Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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4. Os valores propostos por Santo Ivo conservam uma actualidade surpreendente. Hoje, a sua preocupação pela promoção de uma justiça equitativa e pela salvaguarda dos direitos dos mais pobres convida os artífices da construção da Europa a não deixarem de lado qualquer esforço a fim de que os direitos de todos, de modo particular dos mais frágeis, sejam reconhecidos e salvaguardados. A Europa dos direitos humanos deve fazer com que os elementos objectivos do direito natural permaneçam no fundamento das leis positivas. Com efeito, Santo Ivo baseava as suas atitudes de juiz sobre os princípios do direito natural, que toda a consciência formada, iluminada e atenta pode descobrir através da razão (cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologica, I-II, q.91, a.1-2), e também sobre o direito positivo, que tira do direito natural os seus princípios fundamentais, graças aos quais é possível elaborar normas jurídicas equitativas, evitando desta maneira que elas sejam um puro arbítrio ou um simples acto de força. Na sua forma de administrar a justiça, Santo Ivo recorda-nos inclusivamente que o direito foi concebido para o bem das pessoas e dos povos em geral, e que a sua função essencial consiste em salvaguardar a dignidade inalienável do indivíduo em cada uma das fases da sua existência, desde a concepção até à morte natural. Da mesma maneira, o Santo bretão preocupava-se em defender a família nas pessoas que a compõem e nos seus bens, mostrando que o direito desempenha um papel importante nos vínculos sociais, e que o casal e a família são fundamentais para a sociedade e o seu porvir.

Por conseguinte, a figura e a vida de Santo Ivo podem ajudar os nossos contemporâneos a compreenderem o valor positivo e humanizador do direito natural. "Uma autêntica concepção do direito natural, entendido como salvaguarda da dignidade eminente e inalienável de cada ser humano, é garantia de igualdade e dá um conteúdo verdadeiro aos "direitos do homem"" (Discurso aos participantes na VII Assembleia Geral da Pontifícia Academia para a Vida, 27 de Fevereiro de 2002, n. 6). Por este motivo, é necessário continuar as investigações intelectuais, com vista a encontrar de novo as raízes, o significado antropológico e o conteúdo ético do direito natural e da lei natural, na perspectiva filosófica dos grandes pensadores da história, como Aristóteles e S. Tomás de Aquino. Compete de modo particular aos juristas, a todos os homens de leis, aos historiadores do direito e aos próprios legisladores alimentar sempre, como exortava São Leão Magno, um profundo "amor pela justiça" (cf. Sermão sobre a Paixão, n. 59), e procurar fundamentar sempre as suas reflexões e as suas práticas em princípios antropológicos e morais que insiram o homem no centro da elaboração do direito e da prática jurídica. Isto revelará que todos os ramos do direito constituem um serviço eminente à pessoa e à sociedade. Neste espírito, é-me grato saber que alguns juristas aproveitaram o aniversário de Santo Ivo para organizar, em seguida, dois simpósios sobre a vida e a influência do seu santo padroeiro e sobre a deontologia dos advogados europeus, manifestando assim o seu apego a uma investigação epistemológica e hermenêutica da ciência e da prática jurídica.

5. "N'an neus ket en Breiz, n'an neus ket unan, n'an neus ket eur Zant evel Zan Erwan", "Na Bretanha não existe sequer um só, nem outro santo como Santo Ivo". Estas palavras, tiradas do cântico a Santo Ivo, exprimem todo o fervor e a veneração com que as multidões de peregrinos, juntamente com os seus Bispos e os seus sacerdotes, mas também todos os magistrados, advogados e juristas, continuam a honrar, ainda hoje, aquele que a piedade popular definiu como "o pai dos pobres". Possa Santo Ivo ajudá-los a realizar plenamente as suas aspirações a praticar e a exercer a justiça, a amar a misericórdia e a caminhar humildemente com o seu Deus (cf. Mq 6, 8)!

