Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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5. Num mundo desfigurado pela divisão, a Igreja como sinal e instrumento da comunhão de Deus com a humanidade (cf. Lumen gentium, 1) constitui uma poderosa portadora da unidade e da reconciliação que ela tem em si mesma. Como Bispos, chamados a manifestar e a preservar a Tradição apostólica, estais unidos numa comunhão de verdade e de amor. Individualmente, sois a fonte e o fundamento visíveis da unidade nas vossas Igrejas particulares, que foram constituídas segundo o modelo da Igreja universal. Assim, enquanto corresponde à verdade afirmar que o Bispo representa a sua própria Igreja, é também necessário recordar que, juntamente com o Papa, todos os Bispos representam toda a Igreja no vínculo da paz, do amor e da unidade (cf. ibid., 23). A propósito disto, o Bispo nunca de ve ser considerado como o mero delegado de um grupo social ou linguístico em particular, mas há-de ser sempre reconhecido como Sucessor dos Apóstolos, cuja missão provém do Senhor. Rejeitar um Bispo, quer individual quer comunitariamente, é sempre uma transgressão da comunhão eclesial e, desta forma, constitui um escândalo para os fiéis e um testemunho negativo para os seguidores das outras religiões. Todo o espírito de antagonismo ou de conflito que sempre fere o Corpo de Cristo (cf. 1 Cor 1, 12-13) deve ser rejeitado e substituído pelo amor prático e concreto por cada pessoa, que deriva da contemplação de Cristo.

6. Dou graças a Deus pelas numerosas indicações de desenvolvimento e de maturidade nas vossas Dioceses. Além de depender da dedicação muitas vezes altruísta dos vossos sacerdotes, religiosos, religiosas e catequistas, e da generosidade do vosso povo, este desenvolvimento depende também do ministério dos missionários e da generosidade financeira dos benfeitores ultramarinos. A "união de intenções e de aspirações, em ordem a promover o bem comum e o bem das Igrejas particulares" (cf. Christus Dominus, 36), que tem sido promovida deste os tempos apostólicos, constitui uma eloquente manifestação da natureza da Igreja como comunhão. Além disso, é também verdade que as Igrejas particulares, inclusivamente as que vivem nos países em vias de desenvolvimento, deveriam procurar construir os seus próprios recursos, para promover a evangelização local, fundando centros pastorais e instituições de educação e de caridade. Com esta finalidade, encorajo-vos a dar continuidade aos notáveis progressos que já alcançastes juntamente com os leigos e em colaboração com os Institutos religiosos (cf. Código de Direito Canónico, cân. 222). Quanto a vós, animo-vos a dar um exemplo inquestionável através da vossa imparcialidade na gestão dos recursos conjuntos da Igreja (cf. ibid., cânn. 1276 e 1284). Deveis assegurar que a administração "dos bens... destinados a todos" (Sollicitudo rei socialis, 42) não seja desvirtuada pelas tentações do materialismo ou do favoritismo, mas seja sabiamente empreendida, em resposta às necessidades espirituais e materiais dos pobres.

7. Queridos Irmãos, é com particular alegria que compartilho estas reflexões convosco, nesta festividade do glorioso Apóstolo S. Tomé, tão venerado pelo vosso povo. Quero assegurar-vos, uma vez mais, as minhas orações e o meu apoio, enquanto continuais a apascentar com amor os rebanhos confiados ao vosso cuidado. Unidos na vossa proclamação da Boa Nova salvífica de Jesus Cristo, renovados no zelo dos primeiros cristãos e inspirados pelo exemplo firme dos Santos, vamos em frente com esperança! Neste Ano do Rosário, oxalá Maria, modelo de todos os discípulos e Estrela luminosa da Evangelização, seja a vossa guia, no momento em que "procurais fazer o que Jesus vos diz" (cf. Jo 2, 5). Enquanto vos confio à sua protecção maternal, concedo-vos cordialmente a minha Bênção apostólica, a vós e aos sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis leigos das vossas Dioceses.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR ABDULHAFED GADDUR CHEFE DA MISSÃO DA LÍBIA POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

Terça-feira, 1° de Julho de 2003

Senhor Chefe da Missão

1. No momento solene, em que Vossa Excelência me apresenta as Cartas, mediante as quais é acreditado como Representante da Grande Jamarihia Popular Socialista Árabe da Líbia junto da Santa Sé, desejo dar-lhe as minhas calorosas boas-vindas.

