Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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Naturalmente, as inúmeras questões e dificuldades levantadas por esta crise devem ser abordadas de maneira justa e efectiva. Por exemplo, os problemas relativos aos refugiados da Palestina e às ocupações de Israel, ou a questão do estabelecimento das fronteiras territoriais e da definição da condição dos lugares mais sagrados da Cidade de Jerusalém, tudo isto deve ser tema de um diálogo aberto e de uma negociação sincera. Não se pode de modo algum tomar uma decisão unilateral. Pelo contrário, o respeito, a compreensão mútua e a solidariedade exigem que o caminho do diálogo nunca seja abandonado. Nem sequer os insucessos reais e aparentes deveriam levar os parceiros do diálogo e da negociação a desanimarem. Ao contrário, é precisamente em tais circunstâncias que "se torna mais necessário que comecem de novo a propor incessantemente o diálogo autêntico, derrubando os obstáculos e eliminando os defeitos do diálogo". Desta maneira, eles percorrerão em conjunto o caminho "que leva à paz, com todas as suas exigências e condições" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1983, n. 5).

Como o Senhor Embaixador observou, o Acordo Fundamental entre a Santa Sé e o Estado de Israel foi assinado há dez anos. Este Acordo abriu o caminho para o subsequente estabelecimento das plenas relações diplomáticas entre nós, que continuam a orientar-nos no nosso diálogo e mútuo intercâmbio de pontos de vista acerca de muitas questões importantes para ambos. O facto de termos sido capazes de alcançar um acordo sobre o pleno reconhecimento da personalidade legal das instituições da Igreja constitui um motivo de satisfação, e estou feliz por saber que se está perto de chegar também a um acordo no que diz respeito aos assuntos fiscais e económicos. Nesta mesma perspectiva, estou persuadido de que conseguiremos traçar também linhas-mestras úteis para o futuro intercâmbio cultural entre nós.

Quero exprimir, uma vez mais, a ardente esperança de que este clima de cooperação e de amizade nos permita abordar de modo eficaz também as outras dificuldades que os fiéis católicos têm de enfrentar diariamente na Terra Santa. Muitos destes problemas, como por exemplo o acesso aos templos e aos lugares sagrados cristãos, o isolamento e o sofrimento das comunidades cristãs e a diminuição da população cristã, em virtude do fluxo migratório, estão de certa forma ligados ao conflito actual, mas não nos devem impedir de procurar possíveis soluções imediatas e de trabalhar no presente para enfrentar estes desafios. Estou convicto de que a Igreja católica conseguirá fomentar o bem comum entre os povos e promover a dignidade da pessoa humana nas suas escolas e nos seus programas educativos, e mediante as suas instituições caritativas e sociais. A superação das dificuldades supramencionadas servirá não só para fortalecer a contribuição que a Igreja católica já está a oferecer para a sociedade de Israel, mas também para revigorar as garantias de liberdade religiosa no vosso País. E isto, por sua vez, fará aumentar o sentimento de igualdade entre os cidadãos, e assim cada indivíduo, inspirado pelas suas próprias convicções espirituais, será mais capaz de construir a sociedade como uma casa comum, compartilhada por todos.

Há três anos, durante a minha peregrinação à Terra Santa no Ano jubilar, afirmei que "a verdadeira paz no Médio Oriente só será possível como resultado do entendimento e do respeito recíprocos entre todos os povos dessa região: judeus, cristãos e muçulmanos. Nesta perspectiva, a minha peregrinação é de esperança: esperança de que o século XXI leve a uma renovada solidariedade entre os povos do mundo, na convicção de que o desenvolvimento, a justiça e a paz só serão alcançados, se o forem por parte de todos" (Discurso na visita ao Presidente de Israel, Sr. Ezer Weizman, 23 de Março de 2000). É exactamente esta esperança e este conceito de solidariedade que sempre deve inspirar todos os homens e mulheres tanto na Terra Santa, como noutros lugares a trabalhar por uma nova ordem mundial, fundamentada sobre as relações harmoniosas e na cooperação efectiva entre os povos. Esta é a tarefa da humanidade para o novo milénio, este é o único modo de garantir um promissor futuro de luz para todos os homens.

