Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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Os últimos dez anos viram consolidar-se a Fundação, o desenvolvimento das iniciativas de estudo e formação entre as quais é de apreciar particularmente o Master em Doutrina Social, promovido em colaboração com a Pontifícia Universidade Lateranense , a articulação de grupos de aderentes em território italiano e o começo, rico de perspectivas, de presenças estabelecidas também noutros países.

Não posso deixar de me alegrar vivamente por tudo isto, enquanto sinto o dever de exprimir um agradecimento especial a quantos concorreram para pôr anualmente à minha disposição preciosos recursos para o exercício da minha solicitude evangélica para com o mundo inteiro.

2. Encorajo-vos a continuar o vosso compromisso, tendo sempre presentes três grandes convicções:

a) A permanente actualidade da doutrina social da Igreja. As dramáticas vicissitudes que atormentam o mundo contemporâneo e as deploráveis condições de subdesenvolvimento em que se encontram ainda demasiados Países, com terríveis consequências para os seus habitantes, para as suas frágeis instituições, para o próprio ambiente natural, estão a dizer que, verdadeiramente, é necessário voltar a partir de uma justa perspectiva: a verdade do homem como é descoberta pela razão e confirmada pelo Evangelho de Jesus Cristo, que proclama e promove a verdadeira dignidade e a natural vocação social da pessoa.

O ensinamento social da Igreja aprofunda progressivamente os diversos perfis dos cenários culturais e sociais; e oferece orientações estimulantes para a promoção dos direitos humanos, para a salvaguarda da família, para o desenvolvimento de instituições políticas verdadeiramente democráticas e participativas, para uma economia ao serviço do homem, para uma nova ordem internacional que garanta ao mesmo tempo a justiça e a paz entre os povos, por uma atitude cada vez mais responsável para com a criação, também ao serviço das gerações futuras.

b) A responsabilidade própria dos cristãos leigos. Proposta de novo com grande clareza pelo Concílio Vaticano II e convictamente sublinhada, tantas vezes, por mim próprio nos actos do meu magistério, essa responsabilidade encontra precisamente na doutrina social da Igreja um ponto de referência necessário, fecundo e exaltante. O Concílio fala de "missão, luz e forças que podem servir para estabelecer e consolidar a comunidade humana segundo a Lei divina" (Gaudium et spes, 42). Esta missão é própria e peculiar dos fiéis leigos, chamados pela luz que vem do Evangelho, a enfrentar as múltiplas realidades sociais e, com a força infundida por Cristo, a comprometer-se para "humanizar" o mundo. É uma responsabilidade verdadeiramente grande, que deveria ser vivida pelos cristãos leigos não como um dever restringente, mas como uma paixão generosa e criativa.

c) A consciência de que só homens novos podem fazer novas todas as coisas. Não se pode pedir à economia, à política, às instituições aquilo que elas não podem dar. Toda a verdadeira novidade parte do coração, de uma consciência libertada, iluminada e habilitada para a verdadeira liberdade pelo encontro vivo com Aquele que disse; "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14, 5) e "sem Mim nada podeis fazer" (Jo 15, 5).

O compromisso social dos cristãos leigos apenas pode ser alimentado e tornado coerente e corajoso por uma profunda espiritualidade, isto é, por uma vida de íntima união com Jesus, que os torne capazes de exprimir as grandes virtudes teologais fé, esperança e caridade através do exercício da difícil responsabilidade de edificar uma sociedade menos longínqua do desígnio providente de Deus.

3. Ao oferecer-vos com estima, com esperança e com afecto estas orientações para o vosso compromisso cada vez maior, desejo renovar o meu vivo agradecimento ao Presidente, Conde Lorenzo Rossi di Montelera, aos membros do Conselho de Administração, aos fundadores, a todos os aderentes e aos eclesiásticos que acompanham o vosso caminho. Com estes sentimentos, invoco do coração sobre cada um de vós, e sobre quantos vos são queridos, copiosos dons celestiais, em penhor dos quais concedo a todos a minha Bênção.

Vaticano, 5 de Julho de 2003.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II POR OCASIÃO DA ENTREGA DO "PRÉMIO INTERNACIONAL PAULO VI" AO FILÓSOFO FRANCÊS PAUL RICOEUR

5 de Julho de 2003

Senhoras e Senhores

1. Estou feliz por me encontrar convosco, por ocasião da entrega do Prémio, conferido em memória do meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Paulo VI.

