Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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Agradeço a D. Philippe Ouédraogo, Bispo de Ouahigouya e Presidente da vossa Conferência Episcopal, as amáveis palavras que acaba de me dirigir. Saúdo de maneira particular aqueles de entre vós que receberam o seu cargo no Episcopado depois da vossa última visita ad Limina. De igual modo, transmito o meu afecto às vossas comunidades diocesanas, cuja generosidade e dinamismo evangélico já tive a oportunidade de conhecer. Peço ao Espírito Santo, derramado sobre os Apóstolos, que vos conceda fazer-vos ao largo e que seja o vosso sustentáculo no serviço ao povo que vos foi confiado, para que a Igreja-Família que está no Burquina Fasso e no Níger se torne cada vez mais o fermento do mundo novo que Cristo veio para instaurar para toda a humanidade!

Preocupado com o desenvolvimento permanente e integral das populações dos vossos países, tão caras ao meu coração, não me esqueço da luta diária que elas devem empreender em ordem à sua sobrevivência. As condições climáticas difíceis da região do Sahel e a desertificação crescente nessa região mantêm as populações numa pobreza endémica que gera a precariedade e o desespero, suscitando-lhes sobretudo a impressão de se sentirem marginalizadas do cenário internacional. Quero lançar solenemente um renovado apelo à Comunidade internacional, para que ela manifeste de forma concreta e duradoura a sua assistência às populações provadas da região do Sahel, formulando votos a fim de que a solidariedade, na justiça e na caridade, não conheça fronteiras nem limites, e que a generosidade permita prever um futuro de maior tranquilidade.

2. Apesar das dificuldades ligadas à precariedade da vida das populações locais, a vitalidade missionária das vossas Igrejas diocesanas pôde exprimir-se de numerosas maneiras. Juntamente convosco, dou graças pelas celebrações que assinalaram o centenário da evangelização do Burquina Fasso. Nessa feliz circunstância, vós pudestes realizar a experiência da presença do Espírito Santo em acção no coração dos crentes, desde as origens da evangelização. Bem sei com que zelo vós associastes as comunidades locais, nomeadamente através dos Sínodos diocesanos, à preparação e à celebração deste tempo eclesial forte, que coincidiu com o acontecimento de alcance universal, que foi o Grande Jubileu da Encarnação. As orientações pastorais do primeiro Sínodo nacional do Burquina Fasso também exortaram claramente as comunidades cristãs a não pouparem esforços com vista a edificar a Igreja-Família de Deus, chamada a caminhar rumo à santidade, a fim de "permitir levar o anúncio de Cristo às pessoas, plasmar as comunidades, permear em profundidade a sociedade e a cultura através do testemunho dos valores evangélicos" (Novo millennio ineunte, 29). Dando graças, juntamente convosco, pelo trabalho paciente e audacioso dos primeiros missionários, coadjuvados por catequistas valorosos, encorajo os Pastores e os fiéis a mostrarem-se seus dignos sucessores, fazendo nascer e viver comunidades cristãs cada vez mais alegres e mais atraentes, como sinais de comunhão e de fraternidade. Que, em toda a parte onde se encontram, os discípulos de Cristo tornem visíveis os sinais do amor de Deus pelos homens!

3. A evangelização é uma missão essencial da Igreja. O anúncio do Evangelho não pode realizar-se plenamente, sem a contribuição de todos os crentes, a cada um dos níveis da Igreja particular. Os vossos relatórios quinquenais recordam várias vezes a solicitude pastoral com que procurais levar os cristãos a ser, em nome do seu baptismo, cada vez mais protagonistas da obra de evangelização. Com efeito, "a acção evangelizadora da comunidade cristã, primeiramente no próprio território e depois, mais além, como participação na missão universal, é o sinal mais claro da maturidade da fé" (Redemptoris missio, 49). Desenvolver esta consciência missionária no coração de cada um dos crentes continua a constituir um verdadeiro desafio que, justamente, desejais enfrentar.