Excelência, peço-lhe que tenha a amabilidade de apresentar ao Presidente, ao Primeiro-Ministro, ao governo e ao povo do Estado de Israel a certeza das minhas preces pela Nação, especialmente neste momento crítico da sua história. Estou convencido de que o seu período de serviço como representante junto da Santa Sé contribuirá em grande medida para fortalecer os vínculos de compreensão e de amizade entre nós. Enquanto lhe formulo os meus melhores votos para o bom êxito da sua missão, asseguro-lhe a plena cooperação dos vários departamentos da Cúria Romana no cumprimento dos seus altos deveres e invoco cordialmente sobre Vossa Excelência, os seus compatriotas e todos os povos da Terra Santa, a abundância das bênçãos divinas.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES NO ENCONTRO SOBRE O TEMA: "UNIVERSIDADE E IGREJA NA EUROPA"

19 de Julho de 2003

Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio Ilustres Senhores Reitores e Professores Caríssimos jovens universitários

1. É com muito prazer que vos recebo, por ocasião do Encontro sobre o tema: "Universidade e Igreja na Europa", promovido pelo Conselho das Conferências da Europa e pela Comissão Episcopal Italiana para a Universidade, em colaboração com o Ministério da Universidade. Agradeço cordialmente a D. Amédée Grab, as palavras com que apresentou este encontro, e às Autoridades civis e académicas, a sua amável presença. A todos, professores, capelães e estudantes, dirijo as minhas cordiais boas-vindas.

Marcastes encontro em Roma, por ocasião do VII Centenário de fundação da mais antiga Universidade da Urbe, "La Sapienza". A partir de Roma, durante estes dias o vosso horizonte alarga-se para a Europa inteira, enquanto reflectis sobre a relação entre Universidade e Igreja, no início do terceiro milénio.

2. Esta relação leva-nos directamente ao coração da Europa, onde a sua civilização chegou a exprimir-se numa das suas instituições mais emblemáticas. Estamos, pois, nos séculos XIII-XIV: na época em que adquire forma o "Humanismo", como síntese muito feliz entre o saber teológico e filosófico e as outras ciências. Uma síntese impensável sem o cristianismo e, por conseguinte, sem a obra secular de evangelização, realizada pela Igreja no encontro com as múltiplas realidades étnicas e culturais do continente (cf. Discurso no V Encontro dos Bispos da Europa, 19 de Dezembro de 1978, n. 3).

Esta memória histórica é indispensável para fundamentar a perspectiva cultural da Europa de hoje e de amanhã, em que a construção da universidade é chamada a desempenhar um papel insubstituível.

Assim como a nova Europa não pode projectar-se sem se inspirar nas suas próprias raízes, o mesmo pode dizer-se no que se refere à universidade. Com efeito, ela é por excelência o lugar de investigação da verdade, de análises atentas dos fenómenos na tensão constante para sínteses cada vez mais completas e fecundas. E assim como a Europa não se pode reduzir a um mercado, também a universidade, embora deva inserir-se no tecido social e económico, não pode ser submetida às suas exigências, se não perderia a natureza que lhe é própria, e que permanece principalmente cultural.

3. É assim que a Igreja na Europa considera a universidade: com a estima e a confiança de sempre, comprometendo-se a oferecer a sua contribuição multiforme. Em primeiro lugar, com a presença de professores e de estudantes que saibam unir a competência e o rigor científico a uma intensa vida espiritual, a ponto de animar o ambiente universitário com o espírito evangélico. Em segundo lugar, mediante as Universidades católicas, onde se actualiza a herança das antigas universidades, nascidas ex corde Ecclesiae. Além disso, desejo confirmar a importância dos chamados "laboratórios culturais" que, oportunamente, constituem uma escolha prioritária da pastoral universal a nível europeu. Neles, desenvolve-se um diálogo construtivo entre fé e cultura, entre ciência, filosofia e teologia, e a ética é considerada uma exigência intrínseca da procura de um autêntico serviço ao homem (cf. Discurso no Encontro Mundial dos Professores Universitários, 9 de Setembro de 2000, n. 5).

