Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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Quando começar a fazer parte das estruturas europeias, será oportuno que o povo romeno recorde que não tem apenas algo a receber, mas que dispõe também de uma rica herança espiritual, cultural e histórica a oferecer, em benefício da unidade e da vitalidade de todo o Continente. Formadas através de duras provações históricas, mesmo recentes, as vossas comunidades devem saber manter com firmeza a sua adesão ao património milenário dos valores cristãos, que receberam dos antepassados, e segundo os quais foram formadas.

Esta é a tarefa que interpela também os fiéis leigos nas suas várias responsabilidades apostólicas. Será necessário formá-los de modo adequado, a fim de que saibam assumir a sua urgente participação na edificação da sociedade, mediante um corajoso testemunho cristão.

5. Diante de vós há tarefas verdadeiramente comprometedoras! As urgências que se manifestam na hora presente são tais, que fazem sentir com vigor ainda maior a exigência de recuperar quanto antes a plena unidade entre todos os discípulos de Cristo. É necessário trabalhar com todos os meios para apressar o alcance desta meta. Foi precisamente isto que se voltou a afirmar, também por ocasião da inesquecível visita que Sua Beatitude Teoctisto, Patriarca ortodoxo da Roménia, quis realizar a Roma, no passado mês de Outubro. Nessa circunstância foi realçado, de modo ainda mais clarividente, que o testemunho conjunto dos cristãos constitui uma necessidade deste momento, para comunicar de modo eficaz o Evangelho ao mundo contemporâneo. Esta é a urgente vocação de todos os cristãos, em dócil obediência ao mandamento de Cristo, que convida a rezar e a trabalhar "para que todos sejam um só" (Jo 17, 21).

Rezo ao Senhor para que chegue quanto antes o dia abençoado em que os católicos e os ortodoxos possam, em conjunto, comungar na mesma Mesa santa. A este propósito, uma missão singular é confiada à veneranda Igreja greco-católica da Roménia, em virtude da sua profunda familiaridade com a tradição oriental. É necessário que as mentes e os corações de todos se voltem com aumentada confiança para o Senhor, implorando a sua ajuda nesta fase inicial de um novo milénio. Sem dúvida, não faltam dificuldades e devem ter-se em conta também duros sacrifícios. Contudo, o que está em jogo é tão excelso que merece um esforço generoso por parte de todos.

6. Veneráveis Irmãos, o vosso País teve a oportunidade providencial de ver prosperar lado a lado, ao longo dos séculos, as duas tradições, a latina e a bizantina que, em conjunto, continuam a adornar o rosto da única Igreja. Vós trabalhais como que no contexto de um "laboratório" espiritual, onde as riquezas da cristandade inconsútil podem mostrar toda a sua força e toda a sua vitalidade.

Será preciso que subsista entre vós, estimados Pastores, uma estima constante e uma consideração fraternal recíproca. Nos problemas de interesse conjunto, deveis saber ajudar-vos uns aos outros, com vista a um melhor conhecimento de ambas as heranças espirituais. Penso, por exemplo, no ensinamento nos Seminários, no aperfeiçoamento das suas estruturas e na permuta de professores, especialmente em favor daqueles seminários que têm escassez de docentes; penso, outrossim, no cuidado das minorias linguísticas no interior das respectivas Dioceses, na ajuda que as vossas Igrejas podem dar a outras Comunidades pobres de clero e na preciosa contribuição no âmbito do compromisso missionário.

Analogamente, é mais do que nunca necessária uma constante e cordial colaboração dos consagrados e das consagradas na vida da Igreja. Sem dúvida, deve respeitar-se a sua autonomia legítima, mas é ao mesmo tempo justo suscitar estas inestimáveis energias apostólicas a fim de colaborar de forma adequada para os compromissos pastorais que vos são próprios, como Pastores, e daqueles que vos coadjuvam.

Vigiai sobre todas as coisas com um espírito paternal, evitando que possam verificar-se imprudências, sobretudo no âmbito do acolhimento das vocações sacerdotais e religiosas, e do seu subsequente destino pastoral.