Para que a Igreja possa encarnar o Evangelho nas diversas culturas, assumindo aquilo que existe de bom em tais culturas e renovando-as a partir de dentro, na Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Africa tive a oportunidade de recordar que a inculturação é uma prioridade e uma urgência na vida das Igrejas particulares, um caminho para a plena evangelização, a fim de que todos os homens "possam acolher Jesus Cristo na integridade do seu ser pessoal, cultural, económico e político, com vista à sua união plena e total com Deus Pai e a uma vida santa, sob a acção do Espírito Santo" (n. 62). Formulo votos para que a pastoral da inculturação, que vós empreendestes no seio das vossas dioceses, dê fruto de modo particular na vida e no testemunho das comunidades cristãs de base, fermentos de vida cristã e sinais concretos da comunhão missionária que a Igreja-Família é chamada a tornar-se.

Nos vossos relatórios quinquenais, vós dais graças pela vitalidade e pelo testemunho destas pequenas comunidades locais. Ao mesmo tempo, vós tendes em mente o longo caminho que ainda deve ser percorrido, para que o Evangelho transforme o espírito e o coração dos crentes a partir de dentro, a fim de que eles se reconheçam como irmãos e irmãs em Cristo. A volta às antigas práticas que ainda não foram purificadas pelo Espírito de Cristo, as dificuldades de se considerar membro de uma única família, redimida pelo sangue de Cristo, e os perigos de uma civilização moderna, denominada do progresso, que tornam frágeis os vínculos nas famílias e entre os grupos humanos: tudo isto é, para vós, um convite a não poupar esforços em ordem a fazer com que os discípulos de Cristo assimilem plenamente a mensagem evangélica e conformem a sua vida com esta mensagem, mas sem renunciar aos autênticos valores africanos.

Os cristãos têm necessidade de encontrar forças novas para ultrapassar os obstáculos que se opõem ao anúncio do Evangelho e para trabalhar de maneira eficaz pela sua inculturação: é essencial que a sua fé seja cada vez mais solidamente fundamentada e educada. Vós tendes uma profunda consciência desta responsabilidade que vos incumbe e tendes, em conjunto, esta solicitude no seio da vossa Conferência Episcopal, mediante um intercâmbio de experiências e um aprofundamento teológico e pastoral. Trata-se de permitir que os pastores e os fiéis se deixem arrebatar por Cristo, aceitem depender radicalmente dele, desejem viver a Sua vida e aprendam a cumprir a Sua vontade, para O seguir na verdadeira santidade (cf. 1 Ts 4, 3). Por conseguinte, encorajo-vos a ajudar sem descanso os fiéis das vossas dioceses a tomar consciência cada vez mais profunda do seu papel no seio da Igreja e a honrar, desta forma, a sua missão de baptizados e de confirmados. A pastoral sacramental, a liturgia, a formação bíblica e teológica, mas inclusivamente as diversas expressões artísticas e musicais, bem como os instrumentos de comunicação, devem permitir que os cristãos descubram as riquezas da fé cristã, através dos meios que estão ao seu alcance e se enraízem em Cristo para participar de maneira cada vez mais activa na vida das comunidades locais, sem contudo as subtrair ao exercício da sua vocação baptismal na vida social, económica e política da Nação.

4. Na Exortação Apostólica Ecclesia in Africa, realcei o facto de que, como "igreja doméstica", "construída sobre os sólidos fundamentos culturais e os ricos valores da tradição familiar africana, a família cristã está chamada a constituir uma poderosa célula de testemunho cristão no seio da sociedade, assinalada por rápidas e profundas transformações" (n. 92). Os vossos relatórios quinquenais evocam o testemunho oferecido por numerosas famílias, que vivem de maneira heróica a fidelidade ao sacramento do matrimónio cristão, no contexto de uma legislação civil ou de costumes tradicionais pouco favoráveis ao matrimónio monógamo. Enquanto, hoje em dia, pesam algumas ameaças sobre a família africana e sobre os seus fundamentos, exorto-vos a promover a dignidade do casamento cristão, reflexo do amor de Cristo pela sua Igreja, recordando acima de tudo que o amor recíproco dos esposos é único e indissolúvel, que o matrimónio, graças à sua estabilidade, contribui para a plena realização da sua vocação humana e cristã, e que tal família constitui o lugar de desenvolvimento dos filhos e da transmissão dos valores. Assim as comunidades cristãs, unidas aos seus pastores, devem procurar acompanhar as famílias na educação dos jovens. Do mesmo modo, elas devem ter o cuidado de ajudar os noivos no seu caminho rumo ao sacramento do matrimónio e, mais tarde, na sua vida conjugal e familiar, para que eles mesmos possam pôr-se ao serviço da Igreja e da sociedade.

