Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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A solidariedade para com as nações em vias de desenvolvimento constitui uma característica bastante conhecida e elogiável do seu povo. O compromisso dos australianos nas missões de manutenção da paz, a sua assistência generosa aos programas de ajuda e, mais recentemente, o seu apoio a Timor Leste, uma Nação que acaba de conquistar a sua independência, tudo isto põe em justa evidência o desejo que eles têm de contribuir para a segurança internacional e a estabilidade necessária para o autêntico progresso social e económico. Fundamentando-se na força dos numerosos anos de sólida diplomacia da Austrália, o seu papel emergente como líder na região da Ásia e do Pacífico oferece à sua Nação a oportunidade de se tornar um promotor de paz cada vez mais importante para aqueles países que procuram alcançar a devida maturidade no campo da solidariedade internacional. Isto pôde ser particularmente observado quando foi perpetrada toda uma série de atentados terroristas que, tragicamente, abalaram as esperanças de paz no mundo.

Os actos de solidariedade são mais do que simples acções humanitárias unilaterais de boa vontade. O verdadeiro humanitarismo reconhece e expressa o plano universal de Deus para toda a humanidade. É somente em conformidade com esta visão de solidariedade mundial que os complexos desafios da justiça e da liberdade dos povos e da paz da humanidade poderão ser eficazmente enfrentados (cf. Familiaris consortio, 48). No centro desta perspectiva está a convicção de que todos os homens e todas as mulheres recebem de Deus tanto a sua dignidade essencial e comum, como a capacidade de transcender toda a ordem social, com vista à verdade e à generosidade (cf. Centesimus annus, 38). É nesta óptica que os diálogos e os acordos da Austrália com aqueles países que se encontram ao norte do seu continente, e que não compartilham a herança cristã, encontrarão o seu fundamento apropriado e estável. Do mesmo modo, é somente nesta perspectiva de unidade essencial da humanidade que as grandes dificuldades associadas à recepção dos refugiados e à antiga questão dos direitos às terras por parte dos Aborígenes, encontrarão soluções justas e verdadeiramente humanitárias.

Como Vossa Excelência observou, a tolerância é uma nova característica do povo da Austrália. Efectivamente, esta característica atraiu muitas pessoas para essa terra e reflecte-se na integração das comunidades multiétnicas que actualmente ali vivem. Contudo, o respeito devido a todas as pessoas não encontra a sua origem exclusivamente na existência das diferenças entre os povos. Da compreensão da verdadeira natureza da vida como dádiva deriva a exigência de que os homens e as mulheres devem respeitar a estrutura natural e moral que Deus lhes concedeu (cf. Centesimus annus, 38). Enquanto a importância política dada à subjectividade humana tem certamente realçado os direitos dos indivíduos, por vezes as tendências do que é "politicamente correcto" parecem esquecer que "os homens e as mulheres são chamados a orientar os seus passos para uma verdade que os transcende" (Fides et ratio, 5). Longe desta verdade, que constitui a única garantia de liberdade e de felicidade, os indivíduos encontram-se à mercê do capricho e do pluralismo indiferenciado e, pouco a pouco, perdem a capacidade de elevar o seu olhar para o ápice do significado da vida humana.

Na Austrália, assim como em numerosos outros países, o esforço em ordem a interpretar as opções de estilos de vida em relação ao plano de Deus para a humanidade manifesta-se nas pressões que se apresentam à vida matrimonial e familiar. A sacralidade do matrimónio deve ser promovida tanto pelos organismos religiosos como pelas entidades civis. Os desvios seculares e pragmáticos da realidade do matrimónio jamais podem obscurecer o esplendor de uma aliança permanente, que se fundamenta no amor abnegado, altruísta e incondicional. Esta maravilhosa visão do matrimónio e da vida familiar estáveis oferece à sociedade em geral um fundamento em que as aspirações da nação se podem apoiar.

Por sua vez, a Igreja católica que está na Austrália continuará a oferecer a sua assistência à vida familiar, através da qual passa o futuro da humanidade (cf. Familiaris consortio, 86). Ela já se encontra profundamente comprometida na formação espiritual e intelectual dos jovens, de forma especial através das suas escolas. Além disso, o seu apostolado social inclui aquelas pessoas que estão a enfrentar alguns dos sérios problemas da sociedade moderna comportamentos de dependência do álcool e das drogas e estou persuadido de que a Igreja há-de continuar a enfrentar com generosidade os novos desafios sociais que vierem a apresentar-se.