Ao agradecer-lhe as amáveis expressões que o Senhor Chefe da Missão me transmitiu, é com prazer que retribuo a gentil saudação que, por seu intermédio, Sua Ex.cia o Senhor Muhammad Gheddafi, Líder da Revolução Líbia, me dirigiu recordando, ao mesmo tempo, o compromisso conjunto da Santa Sé e do seu País, no que diz respeito à compreensão entre os Estados, ao revigoramento do diálogo no campo internacional, à defesa dos princípios da tolerância entre os povos e à promoção da paz e da justiça.

Peço-lhe que tenha a amabilidade de se fazer intérprete, junto do Governo que Vossa Excelência representa, dos meus sentimentos de respeito e de consideração pelas diversas iniciativas por ele tomadas, em ordem a consolidar no consenso das Nações os processos de respeito e de colaboração recíprocos, no contexto da legalidade internacional. Outrossim, asseguro o meu afecto constante pelo querido povo da Líbia e a minha oração pelo seu progresso sereno, na plena realização de todos os elevados ideais humanos e espirituais.

2. A acção da Santa Sé no âmbito dos assuntos de direito internacional é caracterizada pela procura perseverante de um diálogo sincero, realçando tudo aquilo que une, e não o que divide, com vista a favorecer a compreensão entre as Nações, a obtenção da paz e da justiça, a defesa das peculiaridades legítimas de cada povo e a solidariedade concreta para com os menos afortunados.

O método do diálogo corajoso e perseverante revela-se particularmente útil para enfrentar as não poucas tensões existentes no mundo inteiro, tensões estas que causam preocupações e, para serem resolvidas, exigem a colaboração concreta por parte de todos, tendo sempre bem presentes os princípios fundamentais da verdade, da justiça, do amor e da liberdade. Penso na situação no Médio Oriente, que me está muito a peito; no terrorismo que, podendo atingir em toda a parte, de maneira indiscriminada, torna inseguras as cidades, os povos e mesmo toda a humanidade; nos conflitos que impedem os habitantes de muitas regiões da África de construir o seu próprio desenvolvimento; e na distribuição injusta dos bens da terra e dos frutos da investigação tecnológica, humana e espiritual.

O diálogo, assente sobre leis morais sólidas, facilita a solução das contendas e favorece o respeito pela vida, por toda a vida humana. É com gosto que recordo aqui as iluminadas palavras que o meu venerado Predecessor, o Beato Papa João XXIII, escrevia há precisamente quarenta anos, na Carta Encíclica Pacem in terris: "Para uma convivência ordenada e fecunda deve pôr-se como fundamento o princípio de que cada ser humano é uma pessoa, ou seja, uma natureza dotada de inteligência e de livre vontade; e portanto, é sujeito de direitos e de deveres, que brotam imediata e simultaneamente da sua própria natureza: direitos e deveres que são, por isso, universais, invioláveis e inalienáveis" (AAS 55 [1963], pág. 259). Este é o motivo pelo qual o recurso às armas, para dirimir as controvérsias, corresponde sempre a uma derrota da razão da humanidade.

3. Consciente do papel da religião na promoção e na consolidação da cultura do encontro, da compreensão recíproca e da colaboração concreta, a Igreja deseja fazer progredir a sua missão de paz, exortando todos a serem responsáveis, uns pelos outros, pela construção de um mundo mais justo, mais solidário e mais livre (cf. João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2003, n. 9).

Este testemunho é dado também pela pequena e activa Comunidade católica que vive na Líbia. Apesar da escassez dos seus recursos, ela põe-se em nome de Cristo ao serviço do homem, de todos os homens, porque em cada ser humano reconhece o rosto de Deus a acolher, a amar e a servir. É nesta verdade que se inspiram as pessoas consagradas que se dedicam a várias actividades de carácter humanitário e assistencial. A Igreja católica que está na Líbia deseja continuar a sua acção, cultivando o espírito de comunhão fraternal, a disponibilidade para com o próximo, com uma presença discreta e amorosa.

4. Senhor Chefe da Missão, quero pedir-lhe que transmita às Autoridades líbias e ao mundo inteiro a minha gratidão pela estima e a consideração que eles dedicam à missão e à obra da Igreja.