5. Encarrego-vos de transmitir as afectuosas saudações do Papa aos sacerdotes das vossas dioceses. Conheço as condições difíceis em que eles, com frequência, são chamados a exercer o ministério que lhes é próprio. A distância das paróquias, as infra-estruturas rodoviárias pouco desenvolvidas e o reduzido número de obreiros apostólicos tornam muitas vezes difíceis o acompanhamento e a formação das comunidades cristãs. Agradeço-lhes a sua generosidade ao serviço de Cristo e da sua Igreja, e bem sei como vos esforçais, com os instrumentos de que dispondes, para lhes oferecer tudo o que é necessário para a sua saúde espiritual e para as suas necessidades materiais. Em profunda comunhão com os seus Bispos, que eles vivam uma existência cada vez mais digna e santa, em conformidade com a sua vocação e o testemunho que devem dar, de ser homens de Deus, escolhidos para o serviço do Evangelho! Dispostos a conformar-se com Cristo Servo, eles poderão tornar-se modelos para o povo que lhes for confiado, em particular para os mais jovens, que eles não deixarão de convidar para seguir Cristo alegre e radicalmente, como presbíteros ou como consagrados. Nesta circunstância, dou graças pelo desenvolvimento da vida religiosa no vosso País e encorajo-vos a apoiar e a promover este desenvolvimento, recordando que, sem o sinal concreto da vida consagrada, "a Igreja inteira correria o risco de se arrefecer, o paradoxo salvífico do Evangelho de se atenuar e o "sal" da fé de se diluir num mundo em fase de secularização" (Vita consecrata, 105).

Em conformidade com o exemplo dos vossos predecessores na fé, encorajo-vos inclusivamente a manifestar com generosidade cada vez maior, como já tendes feito, a solidariedade das vossas Igrejas particulares com os países vizinhos, que muitas vezes vivem na carência de pastores, destinando-lhes sacerdotes e leigos missionários, recordando que "todos os bispos, como membros do colégio episcopal que sucede ao colégio dos Apóstolos, foram consagrados não apenas para uma determinada diocese, mas para a salvação do mundo inteiro" (Concílio Vaticano II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 38). Formulo votos a fim de que o espírito de comunhão assim criado, pelo qual cada uma das Igrejas carrega a solicitude de todas as outras, dê um renovado impulso missionário às vossas comunidades diocesanas e conserve nelas a corajosa aspiração a fazer germinar o Reino de Deus.

6. A formação dos candidatos ao sacerdócio constitui uma grave responsabilidade para o Bispo. Alguns de entre vós fizeram dela uma prioridade pastoral. É essencial que se preste uma atenção especial à organização desta formação e que se vigie a fim de escolher com cuidado formadores que sejam idóneos. É necessário também sensibilizar e associar as comunidades diocesanas à sua responsabilidade na formação dos futuros sacerdotes. "A Igreja, enquanto tal, é o sujeito comunitário que tem a graça e a responsabilidade de acompanhar todos aqueles que o Senhor chama a ser seus ministros no sacerdócio" (Pastores dabo vobis, 65). Além disso, uma séria formação espiritual, intelectual e pastoral, indispensável para o exercício do ministério presbiteral, deverá ser associada a uma sólida formação humana e cultural. Será particularmente importante insistir sobre a maturidade afectiva dos candidatos, necessária para as pessoas que são chamadas ao celibato; isto consiste em "oferecer, pela graça do Espírito e com a resposta livre da sua própria vontade, a totalidade do seu amor e da sua solicitude a Jesus Cristo e à Igreja" (Pastores dabo vobis, 44).

