Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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4. A Igreja católica, enviada a todos os povos da terra, não está ligada a nenhuma raça ou nação, nem a uma maneira particular de viver. Ao longo da sua história, utilizou sempre os recursos das diversas culturas para dar a conhecer aos homens a Boa Nova de Cristo, bem consciente de que a fé da qual é portadora nunca se limita a um elemento da cultura, mas é fonte de uma salvação que se refere a todas as pessoas humanas e a todas as suas actividades. Mas é através da diversidade e da multiplicidade das línguas e das culturas, assim como das tradições e das mentalidades, que a Igreja exprime a sua catolicidade e a sua unidade, juntamente com a sua fé. Por conseguinte, esforça-se por respeitar todas as culturas humanas dado que se empenha, na sua actividade missionária e pastoral, a fazer com que "tudo o que há de bom no coração e na mentalidade dos homens, ou nos ritos próprios e culturas dos povos, não só não pereça, mas se purifique, se eleve e aperfeiçoe, para glória de Deus, confusão do demónio e felicidade do homem" (Lumen gentium, 17).

Por todos estes motivos, a Igreja católica sente uma grande estima pela Nação, que é o crisol onde se forja o sentido do bem comum, onde se aprende a pertença a uma cultura, através da língua, da transmissão dos valores familiares e da adesão à memória comum. Ao mesmo tempo, a expertiência multiforme das culturas dos homens que a caracteriza, porque ela é "católica", isto é, universal no espaço e no tempo, faz com que deseje também a necessária superação de qualquer forma de particularismo e nacionalismo limitado e exclusivo. Devemos conservar a consciência de que "todas as culturas, sendo um produto tipicamente humano e historicamente condicionado, também implica necessariamente limites" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2001 , 7).

Por isso, "para que o sentido de pertença cultural não se transforme em fechamento, um antídoto eficaz é o conhecimento sereno, sem estar condicionado por preconceitos negativos, das outras culturas" (Ibidem, 7).

A nobre missão da UNESCO é precisamente solicitar este conhecimento recíproco das culturas e promover o seu diálogo institucional, com todas as formas de iniciativas a nível internacional, de encontro, intercâmbio e programa de formação. Construir pontes entre os homens, e por vezes também reconstruí-las quando a loucura da guerra as destruiu, constitui um trabalho muito empenhativo, que deve ser sempre retomado, que requer a formação das consciências e, por conseguinte, a educação dos jovens e a evolução das mentalidades. É uma das apostas importantes da mundialização, que não deve conduzir a uma nivelação dos valores nem a uma submissão unicamente às leis do mercado único, mas antes à possibilidade de pôr em comum as riquezas legítimas de todas as Nações ao serviço do bem de todos.

5. Por seu lado, a Igreja católica alegra-se pelo trabalho já desempenhado, mesmo se conhece os seus limites, e deseja continuar a encorajar com determinação o encontro pacífico entre os homens, através das suas culturas e da consideração da dimensão religiosa e espiritual dos indivídiuos, que pertence à sua história. Eis o sentido que é preciso dar à presença de um Observador permanente da Santa Sé junto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, testemunha atenta há cinquenta anos da especificidade católica da Igreja e do seu empenho resoluto ao serviço da comunidade dos homens.

Oxalá a celebração deste aniversário reforce o empenho de todos a trabalhar incansavelmente ao serviço de um verdadeiro diálogo entre os povos, através das suas culturas, para que a consciência de pertencer à mesma família humana se torne cada vez mais viva e a paz do mundo seja garantida cada vez melhor!

Concedo de todo o coração a vossa Reverência e a todos os participantes no Encontro uma particular Bênção Apostólica.

Vaticano, 25 de Novembro de 2002.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DO REGIONAL NORDESTE III DO BRASIL EM VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

10 de dezembro de 2002

Venerados Irmãos no Episcopado,

1. É para mim motivo de grande alegria acolher-vos hoje, em conclusão do encontro pessoal que tive convosco. Saudo-vos a todos com cordialidade fraterna e dou graças ao Senhor pela plena comunhão que vos liga às vossas Igrejas locais e ao Sucessor de Pedro.

