifícia Comissão para a América Latina quis publicá-los num volume, que o Presidente me entregou e que pode ser um instrumento útil para recordar aquilo que eu disse, impelido pela minha solicitude pastoral e pelo meu amor à América Latina. Nesta circunstância, começastes as vossas sessões, estudando precisamente estas orientações.

3. Para fazer com que progrida o vosso compromisso de anunciar melhor Cristo aos homens e às mulheres de hoje, iluminando portanto, com a sabedoria do Evangelho, os desafios e os problemas que a Igreja e a sociedade na América Latina estão a enfrentar no começo do novo milénio, a Igreja tem necessidade de muitos evangelizadores qualificados que, com novo ardor, renovado entusiasmo e delicado espírito eclesial, transbordantes de fé e de esperança, falem "cada vez mais de Jesus Cristo" (Ecclesia in America, 67). Estes evangelizadores Bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e fiéis leigos são, sob a orientação do Espírito Santo, os protagonistas indispensáveis na tarefa evangelizadora, em que contam mais as pessoas do que as estruturas, embora estas sejam de certa forma necessárias.

Tais estruturas devem ser simples, práticas e indispensáveis, de maneira a não sobrecarregar, mas a ajudar e facilitar o trabalho pastoral; por outro lado, deverão ser eficazes, segundo as exigências dos tempos actuais. É importante aproveitar todas as técnicas modernas em ordem à evangelização, mas evitando a burocratização excessiva, a multiplicação das viagens e das reuniões, assim como a utilização desnecessária de pessoas, tempo e recursos económicos, que poderiam destinar-se sobretudo à acção directa do anúncio evangélico e à atenção aos necessitados. As estruturas e as organizações, assim como o estilo de vida eclesial, devem reflectir sempre o rosto simples da América Latina, para facilitar uma maior aproximação às massas de deserdados, indígenas, imigrantes, deslocados, trabalhadores, marginalizados, enfermos e, em geral, às pessoas que sofrem, ou seja, a quantos são ou devem constituir o objectivo da vossa opção preferencial (cf. Ecclesia in America, 58).

4. A originalidade e a fecundidade do Evangelho, fonte contínua de criatividade, inspira sempre novas expressões e iniciativas na vida eclesial e ajuda a identificar novos métodos de evangelização que, em plena fidelidade ao Magistério e à Tradição da Igreja, sejam necessários para levar o anúncio do Evangelho aos lugares mais remotos, a todos os homens e mulheres, a cada etnia e a todas as classes sociais, inclusivamente aos sectores mais difíceis ou refractários. A aceleração dos acontecimentos e das transformações sociais obriga a Igreja e, por conseguinte, os Pastores, a darem, sob o impulso da Graça, novos e significativos passos, orientados para uma entrega cada vez mais radical ao seu Senhor, com quem se devem identificar plenamente nos sentimentos, na doutrina e no modo de agir. Jesus Cristo é o único Senhor da Igreja e do mundo, e tudo deve orientar-se para Ele, uma vez que "a Igreja há-de centrar a sua atenção pastoral e a sua acção evangelizadora em Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado. Tudo o que for projectado no campo eclesial deverá partir de Cristo e do seu Evangelho" (Ecclesia in America, 67).

5. Entre as realidades, ou problemas pastorais, submetidos à vossa consideração, existe um que merece especial atenção e que tem sido objecto de vossos estudos e de algumas resoluções nesta Reunião Plenária e naquela outra reduzida, que a Comissão organizou para o mês de Janeiro, com a colaboração do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso e do CELAM.

Refiro-me ao fenómeno das seitas que como disse num recente discurso aos Bispos do Brasil "também nas vossas terras se está difundindo com incidência intermitente de zona para zona e com pontas acentuadas de proselitismo entre as pessoas mais fracas social e culturalmente... Não constitui ele para vós, Pastores, um autêntico desafio a renovar o estilo do acolhimento dentro das comunidades eclesiais e um estímulo premente a uma nova e corajosa evangelização, que desenvolva formas adequadas de catequese, sobretudo para os adultos?" (23 de Janeiro de 2003, n. 2)

Evangelização em profundidade, presença contínua e activa dos Pastores, Bispos e sacerdotes, entre os seus fiéis, relação pessoal dos fiéis com Cristo: eis aqui algumas chaves para enfrentar de forma resoluta o grave e insidioso problema das seitas.

6. É evidente que, em referência às situações ou realidades eclesiais, a que vos referistes na vossa Reunião, existem outros sectores, como os jovens, as famílias e sobretudo as vocações sacerdotais, que necessitam de uma atenção urgente por parte dos Pastores, com uma ampla sinergia, ou seja, com empenho de todos, apostando decididamente na unidade e na comunhão: é cada vez mais necessário "fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão: eis o grande desafio que nos espera no milénio que começa, se quisermos ser fiéis ao desígnio de Deus e corresponder às expectativas mais profundas do mundo" (Novo millennio ineunte, 43; cf. Ecclesia in America, cap. IV).