7. Nos vossos Países, as comunidades cristãs vivem no seio de sociedades caracterizadas pela predominância do Islão e dos valores que lhe são próprios. Alegro-me por saber que, como vós mesmos mo dissestes, as relações dos católicos com os fiéis do Islão são geralmente repletas de respeito, de estima e de convivência pacífica. Com efeito, os cristãos e os muçulmanos são "chamados a promover um diálogo isento de todos os perigos acarretados por um irenismo de má índole, ou por um fundamentalismo militante, e a elevar-nos contra as políticas e as práticas desleais, assim como contra toda a falta de reciprocidade em matéria de liberdade religiosa" (Ecclesia in Africa, 66). Encorajo-vos a cultivar este diálogo, dotando-vos de estruturas e de instrumentos que o garantam, a fim de que seja banido o medo do outro, sentimento este que nasce com frequência da profunda ignorância em relação aos valores religiosos que o animam, sem jamais renunciar a responder claramente a quem vos perguntar a razão da vossa esperança. Que, do autêntico património das suas tradições religiosas, os cristãos e os muçulmanos possam tirar as forças necessárias em ordem a colaborar para o desenvolvimento solidário dos seus Países.

8. Queridos Irmãos no Episcopado, agora que deveis regressar à vossa pátria, peço-vos que aos vossos presbíteros, aos diáconos, aos religiosos, às religiosas, aos catequistas, às catequistas e aos fiéis leigos das vossas comunidades, leveis a saudação afectuosa do Papa, que recomenda ao Senhor a vida cristã e o compromisso apostólico de todos eles. Com efeito, "a estrutura da comunidade apostólica está assente sobre uns e outros" (Constituições Apostólicas, III). Transmiti também a todos os vossos compatriotas os meus cordiais bons votos de paz e de prosperidade. Diante do escândalo da pobreza e da injustiça, faço votos especiais para que a Igreja continue a desempenhar o seu papel profético e a ser a voz daqueles que a não têm, a fim de que em toda a parte a dignidade humana seja reconhecida a cada uma das pessoas, promovendo todas as iniciativas que visam desenvolver e enobrecer o homem, na sua existência espiritual e material (cf. Ecclesia in Africa, 70). Possa o Espírito do Pentecostes ajudar-vos a crescer cada vez mais na esperança e orientar a Igreja-Família que está no Burquina Fasso e no Níger, para "a verdade total" (Jo 16, 13), a fim de que ela mantenha viva a presença de Cristo Salvador no meio do seu povo, através de um ardente testemunho de vida evangélica! Confio à intercessão da Virgem Maria o futuro das vossas dioceses, assim como o porvir das Nações onde vós viveis. Peço-lhe de maneira especial que vos ajude no vosso ministério episcopal. Concedo-vos de coração a Bênção apostólica, extensiva a todos os fiéis das vossas dioceses.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES DO CAPÍTULO GERAL DA ORDEM DOS FRADES MENORES

Segunda-feira, 16 de Junho de 2003

Caríssimos Frades Menores

1. Sinto-me feliz por vos receber por ocasião do vosso Capítulo geral ordinário, que se está a realizar na "Porciúncula", em Assis. Dirijo a minha cordial saudação ao novo Ministro-Geral, Fr. José Rodriguez Carballo e, ao agradecer-lhe as amáveis palavras com que se fez intérprete dos sentimentos de todos, apresento-lhe fervorosos votos de bom trabalho, na empenhativa tarefa que lhe foi confiada.

Faço extensiva a minha saudação ao seu Predecessor, Fr. Giacomo Bini, aos presentes, a todos os vossos Irmãos de hábito e, em particular, aos doentes, idosos e aos jovens que constituem a esperança da vossa Ordem para o bem da Igreja.

2. Segundo a antiga tradição, o que estais a celebrar assume o nome de "Capítulo de Pentecostes" devido à Solenidade na proximidade da qual ele se coloca desde o começo. Esta circunstância põe em relevo, como já tive ocasião de escrever na Mensagem que vos dirigi, "o papel fundamental reconhecido por São Francisco ao Espírito Santo, que ele gostava de definir "Ministro-Geral" da Ordem (cf. Celano, Vita seconda, CXLV, 193: FF 779). O Espírito Santo purifica, ilumina, incendeia os corações com o fogo do amor, conduzindo-os ao Pai seguindo os passos do Senhor Jesus (cf. Carta a todos os Frades, VI, 62-63: FF 233) (n. 1)".

