Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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Embora me tenha dedicado, nos meus anos juvenis, ao estudo da filosofia e da teologia, sempre tive grande admiração pela ciência jurídica, nas suas mais elevadas manifestações: o direito romano de Ulpiano, de Gaio e de Paulo, o Corpus iuris civilis de Justiniano, o Decretum Gratiani, a Magna Glossa de Acúrsio, o De iure belli et pacis de Grócio, para recordar apenas algumas obras salientes da ciência jurídica, que formaram a Europa e particularmente a Itália. No que diz respeito à Igreja, eu mesmo tive a ventura de promulgar, em 1983, o novo Código de Direito Canónico, para a Igreja latina e, em 1990, o Código dos Cânones das Igrejas Orientais.

3. O princípio que me orientou no meu compromisso é que a pessoa humana como foi criada por Deus é o fundamento e a finalidade da vida social, que o direito deve servir. Com efeito, "a centralidade da pessoa humana no direito é expressa de maneira eficaz pelo aforismo clássico: Hominum causa omne ius constitutum est. Isto equivale a dizer que o direito é assim, se e na medida em que puser como seu fundamento o homem na sua verdade" (Discurso na Assembleia sobre Evangelium vitae e direito, n. 4, em: Insegnamenti XIX/1, 1996, pág. 1347). E a verdade do homem consiste no facto de ele ter sido criado à imagem e semelhança de Deus.

Como "pessoa" o homem é, segundo uma profunda expressão de S. Tomás de Aquino, "id quod est perfectissimum in tota natura" (S. Th., q.29, a.3). Partindo desta convicção, a Igreja centralizou a sua doutrina nos "direitos do homem", que derivam não do Estado, nem de qualquer outra autoridade humana, mas da própria pessoa. Portanto, os poderes públicos devem "reconhecê-los, respeitá-los, completá-los, tutelá-los e promovê-los" (Pacem in terris, 22): com efeito, trata-se de direitos "universais, invioláveis e inalienáveis" (Ibid., n. 3). Eis por que motivo os cristãos "devem trabalhar sem trégua, para melhor valorizar a dignidade que o homem recebeu do Criador e unir as suas forças às dos outros, com vista a defendê-la e promovê-la" (Discurso no Congresso Mundial sobre a pastoral dos Direitos Humanos, n. 3, em: Insegnamenti XXI/2, 1998, pág. 20).

4. Por esta razão, a Igreja acolheu de modo favorável a Declaração Universal dos Direitos do Homem, da Organização das Nações Unidas, aprovada na Assembleia Geral de 10 de Dezembro de 1948. Este documento marca "um passo importante no caminho rumo à organização jurídico-política da Comunidade mundial. Com efeito, nele é reconhecida da forma mais solene a dignidade de pessoa a todos os seres humanos; e, por conseguinte, é proclamado como seu direito fundamental movimentar-se livremente em busca do verdadeiro, na realização do bem moral e da justiça; e o direito a uma vida digna; e são também proclamados outros direitos ligados ao supramencionados" (Pacem in terris, 75). Foi com igual favor que a Igreja acolheu a Convenção europeia para a salvaguarda dos direitos do homem e das liberdades fundamentais, a Convenção sobre os direitos da criança e a Declaração dos direitos da criança e do nascituro.

Indubitavelmente, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, não apresenta os fundamentos antropológicos e éticos dos direitos do homem, que ela proclama. Neste campo, "a Igreja católica tem uma contribuição insubstituível a oferecer, porque proclama que é na dimensão transcendente da pessoa que se encontra a fonte da sua dignidade e dos seus direitos invioláveis". Por isso, "a Igreja está persuadida de que serve a causa dos direitos do homem quando, fiel à sua fé e à sua missão, proclama que a dignidade da pessoa humana encontra o seu fundamento na sua qualidade de criatura criada à imagem e semelhança de Deus" (Discurso ao Corpo Diplomático, n. 7, em: Insegnamenti XII/1, 1989, pp. 69-70). A Igreja está convencida de que no reconhecimento deste fundamento antropológico e ético dos direitos humanos está a mais válida protecção contra toda a sua violação e vexação.