A estima é recíproca. A vontade sincera de uma colaboração honesta constitui o fundamento para uma cooperação profícua entre os fiéis e entre todos os homens. Isto é válido, de maneira particular, para os seguidores do Islão e os cristãos. Diante de tais tentativas de deturpação da religião e do uso ilegítimo das Tradições sagradas, é necessário reiterar com vigor que são contrárias a Deus e ao homem as práticas que estimulam a violência e o desprezo da vida humana. Há que encorajar, com determinação firme, o caminho do diálogo e da compreensão mútua, no respeito pelas diferenças, de tal maneira que se possa fomentar a paz autêntica, e que o encontro entre os diferentes povos se realize num contexto de entendimento solidário.

Enquanto recebo de bom grado as Cartas que o acreditam como Chefe da Missão da Grande Jamarihia Popular Socialista Árabe da Líbia junto da Santa Sé, queira aceitar os meus ardentes bons votos para o importante cargo que lhe foi confiado. No cumprimento do seu dever, Vossa Excelência poderá contar com a minha atenção constante, e também com a ajuda competente e sincera dos meus colaboradores.

Acompanho estes meus bons votos com a invocação da abundância das Bênçãos divinas, sobre Vossa Excelência e os seus colaboradores, sobre o povo da Líbia e os seus governantes.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DA IGREJA COPTA DA ASSEMBLEIA DA HIERARQUIA CATÓLICA DO EGIPTO EM VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

Sábado, 30 de Agosto de 2003

Beatitude Caros Irmãos no Episcopado

1. É com imensa alegria que vos recebo, a vós que vindes realizar a vossa visita ad Limina, para rezar junto dos túmulos dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, testemunhas unidas da fidelidade a Jesus Cristo até ao dom do seu próprio sangue, e vindes manifestar a vossa comunhão com o Sucessor de Pedro. Agradeço ao vosso Patriarca, Sua Beatitude o Cardeal Stéphanos II Ghattas, as suas amáveis palavras que me permitem participar nas vossas alegrias, nas vossas dificuldades e nas vossas expectativas de Pastores. É com alegria que saúdo, de maneira particular, aqueles de vós que participam pela primeira vez nesta rica experiência de comunhão na fé e no serviço ao Senhor. Juntamente convosco, dou graças a Deus por todas as comunidades cristãs presentes no Egipto, herdeiras do primeiro anúncio do Evangelho, feito por parte de São Marcos, enquanto recordo com alegria e emoção a minha peregrinação jubilar ao Cairo e ao mosteiro de Santa Catarina, aos pés do Monte Sinai. Ali, compreende-se melhor a singular implantação da revelação cristã nessa região do mundo e o seu vínculo intrínseco com o primeiro Testamento.

2. No início do nosso encontro, desejo encorajar-vos na vossa missão específica de Pastores. Tornastes-vos Bispos através da Ordenação sacramental, sucessores dos Apóstolos e primeiros responsáveis, juntamente com o Sucessor de Pedro, do anúncio da Boa Nova ao mundo inteiro. Bem sei com quanta responsabilidade procurais transformar as comunidades cristãs que vos foram confiadas em comunidades vivas, que sejam testemunhas autênticas do Evangelho, "com os factos e na verdade", como nos exorta a fazer o apóstolo São João (cf. 1 Jo 3, 18). No seio da sociedade egípcia, tão rica de história e de cultura, e fortemente marcada pela presença do Islão, sabeis que o testemunho mais importante é o da vida de todos os dias, centralizada no duplo mandamento do amor de Deus e do amor ao próximo. Juntamente com os sacerdotes, com os religiosos, as religiosas e todos os leigos que vivem no coração do mundo, desejais dar testemunho diante de todos, da grandeza e da beleza da vida humana, chamada a servir a glória do seu Criador e a compartilhá-la, um dia, na alegria do mundo que há-de vir. No início do terceiro milénio, o campo da missão está amplamente aberto à Igreja, que deseja ser a voz dos pequenos e dos pobres em geral, que quer acolher o apelo de todos aqueles que aspiram à paz, que deseja receber os refugiados que não dispõem de um país nem de um lar e, desta maneira, pôr-se ao serviço da verdadeira dignidade de cada homem.