A ainda recente divisão da Província Eclesiástica de Salvador, com a constituição de duas novas Províncias de Feira de Santana e Vitória da Conquista, destina-se a facilitar o trabalho organizativo e de acompanhamento desse território que, a par da Província Eclesiástica de Aracajú, interpela e representa um desafio à criatividade e à capacidade evangelizadora de toda a Igreja.

Tendes diante dos olhos, como um livro aberto, essa grande região, com toda a sua realidade histórica, social e religiosa. A fé do povo brasileiro teve origem prevalentemente nestas paragens. Em 1676 ficou constituída a Província Eclesiástica do Brasil, com a metrópole na Bahia, em torno a qual agruparam-se depois, como sufragâneas, as dioceses do Rio de Janeiro, Pernambuco, Maranhão e, no século seguinte, as do Grão-Pará, São Paulo e Mariana, com as Prelazias de Cuiabá e Goiás. O tempo não pode cancelar a memória de tantos pastores originários dali e muitos vindos do exterior, que se dedicaram generosamente a plantar as Sementes do Verbo.

Agradeço a D. Ricardo José Weberberger, Bispo de Barreiras e Presidente do vosso Regional, por ter-se feito de intérprete dos vossos sentimentos ao descrever as esperanças e as dificuldades, os projetos e as expectativas das Dioceses que vos foram confiadas. Quero aproveitar esta circunstância para enviar a minha afetuosa recordação aos sacerdotes, religiosos, religiosas e a todo povo cristão das vossas Comunidades diocesanas, nas quais penso com estima e simpatia.

2. Um lugar especial está reservado no coração do Papa e - tenho a certeza - também no coração de todos vós, amados Bispos, aos consagrados na Igreja. O carisma de cada um é um sinal eloqüente de participação na multiforme riqueza de Cristo, cuja «largura, comprimento, altura e profundidade» (cf. Ef 3, 18) sempre ultrapassa em muito tudo quanto nós possamos sorver da sua plenitude. E a Igreja, que é o rosto visível de Cristo no tempo, acolhe e nutre no seu próprio seio Congregações e Institutos com estilos tão diferentes, porque todos contribuem para revelar a variegada presença e o polivalente dinamismo do Verbo de Deus encarnado e da Comunidade dos que nEle crêem.

Num tempo em que se palpa o risco de construir o homem com uma só dimensão, que inevitavelmente acaba por ser a historicista e imanentista, os consagrados são chamados a manter de pé o valor e o sentido da oração adoradora, não separada mas unida ao compromisso vivo de um generoso serviço prestado aos homens, que precisamente daí recebe impulso e eficácia: oração e trabalho, ação e contemplação são binômios que em Cristo nunca se deterioram em contraposições antitéticas, antes maturam em mútua complementaridade e fecunda integração.

A sociedade atual precisa de ver nos homens nas mulheres consagrados quanta harmonia existe entre o humano e o divino, entre as coisas visíveis e as invisíveis (cf. 2 Cor 4, 18) e o quanto as segundas superam as primeiras, sem nunca as banalizar nem humilhar, mas vivificando-as e elevando-as ao nível do plano eterno de salvação. Tal é o testemunho que eles devem dar hoje ao mundo: mostrar quanta bondade e amor estão contidos no mistério de Cristo (cf. Tt 3, 4) e simultaneamente quanto de transcendente e de sobrenatural se requer no empenho entre os homens.

3. Desejo fazer constar novamente o mérito de tantas Congregações religiosas, por terem enviado a fina flor das suas vocações para formar e educar esse povo com tanto amor e dedicação. Podemos acaso esquecer-nos dos franciscanos, dos dominicanos, dos agostinianos, dos beneditinos, dos jesuítas, dos salesianos, dos lazaristas, dos combonianos, dos presbíteros "fidei donum"? O que hoje vemos por toda a geografia nacional, é fruto do trabalho escondido, silencioso e benemérito de muitos leigos e leigas e de tantos religiosos e religiosas que contribuíram e contribuem para a edificação dessa alma cristã do brasileiro. Reconheçá-mo-lo e demos graças a Deus, porque no silêncio e na entrega desinteressada a Cidade de Deus cresceu, e a árvore frondosa da Igreja deu os seus frutos de bem e de graça.

