Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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A data centenária oferece-vos a oportunidade de reflectir acerca do carisma típico da vossa vocação de Clarissas. Um carisma que se caracteriza, em primeiro lugar, como chamada a viver segundo a perfeição do Santo Evangelho, com uma referência decidida a Cristo, como único e verdadeiro programa de vida. Porventura, não é este um desafio para os homens e para as mulheres de hoje? É uma proposta alternativa à insatisfação e à superficialidade do mundo contemporâneo, que com frequência parece ter perdido a sua identidade, porque já não sente que foi gerado pelo Amor de Deus e que é esperado por Ele na comunhão sem fim.

Vós, queridas Clarissas, realizais o seguimento do Senhor numa dimensão esponsal, renovando o mistério de virgindade fecunda da Virgem Maria, Esposa do Espírito Santo, a mulher realizada. Oxalá a presença dos vossos mosteiros totalmente dedicados à vida contemplativa sejam também hoje "memória do coração esponsal da Igreja" (Verbi Sponsa, 1), repleta do fervoroso desejo do Espírito, que implora incessantemente a vinda de Cristo Esposo (cf. Ap 22, 17).

Face à necessidade de um renovado compromisso de santidade, santa Clara oferece também um exemplo daquela pedagogia da santidade que, alimentando-se incessantemente na oração, leva a tornar-se contemplativo do Rosto de Deus, abrindo o coração ao Espírito do Senhor, que transforma toda a pessoa, mente, coração e acções, segundo as exigências do Evangelho.

9. Os meus votos mais sentidos, corroborados pela oração, são por que os vossos mosteiros continuem a oferecer à exigência difundida de espiritualidade e de oração do mundo de hoje a proposta exigente de uma plena e autêntica experiência de Deus, Uno e Trino, que se torne irradiação da sua presença de amor e de salvação.

Ajude-vos Maria, a Virgem da escuta. Intercedam por vós Santa Clara e as Santas e Beatas da vossa Ordem.

Garanto-vos uma cordial recordação de vós, queridas Irmãs, de quantos compartilham convosco a graça deste significativo acontecimento jubilar, e concedo-vos a todos de coração uma especial Bênção apostólica.

Vaticano, 9 de Agosto de 2003.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES NO III ENCONTRO INTERNACIONAL "JOVENS RUMO A ASSIS"

Sábado, 9 de Agosto de 2003

Caríssimos jovens

1. É-me grato apresentar-vos a minha afectuosa saudação, por ocasião do Encontro Internacional "Jovens rumo a Assis", que vos reuniu de inúmeras partes do mundo, à volta da figura e da mensagem de São Francisco. Desejo saudar o Pe. Joachim Giermek, Ministro-Geral, a quem agradeço as amáveis palavras com que traçou os conteúdos essenciais do vosso "Encontro". Juntamente com ele, saúdo também os amados Padres Conventuais, que vos acompanharam numa sugestiva peregrinação a alguns dos mais antigos Santuários franciscanos.

Durante estes dias de reflexão e de fraternidade, tendes a oportunidade de redescobrir o fascínio dos lugares que ainda hoje dão testemunho da passagem do Pobrezinho de Assis. Em particular, tendes a oportunidade de aprofundar o conteúdo da conhecida oração de Francisco diante do Crucifixo de São Damião e, especialmente, a actualidade da invocação: "Ilumina o meu coração" (cf. Fontes franciscanas, 276).

Da contemplação do rosto sofredor de Cristo crucificado, o jovem Francisco tirou a experiência daquela profunda comunhão com Jesus que o levou, no final da sua existência terrestre, a identificar-se com Ele a ponto de levar impressas no seu corpo os sinais da Paixão.

2. Prezados participantes no III Encontro Internacional "Jovens rumo a Assis"! Desejo renovar-vos o convite que dirigi à Igreja inteira, no limiar do novo milénio: contemplai o rosto de Cristo, a face do moribundo e o rosto do Ressuscitado! "O brado de Jesus na cruz não atraiçoa a angústia de um desesperado, mas a oração do Filho, que oferece a sua vida ao Pai no amor, para a salvação de todos" (Carta Apostólica Novo millennio ineunte, 26). É necessário acolher esta mensagem de esperança na nossa vida e anunciá-la ao mundo como plena revelação do amor de Deus, como foi oportunamente recordado pelo Ministro-Geral.