Quereis legitimamente que a Igreja que está no Egipto permaneça aberta à universalidade, ligada à comunhão eclesial, desejando dar e receber, num intercâmbio permanente, o tesouro conjunto da fé. Encorajo-vos sinceramente a dar continuidade ao trabalho fraternal que já está a ser realizado no seio da Assembleia dos Bispos católicos do Egipto, quando vos encontrais com os Bispos de diferentes ritos para vos ajudar reciprocamente nas vossas responsabilidades de Pastores e para aprofundar em conjunto os vínculos da autêntica unidade católica. Deveis saber que o Papa vos acompanha neste nobre compromisso de colaboração fraternal, que serve o bem de todos os vossos fiéis e exprime e edifica a comunhão eclesial.

3. Os sacerdotes são os vossos primeiros colaboradores no ministério, e estimo o seu trabalho pastoral e a sua disponibilidade ao serviço dos seus irmãos. Muitas vezes, eles estão ligados a uma pastoral de proximidade que faz deles pais da sua comunidade, preocupando-se em visitar as famílias, em compartilhar as suas dificuldades e expectativas, e em ajudá-las na sua vida diária. Assegurai-lhes o profundo reconhecimento do Papa pelo bonito testemunho da sua caridade pastoral. Encorajai-os a dar continuidade à formação pessoal, através do estudo da Palavra de Deus e da contemplação dos mistérios da fé, sabendo utilizar os instrumentos que o Magistério da Igreja universal pôs à disposição de todos, e mais precisamente o Catecismo da Igreja Católica. Mediante cursos de formação permanente adequados, ajudai-os a conhecer melhor o mundo contemporâneo, caracterizado por intercâmbios cada vez mais numerosos e incessantes, a fim de que compreendam melhor as suas dificuldades e as suas expectativas, e encontrem outros meios para anunciar Jesus Cristo. Através do seu ministério sacramental, centrado na Eucaristia que faz viver a Igreja (cf. Ecclesia de Eucharistia, 21), mas também mediante uma vida de oração pessoal, cadenciada pelo Ofício divino, que é a oração da Igreja, e alimentada por encontros suscitados pelo ministério pastoral, que eles sejam, segundo o exemplo de Cristo, os intercessores de toda a comunidade junto de Deus! Convosco, faço votos a fim de que todos os sacerdotes tenham condições de vida dignas e sóbrias, e que beneficiem, na medida do possível, da mesma salvaguarda e assistência no âmbito social, apesar da disparidade das riquezas, que pode verificar-se nas vossas Dioceses e que vos compromete através da partilha fraterna.

4. A vossa Igreja tem a ventura de poder contar com presbíteros em número suficiente e de poder ordenar novos sacerdotes em cada ano, graças às vocações ainda numerosas e ao trabalho que está a ser realizado pelo Seminário Maior de Maadi. Desejo agradecer ao grupo de formadores, a quem exorto a fim de que continuem com zelo e devoção o seu trabalho de discernimento e de preparação dos futuros Pastores, para o bem de todas as Igrejas católicas do Egipto, uma vez que o seminário é interdiocesano e inter-ritual. Sei que vos preocupais também em realizar, no âmbito de todas as vossas Eparquias, uma autêntica pastoral das vocações, que vos garantirá a permanência do apelo do Senhor e da Igreja junto dos jovens, não só no que diz respeito às vocações dos sacerdotes diocesanos, Pastores indispensáveis do povo cristão, mas também no que se refere às vocações à vida consagrada masculina e feminina. Na Igreja universal, actualmente muitos países vivem uma crise duradoura das vocações e a falta de sacerdotes: aqueles que têm a graça de evitar estes problemas, devem portanto cultivar com cuidado este dom precioso do Senhor à sua Igreja, preparando-se também para o partilhar, assumindo a sua parte da missão noutras Igrejas e noutras terras.