Cada Capítulo geral constitui um momento de graça especial para a Família religiosa que o celebra; uma ocasião propícia para reflectir sobre o caminho realizado e para divisar escolhas e orientações operativas para o futuro. O Espírito Santo vos conceda compreender melhor quais são as prioridades da missão que Deus vos confia para o bem da Igreja e do mundo.

3. No alvorecer do terceiro milénio, é sentida de maneira mais forte, pelos discípulos de Cristo, a urgência da nova evangelização. Também as vossas Fraternidades partilham este anseio apostólico e, fiéis à própria vocação, estão decididas a levar aos homens e às mulheres do nosso tempo o feliz anúncio da salvação oferecida por Cristo à humanidade.

Este compromisso missionário será frutuoso na medida em que será desempenhado em sintonia com os legítimos Pastores, aos quais o Senhor confiou a responsabilidade da sua grei. Menciono com prazer, a este propósito, os esforços realizados para superar dificuldades que, há algum tempo, existem nalguns territórios. Faço votos de coração por que, graças ao contributo de todos, se realize plenamente aquele entendimento com a Autoridade diocesana que foi pedida pelo meu venerado Predecessor Paulo VI e que se revela indispensável para uma obra de evangelização eficaz.

Queridos Frades Menores, conservai o vosso típico estilo que se distingue pela pobreza e pela vida fraterna, docilidade e obediência, mantendo o olhar fixo em Cristo, como fazia o "Pobrezinho" de Assis, vosso pai e mestre. Ele ensina que "o pregador deve primeiro tirar do segredo da oração o que depois dirá nos discursos. Deve aquecer-se primeiro interiormente, para não se exprimir com palavras frias" (cf. Celano, Vita seconda, CXXII, 163: FF 747).

4. Tendei para a santidade! Eis uma verdadeira urgência pastoral para o nosso tempo. A respeito disto, anotei na Carta apostólica Novo millennio ineunte que "chegou o momento de propor de novo a todos com convicção esta "medida alta" da vida cristã" (n. 31). Para ajudar os outros a procurar Deus acima de tudo, é preciso que vós, primeiro, caríssimos Irmãos, vos comprometais nesta difícil mas exaltante ascese pessoal e comunitária, encontrando na vossa Regra e nas vossas Constituições "um itinerário de seguimento qualificado por um carisma específico, autenticado pela Igreja" (Vita consecrata, 37).

Oxalá os trabalhos do Capítulo, amparados pela oração de toda a Ordem, contribuam para fazer crescer aquele espírito de escuta humilde de Deus e de adesão filial às directrizes dos Pastores da Igreja, que deve distinguir os Frades Menores. Assistam-vos São Francisco e os santos Protectores da Ordem.

Acompanhe-vos a Virgem Mara, por vós venerada como especial Padroeira com o título de "Imaculada". Ela, "Estrela da nova evangelização", faça com que estejais sempre prontos para responder com dedicação à chamada do seu Filho divino. O Papa está próximo de vós e abençoa-vos de coração, assim como às vossas Fraternidades e a toda a vossa Família espiritual.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DA PONTIFÍCIA OBRA DA INFÂNCIA MISSIONÁRIA

Sábado, 14 de Junho de 2003

Caríssimas crianças e jovens

1. Saúdo-vos a todos com grande afecto, juntamente com os sacerdotes e os animadores que vos acompanharam. Obrigado pela vossa presença tão numerosa. neste encontro, por ocasião do 160º aniversário da Pontifícia Obra da Infância Missionária.

Saúdo o Cardeal Crescenzio Sepe, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, e estou-lhe grato pelas palavras que me dirigiu também em vosso nome. Além disso, dirijo o meu agradecimento aos Responsáveis da Pontifícia Obra da Santa Infância, que prepararam a manifestação do dia de hoje, aos Directores dos Departamentos Missionários Diocesanos e às representações das Pontifícias Obras Missionárias.

Estou feliz por me encontrar hoje convosco, também porque há dez anos na circunstância do sesquicentenário da vossa Associação não tive a oportunidade de me encontrar convosco.