Constituem, sem dúvida, uma grande riqueza das Igrejas que presidis as numerosas Comunidades religiosas, de vida tanto ativa quanto contemplativa. Cada uma delas é um dom para a diocese, que contribui para edificar, oferecendo a experiência do Espírito própria do seu carisma, e a atividade evangelizadora característica da sua missão. Precisamente por ser um dom inestimável para toda a Igreja, recomenda-se ao Bispo «apoiar e ajudar as pessoas consagradas, para que, em comunhão com a Igreja, se abram às perspectivas espirituais e pastorais que correspondam às exigências do nosso tempo, na fidelidade à inspiração originária» (Vita consecrata , 49). Nesta importante tarefa, o diálogo respeitoso e fraterno será o caminho privilegiado para unir esforços e assegurar a indispensável coerência pastoral em cada diocese, sob a guia do seu Pastor.

4. As Comunidades religiosas que se inserem na vida da própria Diocese merecem todo apoio e estímulo. É uma contribuição preciosa que oferecem pois, apesar da «diversidade de dons, o Espírito é o mesmo» (1Cor 12,4). Neste sentido o Concílio Vaticano II afirmava: «Procurem os religiosos com empenho que, por seu intermédio, a Igreja revele cada vez mais, Cristo orando sobre o monte, anunciando às multidões o Reino de Deus, curando os enfermos e feridos, convertendo os pecadores» (Lumen gentium,46).

A Igreja não pode senão manifestar alegria e apreço por tudo aquilo que os Religiosos vêm realizando mediante Universidades, escolas, hospitais e outras obras e instituições. Este vasto serviço em favor do povo de Deus é fortalecido por todas as Comunidades religiosas que responderam de modo adequado à exortação do Concílio, mediante a fidelidade ao carisma fundacional e o empenho renovado no que se refere aos elementos essenciais da vida religiosa (cf. Decr. Perfectae Caritatis, 2). Peço a Deus que recompense abundantemente todas as Comunidades religiosas pela colaboração que prestam na pastoral diocesana, tanto na vida escondida e silenciosa de um mosteiro, como no empenho em atender e formar na fé todos os segmentos da sociedade, inclusive as populações indígenas.

As atividades pastorais, sejam orientadas por um dinamismo sadio, em vista da expansão, por todos os ambientes, da fé revelada; aí estão também, por exemplo, os meios de comunicação social a interpelar por uma correta difusão da verdade. Os religiosos no mundo inteiro, e o Brasil não é exceção, fazem da imprensa escrita e falada um grande meio de difusão da Boa Nova. Daí a importância de uma boa orientação, a fim de que não se deixem arrastar por ideologias contrárias ao Magistério da Igreja, e se empenhem por manterem a unidade com a Sé de Pedro.

Na sua grande diversidade, a vida consagrada constitui uma riqueza da Igreja no vosso país. A qualidade espiritual dos seus membros, que beneficia os fiéis e é, inclusive, uma preciosa ajuda para os sacerdotes, torna cada vez mais presente na consciência do povo de Deus «a exigência de responder com a santidade de vida ao amor de Deus, derramado nos corações pelo Espírito Santo, refletindo na conduta a consagração sacramental realizada por obra de Deus no Batismo, na Confirmação ou na Ordem» (Vita consecrata , 33).

Na fidelidade ao carisma que lhes é próprio, em comunhão e em diálogo com os outros componentes da Igreja, em primeiro lugar com os Bispos, as Comunidades religiosas responderão com generosidade aos apelos do Espírito e terão a solicitude de buscar caminhos novos para a missão, a fim de que Cristo seja anunciado a todas as culturas, até às regiões mais longínquas.