5. Durante o meu serviço como Sucessor de Pedro, senti o dever de insistir com vigor sobre alguns destes direitos que, afirmados teoricamente, são com frequência ignorados tanto pelas leis como pelos comportamentos concretos. Assim, voltei a falar muitas vezes sobre o primeiro e mais fundamental direito do homem, que é o direito à vida. Efectivamente, "a vida humana é sagrada e inviolável, desde a sua concepção até ao seu ocaso natural [...] Uma verdadeira cultura da vida, assim como garante o direito de nascer a quem ainda não nasceu, também protege os recém-nascidos, particularmente as meninas, contra o crime do infanticídio. Ela assegura igualmente aos portadores de deficiência o desenvolvimento das suas potencialidades, e aos doentes e idosos os devidos tratamentos" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1999, n. 4, em: Insegnamenti XXI/2, 1998, pág. 1217). Em particular, insisti sobre o facto de que o embrião é um indivíduo humano e, como tal, é titular dos direitos invioláveis do ser humano.

Portanto, a norma jurídica é chamada a definir o estatuto jurídico do embrião como sujeito de direitos que não podem ser ignorados pela ordem moral, nem pela ordem jurídica.

Outro direito fundamental sobre o qual tive que insistir, em virtude das suas frequentes violações no mundo contemporâneo, é o direito à liberdade religiosa, reconhecido tanto pela Declaração Universal dos Direitos do Homem (art. 18), como pela Acta Final de Helsínquia (1 a, VII) e pela Convenção sobre os direitos da criança (art. 14). Com efeito, considero que o direito à liberdade religiosa não é simplesmente um entre outros direitos do homem, mas sim aquele ao qual todos os outros se ligam, porque a dignidade da pessoa humana tem a sua fonte primeira na relação essencial com Deus. Na realidade, o direito à liberdade religiosa "está tão intimamente ligado aos outros direitos fundamentais, que se pode afirmar, justamente, que o respeito da liberdade religiosa é como que uma prova para a observância dos outros direitos fundamentais" (Discurso ao Corpo Diplomático, n. 6, em: Insegnamenti XII/1, 1989, pág. 68).

6. Por fim, esforcei-me em ordem a realçar, pedindo que fossem expressos em normas jurídicas obrigatórias, muitos outros direitos, como o direito a não ser discriminado por motivos de raça, de língua, de religião e de sexo; o direito à propriedade particular, que é válido e necessário, mas nunca pode ser desvinculado do princípio mais fundamental, do destino universal dos bens (cf. Sollicitudo rei socialis, 42; Centesimus annus, 6); o direito à liberdade de associação, de expressão e de informação, sempre no respeito da verdade e da dignidade das pessoas; o direito que hoje constitui inclusivamente um grave dever de participar na vida política, "destinada a promover, orgânica e institucionalmente, o bem comum" (Christifideles laici, 42); o direito à iniciativa económica (cf. Centesimus annus, 48; Sollicitudo rei socialis, 15); o direito à habitação, ou seja, "o direito a uma casa para cada pessoa com a sua própria família", estritamente ligado "ao direito a formar uma família e a ter um trabalho adequadamente retribuído" (Alocução do "Angelus", em: Insegnamenti XIX/1, 1996, pp. 1524 s.); o direito à educação e à cultura, porque "o analfabetismo constitui uma grande pobreza e é sinónimo de marginalização" (Discurso por ocasião da celebração do Ano Internacional da Alfabetização, 3 de Março de 1990, em: Insegnamenti XIII/1, 1990, pág. 577); o direito das minorias "a existirem" e "a preservarem e desenvolverem a sua própria cultura" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1989, nn. 5 e 7, em: Insegnamenti XI/4, pág. 1792); o direito ao trabalho e os direitos dos trabalhadores: foi precisamente a este tema que dediquei a Carta Encíclica Laborem exercens.

Por fim, com atenção especial, proclamei e defendi "aberta e vigorosamente os direitos da família, contra as intoleráveis usurpações da sociedade e do Estado" (Familiaris consortio, 46), bem sabendo que a família é o lugar privilegiado da "humanização da pessoa e da sociedade" (Christifideles laici, 40) e que é através dela que "passa o futuro do mundo e da Igreja" (Discurso à Confederação dos Consultores Cristãos, n. 4, em: Insegnamenti III/2, 1980, pág. 1454).