7. Venerados e dilectos Irmãos! Eis algumas reflexões que faço de maneira espontânea, depois de me ter encontrado com cada um de vós e de vos ter ouvido falar sobre o fervor da vida eclesial que vos anima a todos Pastores, clero, consagrados e fiéis leigos em geral em ordem a poder corresponder cada vez mais fielmente ao chamamento de Cristo. Encorajo-vos a dar continuidade a este esforço, enquanto faço votos a fim de que o vosso compromisso seja sempre sustentado pelas consolações recebidas de Deus. Com esta finalidade, invoco a protecção maternal de Maria sobre a vossa Terra, chamada "Jardim da Mãe de Deus".

Por fim, enquanto vos peço que transmitais aos vossos fiéis a minha saudação afectuosa e a certeza da minha recordação constante no Senhor, concedo-vos a todos, assim como às pessoas que estão confiadas aos vossos cuidados pastorais, uma especial Bênção apostólica.

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AO PREPÓSITO-GERAL DA ORDEM DOS CARMELITAS DESCALÇOS NA OCASIÃO DO 89° CAPÍTULO GERAL

28 de Abril de 2003

Ao Reverendíssimo Padre Camilo Maccise Prepósio-Geral dos Carmelitas Descalços

1. Desejo em primeiro lugar agradecer-lhe a amabilidade que teve de me informar da celebração do 89º Capítulo Geral Ordinário da Ordem dos Carmelitas Descalços, que será realizado em Ávila de 28 de Abril a 18 de Maio do corrente ano. Ao aproximar-se este acontecimento, é-me grato enviar-lhe esta mensagem, à qual junto uma cordial saudação para Vossa Reverência e para os Padres Capitulares, assegurando-lhes a minha proximidade espiritual na oração para que a luz do Espírito Santo guie a sua reflexão e discernimento durante os trabalhos dessa Assembleia.

A Família dos Carmelitas Descalços, formada por frades, monjas e leigos, nasce de um só carisma e está chamada a seguir uma vocação comum, respeitando contudo a autonomia e a índole específica de cada grupo. O tema escolhido para o Capítulo - A caminho com Santa Teresa e com São João da Cruz: voltar ao essencial - realça a firme vontade da Ordem de permanecer fiel ao carisma que, suscitado pelo Epírito num determinado contexto histórico e eclesial, se desenvolveu ao longo dos séculos e se destina a produzir também hoje frutos de santidade na Igreja "para proveito de todos" (1 Cor 12, 7), respondendo aos desafios do terceiro milénio.

É vosso propósito "partir" do Evangelho, baseando-vos nos valores da vida consagrada, e nas vossas próprias origens. Quereis fazê-lo em Ávila, lugar que conserva viva a herança da experiência e da doutrina de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz. Ali tive ocasião de admirar e venerar não só "os mestres espirituais da minha vida interior, como dois faróis luminosos da Igreja" (Homilia na missa de Santa Teresa de Jesus, Ávila, 1/XI/1982, 2).

2. O carisma da fundação compreende-se melhor à luz da parábola evangélica dos talentos (cf. Mt 25, 14-30), porque provém da magnanimidade do Senhor, juntamente com os outros, faz parte do tesouro da Igreja. Segundo esta conhecida parábola, o "servo bom e fiel" (Mt 25, 21.23) sente-se honrado pela confiança que lhe foi concedida e usa os talentos de modo responsável, obedecendo à vontade do seu Senhor, porque sabe que lhe pertencem e que a Ele deverá prestar contas. Manifesta a sua sabedoria administrando sensatamente o dom recebido, que é fundamental em todas as suas dimensões, e procurando tirar dele o maior rendimento possível.

Os dons do Espírito são vivos e dinâmicos, como a semente que, se for lançada à terra, "germina e cresce" (Mc 4, 27) perante a admiração do próprio agricultor. Na reflexão sobre os aspectos fundamentais do vosso carisma, é bom ter como ponto de partida os frutos já alcançados, pois eles, segundo o critério evangélico, permitem-nos reconhecer a validade da árvore da qual provêm (cf. Mt 7, 15-20). Este método exige respeito pela história do próprio carisma, que deu em todas as épocas frutos bons e abundantes. Por isso, "a fidelidade ao carisma da fundação" é também fidelidade ao seu "consequente património espiritual" (Vita consecrata, 36). De facto, numerosos consagrados deram testemunho eloquente de santidade e realizaram empreendimentos de evangelização e de serviço particularmente generosos e difíceis (cf. ibid., 35).