Excelência, estou certo de que a sua missão servirá para fortalecer ainda mais os vínculos de amizade que já existem entre a Austrália e a Santa Sé. No momento em que o Senhor Embaixador assume as suas novas responsabilidades, asseguro-lhe que os diversos departamentos da Cúria Romana estarão prontos para o assistir no cumprimento dos seus deveres. Sobre Vossa Excelência, a sua família e os seus concidadãos, invoco do íntimo do coração as abundantes bênçãos de Deus Todo-Poderoso.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PRELADOS DA IGREJA SÍRIO-MALANCAR DE RITO ORIENTAL DA ÍNDIA

13 de Maio de 2003

Vossa Graça Dilectos Irmãos Bispos

1. "Christo pastorum Principi". Repetindo as palavras que o meu ilustre Predecessor, o Papa Pio XI, pronunciou quando recebeu os vossos predecessores na plena comunhão, há pouco mais de setenta anos, é-me grato dar-vos as boas-vindas a vós, Bispos da Igreja Sírio-Malancar, por ocasião da vossa visita "ad Limina". Reunindo-me convosco, aproximo-me ainda mais dos sacerdotes, dos religiosos, das religiosas e dos fiéis leigos das vossas Eparquias. Com efeito, enquanto a vossa comunidade está a celebrar o quinquagésimo aniversário da morte do Arcebispo Mar Ivanios, um incansável apóstolo da unidade, é oportuno que vos encontreis junto dos túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo, rezando com Cristo "ut unum sint". Aproveito este ensejo para saudar de maneira especial o Arcebispo D. Cyril Mar Baselios. Estou-lhe agradecido pelos bons votos que me dirigiu em nome de cada um e de todos os membros do clero, dos religiosos e dos fiéis leigos da Igreja Sírio-Malancar.

Enquanto damos graças, em conjunto, por estas importantes pedras angulares da nossa vida eclesial, recordamos também as múltiplas bênçãos que a vossa Igreja recebeu num período relativamente breve. Tornastes-vos uma das comunidades católicas de mais rápido crescimento no mundo inteiro e agora podeis contar com numerosas vocações para o sacerdócio e a vida religiosa, e o vosso pusillus grex é a casa de muitas instituições educativas e assistenciais. O novo mandato de Cristo, que nos exorta a ultrapassar os confins da família, da raça, da tribo ou da nação, manifesta-se de maneira concreta através da vossa generosidade para com o próximo (cf. Mt 5, 44).

2. Um compromisso corajoso no amor cristão, manifestado de maneira tão clarividente na comunidade sírio-malancar, é o resultado de uma espiritualidade vigorosa e vibrante. O povo da Índia sente-se, justamente, orgulhoso da sua rica herança cultural e espiritual, expressa nas características inatas da "contemplação, simplicidade, harmonia, desapego, não-violência, disciplina, vida frugal, sede de conhecimentos e investigação filosófica", que caracterizam as pessoas que vivem nesse subcontinente. Estas mesmas características fazem parte da comunidade sírio-malancar, permitindo que a Igreja "comunique o Evangelho de modo a ser fiel tanto à sua própria tradição como à sua alma asiática" (cf. Ecclesia in Asia, 6).

A herança mística do vosso continente não se exprime somente na vida espiritual dos vossos fiéis, mas observa-se inclusivamente nos vossos antigos ritos. A antiga e respeitada tradição litúrgica sírio-malancar constitui um tesouro que reflecte a natureza universal da obra salvífica de Jesus Cristo, no contexto peculiar indiano. Na vossa celebração eucarística, assim como em todas as celebrações do Sacrifício pascal, ""está encerrado todo o bem espiritual da Igreja, ou seja, o próprio Cristo, nossa Páscoa e nosso Pão vivo [...]" Por isso, o olhar da Igreja está continuamente voltado para o seu Senhor, presente no Sacramento do altar, onde ela descobre a plena manifestação do seu imenso amor" (Ecclesia de Eucharistia, 1).