Segundo o exemplo de Francisco, aprendereis também vós a fixar com fé o rosto do Crucificado e a ver reflectidos nele os sofrimentos do homem. A cruz de São Damião, que vos acompanha também no dia de hoje, reavive em vós a luz que "ilumina o coração" e orienta a vossa peregrinação até Colónia, onde se há-de realizar, em 2005, a Jornada Mundial da Juventude, sempre prontos a anunciar e a dar testemunho do Evangelho. Não é, porventura, este o convite de Francisco e também a experiência de Clara de Assis, cujo 750º aniversário da morte se celebra precisamente nestes dias?

3. Contemplando o rosto de Cristo, podereis experimentar os frutos da sua Paixão e da sua Ressurreição, tornando-vos capazes de acolher as pessoas que sofrem por causa da enfermidade, da violência, do ódio e da injustiça. Assim como Francisco encontrou Cristo na solidariedade e no serviço aos pobres e aos leprosos (cf. Testamento, 1-3: Fontes franciscanas, 110; Legenda maior, 5: Fontes franciscanas, 1034-1035), também vós, seguindo fielmente o seu exemplo, em cada pessoa que sofre e é marginalizada, sereis capazes de acolher o Redentor e de O servir com generosa dedicação. Conceda-vos o Senhor "juízo e discernimento", para poderdes compreender até ao fundo a sua verdade e traduzi-la em opções de vida oportunas.

Acompanho-vos com o afecto e a oração, enquanto invoco sobre vós e sobre as vossas confrarias de proveniência a salvaguarda maternal da Virgem Maria, que os Franciscanos invocam com o bonito título de "Santa Maria dos Anjos". Abençoo-vos a todos do íntimo do coração, juntamente com os vossos familiares e amigos.

No final do encontro, o Papa não deixou de saudar de modo especial os jovens polacos, pronunciando na sua língua estas palavras:

Dou também as boas-vindas e saúdo os participantes provenientes de Wadowice. Agradeço-vos a todos esta vossa visita.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES DO XII SEMINÁRIO SOBRE "CIÊNCIA, RELIGIÃO E HISTÓRIA"

Ilustres Senhores Prezados Amigos

Desejo exprimir a minha cordial gratidão por esta reflexão conjunta que, nestes dias, nos reuniu na busca da verdade. Estou grato a Deus pela 12ª vez que nos pudemos reunir aqui para meditar sobre os problemas relativos às grandes questões que decidem a especificidade da cultura humana. Salientei o papel destes problemas na Encíclica Fides et ratio. Na cultura contemporânea, não podem faltar as interrogações fundamentais sobre o sentido e a verdade, sobre a beleza e o sofrimento, sobre o infito e a contingência. Agradeço-vos, porque pudemos abordá-las numa perspectiva em que se completam reciprocamente as novas descobertas da ciência e a reflexão sobre a filosofia clássica.

A nossa comunidade exprimiu simbolicamente o vínculo entre a Igreja e a Academia. Este laço é particularmente importante, nesta época de grandes mudanças culturais. A fim de que as testemunhas contemporâneas da verdade não se sintam sozinhas, é necessário promover uma grande solidariedade de espírito entre todos aqueles que estão ao serviço do pensamento. A Igreja não pode permanecer indiferente diante das conquistas da ciência, que nasceu e se desenvolveu no âmbito das influências culturais da cristandade. É necessário recordar também que a verdade e a liberdade estão inseparavelmente unidas na grandiosa obra de edificação da cultura, ao serviço do desenvolvimento integral da pessoa humana. Recordando as palavras de Cristo, "a verdade libertar-vos-á" (Jo 8, 32), queremos edificar uma cultura do Evangelho livre das ilusões e das utopias, que acarretaram muitos sofrimentos ao longo do século XX.

O meu pensamento volta-se para todos aqueles que, no passado, participaram nos nossos seminários. Muitos deles já partiram para a Casa do Senhor e, sem dúvida, na sua Luz vêem com maior clarividência as verdades que nós devemos descobrir na semi-obscuridade das investigações e dos debates. Recomendo a Deus tanto todos eles, como vós aqui presentes. Que nos una o sentido da responsabilidade cristã pelo futuro da cultura. Este sentido permite-nos criar uma grande harmonia de vida que indica Cristo como fonte de todo o bem. A Ele confio-vos todos, assim como os vossos entes queridos e os vossos programas para o futuro.