Também a vós, como aos outros religiosos e religiosas, vos repito que "não tendes só uma história gloriosa para recordar e contar, mas uma grande história para construir" (Ibid., 110). Por isso é necessário empenhar-se por eliminar tudo o que impeça o crescimento do carisma. O melhor serviço que se pode prestar ao dom recebido é a purificação do coração mediante frutos dignos de conversão (cf. Mt 3, 8). "Com efeito, a vocação das pessoas consagradas de procurar em primeiro lugar o Reino de Deus é, principalmente, uma chamada à plena conversão, na renúncia de si mesmo para viver totalmente no Senhor" (Vita consecrata, 35). Trata-se de uma tarefa contínua, dado que, como realçou a Congregação para a Vida consagrada e as Sociedades de Vida apostólica, não se pode ignorar a insídia da mediocridade na vida espiritual, do aburguesamento progressivo, e da mentalidade consumista, do afã pela eficiência ou a desmedida do activismo (cf. Instrução Caminhar a partir de Cristo, 12).

3. Para responder aos desafios da época actual, a Igreja realça o "dever permanente de perscrutar profundamente os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho" (Gaudium et spes, 4). Assim, ao convidar para seguir o exemplo dos "fundadores e fundadoras que, abertos à acção do Espírito Santo, souberam interpretar os sinais dos tempos e responder de maneira clarividente às exigências que pouco a pouco vão surgindo" (Vita consecrata, 9), recomenda às pessoas consagradas que acolham no mais profundo os desígnios da Providência, guiados "pelo discernimento sobrenatural, que sabe distinguir entre o que provém do Espírito e o que lhe é contrário" (ibid., 73).

O Espírito guia os fiéis para Cristo, que é a "verdade total" (Jo 16, 13). Portanto, é necessário prestar atenção ao que Jesus disse durante a sua vida terrena. Impressiona a resposta que Ele, enviado pelo Pai aos pobres, aos presos, aos cegos e aos oprimidos (cf. Lc 4, 18), deu às expectativas do seu tempo: permaneceu durante trinta anos numa vida oculta, no silêncio de Nazaré. Começou o seu ministério público passando quarenta dias no deserto, no fim dos quais afastou as tentações do maligno. Depois manteve-se distante dos nazarenos, que pretendiam ser privilegiados nos prodígios que Jesus fazia (cf. Mc 1, 38) ou da multidão que queria fazer dele um rei: "retirou-se de novo para o monte" (Jo 6, 15). Respondeu às perguntas da humanidade tanto com a condescendência como com a contradição, mas em todo o caso com a firmeza própria do "sinal de contradição" (Lc 2, 34).

Devido ao carácter profético da vida consagrada, também vós, queridos Irmãos Descalços de Nossa Senhora do Monte Carmelo, deveis estar atentos para discernir e preparados para responder às expectativas do momento actual, por vezes descendo do monte pelos caminhos do mundo e continuando a servir o Reino de Deus (cf. Vita consecrata, 75), e outras vezes voltando à solidão para velar com o Senhor em lugares afastados (cf. Mc 1, 45).

Partir do essencial significa caminhar a partir de Cristo e do seu Evangelho, lido com a óptica do próprio carisma. Assim fizeram os fundadores e fundadoras sob a acção do Espírito Santo. Devemos preservar a sua experiência e, lentamente, aprofundá-la e desenvolvê-la com a mesma abertura e docilidade à acção do Espírito, pois assim salvaguarda-se quer a fidelidade à experiência primordial quer o modo de responder adequadamente às exigências em mudança de cada momento histórico.

Nesta perspectiva compreende-se bem a importância que tem uma "referência renovada à Regra" (Vita consecrata, 37), que indica um itinerário para seguir Jesus, caracterizado por um carisma específico reconhecido pela Igreja. As pessoas consagradas têm nela um critério certo para procurar formas de testemunho capazes de responder às necessidades de hoje sem perder de vista a inspiração original (cf. ibid., 37).