3. Num momento de crescente secularismo e, por vezes, de aberto desprezo pela santidade da vida humana, os Bispos são chamados a recordar ao povo, através da sua pregação e dos seus ensinamentos, a necessidade de uma reflexão cada vez mais profunda sobre as questões morais e sociais. A presença sírio-malancar nos âmbitos da educação e dos serviços sociais põe-vos numa posição excelente, com vista a preparar todos os homens e mulheres de boa vontade para enfrentar tais questões de maneira verdadeiramente humana. Com efeito, todos os cristãos têm a obrigação de participar nesta missão profética, assumindo uma posição firme contra a actual crise de valores e recordando constantemente aos outros as verdades universais que se devem manifestar na vida de todos os dias. Com muita frequência, esta lição é ensinada mais através das acções do que mediante as palavras. Como afirma o Apóstolo Paulo: "Procurai a caridade. Aspirai também aos dons do Espírito, sobretudo à profecia" (1 Cor 14, 1).

Para enfrentar este desafio de maneira adequada, é necessária uma inculturação da ética cristã a todos os níveis da sociedade humana; trata-se de uma tarefa difícil e delicada. "Por meio da sua própria missão, a Igreja caminha juntamente com toda a humanidade e experimenta com o mundo a mesma sorte terrestre; e é como que o fermento e a alma da sociedade humana, destinada a renovar-se em Cristo e a transformar-se em família de Deus" (Catecismo da Igreja Católica, n. 854). A vossa longa experiência como pequena comunidade de cristãos numa terra, onde a maioria é não-cristã, preparou-vos para ser este "fermento", este oportuno instrumento de transformação. Tal processo nunca é simplesmente "exterior", mas exige uma mudança interior dos valores culturais, através da integração no cristianismo e a sua consequente inserção nas diversas culturas humanas. Contudo, esta tarefa complicada não pode ser realizada sem uma reflexão e uma avaliação adequadas, assegurando que a mensagem salvífica de Cristo nunca se desvirtue ou fique alterada, na tentativa de a tornar mais cultural ou socialmente aceitável (cf. Ecclesia in Asia, 21).

4. O vosso ministério especial, como Pastores de rebanhos que estão a crescer, exige uma cooperação estreita com os vossos colaboradores. Como escrevi na minha Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis, "os presbíteros existem e agem para o anúncio do Evangelho ao mundo e para a edificação da Igreja em nome e na pessoa de Cristo, cabeça e pastor" (n. 15).

São necessários embaixadores bem preparados para este ministério de "edificar a Igreja". Por este motivo, os Bispos devem trabalhar incessantemente para ir ao encontro dos jovens e para os encorajar a responder à vocação ao sacerdócio e à vida religiosa. A este respeito, rezo a fim de que continueis a fazer tudo o que é possível para assegurar que, quantos têm uma vocação sacerdotal ou religiosa, recebam uma boa formação. Isto significa assegurar que os seminários que estão sob os vossos cuidados sejam sempre modelos de formação, em conformidade com o exemplo de Jesus Cristo e segundo o seu mandamento do amor (cf. Jo 15, 12). A formação deve estar centrada de modo específico em Cristo, através da proclamação das Sagradas Escrituras e da celebração dos Sacramentos.

O mesmo é válido para a formação dos candidatos à vida consagrada. "A todos devem ser assegurados uma formação e um treino apropriados, que estejam centrados em Cristo [...] realçando-se a santidade pessoal e o testemunho; a sua espiritualidade e o seu estilo de vida deveriam prestar atenção à herança religiosa das pessoas entre as quais eles estão a viver e servir" (Ecclesia in Asia, 44). Como Bispos, sois uma fonte de orientação e de fortaleza para as comunidades religiosas das vossas Eparquias. Através da cooperação estreita com os superiores religiosos, deveis contribuir para garantir que a formação recebida pelos candidatos transforme o seu coração, a sua mente e a sua alma, de tal maneira que possam dar-se a si mesmos sem reservas, ao serviço da Igreja. A vossa orientação convicta contribuirá em grande medida para encorajar as comunidades religiosas a perseverar no seu exemplo edificante, como testemunhas da alegria de Cristo.