Dirijo as minhas sinceras saudações de boas-vindas a todos os presentes. Saúdo com afecto os Senhores Cardeais Giovanni Battista Re e Paul Poupard, o Bispo de Bréscia, D. Giulio Sanguineti e os outros Prelados aqui reunidos. Faço extensiva a minha respeitosa saudação às Autoridades civis, que representam as Instituições públicas de Bréscia, assim como os responsáveis do Instituto Paulo VI, a começar pelo seu Presidente, Dr. Giuseppe Camadini, a quem agradeço as palavras com que interpretou os sentimentos de todos. Renovo a minha estima pelas iniciativas promovidas por esta benemérita Instituição, que contribui para manter viva, na Igreja e no coração dos homens de boa vontade, a gratidão a este grande Papa.

2. O encontro do dia de hoje insere-se entre duas celebrações importantes: o quadragésimo aniversário da eleição do Servo de Deus Paulo VI ao Pontificado e o vigésimo quinto aniversário da sua morte.

A sua sentida memória permanece cada vez mais viva e enraizada na alma das pessoas. Paulo VI sentiu profundamente as inquietações e as esperanças do seu tempo, esforçando-se em ordem a compreender as experiências dos seus contemporâneos e iluminando-as com a luz da mensagem cristã. Ele indicou-lhes a fonte da verdade em Cristo, o único Redentor, manancial da verdadeira alegria e da paz autêntica.

Possa o exemplo deste zeloso Pastor da Igreja universal encorajar e estimular cada vez mais os fiéis a serem testemunhas da esperança, no alvorecer do terceiro milénio.

3. O prestigioso Prémio que, precisamente em seu nome, é conferido de cinco em cinco anos a uma personalidade ou Instituição que se distinguiu de maneira significativa no âmbito da cultura de inspiração religiosa, representa um indubitável reconhecimento do interesse perene suscitado pela pessoa do Papa Montini. Até agora, ele foi conferido a estudiosos nos campos da teologia, da música, do ecumenismo e da promoção dos direitos humanos. Desta vez, ele é entregue ao famoso investigador francês, o Prof. Paul Ricoeur, a quem transmito uma cordial e respeitosa saudação, agradecendo-lhe as amáveis e sentidas palavras que acabou de me dirigir. Ele é reconhecido inclusivamente pela contribuição generosa para o diálogo ecuménico entre os católicos e os reformados. A sua investigação realça a fecundidade da relação entre a filosofia e a teologia, entre a fé e a cultura; trata-se de uma contribuição que, como desejei recordar na Carta Encíclica Fides et ratio, deve realizar-se "sob o sinal da "circularidade". Para a teologia, o ponto de partida e a fonte original deverá ser sempre a palavra de Deus... Uma vez que a palavra de Deus é a verdade, em ordem à sua melhor compreensão, não deixará de contribuir a investigação humana da verdade, ou seja, a filosofia" (n. 73).

4. Por conseguinte, é mais oportuna do que nunca a escolha por parte do Instituto Paulo VI, de honrar um filósofo e, ao mesmo tempo, um homem de fé, comprometido na defesa dos valores humanos e cristãos.

Enquanto exprimo as minhas profundas felicitações ao Prof. Paul Ricoeur, asseguro-vos a todos vós aqui presentes a minha oração, a fim de que possais corresponder ao projecto que Deus tem para vós e para o próprio Instituto Paulo VI.

5. Dirijo uma saudação especial também aos membros da Fundação "Centesimus Annus Pro Pontifice", reunidos para o seu encontro anual, sob a presidência do Conde Lorenzo Rossi di Montelera, a quem saúdo cordialmente. Estendo a minha saudação aos Prelados, aos Membros do Conselho de Administração e a todos os participantes nesse Encontro.

Enquanto agradeço a ajuda oferecida à Santa Sé, rezo ao Senhor por cada um de vós, pelas vossas actividades e por todas as pessoas que vos são queridas.

6. É com estes sentimentos que dirijo a todas as pessoas presentes nesta audiência os bons votos de um compromisso profícuo no campo de trabalho que vos é próprio, enquanto vos concedo a todos a minha Bênção.