4. Todos vós, queridos irmãos, ao abraçar a vida consagrada empreendestes "um caminho de conversão contínua, de entrega exclusiva ao amor de Deus e dos irmãos" (ibid., 109). É uma opção que não se baseia apenas nas forças humanas, mas, antes de mais, na graça divina, que transforma o coração e a vida. A humanidade tem sede de testemunhas autênticas de Cristo. Mas, para o ser, é necessário caminhar para a santidade, que já floresceu abundantemente na vossa família religiosa. Penso nos santos e santas forjados no Carmelo e, de maneira particular, na herança inestimável que São João da Cruz e Santa Teresa de Jesus deixaram à vossa Ordem e a toda a Igreja.

"Aspirar à santidade: é este, em síntese, o programa de toda a vida consagrada" (ibid., 93); um caminho que exige que se abandone tudo por Cristo para participar plenamente do seu mistério pascal. O crescimento da vida espiritual deve ser sempre a primeira finalidade das Famílias de vida consagrada, porque é precisamente a qualidade espiritual da vida consagrada que incide sobre as pessoas do nosso tempo, sedentas também de valores absolutos (cf. ibid.).

Partilho com afecto estas reflexões e exortações com todos vós, queridos membros do Capítulo, e invoco a efusão de abundantes dons do Espírito sobre os vossos trabalhos, a fim de que a Ordem dos Carmelitas Descalços prossiga o seu caminho de fidelidade dinâmica à própria vocação e missão.

Que a Santíssima Virgem Maria, Mãe do Carmelo, e os santos Teresa de Jesus e João da Cruz obtenham para vós e para toda a Família dos Carmelitas Descalços abundantes graças divinas, em penhor das quais concedo de coração a implorada Bênção apostólica.

Vaticano, 21 de Abril de 2003.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES NA ASSEMBLEIA PLENÁRIA DA PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA

Terça-feira, 29 de Abril de 2003

Senhor Cardeal Estimados Membros da Pontifícia Comissão Bíblica!

1. É com grande alegria que vos recebo neste encontro que se realiza na ocasião da vossa sessão romana anual de trabalho, na qual levais a um progressivo e orgânico amadurecimento as investigações que cada qual realizou. Agradeço ao Cardeal Joseph Ratzinger, que se fez intérprete dos sentimentos de todos vós.

Dois motivos tornam este encontro particularmente agradável: a celebração do centenário da instituição da vossa Comissão e o tema sobre o qual trabalhastes ao longo dos últimos anos.

A Pontifícia Comissão Bíblica serve a causa da Palavra de Deus segundo os objectivos que lhe foram fixados pelos meus predecessores Leão XIII e Paulo VI. Ela caminhou com os tempos, partilhando angústias e ansiedades, preocupando-se com detectar na mensagem da Revelação a resposta que Deus oferece aos graves problemas que, de época para época, perturbam a humanidade.

2. Um deles é o objecto da vossa actual pesquisa. Resumiste-lo no título "Bíblia e moral". Todos vemos diante de nós uma situação com características paradoxais: o homem de hoje, desiludido por tantas respostas que não satisfazem as interrogações fundamentais da vida, parece que se abre à voz que provém da Transcendência e se exprime na mensagem bíblica. Mas, ao mesmo tempo, ele mostra-se cada vez mais impaciente em relação às exigências de comportamentos em harmonia com os valores que, desde sempre, a Igreja apresenta como fundados no Evangelho. Assiste-se então a diversas tentativas de separar a revelação bíblica das propostas de vida mais comprometedoras.

A escuta atenta da Palavra de Deus tem respostas a dar a esta situação, que encontra a sua expressão plena no ensinamento de Cristo.

Queridos Professores e estudiosos, desejo confortar-vos na vossa fadiga, garantindo-vos que ela é útil como nunca para o bem da Igreja. Para que os frutos do vosso trabalho sejam abundantes, garanto-vos a minha oração e acompanho-vos com a Bênção apostólica.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO NOVO EMBAIXADOR DA REPÚBLICA CHECA POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

Segunda-feira, 28 de Abril de 2003

Excelência

É com alegria que o recebo no Vaticano, no momento em que apresenta as Cartas que o acreditam como Embaixador extraordinário e plenipotenciário da República Checa junto da Santa Sé. Apesar de ter sido realizada há vários anos, ainda conservo viva na minha memória a visita que fiz ao seu País e recordo com gratidão a amabilidade e a hospitalidade com que fui recebido.