5. Caros Irmãos e Irmãs, estas são algumas das reflexões suscitadas pela vossa visita. A solenidade da Páscoa, que acabámos de celebrar, exorta-vos a permitir que o Senhor ressuscitado renove constantemente as Igrejas confiadas à vossa solicitude. Confiando-vos a Maria, Rainha do Rosário, rezo a fim de que, através da sua intercessão, o Espírito Santo vos cumule de alegria e de paz, enquanto vos concedo a minha Bênção apostólica a vós, aos sacerdotes, aos religiosos, às religiosas e aos fiéis leigos das vossas Eparquias.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DA IGREJA SÍRIO-MALABAR DE RITO ORIENTAL DA ÍNDIA

Terça-feira 13 de Maio de 2003

Eminência, Venerável Arcebispo-Mor Queridos Irmãos Bispos

1. "A paz esteja convosco!" (Jo 20, 26). Neste período pascal, é oportuno que eu vos saúde, a vós Bispos da Igreja Sírio-Malabar, com as palavras que o nosso Senhor ressuscitado utilizou para o vosso pai na fé, São Tomé. Com efeito, as origens da vossa Igreja estão directamente vinculadas à aurora da Cristandade e aos esforços missionários dos Apóstolos. De certa forma, a vossa peregrinação aqui, para me visitar, reúne os Apóstolos Pedro e Tomé na alegria da Ressurreição, enquanto nos unimos, proclamando ao querido povo da Índia "uma herança que é imperecível, imorredoura e infalível" (1 Pd 1, 4). Saúdo de forma especial Vossa Eminência, o Cardeal Varkey Vithayathil, Arcebispo-Mor da Igreja Sírio-Malabar, e desejo agradecer-lhe as saudações e os sentimentos que me transmitiu em nome do Episcopado, do clero e dos fiéis leigos de toda a Igreja Sírio-Malabar.

2. A liturgia da Igreja Sírio-Malabar, que desde há séculos faz parte da rica e diversificada cultura da Índia, constitui a mais viva expressão da identidade dos vossos povos. A celebração do Mistério Eucarístico no Rito da Igreja Sírio-Malabar desempenhou um papel vital na formação da experiência da fé na Índia (cf. Ecclesia in Asia, 27). Uma vez que "a Eucaristia, como presença salvífica de Cristo na comunidade dos fiéis e como seu alimento espiritual, é a mais preciosa posse que a Igreja pode ter na sua peregrinação ao longo da história" (Ecclesia de Eucharistia, 9), exorto-vos a conservar e a renovar este tesouro com grande cuidado, sem jamais permitir que ele seja utilizado como fonte de divisão. A vossa congregação à volta do altar na "plenitude daquele que completa todas as coisas" (Ef 1, 23) não apenas vos define como um povo eucarístico, mas constitui também uma fonte de reconciliação que ajuda a superar os obstáculos que podem impedir o caminho rumo à unidade de mente e objectivo. Como guardiães primeiros da liturgia, sois chamados a ser sempre vigilantes, para proteger contra experiências incertas de sacerdotes individualmente, que violem a integridade da própria liturgia e que possam também causar um grande prejuízo aos fiéis em geral (cf. Ecclesia de Eucharistia, 10).

Encorajo-vos nos vossos esforços com vista a renovar o vosso "património ritual" à luz dos documentos do Concílio, prestando atenção particular à Orientalium Ecclesiarum, e no contexto do Código de Direito Canónico das Igrejas Orientais e da minha própria Carta Apostólica Orientale lumen. Estou persuadido de que, com prudência, paciência e uma catequese apropriada, este processo de renovação dará frutos abundantes. Os numerosos resultados positivos já alcançados pelos vossos esforços fazem com que esta tarefa seja menos desencorajadora e, na realidade, constitua uma fonte de força para o futuro. Animo-vos a continuar este trabalho essencial, a fim de que a liturgia não seja meramente estudada, mas também celebrada em toda a sua integridade e beleza.