7. Ilustres Senhores, gostaria de concluir este nosso encontro, formulando os meus votos sinceros a fim de que a humanidade progrida, no futuro, na tomada de consciência dos direitos fundamentais, nos quais se reflecte a sua dignidade original. O novo século, com que se inaugurou um novo milénio, possa fazer registar um respeito cada vez mais consciente pelos direitos do homem, de cada homem e do homem todo.

Sensíveis à admoestação dantesca: "Não fostes criados para viver como feras / mas para seguir a virtude e o saber" (Inferno XXVI, 119-120), os homens e as mulheres do terceiro milénio saibam inscrever nas leis, e traduzir nos comportamentos, os valores perenes sobre os quais se fundamenta toda a autêntica civilização.

No meu coração, estes bons votos transformam-se em oração a Deus Omnipotente, a quem confio as vossas pessoas, e dele invoco copiosas bênçãos sobre vós aqui presentes, os vossos entes queridos e toda a comunidade de "La Sapienza".


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO CONSELHO DOS DIRECTORES NACIONAIS DAS PONTIFÍCIAS OBRAS MISSIONÁRIAS

16 de Maio de 2003

Senhor Cardeal Venerados Irmãos no Episcopado Estimados Directores Nacionais das Pontifícias Obras Missionárias

1. É-me grato dar-vos as boas-vindas a este encontro anual, em que participais provenientes das várias Igrejas do mundo.

Agradeço ao Cardeal Crescenzio Sepe, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que se fez intérprete dos sentimentos de todos. Dirijo um pensamento especial também ao Presidente das Pontifícias Obras Missionárias, D. Malcolm Ranjith, e aos numerosos Bispos aqui presentes. Por fim, saúdo os Secretários-Gerais e os membros do Conselho Superior que, com a sua dedicação, asseguram o bom funcionamento destas importantes estruturas da actividade missionária na vida da Igreja.

Os meus Predecessores quiseram qualificar as Obras Missionárias com o título de "Pontifícias" e fixar a sua sede central em Roma, precisamente para realçar que nelas se exprime o dever e a ansiedade de toda a Igreja, em ordem à realização da sua "opera maxima", ou seja, a evangelização do mundo.

2. Nas Obras Missionárias manifesta-se a solicitude do Papa por todas as Igrejas (cf. 2 Cor 11, 28). A sua tarefa consiste em promover e contribuir para a animação missionária de todo o Povo de Deus, conservando vivo sobretudo o espírito apostólico em cada uma das Igrejas e esforçando-se com vista a corresponder às necessidades das Igrejas que se encontram em dificuldade. Por isso, podem qualificar-se muito bem como "Obras do Papa". Porém, ao mesmo tempo elas são também as "Obras dos Bispos", uma vez que, mediante estas estruturas, se exprime e se realiza o dever do anúncio da Boa Nova, deixado por Cristo ao Colégio apostólico.

"Sendo do Papa e do Colégio episcopal, estas Obras ocupam, também no âmbito das Igrejas particulares, "justamente o primeiro lugar, já que são meios quer para infundir nos católicos, desde a infância, um espírito verdadeiramente universal e missionário, quer para favorecer uma adequada colecta de fundos em favor de todas as missões, segundo as necessidades de cada uma" (Ad gentes, 38). Outra finalidade das Obras Missionárias é suscitar vocações ad gentes e ad vitam, tanto nas Igrejas antigas como nas mais jovens" (Redemptoris missio, 84).

3. Caríssimos, em todo este vosso importante compromisso missionário, que vos insere no próprio centro da vida da Igreja, vós colaborais intimamente com a Congregação para a Evangelização dos Povos, à qual as Pontifícias Obras Missionárias foram confiadas, tornando-se desta maneira o organismo oficial da cooperação missionária universal (cf. Pastor bonus, 85 e 91; Cooperatio missionalis, 3 e 6).

Tudo isto exprime o espírito autenticamente universal e missionário das Pontifícias Obras Missionárias, cujo carisma profundamente "católico" vós conservais e testemunhais através da vossa oração, actividade e sacrifício.