5. Num ambiente profundamente secularizado é determinante a proclamação do Reino de Deus, mediante o testemunho dos religiosos e das religiosas. Por isso, desejo convidar-vos a prestar uma renovada atenção à promoção e ao cuidado da vida consagrada no vosso país. A prática dos conselhos evangélicos testifica «a vida nova e eterna adquirida pela redenção de Cristo, e preanuncia a ressurreição futura e a glória do Reino celeste» (Lumen gentium, 44). O papel distintivo da mensagem evangélica justifica plenamente o aumento de iniciativas, tanto no âmbito diocesano quanto através da Conferência Episcopal, a fim de estimular ainda mais os jovens a responderem com generosidade à vocação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

Se levarmos em conta que, em menos de duas décadas, no Brasil as vocações sacerdotais de diocesanos superaram as de religiosos, compreenderemos o peso do esforço que deveria-se dispensar, também entre estes últimos, para promover novos operários para a messe do Senhor.

Trata-se de um problema de grande importância para a vida da Igreja em todo o mundo. É «urgente estruturar uma vasta e capilar pastoral das vocações, que envolva as paróquias, suscitando uma reflexão mais atenta sobre os valores essenciais da vida, cuja síntese decisiva está na resposta que cada um é convidado a dar ao chamamento de Deus, especialmente quando se pede a total doação de si mesmo e das próprias forças à causa do Reino» (Novo Millennio Ineunte , 46).

Encorajo os responsáveis das Congregações e Institutos presentes nas vossas Dioceses a oferecerem aos novícios e às novícias uma formação humana, intelectual e espiritual, que permita uma conversão de todo o seu ser a Cristo, a fim de que a consagração configure sempre mais sua oblação ao Pai.

As atividades e os programas da Conferência Nacional dos Religiosos devem, antes de tudo, «primar pelo reverente acatamento e pela especial obediência ao Sucessor de Pedro e às diretrizes» emanadas por esta Sé Apostólica. Mais ainda, volto a recordar aqui que «todas as iniciativas, tanto as que são promovidas pela Conferência Nacional dos Religiosos, como as demais, empreendidas pelas outras estruturas de coordenação regional ou local, devem estar sob a supervisão e a responsabilidade concreta dos Superiores Maiores e do Bispo Diocesano. Estes têm uma responsabilidade objetiva e devem ter a possibilidade de um controle e de um efetivo acompanhamento» (Discurso, 11/07/1995, n. 6).

Por outro lado, ouve-se falar, às vezes, de re-fundação de Congregações, descurando-se, porém, - para além da insegurança e do transtorno causado em muitas pessoas de boa fé -, que se trata sobretudo de partir de novo e integralmente de Cristo, e de examinar com humildade e generosidade o sentire cum Ecclesia. Em seguida, é urgente que, com o remanejamento, não se vise somente a competência humana, mas a explícita formação cristã e católica. Uma vida religiosa que não expressa a alegria de pertencer à Igreja e, com ela, a Jesus Cristo, já perdeu a primeira e fundamental oportunidade de uma pastoral vocacional.

6. Como Conferência e também como Pastores individualmente, examinareis sem dúvida, com objetividade e respeito, a crescente escassez de vocações, que se está verificando em muitos Institutos, enquanto outros florescem continuamente.

É parte constitutiva do vosso ministério apoiar e orientar a observância dos conselhos evangélicos, mediante os quais os religiosos são consagrados a Deus, em Jesus Cristo, para Lhe pertencerem exclusivamente.

O cuidado da vida religiosa é particularmente urgente quando se discute acerca da identidade vocacional. Num espírito de profunda humildade, e tendo como ponto de referência Aquele «que, pela virtude que opera em nós, pode fazer infinitamente mais do que tudo quanto podemos ou entendemos» (Ef 3,20), os religiosos e as religiosas interroguem-se sobre o renovamento proposto pelo Concílio Vaticano II: procuram seguir fielmente e foram produzidos os frutos de santidade e de zelo apostólico que se esperavam? Alguns documentos publicados em anos posteriores, com a minha aprovação, sobre a formação nos Institutos religiosos e sobre a vida contemplativa (v.g. a Instr. Verbi sponsa de 1999), foram postos em prática?