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AO CARDEAL CORRADO BAFILE PELO SEU 100° ANIVERSÁRIO

Ao venerado Irmão Cardeal Corrado BAFILE

É com a alma cheia de alegria e de acção de graças ao Senhor que lhe apresento, Senhor Cardeal, os meus cordiais bons votos por ocasião do seu 100º aniversário natalício. Trata-se de uma meta verdadeiramente significativa, que a Providência lhe concedeu alcançar. Graças a este privilégio singular, Vossa Eminência, nascido na localidade de Áquila no início do século XX, pôde percorrê-lo inteiramente e, ultrapassando o Grande Jubileu do Ano 2000, entrou no terceiro milénio.

Por conseguinte, caro e venerado Irmão, é-me grato associar-me a Vossa Eminência considerando, com íntimo reconhecimento ao Senhor, a longa e rica experiência realizada durante estes cem anos. Penso de maneira particular no modo como Vossa Eminência, abraçando o Sacerdócio já na idade adulta, esteve sempre ao serviço da Santa Sé, desempenhando cargos importantes e delicados durante longos períodos. Depois de vinte anos de valioso trabalho na Secretaria de Estado, o Beato João XXIII escolheu-o como Camareiro Secreto Participante; depois, elegeu-o Núncio Apostólico na Alemanha e nomeou-o Arcebispo, sugerindo-lhe que assumisse o seu próprio lema episcopal: "Oboedientia et pax". Particularmente intensos e fecundos foram os quinze anos de actividade diplomática em Bonn, no final dos quais o Papa Paulo VI o chamou novamente a Roma, confiando-lhe a orientação da Congregação para as Causas dos Santos e, incluindo-o em seguida, a 24 de Maio de 1976, entre os membros do Colégio Cardinalício.

Desejo também exprimir-lhe gratidão e estima por tudo aquilo que Vossa Eminência realizou como colaborador generoso e competente, tanto meu como dos meus venerados Predecessores. Sobretudo, é de bom grado que realço as elevadas convicções espirituais que sempre orientaram a sua acção. Quantos tiveram o privilégio de estar ao seu lado, não só no serviço à Sé Apostólica, mas também na Associação dos Abruzeses em Roma e na Legio Mariae, dando testemunho conjunto do zelo sacerdotal e apostólico que sempre inspirou o seu serviço, nas diversas fases da sua longa vida.

Senhor Cardeal, queira a Virgem Santa conceder-lhe todas as graças desejadas, continuando a estar próxima de Vossa Eminência com a sua protecção maternal.

Com estes sentimentos e bons votos, asseguro-lhe a minha afectuosa lembrança na Celebração eucarística enquanto, como penhor de comunhão fraterna, lhe concedo uma especial Bênção apostólica, que faço extensiva a quantos lhe são caros no Senhor.

Vaticano, 19 de Junho de 2003.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR SEONG YOUM EMBAIXADOR DA COREIA JUNTO DA SANTA SÉ

4 de Julho de 2003

Senhor Embaixador

1. É-me grato receber as Cartas com que o Senhor Presidente Roh Moo-hyun o credencia como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República da Coreia junto da Sé Apostólica.

Apresento-lhe as minhas cordiais boas-vindas, enquanto lhe agradeço as amáveis expressões que acaba de me dirigir. Além disso, peço-lhe que se faça intérprete, junto do Primeiro-Magistrado da Nação representada por Vossa Excelência, assim como das Autoridades do seu Governo, dos meus sentimentos de estima e de elevada consideração pela sua obra em favor da segurança e do bem-estar de todos os habitantes da Coreia, e também pelas suas iniciativas de diálogo com quantos habitam na outra metade da Península coreana.

O encontro deste dia realiza-se no 40º aniversário da abertura da representação da República da Coreia junto da Santa Sé. Mas na verdade, os vínculos estreitos entre a Igreja católica e o povo coreano remontam a um período muito mais distante no tempo, dando testemunho da fecundidade da presença de Cristo e da profunda influência da sua mensagem. Com efeito, ao longo de diversas vicissitudes, o Evangelho pôde crescer e florescer na Terra coreana, contribuindo para uma maior abertura entre os seus próprios habitantes, gerando um fecundo intercâmbio recíproco dos valores da civilização com outros países. O grande número de coreanos elevados às honras dos altares realça o facto de que a santidade lançou raízes sólidas no meio do povo, dando brilho à Igreja universal.