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AO IV JAMBOREE EUROPEU PROMOVIDO PELA UNIÃO INTERNACIONAL DOS GUIAS E ESCUTEIROS DA EUROPA

Aos Guias e aos Escuteiros da Europa reunidos para o VI Jamboree europeu

1. Por ocasião do VI Jamboree europeu da União Internacional dos Guias e dos Escuteiros da Europa, que está a realizar-se na Polónia, sinto-me feliz por vos dirigir, queridos Guias e Escuteiros da Europa, uma cordial saudação e de vos assegurar a minha profunda união na oração. O tema deste "Jamboree europeu", "Duc in altum!", retoma as palavras que Jesus dirigiu a Pedro: "Faz-te ao largo!" (Lc 5, 4). Ele convida-vos a aprofundar o itinerário espiritual que foi proposto aos cristãos do mundo inteiro, no encerramento do Grande Jubileu do Ano 2000 e aos jovens, em Toronto, no ano passado.

2. Prezados jovens, respondei com generosidade ao apelo de Cristo, que vos convida a fazer-vos ao largo e a tornar-vos suas testemunhas, descobrindo a confiança que Cristo deposita em vós para inventar um futuro com Ele. Para poder ser cumprida, esta missão que a Igreja vos confia exige, em primeiro lugar, que cultiveis uma autêntica vida de oração, alimentada pelos sacramentos, de maneira especial pela Eucaristia e pela Reconciliação. Como sublinhei na recente Encíclica Ecclesia de Eucharistia, "cada esforço de santidade [...] deve extrair a força de que necessita do mistério eucarístico e orientar-se para ele como o seu ponto culminante" (n. 60). Por conseguinte, é importante que a Santa Missa constitua o centro e o ápice deste encontro, assim como de todas as vossas reuniões e, de maneira especial, das vossas semanas na celebração do Dia do Senhor.

Itinerário privilegiado de crescimento espiritual, a experiência do escutismo constitui um caminho de grande valor para permitir a educação integral da pessoa. Ela ajuda a vencer a tentação da indiferença e do egoísmo, para se abrir ao próximo e à sociedade. Além disso, ela pode favorecer eficazmente o acolhimento das exigências da vocação cristã: ser "sal da terra e luz do mundo" (cf. Mt 5, 13-16). Convido-vos a ser fiéis à rica tradição do movimento escutista, comprometido na formação para o diálogo, o sentido da justiça, a lealdade e a fraternidade nos relacionamentos sociais. Tal estilo de vida pode constituir a vossa contribuição original, para a realização de uma fraternidade maior e mais genuína entre os povos da Europa, um contributo precioso para a vida das sociedades em que viveis.

3. Queridos Guias e Escuteiros da Europa, vós sois um dom precioso não somente para a Igreja, mas também para a Europa nova que se está a edificar diante dos vossos olhos, e sois chamados "a participar, com todo o ardor da vossa juventude, na construção da Europa dos povos, para que cada pessoa seja reconhecida na sua dignidade de filho bem amado de Deus e que se torne uma sociedade fundamentada na solidariedade e na caridade fraternal" (Audiência aos Guias e Escuteiros da Europa, 3 de Agosto de 1994).

4. No Santuário mariano de Jasna Góra, que me é tão caro, haveis de renovar diante da Virgem de Czestochowa os compromissos do vosso Baptismo, a vossa promessa de escuteiros e a vossa vontade de ser verdadeiros apóstolos do amor do Senhor. Confirmareis o acto de consagração a Nossa Senhora da Anunciação, já pronunciado há cerca de vinte anos na Catedral de Nossa Senhora de Paris, por ocasião do vosso primeiro encontro europeu. Desde então, o fiat com que Maria respondeu à vontade de Deus tornou-se um elemento central da espiritualidade dos Guias e dos Escuteiros da Europa, de maneira particular através da oração do Angelus e da recitação do Rosário. Neste ano consagrado a Nossa Senhora do Rosário, que estes momentos de oração mariana continuem a impregnar os vossos dias, reavivando em vós a memória da maravilhosa obra da Redenção, que Cristo realizou por nós!