A renovação da vida religiosa dependerá do crescimento no amor de Deus, tendo sempre presente que «a contemplação das coisas divinas e a união com Deus pela oração assídua sejam o primeiro e principal dever de todos os Religiosos» (C.I.C., cân. 663,1). O único modo efetivo de descobrir sempre mais a própria identidade é o árduo, mas consolador, caminho da conversão sincera e pessoal, com um humilde reconhecimento das próprias imperfeições e pecados; e a confiança na força da ressurreição de Cristo (cf. Fil 3,10) ajudará a superar toda aridez e fraqueza, ao eliminar o sentido de desilusão experimentado em certas ocasiões.

7. O homem e a mulher consagrados a Deus na castidade perfeita, defrontam-se às vezes com o abandono ou a indiferença dos que lhes rodeiam e, consequentemente, com a solidão no sentido amargo e duro do vocábulo. Nesse momento, o desejo de apoio e consolo humanos podem levar a recordação daquilo que ficou para trás na vida: a natural ansia de perpetuação através dos filhos, o desejo do afeto de alguém e a consolação do calor familiar. São aspirações humanamente compreensíveis mas, na perspectiva da fé, é possível transcendê-las em vista do Reino de Deus.

Quem deu o passo decisivo para a consagração, o fez assegurado pela promessa de Cristo que «não há ninguém que tenha abandonado, por amor do Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais, ou seus filhos, que não receba muito mais neste mundo e no mundo vindouro a vida eterna» (Lc 18,29-30). Nas horas de provação é necessário imitar a Jesus que, na noite da Paixão, abandonou-se sem reservas à vontade do Pai, dando assim o exemplo de uma verdadeira obediência, que não é servil nem limitadora da própria autonomia, mas caminho da verdadeira liberdade dos filhos de Deus. Por isso, é preciso reafimar a serena convicção de que Aquele que iniciou nos consagrados esta obra, a levará a cabo até o dia de Cristo Jesus (cf. Fil 1,6).

A história ensina que certos casos de declínio no fervor e na vitalidade da vida religiosa estão ligados a um correspondente declínio na compreensão e na prática da pobreza evangélica, apesar de que o incumprimento dos demais conselhos evangélicos incida certamente, num grau maior ou menor, na fidelidade à vida consagrada. Ao imitarem a Cristo, que «se tornou pobre» pela nossa salvação (cf. 2 Cor 8,9), os religiosos são chamados a «fazer uma sincera revisão da própria vida, na perspectiva da solidariedade com os pobres» (Redemptoris missio , 60). Caso contrário, cairão na tentação de ser pregadores de uma pobreza que não encontra modelo na própria vida quando reivindica a pobreza alheia, e não a própria. É fácil cair nas malhas de ideologias materialistas, quando o testemunho pessoal não serve de conduta para os demais.

Enfim, mediante o livre e total dom de si mesmos a Cristo e à Igreja, as religiosas e os religiosos podem testemunhar de modo surpreendente, que o espírito das Bem-aventuranças é caminho por excelência para a transformação do mundo e para a restauração de todas as coisas em Cristo (cf. Lumen gentium, 31).

8. Venerados Irmãos, ao concluir este meu colóquio fraterno convosco, quero reafirmar todo o afeto e estima que nutro por cada um. Ao escutar-vos, dei-me conta da dedicação com que guiais as vossas Dioceses e apreciei a comunhão que vos une uns aos outros. Maria, sublime modelo de consagração, sustente o vosso empenho e unidade, que eu de todo o coração confirmo com uma ampla Bênção Apostólica, extensiva aos sacerdotes e seminaristas, aos consagrados, noviços e noviças e demais membros das vossas Comunidades cristãs.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II À COMUNIDADE DO PONTIFÍCIO COLÉGIO BEDA NO SESQUICENTENÁRIO DE FUNDAÇÃO

Segunda-feira 9 de Dezembro de 2002

Queridos amigos em Cristo

É-me grato saudar-vos e oferecer-vos os meus calorosos bons votos pelo sesquicentenário de fundação do Pontifício Colégio Beda. Uno-me a vós em acção de graças a Deus pelas numerosas bênçãos que foram derramadas sobre a Igreja, através da obra do Colégio ao longo dos anos, desde a sua fundação.

