Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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4. Dirijo-me depois com afecto às Filhas espirituais de Maria Cristina Brando, que receberam da fundadora um empenhativo programa de vida e de serviço eclesial: isto é, o de se unirem a Cristo que se sacrifica pela humanidade na Eucaristia, e de transpor depois o seu amor a Deus no serviço humilde e quotidiano aos irmãos necessitados.

A Virgem Maria, a cuja protecção a nova Beata quis confiar as Irmãs Vítimas Expiadoras de Jesus Sacramentado, vele sempre sobre vós, caríssimas Religiosas, para que, ao manter íntegro o vosso carisma, possais partilhar a preciosa herança recebida com as novas gerações.

5. Além disso, uno-me às Filhas dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria e a todos os que se alegram pela beatificação da Madre Eugénia Ravasco. Tendo-se sentido chamada a "fazer o bem por amor do Coração de Jesus", a nova Beata transformou-se em apóstola fervorosa e incansável, em educadora zelosa dos jovens, sobretudo das moças, às quais não receou propor metas altas de vida cristã. Recomendava aos educadores que seguissem a "pedagogia do amor", e indicou como elementos que não devem ser descuidados na formação da juventude o máximo respeito do aluno e da sua liberdade, a discrição, a compreensão, a alegria e a oração. Gostava de repetir que ensinar é realizar uma missão evangélica. A Madre Eugénia continue do Céu a amparar todas as que dão continuidade à sua benéfica obra na Igreja.

6. Saúdo-vos a vós, com profunda cordialidade, caríssimas Pequenas Irmãs da Sagrada Família, que exultais pela elevação à glória dos altares da vossa co-fundadora, a Madre Maria Domenica Mantovani. Saúdo os fiéis da diocese de Verona, acompanhados pelo seu Pastor, D. Flávio Roberto Carraro, assim como os peregrinos provenientes de diversas regiões da Itália e de várias partes do mundo.

Na escola da Santa Família de Nazaré, Maria Domenica Mantovani, seguindo o fundador, o beato José Nascimbeni, quis fazer de si mesma um dom total a Deus pelo bem dos irmãos. Caríssimas, dela aprendei a responder com espontaneidade à voz de Deus, que chama cada baptizado a tender para a santidade nas circunstâncias ordinárias da vida de cada dia.

Por fim, dirijo o meu pensamento para vós, caríssimos Irmãos e Irmãs que exultais pela beatificação de Júlia Salzano, e sobretudo para as Irmãs Catequistas do Sagrado Coração, por ela fundadas. A beata Salzano soube orientar com coragem inabalável a sua acção educativa para todas as categorias de pessoas, sem distinção de idade, classe social ou profissão, antecipando num certo sentido as orientações da nova evangelização indicadas à Igreja pelo Concílio Vaticano II.

Desejo-vos a vós, seus filhos e filhas espirituais, que percorrais com alegria as pegadas por ela traçadas, prontas para enfrentar qualquer sacrifício para realizar todas as missões que Deus vos confia.

8. Caríssimos Irmãos e Irmãs! Estes novos Beatos vos ajudem a todos vós a "fazer-vos ao largo" (cf. Lc 5, 4), confiando, como eles fizeram, nas palavras de Cristo. E a Virgem Maria, que cada um dos seis Beatos venerou ternamente, vos ajude a cumprir a obra começada em vós pelo Espírito Santo.

Com estes sentimentos e votos, abençoo-vos de coração, juntamente com as vossas comunidades, as vossas famílias e as pessoas que vos são queridas.


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II À PROFESSORA GIULIANA CAVALLINI DAS MISSIONÁRIAS DA ESCOLA

À gentil Professora GIULIANA CAVALLINI das Missionárias da Escola

Soube com agrado que o Senado Académico da Pontifícia Universidade de São Tomás, a pedido do Conselho da Faculdade de Teologia, deliberou conceder-lhe, na ocasião do Simpósio europeu sobre Santa Catarina de Sena, a Medalha de Honra do Angelicum pelos méritos adquiridos por Vossa Excelência no decurso da sua longa existência, gasta em grande parte a estudar e difundir o pensamento da Santa de Sena, Patrona da Europa.