3. De maneira análoga, para o bom êxito da realização de um Sínodo de Bispos é necessário o compromisso constante na caridade e na cooperação fraternais. Neste contexto, quero recordar a vossa inabalável dedicação a esta peregrinação conjunta: um sinal de fortaleza, de confiança e de unidade entre os Bispos da Igreja Sírio-Malabar e "uma forma particularmente eloquente de viver e de manifestar o mistério da Igreja como Comunhão" (cf. Discurso ao Sínodo dos Bispos da Igreja Sírio-Malabar, 8 de Janeiro de 1996, n. 4). Com efeito, o Sínodo é uma das expressões mais nobres da colegialidade afectiva entre os Bispos e constitui um fórum muito apropriado para debater as sérias questões de fé e de sociedade, em ordem a encontrar soluções para os desafios que devem ser enfrentados pela comunidade sírio-malabar (cf. Orientalium Ecclesiarum, 4). A manutenção desta unidade necessária exige sacrifício e humildade. Somente através do esforço recíproco vós podereis "empreender trabalhos conjuntos, destinados a promover mais rapidamente o bem da religião, a proteger de modo mais eficaz a disciplina eclesiástica e também a fomentar mais harmoniosamente a unidade de todos os cristãos" (cf. Código de Direito Canónico das Igrejas Orientais, cân. 84).

4. A questão do cuidado pastoral dos católicos orientais, tanto na Índia como no estrangeiro, continua a constituir uma preocupação da Conferência dos Bispos Católicos da Índia e do Sínodo das Igreja Sírio-Malabar. Neste circunstância, desejo realçar a "urgente necessidade de ultrapassar medos e equívocos que foram surgindo ao longo do tempo quer nas Igrejas Católicas Orientais entre si, quer entre elas e a Igreja Latina, especialmente no que diz respeito ao cuidado pastoral dos seus fiéis, mesmo fora dos seus próprios territórios" (Ecclesia in Asia, 27). É encorajador observar os passos que já destes, procurando encontrar uma solução para este problema. Estou convencido de que vós haveis de continuar a trabalhar em estreita união com os vossos Irmãos Bispos de Rito Latino e com a Santa Sé, com vista a assegurar que os sírio-malabares de toda a Índia e do mundo inteiro recebam a assistência espiritual que merecem, no respeito estrito das disposições canónicas que são, como sabemos, instrumentos apropriados para a preservação da comunhão eclesial (cf. Christus Dominus, 23; Código de Direito Canónico, cân. 383 par. 2; Código de Direito Canónico das Igrejas Orientais, cân. 916 par. 4). É necessário que se façam distinções clarividentes entre o trabalho da evangelização e o do cuidado pastoral dos católicos orientais. E isto deve ser feito sempre com respeito pelos Bispos locais, que são destinados pelo Espírito Santo para governar a santa Igreja de Deus, em união com o Pontífice Romano, o Pastor da Igreja universal.

5. A caridade impele cada um dos cristãos a ir e anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo até aos confins da terra. Como o Apóstolo afirma, "se anuncio o Evangelho, não me devo vangloriar. É uma necessidade que me é imposta. Ai de mim se não anunciar o Evangelho!" (1 Cor 9, 16). A evangelização encontra-se no centro da fé cristã. A Índia, abençoada com culturas tão diferentes, e uma terra em que o povo tem sede de Deus; e isto faz da vossa liturgia distintamente indiana uma excelente via de evangelização (cf. Ecclesia in Asia, 22).

A evangelização autêntica é sensível à cultura e aos costumes locais, sempre respeitando o "direito inalienável" de todas e de cada uma das pessoas à liberdade religiosa. Aqui, permanece válido este princípio: "A Igreja propõe, ela não impõe nada" (Redemptoris missio, 39). Por conseguinte, nos relacionamentos com os vossos irmãos e irmãs das outras religiões, encorajo-vos a "procurar discernir e promover tudo aquilo que é bom e santo nos outros, de tal maneira que, em conjunto, possais reconhecer, preservar e fomentar as verdades espirituais e morais, as únicas que podem garantir o futuro do mundo" (cf. Discurso aos líderes religiosos da Índia, 7 de Novembro de 1999, n. 3). Contudo, esta abertura nunca pode diminuir a obrigação de proclamar Jesus Cristo como "o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14, 6). Pois a Encarnação de nosso Senhor enriquece todos os valores humanos, tornando-os capazes de dar frutos novos e melhores.