Era um período de grandes sublevações, quando o Beato Papa Pio IX fundou aquele que, em seguida, se tornou o Colégio Pio. A sociedade vivia em tumulto, e a Igreja não foi poupada aos problemas dessa época. Na Inglaterra, um grupo de anglicanos decidiu receber a Ordenação na Igreja católica; e isto levou o Papa a fundar o Colégio. No final do século XIX, novamente em períodos difíceis, o Colégio renasceu para uma nova vida e, em 1897, passou a ser o Pontifício Colégio Beda, em honra ao grande Santo e estudioso inglês que, nessa época, o Papa Leão XIII estava prestes a proclamar Doutor da Igreja.

Outro passo importante foi dado em 1960, quando o Colégio se transferiu para a sua sede actual, à sombra da Basílica de São Paulo. Entretanto, o Colégio abriu as suas portas para estudantes oriundos de muitos países. Foi um grande serviço oferecido a toda a Igreja, por parte dos Bispos da Inglaterra e do País de Gales, e por isso quero agradecer-lhes a sua generosidade.

Confio ardentemente o Colégio e a sua comunidade à protecção de Maria, Mãe da Igreja, e à intercessão do vosso Padroeiro, o Venerável Beda.

Deus vos abençoe a todos!
HOMENAGEM DE JOÃO PAULO II À IMACULADA CONCEIÇÃO NA PRAÇA DE ESPANHA

Domingo, 8 de Dezembro de 2002

Ave Maria, gratia plena! Virgem Imaculada, eis-me aqui, mais uma vez aos teus pés com a alma comovida e reconhecida.

Volto a esta histórica Praça de Espanha no dia solene da tua festa para rezar pela dilecta cidade de Roma, pela Igreja, pelo mundo inteiro.

Em Ti, "a mais humilde e excelsa das criaturas", a graça divina conseguiu a vitória plena sobre o mal.

Preservada de toda a mancha de culpa, Tu és para nós, peregrinos nos caminhos do mundo, modelo luminoso de coerência evangélica e penhor valiosíssimo de esperança segura.

Virgem Mãe, Salus Populi Romani! Vela, eu Te peço, sobre a amada Diocese de Roma: sobre Pastores e fiéis, sobre paróquias e comunidades religiosas.

Vela especialmente sobre as famílias: que entre os cônjuges reine sempre o amor, selado pelo Sacramento, que os filhos caminhem sobre as sendas do bem e da verdadeira liberdade, os anciãos se sintam envolvidos por atenção e afecto.

Suscita, Maria, em muitos corações jovens respostas radicais à "chamada para a missão", tema sobre o qual a Diocese vem reflectindo nestes anos.

Graças a uma intensa pastoral vocacional, que Roma seja rica de novas forças jovens, que se entreguem com entusiasmo ao anúncio do Evangelho na Cidade e no mundo.

Virgem Santa, Rainha dos Apóstolos! Assiste quem, com o estudo e a oração, se prepara para trabalhar nas múltiplas fronteiras da nova evangelização.

Hoje confio-Te, de modo especial, a comunidade do Pontifício Colégio Urbano, cuja sede histórica se encontra mesmo em frente desta Coluna.

Que esta benemérita instituição, fundada já há 375 anos pelo Papa Urbano VIII para a formação dos missionários, possa continuar eficazmente o seu serviço eclesial.

Quantos aqui são acolhidos, seminaristas e sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos, estejam prontos a pôr as suas energias à disposição de Cristo no serviço do Evangelho até aos últimos confins da terra.

Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis! Roga, ó Mãe, por todos nós. Pede pela humanidade que sofre a miséria e a injustiça, a violência e o ódio, o terror e as guerras.

Ajuda-nos a contemplar com o Santo Rosário os mistérios daquele que "é a nossa paz", a fim de que nos sintamos todos envolvidos num compromisso preciso de serviço à paz.

Volve um olhar de particular atenção para a terra em que deste à luz Jesus, terra que amastes em comum e que hoje é ainda muito provada.

Reza por nós, Mãe da esperança! "Dá-nos dias de paz, vela sobre o nosso caminho.

Faz que vejamos o teu Filho, cheios de glória no céu". Amen!
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PEREGRINOS VINDOS DA ARQUIDIOCESE DE CRACÓVIA

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