Dirijo-vos a vós, Professores, o meu encorajamento; a vós, Estudantes, a exortação a fazer fecundar os vossos talentos com empenhamento; e a todos vós, os bons votos de uma colaboração a promover sempre a vida e a dignidade do homem.

Daqui a pouco, acenderei a tocha que uma procissão levará à igreja de Santo Ivo "alla Sapienza", passando pelas diversas Sedes universitárias de Roma: trata-se de uma maneira de realçar o significado e o valor do VII Centenário da Universidade "La Sapienza".

Maria Santíssima, Sede da Sabedoria, vele sempre sobre vós. Acompanho-vos todos com a oração e com a minha Bênção.

No final da sua alocução, o Sumo Pontífice saudou ainda os peregrinos e fiéis ali presentes, pronunciando algumas palavras, respectivamente, em francês, inglês, alemão, espanhol e polaco:

Saúdo os professores e os estudantes de língua francesa, dirigindo-lhes os meus melhores votos para as suas investigações e para a sua participação na animação cristã no mundo universitário.

Dirijo as minhas saudações aos participantes de língua inglesa, enquanto os encorajo a promover nas suas Universidades o estudo das raízes cristãs da Europa. Saúdo cordialmente os peregrinos de expressão alemã, enquanto formulo os meus bons votos, a fim de que as comunidades e os grupos de trabalho consigam promover a Nova Evangelização no mundo universitário. Dirijo uma saudação cordial aos professores e estudantes de língua espanhola, animando-os a trabalhar sempre pela promoção integral da pessoa humana. É com cordialidade que saúdo os Professores e Alunos provenientes da Polónia, da Ucrânia, da Rússia e da Bielo-Rússia. Nas vossas Universidades, sede portadores da mensagem cristã, que orienta o homem pelo caminho da liberdade autêntica.
MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II POR OCASIÃO DO 60° ANIVERSÁRIO DOS "TRÁGICOS ACONTECIMENTOS" DA VOLÍNIA NA UCRÂNIA

Aos Senhores Cardeais Józef GLEMP Arcebispo de Varsóvia e Primaz da Polónia Marian JAWORSKI Arcebispo de Lviv dos Latinos Lubomyr HUSAR Arcebispo-Mor de Lviv dos Ucranianos

Caríssimos cidadãos pertencentes aos povos irmãos da Ucrânia e da Polónia

1. Tomei conhecimento de que no próximo dia 11 de Julho, 60º aniversário dos trágicos acontecimentos da Volínia, cuja recordação ainda hoje está viva entre vós, filhos de duas Nações que me são muito caras, vai realizar-se uma comemoração oficial de reconciliação ucraniano-polaca.

No turbilhão do segundo conflito mundial, quando era mais urgente a exigência de solidariedade e de ajuda recíproca, a obscura acção do mal envenenou os corações e as armas fizeram correr o sangue inocente. Agora, à distância de sessenta anos daqueles tristes acontecimentos, vai-se consolidando na alma da maioria dos polacos e dos ucranianos a necessidade de um profundo exame de consciência. Sente-se a necessidade de uma reconciliação que permita contemplar o presente e o futuro com novos olhos. Esta disposição interior providencial impele-me a elevar ao Senhor sentimentos de gratidão, enquanto me uno espiritualmente a quantos recordam na oração todas as vítimas daqueles anos de violência.

O novo milénio, que começou há pouco tempo, exige que os ucranianos e os polacos não permaneçam prisioneiros das suas tristes memórias, mas, considerando os acontecimentos passados com um novo espírito, se vejam uns aos outros com olhos reconciliadores, comprometendo-se a edificar um futuro melhor para todos.

Assim como Deus nos perdoou a nós em Jesus Cristo, também é necessário que os fiéis saibam perdoar-se uns aos outros as ofensas recebidas e pedir perdão pelos próprios pecados, em ordem a contribuir para fomentar um mundo respeitador da vida e da justiça, na concórdia e na paz. Além disso, conscientes de que "Aquele que nada tinha a ver com o pecado, Deus fê-lo pecado por causa de nós" (2 Cor 5, 21), os cristãos são chamados a reconhecer os desvios do passado para poderem despertar as suas consciências diante dos compromissos do presente, abrindo a alma a uma conversão autêntica e duradoura.