Devota filha espiritual de Santa Catarina, honrou a sua riqueza doutrinal, graças também à ajuda da Congregação das Missionárias da Escola, fundada pela Serva de Deus Madre Luísa Tincani. Como membro activo desta Família religiosa, investiu as suas energias intelectuais e espirituais para a glória do Senhor, trabalhando generosamente pela causa da evangelização, na qualidade de Directora do Centro Nacional de Estudos de Santa Catarina.

A incansável actividade cultural e científica, por Si aprofundada, ultrapassou os confins da Itália, suscitando um eco grandioso e um crescente apreço em vários Países, onde é reconhecida como perita de fama internacional sobre Santa Catarina.

Uno-me de boa vontade a quantos lhe estão gratos e, de modo especial, tomo parte com alegria na iniciativa da Pontifícia Universidade de São Tomás ao honrar uma insigne estudiosa, que se empenhou sem desfalecimento em fazer amar e imitar Santa Catarina, insigne Doutora da Igreja.

Enquanto peço a Maria, Rainha do Santo Rosário, que continue a guiá-la no seu empenho de estudo e de vida espiritual, obtendo-lhe a graça de ser corroborada na alegria e na paz, do coração lhe envio uma especial Bênção Apostólica, extensiva aos participantes na celebração, assim como à Comunidade religiosa e a todas as pessoas que lhe são caras.

Vaticano, 26 de Abril de 2003.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II A UMA REPRESENTAÇÃO DA AGESCI UM GRUPO DE ESPANHÓIS E A PEREGRINAÇÃO DA ACP

Sábado, 26 de Abril de 2003

Caríssimos Irmãos e Irmãs!

1. É para mim motivo de alegria receber-vos a todos vós, que provindes da Itália, da Espanha e da Polónia. Agradeço-vos a visita e saúdo-vos com afecto.

A AGESCI: um fascinante caminho educativo

Saúdo em primeiro lugar o Presidente, o Conselho-Geral, os assistentes eclesiásticos, os vários chefes e os responsáveis da Associação de Guias e Escuteiros Católicos Italianos (AGESCI).

Caríssimos, não é a primeria vez que tenho a ocasião de encontrar a vossa benemérita Associação e admiro sempre o entusiasmo juvenil que a distingue, assim como o seu fervoroso desejo de seguir fielmente o Evangelho. O escutismo surgiu como caminho educativo com um método específico que atrai crianças, adolescentes e jovens e fornece aos adultos oportunidades concretas para se tornarem educadores.

A Igreja olha para a vossa Associação com tanta esperança, porque está consciente de que é necessário oferecer às novas gerações a oportunidade de fazer a experiência pessoal de Cristo. Os adultos chamados a ocupar-se da juventude escutista estejam conscientes de que esta missão requer, antes de mais, que sejam testemunhas de Jesus Cristo e que transmitam com o exemplo e a palavra princípios e valores evangélicos. Por isso, é necessário que eles sejam homens e mulheres firmes nos princípios do escutismo católico e, ao mesmo tempo, activamente participantes da vida das comunidades eclesiais e civis.

Fiéis ao vosso carisma, queridos amigos, podereis estabelecer uma relação dinâmica e construtiva com as numerosas agregações leigas, que enriquecem a comunidade eclesial. Podereis cooperar activamente com elas para construir uma sociedade renovada, na qual reine a paz, fundada na justiça, na liberdade, na verdade e no amor. O meu Predecessor, o beato João XXIII, faz referência a estes "pilares" na Encíclica Pacem in terris, texto fundamental que o vosso Conselho Geral escolheu este ano como precioso tema de reflexão.

Gostaria de concluir exortando-vos a não deixar faltar à fascinante actividade escutista o alimento quotidiano da escuta da Palavra de Deus, da oração e de uma intensa vida sacramental. São estas as condições favoráveis para fazer da existência um dom ao próximo e um itinerário seguro para a santidade.

Fazei das empresas verdadeiras comunidades de pessoas

2. É-me grato saudar agora o grupo de funcionários do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA), provenientes de Espanha e da América Latina que, na peregrinação à Cidade Eterna, quiseram visitar o Sucessor de Pedro. Ao dar-vos as boas-vindas, envio também a minha saudação aos restantes componentes do pessoal que representais e que com o seu trabalho colaboram para o desenvolvimento económico. Ele, se for bem orientado, favorece a convivência pacífica dos cidadãos e permite uma vida em sintonia com a dignidade humana. Desta forma, é honrado o homem, "autor, centro e fim de toda a vida económica e social" (Gaudium et spes, 63), e colabora-se no desígnio de Deus.