6. Excelência, neste mês de Maria, confio-o à intercessão de Nossa Senhora do Rosário. Peço a Deus que ajude os sacerdotes, a fim de que sejam testemunhas santas e rectas da misericórdia do Senhor e façam com que os seus irmãos descubram a alegria que existe em levar uma existência pessoal e profissional na rectidão moral. Rezo também a Santo Ivo, a fim de que conserve a fé dos fiéis, de maneira particular dos jovens, para que eles não tenham medo de responder com generosidade ao chamamento de Cristo, para O seguir na vida sacerdotal ou na vida consagrada, felizes por serem servidores de Deus e dos seus irmãos. Encorajo os seminaristas e o grupo de animadores do Seminário Maior de Santo Ivo, em Rennes, a rezarem com confiança ao seu santo padroeiro, especialmente neste período de preparação para as ordenações diaconais e presbiterais. Por fim, confio ao Senhor todas aquelas pessoas que ocupam um cargo jurídico ou judiciário no âmbito da sociedade, a fim de que cumpram sempre a sua missão numa perspectiva de serviço.

Concedo com afecto a minha Bênção apostólica a Vossa Excelência, tornando-a extensiva ao Senhor Cardeal Mário Francesco Pompedda, meu Enviado Especial, a todos os Bispos presentes, aos Sacerdotes, Diáconos, Religiosos, Religiosas, às pessoas que participarem no debate histórico e jurídico, assim como às diversas Autoridades presentes e a todos os fiéis reunidos em Tréguier, na circunstância desta comemoração.

Vaticano, 13 de Maio de 2003.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS COMPATRIOTAS VINDOS PARA FESTEJAR SEU 83° ANIVERSÁRIO E PARTICIPAR NUMA CERIMÓNIA DE CANONIZAÇÃO

19 de maio de 2003

Dou as cordiais boas-vindas aos meus compatriotas, presentes aqui na Praça de São Pedro. Saúdo os Senhores Cardeais, os Bispos, os Presbíteros e as Religiosas. De forma especial, saúdo o Cardeal Primaz, hoje ausente, enquanto lhe agradeço as palavras de bem que nos transmitiu.

Formulo-lhe votos de imediato e pleno restabelecimento da saúde. Quero saudar também o Senhor Presidente da República da Polónia e os representantes das Autoridades do Estado e territoriais. Obrigado pela sua presença. Agradeço em particular ao Senhor Presidente os bons votos, que me transmitiu em nome da República. Deus o abençoe!

Depois, quero saudar-vos cordialmente a todos vós aqui presentes, que quisestes empreender a cansativa peregrinação destes dias, tão importante para a Igreja que está na Polónia, nos dias em que apresentamos à Igreja universal os dois novos Santos polacos: o Bispo D. José Sebastião Pelczar e a Religiosa Úrsula Ledóchowska . Recordando-os, quero saudar de maneira particular as Irmãs da Congregação das Servas do Sagrado Coração de Jesus e das Ursulinas do Sagrado Coração de Jesus Agonizante.

Por vontade da Providência Divina, foi-me concedido realizar estas canonizações no 25º ano do meu Pontificado e no dia do meu aniversário. Sejam dadas graças a Deus! Do íntimo do coração, agradeço-vos também a vós! É-me grato poder celebrar todas estas circunstâncias com um grupo tão numeroso de amigos. Agradeço-vos a vossa amabilidade e os vossos sacrifícios, bem como as preces que elevais por mim e por toda a Igreja.

Seria difícil contar quantos foram os nossos encontros ao longo dos últimos anos. Alguns deles tiveram lugar em Roma, em Castel Gandolfo, e outros em vários países do mundo; porém, no meu coração permanecem mais impressos os encontros que se realizaram na terra natal. Talvez porque foram particularmente intensos, marcados por uma profunda oração e por uma reflexão religiosa sobre a realidade temporal de cada um de nós e de toda a Nação: é nesta realidade que se concretiza o plano salvífico de Deus. Estes encontros foram sempre uma extraordinária partilha do testemunho da fé, transmitida pelos nossos antepassados, e que cria um especial clima de vida e de cultura, amplamente entendida, que decide a identidade da Nação. Foi assim que aconteceu em 1979, quando, em nome de todos aqueles que não tinham o direito de falar, invoquei de Deus o dom do Espírito, a fim de que renovasse a face da nossa terra natal. Nessa circunstância, acompanhava-nos o grande pastor e guia da Igreja polaca, Cardeal Stefan Wyszynski, Primaz do Milénio.