2. Hoje, vós renovais o vosso compromisso ao serviço das Missões, reflectindo sobre as palavras do profeta Isaías: "Eis-me. Envia-me a mim!" (6, 8). Nos vossos corações e nos vossos lábios, Deus põe uma pequena palavra que, na Bíblia, é muito importante: "Eis-me!". Ela foi pronunciada pelo Filho de Deus, quando veio ao mundo, e toda a sua vida foi uma resposta pronta ao Pai celestial: "Eis-me!"

"Eis-me!" foi a resposta da Virgem Maria ao Anjo, que lhe levava o anúncio de Deus. Com ela, Maria aceitou docilmente a missão de se tornar Mãe de Jesus e, portanto, Mãe da Igreja. "Eis-me!" Também vós, queridos pequenos missionários, deveis aprender a responder assim, invocando a ajuda de Jesus e de Maria. Se a vossa adesão à vontade divina for generosa, podereis experimentar a alegria que sentiram numerosos Santos e Santas missionários que, ao longo dos séculos, dedicaram a sua vida ao Evangelho.

É bonito considerar a Pontifícia Obra da Infância Missionária como um imenso coro, formado por crianças do mundo inteiro, que entoam cânticos juntamente com o "eis-me!" a Deus, através da oração, com o seu entusiasmo e o seu compromisso concreto! E isto há mais de cento e sessenta anos, desde que o Espírito Santo inspirou a vossa Obra, sugerindo que D. Charles de Forbin-Janson, Bispo de Nancy, na França, se dirigisse precisamente aos adolescentes, para lhes pedir que ajudassem as crianças da China.

3. Desde então, o lema da Infância Missionária continua a ser este: "As crianças ajudam as crianças". Mas como? Em primeiro lugar, com a oração. Como recordei na Mensagem que vos dirigi no dia 6 do passado mês de Janeiro, cada um dos pequenos missionários está comprometido em recitar uma "Ave-Maria" por dia pelos seus coetâneos distantes.

O segundo compromisso consiste em ir concretamente ao encontro deles, com as suas próprias poupanças. De pequena semente, a Pontifícia Obra da Santa Infância já se tornou uma árvore frondosa.

Sem dúvida, houve grandes e profundas transformações na humanidade, desde os meados do século XIX até hoje. No chamado "norte" do mundo, as condições de vida da infância melhoraram, mas o desenvolvimento económico e social nem sempre foi acompanhado do progresso humano, em pleno sentido. Houve uma perda de valores e quem teve de pagar o preço mais elevado foram precisamente as crianças, recordando que também nas nações desenvolvidas subsistem áreas de grande pobreza.

No "sul" do planeta, o grito de milhões de crianças, condenadas a morrer de fome e de enfermidades ligadas à pobreza, tornou-se mais angustiante e interpela todos.

4. Queridas crianças da Infância Missionária! Vós sois os primeiros a responder a este apelo. Vós formais uma corrente de solidariedade nos cinco Continentes e ofereceis a possibilidade também aos mais pobres, de "dar" e aos mais ricos de, dando, "receber". Continuai a ser os protagonistas deste "intercâmbio de dons", que contribui para construir um futuro melhor para todos.

Sede testemunhas e profetas de Cristo, como sugere o tema do 160º aniversário da Infância Missionária: "... e tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo". Nossa Senhora vos ajude a dizer a Deus: "Eis-me. Envia-me a mim!". Voltai-vos para Ela com confiança, neste ano dedicado ao Rosário, com esta oração popular, que certamente conheceis muito bem e já recitais. Muitas crianças do mundo recitam o Rosário, como fizeram as Beatas crianças Francisco e Jacinta, de Fátima, e é de bom grado que o Papa se une a elas todos os dias.

Caríssimas crianças e jovens, ao voltardes para casa, transmiti a minha saudação aos vossos familiares e amigos, juntamente com a minha Bênção que, de bom grado, faço extensiva a toda a Pontifícia Obra da Infância Missionária.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PRESIDENTES DAS COMISSÕES EUROPEIAS PARA A FAMÍLIA E A VIDA DA EUROPA

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