Desejo recordar que o interesse do lucro, mesmo sendo legítimo, não pode ser o motivo principal ou até exclusivo de uma actividade empresarial ou comercial, porque esta actividade deve ter em conta os factores humanos e está subordinada às exigências morais próprias de toda a acção humana. Por isso, convido-vos a fazer das empresas verdadeiras comunidades de pessoas que procuram a satisfação dos seus interesses económicos no respeito das exigências da justiça e da solidariedade, do trabalho responsável e construtivo, e do fomento das relações humanas autênticas e sinceras, e esteja, além disso, ao serviço da sociedade (cf. Centesimus annus, 35).

Ao agradecer-vos esta visita estimulo-vos a continuar a levar em frente o compromisso cristão no âmbito das vossas actividades, testemunhando com as palavras e com as acções os ensinamentos do Magistério eclesial em âmbito social. Acompanhe- vos nesse compromisso a Bênção apostólica, que vos concedo com afecto e que faço extensiva com prazer às vossas famílias e a toda a comunidade de trabalho que representais.

A Acção Católica Polaca: escola de leigos prontos para transformar o mundo com base no Evangelho

3. Queridos Irmãos e Irmãs, representantes da Acção Católica na Polónia!

A todos vós, as minhas cordiais boas-vindas. Saúdo o Assistente eclesiástico, Mons. Piotr Jarecki, o Presidente e os outros membros da Presidência.

Viestes aos túmulos dos Apóstolos, para dar graças a Deus pelos frutos da actividade da Acção Católica na Polónia, depois do seu renascimento que remonta há dez anos. Apesar de ser um período breve de tempo, há motivos para dar graças. Sei que a Acção Católica na Polónia já possui uma estrutura organizativa completa, que inclui os numerosos leigos que servem a Igreja com dedicação, reencontrando os próprios carismas e os âmbitos do compromisso pessoal na obra de evangelização. Há dez anos eu pedi aos Bispos polacos que se empenhassem em restabelecer na Igreja aquela forma de apostolado dos leigos. Hoje posso dizer que eles realizaram essa tarefa, e vós e todos os membros da Acção Católica sois um magnífico dom para toda a comunidade do Povo de Deus.

Como sabemos, a Acção Católica surgiu dos movimentos de renovação religiosa, que na segunda metade do século XIX, se desenvolveram em numerosos ambientes leigos católicos. Mais tarde, nos tempos do Papa Pio XI, a Acção Católica tornou-se uma forma activa de participação dos leigos no apostolado da Igreja. As palavras de São Paulo: "instaurare omnia in Christo" - renovar todas as coisas em Cristo (cf. Ef 1, 10), tornaram-se o seu programa. Graças a uma perseverante realização deste programa de renovação da realidade da Igreja e do mundo "por Cristo, com Cristo e em Cristo", a Acção Católica tornou-se uma escola de formação dos leigos que preparava para fazer face corajosamente à secularização, que alastrava de maneira cada vez mais forte no século XX.

Recordo estes factos históricos, para indicar uma certa analogia entre aquele começo e o início da renascida Acção Católica na Polónia. Como então, assim também agora, na fonte da sua existência e das suas obras, se encontra um profundo desejo dos fiéis leigos de participar activamente com os Bispos e com os presbíteros na sua responsabilidade pela vida da Igreja e pelo anúncio da Boa Nova. Também não sofreu alterações o fim e o programa espiritual da actividade: renovar-se a si mesmo, o próprio ambiente, a comunidade dos crentes, e por fim, todo o mundo com base no amor e no poder de Cristo. Por fim, estes dois princípios estão unidos pelo mesmo desafio a que a secularização dos vários sectores da vida social dá origem.