Com o testemunho conjunto, ajudámo-nos uns aos outros também em 1983 quando, em circunstâncias difíceis para a Nação, demos graças pelos 600 anos da presença de Maria na sua Imagem de Jasna Góra, e rezámos para obter a fé na força do diálogo, a fim de que "a Polónia pudesse prosperar e viver na serenidade, no interesse da tranquilidade e do bom relacionamento entre os povos da Europa" (Paulo VI). Em 1987, enquanto a Nação polaca continuava a combater contra os poderes da ideologia inimiga, todos juntos reavivámos dentro de nós a esperança, que brota da Eucaristia instituída no começo da "hora redentora de Cristo", que foi a "hora redentora da história do homem e do mundo". O Congresso Eucarístico Nacional, realizado nessa época, recordou-nos novamente que Deus "nos amou até à morte".

Em 1991, houve dois encontros de particular eloquência. Durante o primeiro deles, demos graças a Deus pela dádiva da liberdade reconquistada e procurámos delinear um projecto para viver nobremente a liberdade, fundamentando-nos na lei eterna de Deus, encerrada no Decálogo. Já nesse período procurámos vislumbrar os perigos, que poderiam aparecer na vida dos indivíduos e de toda a sociedade, juntamente com a liberdade desvinculada das normas morais. Estes perigos estao sempre presentes. Por isso, não cesso de rezar a fim de que a consciência da Nação polaca se forme com base nos preceitos divinos, e julgo que a Igreja na Polónia saberá salvaguardar sempre a ordem moral.

O segundo encontro desse ano estava ligado à Jornada Mundial da Juventude, realizada em Czestochowa. Nunca mais esquecerei aquele "Apelo de Jasna Góra", compartilhado pelos jovens do mundo inteiro pela primeira vez, vindos também de fora das nossas fronteiras orientais. Dou graças a Deus porque aos pés da Rainha de Jasna Góra, me foi concedido confiá-los à sua poderosa salvaguarda.

Depois, houve também uma breve visita de um dia a Skoczów, em 1995, por ocasião da canonização de Joao Sarkander. Inclusivamente aquele dia produziu muitas experiências espirituais inesqueciveis.

No ano de 1997 vivemos uma peregrinação repleta de acontecimentos significativos. O primeiro deles foi o encerramento do Congresso Eucaristico Internacional, em Vratislávia. Todas as celebrações do Congresso e, de modo especial, a statio orbis, nos recordaram que a Eucaristia é o sinal mais eficaz da presença de Cristo, "ontem, hoje e sempre". O segundo acontecimento, de particular importância, foi a visita às relíquias de Santo Adalberto, no milénio da sua morte. Do ponto de vista religioso, foi a ocasião para voltar às raizes da nossa fé. Do ponto de vista internacional, aquele encontro constituiu a recordação da ideia do Congresso de Gniezno, que teve lugar no ano 1000. Na presença dos Presidentes dos paises limítrofes, nessa circunstância eu disse: "Não haverá uma Europa unida, enquanto ela não se fundamentar na unidade do espírito. Esta profunda base da unidade foi dada à Europa, consolidando-se ao longo dos séculos através do cristianismo e do seu Evangelho, com a sua compreensao do homem e a sua contribuição para o desenvolvimento da história dos povos e das nações. Isto nao significa desejar apropriar-se da história. Com efeito, a história da Europa é um grande rio, em que desembocam numerosos afluentes, e a variedade das tradições e das culturas que a formam é a sua grande riqueza. Os fundamentos da identidade da Europa são edificados sobre o cristianismo" (Homilia, 3 de Junho de 1997).

Hoje, enquanto a Polónia e os outros países do antigo "Bloco do Leste" estao a entrar nas estruturas da União Europeia, repito estas palavras, que não pronuncio com a intenção de desanimar mas, pelo contrário, para indicar que tais países tem uma grande missão a cumprir no Velho Continente. Sei que há numerosos opositores desta integração. Admiro a sua solicitude pela manutenção da identidade cultural e religiosa da nossa Nação. Compartilho as suas inquietações, ligadas ao delineamento económico das forças em que a Polónia depois de anos de ilimitada exploração económica por parte do sistema passado se apresenta como um Pais de grandes possibilidades, mas também de meios escassos. Todavia, devo realçar que a Polónia foi sempre uma importante parte da Europa, e que hoje não pode abandonar esta comunidade que, é verdade, está a viver crises a vários niveis, mas constitui uma familia de nações fundamentada na tradição cristã conjunta. Entrar nas estruturas da União Europeia, com direitos iguais aos dos outros paises, é para a nossa Nação e para as nações eslavas confinantes, a expressão de uma justiça histórica e, por outro lado, pode constituir um enriquecimento para a Europa. A Europa tem necessidade da Polónia. A Igreja que está na Europa tem necessidade do testemunho de fé dos polacos. A Polónia tem necessidade da Europa.