5. Como muitas vezes tive o prazer de afirmar, os jovens são o futuro da Igreja, e isto é particularmente verdade no vosso País, rico sobretudo de jovens. Por conseguinte, eles devem ser ajudados a preparar-se para assumir as suas responsabilidades futuras, mediante uma educação adequada. A escola católica, rica da sua grande experiência, dedica-se a isto de maneira muito especial, assegurando às jovens gerações uma formação humana equilibrada e sadia, capaz de lhes oferecer pontos de referência duradouros, sobretudo no âmbito moral. Além disso, ela deve assegurar-lhes uma formação cristã sólida, fiel ao espírito e às normas do ensinamento catequético delineado pelos Bispos, que são os seus primeiros responsáveis, assim como são responsáveis também pela própria escola católica. Inclusivamente as paróquias e as Dioceses podem, ao nível que lhes é próprio, propor aos jovens cristãos, programas de formação catequética, moral e espiritual, que lhes permita aprofundar de modo apropriado a sua fé pessoal, encorajando-os a ir mais além nos seus compromissos.

6. O papel dos religiosos e das religiosas nas vossas dioceses é notável, sobretudo pelo testemunho específico que eles dão da prioridade do amor de Deus na vida cristã, através da profissão dos conselhos evangélicos, que os consagram inteiramente ao Senhor. A sua participação activa na pastoral das vossas Dioceses não é menos preciosa, sobretudo nas escolas católicas, nas paróquias, no campo da saúde e das obras caritativas e sociais, mas também nos âmbitos mais específicos da investigação teológica, da pastoral da cultura e do diálogo inter-religioso. Agradeço-lhes profundamente e alegro-me pela excelente colaboração que caracteriza as relações entre as vossas Dioceses e as Congregações e os Institutos religiosos, nelas existentes, para o bem de todos. Saúdo de maneira particular as comunidades das religiosas, geralmente pequenas e dispersas em vastos territórios, porque desejam garantir ao povo cristão a ajuda da sua oração e a assistência do seu trabalho apostólico, nas escolas e nos dispensários que elas põem à disposição da população, sem qualquer distinção de raça ou de religião, manifestando assim o carácter universal do amor de Jesus Cristo. Elas têm necessidade também de todo o vosso encorajamento para continuar a crescer espiritualmente no amor ao Senhor, através da oração, da escuta da Palavra de Deus e do serviço humilde e atento aos seus irmãos.

7. A Igreja católica que está no Egipto não reivindica para si mesma qualquer vantagem particular, mas somente o direito de poder viver, no seio da Nação, da graça que o Senhor lhe concedeu, chamando-a ao seu serviço. Alegro-me pelo importante trabalho que a Igreja católica está a realizar no meio da sociedade egípcia, no âmbito sócio-educativo, ao serviço da promoção da mulher, da assistência à maternidade e à infância, da luta contra a analfabetismo, assumindo assim o seu papel no desenvolvimento do País.

Encorajo-vos a manter bons relacionamentos com os irmãos cristãos das outras confissões, ou seja, com a Igreja copto-ortodoxa, e a promover, por vossa vez, o espírito de um autêntico diálogo ecuménico. Não vos deixeis desanimar pelas dificuldades presentes ou futuras, mas conservai com firmeza o desejo de ser fiéis ao mandamento do Senhor: "Assim como Eu vos amei, também vós deveis amar-vos uns aos outros" (Jo 13, 34), conscientes de que os vínculos da caridade fraterna não impedem que se viva em conformidade com a verdade e a justiça, mas que, ao contrário, o exigem.

O diálogo com o Islão é particularmente importante no vosso País, onde esta é a religião da maior parte dos habitantes, mas reveste inclusivamente um carácter exemplar para o diálogo entre as grandes religiões do mundo, especialmente necessário depois dos trágicos acontecimentos ligados ao terrorismo, que caracterizaram o início do terceiro milénio e que a opinião pública pode ser tentada a atribuir a causas de origem religiosa. Desejo recordar como é fundamental que as religiões do mundo unam os seus esforços para denunciar o terrorismo e para trabalhar em conjunto ao serviço da justiça, da paz e da fraternidade entre os homens.

8. Por intercessão do Evangelista São Marcos, invoco sobre vós a protecção maternal da Virgem Maria, tão venerada pelos cristãos do Egipto, e peço ao Senhor que derrame sobre vós os copiosos dons do seu Espírito. "Apascentai o rebanho de Deus que vos foi confiado, velando sobre ele não por imposição mas de livre e espontânea vontade, como Deus quer; não por um sórdido espírito de lucro, mas com generosidade; não como dominadores sobre aqueles que vos foram confiados, mas como modelos do vosso rebanho" (1 Pd 5, 2-3). Caros Irmãos no Episcopado, transmiti a todos os vossos fiéis a cordial saudação e o encorajamento paternal do Sucessor de Pedro!