Como testemunhas do Evangelho, aceitai esse desafio em todos os ambientes: na família, no lugar de trabalho, na escola ou na universidade. Aceitai-o, conscientes de que "os leigos adquirem o direito e o dever do apostolado pela sua própria união com Cristo Cabeça. Inseridos no Corpo Místico de Cristo pelo Baptismo, robustecidos com a força do Espírito Santo pela Confirmação, são destinados pelo próprio Senhor para o apostolado" (Apostolicam actuositatem, 3).

Dever e direito. Precisamente assim: tendes o dever e o direito de levar o Evangelho, de testemunhar a sua actualidade ao homem contemporâneo e de acender a fé naqueles que se afastaram de Deus. Se a Igreja reconhece o vosso direito, se vos ampara para que o ponhais em prática, ao mesmo tempo recorda-vos que é este o vosso dever. E também eu vo-lo recordo, referindo-me ao baptismo, no qual graças à justificação vos tornastes apóstolos da justiça, e com a Confirmação, na qual o Espírito Santo vos tornou capazes de cumprir a função profética na Igreja.

Contudo, é necessário que recordeis que esse dever, essa nobre tarefa, só a podeis realizar se vos ancorardes em Cristo. A Acção Católica não se pode limitar apenas a agir na dimensão social da Igreja. Se ela deve ser a escola, a comunidade da formação dos leigos prontos para transformar o mundo com base no Evangelho, deve formar a sua própria espiritualidade. E se deve transformar a realidade baseando-se em Cristo, essa espiritualidade deveria fundar-se na contemplação do Seu Rosto. Como escrevi na Carta Novo millennio ineunte, "o nosso testemunho seria excessivamente pobre, se não fôssemos primeiro contemplativos do seu rosto" (n. 16).

"Sigamos em frente com esperança! Diante da Igreja abre-se um novo milénio como vasto oceano onde aventurar-se com a ajuda de Cristo. O Filho de Deus, que encarnou há dois mil anos por amor do homem, continua também hoje em acção: devemos possuir um olhar perspicaz para a contemplar, e sobretudo um coração grande para nos tornarmos instrumentos dela. (...) Podemos contar com a força do mesmo Espírito que foi derramado no Pentecostes e nos impele hoje a partir de novo sustentados pela esperança "que não nos deixa confundidos" (Rm 5, 5)" (Novo millennio ineunte, 58).

Para que prossigais por este caminho, o caminho da contemplação do rosto de Cristo, o caminho da formação da espiritualidade da Acção Católica com base nesta contemplação, o caminho do apostolado e do testemunho, abençoo-vos de coração.

4. Caríssimos Irmãos e Irmãs, garanto a cada um de vós a minha recordação ao Senhor, confio-vos a vós, às vossas famílias e às Comunidades das quais provindes à materna protecção de Maria e de coração vos abençoo a todos.


VIA-SACRA NO COLISEU

ALOCUÇÃO DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

Sexta-feira Santa, 18 de Abril de 2003

"Ecce lignum crucis in quo salus mundi pependit... venite adoremus". Ouvimos esta palavra na liturgia de hoje: eis o madeiro da cruz.

É a palavra-chave da Sexta-Feira Santa. Ontem, no primeiro dia do "Triduum Sacrum", a Quinta-Feira Santa, tínhamos ouvido: "Hoc est corpus meum, quod pro vobis tradetur. Eis o meu corpo que será entregue por vós".

Hoje vemos como é que estas palavras de ontem foram realizadas: eis o Gólgota, eis o Corpo de Cristo sobre a Cruz. "Ecce lignum Crucis in quo salus mundi pependit".

Mistério da fé! O homem não podia imaginar este mistério, esta realidade. Só Deus a podia revelar. O homem não tem a possibilidade de dar a vida depois da morte. A morte da morte. Na ordem humana, a morte é a última palavra. A palavra que vem depois, a palavra da Ressurreição, é palavra somente de Deus e, por isso, nós celebramos com tão profundo afecto este "Triduum Sacrum".

Hoje rezamos a Cristo deposto da Cruz e sepultado. O seu sepulcro foi selado. E amanhã, em todo o mundo, em todo o cosmos, em todos nós, haverá um silêncio profundo. Silêncio de espera.