Da União de Lublim à Uniao Europeia. É uma grande síntese, mas esta sintese é rica de vários conteúdos. A Polónia tem necessidade da Europa.

Trata-se de um desafio que o presente nos põe diante de nós e de todas as nações que, na onda das transformações políticas da região da chamada Europa Centro-Oriental, saíram do círculo das influências do comunismo ateu. Todavia, este desafio apresenta uma tarefa aos crentes a tarefa de uma construção concreta da comunidade do espírito, assente nos valores que permitiram sobreviver a décadas de esforços, destinados a introduzir o ateismo de forma programática.

A Padroeira desta obra seja a Santa Rainha Edviges, a Senhora de Wawel, a grande precursora da União das Nações, com base na fé conjunta. Dou graças a Deus porque me foi concedido canonizá-la precisamente durante aquela peregrinação.

O longo encontro com a Polónia e os seus habitantes, que teve lugar em 1999, foi uma comum experiência na fé da verdade, segundo a qual "Deus é amor". Num certo sentido, tratou-se de uma grandiosa preparação nacional para aquilo que vivemos no ano passado: a profunda experiência da verdade, segundo a qual "Deus é rico de misericórdia". Existe, porventura, outra mensagem, que de tanta esperança ao mundo dos nossos dias e a todos os homens do início do terceiro milénio? No lugar onde Cristo misericordioso se manifestou de modo particular, em Lagiewniki de Cracóvia, não hesitei em confiar o mundo à Misericórdia Divina. Estou ardentemente convicto de que aquele acto de entrega encontrará uma resposta confiante da parte daqueles que crêem, em todos os continentes, conduzindo-os para uma renovação interior e a consolidação da obra da edificação da civilização do amor.

Recordo estes encontros especiais com os polacos, porque no seu conteúdo espiritual está encerrada a história dos últimos vinte e cinco anos da Polónia, da Europa, da Igreja e do actual Pontificado. Sejam dadas graças a Deus por este tempo, em que pudemos experimentar a abundância da sua graça!

No contexto do mistério da Misericórdia Divina, voltamos uma vez mais às figuras dos novos Santos polacos. Eles não só se confiaram a Cristo misericordioso, mas foram cada vez mais plenamente testemunhas da misericórdia. No ministério pastoral de São José Sebastião Pelczar, a actividade caritativa ocupou um lugar especial. Ele viveu sempre convencido de que a misericórdia concreta é a defesa mais eficaz da fé, a pregação mais eloquente e o apostolado mais fecundo. Ele mesmo ajudava os necessitados e, ao mesmo tempo, procurava fazer com que os cuidados fossem organizados e ordenados, e não esporádicos. Por isso, valorizava também as instituições caritativas e ajudava-as com os seus próprios fundos. Quanto à Madre Úrsula Ledóchowska, fez da sua vida uma missão de misericórdia em relação aos mais necessitados. Onde quer que a Misericórdia a tenha colocado, ela encontrou jovens que tinham necessidade de educação e de formação espiritual, pobres, doentes, pessoas abandonadas e feridas de várias maneiras pela vida, que desta Santa esperavam compreensão e ajuda concreta. Ajuda que, segundo as suas possibilidades, não negava a ninguém. A sua obra de misericórdia permanecerá gravada para sempre na mensagem de santidade que, a partir de ontem, se tornou parte de toda a Igreja.