2. Durante o Grande Jubileu do Ano 2000 a Igreja, num contexto solene e com a clarividente consciência daquilo que aconteceu no passado, perante o mundo, pediu perdão pelos pecados dos seus filhos, perdoando ao mesmo tempo quantos a ofenderam de várias maneiras. Desta forma, desejava purificar a memória das tristes vicissitudes, de todos os sentimentos de rancor e de vingança, para recomeçar animada e confiante na obra de edificação da civilização do amor.

Ela propõe esta mesma atitude também à sociedade civil, exortando todos a uma reconciliação sincera, consciente de que não existe justiça sem perdão, e de que a colaboração seria frágil sem uma abertura recíproca. Isto é ainda mais urgente, se se considera a necessidade de educar as jovens gerações a enfrentarem o futuro, não sob os condicionalismos de uma história de desconfianças, de preconceitos e de violências, mas no espírito de uma memória reconciliada.

A Polónia e a Ucrânia, terras que desde há muitos séculos conheceram o anúncio do Evangelho e ofereceram inúmeros testemunhos de santidade num elevado número dos seus filhos, neste início de milénio desejam consolidar os seus relacionamentos de amizade, libertando-se das amarguras do passado e abrindo-se às relações fraternais, iluminadas pelo amor de Cristo.

3. Enquanto manifesto a minha satisfação pelo facto de que as comunidades cristãs se fizeram promotoras desta comemoração, com vista a contribuir para cicatrizar e curar as feridas do passado, encorajo os dois povos irmãos a perseverarem com constância na promoção da colaboração e da paz.

Ao transmitir a minha cordial saudação a todo o Episcopado, ao Clero e aos fiéis destas Nações, dirijo um respeitoso pensamento aos Presidentes e às respectivas Autoridades civis e, através deles, aos povos polaco e ucraniano, sempre presentes no meu coração e nas minhas orações, com os bons votos de um progresso constante na concórdia e também na paz.

Acompanho estes votos com uma particular Bênção apostólica que, de bom grado, concedo a todos aqueles que se associarem às celebrações programadas.

Vaticano, 7 de Julho de 2003.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS SACERDOTES MISSIONÁRIOS DA REALEZA DE CRISTO NO CINQUENTENÁRIO DE FUNDAÇÃO

8 de Julho de 2003

Caríssimos Missionários da Realeza de Cristo

1. É com prazer que vos recebo, nesta Audiência especial, por ocasião do 50º aniversário de fundação do vosso Instituto Secular. Dirijo a minha cordial saudação ao vosso Presidente, a quem agradeço as amáveis palavras com que se fez intérprete dos sentimentos de todos. A minha saudação faz-se extensiva aos presentes e a todos os vossos sócios espalhados em várias nações da Europa, da África e da América Latina, com um afectuoso pensamento aos doentes, aos idosos e, de modo particular, aos jovens que, em número crescente, se sentem atraídos pelo carisma missionário da vossa Família espiritual.

A vossa fundação teve lugar no dia 4 de Outubro de 1953, na igreja de São Damião, em Assis. Este é um feliz ensejo para agradecer ao Senhor os inúmeros frutos de bem, amadurecidos até hoje, e para voltar a partir com um renovado impulso missionário, anunciando o Evangelho aos homens e às mulheres do terceiro milénio.

2. Em conformidade com a intuição original do Fundador, Padre Agostinho Gemelli, o vosso Instituto Secular caracteriza-se como uma fraternidade sacerdotal em que cada um, fiel ao desígnio de Deus, realiza a sua própria consagração ao serviço da Igreja, germe e princípio do Reino de Cristo na terra (cf. Lumen gentium, 5). Inspirando-vos em São Francisco de Assis, vós viveis "o ministério presbiteral segundo o modelo de vida que Cristo indicou aos seus primeiros discípulos, convidando-os a deixar tudo por Ele e pelo Evangelho" (Constituições, n. 3; cf. PC, 3).