"Ecce lignum Crucis in quo salus mundi pependit". Este Madeiro da morte, o madeiro que levou à morte o Filho de Deus, abre o caminho para o dia que se segue: quinta-feira, sexta-feira, sábado, domingo. Domingo será Páscoa. E ouviremos as palavras da Liturgia. Hoje ouvimos: "Ecce lignum Crucis in quo salus mundi pependit". Salvação do mundo! Sobre a Cruz! E, depois de amanhã, cantaremos: "Surrexit de sepulchro... qui pro nobis pependit in ligno". Eis a profundidade, a simplicidade divina, deste Tríduo pascal.

Faço votos para que vivais este Tríduo o mais profundamente possível. Estamos aqui, como em anos anteriores, à volta do Coliseu. É um símbolo. Este Coliseu é um símbolo. Sobretudo, fala-nos dos tempos passados, daquele grande Império romano que se desmoronou. Fala-nos daqueles mártires cristãos que aqui deram o seu testemunho com a sua vida e a sua morte. É difícil encontrar um outro lugar onde o Mistério da Cruz fale mais eloquentemente do que aqui, diante deste Coliseu.

"Ecce lignum Crucis in quo salus mundi pependit". Salus mundi!

Desejo-vos a todos vós, caríssimos Irmãos e Irmãs, que vivais este "Triduum Sacrum" Quinta-Feira, Sexta-Feira, Sábado Santo, Vigília Pascal e, depois, a Páscoa cada vez mais profundamente e que também deis testemunho dele.

Seja louvado Jesus Cristo!

VIA-SACRA NO COLISEU

MEDITAÇÕES DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

SEXTA-FEIRA SANTA DO ANO 2003

ORAÇÃO INICIAL

O Santo Padre:

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. R. Amen.

Via-Sacra de Sexta-feira Santa do ano 2003.

Via-Sacra da comunidade eclesial da Urbe convocada junto do Coliseu, monumento dramático e glorioso da Roma imperial, testemunha muda de força e domínio, memorial de acontecimentos de vida e de morte, onde parecem ressoar, como um eco interminável, clamores de sangue (cf. Gn 4, 10) e palavras que imploram concórdia e perdão.

Via-Sacra do vigésimo quinto aniversário do meu Pontificado como Bispo de Roma e Pastor da Igreja universal. Por graça de Deus, nestes vinte e cinco anos do meu serviço pastoral nunca faltei a este encontro, verdadeira Statio Urbis et Orbis, encontro da Igreja de Roma com os peregrinos vindos de todas as partes do mundo e com milhões de fiéis que acompanham a Via-Sacra através da rádio e da televisão.

Também este ano, por renovada misericórdia do Senhor, estou convosco para percorrer na fé o trajecto que Jesus fez desde o Pretório de Pôncio Pilatos até ao cimo do Calvário.

Via-Sacra, abraço ideal entre Jerusalém e Roma, entre a Cidade amada por Jesus, onde Ele deu a vida pela salvação do mundo, e a Cidade-sede do Sucessor de Pedro, que preside à caridade eclesial.

Via-Sacra, caminho de fé: em Jesus condenado à morte reconheceremos o Juiz universal; n'Ele carregando a Cruz, o Salvador do mundo; n'Ele crucificado, o Senhor da história, o próprio Filho de Deus.

Noite de Sexta-feira Santa, noite tépida e trepidante da primeira lua-cheia de Primavera. Estamos reunidos em nome do Senhor. Ele está aqui conosco, como prometeu (cf. Mt 18, 20).

Connosco está também a Virgem Santa Maria. Ela esteve no cimo do Gólgota como Mãe do Filho moribundo, Discípula do Mestre da verdade,

nova Eva junto da árvore da vida, Mulher da dor associada ao «Homem das dores, experimentado nos sofrimentos» (Is 53, 3), Filha de Adão, Irmã nossa, Rainha da Paz.

Mãe de misericórdia, Ela inclina-Se sobre os seus filhos, ainda expostos a perigos e aflições, para ver os seus sofrimentos, ouvir o gemido que se eleva da sua miséria, para levar conforto e reavivar a esperança da paz

Oremos:


Alguns momentos de silêncio.