Quando regressardes aos vossos lares, às vossas famílias e às vossas comunidades, enriquecidos pela experiência destes dias, deixai que ressoem em vós estas palavras de Jesus: "Eis que Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo" (Mt 28, 20). Sustentados pela sua graça, procurai viver o vosso compromisso com um entusiasmo renovado; assim, o escutismo será para vós "um meio de santificação na Igreja", que favorecerá e encorajará "uma união mais íntima entre a vida concreta e a vossa fé" (Estatutos, Art. 1-2 e 7). Estes são os bons votos que vos formulo na oração. Invocando sobre o vosso encontro europeu, sobre os responsáveis da União Internacional dos Guias e dos Escuteiros da Europa e sobre cada um de vós, a intercessão da Bem-Aventurada Virgem de Czestochowa, concedo-vos a todos, do íntimo do coração, a minha afectuosa Bênção apostólica.

Castelgandolfo, 30 de Julho de 2003.


REFLEXÃO DE JOÃO PAULO II NA FESTA DA TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR RECORDANDO O SERVO DE DEUS, PAPA PAULO VI

6 de Agosto de 2003

Irmãos e Irmãs

Hoje celebramos a Festa litúrgica da Transfiguração do Senhor. Neste mesmo dia, recordamos a piedosa morte do Servo de Deus Papa Paulo VI. Fazemo-lo nesta Santa Missa, em que Cristo volta a apresentar no altar o seu Sacrifício redentor.

"Mysterium fidei": estas são as palavras com que começa a memorável Encíclica que ele dedicou à Eucaristia, no terceiro ano do seu Pontificado. Devotíssimo mestre da doutrina e do culto à Eucaristia, ele definia a presença sacramental de Cristo no Sacrifício eucarístico como presença "verdadeiramente sublime", que "constitui no seu género o maior dos milagres" (Enc. Mysterium fidei, EV, nn. 423 e 427). Com quanta fé e solicitude Paulo VI instruiu o Povo de Deus sobre este mistério central da fé católica!

Na Festa da Transfiguração pedimos com a Liturgia que "o Pão do céu... nos transforme à imagem de Cristo" (Oração após a Comunhão). Foi isto que, a seu tempo, pediu também Paulo VI. E é isto que nós hoje pedimos para ele, a fim de que, contemplando abertamente o rosto do seu Senhor, possa gozar para sempre da visão da Sua glória.


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES NO "ACAMPAMENTO NACIONAL ITALIANO" DA AGESCI

Caríssimos Escuteiros e Guias da AGESCI

1. Ainda está viva em mim a recordação da visita que tive a alegria de realizar aos Planaltos de Pezza, nos Abruzos, no Verão de 1986, aos participantes na vossa "Route" Nacional. No corrente ano, quisestes propor uma nova e grande experiência comunitária, o Acampamento Nacional, que terá lugar contemporaneamente em quatro localidades, nas Províncias de Avelino, Cálari, Perúsia e Turim. Desta vez, infelizmente, não posso aceitar o vosso amabilíssimo convite para ir visitar-vos. Não obstante, desejo assegurar-vos que me recordo de vós com afecto e que estou próximo de vós através da oração, a fim de que cada um de vós, jovem ou adulto, possa viver em plenitude os dias do vosso "Acampamento".

Há cerca de três meses, recebi em audiência um numeroso grupo de dirigentes e responsáveis da vossa Associação, a quem confirmei a confiança e a estima da Igreja pelos conteúdos e o método da proposta educativa que a Associação está a desenvolver. Agora, enquanto penso em vós que, reunidos em milhares nos maravilhosos cenários em que plantareis as vossas tendas, gostaria de retomar um dos temas formativos que vos é caro, ou seja, a importância que deve revestir o contínuo aprofundamento da fé, valorizando o amor e o respeito pela natureza: trata-se de uma tarefa que hoje se impõe a todos com urgência, mas que os escuteiros vivem desde sempre, impelidos não por um vago "ecologismo", mas pelo sentido de responsabilidade que deriva da fé. Com efeito, a salvaguarda da criação constitui um aspecto qualificador do compromisso dos cristãos no mundo.