Peço-lhe que se digne transmitir as minhas saudações e os meus sinceros bons votos ao novo Presidente, Sr. Václav Klaus, assim como ao governo e ao povo checo. Peço-lhe que lhes transmita a certeza das minhas orações pela paz e pela prosperidade da nação.

As relações diplomáticas da Igreja constituem uma parte da sua missão de serviço à família humana. Se é verdade que esta missão é sobretudo espiritual, e por isso separada da ordem política, o seu desejo sincero de promover relações frutuosas com a sociedade civil provém da sua longa experiência na promoção dos valores universais relativos à verdade e ao amor, à grande variedade de culturas e de nações que constituem o nosso mundo. De facto, é precisamente a tarefa de promover uma compreensão da dignidade da pessoa humana e a paz entre os povos condições fundamentais para o desenvolvimento autêntico dos indivíduos e das nações o motivo da actividade diplomática da Santa Sé. A respeito disto, congratulo-me com os grandes progressos já realizados no que se refere à regulamentação das relações recíprocas entre a Santa Sé e a República Checa, e aguardo com ansiedade a ratificação do relativo Acordo.

Como Vossa Excelência recordou, apesar da liberdade política da qual goza actualmente o povo checo, as consequências ainda visíveis dos regimes totalitários não deveriam ser subestimadas. A história ensina que a passagem da opressão à liberdade é difícil, muitas vezes marcada pela atracção das falsas formas de liberdade e de ilusórias promessas de esperança. Dado que numerosas pessoas tiraram proveito do desenvolvimento económico e da transformação social que o acompanhou, os membros mais débeis da sociedade, sobretudo os pobres, os excluídos, os doentes e as pessoas idosas, devem ser protegidas.

O desenvolvimento autêntico não pode ser obtido unicamente através dos meios económicos. De facto, aquilo que se conhece com o nome de "idolatria do mercado" uma consequência daquilo a que se chama "sociedade de consumo" tende a reduzir as pessoas a objectos e a submeter o ser ao ter (cf. Sollicitudo rei socialis, 28). Isto diminui a dignidade da pessoa humana e torna ainda mais difícil a promoção da solidariedade humana. Ao contrário, o reconhecimento da natureza espiritual da pessoa humana e o renovado valor concedido ao aspecto moral do desenvolvimento económico e social devem ser reconhecidos como condições para a transformação da sociedade numa verdadeira civilização do amor. Um projecto como este precisa da orientação das autoridades políticas e religiosas, se queremos que a alma da nação seja suficientemente forte para guiar os seus cidadãos para uma compreensão da fonte da verdade e do amor que dá a sua finalidade ao desenvolvimento e ao progresso de um país.

Outras nações na Europa enfrentam desafios com os quais também a República Checa se deve confrontar. Dado que todos os países no continente celebraram a passagem para o terceiro milénio cristão, numerosas pessoas e grupos reflectiram sobre o papel fundamental e determinante desempenhado pelo cristianismo nas suas culturas locais. De facto, Vossa Excelência realçou que as verdades e os valores do cristianismo estiveram por muito tempo na base do tecido da sociedade europeia, dando forma às suas instituições civis e políticas. Esta grande herança, que tem as suas raízes e forma no Evangelho, chama a nossa atenção para o facto de que a esperança de continuar a edificar um mundo mais justo deve incluir também o reconhecimento de que os esforços humanos separados da sua justa relação com a assistência divina não têm um valor duradouro: "Se não for o Senhor a edificar a casa, em vão trabalham os construtores" (Sl 127, 1). É por este motivo que os ensinamentos cristãos afirmam e defendem vigorosamente a origem da dignidade do ser humano e o lugar que ocupa no desígnio de Deus: "O homem recebe de Deus a sua dignidade fundamental e, com ela, a capacidade de transcender qualquer organização da sociedade no sentido da verdade e do bem" (Centesimus annus, 38).