Olhai, Pai Santo, o sangue que jorra do peito trespassado do Salvador; olhai o sangue derramado por tantas vítimas do ódio, da guerra, do terrorismo, e concedei, benigno, que o curso dos acontecimentos no mundo se desenrole segundo a vossa vontade na justiça e na paz, e a vossa Igreja se entregue com serena confiança ao vosso serviço e à libertação do homem. Por Cristo nosso Senhor

R. Amen.

PRIMEIRA ESTAÇÃO JESUS É CONDENADO À MORTE

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi. R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho de S. Marcos 15, 14-15

Eles gritaram ainda mais: "Crucifica-O!". Pilatos, desejoso de agradar à multidão, soltou-lhes Barrabás e, depois de mandar açoitar Jesus, entregou-O para ser crucificado.

MEDITAÇÃO

A sentença de Pilatos foi proferida sob pressão dos sacerdotes e da multidão. A condenação à morte por crucifixão serviria para satisfazer as suas paixões dando resposta ao grito: "Crucifica-O! Crucifica-O!" (Mc 15, 13-14; etc.). O pretor romano pensou que podia subtrair-se à sentença lavando-se as mãos, como antes se desinteressara das palavras de Cristo que tinha identificado o seu reino com a verdade, com o testemunho da verdade (Jo 18, 38). Num caso e noutro, Pilatos procurava conservar a sua independência, ficar de qualquer modo "de fora". Mas, só na aparência... A Cruz, à qual foi condenado Jesus de Nazaré (Jo 19, 16), tal como a sua verdade do reino (Jo 18, 36-37) deviam tocar no mais fundo da alma do pretor romano. Tratou-se e trata-se duma Realidade, diante da qual é impossível ficar de fora ou à margem. O facto de Jesus, o Filho de Deus, ter sido interrogado sobre o seu reino e por isso ter sido julgado pelo homem e condenado à morte, constitui o princípio daquele testemunho final de Deus que tanto amou o mundo (cf. Jo 3, 16). Nós encontramo-nos perante este testemunho e sabemos que não nos é lícito lavar as mãos.

ACLAMAÇÕES

Jesus de Nazaré, condenado à morte de cruz, testemunha fiel do amor do Pai. R. Kyrie, eleison.

Jesus, Filho de Deus, obediente à vontade do Pai até à morte de cruz. R. Kyrie, eleison.

Todos: Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum; adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem; sed libera nos a malo.

Stabat Mater dolorosa iuxta crucem lacrimosa, dum pendebat Filius.

SEGUNDA ESTAÇÃO JESUS É CARREGADO COM A CRUZ

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi. R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho de S. Marcos 15, 20

Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto de púrpura e vestiram-Lhe as suas roupas. Levaram-No, então, para O crucificarem.

MEDITAÇÃO

Começa a execução, ou seja, a actuação da sentença. Condenado à morte, Cristo tem de carregar a cruz, como os outros dois condenados que devem sofrer a mesma pena: "Foi contado entre os malfeitores" (Is 53, 12). Cristo aproxima-Se da Cruz, tendo todo o corpo terrivelmente dilacerado e pisado, e com o sangue que da cabeça coroada de espinhos Lhe escorre pelo rosto. Ecce Homo! (Jo 19, 5). N'Ele está toda a verdade do Filho do Homem que os profetas predisseram, a verdade sobre o Servo de Jahvé anunciada por Isaías: "Foi esmagado pelas nossas iniquidades; (...) fomos curados nas suas chagas" (Is 53, 5). N'Ele está presente também uma certa consequência, que nos deixa estupefactos, daquilo que o homem fez ao seu Deus. Pilatos diz: "Ecce Homo" (Jo 19, 5); "vede o que fizestes deste homem!" Nesta afirmação, parece falar outra voz, como se dissesse: "Vede o que fizestes, neste homem, ao vosso Deus!" É impressionante a sobreposição, a inter-relação desta voz que ouvimos através da história com aquilo que nos chega através da certeza da fé. Ecce Homo! Jesus, "chamado Cristo" (Mt 27, 17), toma a Cruz sobre os seus ombros (Jo 19, 17). Começou a execução.

ACLAMAÇÕES

Cristo, Filho de Deus, que revelais ao homem o mistério do homem. R. Kyrie, eleison.

Jesus, servo do Senhor, pelas vossas chagas fomos curados. R. Kyrie, eleison.

Todos: Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum; adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem; sed libera nos a malo.

Cuius animam gementem, contristatam et dolentem pertransivit gladius.

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