É também este o espírito que emana dos vossos Estatutos. Este espírito deve ser ciosamente conservado e sempre de novo adaptado às urgentes exigências do apostolado. A propósito disto, foi com satisfação que recebi a notícia de que estais a realizar um oportuno trabalho de revisão, em ordem a adaptar os mesmos Estatutos às novas condições dos tempos. Por isso, não posso deixar de vos elogiar, bem como todos aqueles que estão comprometidos nesta renovação, que visa favorecer cada vez mais a colaboração e a utilização oportuna dos meios de assistência às Igrejas.

4. Nesta feliz circunstância, não posso deixar de recordar a celebração do 160º aniversário da Pontifícia Obra da Santa Infância, ou Infância Missionária, a celebrar no corrente ano. Desejo recordar de novo e realçar o grande compromisso de animação e sensibilização que esta Obra realiza "desde a infância", para promover a causa missionária. A mensagem que enviei aos membros da Obra, na Solenidade da Epifania, exprimo todo a minha estima por estes "jovens missionários". Por conseguinte, será com júbilo que, proximamente, receberei uma numerosa e alegre delegação de crianças do mundo inteiro, que virão a Roma para celebrar o significativo aniversário da sua benemérita Obra.

Tive também o prazer de receber, no passado mês de Fevereiro, uma numerosa representação das Pontifícias Obras Missionárias dos Estados Unidos da América, chefiada pelo seu Director Nacional. Através das generosas ofertas para os irmãos em necessidade, naquela Nação estas Obras constituem um sinal de amor autenticamente universal.

5. Desejo exortar-vos a ter sempre presentes, no vosso trabalho de "cooperação missionária", as crescentes necessidades da Igreja em várias regiões do mundo. Por motivos contingentes, o "intercâmbio de dons" entre as Igrejas, no que diz respeito às ajudas materiais, recentemente registou uma diminuição preocupante.

Exorto-vos a não vos deixar desanimar pelas dificuldades. Em sintonia com São Paulo, que recomendava as "colectas" para ajudar a Igreja em Jerusalém (cf. Rm 15, 25-27), recordai a todos que "a cooperação, indispensável para a evangelização do mundo, é um direito-dever de todos os baptizados" (Cooperatio missionalis, 2; Redemptoris missio, 77; cf. também Código de Direito Canónico, cânn. 211 e 781).

Por conseguinte, continuai a oferecer a todas as Igrejas antigas e jovens, o privilégio de "ajudar o Evangelho", para que ele seja proclamado a todos os povos da terra: "A Igreja missionária dá aquilo que recebe, distribui aos pobres aquilo que os seus filhos mais dotados de bens materiais lhe põem generosamente à disposição. "Há mais alegria em dar do que em receber" (Act 20, 35)" (Redemptoris missio, 81).

6. Caríssimos, no mês de Maio, em que estamos a viver, voltamo-nos espontaneamente para Maria, a quem invocamos como "Rainha das Missões". Tenhamos firmes nas nossas mãos a coroa do Rosário, cuja recitação na história da Igreja trouxe sempre, com o aumento da fé, também uma especial protecção para os devotos da Virgem. Quero reiterar também aqui o convite que dirigi às crianças da Infância Missionária: "O Rosário missionário é muito sugestivo: a dezena branca é para a velha Europa, para que seja capaz de recuperar a força evangelizadora que gerou tantas Igrejas; a dezena amarela é para a Ásia, que explode de vida e de juventude; a dezena verde é para a África, provada pelo sofrimento, mas disponível para o anúncio; a dezena vermelha é para a América, viveiro de novas forças missionárias; e a dezena azul é para o Continente da Oceânia, que aguarda uma difusão mais completa do Evangelho".

Com estes sentimentos, confio-vos a todos à Mãe comum, a quem estou certo disto ofereceis orações e sacrifícios constantes, no cumprimento do vosso precioso trabalho missionário. A Bênção apostólica, que vos concedo do íntimo do coração, obtenha para vós e os vossos colaboradores, abundantes efusões de favores celestiais.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DA COMUNIDADE DA PONTIFÍCIA ACADEMIA ECLESIÁSTICA

Quinta-feira, 15 de Maio de 2003

Senhor Presidente Estimados Sacerdotes alunos da Pontifícia Academia Eclesiástica

1. Estou-vos grato por esta visita e saúdo-vos a todos com afecto. Saúdo em primeiro lugar o Presidente, o Arcebispo Justo Mullor Garcia, e agradeço-lhe, além das palavras que me dirigiu em nome dos presentes, a diligência e a generosidade com que se dedica todos os dias à sua empenhativa tarefa. Faço extensivos estes meus sentimentos de reconhecimento a todos os que, de várias formas e com diversas funções, o coadjuvam na obra de formação.