Continuai neste itinerário libertador, ascético e apostólico, dando graças ao Senhor em cada dia pelo ministério sacerdotal, dádiva e mistério de amor divino.

3. Conservai vivo o carisma do Fundador, adaptando-o às diversas situações sociais e culturais da nossa época. O vosso serviço eclesial só será fecundo, se vos mantiverdes em contacto constante com Cristo na oração, e se cultivardes cada vez mais a comunhão com o Bispo e com o colégio dos presbíteros das Dioceses a que pertenceis.

Sede missionários cheios de zelo e de generosa dedicação aos irmãos. Que o anseio pela evangelização vos oriente para um apostolado sem fronteiras. Como eu escrevia na Exortação Apostólica Pastores dabo vobis, o dom espiritual recebido pelos presbíteros na Ordenação "não os prepara para uma missão limitada e restrita, mas sim para uma vastíssima e universal missão de salvação, "até aos extremos confins da terra" (Act 1, 18). Este é o motivo pelo qual a vida espiritual dos sacerdotes "deve ser profundamente assinalada pelo anseio e pelo dinamismo missionários"" (cf. PDV, 32).

4. Caríssimos, enquanto vos agradeço esta visita, que se realiza no contexto festivo das celebrações jubilares do vosso Instituto, exorto-vos em primeiro lugar a tender para a santidade como prioridade da vossa existência, de maneira a serdes, por vossa vez, testemunhas e mestres de perfeição evangélica. A espiritualidade própria dos missionários da Realeza de Cristo, que é secular e presbiteral, representa um significativo património a investir, para o bem da Igreja.

Confio a vossa Fraternidade Sacerdotal à Virgem Imaculada. Ela, Rainha e especial Protectora do vosso Instituto, vos ajude a realizar a missão que vos foi confiada, para a vossa santificação e para a salvação das almas.

Enquanto asseguro uma recordação constante na oração, abençoo-vos a todos com afecto, assim como os vossos confrades espalhados pelo mundo inteiro e quantos vós encontrais no trabalho pastoral de todos os dias.

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AO PRESIDENTE DA "CARITAS INTERNATIONALIS"

Ao Senhor D. Fouad EL-HAGE Presidente da Caritas Internationalis

1. No momento em que se reúne, em Roma, a décima sétima Assembleia geral da Caritas Internationalis, saúdo cordialmente os que nela participam e que representam todas as organizações membros da Caritas espalhadas pelo mundo. Desejo manifestar, mais uma vez e nesta ocasião, o meu reconhecimento à vossa organização por pôr em prática, activa e competente, o preceito da caridade e pelo seu trabalho generoso no mundo inteiro, nomeadamente ao serviço dos mais carenciados.

2. O tema que quisestes aprofundar no decurso desta assembleia, Mundializar a solidariedade, é uma resposta directa ao apelo que lancei na Carta apostólica Novo millennio ineunte, convidando ao "compromisso de um amor activo e concreto por cada ser humano" (n. 49) e lembrando "a hora de uma nova "fantasia da caridade", que se manifeste não só nem sobretudo na eficácia dos socorros prestados, mas na capacidade de pensar e ser solidário com quem sofre, de tal modo que o gesto de ajuda seja sentido não como esmola humilhante, mas como partilha fraterna" (n. 50). Desejo que encontreis, graças aos vossos intercâmbios e aos vossos trabalhos, caminhos concretos para realizar este objectivo, tão caro ao meu coração.

3. O projecto é ambicioso, porque quer ter em conta os desafios urgentes, postos pelo nosso mundo, marcado por uma multidão de permutas que, cada vez mais, fazem aparecer laços de interdependência entre os sistemas, as nações e as pessoas, mas também está ameaçado por rupturas, separações e oposições violentas, como nos mostrou o crescimento do terrorismo. Perante esta situação, certamente não há tempo a perder, mas claramente se percebe que já não é possível conceber políticas ou programas que permaneçam limitados a um aspecto parcial dos problemas, querendo ignorar o que se passa noutros lugares. A mundialização tornou-se como que o horizonte forçado de toda a política, e isto é verdadeiro em particular para o que diz respeito ao mundo da economia, bem como aos domínios da assistência e da ajuda internacionais.