Quero lembrar aqui a grande importância que, para isso, tem a acção evangelizadora dos religiosos e religiosas, assim como a dos movimentos eclesiais; porém, estes e aqueles devem actuar sempre "em plena sintonia eclesial e obediência às directrizes autorizadas dos Pastores" (Novo millennio ineunte, 46).

7. No ano passado, tive a ventura de voltar a prostrar-me diante da venerada imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, por ocasião da minha visita ao México para canonizar, no dia 31 de Julho, o Beato João Diogo, seu mensageiro e, além disso, para beatificar os dois catequistas mártires de Oaxaca Guadalupe, depois de ter canonizado na Guatemala o Irmão Pedro de São José de Betancurt.

Desde que fui em peregrinação pela primeira vez ao maravilhoso Santuário Guadalupano, no dia 29 de Janeiro de 1979, Ela orientou os meus passos nestes quase 25 anos de serviço como Bispo de Roma e Pastor universal da Igreja. A Ela, caminho seguro para encontrar Cristo (cf. Ecclesia in America, 11), e que foi a primeira Evangelizadora da América, quero invocá-la como "Estrela da Evangelização" Stella evangelizationis confiando-lhe a obra eclesial dos seus filhos e filhas da América: os Pastores, os fiéis, as comunidades eclesiais, as famílias, os pobres, os idosos e os indígenas.

Como expressão destes bons votos, concedo-vos de coração a minha Bênção apostólica.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II A SUAS ALTEZAS REAIS OS GRÃO-DUQUES DE LUXEMBURGO EM VISITA OFICIAL

Quinta-feira, 27 de Março de 2003

Altezas!


Agradeço a Vossas Altezas Reais a visita e os sentimentos que me transmitistes da parte de todo o povo luxemburguês. Peço-lhes que tenham a amabilidade de transmitir a Suas Altezas Reais o Grão-Duque João e a Grã-Duquesa Josefa-Carlota a minha cordial recordação, garantindo à Grã-Duquesa a minha oração pela prova de saúde que está a atravessar.

Conheço a atenção que dedicais à educação dos jovens, para que seja transmitido às gerações futuras o património dos valores que forjaram as nossas sociedades e que devem continuar a dar-lhes uma alma. Como tive muitas vezes a ocasião de dizer, a construção da União europeia não pode limitar-se unicamente aos campos da economia e da organização do mercado. Ela tem em vista, antes de mais, um modelo de sociedade que honre a dignidade fundamental de todos os homens e os seus direitos, e que privilegie entre as pessoas e entre os povos relações fundadas na justiça, no respeito recíproco e na paz. É neste espírito que a Santa Sé trabalha, para recordar incansavelmente que o homem "vale mais pelo que é do que por aquilo que possui", como afirmou o Concílio Vaticano II. A dimensão religiosa do homem e dos povos, cuja importância não podemos ignorar, permite justamente que cada um exprima o seu ser profundo, reconheça a sua origem em Deus e compreenda o sentido da sua acção em termos de missão e de responsabilidade.

A todos os que vivem no nosso continente, que gozam da riqueza económica e dos benefícios da paz, temos o dever de dar a conhecer o valor inalienável da nossa humanidade comum e da responsabilidade que ela confere em relação a todos os homens, sobretudo aos que sofrem devido à pobreza, ao menosprezo da sua dignidade, ou que conhecem a prova da guerra. Sinto-me feliz porque, hoje, numerosos jovens europeus sentem sede do espírito das Bem-Aventuranças e estão prontos a acolhê-lo em maior medida na sua vida.

Agradeço-vos a vossa visita, e, através de vós, saúdo o querido povo luxemburguês e concedo-vos, Altezas, assim como aos vossos filhos, uma afectuosa Bênção Apostólica.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DO PONTIFÍCIO CONSELHO PARA AS COMUNICAÇÕES SOCIAIS REUNIDOS EM ASSEMBLEIA PLENÁRIA

Terça-feira, 25 de Março de 2003

Eminências Excelências Queridos Irmãos e Irmãs em Cristo

É-me grato saudar-vos, a vós, membros, consultores, funcionários e peritos do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, reunidos para a vossa assembleia plenária.

Efectivamente, é oportuno que a vossa assembleia se realize durante a semana em que a Igreja celebra a Solenidade da Anunciação, quando a Boa Nova da nossa salvação em Jesus Cristo foi anunciada a Maria pelo Arcanjo Gabriel. Esta Boa Nova deve ser compartilhada por todos os povos de todos os tempos e lugares, e o vosso dever específico consiste em torná-la cada vez mais eficazmente presente no mundo dos mass media. Agradeço-vos o vosso compromisso neste campo, enquanto vos encorajo a perseverar no mesmo.

Não há dúvida de que, hoje em dia, os mass media exercem uma influência extremamente poderosa e persuasiva, formando e informando a opinião pública a níveis local, nacional e global. Ao reflectirmos sobre este facto, vem à nossa mente um trecho da Carta do Apóstolo São Paulo aos Efésios: "Cada um diga a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros" (4, 25). Estas palavras do Apóstolo formam uma síntese adequada daquelas que deveriam ser as duas metas prioritárias das comunicações sociais modernas: fazer com que a verdade seja cada vez mais conhecida e incrementar a solidariedade para com a família humana.

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