2. A Providência concedeu-me visitar por duas vezes o País representado por Vossa Excelência. Pude conhecer os progressos e as conquistas de liberdade e de bem-estar de uma sociedade jovem e dinâmica. Todavia, observei também a amargura com que muitos constatam que a Península, habitada por um único povo, é obrigada a viver uma triste divisão. Sem dúvida, é causa de preocupação a subsistência de sentimentos de hostilidade e de oposição entre as duas Nações, mas é motivo de esperança saber que existe a vontade de aliviar as tensões mediante diálogos e encontros, em ordem a atenuar as divergências e a encontrar o terreno para uma profícua compreensão.

Cada sinal encorajador nesta direcção deve ser fomentado com paciência e coragem, perseverança e clarividência. Com efeito, é somente através de um diálogo cheio de respeito que se poderão atingir objectivos positivos e duradouros. Os acordos até agora assinados dão testemunho do modo como a vontade sincera de resolução das contendas leva a resultados concretos no respeito recíproco e na lealdade dos comportamentos, em total vantagem não só da reconciliação entre os dois Estados, mas também da estabilidade do quadro regional em que a Península coreana se encontra inserida. Provavelmente, este percurso político encontrará maiores força e credibilidade, se a região mais desenvolvida da Península souber responsabilizar-se, na medida das suas possibilidades, pelas urgentes necessidades da outra região.

A Santa Sé considera de modo favorável todo o esforço com vista ao diálogo e à cooperação, assim como a atenção constante às camadas mais frágeis da população. A recordação dos sofrimentos passados não deve diminuir a confiança num futuro melhor. Pelo contrário, é necessário construir o presente e o futuro da Coreia sobre as bases sólidas da pessoa e na promoção incessante da justiça e da paz. Com esta finalidade, na situação actual é necessário continuar incansavelmente os esforços orientados para a eliminação progressiva, equilibrada e controlável das armas de destruição de massa e, em particular, das armas nucleares. "Isto comporta escrevia há quarenta anos o meu venerado Predecessor João XXIII, na Encíclica Pacem in terris que o critério da paz, fundamentado no equilíbrio dos armamentos, seja substituído pelo princípio segundo o qual a paz autêntica só se pode construir na confiança recíproca [...] uma vez que ele reclamado pela razão, é extremamente desejado e é da mais alta utilidade" (III: AAS 55 [1963], pág. 288).

3. A Comunidade católica na Coreia constitui uma realidade promissora, e sei que goza de estima e de respeito. Ela cumpre a sua missão, inspirando-se no Evangelho e tornando concreto o seu testemunho religioso com instituições educativas, assistenciais e caritativas, reconhecidas por muitos.

Fiel ao mandato de Cristo, a Igreja católica anuncia o Evangelho da Vida. Ela não esconde a sua preocupação pelo triste fenómeno do aborto, que constitui um terrível flagelo social. Além disso, o aborto é acompanhado da prática difundida do controlo artificial da natalidade e da propagação de uma mentalidade "pragmaticista" que justifica e encoraja as manipulações genéticas, mesmo as mais arrojadas, assim como a pena de morte. Diante destas sérias ameaças contra a vida, a Igreja sente que o seu dever consiste em recordar os valores em que ela acredita, valores estes que fazem parte do património da humanidade porque, juntamente com a lei natural, foram inscritos por Deus no coração de cada homem.

Um programa, que tiver como objectivo prioritário a defesa da vida e da família, certamente beneficiará a solidez e a estabilidade da sociedade coreana. A este propósito, apraz-me recordar aquilo que escrevi na Encíclica Evangelium vitae: "Se, por um trágico desvirtuamento da consciência colectiva, o cepticismo chegasse a pôr em dúvida até os princípios fundamentais da lei moral, a própria ordem democrática ficaria abalada nas suas bases, reduzindo-se a um mero mecanismo de regulação empírica dos diferentes interesses opostos entre si" (n. 70).

4. Senhor Embaixador, faço votos cordiais para que os bons relacionamentos existentes entre a Santa Sé e o País que Vossa Excelência representa se intensifiquem cada vez mais, graças a um diálogo profícuo.