4. Para que a solidariedade se torne mundial, é preciso que ela tenha em conta, efectivamente, todos os povos, no conjunto das regiões do mundo. Isto exige, ainda, muitos esforços e, sobretudo, firmes garantias internacionais perante as organizações humanitárias, postas muitas vezes de lado, contra a sua vontade, dos terrenos de conflito, porque não lhes é garantida a segurança nem lhes é assegurado o direito de prestar assistência às pessoas.

Mundializar a solidariedade pede que se trabalhe em estreita e constante relação com as organizações internacionais, garantes do direito, para equilibrar de um modo novo, as relações entre países ricos e países pobres, a fim de terminarem as relações de assistência de sentido único, que muitas vezes contribuem para tornar mais profundo o desequilíbrio por um mecanismo de endividamento permanente. Seria conveniente pôr em acção uma verdadeira parceria, fundada sobre relações iguais e recíprocas, reconhecendo o direito de cada um orientar efectivamente as opções que dizem respeito ao seu futuro.

5. Importa acrescentar que querer a mundialização da solidariedade não requer somente uma adaptação às novas exigências da situação internacional ou às modificações do exercício das leis de mercado, mas que isto constitua primeiro, uma resposta aos insistentes apelos do Evangelho de Cristo. Para nós, cristãos, mas também para todos os homens, isto pede uma verdadeira caminhada espiritual, a conversão das mentalidades e das pessoas. Para que a ajuda oferecida ao outro não seja mais a esmola do rico ao pobre, humilhante para este e, talvez, fonte de orgulho para o primeiro, para que ela se torne uma partilha fraterna, quer dizer, o reconhecimento de uma verdadeira igualdade entre todos, é preciso que "voltemos a partir de Cristo" (cf. Novo millennio ineunte, n. 29), enraizar a nossa vida no amor de Cristo, ele que faz de nós seus irmãos. Como o Apóstolo Pedro, compreendemos, de hoje em diante, que "Deus não faz acepção de pessoas" (Act 10, 34) e que, a partir de agora, o ministério da caridade deve ser universal.

O acolhimento de todos aqueles que estão em dificuldade é, desde há muito tempo, a regra da vossa actividade em todos os lugares e em todos os países onde se exerce, directa ou indirectamente, a actividade da Caritas. Agora, importa trabalhar na sensibilização dos homens nesta tarefa, a fim de que cada pessoa, porque tem a mesma diginidade e os mesmos direitos dos seus semelhantes, possa esperar também os mesmos socorros.

6. Convidando-vos a voltar-vos para Cristo, Bom Samaritano da nossa humanidade ferida (cf. Lc 10, 30-36), sem o qual nada podemos fazer (cf. Jo 15, 5), confio-vos à intercessão da Virgem Maria, atenta, já em Caná, a dar conta das expectativas dos homens, para que ela acompanhe os vossos trabalhos com a sua oração. De todo o coração vos concedo uma particular Bênção apostólica.

Vaticano, 4 de Julho de 2003.


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DA FUNDAÇÃO VATICANA "CENTESIMUS ANNUS PRO PONTIFICE"

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. O encontro de hoje tem lugar no décimo aniversário da insituição da Fundação vaticana "Centesimus Annus Pro Pontifice", que representa uma resposta singular ao convite que eu dirigi, na Encíclica em que ela se inspira, para promover e difundir o conhecimento e a prática da doutrina social da Igreja.

A generosa disponibilidade de fiéis leigos qualificados e de pessoas variadamente expressivas da grande tradição do movimento católico na Itália encontrou-se com a fervorosa iniciativa do Cardeal Rosalio Castillo Lara, então Presidente da Administração do Património da Sé Apostólica. Daí derivou esta vossa instituição que deseja ligar o compromisso na difusão do ensinamento da Igreja em matéria social, especialmente no mundo das profissões e do empresariado, com a ajuda concreta oferecida ao Papa para as intervenções de caridade que lhe são continuamente solicitadas de todas as partes do mundo e para o apoio aos instrumentos de que se serve para o seu ministério universal.

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