6. Uno-me a vós em acção de graças pelo facto de as vossas Eparquias terem sido abençoadas com tantos sacerdotes e religiosos. A todos eles transmito a certeza das minhas orações pelo bom êxito do seu ministério e pela constante fidelidade à sua vocação. O peso da vossa missão pastoral não poderia ser carregado sem o clero, que são os vossos cooperadores no ministério sagrado. A vossa necessidade indispensável dos sacerdotes impele-vos a promover um vigoroso vínculo com eles. Eles são os vossos filhos e amigos. Como seus pais e confidentes, vós deveis estar sempre "prontos para os ouvir e para cultivar uma atmosfera de espontânea familiaridade com eles, facilitando assim o trabalho pastoral de toda a Diocese" (Christus Dominus, 16).

Do mesmo modo, os religiosos confiados aos vossos cuidados são membros da vossa família. O testemunho oferecido por tantos homens e mulheres consagrados numa vida de castidade, pobreza e obediência sobressai como um verdadeiro sinal de contradição numa nação que está a tornar-se cada vez mais secularizada. "Num mundo onde frequentemente fica ofuscado o sentido da presença de Deus, as pessoas consagradas hão-de dar um testemunho profético convicto da primazia de Deus e da vida eterna" (Ecclesia in Asia, 44). O Bispo deveria ajudar a assegurar que os candidatos à vida religiosa fossem preparados para enfrentar este desafio, através de uma apropriada formação espiritual e teológica. Estou convicto de que vós haveis de encorajar os religiosos das vossas Eparquias a continuarem a rever, aperfeiçoar e melhorar os seus programas de formação, de tal modo que possam corresponder às necessidades específicas sentidas pela comunidade sírio-malabar.

7. A visita ad Limina oferece-vos uma oportunidade, como Pastores de Igrejas particulares, de compartilhar comigo um ponto de vista sobre o modo como o Espírito Santo está a agir nas vossas Eparquias. Em união fraternal com o vosso Venerável Arcebispo-Mor, vós compartilhastes os desafios e as realizações que caracterizam a Igreja Sírio-Malabar e os seus fiéis leigos que, diariamente, procuram cumprir as suas promessas baptismais. Neste ano do Rosário, confio-vos, assim como o vosso clero, os religiosos e os fiéis leigos à protecção de Nossa Santíssima Senhora e concedo-vos a todos a minha Bênção apostólica.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS COLÉGIOS PONTIFÍCIOS E ÀS COMUNIDADES DE ESTUDANTES DAS IGREJAS CATÓLICAS ORIENTAIS DE ROMA

Segunda-feira, 12 de Maio de 2003

Beatitude Veneráveis Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio Estimados Alunos

1. É-me grato dar-vos as cordiais boas-vindas, a cada um de vós. É com grande alegria que, no encontro de hoje, recebo os Superiores e os Estudantes dos Colégios Pontifícios e das Comunidades de formação das Igrejas Católicas Orientais em Roma.

Em primeiro lugar, saúdo o Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Ignace Moussa I Daoud, a quem agradeço as amáveis palavras com que se fez intérprete dos sentimentos de todos. Além disso, estendo a minha saudação ao Secretário, ao Subsecretário, aos Oficiais e ao Pessoal desta Congregação, assim como aos Superiores dos Seminários e dos Colégios, bem como a todos os presentes.

2. Esta feliz circunstância traz-me à mente as visitas apostólicas que, ao longo destes anos, pude realizar às Comunidades eclesiais a que pertenceis. Trago no coração a recordação fraterna dos vossos Patriarcas, dos Bispos, dos Sacerdotes e de todo o Povo de Deus, que pude encontrar. Mas tenho também presentes as complexas problemáticas e os desafios que as Igrejas católicas do Oriente são chamadas a enfrentar neste nosso tempo.

Em seguida, dirigindo o meu olhar para muitos dos vossos países, é com espontaneidade e vigor que confirmo os bons votos a fim de que a paz se consolide cada vez mais nessa regiões e para que soluções equitativas e pacíficas restituam a concórdia e as boas condições de vida às populações, já tão duramente provadas por tensões e opressões injustas. Queira o Senhor iluminar os responsáveis das Nações, para que promovam corajosamente, no respeito pelo direito, o bem de todos e a liberdade de cada uma das Comunidades religiosas.

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