Quanto a Vossa Excelência, peço-lhe que transmita ao Senhor Presidente da Coreia, às Autoridades do Governo e ao querido povo que o Senhor Embaixador representa, a minha cordial saudação e os mais ardentes bons votos de prosperidade e de progresso, na justiça e na paz.

No cumprimento da alta missão que lhe foi confiada, Vossa Excelência poderá contar com a minha benevolência constante e com o apoio competente dos meus colaboradores. Asseguro-lhe a minha oração e invoco sobre o Senhor Embaixador e sobre as pessoas de quem se faz intérprete, as copiosas bênçãos celestiais.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO QUARTO GRUPO DE BISPOS INDIANOS DE RITO LATINO POR OCASIÃO DA VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

3 de Julho de 2003

Queridos Irmãos Bispos

1. É na graça e paz de nosso Senhor Jesus Cristo que vos dou as cordiais boas-vindas, a vós Bispos das Províncias Eclesiásticas de Bangalore Hyderabad e Visakhapatnam, e que faço minha a saudação de São Paulo: "Dou graças a Deus por meio de Jesus Cristo, a respeito de vós, porque a fama da vossa fé se espalhou pelo mundo inteiro" (Rm 1, 8). Agradeço em particular ao Arcebispo D. Pinto, os seus bons votos e os seus cordiais sentimentos, que me transmitiu em vosso nome e que retribuo calorosamente, enquanto vos asseguro as minhas orações, por vós e pelas pessoas que estão confiadas ao vosso cuidado. A vossa visita ad limina Apostolorum exprime a profunda comunhão de amor e de verdade que une as Igrejas particulares da Índia ao Sucessor de Pedro e aos seus colaboradores no serviço da Igreja universal. Assim, ao virdes para "ver Pedro" (Gl 1, 18), confirmais a vossa "unidade na mesma fé, esperança e caridade, reconhecendo e valorizando cada vez mais a imensa herança da riqueza espiritual e moral que toda a Igreja, unida ao Bispo de Roma... espalhou pelo mundo inteiro" (Pastor bonus, apêndice I, 3).

2. Dar testemunho de Jesus Cristo é "o serviço supremo que a Igreja oferece aos povos da Ásia" (Ecclesia in Asia, 20). Vivendo com numerosas pessoas que ainda não conhecem Cristo convence-nos cada vez mais da necessidade do apostolado missionário. A novidade radical da vida trazida por Cristo e vivida pelos seus discípulos desperta em nós a urgência da actividade missionária (cf. Redemptoris missio, 7). Isto exige a proclamação explícita de Jesus como Senhor: um testemunho corajoso, que se fundamenta no seu mandato: "Ide, pois, e fazei com que todas as nações sejam meus discípulos" (Mt 28, 19), e é corroborado pela sua promessa: "Eu estou sempre convosco" (Mt 28, 20). Efectivamente, é na fidelidade à tríplice missão de Cristo, como Sacerdote, Profeta e Rei, que todos os cristãos, fiéis à sua dignidade baptismal, têm o direito e o dever de participar de maneira activa nos esforços missionários realizados pela Igreja (cf. Redemptoris missio, 71).

O apelo a uma nova evangelização e a um renovado compromisso missionário, que pude dirigir a toda a Igreja, ressoa de forma igualmente clara, tanto para as vossas antigas comunidades cristãs, como para as mais novas. Enquanto a evangelização inicial dos não-cristãos e a proclamação constante de Jesus aos baptizados realçam os diferentes aspectos da mesma Boa Nova, ambas derivam do firme compromisso em ordem a fazer com que Cristo seja cada vez mais conhecido e amado. Esta obrigação encontra a sua origem sublime no "amor fontal" do Pai, que se manifestou na missão do Filho e do Espírito Santo (cf. Ad gentes, 2). Deste modo, todos os cristãos são atraídos ao amor premente de Cristo, que "não podemos deixar de anunciar" (Act 4, 20) como o manancial da esperança e da alegria que nos distingue.