2. Lá onde tudo fala do Criador e da sua sabedoria, das majestosas montanhas aos encantadores vales floridos, vós aprendeis a contemplar a beleza de Deus enquanto a vossa alma, por assim dizer, "respira" abrindo-se ao louvor, ao silêncio e à contemplação do mistério divino. O "Acampamento" em que estais a participar, além de ser um período de férias aventurosas, torna-se assim um encontro com Deus, convosco mesmos e com os outros; um encontro favorecido por uma profunda revisão de vida, à luz da Palavra de Deus e dos princípios do vosso compromisso formativo.

Quando Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João, para o monte Tabor, certamente teve a possibilidade de admirar com eles o panorama da Galileia, que se pode vislumbrar lá do cume. Obviamente, este não era o seu objectivo primário. Ele queria tornar os seus discípulos partícipes da sua oração e mostrar-lhes o seu rosto glorioso, com vista a prepará-los para suportar a dura prova da Paixão. Com as devidas proporções, não é este porventura o sentido dos "Acampamentos" que a AGESCI propõe aos seus participantes? Trata-se de momentos fortes em que, favorecidos pelo ambiente natural, vós fareis uma significativa experiência de Deus, de Jesus e da comunhão fraternal. Tudo isto vos prepara para a vida, para fundar na fé os vossos projectos mais comprometedores e para ultrapassar as crises com a luz e a força que provêm do Alto.

3. Caríssimos, o caminho do escutismo da AGESCI visa formar a personalidade dos adolescentes, dos jovens e dos adultos, em conformidade com o modelo evangélico. É uma escola de vida, em que se aprende um "estilo" que, se for bem assimilado, se há-de conservar para toda a vida. Este estilo resume-se na palavra "serviço". E se isto é válido para cada um dos jovens que participa na experiência do escutismo, independentemente da sua fé, é ainda mais verdadeiro para vós, que vos definis e desejais ser realmente "católicos". O vosso serviço deverá ser ainda mais generoso e abnegado, segundo o modelo do serviço de Jesus, que afirmou: "Há mais felicidade em dar, do que em receber!" (Act 20, 35).

Caríssimos Escuteiros e Guias, asseguro-vos a minha presença espiritual, corroborada pela oração, a fim de que Nossa Senhora, Virgem fiel, vos proteja e vos acompanhe.

Com estes pensamentos e sentimentos, é de coração que vos abençoo, a vós, os vossos responsáveis e toda a família da AGESCI.

Castel Gandolfo, 28 de Julho de 2003.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO CAPÍTULO GERAL DA ORDEM DOS CÓNEGOS REGULARES PREMONSTRATENSES

Segunda-feira, 29 de Setembro de 2003

É com afecto no Senhor que tenho o grande prazer de vos saudar, a vós Cónegos Regulares Premonstratenses, por ocasião do vosso Capítulo Geral. Agradeço ao Abade-Geral Emérito, Pe. Hermenegild J. Noyen, as suas palavras de afecto e devoção, enquanto vos asseguro a todos vós a minha proximidade espiritual, no momento em que vos preparais para escolher o vosso novo Abade-Geral.

Os Cónegos Regulares Premonstratenses, na sua longa e ilustre história, contribuíram de maneira significativa para o crescimento e a vida da Igreja, especialmente na Europa, e uno-me a vós neste dia para dar graças a Deus por todas as bênçãos que Ele derramou sobre vós ao longo dos numerosos séculos da vossa existência. A vida consagrada e o seu testemunho da mensagem salvífica de Jesus Cristo desempenharam um papel fundamental na evangelização da Europa e na formação da sua identidade cristã. Assim como a exortação do Papa Gregório VII à renovação foi abraçada por São Norberto, também a Igreja contemporânea olha para os seus filhos espirituais, e espera que contribuam com entusiasmo para enfrentar os desafios apresentados pela pregação do Evangelho, no alvorecer do terceiro milénio. "A Europa tem sempre necessidade da santidade, da profecia, da actividade de evangelização e do serviço das pessoas consagradas" (Ecclesia in Europa, 37).

Nos últimos anos, a vossa Ordem alargou a sua presença a várias regiões do mundo, procurando servir a Igreja através de novas formas de apostolado, que hão-de exigir sempre um compromisso autêntico a imitar, no espírito do vosso fundador, o exemplo da Igreja primitiva, vivendo e promovendo o ideal do "cor unum et anima una" (cf. Act 4, 32). Este testemunho da "koinonia" constituirá um poderoso sinal e fonte de esperança para o mundo, que deve enfrentar formas exageradas de individualismo e de fragmentação social. Nesta perspectiva, encorajo-vos a continuar a promover um espírito de caridade fraternal, vivida em nome de Jesus e do seu amor.