E assim, José Sebastião Pelczar e Úrsula Ledóchowska, que hoje nos acompanharam nesta peregrinação espiritual através da terra polaca, trouxeram-nos novamente a Roma. Obrigado, uma vez mais, por terdes desejado estar aqui presentes. Ontem à tarde, completei 83 anos de vida e entrei no 84º. Dou-me conta, cada vez mais plenamente, de que se aproxima o dia em que deverei apresentar-me diante de Deus com toda a minha vida, com o período passado em Wadowice, com o período vivido em Cracóvia e em Roma: presta contas do teu ministério! Confio na Misericórdia Divina e na protecção da Mãe Santíssima para todos os dias, e sobretudo para o dia em que tudo se há-de cumprir: no mundo, perante o mundo e diante de Deus. Agradeço-vos uma vez mais esta visita, que muito me agrada. Transmiti a minha saudação às vossas famílias, aos vossos entes queridos e a todos os nossos compatriotas. Abraço-vos a todos com um pensamento grato. Abençoe-vos Deus Omnipotente, Pai, Filho e Espírito Santo.

Louvado seja Jesus Cristo. Deus vos abençoe!

DISCURSO DO SANTO PADRE AOS FIÉIS ITALIANOS VINDOS A ROMA PARA A CANONIZAÇÃO DE MARIA DE MATTIAS E VIRGÍNIA CENTURIONE BRACELLI

Segunda-feira, 19 de Maio de 2003

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Ontem de manhã compartilhámos a alegria da canonização de quatro luminosas testemunhas de Cristo: São José Sebastião Pelczar, Santa Úrsula Ledóchowska, Santa Maria De Mattias e Santa Virgínia Centurione Bracelli: um Bispo e três Religiosas; todos eles foram Fundadores de Institutos de vida consagrada. Hoje, temos a oportunidade de nos encontrarmos de novo, para continuar a admirar em cada um deles o reflexo do rosto de Cristo e, juntos, dar graças a Deus.

É com imensa alegria que vos saúdo a vós, que viestes para honrar Santa Maria De Mattias e Santa Virgínia Centurione Bracelli. Saúdo os Pastores das Dioceses natais destas duas novas Santas: D. Tarcício Bertone, Arcebispo de Génova, e D. Salvatore Boccaccio, Bispo de Frosinone-Veroli-Ferentino. Além disso, saúdo os outros Bispos, as Autoridades, os Sacerdotes e os fiéis vindos de várias regiões da Itália, em particular as Religiosas que herdaram os carismas e a espiritualidade destas novas Santas.

Maria De Mattias

2. A canonização de Maria De Mattias constitui uma ocasião oportuna para aprofundar a sua lição de vida e para tirar do seu exemplo orientações úteis para a nossa própria existência. Penso, em primeiro lugar em vós, queridas Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo, que vos alegrais ao ver a vossa Fundadora glorificada, e em todos vós, fiéis que lhe são devotos e que formais a sua Família espiritual.

A mensagem de Maria De Mattias é para todos os cristãos, porque indica um compromisso básico e fundamental: "Ter os olhos fixos em Jesus" (Hb 12, 2) em cada circunstância da vida, sem jamais esquecer que Ele nos redimiu, pagando o preço do seu sangue: "Ele deu tudo repetia Maria De Mattias por todos!".

Formulo os meus bons votos a fim de que muitos sigam o exemplo desta nova Santa. Durante toda a sua vida, ela trabalhou para difundir o mandamento cristão da caridade, curando as dilacerações e pondo remédio às situações difíceis e às contradições da sociedade do seu tempo. É fácil constatar como esta mensagem é actual.

Virgínia Centurione Bracelli

3. Agora, é com profunda cordialidade que vos saúdo a vós, caríssimas Irmãs de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário e Filhas de Nossa Senhora no Monte Calvário, assim como quantos de vós vos alegrais pela canonização de Santa Virgínia Centurione Bracelli.

A preciosa herança que esta Santa deixou à Igreja e, de maneira especial, às suas filhas espirituais, consiste numa caridade entendida não como simples assistência material, mas como compromisso de solidariedade autêntica, visando a plena libertação e promoção humana e espiritual de quem se encontra em necessidade. Santa Virgínia soube transformar a acção caritativa em contemplação do rosto de Deus no homem, unindo a docilidade às moções interiores do Espírito com a audácia prudente e iluminada no empreendimento de iniciativas de bem sempre novas.