Concedo-vos a todos uma afectuosa Bênção apostólica.
MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II POR OCASIÃO DA ORDENAÇÃO DO PRIMEIRO PREFEITO APOSTÓLICO E DA BÊNÇÃO DA CATEDRAL DE ULAN BATOR (MONGÓLIA)

A Sua Eminência o Cardeal Crescenzio SEPE Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos

1. É com grande alegria que lhe escrevo, Venerável Irmão, no momento em que Vossa Eminência se prepara para visitar uma vez mais a jovem comunidade cristã que peregrina no vasto País asiático da Mongólia, rico de história e de tradições culturais.

No mês de Julho do ano passado, Vossa Eminência visitou Ulan Bator, capital da Nação mongol, para celebrar o décimo aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a Mongólia e a Santa Sé, e para realçar a presença viva nessa região, de uma comunidade cristã de fundação relativamente recente. Embora a primeira evangelização da Mongólia tenha tido lugar com a chegada dos cristãos da Pérsia, no século VII, somente na primeira metade do século XX uma missão foi confiada à Congregação do Coração Imaculado de Maria, nessa distante região. No início, o regime pró-comunista dessa época impediu que os missionários entrassem nessa região. Por fim, as portas abriram-se ao Evangelho e, partir de 1991, começaram a chegar os primeiros evangelizadores: sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos passaram a comprometer-se activamente na "vinha do Senhor".

Para mostrar os resultados fecundos e positivos alcançados nesta década, no ano passado tiveram lugar dois acontecimentos fundamentais para a vida da Igreja: a elevação da Missão sui iuris de Urga, Ulan Bator, à categoria de Prefeitura Apostólica, com a nova denominação de Ulaanbaatar, e a subsequente designação do primeiro Prefeito Apostólico, na pessoa do Reverendo Padre Wenceslao Padilla, C.I.C.M., assim como a primeira ordenação de três sacerdotes e de um diácono que, embora não sendo naturais desse País, consideram a Mongólia como a sua pátria de adopção. Eles representam um sinal promissor de esperança para o futuro da comunidade eclesial local.

2. A volta de Vossa Eminência a essa querida terra, mais de um ano depois, é motivada por outros dois acontecimentos, não menos importantes e felizes: a Ordenação episcopal do Prefeito Apostólico e a bênção da Catedral, dedicada aos Apóstolos Pedro e Paulo. Estes acontecimentos consolidam o edifício espiritual que está a ser construído pelo "pequeno rebanho" de uma jovem Igreja missionária, que cresce na confiança, coadjuvada pelo poder renovador do Espírito Santo. É de todo o coração que gostaria de estar presente pessoalmente nestas celebrações litúrgicas. Dado que isto não fazia parte do plano do Senhor, agora confio-lhe (a Vossa Eminência) a responsabilidade de transmitir as minhas saudações paternas e cheias de afecto ao novo Bispo dessa porção eleita do Povo de Deus, aos outros Prelados e, de maneira especial, ao Arcebispo D. Giovanni Battista Morandini, Núncio Apostólico na Mongólia. Dirijo as minhas saudações também aos sacerdotes, às religiosas e aos outros agentes no campo da pastoral, bem como às pessoas comprometidas nas diversas actividades caritativas e humanitárias. Transmito ainda as minhas cordiais saudações a todos os membros da comunidade católica, aos baptizados, aos catecúmenos e aos "simpatizantes", especialmente às crianças, aos adolescentes e à juventude em geral, que são o futuro e a esperança da Igreja e da sociedade desse nobre País. Por fim, peço-lhe que apresente as minhas saudações respeitosas ao Senhor Presidente da República, às Autoridades civis e a todo o povo da Mongólia, que está sempre próximo do meu coração, assim como aos representantes das várias religiões, com as quais a Igreja católica espera poder colaborar fecundamente, ao serviço do bem comum. Asseguro a todos uma especial lembrança nas minhas orações, enquanto peço ao Deus Todo-Poderoso que abençoe os esforços que estão a ser realizados em ordem a espalhar o seu Reino.

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