A respeito disto, não podemos deixar de nos preocupar pelo facto de que o desaparecimento do sentido de Deus levou a uma perda do sentido do homem (cf. Evangelium vitae, 21) e da sublime maravilha da vida à qual ele está chamado. Enquanto as trágicas catástrofes da guerra e da ditadura continuam a desfigurar em grande medida o desígnio de amor de Deus pela humanidade, a invasão mais subtil do materialismo e do utilitarismo aumenta, e a marginalização da fé prejudica progressivamente a verdadeira natureza da vida como dom de Deus. Quando as nações da Europa caminham para uma nova configuração, o desejo de responder aos desafios de uma ordem mundial em mudança deve estar fundada na proclamação eterna, por parte da Igreja, da verdade que liberta as pessoas e que permite que as instituições culturais e civis realizem verdadeiros progressos.

Por seu lado, a Igreja católica continuará a rezar e a empenhar-se por um maior desenvolvimento do povo e da nação Checa. Como Vossa Excelência realçou gentilmente, ela já participa de maneira activa na formação espiritual e intelectual dos jovens, sobretudo através das suas instituições educativas. Dentro das suas possibilidades, a Igreja alargará a sua missão caritativa sobretudo com o apoio à vida familiar, que constitui o futuro da humanidade (cf. Familiaris consortio, 86), e com equipamentos médicos e sociais.

Senhor Embaixador, estou convencido de que a sua missão servirá para fortalecer ulteriormente os vínculos de amizade entre a República Checa e a Santa Sé. No momento em que assume o seu novo cargo, garanto-lhe que as diversas repartições da Cúria Romana lhe darão a assistência de que poderá precisar para o cumprimento da sua missão. Sobre Vossa Excelência e sobre os seus concidadãos, invoco cordialmente a abundância das Bênçãos divinas.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PEREGRINOS QUE VIERAM A ROMA PARA PARTICIPAR NA CERIMÓNIA DE BEATIFICAÇÃO

Segunda-feira, 28 de Abril de 2003

Senhores Cardeais Venerados Irmãos no Episcopado e no sacerdócio Caríssimos Religiosos e Religiosas Irmãos e Irmãs no Senhor!

1. Sinto-me feliz por me encontrar convosco, que ontem participastes na solene cerimónia das Beatificações na Praça de São Pedro. Temos, esta manhã, a agradável possibilidade de nos determos mais uma vez a contemplar as maravilhas que Deus realizou nos novos Beatos, que vos são particularmente queridos. Saúdo com afecto cada um de vós e agradeço-vos a vossa presença.

2. Dirijo-me em primeiro lugar à numerosa e variada Família Paulina e a todos os que, do Piemonte, da Itália e do mundo, quiseram honrar o beato Tiago Alberione . No coração deste sacerdote eleito da Diocese de Alba viveu de novo o coração do apóstolo Paulo, conquistado por Cristo, que se dedicou a anunciá-lo como "Caminho, Verdade e Vida". Atento aos sinais dos tempos, Pe. Alberione não só abriu à evangelização os "púlpitos" modernos da comunicação social, mas concebeu a sua obra como uma acção orgânica no âmbito da Igreja e ao seu serviço. Desta intuição surgiram dez Institutos, que continuam com o mesmo espírito a obra por ele começada. Oxalá o Pe. Alberione, do Céu, ajude a sua Família a ser, como ele desejava, "São Paulo vivo hoje".

3. Saúdo agora os estimados Padres Capuchinhos e quantos exultam pela beatificação do Padre Marco d'Aviano, com um particular pensamento pelos peregrinos vindos da Áustria acompanhados pelo Arcebispo de Viena, o Cardeal Christoph Schönborn.

Marco d'Aviano é um exemplo pela corajosa acção apostólica, apreciada por todos, e pela oração, fiel à tradição franciscana e capuchinha mais genuína. As suas intervenções no âmbito social, sempre destinadas ao bem das almas, constituem um encorajamento também para os cristãos de hoje para difundirem e promoverem os valores evangélicos. O beato Marco d'Aviano proteja a Europa, para que possa construir a sua unidade não descuidando as comuns raízes cristãs.

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