A caridade autêntica brota de uma comunhão constante com Deus e alimenta-se na oração. O exemplo desta nova Santa seja para todos um encorajamento e estímulo a viverem, também nos dias de hoje, o preceito evangélico da caridade como uma adesão plena à vontade divina e como um serviço concreto ao próximo, de maneira particular às pessoas que vivem em maior dificuldade.

4. Caríssimos Irmãos e Irmãs, ao seguirdes o percurso traçado por estas duas Santas, oxalá vos oriente a celeste Rainha dos Santos, a Virgem Maria. Renovo-vos a expressão da minha gratidão pela vossa presença e abençoo-vos do íntimo do coração.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO RECEBER O DOUTORAMENTO "HONORIS CAUSA" EM JURISPRUDÊNCIA DA UNIVERSIDADE ROMANA "LA SAPIENZA"

Sábado, 17 de Maio de 2003

Senhor Presidente do Conselho de Ministros Senhores Cardeais e Venerados Irmãos no Episcopado Magnífico Reitor Ilustres Professores Irmãos e Irmãs

1. É para mim um motivo de profunda alegria a visita que hoje, com particular solenidade, quisestes fazer ao Sucessor de Pedro, no VII centenário de fundação da vossa prestigiosa Universidade. Sede bem-vindos a esta casa!

Apresento a minha respeitosa saudação ao Ilustre Presidente Sílvio Berlusconi, aos Ministros do Governo Italiano, às Autoridades aqui reunidas e a todos os presentes. Agradeço aos Professores Giuseppe D'Ascenzo, Reitor Magnífico da Universidade "La Sapienza"; Carlo Angelici, Decano da Faculdade de Jurisprudência; e Pietro Rescigno, Ordinário de Direito Civil, as amáveis palavras que, em nome do Corpo Académico, dos Estudantes e do Pessoal da Universidade, quiseram dirigir-me.

Exprimo também o meu profundo reconhecimento pela concessão do doutoramento honoris causa em Jurisprudência, deliberada pelo Conselho da Faculdade. É de bom grado que recebo este reconhecimento, que considero outorgado à Igreja, na sua função de mestra, também no delicado âmbito do direito, no que se refere aos princípios de base sobre os quais se fundamenta a ordenada convivência humana.

Como se recordou, o vosso ilustre Ateneu foi instituído pelo Papa Bonifácio VIII, com a Bula "In supremae", de 20 de Abril de 1303, com a finalidade de ajudar e promover os estudos nos diversos ramos do saber. A iniciativa daquele Sumo Pontífice foi confirmada e desenvolvida pelos seus Sucessores, ao longo dos últimos sete séculos. Tomando outras providências, eles aperfeiçoaram pouco a pouco a ordem da Universidade, adaptando as suas estruturas ao progresso do saber. É neste sentido que se devem ler as disposições do Papa Eugénio IV, assim como as de Leão X, de Alexandre II e de Bento XIV, até à Bula "Quod divina sapientia", de Leão XII.

Na vossa Universidade formaram-se inúmeros homens e mulheres que, nas diversas disciplinas do saber, lhe deram brilho, fazendo progredir os conhecimentos, favorecendo o aumento da qualidade de vida e aprofundando um sereno e também fecundo diálogo entre os cultores da ciência e da fé.

As relações cordiais que existiam no passado entre o vosso Ateneu e a Igreja continuam, graças a Deus, inclusivamente hoje, no pleno respeito das competências recíprocas, mas também na consciência de realizar, a vários níveis, um serviço igualmente útil para o progresso do homem.

2. Nos anos de serviço pastoral à Igreja, considerei como parte do meu ministério reservar um amplo espaço à afirmação dos direitos humanos, em virtude da estreita ligação que eles têm com dois pontos fundamentais da moral cristã: a dignidade da pessoa e a paz. Com efeito, foi Deus que, criando o homem à sua imagem e chamando-o a ser seu filho adoptivo, lhe conferiu uma dignidade incomparável, e foi Deus que criou os homens para que vivessem na concórdia e na paz, proporcionando uma distribuição equitativa dos meios necessários para viver e se desenvolver. Movido por esta consciência, comprometi-me com todas as minhas forças no serviço destes valores. Mas eu não podia cumprir esta missão, que o ofício apostólico exige de mim, sem recorrer às categorias do direito.

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