3. A correcta compreensão da relação entre a cultura e a fé cristã é vital para a eficácia da evangelização. No vosso subcontinente indiano, contais com culturas ricas de tradições religiosas e filosóficas. Neste contexto, vemos como é absolutamente essencial a proclamação de Jesus Cristo como o Filho encarnado de Deus. É nesta compreensão da unicidade de Cristo como a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, plenamente Deus e plenamente homem, que a nossa fé deve ser anunciada e abraçada. Qualquer teologia da missão que omitisse a exortação à conversão radical a Cristo e negasse a transformação cultural que esta conversão comporta, sem dúvida faria uma interpretação errónea da realidade da nossa fé, que é sempre um novo começo na vida daquele que é "o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14, 6).

A este propósito, confirmamos que o diálogo inter-religioso não substitui a missio ad gentes, mas faz parte da mesma (cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Dominum Iesus, 2). De modo semelhante, deve observar-se que as explicações relativistas do pluralismo religioso, que afirmam que a fé cristã não tem um valor diferente dos outros credos, na realidade desvirtuam o cristianismo do seu núcleo cristológico, que o define: a fé que se torna alheia ao nosso Senhor Jesus, como o único Salvador, deixa de ser cristã e não é mais teológica. Uma representação ainda mais errónea da nossa fé tem lugar quando o relativismo leva ao sincretismo: trata-se de uma "idealização espiritual" artificial, que manipula e, por conseguinte, desvirtua a natureza essencial, objectiva e reveladora do cristianismo. Aquilo que faz com que a Igreja seja missionária por sua natureza é, precisamente, a índole definitiva e completa da Revelação de Jesus Cristo como o Filho de Deus (cf. Dei Verbum, 2). Este é o fundamento da nossa fé. É isto que torna o testemunho cristão credível. Com alegria e humildade, havemos de aceitar que "nós, que recebemos a graça de acreditar em Cristo, revelador do Pai e Salvador do mundo, temos a obrigação de mostrar a profundidade a que pode levar o relacionamento com Ele" (Novo millennio ineunte, 33).

4. Queridos Irmãos, os vossos relatórios quinquenais põem em grande evidência a presença do Espírito que vivifica a dimensão missionária da vida da Igreja nas vossas Dioceses. Apesar dos obstáculos encontrados pelas pessoas especialmente pelas mais pobres que desejam abraçar a fé cristã, o número dos baptismos adultos são numerosos numa boa parte da vossa região. Igualmente encorajadores são a elevada percentagem dos católicos que assistem às Missas dominicais e o crescente número de leigos que participam na Liturgia. Estes exemplos da pronta aceitação do dom divino da fé também indicam a necessidade de um diligente cuidado pastoral nas nossas comunidades. Correspondendo à aspiração de um novo ímpeto na vida cristã, afirmei que temos o dever de permanecer firmemente centrados no programa que já se encontra no Evangelho e na Tradição viva, e que tem como núcleo o próprio Cristo (cf. ibid., 29).

O motivo pelo qual devemos desenvolver iniciativas pastorais adequadas às circunstâncias sociais e culturais das nossas comunidades, e contudo solidamente enraizadas na unicidade de Cristo, é óbvio: "Não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, Senhor. Quanto a nós, é como vossos servos que nos apresentamos" (2 Cor 4, 5). Longe de ser uma questão de poder de controlo, os programas eclesiais de evangelização e de formação são desenvolvidos, na consciência de que "cada pessoa tem o direito de ouvir a Boa Nova de Deus, que se revela e se dá em Cristo" (Ecclesia in Asia, 20). Embora haja numerosos sinais de uma vida eclesial dinâmica nas vossas Províncias, contudo subsistem alguns desafios. Uma maior estima pelo Sacramento da Reconciliação ajudará a preparar espiritualmente as vossas comunidades para a tarefa de "fazer tudo o que lhes for possível com vista a dar testemunho da reconciliação e a torná-la presente no meio do mundo" (Reconciliatio et paenitentia, 8). De modo semelhante, o nosso ensinamento acerca do matrimónio, como um sinal sagrado da fidelidade perene e do amor altruísta de Cristo pela sua Igreja, indica o valor inestimável de um programa de preparação integral para as pessoas que estão prestes a abraçar este sacramento e, através delas, para a sociedade em geral. Além disso, enquanto atraem milhares de peregrinos das outras religiões, as festividades e as devoções associadas aos numerosos santuários dedicados a Nossa Senhora, na vossa região, devem ser solidamente inseridas na vida litúrgica da Igreja, se quiserdes que elas se tornem uma autêntica experiência cristã.

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