Como muitos outros Institutos religiosos, também a Família norbertina está a passar por uma certa dificuldade na conquista de novas vocações. A este propósito, animo-vos a perseverar nos vossos esforços em ordem a fazer com que o mundo conheça de modo particular os jovens a beleza e a alegria da vocação religiosa. Possa o voto que fazeis na vossa profissão, Offerens trado me ipsum Ecclesiae, constituir uma expressão viva e eloquente do vosso "dom radical de vós mesmos por amor do Senhor Jesus e, nele, por todos os membros da família humana" (Vita consecrata, 3).

Meus queridos Irmãos no Senhor, oxalá Deus vos ilumine durante estes dias de deliberação e vos ajude ao longo do caminho da santidade e do serviço à sua Igreja. Enquanto invoco sobre vós a intercessão de Nossa Senhora Santíssima, Rainha do Rosário, acompanho-vos com o meu pensamento e com as minhas orações, concedendo-vos cordialmente, a vós, aos membros do Capítulo Geral e a todos os Cónegos Regulares Premonstratenses, a minha Bênção apostólica.


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AOS TEÓLOGOS, FILÓSOFOS E PERITOS PARTICIPANTES NO CONGRESSO INTERNACIONAL TOMISTA

Caríssimos Irmãos e Irmãs!

1. É com alegria que vos dirijo esta Mensagem, ilustres teólogos, filósofos e peritos, que participais no Congresso Internacional Tomista, que se realiza nestes dias em Roma. Estou grato à Pontifícia Academia de São Tomás e à Sociedade Internacional Tomás de Aquino, instituições tomistas muito conhecidas pelo mundo científico, por terem organizado este encontro, assim como pelo serviço que prestam à Igreja, promovendo o aprofundamento da doutrina do Doutor Angélico.

Saúdo de coração todos os presentes, dirigindo um pensamento particular ao Cardeal Paul Poupard, Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, ao Pe. Abelardo Lobato, Presidente tanto da Academia como da Sociedade Internacional Tomás de Aquino, e ao Secretário, D. Marcelo Sánchez Sorondo. A todos e a cada um, as minhas cordiais boas-vindas.

2. O tema do Congresso "O humanismo cristão no terceiro milénio" retoma o ponto capital de investigação sobre o homem, começado nos vossos dois Congressos precedentes. Segundo a perspectiva de São Tomás, o grande teólogo qualificado também como Doctor humanitatis, a natureza humana é, em si mesma, aberta e boa. O homem é naturalmente capax Dei (Summa Theologiae, I-II, 113, 10; Santo Agostinho, De Trinit. XIV, 8: PL 42,1044), criado para viver em comunhão com o seu Criador; é um indivíduo inteligente e livre, inserido na comunidade com os seus deveres e direitos próprios; é anel de ligação entre dois grandes sectores da realidade, o da matéria e o do espírito, pertencendo a pleno título tanto a um como a outro. A alma é a forma que dá unidade ao seu ser e o constitui pessoa. No homem, observa São Tomás, a graça não destrói a natureza, mas leva a cumprimento as suas potencialidades: "gratia non tollit naturam, sed perficit" (Summa Theologiae, I, 1, 8 ad 2).

3. O Concílio Vaticano II, nos seus documentos, deu espaço ao humanismo cristão, partindo do princípio fundamental segundo o qual, "unidade de corpo e alma, o homem, pela sua própria condição corporal, é uma síntese do universo material, de tal modo que, por meio dele, atinge o seu ponto mais alto e ergue a voz para louvar livremente o Criador" (Gaudium et spes, 14). É também do Vaticano II aquela resplendente intuição: "o mistério do homem só se esclarece verdadeiramente no mistério do Verbo Encarnado" (ibid., 22).

Com grande antecipação, o Aquinate já se tinha colocado nesta óptica: desde o início da Summa Theologiae, que tem no seu centro a relação entre o homem e Deus, ele sintetiza numa densa e límpida fórmula o plano da exposição futura: "primo tractabimus de Deo; secundo de motu rationalis creaturae in Deum; tertio de Cristo, qui secundum quod homo, via est nobis tendendi in Deum" (Summa Theologiae, I, 2, pról.).

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