Saúdo-vos de maneira especial a vós, queridos alunos. Alguns de vós completam daqui a pouco o curriculum académico e preparam-se para empreender um serviço directo na Sé Apostólica. Formulo-vos fervorosos bons-votos de um ministério fecundo e peço ao Senhor que vos acompanhe em cada momento da vossa existência.

2. Caríssimos alunos, já tive a oportunidade, noutras ocasiões, de realçar a importância desta vossa missão "peculiar", que vos levará para longe das vossas famílias, oferecendo-vos, ao mesmo tempo, a oportunidade de entrar em contacto com numerosas e diversas realidades eclesiais e sociais.

Para desempenhar de maneira fiel as tarefas que vos serão confiadas, é indispensável que, desde os anos de formação, o vosso objectivo prioritário seja tender para a santidade. Recordei isto também durante a visita à vossa Academia há dois anos, por ocasião do seu terceiro centenário.

Seja o vosso esforço quotidiano aspirar pela perfeição evangélica, alimentando uma relação ininterrupta de amor com Deus na oração, na escuta da sua palavra e sobretudo na devota participação do Sacrifício eucarístico. Encontra-se nisto, caríssimos, o segredo da eficiência de cada ministério e serviço na Igreja.

3. Vós provindes de nações, culturas e experiências diversas. A vida em comum na Academia aqui em Roma, centro do Catolicismo, educa-vos na partilha e na compreensão recíproca, abre-vos para a dimensão universal da Igreja e oferece-vos a oportunidade de compreender melhor as complexas realidades humanas do nosso tempo. Tudo isto será de grande ajuda quando desempenhardes a vossa actividade entre populações diferentes pelos costumes, civilização, língua e tradições religiosas. O vosso serviço será tanto mais proveitoso quanto mais vos comprometerdes, com espírito autenticamente sacerdotal, em promover o crescimento das Igrejas locais, relacionando-as com a Cátedra de Pedro, e para o bem dos povos.

A Virgem Maria, que veneramos de modo particular neste ano dedicado ao Rosário, ponha sobre cada um de vós o seu olhar e acompanhe os vossos passos com a sua protecção materna. Garanto-vos a minha oração, e de coração vos abençoo a todos.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II NA SOLENE AUDIÊNCIA A DOZE NOVOS EMBAIXADORES JUNTO DA SANTA SÉ

Quinta-feira, 15 de Maio de 2003

Excelências

1. Dou-vos as boas-vindas no momento em que apresentais as Cartas que vos acreditam como Embaixadores extraordinários e plenipotenciários dos vossos respectivos países: Austrália, Zimbábue, Síria, Trindade e Tobago, Etiópia, Letónia, Ilhas Fiji, Burundi, Geórgia, Vanuatu, Moldova e Paquistão. Agradeço-vos as palavras cordiais que me transmitis-tes da parte dos vossos Chefes de Estado; retribuo, pedindo-vos a amabilidade de lhes exprimir os meus deferentes votos pelas suas pessoas e pela nobre missão que desempenham ao serviço dos seus países. A vossa presença oferece-me também a ocasião de saudar cordialmente as Autoridades civis e religiosas dos vossos países, assim como todos os vossos compatriotas, transmitindo-lhes os meus votos mais sinceros.

2. O nosso mundo vive um período difícil, marcado por numerosos conflitos, dos quais vós sois testemunhas atentas; isto preocupa muitos homens e convida os Responsáveis das Nações a comprometerem-se cada vez mais em favor da paz. Nesta perspectiva, é importante que a diplomacia encontre a nobreza da sua origem. De facto, a atenção dedicada às pessoas e aos povos, bem como a preocupação pelo diálogo, a fraternidade e a solidariedade, estão na base da actividade diplomática e das instituições internacionais encarregadas de promover em primeiro lugar a paz, que é um dos bens mais preciosos para os indivíduos, para as populações e para os próprios Estados, cujo desenvolvimento duradouro pode ser garantido unicamente pela segurança e pela concórdia.

No ano em que festejamos o quadragésimo aniversário da encíclica Pacem in terris do Beato João XXIII, que foi também um diplomata ao serviço da Santa Sé nos anos atormentados da segunda guerra mundial, é particularmente oportuno ouvir de novo o convite que ele fez para que o caminho social se baseie em "quatro pilares": a preocupação pela verdade, pela justiça, pelo amor e pela liberdade. Não se pode instaurar a paz sem considerar as pessoas e os povos; ela edifica-se quando todos se tornam parceiros e protagonistas da edificação da sociedade nacional.

Depois do período dos grandes conflitos mundiais, a comunidade internacional dotou-se de organismos e de legislações específicas, para impedir que rebentassem novas guerras, que matam pessoas civis inocentes, devastando regiões e deixando feridas muito difíceis de curar. As Nações Unidas estão chamadas a ser, como nunca, um lugar central das decisões que se referem à reconstrução dos países, e as organizações humanitárias são convidadas a empenhar-se de maneira renovada. Isto fará com que os povos interessados assumam a responsabilidade do seu futuro, permitindo-lhes passar do medo à esperança, da desordem ao compromisso na construção do seu futuro. É também uma condição indispensável para instaurar a confiança no seio de um país.

Por fim, faço apelo a todas as pessoas que professam uma religião, para que o sentido espiritual e religioso seja fonte de unidade e paz, e jamais constitua motivo de oposição entre os homens. Não posso deixar de recordar as crianças e os jovens, que normalmente são os que mais sofrem as consequências dos conflitos. Tendo grandess dificuldades em esquecer o que viveram, podem ser tentados pela espiral da violência. É nosso dever preparar-lhes um futuro de paz numa terra de solidariedade fraterna.

Estas são algumas das preocupações da Igreja católica que eu queria partilhar convosco esta manhã; Vossas Excelências sabem quanto a Igreja está empenhada na vida internacional, nas relações entre os povos e no apoio humanitário, que são expressões da sua missão primordial: manifestar a proximidade de Deus a todos os homens.

4. Durante a vossa nobre missão junto da Santa Sé, tereis a possibilidade de descobrir mais concretamente a sua acção. Apresento-vos hoje os meus melhores votos para a vossa missão. Invoco a abundância das Bênçãos divinas para vós, as vossas famílias, os vossos colaboradores e para as nações que representais.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II À SENHORA FAUZIA MUFTI ABBAS EMBAIXADORA DO PAQUISTÃO JUNTO DA SANTA SÉ

15 de Maio de 2003

Excelência

É-me grato dar-lhe as boas-vindas ao Vaticano, no momento em que Vossa Excelência apresenta as Cartas Credenciais que a designam nova Embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária da República Islâmica do Paquistão junto da Santa Sé. Agradeço-lhe as cordiais saudações que me expressou em nome do Presidente da República, do governo e do povo do Paquistão. A minha grande esperança é de que a amizade já existente entre o seu País e a Santa Sé se aprofunde ainda mais e se caracterize por outros sinais de confiança e de respeito recíprocos. Peço-lhe que transmita ao Presidente, Sua Excelência o Senhor Musharaf, bem como aos cidadãos da sua Nação, a certeza das minhas preces pela paz e pelo bem-estar de todo o País.

Agradeço-lhe as suas referências em reconhecimento dos esforços incansáveis, realizados pela Igreja, em ordem a promover a paz e a impedir os conflitos no nosso agitado mundo de hoje. Sem dúvida, a Santa Sé compartilha a aspiração que o Paquistão alimenta, com vista a lançar os sólidos fundamentos da paz sobre os princípios morais que encontram a sua fonte na dignidade fundamental da pessoa humana, que é um dom de Deus. Com efeito, a actividade levada a cabo pela Santa Sé no seio da comunidade internacional deriva tanto desta visão específica da pessoa humana, como da convicção de que, quando ela se debilita ou é abandonada, faz vacilar o próprio fundamento da sociedade humana. Trata-se de uma perspectiva que exige o desenvolvimento da liberdade alcançada mediante a garantia dos direitos humanos fundamentais. E os que agora menciono não são os últimos destes direitos: o acesso incondicional ao mercado do trabalho, a plena participação na vida civil democrática e a liberdade da prática religiosa. Cada um deles confirma a igualdade de todos os cidadãos.

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